TELEREHABILITATION IN THE TREATMENT OF PEOPLE WITH CHRONIC MUSCULOSKELETAL PAIN: A SYSTEMATIC REVIEW AND META-ANALYSIS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508291754
Giani Alves de Oliveira1
Yasmin Dias Nobre2
Ana Carolina Ferreira Tsunoda Del Antonio3
Paulo Fernandes Pires4
Denis Carlos Santos5
João Paulo Freitas6
Tiago Tsunoda Del Antonio7
Vanessa Cristina Godoi de Paula8
Fabrício José Jassi9
RESUMO
Objetivo: Verificar eficácia da reabilitação fisioterapêutica, através da telerreabilitação, em comparação com outras intervenções em pessoas com dor crônica musculoesquelética. Métodos: Recomendações PRISMA foram utilizadas para elaboração da revisão. Ensaios controlados e aleatorizados que traziam a telerreabilitação como meio de entrega de intervenção para dor crônica musculoesquelética foram elegíveis. As buscas aconteceram na EMBASE, PEDro, CINAHL, CENTRAL, PubMed e Web of Science em dezembro de 2022 e foram atualizadas em junho de 2023. A qualidade metodológica foi avaliada pela escala PEDro e a qualidade da evidência pelo sistema GRADE. Para estudos que forneciam dados suficientes a meta-análise foi usada para derivar estimativas resumidas da associação suportando a utilização ou não da telerreabilitação para condições músculo esqueléticas crônicas. Resultados: Nove estudos foram incluídos, totalizando 864 participantes. Análise dos dados suporta o uso de intervenção com exercícios físicos entregue via telerreabilitação quando comparado a nenhum tratamento para o desfecho dor (MD95% = -0,74 [-1,41, 0,07]; p = 0,03) e incapacidade (SMD95% = -0,48 [-0,72, 0,24]; p < 0,0001), mas quando comparado a fisioterapia convencional ou ao material educativo, a telerreabilitação não possui efeito favorável. Conclusão: Telerreabilitação como forma de entrega de intervenção fisioterapêutica por meio de exercícios físicos para pacientes com dor crônica musculoesquelética é melhor que nenhuma intervenção, mas não superior a fisioterapia convencional ou material educativo.
Registro: CRD42022356387.
Financiamento: Fundação Araucária de Apoio e Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Palavras-chave: Dor crônica, Telerreabilitação, Fisioterapia.
SUMMARY
Objective: To verify the efficacy of physical therapy through telerehabilitation in comparison with other interventions in people with chronic musculoskeletal pain. Methods: PRISMA recommendations were used to prepare the review. Randomized controlled trials that used telerehabilitation as a means of delivering intervention for chronic musculoskeletal pain were eligible. The searches were conducted at EMBASE, PEDro, CINAHL, CENTRAL, PubMed and Web of Science in March 2022. PEDro scale was used to assess methodological quality and GRADE system was used to assess evidence quality. For studies that provided sufficient data, meta-analysis was used to derive summary estimates supporting the use or not of telerehabilitation for chronic musculoskeletal conditions. Results: Nine studies were included, totaling 864 participants. Data analysis supports the use of intervention with physical exercises delivered via telerehabilitation when compared to no treatment for the outcome pain (MD95% = -0,74 [-1.41, 0.07]; p = 0.03) and disability (SMD95% = -0.48 [-0.72, 0.24]; p < 0.0001), but when compared to conventional physical therapy or to educational material, telerehabilitation does not have a favorable effect. Conclusion: Telerehabilitation as a way of delivering physical therapy intervention for patients with chronic musculoskeletal pain is better than no intervention, but not superior to conventional physical therapy or to educational material.
Registration: CRD42022356387.
Funding: Araucária Foundation for Scientific Development and Technological Support.
Keywords: Chronic pain, Telerehabilitation, Physical therapy.
