REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202509102322
Christiane Alves Royo Escribas Rezende1
RESUMO
O presente trabalho trata-se de um estudo de caso empírico que tem como objetivo a apresentação conceitual e visual das principais manifestações patológicas encontradas em edificação da orla praiana da cidade de Guarapari/ Espírito Santo. O objeto deste estudo refere-se a um imóvel composto por treze pavimentos em estrutura de concreto armado. A edificação apresenta em sua estrutura danos que comprometem o desempenho e a durabilidade dos elementos construtivos caracterizados pela incidência de manifestações patológicas de diferentes origens e causas. A metodologia utilizada tange-se pela pesquisa bibliográfica teóricointerpretativa em livros e periódicos utilizando-se do método dedutivo, partindo-se de uma perspectiva ampla para uma concepção restrita acerca do tema problematizado. Pelo exposto, este trabalho objetiva a investigar os sintomas, as causas e propor as possíveis recomendações para sanar as manifestações patológicas identificadas em vistoria. Para tanto, foi realizada pesquisas de campo através da vistoria técnica com exame visual e registros fotográficos da edificação que fornece dados importantes para enriquecimento dos fatos. As hipóteses levantadas através deste estudo exploratório está na região considerada grau de agressividade forte, concomitante à falta de manutenção preditiva da edificação. Por fim, concluiu-se que o desempenho das construções está diretamente relacionado com inspeções e manutenções rotineiras procurando na prática soluções para as manifestações patológicas desenvolvidas ao longo da vida útil das edificações.
Palavras-chave: Manifestações patológicas. Região litorânea. Elementos construtivos. Agentes agressivos.
1. INTRODUÇÃO
O tema proposto para esse trabalho se insere na área do conhecimento da Engenharia Diagnóstica. O interesse por esse assunto surgiu em face do considerável número de edificações localizadas em regiões litorâneas que sofrem com os danos causados pelos diversos fatores naturais e antrópicos que influenciam na qualidade e desempenho das obras.
Nos últimos anos as regiões litorâneas têm recebido um enorme aporte de turistas em busca de descanso e lazer. Nesse contexto, o crescimento imobiliário faz surgir novos imóveis cada vez maiores atraindo novos investidores e moradores interessados pela qualidade de vida.
Diante desse cenário, a pergunta que se faz para problematizar o tema é: Quais são as principais manifestações patológicas que surgem para a degradação das edificações que estão localizadas em regiões litorâneas?
Pelo exposto, o que se objetiva com esse artigo é apontar, identificar e analisar por meio de vistoria in loco e registros fotográficos os diferentes tipos de manifestações patológicas que surgem nas edificações praianas em especial na área proposta como objeto deste trabalho, qual seja, a edificação para estudo de caso teórico e prático na orla de Guarapari, mais especificamente, na orla da Praia do Moro.
As hipóteses levantadas como referencial para o aparecimento dessas manifestações nas edificações encontram-se pelo viés da falta de manutenção preventiva e preditiva, falhas de projeto, mão de obra não qualificada que em comento pela autora Stella Marys (2021:222) podem ser pelas “causas diretas decorrentes de ações de origem mecânica exterior e ambientais e as indiretas decorrentes das ações humanas”.
Finalmente, a guisa da conclusão, apresentar-se-á como arrimo das constatações da vistoria, revisão literária, registro fotográfico traçando as linhas fundamentais das concepções técnicas propostas a contribuir para efetivação do entendimento do tema.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DAS PRINCIPAIS PATOLOGIAS EM EDIFICAÇÕES
Buscando elucidar os principais conceitos sobre os tipos de manifestações patológicas com seus sintomas e possíveis causas, faz-se necessário apreciar algumas considerações acerca do assunto.
Assim, para a garantia mínima do entendimento, segue o levantamento dos principais tópicos da matéria feita por especialistas que poderão ser usados para responder o porquê das recorrentes manifestações patológicas em regiões litorâneas. Segundo Simone Feigelson (2019:127), “as patologias em edificações podem ter origens diferenciadas. Fatores endógenos, exógenos, funcionais e naturais podem interferir na edificação, gerando problemas diversos”. Importante salientar que esses fatores nunca atuam isoladamente, existe sempre uma combinação entre eles. Ainda por Feidgelson (2019: 113) “no caso da engenharia civil, patologia significa o estudo das anomalias relacionadas à deterioração das edificações”.
