SISTEMA DE GESTÃO ACADÊMICA: OTIMIZAÇÃO, EFICIÊNCIA E QUALIDADE NA GESTÃO ACADÊMICA

ACADEMIC MANAGEMENT SYSTEM: OPTIMIZATION, EFFICIENCY, AND QUALITY IN ACADEMIC MANAGEMENT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511232320


Wagner do Carmo Guimarães1
Mirian Picinini Méxas2
Luís Perez Zotes3


RESUMO 

O presente estudo tem como objetivo analisar a contribuição dos Sistemas de Gestão Acadêmica  (SGA) para a eficiência, organização e qualidade da gestão educacional nas Instituições de  Ensino Superior. Para isso, foi realizada uma revisão bibliográfica, compilando e analisando  informações sobre implementação, funcionalidades, impactos e desafios associados aos SGAs  em instituições de ensino superior. A pesquisa considerou artigos científicos, livros,  dissertações, teses e estudos de caso, com foco em gestão educacional, tecnologia da  informação e integração de sistemas acadêmicos. A análise qualitativa evidenciou que os SGAs  centralizam informações acadêmicas, financeiras e administrativas, promovendo maior  eficiência, transparência e confiabilidade dos dados. Ao automatizar tarefas repetitivas e  integrar setores, estes sistemas facilitam a tomada de decisões, melhoram a organização  institucional e fortalecem a experiência de gestores, professores e estudantes. Conclui-se que a  implementação de SGAs contribui significativamente para a melhoria contínua da  administração e da qualidade do ensino superior. 

Palavras-chave: Sistemas de Gestão Acadêmica. Instituições de Ensino Superior. Eficiência  administrativa. Integração de sistemas. 

ABSTRACT 

This study aims to analyze the contribution of Academic Management Systems (SGA) to the  efficiency, organization, and quality of educational management in Higher Education  Institutions. A bibliographic review was conducted, compiling and analyzing information on the implementation, functionalities, impacts, and challenges of SGAs in higher education  institutions. The research considered scientific articles, books, dissertations, theses, and case  studies, focusing on educational management, information technology, and integration of  academic systems. The qualitative analysis showed that SGAs centralize academic, financial,  and administrative information, promoting greater efficiency, transparency, and data reliability.  By automating repetitive tasks and integrating sectors, these systems facilitate decision-making,  improve institutional organization, and enhance the experience of managers, teachers, and  students. It is concluded that the implementation of SGAs significantly contributes to  continuous improvement in administration and the quality of higher education. 

Keywords: Academic Management Systems. Higher Education Institutions. Administrative  efficiency. System integration. 

1. INTRODUÇÃO 

Nos últimos anos, as Instituições de Ensino Superior adotaram ou desenvolveram  diversas ferramentas voltadas à otimização de suas rotinas e à descentralização de serviços.  Entretanto, com o tempo, tornou-se necessária a centralização ou integração desses recursos,  de modo a permitir que o funcionamento da instituição ocorra de maneira articulada e dinâmica.  Nesse contexto, os Sistemas de Gestão Acadêmica (SGA) se destacam por suas características  essenciais para o controle dos processos administrativos e gerenciais, contribuindo  significativamente para a otimização das atividades e rotinas administrativas das instituições de  ensino (Furtado; Lima; Farias, 2015). 

O SGA exerce papel essencial na garantia de uma educação de qualidade e no  desenvolvimento integral dos alunos. Contudo, os sistemas tradicionais de administração  enfrentam limitações que afetam sua eficiência e a integração entre os diferentes atores  envolvidos. Nesse cenário, a implementação de um sistema de SGA se apresenta como uma  solução estratégica, na qual o uso de tecnologias e ferramentas digitais potencializa a  administração, promovendo maior eficiência, transparência e comunicação efetiva entre  gestores, professores, alunos e familiares. 

O SGA consiste em plataformas de informação que centralizam dados relacionados aos  processos administrativos, financeiros, técnicos e acadêmicos das instituições de ensino. Estes  sistemas armazenam registros oficiais e confiáveis das instituições, utilizados para a emissão  de certificados, diplomas e outros documentos institucionais, bem como para registrar a  trajetória acadêmica de alunos e docentes. Entre suas funções destacam-se o cadastro de  estudantes, professores e servidores, matrícula em cursos e turmas, alocação de professores às turmas, gestão de notas, administração de recursos humanos e financeiros, entre outros. Na  literatura, esses sistemas também são referidos como sistemas de informação de gestão  universitária, sistemas de informação de faculdade ou sistemas de informação acadêmica (Serrano Filho, 2022). 

