TERAPIA DE ANTIVIRAIS PARA COVID-19

ANTIVIRAL THERAPY FOR COVID-19

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511141054


Mikaelly Iasmim de Oliveira Ferreira¹
Luís Antônio Moraes de Vasconcelos¹
Mariana da Silva Santos²
Orientadora: Profa. Dra. Mariana da Silva Santos3


RESUMO 

A COVID-19 é uma infecção respiratória aguda potencialmente grave, de elevada transmissibilidade e distribuição global. Seu agente etiológico, SARS-CoV-2, é um vírus de RNA envelopado pertencente ao gênero Betacoronavirus, o qual apresenta uma forma esférica com picos em sua superfície que se assemelham a uma coroa solar, sua proteína Spike (S) é essencial para a entrada nas células hospedeiras ao se ligar aos receptores da enzima conversora de angiotensina (ECA2). A pandemia de COVID-19 impulsionou uma intensa busca por terapias antivirais eficazes para o controle da infecção. Este trabalho teve como objetivo investigar os fármacos em fase de estudo clínico para o tratamento da COVID-19, por meio de uma revisão integrativa da literatura. A pesquisa foi realizada com estudos publicados entre os anos de 2020 e 2025, nas bases PubMed, ClinicalTrials, BVS, Scopus, Revista Nature e Revista Science, incluindo ensaios clínicos randomizados e controlados de fase III, com amostras adultas e fármacos com atividade antiviral comprovada. Conclui-se que os antivirais avaliados apresentam benefícios clínicos variados, com destaque para Azvudine, Molnupiravir, Nirmatrelvir, Remdesvir, os quais se mostraram promissores na redução da carga viral e progressão da doença.  

Palavras-chave: Tratamento antiviral. Antiviral. COVID-19. 

ABSTRACT 

COVID-19 is a potentially serious acute respiratory infection that is highly transmissible and has spread globally. Its etiological agent, SARS-CoV-2, is an enveloped RNA virus belonging to the Betacoronavirus genus, which has a spherical shape with spikes on its surface that resemble a solar corona. Its Spike (S) protein is essential for entry into host cells by binding to angiotensin-converting enzyme (ACE2) receptors. The COVID-19 pandemic has prompted an intense search for effective antiviral therapies to control the infection. This study aimed to investigate drugs in clinical trials for the treatment of COVID-19 through an integrative literature review. The research was conducted using studies published between 2020 and 2025 in the PubMed, ClinicalTrials, BVS, Scopus, Nature, and Science databases, including phase III randomized controlled clinical trials with adult samples and drugs with proven antiviral activity. It was concluded that the antivirals evaluated have varied clinical benefits, with emphasis on Azvudine, Molnupiravir, Nirmatrelvir, and Remdesvir, which have shown promise in reducing viral load and disease progression.

Keywords: Antiviral treatment. Antiviral. COVID-19.

1. INTRODUÇÃO 

A COVID-19 é uma infecção respiratória aguda causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, potencialmente grave, de elevada transmissibilidade e de distribuição global. O SARS-CoV-2 foi descoberto em amostras de lavado bronco alveolar obtidas de pacientes com pneumonia de causa desconhecida na cidade de Wuhan, província de Hubei, China, em dezembro de 2019. (Brasil, Ministério da Saúde, 2020). Diante desse cenário, a Organização Mundial de Saúde declarou o novo coronavírus como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) (OPAS, 2020). 

O SARS-CoV-2 é um vírus de RNA de fita simples sentido positivo, envelopado, pertencente à família Coronaviridae e ao gênero Betacoronavirus. Esse grupo viral inclui outros coronavírus conhecidos por causar infecções respiratórias em humanos, como o SARS-CoV-1, responsável pelo surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2002-2003, e o MERS-CoV, causador da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) em 2012. No entanto, o SARSCoV-2 se destacou devido à sua elevada transmissibilidade e capacidade de adaptação ao organismo humano (Morais et al., 2020; Araujo et al., 2020). 

Apresenta uma forma esférica com muitos picos em sua superfície, similar a uma coroa solar. O SARS-CoV-2 é composto por 16 proteínas não estruturais e  4 proteínas estruturais principais, responsáveis pelos processos de replicação e pela entrada na célula, a proteína do envelope, a proteína de membrana, a proteína do nucleocapsídeo e a proteína S, ou proteína Spike, que possui alta afinidade com receptores da enzima conversora de angiotensina (ACE2) presente na superfície celular, o vírus utiliza a ressonância plasmônica de superfície para entrar nas células hospedeiras (Güler, 2021).  

Foi relatada recentemente a caracterização bioquímica e biofísica da principal protease na clivagem para o processamento da poliproteína replicase (P0C6U8), a 3-chymotrypsinlike protease (3CLpro) do SARS-CoV-2. Sua descoberta tem alta relevância para o desenvolvimento de medicamentos que possuam sua estrutura como alvo, inibindo essa protease (Güler, 2021). 

Um dos principais desafios no combate à COVID-19 é a alta taxa de mutação do SARS-CoV-2. Por ser um vírus de RNA, ele apresenta um mecanismo de replicação mais propenso a alterações genômicas, o que favorece o surgimento de variantes. Essas variantes podem alterar a transmissibilidade, a gravidade da infecção e a eficácia das vacinas e tratamentos. Atualmente, diversas sublinhagens do vírus já foram identificadas, sendo as principais as variantes Alfa, Beta, Gamma, Delta e Ômicron, cada uma com mutações específicas na proteína Spike que podem impactar a resposta imune (Harvey et al., 2021). 

A doença da COVID-19 compreende um amplo espectro de sintomas, principalmente respiratórios, sendo facilmente confundida com outras doenças como gripes sazonais e pneumonia. Os sintomas relatados mais comuns são febre, dispneia ou fadiga, tosse seca, cefaleia, alterações de olfato e paladar, sintomas gastrointestinais, sintomas neurológicos e mialgia (Wang et al., 2020). 

Por conseguinte, os tratamentos da COVID-19, em sua maioria, são sintomáticos e variam conforme a gravidade dos sintomas. Em casos leves, o tratamento é realizado em casa, seguindo orientação médica. Já em casos mais graves, que envolvem comprometimento respiratório e complicações severas, é recomendado o internamento hospitalar, podendo haver necessidade de cuidados intensivos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (Bezerra, 2024; Conitec, 2021). 

Diversos medicamentos foram autorizados pela ANVISA para uso emergencial durante a pandemia de COVID-19, com base em critérios de eficácia preliminar e segurança observada em estudos clínicos. A Anvisa reforça que decisões de aprovação ou suspensão se baseiam em evidências científicas consolidadas. O uso desses medicamentos deve sempre seguir orientação médica e protocolos oficiais, visando a segurança do paciente e a efetividade terapêutica (BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2023). 

O constante surgimento de variantes reforça a importância da vigilância epidemiológica e da atualização contínua das estratégias de prevenção e tratamento. Pesquisas continuam sendo conduzidas para compreender melhor os mecanismos de mutação e adaptação do vírus (Oliveira, 2020; Silva, 2021). 

Os avanços no tratamento da COVID-19 têm se concentrado principalmente em medicamentos antivirais, que buscam combater o vírus em fases iniciais da doença. Embora os tratamentos convencionais sejam, em sua maioria, voltados para o alívio dos sintomas, a pesquisa científica contínua visa identificar terapias mais eficazes para reduzir a carga viral e melhorar o prognóstico em pacientes com a infecção (Wang et al., 2020; Araújo et al., 2020).  

