MINE DRUM IN MARANHÃO: A STUDY ON THE SOCIAL ROLE OF TERREIRO DA TURQUIA (1985-2025)
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202507311636
Raquel da Conceição Siqueira Araújo
Resumo
Este artigo busca refletir sobre o papel social do Terreiro da Turquia, uma tradicional casa de Tambor de Mina localizada na cidade de São Luís, Maranhão. A pesquisa parte da hipótese de que o terreiro atua como espaço de acolhimento, aprendizagem e fortalecimento de laços comunitários, indo além da sua função religiosa. Para isso, foi realizada uma entrevista semiestruturada com uma integrante do terreiro, cuja vivência oferece pistas valiosas sobre como os fundamentos da religião, a oralidade e o convívio coletivo contribuem para a formação de valores como respeito, solidariedade e cuidado mútuo. A análise fundamenta-se na teoria da memória coletiva de Maurice Halbwachs (2013), compreendendo que a memória individual se constitui nos quadros sociais, e que a partilha de experiências no terreiro sustenta práticas comunitárias que atravessam gerações. A ausência de registros bibliográficos específicos sobre a história do Terreiro da Turquia torna a fonte oral ainda mais relevante para o desenvolvimento da pesquisa. O estudo revela que o terreiro não apenas preserva saberes ancestrais, como também se apresenta como um espaço de resistência e formação social.
Palavras-chave: Terreiro. Da Turquia; Tambor de Mina; Memória coletiva; Oralidade.
Abstract
This article investigates the social role of the Terreiro da Turquia, a traditional house of Tambor de Mina located in São Luís, Maranhão, between 1985 and 2025. From a historical and ethnographic perspective, the research aims to understand how the Terreiro has contributed to the life of its members and the surrounding community beyond the religious aspect. The analysis is supported by authors such as Maurice Halbwachs (2013), who emphasizes the role of social frameworks in the formation of collective memory. In this sense, the study highlights the importance of oral history and memory as key elements for accessing the past and interpreting the present. The research is based on oral interviews with current members of the Terreiro, especially women who play active roles within the house. Their testimonies reveal a strong sense of community, solidarity, and the sharing of ancestral knowledge, which together give meaning to the daily life of the Terreiro. The article also emphasizes the centrality of female figures in the continuity of traditions, the care for the environment, and the transmission of knowledge through affection, example, and coexistence. Thus, it concludes that the Terreiro da Turquia acts as a space of resistance, education, and support, especially in a context of urban periphery.
Keywords: Terreiro da Turquia; Tambor de Mina; collective memory; oral history.
Introdução
O Maranhão é amplamente conhecido por ser o berço do Tambor de Mina2, religião que foi desenvolvida no Brasil através da introdução de escravizados provenientes da região do antigo Reino de Daomé, na África (Ferreti, 2006). Ainda segundo Sérgio Ferretti, esses povos cultuavam Voduns (que traduzido do idioma Ewe-Fon significa espírito ou deus) e conservaram suas tradições que foram se espalhando para diversas regiões do país. O culto foi ganhando complexidade ao longo do tempo devido ao sincretismo tanto com o catolicismo como com rituais indígenas. Hoje constitui-se numa religião de grande expressividade na cultura popular especialmente entre a população negra do Maranhão (Ferreti, 1985).
Os lugares onde se cultuam Mina são chamados de terreiros ou Casa de Mina. Atualmente estão espalhados entre a capital e o interior do estado maranhense, além de outros estados como o Pará. Neles são promovidas festas em honra as entidades cultuadas, são tocados tambores nas datas dos santos celebrados (Ferreti, 1985) além de serem espaços de comunhão entre os integrantes da religião.
É assim uma espécie de teatro popular, uma oportunidade de lazer, de divertimento, com comidas e bebidas e com o encontro de muitas pessoas. Nestas festas a comunidade se exterioriza manifestando formas de solidariedade e de cooperação, que se sobrepõem aos conflitos. (Ferreti, 1985, p. 15)
O Tambor de Mina se caracteriza, como outras de matriz africana, sendo iniciática, de transe ou possessão. Cultua, além dos Voduns, caboclos, santos católicos, encantados e orixás (Ferreti, 2005). Também cultuam famílias inteiras de nobres que remontam ao passado, como por exemplo a família do rei turco Carlos Magno (Silva, 2018), que dá o nome ao Terreiro da Turquia, centro dessa pesquisa.