O SGA proporciona maior acessibilidade às informações, permitindo que os dados  sejam consultados de maneira rápida e segura por todos os usuários autorizados. Essa  centralização contribui para reduzir redundâncias, minimizar erros e agilizar processos  burocráticos que, tradicionalmente, demandam tempo significativo da equipe administrativa.  Ao integrar diferentes setores da instituição, os SGAs também favorecem a tomada de decisões  mais embasadas, uma vez que gestores passam a contar com relatórios detalhados e atualizados  sobre desempenho acadêmico, frequência, recursos financeiros e infraestrutura disponível. 

Justifica-se a escolha do tema, pois o SGA representa ferramentas estratégicas capazes  de transformar a administração das Instituições de Ensino Superior, promovendo maior  eficiência, organização e transparência nos processos internos. Além disso, a crescente demanda  por informações rápidas e precisas, aliada à necessidade de integração entre os diversos setores  acadêmicos, evidencia a importância de compreender o papel desses sistemas na melhoria da  gestão educacional. 

O presente estudo tem como objetivo geral analisar a contribuição dos Sistemas de  Gestão Acadêmica para a eficiência, organização e qualidade da gestão educacional nas  Instituições de Ensino Superior. 

2. DESENVOLVIMENTO 

2.1. A gestão acadêmica e o papel da Tecnologia de Informação 

A gestão acadêmica, de acordo com Silva e Marques (2017), abrange diversos aspectos,  incluindo a infraestrutura física, como instalações e equipamentos voltados às atividades de  ensino e pesquisa; a disponibilidade de recursos financeiros; a presença de pessoal qualificado  para apoiar o ensino e atender aos alunos; além da oferta de programas de ensino, pesquisa e  extensão que apresentem qualidade técnica e relevância social, entre outros elementos  essenciais. 

A gestão vai além da simples administração de recursos, envolvendo a aplicação  adequada destes para alcançar objetivos que contribuam de forma positiva para o ambiente  educacional, promovendo a formação de cidadãos competentes e autônomos. Nesse sentido,

Santos, Rosa e Weber (2022) ressaltam que a gestão pode ser compreendida como a articulação  entre aspectos administrativos, pedagógicos, políticos e financeiros, permitindo dinamizar as  ações educativas e reconhecendo a universidade como um espaço de socialização da cultura e  do conhecimento historicamente construído. 

As Instituições de Ensino Superior (IES) configuram-se como organizações particulares  em termos de funcionamento e gestão, pois nelas coexistem, de forma simultânea e muitas vezes  integrada, atividades acadêmicas ligadas ao ensino, à pesquisa e à extensão, juntamente com  atividades administrativas de caráter burocrático e procedimental. Nesse contexto, a gestão  universitária se apresenta como um processo dinâmico, que demanda a articulação entre  práticas pedagógicas, como o ensino, a organização curricular e a produção científica, e a  estrutura administrativa responsável por sustentá-las e legitimá-las (Fonseca; Fonseca, 2016). 

Lós e Barbosa (2023) discutem uma variedade de modelos de gestão que  frequentemente coexistem dentro das universidades, como os modelos Político, Colegial,  Burocrático, Racional e Anarquia Organizada, entre outros. Há consenso de que as  universidades, especialmente as públicas, são instituições complexas, difíceis de serem  totalmente enquadradas em um único modelo. Observa-se, entretanto, que o modelo de gestão  predominante nas universidades brasileiras, tanto na esfera acadêmica quanto administrativa,  tende a ser burocrático, refletindo-se na organização, nas formas de atuação, nos tipos de  relacionamento e nos modos de comunicação. 

A competência comunicacional assume papel central nos processos de gestão,  especialmente na construção de confiança por meio da liderança discursiva e da análise das  interações comunicativas no contexto da educação superior. Nesse cenário, os aspectos  organizacionais relacionados à documentação educacional digital constituem uma dimensão  fundamental da gestão, sendo essencial considerar as características e mecanismos específicos  para sua utilização eficiente. As soluções de otimização da operação institucional digital e os  mecanismos organizacionais voltados à formação de ferramentas de gestão documental digital  revelam-se fundamentais para aprimorar o suporte administrativo e pedagógico (Gryshkun et  al., 2023). 