Para cada sistema estrutural há observações importantes a serem coletadas durante a investigação das manifestações patológicas. Não se pretende esgotar os tipos de manifestações existentes, mas as principais. Simone Feigelson Deutsch, ao discorrer sobre o assunto destaca:
As principais patologias das alvenarias são:
.trincas na região de encunhamento; trinca nos encontros entre alvenaria e estrutura; trinca no encontro de paredes; trinca no encontro de vãos de portas e janelas; trinca na base de paredes provenientes de problemas de impermeabilização ou lençol freático; muros e peitoris que não estejam convenientemente protegidos por rufos, apresentando fissuras na parte superior; problemas devido a alterações térmicas; desplacamentos; eflorescências; criptoeflorescências, que são formações salinas ocultas com o crescimento de sais no interior dos materiais, entre a alvenaria e o acabamento. Principais patologias nas argamassas: Manchas de umidade e mofo; descolamento da argamassa do substrato; aparecimento de bolhas; aparecimento de fissuras; retrações; pulverulência. Principais patologias nos revestimentos cerâmicos: Pisos – caimento inadequado; manchas decorrentes da umidade ascendente; deficiência na impermeabilização; eflorescência; descolamentos e destacamentos. Paredes – descolamento das placas; movimentação higroscópica; aderência da argamassa colante; falta de argamassa no tardoz do revestimento; deficiência no espalhamento da argamassa colante; deficiência no tempo de pega do material; deficiência da mão de obra; deficiência de projeto; deficiência no assentamento das peças; observação às normas de colocação; problemas oriundos de recalques; empolamentos; deficiência de juntas de movimentação; deficiência nos rejuntes; falha no selante da junta de movimentação gerando infiltração; escolha da cerâmica em conjunto com emboço e argamassa apropriados; presença de eflorescências oriundas da passagem de água por fissuras na interface entre rejunte e bordas da placa. Principais patologias nos sistemas de pintura: Trincas, bolhas, cratera, eflorescência, desagregação, descolamento, descoloração, vesículas, calcinação ou saponificação, manchas de pingos de chuva, manchas amareladas, manchas escuras de mofo e bolor, enrugamento, aspereza. Patologias nas esquadrias: Deficiência no projeto da escolha dimensional e posicionamento; deficiência na estanqueidade para esquadrias de fachadas; dificuldades de movimentação das esquadrias; folga na fixação de vidros; vidros soltos e quebrados; deterioração de esquadrias de madeira pelo ataque de pragas e apodrecimento pela ação de águas; esquadrias com ferrugem; perda de mobilidade em função da deficiência de lubrificação. Patologias das fechaduras e dobradiças: pouco tempo de banho, peças apresentando manchas; uso de produto abrasivo na limpeza; processo de corrosão; trincos quebrados; número de dobradiças insuficientes para o tamanho da porta; descascamento devido ao uso de produtos abrasivos; falta de pinos e anel em dobradiças. Patologias nas instalações elétricas: Surto de tensão na rede de distribuição; interrupção repentina do fornecimento de energia; ataque de pragas urbanas; uso de equipamentos inadequados, não obedecendo à capacidade dos condutores existentes; descargas elétricas; sobrecarga da rede elétrica; uso de fios e cabos inadequados, com dimensionamento deficiente e isolamento inadequado. Patologias nas instalações hidráulicas (incluem os sistemas de água fria, água quente, esgoto, águas pluviais, águas de reuso e águas de retardo, gás e incêndio) são: Manutenção; deformação nas tubulações; deficiência na execução dos encaixes das conexões; uso de materiais diferenciados e impróprios; emendas mal executadas; vazamentos; corrosão. (FEIGELSON DEUTSCH,2019:134-149).
Assim, é primordial a análise criteriosa por profissional habilitado e qualificado para trazer à baila o que preconiza a metodologia técnica de diagnosticar e propor tratamento adequado ao fim a que se destina.
3. CONSIDERAÇÕES GERAIS DA EDIFICAÇÃO PROPOSTA PARA ESTUDO DE CASO
O imóvel, objeto de estudo, está localizado no município de Guarapari, no setor sudeste do estado do Espírito Santo. Tem seu acesso principal pela Avenida Beira Mar e acesso secundário pela Avenida Oceânica, conforme observado na Figura 1.