O Terreiro da Turquia constitui um espaço religioso centenário de significativa relevância cultural no Maranhão. Contudo, ao longo dos anos, observou-se uma gradativa redução no número de celebrações realizadas em seu calendário anual desde o falecimento de Mãe Anastácia3. Em tempos anteriores, o terreiro promoveu uma intensa agenda ritualística que se estendia de janeiro a dezembro. Atualmente, no entanto, permanecem apenas três festividades principais: o aniversário da casa, celebrado em 24 de junho; a festa em homenagem a Nossa Senhora de Sant’Ana, no dia 26 de julho; e o Tambor de Cura de Dona Amineles. Segundo Lima e Silva:
O fechamento do terreiro seria realmente uma grande perda da cultura maranhense brasileira, porque foi o único dedicado diretamente aos turcos encantados e é um dos mais antigos do Maranhão junto com a Casa das Minas e o terreiro de Nagô. (Lima e Silva, 2013, p.61)
O trabalho em questão pretende ser um estudo introdutório sobre os diferentes aspectos que um terreiro pode manifestar na vida daqueles que os frequentam que extrapolam a espiritualidade em si, especialmente aos que envolvem o sentido de cooperação.
Muitos pesquisadores como Sérgio Ferretti (1985) e Maria do Rosário Santos (1989) abordaram o tema de como os filhos de santo eram ajudados pela presença de um terreiro na vizinhança sem, no entanto, se aprofundarem no assunto. Também há uma escassez de estudos sobre o Terreiro da Turquia como esse espaço de auxílio e ajuda mútua para seus filhos e filhas de santo.
Sendo assim, alguns questionamentos surgem ao nos debruçarmos no tema: quanto ao Terreiro da Turquia, que tipo de aprendizados podem ser oferecidos por aquele espaço para os que frequentam? Quais são os auxílios que aquele terreiro fornece? Os fundamentos da partilha e comunhão, que são tão exaltados nos discursos das adeptas mais velhas da Mina (Santos, 1989), são preservados naquele espaço?
Para o auxílio na solução dessas perguntas foram usadas duas obras: O Querebetan de Zomadonu e Boboromina, ambas da década de 1980. Também foram realizadas duas entrevistas, uma com Adriana Ferreira de Pinho, no dia 07 de Dez. de 2023, atualmente Vondunsi Gantosi e Yabassé do Terreiro da Turquia. Com 18 anos de feitura e frequentando o terreiro desde a infância. Adriana compartilhou sua vivência e conhecimento sobre as práticas religiosas e a transmissão dos saberes tradicionais. Já a segunda entrevista foi feita em 06 de janeiro de 2025, com Rosemeire Rabêlo Moreira, Ekebejó e Yabassé no Terreiro da Turquia. Sua trajetória nos terreiros iniciou na infância, influenciada por seu pai biológico, pai de santo. Seu relato contribuiu para a compreensão de sua função no terreiro e dos processos históricos e sociais que envolvem sua atuação.
A Turquia e a oralidade nas religiões de matriz africana
O Terreiro da Turquia (Nifé Olorum) foi fundado em 1889 por Anastácia Lúcia dos Santos, tendo atualmente 134 anos. Fica localizado na Rua Nossa Senhora da Vitória, n° 202, no bairro do Oiteiro da Cruz4. Atualmente, o calendário da Turquia conta com apenas três programações anuais: o Tambor de Cura ou pajelança, a festa de inauguração da casa em honra a Nossa Senhora de Santana e o tambor de mina para São João. Segundo Santos (1989), a diminuição do calendário do terreiro foi um processo gradual após o falecimento de Mãe Anastácia.

Ainda segundo Santos (1989), na Turquia as dançantes eram predominantemente mulheres, sendo os homens raras exceções quando se tratava de crianças em desenvolvimento. O trabalho dos homens durante o tambor era através dos instrumentos, mas ainda hoje permanece a estrutura matriarcal.
Na Turquia não havia o costume de homens dançarem, só crianças, caso estivessem em serviço de desenvolvimento. Em geral, os tocadores eram filhos de criação da casa e, mesmo que tivessem entidades, não dançavam. Por isso, cumpriam suas missões através dos instrumentos e de outros trabalhos ligados ao terreiro. (Santos, 1985, p. 61)
De acordo com Regina Célia de Lima e Silva (2020, p. 30), “a história do Terreiro da Turquia começa com uma mulher iniciada na Casa das Minas que, após receber o Rei da Turquia como encantado, funda sua própria casa religiosa”. Essa narrativa reitera o papel central da mulher como mediadora entre o mundo material e espiritual e guardiã do saber religioso. Mãe Anastácia, nesse contexto, torna-se uma referência de poder e autoridade religiosa. O Terreiro até os dias atuais representa uma síntese cultural complexa, onde mitos europeus, tradições africanas e saberes indígenas se entrelaçam em uma religiosidade singular.