O crescimento do número de cursos de ensino superior no Brasil nas últimas décadas  trouxe consigo a preocupação com a qualidade dessas formações, tanto em instituições públicas  quanto privadas. Nas universidades federais, Lavor, Andriola e Lima (2015) mencionam que a  gestão superior geralmente segue as determinações do governo federal, muitas vezes sem  questionar a execução das diretrizes estabelecidas. Essa postura também se reproduz em níveis  hierárquicos mais baixos, como no caso dos coordenadores de cursos de graduação. Diante dessa estrutura administrativa, torna-se relevante investigar se a atuação da gestão acadêmica  dos cursos influencia diretamente o desempenho alcançado por eles. 

Tendo como princípio a eficiência dos funcionários em sua atuação profissional, a gestão de instituições públicas passou a ter importância  fundamental como um dos elementos para alcançar os parâmetros de qualidade do serviço público requeridos pela reforma, sob o desígnio da  eficiência e da competitividade (Fonseca; Fonseca, 2016, p. 155). 

Na gestão acadêmica de universidades públicas, observa-se que os próprios professores  ocupam os cargos administrativos mais elevados, como diretores e coordenadores, acumulando  essas funções com suas atividades de ensino. Nesse contexto, ferramentas que apoiem a  execução dessas responsabilidades tornam-se essenciais para enfrentar os desafios de forma  eficiente. As universidades precisam lidar constantemente com mudanças, momentos de  instabilidade e situações imprevisíveis. Conforme Silva et al. (2023) enfatizam, uma gestão  eficaz é fundamental para garantir a qualidade do ensino, uma vez que as atividades  administrativas influenciam diretamente os resultados esperados na formação dos estudantes. 

As ações e consequências da gestão acadêmica, derivadas dos resultados das avaliações,  são visíveis. Na gestão institucional acaba direcionando seus esforços para alcançar melhores  desempenhos nos processos avaliativos. Observa-se um movimento constante de capacitação  dos gestores para que utilizem esses indicadores como metas administrativas, ainda que a  prática interna esteja fortemente voltada ao cumprimento das exigências legais (Haas; Aparicio,  2019). 

Fica claro a partir de Júnior Freitas et al. (2022) que o ambiente universitário envolve  diversos grupos de interesse, cada um com necessidades específicas em relação aos serviços  oferecidos pela instituição, mas todos em busca de qualidade e legitimidade no atendimento de  suas demandas. Nesse cenário, chama a atenção o elevado número de estudantes matriculados  em instituições públicas de ensino superior, que em 2019 chegou a 2 milhões apenas nos cursos  de graduação. Também se destaca a relevância do uso de ferramentas tecnológicas na educação,  tanto para aprimorar os processos de ensino quanto para fortalecer a gestão acadêmica. 

Com o avanço da ciência e da tecnologia, aliado ao crescimento do número de  estudantes e professores, tornou-se necessária a implementação contínua de sistemas  eletrônicos voltados ao armazenamento e à recuperação das informações acadêmicas. Com a  finalidade de atender de forma mais eficiente às demandas informacionais de discentes,  docentes e demais usuários. Nesse contexto, a gestão acadêmica, precisou modernizar diversos  processos acadêmicos, diminuindo a necessidade de atendimentos presenciais aos estudantes, ampliou a atuação dos Departamentos de Registro Acadêmico nas questões estudantis e reduziu  o trabalho manual (Macie; Nascimento; Madio, 2024). 

No contexto atual, a criação de mecanismos para sistematizar informações tornou-se  indispensável às organizações, pois o conhecimento produzido a partir delas gera dados  relevantes que contribuem para decisões mais rápidas, econômicas e eficazes. As Tecnologias  da Informação e Comunicação (TIC) desempenham papel de suporte essencial nesse processo,  ao transformar dados coletados continuamente nas atividades organizacionais em informações  estruturadas e conhecimento, que servem como base estratégica para a tomada de decisões. 

As TIC, segundo Sena, Bezerra e Oliveira (2022), configuram-se como ferramentas  essenciais para ampliar a eficiência das atividades acadêmicas, pois têm na informação e no  conhecimento seus principais produtos, contribuindo para o alcance de metas e para o  crescimento institucional. No entanto, sua adoção nas Instituições de Ensino Superior traz  também desafios, uma vez que exige altos investimentos em infraestrutura tecnológica, custos  de implantação e manutenção, além da necessidade de profissionais qualificados e do  treinamento contínuo de colaboradores e usuários para garantir suporte adequado ao sistema  implantado. 