INTRODUÇÃO
Os distúrbios musculoesqueléticos crônicos são considerados o segundo maior contribuinte para a incapacidade em todo o mundo1 e configuram-se como a segunda causa de atendimento médico e hospitalar no Brasil2. Estudos apontam que a média de prevalência de dor crônica no cenário mundial é de cerca de 35,5% e as pesquisas revelam que no Brasil a incidência é semelhante, afetando cerca de 40% da população3,4. A 10a Revisão do Código Internacional das Doenças (CID-10) da Organização Mundial da Saúde – OMS, reconheceu a dor crônica como uma doença e se destaca como uma importante questão socioeconômica5,1.
A dor crônica é definida como uma condição comum não necessariamente associada a lesões do organismo, e é caracterizada por persistência dos sintomas além do tempo normal de cicatrização do tecido, onde a dor persiste por tempo superior a três meses6. A dor crônica musculoesquelética possui alta prevalência, gerando incapacidade e grandes custos em comparação com o tratamento de outras queixas dolorosas7.
Evidências apontam que os indivíduos com dor crônica não apresentam somente alterações biomecânicas ou musculoesqueléticas, mas também componentes biopsicossociais que afetam a qualidade do sono, o humor, o convívio em sociedade, dentre outros fatores que favorecem um pior desfecho clínico, gerando incapacidades e consequentes alterações na qualidade de vida desses sujeitos6. Assim, percebe-se hoje que a dor crônica se tornou um dos problemas de saúde mais incapacitantes da sociedade contemporânea, propiciando elevados custos com o tratamento, ociosidade no trabalho e aposentadoria precoce8.
Há uma ampla gama de intervenções dentro da fisioterapia que visam o gerenciamento dos sintomas da dor crônica musculoesquelética, porém, evidências atuais comprovam que a terapia por meio de exercícios, educação em dor e terapia manual são as mais eficazes para uma abordagem de tratamento dessa condição1,10-12. Mas devido aos inúmeros aspectos e a alta prevalência da dor crônica, bem como sua complexidade, estudos ainda se tornam necessários para propiciar evidências científicas robustas aos clínicos quanto ao manejo dessa condição.
Durante e após advento da pandemia por COVID-19 a adesão dos pacientes aos tratamentos presenciais foi prejudicada, tornando necessárias medidas alternativas de atenção ao paciente, mesmo que de forma remota. Neste contexto, a partir do crescimento expressivo das telecomunicações e do acesso à internet, a prestação de cuidados de saúde de forma remota, incluindo a telerreabilitação, vem sendo uma alternativa promissora para o manejo da dor crônica musculoesquelética, pois têm o intuito de aumentar o acesso a serviços gerais de saúde e prestar atendimento em locais onde a distância representa um fator crítico13,14.
Por outro lado, até onde sabemos essa é a primeira revisão sistemática que reúne as evidências acerca do uso da telerreabilitação no tratamento de dor crônica musculoesquelética dentro da fisioterapia, foi planejada para auxiliar a prática e tomada de decisões clínicas entre fisioterapeutas e partes interessadas.
Com isso, nosso objetivo foi verificar a eficácia da reabilitação fisioterapêutica, através da telerreabilitação, em comparação com outras intervenções em pessoas com dor crônica musculoesquelética.
MÉTODOS
Trata-se de uma revisão sistemática com registro a priori no banco de dados PROSPERO (CRD42022356387), que seguiu as recomendações PRISMA15 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses).
Estratégia de busca
Os estudos foram selecionados após busca sistemática em seis bases de dados [embase, PEDro (Physiotherapy Evidence Database), CINAHL, CENTRAL (Cochrane Central Register of Controlled Trials), MEDLINE e Web of Science] desde o início de registro em cada banco de dados até o dia 08 de junho de 2023. Os termos e palavras-chave usados para otimização de busca estavam em inglês e eram relacionados a ensaios controlados aleatorizados, telerreabilitação e dor crônica musculoesquelética, contidos no DeCs (Descritores em Ciências da Saúde) e no MeSH (Medical Subject Headings) combinados aos operadores de pesquisa “AND” “OR” (consultar estratégia de busca detalhada em Material Suplementar- Apêndice 1). A lista de referência dos estudos elegíveis foi pesquisada manualmente para complementar as buscas eletrônicas. Não foi aplicado restrição de idioma no estudo.