Essa centralidade da oralidade nas religiões afro-brasileiras é também reconhecida por Jan Vansina (2010), que considera as tradições orais como fontes históricas legítimas. Para o autor, “Uma sociedade oral reconhece a fala não apenas como um meio de comunicação diária, mas também como um meio de preservação da sabedoria dos ancestrais, venerada no que poderíamos chamar elocuções chave, isto é, a tradição oral.” (Vansina, 2010).
De acordo com Lima et al. (2018):
Os mitos e a oralidade andam de mãos dadas e pelo narrador que é a voz ancestral representativa do imaginário de um povo, eles se materializam. Podemos compreender uma determinada sociedade mais profundamente a partir de seus mitos fundadores por meio dos mitos da tradição oral, compreendemos posteriormente as nações africanas que a diáspora nos trouxe e sua religião fundamentada nos Orixás foi significativa para o nosso conhecimento. (Lima et, al. 2018, p.89)
Assim, as narrativas transmitidas no Terreiro da Turquia não apenas contam uma história espiritual, mas configuram um modo de compreender o passado, o presente e a continuidade da identidade afrodescendente no Brasil.
Outros Terreiros
De uma maneira geral, os terreiros de cultos de matriz africana, além de ser o espaço de manifestação de fé e adoração, exprimem outros significados na vida daqueles que os frequentam.
O terreiro, espaço sagrado, não é apenas um lugar circunscritos geograficamente pois carregam em si os mitos que para os seus participantes são a “autêntica realidade”. Muniz Sodré utiliza o termo “reterritorialização” para significar a presença condensada da África pelo sagrado ali experimentado. Fundado por grupos da diáspora, o terreiro é lugar de interação e de trocas sociais cujo principal fundamento é a manutenção de um patrimônio além de um mítico e cultural como tentativa de retorno à origem a uma África idealizada no presente. (Lima et, al. 2018, p. 66)
É muito comum que os terreiros sejam procurados em busca de ajuda para alguma enfermidade, para rezas e benzimentos que são cedidos mesmo a pessoas que não integram o culto. No entanto, para aqueles que fazem parte da religião, os terreiros são espaços de auxílio e assistência que vão para além do sentido espiritual. Como é observado no trabalho de Ferretti (1985), muitas filhas e filhos de santo da Casa das Minas eram “pessoas pobres com pouca instrução” (p. 233) e aquele espaço servia, por exemplo, como abrigo para aqueles que viajavam por necessidade a São Luís e não tinham onde ficar:
“D. Denis diz que o pessoal de lá sempre foi pobre […] diz que as filhas de lá sempre trabalharam para ganhar a vida e quando ficavam muito velhas e não podiam, as outras ajudavam. É comum encontrarmos nos terreiros algumas filhas muito idosas. Em geral são tratadas com muito respeito e carinho pois dão prestígio à casa. Alguns recebem aposentadoria ou ajuda de familiares. Outras vivem da caridade da irmandade. Assim os terreiros também funcionam como uma espécie de grupo de auxílio e assistência mútua.” (Ferreti, 1985, p. 233-234)
Santos (1989) também retrata esse aspecto da assistência mútua nos terreiros de Mina na primeira parte de seu livro. Nas falas de D. Atanázia, uma das entrevistadas para o livro, da Casa de Nagô, diz o seguinte: “Nessa época, os encantados ganhavam tantas coisas que até sobravam. Depois da Festa, elas tiravam para os Lázaros e, logicamente, dividiram entre si, os vizinhos envolvidos no terreiro e ainda entre os ajudantes” (Santos, 1989, p.29). Entre os presentes que eram arrecadados, (nesse caso em específico a fala é sobre a Festa do Divino) podemos citar mantimentos como arroz e feijão, peixe seco ou criações e até mesmo joias ou bois. Considerando a escassez de recursos dos integrantes das casas nessa época, a partilha também seria uma forma de auxílio.
As informações citadas são da Casa das Minas e da Casa de Nagô, terreiros antigos e amplamente estudados, no entanto, não foi possível encontrar algum estudo aprofundado contendo esse tipo de informação especificamente sobre a ajuda mútua entre mulheres e o terreiro como espaço de acolhimento e rede de apoio dentro do Terreiro da Turquia.
Apesar disso, é possível encontrar correlação entre os fundamentos da Casa de Nagô e do Terreiro da Turquia, já que ambas compartilham da mesma origem. Podendo, assim, compartilhar dos mesmos aspectos da vida em comunidade.
