WIGGERS DIAGRAM AS AN ACTIVE METHODOLOGY STRATEGY IN CARDIAC PHYSIOLOGY TEACHING: EXPERIENCE REPORT AND PEDAGOGICAL ANALYSIS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202508292110
Luis Felipe Silio1, Saara Neri Fialho2, Adecarlo Fonzar Pegino Junior3, Ana Lídia Santos de Oliveira4, Danielly Castro Bezerra Oliveira5, Aghata Cris Larrana de Farias Ferreira6, Alessandra da Conceição Lourenço7, Leonardo Lucas Araujo de Oliveira8, Fernanda Nascimento Souza9, Angeliete Garcez Militão10
RESUMO
O ensino da fisiologia cardiovascular representa um desafio recorrente na formação médica, especialmente pela complexidade do ciclo cardíaco e pela necessidade de integrar conceitos elétricos, mecânicos e acústicos em um raciocínio clínico unificado. Este estudo tem como objetivo relatar a experiência de aplicação do Diagrama de Wiggers como estratégia de metodologia ativa no ensino de fisiologia cardíaca. A intervenção foi realizada com acadêmicos do primeiro período de Medicina do Centro Universitário Afya, Porto Velho – RO. Os estudantes foram organizados em subgrupos de 4 a 5 integrantes, em aulas práticas de 90 minutos no laboratório multidisciplinar. Utilizaram cartolinas, esquemas impressos, perguntas norteadoras e receberam feedback docente ao final da atividade. Após a prática, aplicou-se um questionário via Google Forms para aferição dos resultados. Observou-se participação ativa e engajada, com média de acertos de 82% e 91% dos alunos relatando melhor compreensão do ciclo cardíaco. Os achados corroboram estudos anteriores que indicam a eficácia das metodologias ativas no ensino médico. Conclui-se que a utilização do Diagrama de Wiggers, adaptado ao contexto brasileiro, constitui ferramenta pedagógica eficaz, de baixo custo e com potencial de replicação em diferentes cenários de ensino em saúde.
Palavras-chave: Ensino médico. Metodologia ativa. Fisiologia cardiovascular. Ciclo cardíaco. Diagrama de Wiggers.
1 INTRODUÇÃO
O ensino da fisiologia ocupa papel central na formação médica, permitindo a compreensão dos mecanismos que sustentam a vida e fundamentam a prática clínica1. Entretanto, a fisiologia cardiovascular, em especial o ciclo cardíaco, é reconhecida como uma das áreas de maior dificuldade para os estudantes de graduação, devido à necessidade de integrar informações de diferentes níveis, como exemplo, elétrico, mecânico, acústico e hemodinâmico2.
Nesse contexto, metodologias tradicionais expositivas têm se mostrado limitadas para promover a aprendizagem significativa, resultando em memorização fragmentada e dificuldades na aplicação clínica do conhecimento3. As metodologias ativas, por sua vez, têm ganhado espaço no ensino superior por estimular o protagonismo estudantil, a resolução de problemas e a integração entre teoria e prática 4,5.
O Diagrama de Wiggers, que sintetiza graficamente as variações de pressão, volume, sons cardíacos e atividade elétrica ao longo do ciclo cardíaco, apresenta grande potencial pedagógico. Contudo, seu nível de complexidade frequentemente dificulta a assimilação pelos acadêmicos, tornando necessária a adoção de estratégias inovadoras de ensino6. Diante desse cenário, emerge o seguinte problema de pesquisa: como potencializar a compreensão do ciclo cardíaco pelos estudantes de medicina por meio de uma abordagem prática e ativa utilizando o Diagrama de Wiggers?
Este relato busca responder a essa questão ao apresentar a aplicação do diagrama em atividades práticas conduzidas no curso de Medicina de uma instituição de ensino superior da região norte do país. Como objetivo, pretende-se descrever a metodologia utilizada, avaliar os resultados obtidos e discutir as implicações pedagógicas da experiência. A relevância deste estudo está em oferecer subsídios para a adoção de estratégias inovadoras e replicáveis no ensino da fisiologia, contribuindo para uma formação médica mais crítica e integrada.
2 METODOLOGIA
A prática foi realizada no laboratório prático multidisciplinar com turmas de 24 alunos e duração de 90 minutos. Os estudantes foram divididos em subgrupos de 4 a 5 integrantes. Foram utilizados cartolinas, canetas coloridas e imagens adaptadas do diagrama de Wiggers do artigo de Silverthorn (2022), impressas em alta resolução. Cada figura foi utilizada para explorar aspectos específicos do ciclo cardíaco, com perguntas norteadoras traduzidas para o português.
Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa e quantitativa. A população da pesquisa foi composta por acadêmicos do primeiro período do curso de Medicina de uma instituição de ensino superior localizada na região Norte do país, e a amostra incluiu todos os 54 estudantes matriculados, selecionados por conveniência, pois estavam regularmente inscritos na disciplina no momento da atividade. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário on-line elaborado no Google Forms, aplicado após a prática. As respostas foram organizadas em planilhas eletrônicas e analisadas por estatística descritiva, expressando-se os resultados em frequências absolutas e relativas.


3 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
O ciclo cardíaco é a sequência de eventos que ocorrem desde o início de um batimento até o próximo, englobando a sístole e a diástole. Para integrar as variações elétricas, mecânicas e acústicas desse processo, Carl Wiggers desenvolveu um diagrama que se tornou referência didática mundial1. O diagrama demonstra a relação entre o eletrocardiograma, os sons cardíacos, a pressão nos ventrículos, átrios e aorta, além das variações de volume ventricular 6.