Fonte: Google Earth (2021)
A área de influência da ocupação circunvizinha conta atualmente com uma população urbana de classe média Trata-se de prédio de uso misto (comercial e residencial multifamiliar), com fachada ativa e idade aproximada de 20 anos. A edificação é formada por treze pavimentos, com área total construída igual a 10.659,46m², área do terreno com 1.200,00m² e taxa de ocupação igual a 67,40%. O Estado do Espírito Santo vem apresentando nas últimas décadas, grande crescimento econômico, financeiro e industrial, o que contribuiu para o incremento populacional, principalmente nas áreas costeiras.
A região da Praia do Morro está inserida na Bacia Hidrográfica de Guarapari. O clima da região corresponde ao quente e úmido e estação seca durante o inverno. Os índices pluviométricos da região registram maior intensidade de precipitações nos meses de outubro a janeiro.
A investigação proposta como estudo de caso desenvolve-se com a atuação do profissional in locoresultando em laudo técnico que fundamenta as decisões garantidoras à integridade da obra.
4. METODOLOGIA E EXAMES
A Vistoria foi elaborada em conformidade com a NBR 13.752: perícias de engenharia na construção civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT entre outras. A análise da edificação foi realizada mediante observação criteriosa nas áreas comuns do imóvel assim como nos elementos e condições que o constituíam. Iniciou-se os trabalhos com a inspeção visual, seguidas de registros fotográficos das várias anomalias em elementos de vedação, infiltração, impermeabilização, armadura exposta, fissuras, danos nos revestimentos, pinturas e acabamento.
Os exames realizados seguiram a necessidade de averiguar os vícios invisíveis à identificação das manifestações patológicas encontradas. Vale destacar a caracterização dos principais testes segundo Simone Feigelson Deutsch, para uma melhor compreensão:
Os testes visuais verificam a existência de manchas, fissuras e variação volumétrica, destacando-se facilmente, por exemplo, a presença de umidade. Os testes à percussão verificam a uniformidade das superfícies por meio do som, são muito utilizados, citando-se como exemplo, teste à percussão para verificação por meio da percepção de som cavo de peças cerâmicas com fixação deficiente por preenchimento inadequado do tardoz. Os testes de porosidade verificam o tempo de absorção de uma superfície e a necessidade da utilização de um hidrofugante. (FEIGELSON DEUTSCH,2019:98-99).
Para a vistoria do estudo de caso, foram realizados apenas os testes norteados pelos danos considerados pertinentes à constatação. Neste contexto, para garantir outros meios de exames a serem citados como instrumentos de aplicação e aprendizado nos socorremos da autoria de Simone Feigelson como segue:
Dentre os testes, podem-se citar exames não destrutivos tais como: testes com fenolftaleína para verificação da profundidade de carbonatação; testes de medição de diferença de potencial para verificar a probabilidade de haver corrosão nas armaduras; testes de esclerometria que medem a dureza superficial do concreto, verificando-se a resistência e qualidade do mesmo; ensaio ultra-sônico, com a introdução de ondas ultra-sônicas na peça de concreto, usando-se de um emissor e a captação das mesmas em outro ponto da peça testada por meio de um receptor e desse modo detectam-se as desconformidades internas nos materiais, por meio da reflexão de ondas acústicas quando encontram obstáculos à sua propagação. (FEIGELSON DEUTSCH,2019:99).
Apesar da edificação estar localizada na orla litorânea, a sintomatologia, ou seja, o conjunto de sinais indicativos da origem das doenças seguiam congruentes à interação com o meio ambiente ao qual estava exposta. Ainda assim, não foi necessário a utilização de exames destrutivos para compor o laudo em espécie. No entanto, como forma de elucidar o tema Simone Feigelson apresenta a seguinte redação:
Existem ainda exames destrutivos, tais como: ensaio de aderência que consiste na aplicação suave de uma força de tração exercida manualmente no volante de tensão de um aparelho concebido para esse fim por meio de uma peça metálica colada. O ensaio de aderência ou “pull-off” test é considerado um ensaio tipo parcialmente destrutivo, pois produz arrancamento de uma pequena parte do concreto junto a superfície da estrutura. Consiste no arrancamento de um disco metálico com 30 a 50 mm de diâmetro previamente colado na superfície usando adesivo epóxidico; ensaio de penetração de pinos que consiste na cravação de pinos metálicos no concreto da estrutura estudada, por meio de pistola própria e da medição do comprimento exposto do pino após a cravação. Relaciona inversamente a penetração do pino com a resistência à compressão do concreto. (FEIGELSON DEUTSCH,2019:100).
Para complementar o tema que de forma oblíqua sustenta a importância da sistematização, segue a investigação dos dados e fatos escolhidos para o estudo de caso como assunto destaque.
5. ANÁLISE DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS – INFORMAÇÕES COLETADAS NA VISTORIA
Sabe-se que ao longo da vida útil de uma edificação são identificados sintomas que indicam a necessidade de intervenção para a conservação da obra. “O conhecimento da origem de uma manifestação patológica é imprescindível para que o problema seja resolvido de forma definitiva”. (OLIVEIRA DE SENA, 2020:78). O acervo fotográfico das manifestações patológicas destacadas como complemento qualificativo e caracterizador das informações colhidas durante a vistoria, estarão destinados a apreciação das evidências das anomalias com o substrato necessário e útil à elucidação do estudo proposto. Tendo como base conceitual e exemplificativa, Gildeon Oliveira de Sena que leciona com maestria:
O conhecimento da origem de uma manifestação patológica é imprescindível para que o problema seja resolvido de forma definitiva. Suas origens são divididas em 4 fases que podem se chamar de : (1) congênitas, quando tem origem na fase de projetos, por exemplo: falta de compatibilização de projetos, especificação inadequada de materiais, erros de dimensionamento; (2) construtivas, quando tem origem na fase de execução, como por exemplo: não capacitação de mão de obra, falha no controle de qualidade de execução, irresponsabilidade técnica; (3) adquiridas: quando tem origem na fase de utilização da estrutura como: manutenção inadequada ou ausente, utilização errônea da estrutura; (4) acidentais, quando tem origem em fenômenos atípicos, como: acidentes com colisão de veículos em estruturas, intempéries. Ao longo da sua vida útil a estrutura sofre interação com o meio ambiente ao qual está exposta e devido a essa interação sofre alterações que, no decorrer da sua utilização, podem comprometer a sua estabilidadee funcionalidade. A interação do meio ambiente pode ser do tipo físico (ex.: efeito de exposição a altas temperaturas), químico (ex.: ataque de íons cloreto e dióxido de carbono), biológico (ex.: bolor e vegetações) ou mecânico (ex.: efeito de abrasão ou de cargas aplicadas). (SENA, 2020: 78).
Diante disso, não se pode olvidar da importância da identificação da sintomatologia para que teça um diagnóstico efetivo com objetivo de atingir o cerne do problema. Em função do exposto segue os principais aspectos abordados e eternizados pelo acervo fotográfico do autor. A primeira delas, trata-se de bolor e manchas de umidade.