O propósito é registrar no mundo afro-maranhense um pouco do conhecimento que aprendi com pessoas de casas centenárias, com raízes na África. Quatro delas ainda existem até hoje: Terreiro do Justino, Terreiro da Turquia, Casa de Nagô e Casa das Minas. A penúltima, vale dizer, seu modelo a todos os outros terreiros de São Luís. (Ferreira, 97, p. 32-33)
De acordo com as entrevistas cedidas para a presente pesquisa foi possível constatar que alguns aspectos da ajuda mútua são preservados no Terreiro da Turquia até os dias atuais.
Uma breve perspectiva sobre as ações do terreiro da Turquia
Para estudar qualquer religião de matriz africana, é imprescindível que se considere a oralidade. É a partir dos relatos de pessoas que pertencem à religião que podemos remontar e pesquisar as tradições e os cultos afro-brasileiros. Sobre o tema, Ferretti (2005) escreve:
São religiões não apostólicas, não de pregação ou de discursos, mas de fala ao pé do ouvido, da oralidade e não de livros. Hoje se lê e se usa mesmo a internet para conhecer, estudar e falar sobre as religiões afro, mas na origem elas são religiões da oralidade. (Ferretti, 2005, p. 2)
Dito isso, surge o interesse de revisitar a oralidade, como fez Maria do Rosário de Carvalho em sua obra Boboromina (1989) ao investigar alguns aspectos do que é retratado no livro e suas permanências. Salta aos olhos o aspecto de um terreiro como espaço de assistência, uma comunidade rede de apoio entre as mulheres que estão ou não dentro da religião.
Levando em conta que a maioria dos terreiros de Mina estão localizados em bairros empobrecidos e que até a data de 1989 as filhas e filhos de santo eram trabalhadores e recebiam pouco, que outros papéis o terreiro desempenhava em suas vidas que vão para além da espiritualidade?
Para isso, realizei uma entrevista com três perguntas essenciais: que tipo de aprendizados podem ser oferecidos por aquele espaço para os que o frequentam? Quais os auxílios que aquele terreiro fornece? Os fundamentos da partilha e comunhão que são tão exaltados nos discursos das adeptas mais velhas da Mina (Santos, 1989), são preservados naquele espaço?
Adriana Ferreira de Pinho, segundo sua própria descrição, é nascida e criada dentro da religião devido ao fato de seu avô (Pai Euclides Talabyan) ter fundado um terreiro em 1958 no bairro do Cruzeiro do Anil, que veio a ser a Casa Fanti-Ashanti. Por ser neta biológica, ela afirma sempre ter vivido dentro de terreiro desde a infância. Sua mãe, inclusive, Amineles De La Amarques, carrega uma entidade turca e por isso, sempre era levada pelo pai para dançar na Turquia.
A minha mãe, ela dança também e desde quando eu me entendo por gente, fui nascida e criada dentro de terreiro. E no terreiro da Turquia em si, foram morrendo as voduns mais antigas, as responsáveis pela casa, as sacerdotisas responsáveis pela casa, mas sempre tem aquela pessoa que sempre está ali para dar continuidade. A última que chegou a falecer, como ela não podia mais lidar porque já estava com uma certa idade, então tudo era vovô. Então o vovô começou a ajudar ela nesse processo até quando ela de fato veio a falecer. Então, desde aí ele ficou responsável e a partir de 13 anos, 14 ou 15 anos por aí, eu já frequentava o terreiro da Turquia quando tinha os tambores por lá. (Entrevista concedida para esta pesquisa por Adriana Ferreira de Pinho, São Luís: 07 de dez 2023)5
O relato da entrevistada evidencia o quanto a continuidade no Terreiro da Turquia está ligada a uma dinâmica afetiva e de compromisso coletivo que atravessa gerações. Sua memória de infância é marcada pela presença da mãe, pelas danças e pelos tambores, mostrando que o pertencimento ao terreiro não se dá apenas por iniciação formal, mas também pelo vínculo cotidiano e pela convivência. Ao mencionar a passagem das responsabilidades das sacerdotisas mais velhas para o “vovô”, a fala aponta para uma sucessão que se dá de forma orgânica, guiada pela necessidade de manter os fundamentos vivos. A constância da presença, o cuidado com a tradição e o envolvimento desde a juventude revelam como os terreiros não apenas resistem ao tempo, mas se renovam a partir das relações e da força da coletividade.
Além disso, após desempenhar o papel na cozinha, Adriana também tem afazeres durante as programações da Turquia.
Então, a minha vida espiritual se resume basicamente a isso, eu nasci para cuidar dos Voduns, para cuidar dos caboclos a até dos encantados. Também tocar o elemento, o agogô, que é o ferro, o toque do agogô tem a ver com o chamamento é como se fosse uma chamada para as entidades se manifestarem, isso juntamente com os tambores e as cabaças. Aí tem um toque de ferro. (Entrevista concedida para esta pesquisa por Adriana Ferreira de Pinho, São Luís: 07 de dez 2023).