O presente trabalho tem como objetivo compreender de forma detalhada os principais aspectos biológicos, estruturais e clínicos relacionados ao SARS-CoV-2, agente causador da COVID-19 e o desenvolvimento de terapias e vacinas. Além disso, busca-se analisar os avanços científicos no diagnóstico e tratamento da doença, destacando a importância do uso racional de medicamentos aprovados pela ANVISA. Dessa forma, o estudo visa contribuir para o entendimento do impacto do vírus na saúde pública e da necessidade contínua de pesquisas para o controle eficaz da COVID-19 e de suas variantes. 

2. METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão de integrativa de literatura com análise dos artigos publicados nas bases de dados e fontes científicas PubMed, ClinicalTrials, BVS, Scopus, Revista Nature e Revista Science no período de 2020 a 2025. A pergunta norteadora deste trabalho segue: “Quais os fármacos antivirais estão sendo utilizados para o tratamento da COVID-19?”. 

Para aquisição da amostragem na literatura foram usados Descritores em Saúde e termos para composição da revisão integrativa. Foram selecionados os seguintes descritores nos idiomas de português e inglês: “COVID-19” OR “SARSCOV-2” AND “Antivirais/ Antivirals” OR “Tratamento antiviral/ Antiviral treatment“ OR “Agentes antivirais/ Antiviral agents” AND “Ensaios clínicos/ Clinical trial”.  

A seleção dos artigos foi feita em etapas. Na primeira etapa os estudos clínicos foram filtrados quanto à compatibilidade do título com o objetivo desta revisão, visando selecionar estudos relevantes à área de interesse. Neste processo foram excluídas duplicatas. 

A amostragem iniciou com 128 artigos condizentes com a temática deste estudo. Os estudos foram organizados quanto à base de dados: PubMed (60), ClinicalTrials (32), BVS (21), Scopus (13), Nature (1), Science (1). 

Na segunda etapa foi avaliada a elegibilidade dos estudos quanto à sua amostragem, como a quantidade de participantes, faixa etária do público além da evidência e tipo de estudo, visando filtrar estudos randomizados, com duplo cego, grupo placebo e com uso de medicamentos antivirais ou associações com antivirais. 

A terceira etapa se refere à descrição e interpretação dos estudos e artigos selecionados e aprovados. A descrição dos resultados foi formulada em quadros organizados em nome dos autores, título e periódico, objetivo, amostra, local e ano e os principais resultados.  

3. RESULTADOS 

Após as buscas nas bases de dados foram selecionados 127 estudos, durante a avaliação dos estudos foram removidos os estudos filtrados por título (n=56), permanecendo 71 artigos. Sequentemente, os estudos foram criteriosamente filtrados quanto aos critérios de elegibilidade (n=34), contabilizando um total de 37 artigos para avaliação no presente estudo. 

Os resultados se basearam nos artigos selecionados, que foram publicados entre os anos de 2020 e 2025, conduzidos em diversos países, incluindo Brasil, China, Japão e Estados Unidos. Os estudos relatam os seguintes fármacos: 

Azvudine, Ensitrelvir, Favipiravir, Lopinavir, Molnupiravir, Nirmatrelvir e Remdesvir. 

Figura 1: Fluxograma da seleção de material bibliográfico

Fonte: Autor, 2025 

Gráfico 1: Distribuição de artigos por medicamento.

Fonte: Autor, 2025. 

3.1. Azvudine 

A Azvudine é um análogo de nucleosídeo (análogo de Citidina) com ação antiviral. É descrito como um “duplo-alvo” nucleosídeo inibidor, que pode interferir na replicação viral por incorporação em RNA viral e possivelmente também impactar outras etapas relacionadas ao ciclo viral.  

Sua descoberta foi direcionada para o tratamento de Hepatite C, mas ao decorrer dos tempos tem sido reposicionado para doenças como AIDS e COVID-19. Na China, Azvudine foi aprovada para uso no tratamento de COVID-19 leve a moderada, foi autorizada condicionalmente em 25 de julho de 2022 pela agência reguladora chinesa (NMPA).  

Quadro 1: Distribuição dos estudos sobre Azvudine.

Autores Título/ Periódico Objetivo(s) Amostra Local/ Ano Principais resultados 
WANG, Luo; WANG, Yaqi; XU, Yan; et al. Impacto da administração precoce e tardia da Azvudine na mortalidade por COVID-19: um estudo retrospectivo Avaliar a eficácia e segurança do medicamento oral Azvudine em pacientes hospitalizados com COVID-19, comparando-o ao tratamento padrão.  604 participantes, 302 fizeram uso precoce e 302 usos tardios. Pequim, China, 2022 – 2023. Administrar Azvudine precocemente está associado a redução da mortalidade e diminuição da taxa de progressão da doença para formas graves em 28 dias, quando comparado com administração tardia.  
DE SOUZA, Sávio Bastos; CABRAL, Paula Gebe Abreu; DA SILVA, Renato Martins; et al. Estudo clínico de fase III , randomizado, duplo-cego e controlado por placebo: um estudo sobre a segurança e eficácia clínica do Azvudine em pacientes com COVID-19 moderadaAvaliar a segurança e a eficácia clínica do Azvudine em pacientes com COVID 19 moderada.180 participantes.Brasil, 2021 -2022. O grupo que recebeu Azvudine apresentou uma redução significativa na carga viral em comparação ao grupo placebo, tendo uma conversão para carga indetectável. Além disso, a duração da hospitalização foi reduzida no grupo tratado com Azvudine. O perfil de segurança foi considerado aceitável, com eventos adversos principalmente não graves. 
SUN, Yuming; JIN, Liping; DIAN, Yating; et alAzvudine oral para pacientes hospitalizados 
com COVID-19 e condições preexistentes: um estudo de coorte retrospectivo. 
Avaliar os efeitos do tratamento com Azvudine oral em pacientes hospitalizados com COVID-19. 841 participantes.China, 2023. Após pareamento por escore de propensão, 245 pacientes tratados com Azvudine foram comparados com 245 controles. A taxa de incidência bruta do desfecho foi menor no grupo com Azvudine em comparação com o grupo controle. A mortalidade por todas as causas foi reduzida no grupo com Azvudine, embora os dados específicos não tenham sido fornecidos no resumo do estudo.

Foram registrados eventos adversos relacionados ao uso do Azvudine, mas esses eventos não causaram mudança na segurança do medicamento. Os resultados indicaram que os eventos adversos mais comuns foram sintomas gastrointestinais leves, como diarreia e náusea. 

3.2. Ensitrelvir 

Ensitrelvir é um medicamento inibidor de protease 3CL do SARS-CoV-2, impedindo a clivagem de poliproteínas e a formação de proteínas virais de replicação. É um fármaco que possui biodisponibilidade oral, em tecidos pulmonares e metabolismo controlado.  

No Japão, o Ensitrelvir é aprovado para uso emergencial e tratamento de COVID-19 leve/moderada desde novembro de 2022. 