Fonte: Autor (2020)
Constatou-se mofo, bolores e vestígios de infiltração na laje conforme figura acima.
Segundo Matheus Leoni (2020:79) “a presença de bolor na estrutura indica um elevado grau de umidade e presença de organismos vivos” analisando ainda várias hipóteses para a presença desta manifestação patológica assim como:
O bolor é formado por diversas colônias de fungos filamentosos que são micro-organismos e têm compostos orgânicos como fonte de alimento. A temperatura, o pH e a umidade são fatores que definem o aparecimento e manutenção do bolor em estruturas de concreto. Para se proliferarem, precisam do perfeito ambiente com umidade elevada, que pode ser dado através da umidade da obra, infiltrações, umidade proveniente do solo, condensação do vapor da água, umidade proveniente de vazamentos, ambientes com pouca ventilação e baixa incidência de radiação. (NASCIMENTO, 2020:79).
Outra manifestação patológica recorrente são as eflorescências. São manchas esbranquiçadas que aparecem nos revestimentos devido ao arraste de sais para a superfície por meio da evaporação. Conforme preleciona Matheus Leoni:
[…] os problemas são comuns tanto nos sistemas de revestimentos cerâmicos quanto argamassados, [..]. Dentre os principais, pode-se citar as eflorescências [..]. Para as eflorescências, a cristalização de sais tem a principal origem na saída, principalmente do hidróxido de cálcio presente no rejunte das placas e emboço. (NASCIMENTO, 2020:163-164).
Nesse sentido, segue registro das manchas no revestimento externo da edificação.