Ao se identificar como “nascida para isso”, Adriana reforça o senso de pertencimento que as religiões de matriz africana, por meio do terreiro da Turquia, proporciaram a ela. É o espiritual e o físico se costurando em uma fina trama que só o indivíduo que experienciou algo assim pode relatar.
Quando perguntada sobre qual contribuição a Turquia tem em sua vida além da espiritualidade, diz:
Porque dentro da espiritualidade a gente aprende muito na oralidade, né? Então, tudo em convívio com outra pessoa. Se você… se chega uma pessoa nova, então se chega uma pessoa nova no terreiro você passa a partilhar isso ali. Então todos são irmãos, é como se fosse uma família mesmo. Então a gente aprende a questão de respeito, dos mais velhos principalmente, também das crianças e assim sucessivamente. E a gente trabalha muito com questões de comunidade. Tudo em comunidade. As pessoas dormem no mesmo lugar, comem todo mundo junto. Na hora que sai a comida, sai todo mundo. Não tem separação. Então isso é muito importante pra esse elo de união, né? De união de uma família. (Entrevista concedida para esta pesquisa por Adriana Ferreira de Pinho, São Luís: 07 de dez, 2023).
A fala da entrevistada mostra com clareza que o Terreiro da Turquia vai além da espiritualidade e se firma como um espaço de convivência e aprendizado coletivo. Ao contar sobre o dia a dia no terreiro — onde todos comem juntos, dormem no mesmo espaço e aprendem uns com os outros — ela destaca o valor das relações humanas que se constroem ali. O respeito aos mais velhos, a atenção às crianças e o convívio em grupo criam um ambiente de união e pertencimento. É nesse convívio diário que se formam laços e se aprende a viver em comunidade, como em uma grande família. O terreiro, portanto, também cumpre um papel social importante, ensinando formas de estar no mundo que reforçam o cuidado, o apoio mútuo e o sentimento de coletividade.
Além da união e do convívio em comunidade, é interessante analisar como os fundamentos da própria religião impactam a vida fora do ambiente do terreiro.
O que impacta muito também é a questão de saúde e também tu saber lidar com a natureza. Valorizar a natureza. Porque tudo na espiritualidade é através da natureza. Então tu passa a valorizar uma árvore, tu passa a valorizar cada coisa que hoje as pessoas não dão valor. Hoje é muito materialista. Tudo é muito materialista, né? Mas a gente, não. No terreiro a gente aprende a dar valor a água, o sol, a chuva, a terra, as árvores… até pra pegar uma planta a gente pede licença porque tudo tem dono. A gente pede licença. Então a gente aprende também a se curar dentro do terreiro, aprender a lidar com as enfermidades. (Entrevista concedida para esta pesquisa por Adriana Ferreira de Pinho, São Luís: 07 de dez, 2023).
A fala de Adriana Ferreira de Pinho evidencia o quanto o Terreiro da Turquia, para além de seu papel religioso, atua como um espaço de formação humana, comunitária e educativa. Ao relatar que aprendeu no terreiro a valorizar a natureza e reconhecer o poder das plantas como base de cura e cuidado, Adriana demonstra que ali se transmitem conhecimentos que envolvem não apenas a fé, mas também práticas de cuidado com o corpo, com o outro e com o ambiente.
Esse saber, aprendido na convivência com os mais velhos e com as lideranças espirituais, reafirma o terreiro como espaço de memória coletiva e de fortalecimento de vínculos. A referência ao espírito de irmandade entre as famílias de santo, com a partilha de alimentos e o apoio mútuo, reforça ainda mais essa dimensão social que extrapola o rito. É nesse cotidiano de afeto, aprendizado e troca que se percebe a atuação concreta do terreiro na vida de seus integrantes, o que contribui diretamente para a compreensão de seu papel social como uma rede de apoio e resistência.