Seleção dos estudos
Os estudos selecionados envolveram tratamento fisioterapêutico através da telerreabilitação para pacientes com dor crônica musculoesquelética. A seleção dos estudos aconteceu após remoção de duplicatas, seguida por leitura do título, resumo e texto completo. Essas etapas aconteceram de forma independente por dois autores (GAO e YDN) na plataforma Rayyan e o consenso com um terceiro autor foi usado para resolver possíveis divergências.
Critérios de elegibilidade
Para serem elegíveis os estudos tinham que: (1) ser um ensaio controlado e aleatorizado; (2) ser realizados com participantes com idade acima de 18 anos diagnosticados com dor crônica musculoesquelética e (3) ter qualquer forma de intervenção fisioterapêutica entregue por telerreabilitação comparado a qualquer outra forma de tratamento fisioterapêutico, exceto aquela entregue via telerreabilitação.
Extração de dados e risco de viés
O processo de extração de dados foi realizado por meio de um formulário padronizado que incluía: identificação do estudo, características dos participantes, descrição dos procedimentos realizados e medidas de resultados. Discordâncias entre os autores em relação aos dados extraídos foram resolvidas por consenso junto a um terceiro autor.
Todos os estudos incluídos foram avaliados quanto sua qualidade metodológica e esse processo foi realizado por dois revisores independentes (GAO e YDN) usando a escala PEDro (0-10)16, portanto, cada estudo foi avaliado para alocação aleatória, oculta alocação, comparabilidade da linha de base, participantes, terapeutas e avaliadores cegos, acompanhamento adequado, intenção de tratar, comparação entre grupos, estimativas pontuais e variabilidade. Uma pontuação igual ou superior a 6 foi considerada como ponto de corte17. Se os julgamentos já tivessem sido avaliados e listados na base de dados PEDro, tais pontuações eram adotadas. Ressalta-se que a qualidade metodológica não foi um critério de elegibilidade. A qualidade da evidência foi avaliada pelo sistema GRADE.
Análise de dados
As análises foram realizadas utilizando o software Review Manager software (RevMan version 5.4.1). A significância estatística bilateral foi estabelecida em p < 0,05. As medidas de resultados extraídas foram intensidade da dor e incapacidade física. Os dados do estudo foram agrupados usando um modelo de efeitos aleatórios e as diferenças entre a telerreabilitação e grupo comparador foram analisadas com o método de diferenças médias padronizadas (SMDs) ou métodos de diferenças médias (MDs) e intervalos de confiança de 95% (95% CI). As inconsistências foram estimadas usando a estatística I².
RESULTADOS
Fluxo de estudos através da revisão
A partir da estratégia de busca foram encontrados 4.586 artigos, sendo excluídos 1.215 estudos duplicados, restando 3.371 artigos para a fase de exclusão por títulos e resumo. Posteriormente, restaram 41 artigos potencialmente elegíveis para a leitura na íntegra e após exclusão diante dos critérios de elegibilidade, nove14,18-25 artigos foram incluídos nesta revisão para análise. O fluxo de estudos através do processo de seleção é apresentado na Figura 1.
Descrição dos estudos
Os nove estudos elegíveis foram publicados entre 2009 e 202121,25. O tamanho da amostra variou de 47 a 175 participantes20,22. A amostra agrupada foi de 864 pacientes, com média de 96 participantes para cada estudo. Uma descrição de todos os estudos incluídos é apresentada na tabela 1.
Qualidade metodológica
A qualidade metodológica dos estudos é descrita na tabela 2. A pontuação total da escala PEDro variou de 4 a 10, com média de 6,9, os grupos intervenção e controle não diferiram na linha de base em nenhum dos estudos e a limitação metodológica frequente foi falta de cegamento do avaliador, terapeuta e participantes.