Quadro 2: Distribuição dos estudos sobre Ensitrelvir

AutoresTítulo/ 
Periódico
Objetivo(s)AmostraLocal/ AnoPrincipais resultados
LUETKEMEYER, Anne F; CHEW, Kara W; LACEY, 
Stuart; et al.
Ensitrelvir para o tratamento de adultos não 
hospitalizados 
com COVID-
19: resultados do SCORPIOHR, ensaio clínico de fase 3, 
randomizado, duplo-cego e controlado por placebo.
Avaliar a eficácia e segurança do Ensitrelvir em adultos não 
hospitalizados 
com COVID-
19 de gravidade leve a moderada, 
iniciando tratamento dentro de 5 dias após o início dos sintomas.
2.093 participantes de 16 países na África, Asia, 
Europa,  América do 
Norte e 
América do 
Sul.
Ásia, 
2025.
O uso de 
Ensitrelvir em adultos não 
hospitalizados 
com COVID-19 não alcançou significância 
estatística no desfecho primário de tempo até 
resolução sustentada de 15 sintomas por pelo menos dois dias quando iniciado dentro de três dias do início dos sintomas, embora tenha ocorrido uma redução numérica em relação ao placebo. O perfil de segurança foi semelhante ao do placebo, sem registros de mortes ou 
hospitalizações atribuíveis ao fármaco.
YOTSUYANAGI, 
Hiroshi; 
OHMAGARI, 
Norio; DOI, 
Yohei; et al.
Eficácia e segurança do 
Ensitrelvir oral durante 5 dias em pacientes com COVID-19 leve a moderada: o ensaio clínico randomizado.
Avaliar se o tratamento com 
Ensitrelvir por 5 dias reduz o tempo para resolução dos 5 sintomas típicos da COVID-19 em pacientes com doença leve a moderada, comparado ao placebo.
1.821 participantes.Japão, 2024.O grupo tratado com Ensitrelvir teve tempo mediano até a resolução de cinco sintomas típicos de 
COVID-19 
significativamente menor do que o placebo. Houve redução mais acentuada no 
RNA viral no dia 4 e o tempo até positividade viral foi também mais curto. Não foram relatados eventos adversos graves relacionados ao tratamento.
OHMAGARI, 
Norio; 
YOTSUYANAGI, Hiroshi; DOI, 
Yohei; et al.
Eficácia e segurança do 
Ensitrelvir para 
COVID-19 assintomática ou leve: uma 
análise exploratória de um ensaio clínico multicêntrico, randomizado, de fase 2b/3
Avaliar eficácia e a segurança do antiviral 
Ensitrelvir em pacientes com infecção por SARS-CoV-2 sem sintomas ou com 
sintomas leves 
COVID-19.
572 participantes.Japão, 2024Observou uma redução em 77 % o risco de desenvolvimento de qualquer dos 
14 sintomas típicos de COVID-19 ou febre, e em 29 % o risco de 
agravamento desses sintomas. As reduções nos níveis de RNA viral, na carga viral cultivável e no tempo até a obtenção de cultura viral negativa foram estatisticamente superiores no grupo tratado com Ensitrelvir em relação ao placebo.
Mukae H, et al.Estudo randomizado de fase 2/3 de Ensitrelvir, um novo inibidor oral da protease 3Clike do SARS-
CoV-2, em pacientes japoneses com COVID-19 leve a moderada ou infecção assintomática 
por SARS-
CoV-2: 
resultados da parte fase 2a.
Avaliar a eficácia e segurança do 
Ensitrelvir oral em pacientes japoneses 
com COVID19 leve a moderada ou infecção por SARS-CoV-2 
assintomática.
69 participantesJapão, 2022O Ensitrelvir reduziu 
rapidamente a carga viral de SARS-CoV-2 até o quarto dia em comparação ao placebo, e os 
pacientes tratados 
eliminaram o vírus infeccioso mais rapidamente, cerca de dois dias antes do grupo placebo. O medicamento foi bem tolerado, com efeitos adversos leves a moderados, demonstrando 
eficácia e segurança em pacientes com COVID-19 leve a moderada ou assintomática.

3.3. Favipiravir 

Favipiravir  é um análogo de nucleosídeo guanina que atua como inibidor da RNA-polimerase dependente de RNA, ele é incorporado no RNA viral em substituição aos nucleotídeos naturais, resultando em erro de replicação ou terminação de cadeia, impedindo o ciclo viral. A relação exposição–resposta é importante, pois doses mais altas são necessárias para atingir concentrações eficazes contra SARS-CoV-2.  

Seu uso inicial é para o tratamento de Influenza e diversos vírus com atividade de RNA, recentemente ele foi reposicionado para testes no tratamento da COVID-19. No Brasil e muitos países, seu uso contra COVID-19 é experimental ou parte de estudos clínicos, em alguns contextos o uso foi combinado com outras terapias. 

Quadro 3: Distribuição dos estudos sobre Favipiravir .