O conceito de globalização da educação também é comumente utilizado  atualmente, definido como o processo de digitalização e globalização que  determinam a vida e o desenvolvimento da sociedade pós-moderna. Assim, a  transformação digital permite simplificar o acesso à informação e digitalizar  vários tipos de informação usando tecnologias digitais (Gryshkun et al., 2023,  p. 6). 

As tecnologias digitais assumem papel essencial nas atividades administrativas, ao  favorecer a organização da documentação escolar e facilitar o acesso à informação, tornando  sua circulação mais rápida, dinâmica e eficiente. Nesse contexto, sua incorporação à gestão  promove mudanças contínuas no ambiente educacional e nas metodologias utilizadas,  contribuindo para a elevação da qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Assim, o uso  dessas ferramentas no âmbito educativo pode ser interpretado como uma inovação no campo  do conhecimento, ao criar novas formas de interação, socialização e aprendizagem (Silva;  Batista, 2024). 

Para Guimarães et al. (2025), garantir o acesso amplo às novas tecnologias representa  um enorme desafio para a sociedade contemporânea, exigindo mudanças significativas nas  dimensões econômica e educacional. Para que todos possam utilizar esses recursos de forma  eficiente, é necessário um esforço político robusto, alinhando políticas visionárias a ações concretas que superem barreiras e promovam equidade digital. Nesse cenário, a educação  precisa se reinventar, incorporando a revolução digital e tornando-se um centro de inovação e  aprendizado contínuo, integrando tecnologia e ensino de maneira a promover progresso,  criatividade e descobertas. 

As novas tecnologias na educação oferecem diversos benefícios, entre os quais se  destacam cinco principais: tornam as aulas mais atrativas, estimulam a curiosidade e a atenção  dos estudantes, aumentam a produtividade, auxiliam os professores a dinamizarem o ensino e  favorecem o aproveitamento dos conteúdos fora da sala de aula. Sendo a universidade uma  organização com desafios, sua gestão também se apresenta de forma diferenciada, sem regras  universais que possam ser aplicadas a todas as instituições, já que cada uma possui suas  particularidades. Nesse contexto, as instituições de ensino superior têm buscado incorporar  novas tecnologias, com o objetivo de tornar mais eficientes tanto as atividades administrativas  quanto as de ensino, pesquisa e extensão, gerando benefícios para estudantes, professores,  técnicos-administrativos e para a comunidade em geral (Jesus et al., 2021). 

2.2. Evolução e funcionalidades dos Sistemas de Gestão Acadêmica 

Os Sistemas de Gestão Acadêmica (SGA) consistem em plataformas,  predominantemente web, desenvolvidas para atender às demandas de gestão e planejamento  das instituições de ensino, oferecendo suporte à organização e possibilitando a utilização mais  eficiente de seus recursos. Os SGA visam organizar e acelerar os processos internos das  instituições de ensino, permitindo a centralização de informações relevantes para a  administração. Esse papel tem se tornado cada vez mais importante para lidar com o aumento  das demandas decorrentes da expansão da oferta de vagas (Furtado; Lima; Farias, 2015). 

Os Sistemas de Gestão Acadêmica são sistemas de informação que, normalmente, disponibilizam funcionalidades de controle quanto a dados  sobre registros de discentes, docentes, cursos, perfis curriculares: disciplinas, requisitos, equivalências, associações; oferta de turmas a cada período letivo;  pré-matrícula e matrícula de discentes; lançamento de notas on-line pelos  docentes; histórico escolar; registro de diplomas, entre outras funcionalidades que permitem gestão administrativa e acadêmica das instituições de ensino (Junior Oliveira; Correa; Fonseca, 2018, p. 278). 

O ensino superior evoluiu de uma educação de elite para uma de massa, enfrentando  desafios como a heterogeneidade dos estudantes e dificuldades no mercado de trabalho. O  desempenho acadêmico passa a ser um indicador importante da qualidade do ensino e está ligado à gestão estudantil e à orientação profissional. Segundo Dai (2022), com a valorização  do ensino superior, há a necessidade de aprimorar a qualidade educacional por meio de análises  científicas das notas dos estudantes. Contudo, os métodos tradicionais estatísticos têm  limitações na identificação de fatores que influenciam o desempenho acadêmico. 