Figura 1. PRISMA diagrama de fluxo resumindo a identificação do registro e a seleção do estudo.

Participantes
Entre os estudos elegíveis, quatro recrutaram participantes com dor lombar crônica19,20,21,25, quatro recrutaram participantes com dor crônica de joelho14,22-24 e um recrutou participantes com dor crônica de quadril18.
Intervenções
Todos os estudos incluídos trouxeram exercícios entregues por meio da telerreabilitação como forma de intervenção para a população em questão14,17-24. Cinco compararam a terapia por exercícios entregues por meio da telerreabilitação com fisioterapia convencional20,21,23-25, três compararam terapia por exercícios entregues por meio da telerreabilitação com grupo controle14,19,22 e um comparou terapia por exercícios entregue por meio da telerreabilitação com material educativo18. A duração do tratamento variou de seis semanas a doze meses.
Dos nove ensaios elegíveis, dois trouxeram como forma de entrega aplicativos, cinco utilizaram-se de plataformas de vídeos e dois entregaram intervenção via videoconferências. Desses, quatro estudos associaram a terapia com exercícios e material educativo, além da maioria dos estudos estabelecerem um diário de dor aos participantes e lembretes via e-mail ou telefonemas, possibilitando comunicação do paciente com o fisioterapeuta de maneira direta.
Medidas de resultados
Os desfechos obtidos dos estudos foram a intensidade da dor e incapacidade física associada à condição clínica em questão, coletados pós-intervenção em diferentes pontos no tempo. A intensidade da dor foi avaliada através de escalas como: Escala Numérica de Avaliação da Dor (NPRS), Escala de Estimativa Numérica (NRS) ou Escala Visual Analógica (EVA), já a incapacidade física foi mensurada através de escalas, como Índice Oswestry de Incapacidade – ODI, dimensão de capacidade física da WOMAC, Índice Oswestry de Incapacidade Modificada – MODI e Índice Funcional de Quebec.
Um dos estudos incluídos23 avaliou apenas qualidade de vida dos participantes, desta forma não foi submetido a análise estatística devido resultados inconclusivos, sendo considerado apenas para análise descritiva.
Tabela 1. Resumo dos estudos incluídos (n = 9).

Tabela 2. Qualidade metodológica dos estudos elegíveis (n = 9)

Efeitos da telerreabilitação versus nenhum tratamento
Dos estudos incluídos, três14,18,21 compararam intervenção fisioterapêutica entregue via telerreabilitação versus nenhum tratamento. A figura 2 representa um gráfico floresta (diferença média [MD] e 95% CI) para os estudos que realizaram essa comparação sob o desfecho dor, onde é possível inferir que a intervenção fisioterapêutica entregue via telerreabilitação possui um efeito superior à nenhum tratamento (MD95% = -0,74 -1,41, 0,07; p = 0,03) para o desfecho dor. Verificou-se força de recomendação moderada para este resultado (ver tabela 3).
Já a figura 3 representa um gráfico floresta (diferença média padrão [SMD] e 95% CI) para os estudos que também realizaram essa mesma comparação, mas agora para o desfecho incapacidade, onde é possível afirmar que a intervenção fisioterapêutica entregue via telerreabilitação também é superior a nenhum tratamento (SMD95% = -0,48 -0,72, 0,24; p < 0,0001) para o desfecho incapacidade. Verificou-se força de recomendação moderada para este resultado (ver tabela 3).
A síntese dos resultados e conclusões dos autores dos estudos para essa comparação é observada na tabela 4.
Efeitos da telerreabilitação versus fisioterapia convencional
Cinco estudos randomizados19,20,22-24 compararam o efeito da telerreabilitação versus fisioterapia convencional. A figura 4 representa um gráfico floresta (diferença média padrão [MD] e 95% CI) para os estudos que realizaram essa comparação sob o desfecho dor, onde é possível observar que a intervenção entregue via telerreabilitação não é mais eficaz que a fisioterapia convencional (MD95% = 0,27 -0,41, 0,95; p = 0,44) para o desfecho dor. Verificou-se força de recomendação baixa para este resultado (ver tabela 5).