Fonte: Autor (2020)
É de se notar que as manutenções periódicas afirmam a importância para a prevenção dos problemas que surgem na estrutura. Em virtude disso a manutenção preventiva e a manutenção corretiva são expedientes para que o desempenho da edificação conserve suas características e funções preestabelecidas. De acordo com Simone Feigelson:
A manutenção preventiva é realizada a partir de uma periodicidade preestabelecida, quando se vistoria a edificação e se executam determinados serviços de manutenção, às vezes antes mesmo deles aparentarem serem necessários, evitando problemas que poderiam vir a acontecer, sendo estabelecidas em função das informações obtidas em inspeções regulares e periódicas. A manutenção corretiva é proveniente de uma necessidade pontual de uma determinada atividade de correção ou de reforço. Normalmente ocorre em edificações que não são inspecionadas rotineiramente[…]. (FEIGELSON DEUTSCH,2019:116-117).
Importante observar outra manifestação bastante recorrente. Trata-se do descolamento das placas nos revestimentos cerâmicos. De acordo com Matheus Leoni (2020:164) “os descolamentos ocorrem quando a camada ainda não caiu, mas apresenta-se visivelmente descolada”. Conforme segue o registro:

Fonte: Autor (2020)
No mesmo sentido, o desplacamento segue com características parecidas, consideradas, no entanto, uma evolução da manifestação patológica anterior, ou seja, a placa cerâmica desprende-se do substrato. Com base nestas informações observa-se:

Fonte: Autor (2020)
Essas manifestações patológicas são recorrentes não só em regiões litorâneas, mas em toda as outras regiões do Brasil. Conforme preleciona Matheus Leoni (2020:165) “as principais causas dos descolamentos e desplacamentos são problemas executivos que causam falha na aderência, falta de um projeto adequado […], bem como as variações climáticas às quais o revestimento está submetido”. A garantia de uma boa aplicação dos revestimentos cerâmicos assegura a devida proteção contra infiltrações e umidades ao imóvel. Observa-se que cada detalhe que compõe a estrutura têm uma função e que cada uma delas segue uma determinada normatização instrumentalizando maior estabilidade ao fim a que se destina. Constata-se ao longo do trabalho de vistoria que as lajes das garagens também são alvo de alguns problemas em decorrência das intempéries e da emissão de gases dos automóveis. Assim são os registros de Mees,Silva e Rohden:
Para que uma estrutura se mantenha íntegra e tenha uma grande durabilidade é necessário que o aço esteja passivado.[…] o concreto protege o aço através de uma barreira física, chamada de cobrimento, que é a espessura de concreto que separa o aço do ambiente externo.[…] existem agressividades que com o passar do tempo penetram na microestrutura do concreto e fazem com que ele perca esta camada passivadora e, por consequência, se houver água e oxigênio disponível para as reações eletroquímicas, a armadura comece o processo de corrosão. Esse processo de deterioração das estruturas de concreto armado é muito comum devido ao ataque de íons cloreto e/ou carbonatação, o primeiro muito comum na área litorânea e o segundo em ambientes urbanos. (MEES; SILVA; ROHDEN, 2020:106).
Nesse contexto, segue registro fotográfico:

Fonte: Autor (2020)
Ainda podemos suscitar outro problema recorrente como as estalactites que se dá pelo mecanismo das lixiviações causadas pelas infiltrações, porosidades do concreto ou falhas na impermeabilização. Neste sentido:

Fonte: Autor (2020)
Outro problema frequente se dá em locais que ficam sujeitos às intempéries, como mostra a figura a seguir. Aqui se trata do pavimento de garagem com a projeção da estrutura sombreando algumas partes e outras expostas a ação dos raios solares, chuvas, maresia, entre outros. Neste caso, é visível o desgaste da pintura, manchamentos, fissuras e deficiência no sistema de impermeabilização.

Fonte: Autor (2020)
Note-se que os problemas trazidos por esse autor, não se esgotam de forma taxativa, o que implica dizer que, o rol de manifestações patológicas encontradas nas edificações, de modo geral são extensivas ao grau de agressividade a que se encontram. O recurso fotográfico, favorece o estudo deste trabalho ampliando o entendimento dos efeitos produzidos nos elementos que compõe a obra como um todo. Segue registro de outro problema enfrentado em regiões litorâneas:

Fonte: Autor (2020)
Considerando os efeitos da umidade, maresia e agentes agressivos são possíveis causas da oxidação generalizada no sistema de ar-condicionado, comprometendo o funcionamento e segurança do fim a que se destina.
Cabe observar que tanto os elementos estruturais quanto os elementos de revestimento, vedação, composição, design, instalações elétricas, hidráulicas, incêndio e gás, serão alvos de patologias caso não encontrem periodicidade na prevenção e manutenção. Segundo Tito Lívio e Stella Marys:
[…]as investigações técnicas de patologia e desempenho das construções devem seguir a duplicidade do check-up médico, separando os fatores intrínsecos daqueles extrínsecos. A investigação intrínseca, ou da construção propriamente dita, deve ser realizada em todos os sistemas, equipamentos e instalações, periodicamente, desde a conclusão da obra até o final de sua vida útil, sugerindo-se periodicidade de dez anos, para bem analisar a ocorrência de eventuais manifestações patológicas e o comportamento do desempenho ao longo do tempo. Quanto à investigação extrínseca (manutenção, uso e degradação – meio ambiente), a mesma deve ser rotineira na fase do pós-obra, visando o bom uso e a preservação da vida útil projetada para a edificação, recomenda-se periodicidade anual entre elas. (GOMIDE; FLORA, 2021:58-59).
O importante na prevenção e manutenção é evitar que patologias mais graves se instalem na estrutura e em seus periféricos tornando a degradação mais difícil e mais cara para os diretamente envolvidos.
Cabe ressaltar, que na maioria dos casos a presença da tecnologia ao utilizar instrumentos com programas avançados na detecção das anomalias encontradas ao longo de qualquer inspeção, vistoria ou perícia torna o trabalho do profissional mais criterioso. Não se deve olvidar da obrigação e necessidade de utilizar as normas brasileiras como parte fundante deste rol de ações tornando um amalgama na concretude do todo.
Outra forma interessante e facilitadora no processo de execução das atividades são os mapeamentos das manifestações patológicas que possibilitam sintetizar o tema tratado.
6. MAPA DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS OBSERVADAS COMO ROL EXEMPLIFICATIVO
A partir das observações constatadas in loco foi traçado um mapa patológico com o propósito de interpretar as ocorrências, isto é, produzir seu significado por meio de legendas identificativas. Atribuindo ao mapa, papel subsidiário à localização dos danos encontrados durante os trabalhos.

O mapa de manifestações patológicas poderá ser construído de acordo com os trabalhos a serem realizados na recuperação dos danos encontrados na vistoria. O rol apresentado acima é apenas exemplificativo. As diagramações poderão ser representadas a critério do profissional.

Fonte: Autor (2020)
Em sequência, segue o quadro de resumo das manifestações patológicas encontradas na estrutura do estudo proposto bem como as ações corretivas como recomendação ao respectivo diagnóstico. Quanto ao memorial fotográfico, este opera como subsídio facilitador às devidas intervenções ao bem vistoriado.
7. QUADRO RESUMO DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS ENCONTRADAS NA ESTRUTURA

Assim segue o quadro resumo das manifestações patológicas:

Fonte: Adaptada pelo autor
8. CONCLUSÃO
Na introdução deste trabalho, foi proposto um estudo de caso das principais manifestações patológicas em edificação da orla da cidade de Guarapari – Espírito Santo, tema que relaciona a teoria na prática de uma das áreas do conhecimento da Engenharia Diagnóstica que é a patologia das construções especificamente nos diagnósticos e tratamentos. Foram abordados assuntos referentes às manifestações patológicas mais recorrentes nas regiões litorâneas especificamente em um imóvel localizado na cidade supracitada. Para tanto, desenvolveu-se um estudo teórico e prático acerca do tema. Ao estudo teórico foram colacionados entendimentos de vários autores mestres no assunto. Ao estudo prático foi desenvolvido uma vistoria in loco com observação criteriosa nas áreas comuns do imóvel assim como nos elementos e condições que o constituíam. Observou-se que as degradações da edificação estão relacionadas a causas diretas ou de origem mecânica e a causas indiretas ou de ações humanas conferindo as hipóteses norteadoras do tema. Demonstrou-se que a maior parte das manifestações patológicas são características de ambientes quentes e úmidos em grau de agressividade considerado alto em decorrência da maresia e do mar. Outro ponto considerado foi a falta de manutenção periódica da estrutura originando os desplacamentos e descolamentos cerâmicos, oxidação dos materiais de revestimento, exposição de armadura, manchamentos de pinturas, bolores e mofos. Por fim, cumpre dizer que o desempenho das construções está diretamente relacionado com inspeções e manutenções rotineiras obliquamente com o profissional qualificado procurando na prática a solução ou melhoramento das manifestações patológicas desenvolvidos durante a vida útil das edificações. levando em conta a relação existente entre as anomalias encontradas em edificações litorâneas e suas características com a intenção de colaborar e incentivar o corpo acadêmico a outras pesquisas a fim de propor soluções construtivas ao fim a que se destina.
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1Patologia das Construções: Diagnósticos e Tratamentos
Instituto de Pós-Graduação – IPOG Belo Horizonte, MG, 06 de janeiro de 2022
chrisescribas@gmail.com