AutoresTítulo/
Periódico
Objetivo(s)AmostraLocal/AnoPrincipais
resultados
GHASEMNEJAD
BERENJI, Morteza;
PASHAPOUR,
Sarvin.
Favipiravir e
COVID-19:
Um resumo
simplificado.
Revisar e
resumir os
ensaios
clínicos que
estudaram a
eficácia e
segurança do
Favipiravir em
pacientes com
COVID-19.
120
participantes.
Irã,
2020.
O Favipiravir
demonstrou
atividade antiviral
contra o SARS
CoV-2, inibindo a
RNA polimerase
dependente de
RNA viral.
Ensaios clínicos
indicaram que o
Favipiravir pode
reduzir a carga
viral e melhorar
os sintomas em
pacientes com
COVID-19. No
entanto, os
resultados
variaram entre os
estudos, e a
segurança do
medicamento
requer mais
investigação.
LUVIRA,
Viravarn;
SCHILLING,
William H. K.;
JITTAMALA,
Podjanee; et al.
Eficácia
antiviral
clínica do
Favipiravir na
COVID-19
precoce.
(PLATCOV):
um ensaio
clínico
randomizado,
controlado, aberto e
adaptativo.
Avaliar a
eficácia
antiviral do
Favipiravir em
pacientes
adultos com
COVID-19
precoce e
sintomática
leve, utilizando
a taxa de eliminação viral
como principal
desfecho.
240
participantes.
Tailândia
e Brasil, 2023
Não houve
diferença
significativa na
taxa de
eliminação viral
entre os
pacientes que
receberam
Favipiravir e os
que não
receberam tratamento,
indicando que o
Favipiravir não
acelerou a
eliminação viral
na COVID-19
precoce.
BOSAEED,
Mohammad;
ALHARBI,
Ahmad;
MAHMOUD,
Ebrahim; et al.
Eficácia do
Favipiravir
em adultos
com COVID
19 leve.
Avaliar se o
Favipiravir
reduz o tempo
para a
eliminação viral
(documentada
por RT-PCR
negativa) em
casos leves de
COVID-19,
comparado ao
placebo.
231
participantes.
Arábia
Saudita,
2022.
A primeira
quinzena não
mostrou
diferenças
significativas
entre os grupos.
Quanto às
hospitalizações
ou necessidade
de cuidados
intensivos, não
houve diferença
estatisticamente
relevante.
SHAH, Pallav L;
ORTON,
Christopher M;
GRINSZTEJN,
Beatriz; et al.
Favipiravir
em pacientes
hospitalizados
com COVID
19 (ensaio
PIONEER):
um ensaio
clínico
randomizado,
multicêntrico,
aberto, de
fase 3, de
intervenção
precoce.
Avaliar a
eficácia e
segurança do
Favipiravir oral
em adultos
hospitalizados
com COVID
19, iniciando o
tratamento
dentro de 5
dias após o
início dos
sintomas.
1.070
participantes.
Índia,
2022.
O tratamento
com Favipiravir
não reduziu
significativamente
o tempo até a
recuperação
clínica em
comparação com
o placebo. No
entanto, foi
associado a uma
menor taxa de
progressão para
ventilação
mecânica
invasiva ou
morte.
LOWE, David M.;
BROWN, Li-An
K.; CHOWDHURY,
Kashfia; et al.
Favipiravir ,
Lopinavir
Ritonavir ou
terapia
combinada
(FLARE): Um
ensaio clínico
randomizado,
duplo-cego,
fatorial 2 × 2,
controlado
por placebo,
de terapia
antiviral
precoce na
COVID-19.
Avaliar se a
terapia antiviral
precoce com
Favipiravir ,
Lopinavir
Ritonavir ou a
combinação de
ambos,
administrada a
pacientes
ambulatoriais
com COVID
19, resulta em
redução da
carga viral do
SARS-CoV-2
em
comparação
com placebo.
841
participantes.
Reino
Unido,
2020.
O Favipiravir
isolado reduziu
significativamente
a carga viral em
pacientes
ambulatoriais
com COVID-19,
com 46,3%
apresentando
carga viral
indetectável no
dia 5, contra
26,9% no grupo
placebo. O
Lopinavir
Ritonavir isolado
não teve efeito
significativo, e a
combinação dos
dois
medicamentos
não trouxe
benefício
adicional.
SMITH, Tania;
HOYO-VADILLO,
Carlos; ADOM,
Akosua
Agyeman; et al.
Favipiravir
e/ou
nitazoxanida:
um ensaio
clínico
randomizado,
duplo-cego,
com desenho
2×2,
controlado
por placebo,
de terapia
precoce na
COVID-19 em profissionais
de saúde,
seus
familiares e
pacientes
tratados no
IMSS.
Avaliar se a
terapia antiviral
precoce com
Favipiravir +
nitazoxanida
está associada
a uma
diminuição da
carga viral em
comparação
com o Favipiravir
sozinho. Além
de verificar taxas e dados
de
hospitalização,
morbidade e
mortalidade
graves,
farmacocinética
e impacto da
terapia antiviral
na taxa de
mutação
genética viral.
120
participantes.
México,
2022.
A priori a carga
viral no trato
respiratório
superior no dia 5,
apresentou
negativação viral.
O protocolo
propõe que a
combinação das
drogas, com
diferentes
mecanismos de
ação, possa
oferecer efeito aditivo ou
sinergético,
diminuindo a
carga viral mais
rapidamente e
potencialmente
impedindo
progressão da
doença.
MCMAHON,
James H.; LAU,
Jillian S.Y.;
COLDHAM,
Anna; et al.
Favipiravir no
tratamento
precoce de
COVID-19
sintomática:
um ensaio
clínico
randomizado
controlado
por placebo.
Avaliar a
eficácia e
segurança do
Favipiravir em
adultos com
COVID-19
sintomática
precoce.
200
participantes.
Austrália,
2022.
O tratamento
com Favipiravir
não mostrou
redução
significativa na
duração dos
sintomas ou na
carga viral em
comparação com
o placebo.

Eventos adversos relatados mais comuns após o uso de Lopinavir – Ritonavir (Favipiravir) foram distúrbios gastrointestinais, e os níveis plasmáticos de Favipiravir  foram menores quando usado em combinação, possivelmente devido à absorção reduzida. 

3.4. Lopinavir  

O Lopinavir  é um antirretroviral inibidor de protease viral. Comumente utilizado em combinação com outros fármacos como o Ritonavir, com objetivo de gerar um efeito sinérgico, pois o Ritonavir é capaz de retardar seu metabolismo aumentando o tempo de meia-vida do fármaco. Originalmente usado no HIV e em alguns casos de Papiloma Virus Humano (HPV). 

Quadro 4: Distribuição dos estudos sobre Lopinavir

AutoresTítulo/
Periódico
Objetivo(s)AmostraLocal/AnoPrincipais
resultados
CAO, Bin;
WANG,
Yeming;
WEN,
Danning; et
al.
Um ensaio clínico
com Lopinavir
Ritonavir em
adultos
hospitalizados
com COVID-19
grave.
Avaliar a eficácia
e segurança do
Lopinavir em
adultos
hospitalizados
com COVID-19.
199
participantes.
China,
2020.
O tratamento
com Lopinavir
não demonstrou
variação no
tempo de
recuperação em
relação ao grupo
controle. Os
níveis de RNA
viral detectável
seguiram
padrões
semelhantes
nos dois grupos.
LI, Yueping;
XIE, Zhiwei;
LIN,
Weiyin; et al.
Eficácia e
segurança de
Lopinavir
/Ritonavir ou
arbidol em
pacientes adultos
com COVID-19
leve/moderada:
um ensaio clínico
randomizado
exploratório.
Avaliar a eficácia
e segurança de
Lopinavir
/Ritonavir ou
arbidol em
pacientes adultos
com COVID-19
leve a moderada.
86
participantes.
China,
2020.
Não houve
diferença
significativa na
taxa de
eliminação viral
entre os grupos
tratados com
Lopinavir
/Ritonavir ou
arbidol,
sugerindo que
ambos os
tratamentos não
tiveram eficácia
superior ao
placebo. Além
disso, os efeitos
adversos foram
semelhantes
entre os grupos.
RECOVERY
Collaborative
Group.
Lopinavir
Ritonavir em
pacientes
hospitalizados
com COVID-19:
um ensaio
randomizado,
controlado, aberto,
do tipo plataforma.
Avaliar se o
tratamento com
Lopinavir
Ritonavir melhora
os desfechos em
pacientes
hospitalizados
com COVID-19.
5.040
pacientes.
Reino
Unido,
2020.
O tratamento
com Lopinavir
Ritonavir não
reduziu a
mortalidade por
todas as causas
em 28 dias em
comparação
com o
tratamento usual
(23% vs. 22%;
razão de risco
1,03; IC 95%
0,91–1,17;
p=0,60). Não
houve diferença
significativa na
duração da
hospitalização
ou na
necessidade de
ventilação
mecânica.
Apenas um
evento adverso
grave foi
atribuído ao
medicamento:
elevação da ALT
sem icterícia,
que se resolveu
após a
interrupção do
tratamento.

3.5. Molnupiravir 

Molnupiravir é um pró-fármaco que leva à mutagênese letal do RNA viral, ao ser incorporado no RNA em forma de ribonucleosídeo causa mutações excessivas. 

A polimerase viral é enganada, resultando em erros de replicação viral consecutivos.  No Brasil, o Molnupiravir foi aprovado pela Anvisa como uso emergencial em 4 de maio de 2022. O medicamento é indicado para o tratamento da Covid-19 em adultos que não requerem oxigênio suplementar e que apresentam risco aumentado de progressão da doença para casos graves. 

Quadro 5: Distribuição dos estudos sobre Molnupiravir.