Enquanto a figura 5 representa um gráfico floresta (diferença média padrão [SMD] e 95% CI) para os estudos que realizaram essa comparação sob o desfecho incapacidade, onde é possível observar que a intervenção entregue via telerreabilitação não é superior à fisioterapia convencional (SMD95% = 0,05 -0,43, 0,33; p = 0,79) para o desfecho incapacidade. Verificou-se força de recomendação baixa para este resultado (ver tabela 5).
A síntese dos resultados e conclusões dos autores dos estudos para essa comparação é observada na tabela 6.
Efeitos da telerreabilitação versus material educativo
Apenas um ensaio randomizado comparou telerreabilitação versus material educativo, mas se utilizou de avaliações em diferentes pontos no tempo e desta forma foi possível realizar comparações entre seus diferentes resultados. Observa-se na figura 6 um gráfico floresta (diferença média padrão [MD] e 95% CI) que comparou a avaliação pós tratamento na oitava, vigésima quarta e quinquagésima segunda semana, para o desfeito dor, onde fica possível afirmar que o tratamento por meio da telerreabilitação não é superior ao material educativo apenas (MD95% = 0,12 -0,58, 0,83; p = 0,74) para o desfecho dor.
Já na figura 7 quando comparamos a telerreabilitação versus material educativo para o desfecho incapacidade, observamos um efeito semelhante ao anterior, onde no gráfico floresta (diferença média padrão [MD] e 95% CI) que comparou a avaliação pós tratamento na oitava, vigésima quarta e quinquagésima segunda semana, fica possível afirmar que o tratamento por meio da telerreabilitação não é superior ao material educativo apenas (SMD95% = 0,09 -3,00, 3,18; p = 0,95) para o desfecho incapacidade.
A síntese dos resultados e conclusões dos autores dos estudos para essa comparação é observada na tabela 7.
Figura 2. Diferença média (95% CI) de telerreabilitação versus nenhum tratamento em participantes com condições musculoesqueléticas crônicas para o desfecho da dor. Observe que essas estimativas são baseadas apenas em médias brutas e desvios padrão.

Figura 3. Diferença média padronizada (95% CI) de telerreabilitação versus nenhum tratamento em participantes com condições musculoesqueléticas crônicas para o desfecho incapacidade. Observe que essas estimativas são baseadas apenas em médias brutas e desvios padrão.

Tabela 3. Resumo da qualidade da evidência e força da recomendação segundo a escala GRADE para comparação Telerreabilitação versus nenhum tratamento.

Tabela 4. Resultados e conclusões de estudos Telerreabilitação versus nenhum tratamento (n = 3).

Figura 4. Diferença média (95% CI) de telerreabilitação versus fisioterapia convencional em participantes com condições musculoesqueléticas crônicas para o desfecho da dor. Observe que essas estimativas são baseadas apenas em médias brutas e desvios padrão.

Figura 5. Diferença média padronizada (95% CI) de telerreabilitação versus fisioterapia convencional em participantes com condições musculoesqueléticas crônicas para o desfecho incapacidade. Observe que essas estimativas são baseadas apenas em médias brutas e desvios padrão.

Tabela 5. Resumo da qualidade da evidência e força da recomendação segundo a escala GRADE para comparação Telerreabilitação versus Fisioterapia Convencional

Tabela 6. Resultados e conclusões de estudos Telerreabilitação versus fisioterapia convencional (n = 5)

Figura 6. Diferença média (95% CI) de telerreabilitação versus material educativo em participantes com condições musculoesqueléticas crônicas para o desfecho da dor. Observe que essas estimativas são baseadas apenas em médias brutas e desvios padrão.