O SGA, implementado em 25 de junho de 2009, destacou-se na época por utilizar um  framework de desenvolvimento, o que possibilitou a construção de sistemas complexos e  eficientes com menor esforço de programação. Segundo Coelho (2016), entre suas principais  funcionalidades estão a gestão de cadastros de disciplinas, departamentos, turmas, cursos e  currículos; a composição por módulos como Sistema Acadêmico, Professor Online, Acadêmico  Online e Alunos Recém-Chegados; uma interface dedicada à geração de relatórios; atendimento  a todos os cursos de graduação, presenciais e a distância; e operação totalmente baseada em  ambiente web, acessível por meio de navegadores. 

Paralelamente à modernização tecnológica dos processos administrativos e acadêmicos,  a Educação a Distância (EAD) vem se consolidando como modalidade de ensino acessível a  um grande público, apoiada por Tecnologias da Informação e Comunicação, especialmente os  Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Esse crescimento evidencia a necessidade de  integração entre AVA e SGA, pois a interoperabilidade entre esses sistemas é essencial para  gerenciar eficientemente os cursos à distância e acompanhar os estudantes, garantindo que as  demandas da EAD sejam atendidas de forma coordenada e eficaz (Furtado; Lima; Farias, 2015). 

Os SGA têm como finalidade registrar, organizar e dinamizar os processos  institucionais, consolidando informações essenciais para a administração por meio da análise  de dados, como matrículas, desempenho acadêmico, frequência e índices de evasão. Essas  plataformas concentram todos os registros referentes à trajetória acadêmica de estudantes e  docentes, oferecendo aos gestores uma visão abrangente das atividades institucionais. Dessa  forma, tornam-se ferramentas estratégicas para o acompanhamento do desempenho pedagógico  e financeiro, além de subsidiarem o planejamento da evolução da instituição e a tomada de  decisões mais assertivas (Junior Oliveira; Correa; Fonseca, 2018). 

A integração entre AVA e SGA se torna uma necessidade emergente, especialmente  diante do aumento das vagas em EAD e da consolidação dos SGA nas instituições de ensino  superior. Segundo Furtado, Lima e Farias (2015), o Web Service possibilita a comunicação entre  AVA e SGA, interpretando as diferenças entre suas arquiteturas e garantindo integração  eficiente. Para isso, utiliza-se o “gerenciador”, responsável por configurar parâmetros,  administrar funções e atender às demandas dos usuários. A interação com o AVA ocorre por  meio do protocolo SOAP, que organiza mensagens e procedimentos, enquanto a conexão com o SGA é feito diretamente na base de dados, via comandos SQL definidos nas configurações  iniciais do gerenciador. 

O FenixEdu, também denominado Fenix, constitui um sistema de gestão acadêmica  desenvolvido no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, com a finalidade de integrar e otimizar  os processos de informação acadêmica no ensino superior. Atualmente, a plataforma  consolidou-se como base operacional para a gestão de atividades acadêmicas em diversas  universidades, escolas e faculdades portuguesas, destacando-se sua ampla utilização na  Universidade de Lisboa e no ISCTE. O projeto, construído integralmente sob a Licença Pública  Geral Menor (LGPL), ampliou seu alcance ao contar com a colaboração de empresas privadas  que oferecem suporte técnico e contribuem para sua manutenção e evolução contínua,  assegurando sua sustentabilidade e relevância no contexto educacional (Guerreiro et al., 2022). 

A ciência de dados tem diversas aplicações na educação, como modelagem do estudante,  identificação de comportamentos, previsão de desempenho e detecção precoce de evasão, além  de fornecer feedback e suporte a estudantes e professores, beneficiando-se dos avanços em  Educational Data Mining (EDM). Essas técnicas permitem a análise de grandes volumes de  dados para extrair conhecimentos relevantes e compreender relações complexas. O modelo  CRISP-EDM destaca-se por facilitar a integração de equipes multidisciplinares e oferecer um  padrão estruturado para análises educacionais, sendo uma extensão do método original  adaptada ao contexto educacional, com a letra “E” podendo representar também conceitos como  extensão do método ou avaliação das soluções implementadas (Ramos et al., 2020). 