Uma questão pertinente que Santos aborda em seu trabalho é a mudança de perspectiva que houve após a década de 1950: antes os terreiros eram lugares que recebiam doações espontâneas que resultaram na fartura de suas festas, após o período indicado é possível perceber que a manutenção dos terreiros foi se tornando mais complexa com doações sistemáticas dos filhos de santos. De acordo com a D. Balbina (entrevistada por Santos), isso impactou diretamente na generosidade na hora de compartilhar os alimentos dentro dos terreiros:
Os encantados diziam: “vem todo mundo; nada vai faltar. Temos Deus e o Divino para multiplicar e Santana para inteirar”. Tudo era com fartura, e dava para todos os presentes. Hoje, eu vejo tudo diferente, me dá tristeza. Existe um terreiro que nega as coisas, esconde panelas de comida e, se dá, é da ponta de dedo. Naquele tempo, a mãe de santo que se atrevesse a negar comida em festa do encantado, pois ele descia e às vezes dava até tudo e dizia: ‘eu ganhei e vou dar, pois não vou levar nada comigo’. Hoje não acontece mais isso. E se o dono do terreiro nega, o encantado dele tanto nega como esconde (não são todos). Mas as coisas mudaram mesmo. (Santos, 1989, p. 30-31)
Segundo a autora, essa mudança de paradigma é devido ao arrefecimento da repressão policial e consequência do processo capitalista no geral.
É interessante pensar como esses processos podem ter impactado o Terreiro da Turquia. Quando questionada sobre o compartilhamento dos alimentos após as festas, Adriana de Pinho rebate:
A gente sempre compartilha! É uma coisa que a gente sempre compartilha. É uma coisa que nunca se estraga e também essa questão de estragar tem um fundamento, porque tudo veio da terra então a terra tem que comer. Então, nem que seja pouco, mas acaba estragando porque a gente bota no pé de uma árvore e a terra vai comer aquele alimento. Então a terra também precisa ser alimentada. Então todo terreiro sempre vai ter um pouquinho de comida, nem que seja pro cachorro, pra própria terra, tem que ter, mas é sempre partilhado. E quando há essas questões que são do ser humano, essas questões de individualidade […] de egoísmo é do ser humano. Então essas coisas que o sacerdote e a pessoa que está lá tem que ir educando aos poucos. É como uma criança. A gente tem que educar uma pessoa que chega num terreiro como uma criança e tentar colocar de um jeito, né? Dizer “olha, aqui não se faz isso”, “aqui não se faz aquilo”. E tem muitas pessoas que não ficam em terreiro por causa disso, porque não gostam de ser chamadas atenção. Não é chamar atenção, é orientar! E as pessoas acham que é chamar atenção, é querer mandar, é querer mudar o jeito… E não é desse jeito. É porque se é uma festa que é pra dar, como que eu vou negar? Não existe. A própria entidade não vai se sentir bem com aquilo. (Entrevista concedida para esta pesquisa por Adriana Ferreira de Pinho, São Luís: 07 de dez, 2023.)
De acordo com a entrevistada, o Terreiro da Turquia mantém suas tradições e é fiel aos fundamentos de partilha e comunhão que são próprios da religião. Ela explica que a comida das festas nunca se perde: ou é dividida entre as pessoas, ou é devolvida à natureza, porque tudo veio da terra e a terra também precisa ser alimentada. Essa maneira de lidar com o alimento mostra o cuidado com o coletivo e o respeito aos fundamentos do tambor de mina. A entrevistada também fala sobre a importância de ensinar os mais novos, comparando esse processo ao de educar uma criança. Quem chega ao terreiro precisa aprender como agir naquele espaço que é de todos. Para ela, atitudes como egoísmo e individualismo não combinam com o que se vive dentro do terreiro. Esse cuidado com o outro e com a natureza mostra que o terreiro é mais do que um espaço religioso — ele também forma pessoas, ensina valores e ajuda a comunidade. A fala da entrevistada ainda destaca que o terreiro tem um papel social importante, principalmente por estar em uma área periférica de São Luís, onde dividir alimentos e cuidar uns dos outros faz parte da vida.
No entanto, ainda é possível se aprofundar ainda mais e buscar outras fontes para esta pesquisa, foi aí que surgiu a oportunidade de entrevistar Rosemeire Rabelo, que frequenta o Terreiro da Turquia além de atuar como Ekebejó, que significa em língua africana administrar uma casa de santo. Rosemeire desempenha esse papel juntamente com Mãe Amineles, além de também ocupar o cargo de Yabassé, responsável por fazer a comida do santo.
Com propriedade, Rosemeire diz que as comidas de santo são de total importância para a comunidade. A partilha de alimentos é vista como gesto de comunhão com a comunidade, o que revela uma função social importante do terreiro. Extrapola o sentido de oferenda, sendo um instrumento de cura e bem-estar físico, além do espiritual.
Mas ali, como é Mina, tem as suas comidas que impactam para nós do ponto de vista físico, porque para quem tem fé e quem acredita, isso limpa o corpo, a mente, nos dá tranquilidade. Para a comunidade é importante, para algumas pessoas que vêm de fora também, que já sabem, já tem alguns que são de algumas experiências, que isso contribui para o seu alimento pessoal e, ao mesmo tempo, para a sua espiritualidade. Isso é uma concentração, isso é de cabeça .