Figura 7. Diferença média padronizada (95% CI) de telerreabilitação versus material educativo em participantes com condições musculoesqueléticas crônicas para o desfecho incapacidade. Observe que essas estimativas são baseadas apenas em médias brutas e desvios padrão.

Tabela 7. Resultados e conclusões de estudos Telerreabilitação versus material educativo (n = 1).

DISCUSSÃO
Esta revisão sistemática com meta-análise teve como objetivo reunir evidências acerca da eficácia das intervenções fisioterapêuticas entregues via telerreabilitação para pacientes com dor crônica musculoesquelética. Assim, nove estudos elegíveis compararam o uso da telerreabilitação versus nenhum tratamento, fisioterapia convencional ou material educativo. Diante disso, nosso estudo encontrou efeito a favor da telerreabilitação apenas quando comparado a nenhuma intervenção para os desfechos dor e incapacidade com força de recomendação da evidência moderada.
É válido ressaltar que consideramos a telerreabilitação uma estratégia na qual o processo da reabilitação ocorre na residência do paciente sob a orientação remota de um profissional usando tecnologia de telecomunicações, como internet, satélite, telefone, entre outros7,13. Todos os estudos resumidos, utilizaram-se da telerreabilitação para intervir com exercícios aos pacientes, mas tendo o acompanhamento do fisioterapeuta mesmo que a distância, portanto, é importante diferenciar a telerreabilitação de “exercícios em casa” apenas, já que neste último caso não necessariamente o indivíduo possui acompanhamento de um profissional de forma controlada e padronizada.
Como supracitado, todos os ensaios randomizados incluídos utilizaram exercícios físicos como forma de tratamento para pacientes com dor crônica musculoesquelética, condizente com o que temos atualmente na literatura, que enfatiza os efeitos do exercício físico na reabilitação dessa população na melhora da dor, função física e qualidade de vida1,10,11,26,27.
Assim, as intervenções de exercícios remotos são tecnicamente viáveis e há um crescente corpo de conhecimento sobre suas aplicações para o tratamento de distúrbios musculoesqueléticos e busca pela maior adesão dos pacientes à prática regular. Entretanto, Bunting e colaboradores (2020)1 revisaram a eficácia das telecomunicações para melhorar a adesão aos exercícios em pessoas com condições musculoesqueléticas crônicas e concluíram que nenhuma diferença estatisticamente significativa ocorreu a favor da melhora da adesão desses pacientes.
Cuenca-Martinez e colaboradores (2022)28 em revisão sistemática e meta-análise verificou a eficácia de Técnicas de Modificação Comportamental entregues remotamente comparado a entrega presencial no tratamento de pacientes com dor crônica musculoesquelética, seus resultados corroboram com o presente estudo, já que foi possível verificar também que o modelo remoto não é superior ao presencial no desfecho intensidade de dor. Tal efeito pode ser explicado pela importância do contato direto e cuidado centrado no paciente, nas quais estão incluídos a aliança terapeuta-paciente, que se vê limitada diante da telerreabilitação.
A reabilitação fisioterapêutica entregue por telerreabilitação pode promover custos menores aos pacientes e terapeutas, podendo reduzir as listas de espera para tratamentos clínicos, porém, a evidência atual não suporta o uso da mesma para substituição da fisioterapia convencional de forma presencial, já que não houve diferença entre a comparação com a telerreabilitação e desta forma o seu uso precisa ser repensado.
Podemos citar como limitações do estudo a inconsistência e imprecisão de alguns dados analisados e a dificuldade de padronização dos protocolos de tratamento utilizando a telerreabilitação, talvez os efeitos de tal abordagem possam se diferenciar a partir de estudos com um protocolo padronizado e reprodutível.
Sugere-se que estudos futuros testem acompanhamentos mais longos para verificar os efeitos e avaliar variáveis como motivação ou adesão aos tratamentos e apresentem um protocolo de telerreabilitação mais detalhado e reprodutível, já que grandes e bem projetadas pesquisas a respeito se fazem necessárias para só então sustentar a utilização para substituir a fisioterapia convencional quando necessário.