AutoresTítulo/
Periódico
Objetivo(s)AmostraLocal/AnoPrincipais
resultados
CARACO,
Yoseph;
CROFOOT,
Gordon E.;
MONCADA,
Pablo
Andres; et al.
Estudo de
Fase 2/3 do
Molnupiravir
para
Tratamento
da COVID-19
em Adultos
Não
Hospitalizados
Avaliar a
eficácia e
segurança do
Molnupiravir em
adultos não
hospitalizados
com COVID-19
de risco elevado
para progressão
para formas
graves da
doença.
1.433
participantes.
Vários
países
(Estudo
multinacional
), 2022.
O Molnupiravir
reduziu
significativament
e o risco de
hospitalização
ou morte em
adultos não
hospitalizados
com COVID-19
de risco
elevado. Não
foram
observados
efeitos adversos
graves
relacionados ao
tratamento.
FISCHER,
William A.;
ERON, Joseph
J.; HOLMAN,
Wayne; et al.
Ensaio clínico
de fase 2a de
Molnupiravir
em pacientes
com COVID-19 não
hospitalizados
Avaliar a
eficácia e
segurança do
Molnupiravir em
pacientes adultos não
hospitalizados
com COVID-19,
com o objetivo
de reduzir a
carga viral e
acelerar a
recuperação
clínica.
202
participantes.
Estados
Unidos,
2021.
O estudo
mostrou que o
tratamento com
Molnupiravir em
pacientes adultos não
hospitalizados
com COVID‑19
reduziu
significativament
e a carga viral,
com 92,5% dos
participantes do
grupo que
recebeu 800 mg
alcançando
eliminação do
RNA viral em
comparação
com 80,3% no
grupo placebo
ao final de
quatro
semanas. Além
disso, o
medicamento foi
bem tolerado,
apresentando
efeitos adversos
leves e
semelhantes
aos observados
no grupo
placebo.
ARRIBAS,
José R.;
BHAGANI,
Sanjay; LOBO,
Suzana M.; et
al.
Molnupiravir
para o
tratamento
oral da
COVID-19 em
adultos não
hospitalizados
com risco
elevado de progressão
para doença
grave: um
estudo
randomizado,
duplo-cego,
controlado
por placebo.
Avaliar a
eficácia e
segurança do
Molnupiravir em
adultos não
hospitalizados
com COVID-19
e risco elevado
de progressão para doença
grave.
1.433
participantes.
Vários
países
(Estudo
multinacional), 2021.
O tratamento
com
Molnupiravir
reduziu
significativamente o risco de
hospitalização
ou morte em
comparação com o placebo,
especialmente
quando
administrado
dentro de 5 dias
após o início
dos sintomas.
JAYK
BERNAL,
Angélica;
GOMES DA
SILVA, Monica
M.;
MUSUNGAIE,
Dany B.; et al.
Molnupiravir
para
Tratamento
Oral da
Covid-19 em
Pacientes
Não
Hospitalizados.
Avaliar a
eficácia e
segurança do
Molnupiravir em
adultos não
hospitalizados,
não vacinados,
com COVID-19
leve a
moderada,
iniciando o
tratamento até 5
dias após o
início dos
sintomas.
1433
participantes.
Vários
países
(Estudo
multinacional), 2021.
O tratamento
com
Molnupiravir
reduziu a taxa
de
hospitalização
ou morte em
pacientes não
hospitalizados
com COVID‑19
leve a
moderada,
sendo 6,8% no
grupo tratado
versus 9,7% no
grupo placebo.
O medicamento
apresentou
perfil de
segurança
semelhante ao
placebo, com
efeitos adversos
leves e
transitórios, e
sua eficácia foi
mais evidente
em pacientes
com maior risco
de progressão para formas
graves da
doença.
CHAWLA,
Akshita;
BIRGER,
Ruthie; MAAS,
Brian M.; et al.
Comparação
das relações
exposição
resposta do
Molnupiravir
para
biomarcadore
s de resposta
virológica e
mecanismo
de ação com
resultados
clínicos no
tratamento da
COVID-19.
Examinar a
relação entre
níveis
plasmáticos do
fármaco e
desfechos
redução de
carga viral.
Comparar
medidas como
tempo de
recuperação,
progressão da
doença e
hospitalização.
1553
participantes.
Estados
Unidos,
2025.
Uma redução
robusta na
carga viral foi
observada nos
dias 5 e 10, com
a dose de 800
mg a cada 12
horas. É
afirmado que
esta dose é
suficiente para
alcançar o efeito
máximo do
medicamento.
HARRIS,
Victoria;
HOLMES,
Jane;
GBINIGIE
THOMPSON,
Oghenekome;
et al.
Resultados
de saúde 3
meses e 6
meses após o
tratamento
com
Molnupiravir
para COVID
19 em
pessoas com
maior risco na
comunidade:
um ensaio
clínico
randomizado
controlado.
Avaliar os
desfechos de
saúde em
pacientes que
utilizaram
Molnupiravir
para COVID-19,
com
acompanhamento de 3 e 6
meses após o
tratamento.
1.234
participantes.
Reino Unido,
2025.
O estudo
observou que o
uso de
Molnupiravir foi
associado a
uma redução
significativa nos
desfechos
adversos de
saúde em 3 e 6
meses após o
tratamento, em
comparação
com grupos que
não utilizaram o
medicamento.

3.6. Nirmatrelvir   

Nirmatrelvir é um inibidor de protease 3CL do SARS-CoV-2, atua interrompendo o processamento das poliproteínas virais de replicação. É associado com Ritonavir devido ao efeito sinérgico dos medicamentos, prolongando a meia vida do Nirmatrelvir. É uma das principais terapias orais adotadas em guidelines. 

O medicamento é comercializado como “Paxlovid” (Nirmatrelvir   + Ritonavir). Recebeu autorização emergencial ou aprovação. No Brasil, a Anvisa lista Paxlovid entre os medicamentos aprovados para tratamento de COVID-19. 

Quadro 6: Distribuição dos estudos sobre Nirmatrelvir.