Apesar de sua relevância, o diagrama é tradicionalmente apresentado de forma estática em aulas expositivas, o que limita a compreensão ativa dos estudantes. A reconstrução prática do diagrama, por meio de atividades participativas, emerge como alternativa capaz de promover maior engajamento e fixação do conteúdo.
As metodologias ativas de aprendizagem deslocam o foco do professor como transmissor de conhecimento para o estudante como sujeito ativo do processo educativo4. Estratégias como aprendizagem baseada em problemas (PBL), team-based learning (TBL), sala de aula invertida e atividades práticas colaborativas têm demonstrado impacto positivo no desempenho acadêmico 7.
No ensino da fisiologia, abordagens ativas já mostraram benefícios, como maior engajamento, melhora na retenção de conceitos e no raciocínio clínico aplicado5,9. A adaptação dessas estratégias para o estudo do ciclo cardíaco, por meio do Diagrama de Wiggers, constitui inovação que busca superar as barreiras tradicionalmente encontradas pelos estudantes.
Os resultados obtidos indicam que a utilização do Diagrama de Wiggers em atividades práticas com metodologias ativas contribui significativamente para a aprendizagem da fisiologia cardíaca. A alta taxa de acertos no questionário e a satisfação relatada pelos estudantes corroboram achados prévios da literatura sobre o impacto positivo da aprendizagem ativa 5,7.
Silverthorn et al. (2022), em estudo semelhante realizado em contexto internacional, também verificaram que a reconstrução prática do diagrama promoveu melhor integração conceitual entre eletrofisiologia e hemodinâmica. Os achados do presente relato reforçam essa perspectiva, demonstrando aplicabilidade em cenários brasileiros, com baixo custo e fácil replicação.
Todavia, o estudo apresenta limitações, como a ausência de grupo controle e a dependência de questionário de percepção como ferramenta avaliativa. Estudos futuros podem incluir comparações entre metodologias, análise longitudinal do desempenho acadêmico e replicação em diferentes instituições.
4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A aplicação do Diagrama de Wiggers como estratégia de metodologia ativa mostrou-se eficaz no ensino de fisiologia cardíaca para acadêmicos de medicina. A atividade promoveu engajamento, facilitou a compreensão de conceitos complexos e foi bem avaliada pelos estudantes. Trata-se de uma abordagem de baixo custo e fácil execução, com potencial de ser incorporada em diferentes contextos educacionais na área da saúde.
REFERÊNCIAS
- GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
- SILVANY, Marco Antonio Araujo. A importância do ensino da Fisiologia nos cursos da área de saúde. Revista Sociedade Científica, [S. l.], v. 7, n. 1, p. 1221–1237, 2024
- PEREIRA, C. A.; LIMA, A. F. Ensino de fisiologia cardiovascular: desafios e perspectivas. Revista de Ensino em Ciências da Saúde, v. 9, n. 2, p. 85-92, 2018.
- BERBEL, N. A. N. As metodologias ativas e a promoção da autonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas, v. 32, n. 1, p. 25-40, 2011.
- PEREIRA. V., OliveiraB. R. de, SilvaG. A., CarvalhêdoI. M. G. S., PalharesJ. B. A. M., & SilvaC. T. X. (2025). Metodologias ativas de aprendizagem na educação médica. Revista Eletrônica Acervo Médico, 25, e18408. https://doi.org/10.25248/reamed.e18408.2025
- SILVERTHORN, D. U. et al. Constructing the Wiggers diagram using core concepts: A classroom activity. Advances in Physiology Education, v. 46, n. 4, p. 640-646, 2022.
- FREEMAN, S. et al. Active learning increases student performance in science, engineering, and mathematics. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 111, n. 23, p. 8410-8415, 2014.
- COSTA, C. M.; MARTINS, M. R. Estratégias de ensino-aprendizagem na educação médica: revisão de literatura. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 41, n. 1, p. 112-121, 2017.
- SILVA, F. A.; MOURA, L. J.; ALMEIDA, R. S. Interdisciplinaridade e metodologias ativas no ensino da fisiologia humana. Educação em Saúde, v. 15, n. 4, p. 47-55, 2021.
1Docente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Porto Velho/RO. Doutor em Ciências do Movimento Humano pela Universidade Metodista de Piracicaba. e-mail: luis.silio@saolucas.edu.br
2Docente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Porto Velho/RO. Doutora, pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede BIONORTE. e-mail: saara.fialho@saolucas.edu.br
3Docente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Porto Velho/RO. Mestre em Planejamento e Desenvolvimento Regional na Universidade de Taubaté – UNITAU. e-mail: adecarlo.junior@saolucas.edu.br
4Pedagoga do Centro Universitário São Lucas Porto Velho/RO. e-mail: lidia.oliveira@saolucas.edu.br
5Docente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Porto Velho/RO. Especialização em Programa de Saúde da Familia. e-mail: danielly.oliveira@saolucas.edu.br
6Docente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Porto Velho/RO. Especialização em Enfermagem em Centro Cirúrgico e Central de Material. e-mail: aghata.gondim@saolucas.edu.br
7Docente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Porto Velho/RO. Especialização em Saúde Pública com ênfase em PSF. e-mail: alessandra.lourenco@saolucas.edu.br
8Docente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Porto Velho/RO. Especialização em Farmacologia Clínica. e-mail: leonardo.oliveira@saolucas.edu.br
9Docente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Porto Velho/RO. Médica. e-mail: Fernanda Nascimento Souza
10Docente do Curso Superior da Universidade Federal de Rondônia. Doutorado em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília. e-mail: angeliete@unir.br