(Entrevista cedida para a presente pesquisa por Rosimeire Rabelo Moreira, São Luís, 06 de Jan de 2025)
A entrevista com Rosemeire foi proveitosa também no sentido de atualizar o que se entende pelo calendário da Turquia. Além das principais festas de junho e julho, sob a administração de Mãe Amineles novas festas foram integradas como a pagelança no mês de abril e o boizinho de Urias Fama, em novembro; além do retorno no Baião de Princesas. É possível notar que o terreiro tem se reestruturado, ampliando suas ações.
Com a nova administração da filha dele, agora tem a pagelança no mês de abril, tem as duas festas, aí tem o boizinho de Urias Fama, que é em novembro, e agora nós fizemos com a autorização da ancestralidade da casa para a realização do Baião. Ou seja, o Baião era uma festa que já existia. Assim que a mãe Anastácia morreu, aí foi desfeito, ficou só com as duas festas. E agora eles estão retornando com as festas que havia na casa durante os 100 anos. Então, o que teve antes da morte dela, entendeu? E agora está retornando. (Entrevista cedida para a presente pesquisa por Rosimeire Rabelo Moreira, São Luís, 06 de Jan, 2025)
Além disso, há o aspecto que o terreiro pode contribuir também para a formação identitária de um indivíduo.
Desde quando me pisar ali dentro, já é um aprendizado muito grande. Primeiro, pela fé. E segundo, toda… Desde o Igbarabô, de como começa a dança do tambor de mina, é um total aprendizado. Tanto na minha vida espiritual como na minha vida pessoal. Eu respiro a minha espiritualidade. Isso, para mim, é importante. (Entrevista cedida para a presente pesquisa por Rosimeire Rabelo Moreira, São Luís, 06 de Jan, 2025)
A entrevistada afirma que sua espiritualidade não pode ser dissociada da vida pessoal. Revelando como a vivência no terreiro forma subjetividades e fortalece laços de pertencimento. Rosimeire também cita sua formação prática para os cargos de Ekebejí e Yabassé, que veio com a experiência de acompanhar os processos sendo feitos. Desde a mais tenra idade, acompanhava seu pai que era Pai de santo e também Pai Euclides Talabyan. Dessa forma, é possível destacar a importância da oralidade e do aprendizado experiencial. Os auxílios se expandem para o aspecto da saúde e aprendizados também. Até a data em que a entrevista com Rosimeire foi feita, foi questionado se o terreiro ficava aberto para uso da comunidade fora das datas festivas, ao que ela respondeu que não e acrescenta que só abria a casa fora das datas já tradicionais quando o espaço precisava de alguma manutenção. No entanto, no dia 16 de Abril de 2025 o Terreiro da Turquia abriu as portas para uma ação conjunta com o Governo do Maranhão, onde a foi oferecida às mulheres da comunidade do Oitero da Cruz oficinas de tranças e artesanato enquanto a Carreta da Mulher oferece exames e outros serviços de saúde essenciais para a mulher na praça da Igreja Nossa Senhora da Vitória, também localizada no bairro do Oitero da Cruz, a poucos metros do Terreiro.
A ação foi coberta pelo jornal local, onde integrantes mais velhas do Terreiro expuseram sua satisfação em ajudar a comunidade que rodeia o espaço de culto. Rosimeire, que cedeu sua fonte para a presente pesquisa, também foi entrevistada pelo jornal e lá reafirmou a importância de atingir a população afrodescendente com atendimentos médicos facilitados.
Além de contribuir para o alimento físico e espiritual das mulheres da comunidade e às adptas à religião, o terreiro também contribui como espaço de lazer e comunhão. É interessante ressaltar como esse evento pode apresentar uma permanência histórica que remonta a mais de 40 anos atrás, quando Ferretti e Santos publicaram seus estudos. Trabalhos como esse que podem contribuir para a divulgação de conhecimento sobre as religiosidades de matriz africana e por consequência o combate ao etnocentrismo e o racismo religioso. Além de fomentar que mais pesquisas sejam feitas sobre o espaço centenário que é o Terreiro da Turquia, documentando sua história, tradição, suas permanências e também o que ficou no passado
Considerações finais
A presente pesquisa contou com uma lacuna de estudos sobre a vida em comunidade dentro de um dos terreiros mais antigos de Tambor de Mina em São Luís: o Terreiro da Turquia.
No entanto, é preciso entender as limitações do estudo como o limite de tempo e até mesmo a escassez de fontes entrevistadas. Considera-se assim um estudo introdutório ao tema, visando instigar mais questionamentos para fomentar a área dando visibilidade ao espaço centenário.