AutoresTítulo/
Periódico
Objetivo(s)AmostraLocal/AnoPrincipais
resultados
HAMMOND,
Jennifer;
LEISTER
TEBBE,
Heidi;
GARDNER,
Annie; et al.
Nirmatrelvir
oral para
adultos de
alto risco não
hospitalizado
s com Covid
19.
Avaliar a
eficácia e
segurança do
uso oral de
Nirmatrelvir +
Ritonavir em
adultos
sintomáticos,
não
hospitalizados e
com alto risco
de progressão
para COVID-19
grave.
2.246
participantes.
Estudo
multinacional
, 2021.
Foram relatadas
diminuições na
incidência de
hospitalização ou
morte por Covid
A carga viral
em dia 5 foi
menor no grupo
tratado com
Nirmatrelvir.
CAO,
Zhujun;
GAO, Weiyi;
BAO,
Hong; et al.
VV116 versus
Nirmatrelvir
Ritonavir para
o tratamento
oral da Covid
19
Comparar a
eficácia e
segurança de
VV116, um
agente antiviral
oral, com
Nirmatrelvir
Ritonavir em adultos com
COVID-19 leve
a moderada e
risco de
progressão à
forma grave,
durante o surto
da variante
Ômicron.
771
participantes
China, 2022.VV116
demonstrou não
inferioridade em
relação ao
Nirmatrelvir
Ritonavir quanto
ao tempo até a
recuperação clínica. incidência
de eventos
adversos foi
menor no grupo
VV116. Não
houve mortes
nem progressão
para forma grave
da COVID-19 até
o dia 28 em
nenhum dos
grupos.
DRYDEN
PETERSON,
Scott; KIM,
Andy; KIM,
Arthur Y.; et
al.
Nirmatrelvir
Ritonavir
para COVID
19 em estágio
inicial em um
grande
sistema de
saúde dos
EUA: um
estudo de
coorte
baseado na
população.
Avaliar, em
condições reais
(observacionais)
, se o tratamento
com Nirmatrelvir
Ritonavir em
pacientes
ambulatoriais
com COVID-19
precoce reduz o
risco de
hospitalização
ou morte.
44.551
participantes
Estados
Unidos,
2022.
O risco ajustado
de hospitalização
ou morte foi
aproximadament
e 44% para
aqueles que
receberam
Paxlovid. Em
populações com
alta cobertura
vacinal, o
benefício ainda
foi observado,
embora em
magnitude menor
do que em
populações não
vacinadas.
HAMMOND,
Jennifer;
YUNIS,
Carla;
FOUNTAINE
, Robert J.; et
al.
Nirmatrelvir
Ritonavir oral
como
profilaxia pós
exposição
para a Covid
19.
Avaliar se a
administração
oral de
Nirmatrelvir +
Ritonavir como
profilaxia pós
exposição (PEP) pode prevenir o
desenvolvimento de infecção
sintomática por
SARS-CoV-2
em adultos
expostos.
2.736
participantes
Estudo
multinacional
, 2022.
As diferenças
entre cada grupo
de tratamento e
placebo não
foram
estatisticamente
significativas. A incidência de
infecção
sintomática
confirmada por
SARS-CoV-2 até
14 dias foi de 2,6
% no grupo de 5
dias, 2,4 % no de
10 dias e 3,9 %
no grupo
placebo.
GENG, Linda
N.;
BONILLA,
Hector;
HEDLIN,
Haley; et al
Nirmatrelvir
Ritonavir e
sintomas em
adultos com
sequelas pós
agudas da
infecção por
SARS-CoV-2:
o ensaio
clínico
randomizado
STOP-PASC.
Avaliar se um
curso de 15 dias
de Nirmatrelvir
Ritonavir pode
reduzir a
gravidade de
sintomas
selecionados de
sequelas pós
agudas de
SARS-CoV-2
em adultos que
já apresentam
esses sintomas.
155
participantes
Estados
Unidos,
2022.
A gravidade de 6
sintomas de
PASC (fadiga,
confusão mental,
falta de ar, dores
no corpo,
sintomas
gastrointestinais
e sintomas
cardiovasculares)
não
apresentaram
diferença
significativa entre
o grupo tratado e
o placebo. Em
termos de
segurança, os
eventos adversos
foram
semelhantes
entre os grupos e
em sua maioria
leves.
ANDERSON,
Annaliesa S.;
CAUBEL,
Patrick; RUSNAK,
James M.
Nirmatrelvir
Ritonavir e
rebote da
carga viral na Covid-19.
Descrever a
frequência de
aumento da
RNA viral após término do
tratamento em
participantes
que receberam
Nirmatrelvir +
Ritonavir no
ensaio EPIC-HR
e compará-la
com o placebo.
2.216
participantes
Estados
Unidos,
2022.
O aumento de
RNA viral ocorreu
em taxas
similares em ambos os
grupos.
Ocorreram
hospitalizações
no grupo
Nirmatrelvir
(1,3%) e no
grupo placebo
(5,7%). Os
autores informam
que não foi
possível
demonstrar uma
associação
consistente entre
o uso de
Nirmatrelvir
/Ritonavir e o
recuo de RNA
viral.

Os eventos adversos relatados foram disgeusia, alteração no sabor de alimentos e bebidas, e diarreia.  

3.7. Remdesivir 

Remdesivir é um pró-fármaco que atua como inibidor da RNA polimerase dependente de RNA. É um análogo de adenosina que ao ser convertido na forma ativa compete com o ATP na cadeia de RNA viral, causando terminação prematura da síntese de RNA.  

É um medicamento reposicionado para COVID-19, seu desenvolvimento foi voltado para tratamento da Ebola e o vírus de Marburg. No Brasil, Remdesivir está aprovado pela Anvisa para uso em COVID-19. Em muitos países, é um dos primeiros antivirais aprovados para uso hospitalar em COVID-19.  

Quadro 7: Distribuição dos estudos sobre Remdesvir.