No entanto, as conclusões desta revisão implicam que a telerreabilitação é favorável quando comparada a nenhum tratamento, devendo ser considerada para pacientes incapazes de acessar serviços presenciais relevantes, mas não se mostrou superior quando comparado a fisioterapia convencional ou material educativo, porém, as duas últimas comparações são baseadas em poucos estudos e com baixa força de recomendação.
Agradecimentos:
À Fundação Araucária pelo Apoio e Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
REFERÊNCIAS
- Bunting JW, Withers TM, Heneghan NR, et al. Digital interventions for promoting exercise adherence in chronic musculoskeletal pain: A systematic review and meta-analysis. Physiotherapy 2020; 111: 23-30.
- Igwesi-Chidobe CN, Bartlam B, Humphreys K, et al. Patient direct access to musculoskeletal physiotherapy in primary care: perceptions of patients, general practitioners, physiotherapists and clinical commissioners in England. Physiotherapy 2019; 105 (Suppl 1): E31.
- Mendez SP, Sá KN, Araújo PCS, et al. Desenvolvimento de uma cartilha educativa para pessoas com dor crônica. Revista Dor 2017; 18 (3).
- Vasconselos FH, Araújo GC. Prevalência de dor crônica no Brasil: estudo descritivo. Brazilian Journal of Pain 2018; 1 (2): 176-179.
- Oliveira MAS, Fernandes RSC, Daher SS. Impacto do exercício na dor crônica. Revista Brasileira de Medicina do Esporte 2014; 20 (3).
- Dionísio GH, Salermo VY, Padilha A. Sensibilização central e crenças entre pacientes com dores crônicas em uma unidade de atenção primária de saúde. Brazilian Journal of Pain 2020; 3 (1): 42-47.
- Guilkey RE, Draucker CB, Jingwei WU, et al. Acceptability of a telecare intervention for persistent musculoskeletal pain. Journal of Telemedicine and Telecare 2018; 0 (0): 1-7.
- Vaegter HB, Handberg G, Kent P. Brief Psychological Screening Questions Can be Useful for Ruling Out Psychological Conditions in Patients With Chronic Pain. The Clinical Journal of Pain 2018; 34 (2): 113-121.
- Marris D, Theophanous K, Cabezon P, et al. The impact of combining pain education strategies with physical therapy interventions for patients with chronic pain: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Physiotherapy Theory and Practice 2019; 37(4): 461-472.
- Price J, Rushton A, Tyros I, et al. Effectiveness and optimal dosage of exercise training for chronic non-specific neck pain: A systematic review with a narrative synthesis. Plos One 2020; 15 (6): e0234511.
- Wewege MA, Jones MD. Exercise-Induced Hypoalgesia in Healthy Individuals and People With Chronic Musculoskeletal Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Pain 2021; 22 (1): 21-31.
- Farra FD, Risio RG, Vismara L, et al. Effectiveness of osteopathic interventions in chronic non-specific low back pain: A systematic review and meta-analysis. Complementary Therapies in Medicine 2021; 56:102616.
- Kruse CS, Karem P, Shifflett K, et al. Evaluating barriers to adopting telemedicine worldwide: A systematic review. Journal of Telemedicine and Telecare 2018; 24(1): 4-12.
- Bennell KL, Nelligan R, Dobson F, et al. Effectiveness of an Internet-Delivered Exercise and Pain-Coping Skills Training Intervention for Persons With Chronic Knee Pain: A Randomized Trial. Annals of Internal Medicine 2017; 166(7): 453-462.
- Page MJ, Moher D, Bossuyt PM, et al. PRISMA 2020 explanation and elaboration: updated guidance and exemplars for reporting systematic reviews. BMJ 2021; 372: 160.
- Morton NA. The PEDro scale is a valid measure of the methodological quality of clinical trials: a demographic study. Australian Journal of Physiotherapy 2009; 55(2): 129-133.