A partir do estudo do Terreiro da Turquia, observamos que a prática religiosa do Tambor de Mina configura um potente sistema de organização da memória coletiva, no qual a ancestralidade, os rituais e a oralidade se articulam como formas legítimas de transmissão do saber e da identidade. Como destaca Halbwachs (2013), a memória individual só se constitui dentro dos quadros sociais que a sustentam, sendo o grupo o verdadeiro depositário das lembranças partilhadas. Nesse sentido, o Terreiro da Turquia, enquanto espaço social, simbólico e afetivo, atua não apenas como guardião das tradições religiosas afro-maranhenses, mas também como instância formadora de sujeitos.
A contribuição da fonte oral representada por Adriana Ferreira de Pinho — atual Vodunsi Gantosí e Yabasé do Terreiro da Turquia — foi de fundamental importância para elucidar como a participação nesse espaço religioso impactou positivamente sua trajetória individual. Contudo, à época, permanecia a necessidade de entrevistar uma integrante mais antiga da casa para aprofundar a compreensão sobre as possíveis transformações do papel social do terreiro ao longo do tempo. A posterior realização da entrevista com Rosemeire Rabelo Moreira, com décadas de vivência nos contextos de terreiro e atualmente uma das principais colaboradoras na gestão da casa, revelou-se decisiva para a pesquisa. Sua fala não apenas acrescentou as impressões contemporâneas sobre a função social da Turquia, mas também permitiu estabelecer um comparativo histórico entre passado e presente, evidenciando tanto as permanências quanto às mudanças na dinâmica do terreiro entre 1985 e 2025. Assim, sua memória social tornou-se um instrumento essencial para refletir sobre a continuidade e a reconfiguração dos vínculos comunitários e rituais que sustentam a relevância do Terreiro da Turquia na vida religiosa e cultural de São Luís.
A realização da pesquisa de campo, com destaque para a entrevista como principal instrumento metodológico, revelou-se de suma importância diante da escassez de material bibliográfico específico que abordasse, de forma aprofundada e a partir da perspectiva de seus integrantes, a história do Terreiro da Turquia. Observa-se, nesse contexto, uma lacuna nos estudos existentes sobre o tambor de mina em São Luís do Maranhão: ainda são raras as abordagens que priorizam a escuta das vozes femininas que compõem o cotidiano dessas casas e que podem oferecer informações valiosas sobre a vida comunitária, as práticas solidárias e as redes de apoio social construídas no interior desses espaços religiosos. A entrevista possibilita, portanto, não apenas o acesso a um conhecimento mais situado e experiencial, mas também o resgate de uma memória coletiva que frequentemente é negligenciada pelas fontes escritas.
Mesmo que os dados obtidos até agora não permitam dar respostas definitivas aos objetivos desta pesquisa, é possível levantar alguns entendimentos iniciais a partir do depoimento de Adriana Ferreira de Pinho, que conta com suas próprias vivências e da memória coletiva construída dentro do terreiro como fonte. Seu relato é importante porque mostra como os ensinamentos religiosos do tambor de mina também ajudam na formação de valores ligados ao cuidado com a natureza. Adriana conta que, ao longo de sua vivência na casa, aprendeu a dar mais valor às plantas e ao meio ambiente, reconhecendo, por exemplo, o uso de ervas como base para remédios naturais — um conhecimento passado pelos mais velhos que faz parte dos ensinamentos do terreiro.
Além disso, Adriana destaca a importância do terreiro como espaço de apoio entre as pessoas. As famílias de santo costumam dividir alimentos, trocar conselhos e oferecer ajuda nos momentos difíceis. Essas ações criam um sentimento de união e pertencimento, fortalecendo os laços entre os membros da casa. É por meio dessas relações que se compartilham experiências, histórias e saberes que vão além da prática religiosa em si. Com isso, o terreiro se mostra como um lugar que ensina, acolhe e fortalece seus integrantes em diversos aspectos da vida, unindo espiritualidade, cuidado com a natureza e solidariedade em uma vivência comum.
2O Tambor de Mina é uma religião afro-brasileira maranhense que mistura influências africanas, indígenas e locais, como a Cura e a Mata. O Candomblé, com raízes africanas iorubanas, chegou com mais força ao Maranhão apenas após os anos 1970. Já a Umbanda, surgida no Sudeste, influenciou muitos terreiros de Mina e Mata a partir dos anos 1960, levando alguns a adotarem essa identidade, embora mantenham práticas tradicionais.
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5Entrevista cedida exclusivamente para a presente pesquisa
Referências
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