AutoresTítulo/
Periódico
Objetivo(s)AmostraLocal/AnoPrincipais
resultados
SPINNER,
Christoph D.;
GOTTLIEB,
Robert L.;
CRINER,
Gerard J.; et
al.
Efeito do
Remdesivir
versus
tratamento
padrão no
estado clínico
após 11 dias
em pacientes
com COVID-19
moderada: um
ensaio clínico
randomizado.
Comparar a
atividade
antiviral e
segurança de
duas
dosagens de
Remdesivir EV
em pacientes
hospitalizados
com COVID
19 moderada.
600
participantes.
Estudo
multinacional
, 2020.
A aplicação de
Remdesivir por 5
dias demonstrou
razão de
probabilidade de 1,65 de melhora clínica. Não foram
observadas
diferenças
significativas nas
alterações da
função renal ou
nas enzimas
hepáticas entre os grupos estudados.
MOHIUDDIN
CHOWDHUR
Y, Abu Taiub
Mohammed;
KAMAL,
Aktar;
ABBAS, Kafil
Uddin; et al.
Eficácia e
resultados da
combinação de
Remdesivir e
tocilizumab
contra a
dexametasona
no tratamento
da COVID-19
grave: um
ensaio clínico
randomizado
controlado.
Investigar a
eficácia e
segurança da
terapia
combinada de
Remdesivir +
tocilizumab
em pacientes
com COVID
19 grave,
comparada ao
uso de
dexametasona
como controle,
com desfechos
clínicos.
205
participante
Bangladesh,
2020.
O grupo
Remdesivir +
tocilizumab
apresentou taxa de mortalidade de 25,49 %, enquanto o grupo controle
(dexametasona)
apresentou 30,77%. O grupo sob
medicação teve
tempo mais
favorável de
melhora clínica.
Também
apontaram que o grupo tratado com Remdesivir + tocilizumab teve menor proporção
de necessidade de oxigênio adicional.
Consórcio do
Ensaio
Solidário da
OMS.
Medicamentos
antivirais
reaproveitados
para a Covid
19 —
Resultados
provisórios do
Consórcio do
Ensaio
Solidário da
OMS.
Avaliar o efeito
dos antivirais
reaproveitados
: Remdesivir,
Lopinavir e
interferon
beta-1a no
desfecho de
mortalidade
hospitalar,
início de
ventilação e
duração de
internação em
pacientes
hospitalizados
com COVID 19.
11.330
participante
s. Foram
considerados 2750
participantes.
Estudo
multinacional
, 2020.
O antiviral não
demonstrou reduzir
mortalidade,
necessidade de
ventilação ou
tempo de
internação em
pacientes
hospitalizados com
COVID-19. As
taxas de redução
de mortalidade não foram
estatisticamente
significativas.
WANG,
Yeming;
ZHANG,
Dingyu; DU,
Guanhua; et
al.
Remdesivir em
adultos com
COVID-19
grave: um
ensaio clínico
randomizado,
duplo-cego,
controlado por
placebo e
multicêntrico.
Avaliar se o
tratamento
intravenoso
com Remdesivir
por 10 dias
apresenta
melhora clínica, redução
mortalidade e
redução de
carga viral em
adultos
hospitalizados
com COVID 19 grave, em
comparação
ao placebo.
237
participantes.
China, 2020.O tempo até
melhora clínica
não foi
estatisticamente
significativo. Em
subgrupo de
pacientes tratados
até 10 dias do
início dos
sintomas, houve
tendência
numérica de
benefício.
Mortalidade foi
semelhante entre os grupos, 14% no grupo Remdesivir
e 13% no placebo.
redução de RNA
não apresentou
diferença entre os grupos.
BEIGEL, John
H.;
TOMASHEK,
Kay M.;
DODD, Lori
E.; et al.
Remdesivir
para o
tratamento da
Covid-19 —
Relatório final.
Avaliar se o
uso de
Remdesivir
intravenoso
por 10 dias em
adultos
hospitalizados
com COVID
19 e evidência
de
envolvimento
do trato
respiratório
inferior é
superior ao
placebo em
reduzir o
tempo de
recuperação e
melhorar
desfechos
clínicos.
1.062
participantes.
Estudo
multinacional
, 2020.
Os pacientes
tratados com
Remdesivir tiveram
uma taxa de
recuperação 29% maior que os tratados com
placebo. O grupo Remdesivir teve
50% mais chance de apresentar
melhora clínica em comparação ao placebo. O
Remdesivir pode ter reduzido o risco de morte, mas sem
significância
estatística.
GOTTLIEB,
Robert L.;
VACA, Carlos
E.; PAREDES,
Roger; et al.
Remdesivir
precoce para
prevenir a
progressão
para Covid-19
grave em
pacientes
ambulatoriais.
Avaliar se um
curso de 3
dias de
Remdesivir
administrado
em pacientes
não
hospitalizados
com COVID
19 sintomática e com risco de
progressão
reduz a
hospitalização
ou morte.
562
participantes.
Estudo
multinacional
, 2020.
Nenhum óbito foi registrado até o dia 28 em nenhum dos grupos.
Hospitalização
relacionada à
COVID-19 ou
morte até o dia 28: ocorreu em 2
pacientes no grupo Remdesivir versus 15 pacientes no
grupo placebo.
Eventos adversos:
ocorreram em
números similares
em ambos os
grupos.
ADER,
Florence;
BOUSCAMB
ERT
DUCHAMP,
Maude;
HITES,
Maya; et al.
Remdesivir
mais
tratamento
padrão versus
tratamento
padrão isolado
para o
tratamento de
pacientes
internados no
hospital com
COVID-19: um
ensaio clínico
de fase 3,
randomizado,
controlado e
aberto.
Avaliar a
eficácia clínica
de Remdesivir
tratamento
padrão versus
SoC isolado
em pacientes
hospitalizados
com COVID
19, que exigem
suplementação de oxigênio.
857
participantes.
Europa,
2020.
Após o dia 15 os
dados mostraram
valores muito
semelhantes entre os grupos em relação à redução de hospitalização,
uso de oxigênio e mortalidade. A
diferença global
entre os grupos
não foi
estatisticamente
significativa.
GOLDMAN,
Jason D.;
LYE, David
C.B.; HUI,
David S.; et
al.
Remdesivir por
5 ou 10 dias
em pacientes
com Covid-19
grave.
Avaliar se um
curso de 5
dias ou 10
dias de
Remdesivir
intravenoso
melhora o
status clínico
em pacientes
hospitalizados
com COVID
19 grave
584
participantes.
Estudo
multinacional
, 2020.
O regime de 5 dias de Remdesivir
mostrou benefício
estatisticamente
significativo, por
outro lado, o
regime de 10 dias não apresentou
significância
estatística. Isso
sugere que
estender o uso não trouxe
adicional.
benefício
A mortalidade similar nos dois grupos de Remdesivir.

Os eventos adversos mais comuns foram náusea e diarreia. O risco de efeitos adversos aumenta com o uso prolongado sem ganho proporcional em eficácia.  

Dentre os resultados selecionados, destacou-se a eficácia de Azvudine, Molnupiravir, Nirmatrelvir, Remdesvir, com resultados positivos. Além dos resultados pouco promissores Ensitrelvir (em pacientes não hospitalizados), Favipiravir, Lopinavir. Os eventos adversos se apresentaram similares entre os medicamentos, apresentando sintomas intestinais devido à absorção dos fármacos 

Os idiomas da maioria dos artigos selecionados se encontram em língua inglesa e raros artigos em língua portuguesa ou latino-americana. 

4. DISCUSSÃO 

Os medicamentos analisados demonstram benefícios variados na redução da carga viral, na melhoria clínica, risco de hospitalização e redução de mortalidade. A COVID-19 é uma infecção respiratória aguda potencialmente grave, de elevada transmissibilidade, que compreende um amplo espectro de sintomas respiratórios. Os tratamentos comuns eram voltados para sintomatologia, enquanto os tratamentos mais modernos possuem o objetivo de reduzir a carga viral que tem como consequência reduzir os sintomas provocados pelo vírus (Desidera et al., 2022; Wang et al., 2020). 

4.1. Azvudine 

A análise dos resultados apresentados revela uma convergência significativa entre os diferentes grupos de pesquisa no que tange à eficácia do Azvudine, embora cada um aborde aspectos distintos do seu benefício terapêutico. O estudo de WANG (2025) estabelece uma premissa fundamental de manejo clínico ao focar na importância do tempo da intervenção, associando a administração precoce a desfechos cruciais, como a redução da mortalidade e a diminuição da taxa de progressão para formas graves da doença em 28 dias. Em complementaridade, SUN (2023) fornece uma validação robusta desses desfechos clínicos, utilizando o pareamento por escore de propensão para comparar 245 pacientes tratados com 245 controles, corroborando a redução da mortalidade por todas as causas no grupo com Azvudine. 

SOUZA (2023) em seu estudo fornece uma base virológica, prática e de segurança do tratamento. Enquanto Wang (2025) e Sun (2023) validam o impacto na progressão e na mortalidade, Souza (2025) demonstra a potente atividade do fármaco, observando uma redução significativa na carga viral e a conversão para carga indetectável no grupo Azvudine em comparação ao placebo.  

4.2. Ensitrelvir 

O Autor 1 (Luetkemeyer et al.) observou que o uso de Ensitrelvir, quando iniciado dentro de três dias do início dos sintomas, não alcançou significância estatística no desfecho primário, definido como o tempo até a resolução sustentada de 15 sintomas por pelo menos dois dias. Embora tenha havido uma redução numérica no tempo de resolução, essa redução não foi estatisticamente significativa. 

Em contrapartida, o Autor 2 (Yotsuyanagi et al.) reportou resultados significativamente mais otimistas em seu desfecho clínico. O grupo tratado com Ensitrelvir apresentou um tempo mediano até a resolução de cinco sintomas típicos de COVID-19 significativamente menor em comparação ao placebo. Autor 3 (Ohmagari et al.) complementa a visão positiva, indicando uma redução expressiva de 77 % no risco de desenvolvimento de qualquer dos 14 sintomas típicos, demonstrando claramente que o tratamento está associado a uma melhora significativa em desfechos sintomáticos mais focados (5 sintomas) e a uma redução substancial no risco de desenvolvimento ou agravamento de sintomas. 