- Maher CG, Sherrington C, Herbert RD, et al. Reliability of the PEDro scale for rating quality of randomized controlled trials. Phys Ther. 2003; 83(8): 713-21.
- Bennell KL, Nelligan RK, Rini C, et al. Effects of internet-based pain coping skills training before home exercise for individuals with hip osteoarthritis (HOPE trial): a randomised controlled trial. The International Association for the Study of Pain 2018; 159(9): 1833-1842.
- Chhabra HS, Sharma S, Verma S. Smartphone app in self‐management of chronic low back pain:a randomized controlled trial. European Spine Journal 2018; 27(11): 2862-2874.
- Fatoye F, Gebrye T, Fatoye C, et al. The Clinical and Cost-Effectiveness of Telerehabilitation for People With Nonspecific Chronic Low Back Pain: Randomized Controlled Trial. JMIR Mhealth Uhealth 2020; 8(6): e15375.
- Frih ZBS, Fendri Y, Jellad A, et al. Efficacy and treatment compliance of a home-based rehabilitation programme for chronic low back pain: A randomized, controlled study. Annals of Physical and Rehabilitation Medicine 2009; 52(6): 485-496.
- Hinman RS, Campbell PK, Lawford BJ, et al. Does telephone-delivered exercise advice and support by physiotherapists improve pain and/or function in people with knee osteoarthritis? Telecare randomised controlled trial. Br J Sports Med 2019; 54(13): 790-797.
- Odole AC, Ojo OD. Is Telephysiotherapy an Option for Improved Quality of Life in Patients with Osteoarthritis of the Knee? International Journal of Telemedicine and Applications 2014; 2014:903816.
- Odole AC, Ojo OD. A Telephone-based Physiotherapy Intervention for Patients with Osteoarthritis of the Knee. International Journal of Telerehabilitation 2013; 5(2): 11-20.
- Özden F, Sari Z, Karaman ON, et al. The effect of video exercise-based telerehabilitation on clinical outcomes, expectancy, satisfaction and motivation in patients with chronic low back pain. The Irish Journal of Medical Sciences 2022; 191(3): 1229-1239.
- Hayden JA, Ellis J, Ogilvier R, et al. Terapia de exercícios para dor lombar crônica. Cochrane Database Syst Rev 2021; 9(9):CD009790.
- Tan L, Cicuttini FM, Fairley J, et al. Does aerobic exercise effect pain sensitisation in individuals with musculoskeletal pain? A systematic review. BMC Musculoskelet Disord 2022; 23(1): 113.
- Cuenca-Martínez F, López-Bueno L, Suso-Martí L, et al. Implementation of Online Behavior Modification Techniques in the Management of Chronic Musculoskeletal Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med. 2022 11(7):1806.
1Graduanda em Fisioterapia na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Brasil. E-mail: gianialves10@gmail.com, link currículo: http://lattes.cnpq.br/3283027081538538
2Graduanda em Fisioterapia na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Brasil. E-mail: yasmindiasnobre2003@gmail.com, link currículo: http://lattes.cnpq.br/8537511027056628
3Docente em Fisioterapia na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Brasil. E-mail: acftsunoda@uenp.edu.br
link currículo: http://lattes.cnpq.br/0167483491762734
4Docente em Fisioterapia na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Brasil. E-mail: paulofffpires@yahoo.com.br link currículo: http://lattes.cnpq.br/6123661965713774
5Docente em Fisioterapia na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Brasil. E-mail: denis.santos@uenp.edu.br link currículo: http://lattes.cnpq.br/6441549352274110
6Docente em Fisioterapia na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Brasil. E-mail: joao.freitas@uenp.edu.br
link currículo: https://lattes.cnpq.br/9307932756096620
7Docente em Fisioterapia na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Brasil. E-mail: tiagodantonio@uenp.edu.br
8Docente em Fisioterapia na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Brasil. E-mail: vanessa.cgodoi@hotmail.com
9Docente em Fisioterapia na Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Brasil. Link currículo: http://lattes.cnpq.br/5866478928326695