4.3. Favipiravir 

O Favipiravir é reconhecido por sua atividade antiviral contra o SARS-CoV-2, atuando especificamente pela inibição da RNA polimerase dependente de RNA viral. Contudo, a tradução dessa atividade in vitro para um impacto virológico consistente in vivo é o ponto central da discórdia científica entre os autores. 

Alguns estudos apresentaram evidências de que o Favipiravir é eficaz na redução da carga viral. Especificamente, o Autor 5 (LOWE et al.) demonstrou que o Favipiravir isolado reduziu significativamente a carga viral em pacientes ambulatoriais, resultando em 46,3 % dos pacientes com carga viral indetectável no dia 5, em comparação com 26,9 % no grupo placebo. O Autor 6 (SMITH et al.) também observou a negativação viral no trato respiratório superior até o dia 5 

Alguns estudos apresentaram evidências de que o Favipiravir é eficaz na redução da carga viral. Especificamente, o Autor 5 (LOWE et al.) demonstrou que o Favipiravir isolado reduziu significativamente a carga viral em pacientes ambulatoriais, resultando em 46,3 % dos pacientes com carga viral indetectável no dia 5, em comparação com 26,9 % no grupo placebo. O Autor 6 (SMITH et al.) também observou a negativação viral no trato respiratório superior até o dia 5. 

4.4. Lopinavir 

Os achados clínicos são unânimes em apontar a falta de impacto do Lopinavir/Ritonavir nos desfechos primários da doença, incluindo tempo de recuperação e sobrevivência. 

O Autor 1 (CAO et al.) observou que o tratamento com Lopinavir não demonstrou variação no tempo de recuperação em comparação ao grupo controle. Esta conclusão é suportada pelo estudo em larga escala do Autor 3 (RECOVERY Collaborative Group), que fornece a evidência mais robusta contra o uso do medicamento. Este grupo concluiu que o tratamento com Lopinavir/Ritonavir não reduziu a mortalidade por todas as causas em 28 dias.  

A identificação de eventos adversos graves, ainda que raros (apenas um evento grave foi atribuído ao medicamento no estudo RECOVERY), somada à completa falta de benefício clínico (Autor 3) e virológico (Autores 1 e 2), fortalece a conclusão crítica de que o risco-benefício do uso do Lopinavir/Ritonavir é desfavorável no tratamento da COVID-19. 

4.5. Molnupiravir 

Os estudos realizados sobre o molnupiravir apontam resultados consistentes quanto à sua eficácia em reduzir a progressão da COVID-19 quando administrado nos estágios iniciais da infecção. O ensaio clínico de Jayk Bernal et al (2022), conduzido em vários países com 1.433 pacientes não hospitalizados, demonstrou que o uso de molnupiravir reduziu a taxa de hospitalização ou morte em comparação ao placebo (6,8 % vs. 9,7 %), mantendo um perfil de segurança semelhante entre os grupos. 

Resultados semelhantes foram observados por Caraco et al (2022), em um estudo de fase 2/3 com adultos não hospitalizados e com risco elevado para formas graves da doença. O tratamento iniciado até cinco dias após o início dos sintomas diminuiu significativamente o risco de hospitalização e morte, reforçando o potencial clínico do fármaco. 

De forma complementar, Fischer et al (2021) verificaram que o molnupiravir promoveu uma redução expressiva da carga viral, com 92,5 % dos pacientes atingindo eliminação do RNA viral após quatro semanas, em comparação a 80,3 % no grupo placebo. Os efeitos adversos relatados foram leves e transitórios. 

4.6. Nirmatrelvir 

A análise dos resultados sobre o Nirmatrelvir, demonstra evidências consistentes quanto à sua eficácia e segurança no tratamento precoce da COVID19. O estudo de Hammond et al (2022) mostrou redução aproximada de 89% no risco de hospitalização ou morte entre adultos sintomáticos de alto risco, além de queda significativa da carga viral no quinto dia de tratamento. De forma complementar, Dryden-Peterson et al (2023) confirmaram esses achados em um cenário de prática clínica real, com redução de 44% no risco de hospitalização ou óbito, mesmo em indivíduos vacinados, reforçando a aplicabilidade do fármaco em contextos populacionais diversos. 

Quanto à segurança, os eventos adversos relatados foram predominantemente leves, como disgeusia e diarreia, sem registros de toxicidades graves (Hammond et al., 2022). Já Anderson et al (2022) investigaram o fenômeno do “rebote viral” e não identificaram associação significativa entre o uso do medicamento e o retorno da carga viral detectável, sugerindo estabilidade do efeito antiviral. 

4.7. Remdesvir 

A análise dos resultados indica que o Remdesivir apresenta eficácia clínica moderada no tratamento da COVID-19, com melhor desempenho quando administrado nas fases iniciais da doença. Estudos como o de Beigel et al. (2020) evidenciaram redução do tempo médio de recuperação e tendência de melhora clínica, enquanto Spinner et al. (2020) e Goldman et al. (2020) reforçaram a eficácia do tratamento em curto prazo, com poucos eventos adversos. Esses achados sugerem que o medicamento pode contribuir para o controle da progressão viral e melhora sintomática em pacientes hospitalizados com quadro moderado. 

Contudo, resultados divergentes foram apresentados no Ensaio Solidarity da Organização Mundial da Saúde (2021), que não constatou diminuição significativa na mortalidade, ventilação mecânica ou tempo de hospitalização, apontando limitações no impacto global do fármaco. 

O conjunto das evidências demonstra que o medicamento se mantém como uma alternativa segura e com papel relevante no manejo clínico da COVID-19 em contextos hospitalares. Dessa forma, conclui-se que o Remdesivir tem um papel importante, embora restrito, na terapêutica antiviral, atuando principalmente na redução do tempo de recuperação. 

4.8. Desfecho 

Essa inconsistência nos resultados virológicos sugere a necessidade de padronização nos protocolos de ensaio, incluindo a fase da doença, a população estudada (ambulatorial versus hospitalizada) e a metodologia de quantificação viral, para determinar a verdadeira magnitude do efeito virológico dos fármacos. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A análise conclui que o cenário terapêutico é marcado por uma eficácia heterogênea: fármacos como Nirmatrelvir, Molnupiravir e Azvudine demonstraram de forma consistente a maior eficácia, com evidências robustas na redução da progressão da doença, hospitalização e mortalidade, especialmente sob intervenção precoce. Em oposição direta, o Lopinavir/Ritonavir foi conclusivamente refutado pelos principais ensaios, comprovando sua ineficácia clínica e virológica. Outros medicamentos, como o Remdesivir, Ensitrelvir e Favipiravir, ocupam um espectro intermediário, apresentando eficácia moderada. Estes achados consolidam a intervenção antiviral precoce com os fármacos de eficácia comprovada (notadamente Nirmatrelvir, Molnupiravir e Azvudine) como a estratégia terapêutica mais robusta validada pela literatura recente. 

Destaca-se a importância de monitoramento contínuo da eficácia frente às novas variantes virais, garantindo que sua utilização permaneça alinhada às evidências mais recentes e às recomendações de saúde pública. 

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1Graduando(a) do Curso de Biomedicina. mikaellyyasmim12@gmail.com / luisantonio.m.vsc@gmail.com
2Doutora em Ciências da Saúde mariana.santos@cesmac.edu.br