A transformação digital experimentou uma aceleração global, especialmente nos países  da América Latina, que tiveram de adaptar seus processos de acordo com suas dimensões,  recursos e características culturais. De maneira similar, as instituições de ensino enfrentam  desafios equivalentes, gerando a necessidade de capacitar docentes para a gestão de Sistemas  Virtuais de Aprendizagem Assíncronos (VLS), utilizando ferramentas inovadoras, como o  Moodle, com o objetivo de aprimorar a eficácia no planejamento e condução de sessões de  ensino-aprendizagem em cursos virtualizados (Flores-Chacón et al., 2023). 

No contexto peruano, Flores-Chacón et al. (2023) elucidam que as universidades  demandam uma arquitetura de tecnologias digitais capaz de promover a aprendizagem e o  desenvolvimento de competências digitais, incluindo o uso de computação em nuvem, Sistemas  de Gestão de Aprendizagem (LMS) baseados no Moodle e ferramentas como o Microsoft  Teams. Paralelamente, evidencia-se a necessidade de capacitar docentes no uso do VLS com  Moodle, a fim de aprimorar sua atuação no ensino online. Essa infraestrutura tecnológica é  fundamental para que os professores possam treinar, orientar e desenvolver suas competências profissionais, especialmente em áreas como tecnologia digital, pedagogia e comunicação,  possibilitando a produção de conteúdos disciplinares e preparando-os para o desafio do  professor 4.0, caracterizado por educadores que adaptam suas habilidades e métodos de ensino  às exigências da quarta revolução industrial. 

À medida que a população estudantil nas universidades aumenta, os SGA, segundo Li  (2021), acumulam grandes volumes de dados relacionados ao desempenho dos alunos.  Contudo, esses dados são geralmente utilizados apenas para consultas básicas ou análises  estatísticas, sem exploração voltada para a melhoria de processos específicos, como o ensino  de inglês. Nesse contexto, a integração da teoria dos conjuntos fuzzy com algoritmos de  aprendizado de máquina resultou no desenvolvimento do algoritmo de árvore de decisão fuzzy,  possibilitando abordagens mais sofisticadas na análise e interpretação de dados acadêmicos. 

3. METODOLOGIA 

Este estudo foi conduzido por meio de uma revisão bibliográfica, com o objetivo de  compilar e analisar informações sobre a implementação, funcionalidades, impactos e desafios  associados aos Sistemas de Gestão Acadêmica em instituições de ensino superior. A pesquisa  envolveu a consulta a artigos científicos, livros, dissertações, teses e estudos de caso publicados  em periódicos nacionais e internacionais, abordando gestão educacional, tecnologia da  informação e integração de sistemas acadêmicos. 

Foram considerados estudos publicados entre 2000 e 2025, em português, inglês e  espanhol, priorizando materiais revisados por pares e com fundamentação teórica sólida. Foram  incluídas publicações que discutem o uso de SGAs, Ambientes Virtuais de Aprendizagem  (AVA), Educação a Distância (EAD) e ferramentas digitais aplicadas à gestão acadêmica. Por  outro lado, excluíram-se trabalhos que não abordassem o contexto do ensino superior ou que  apresentassem caráter opinativo sem respaldo científico, bem como materiais duplicados ou  sem referências confiáveis. 

Os dados e as informações compiladas foram submetidos a uma análise qualitativa,  buscando sintetizar as principais funcionalidades, benefícios e os desafios associados à adoção  de SGAs, conforme abordado na literatura. Essa análise permitiu identificar como essas  plataformas tecnológicas são ferramentas essenciais para automatizar e otimizar processos,  visando a melhoria da eficiência operacional e da qualidade dos serviços educacionais. Além  disso, a análise dos estudos permitiu evidenciar a redução de custos operacionais, a melhoria  na qualidade dos dados e o aumento da satisfação de alunos e pais após a implementação de SGAs. Também foram identificados os desafios, como a resistência à mudança, custos de  implantação, necessidade de treinamento e a segurança dos dados. 

A abordagem metodológica de revisão bibliográfica permitiu que os resultados obtidos  corroboram a literatura existente, consolidando o entendimento de que um SGA bem  implementado contribui para a eficiência operacional e a melhoria da experiência do usuário. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Os resultados evidenciam que os sistemas de gestão acadêmica utilizados em  universidades apresentam características próprias, uma vez que são direcionados a adultos com  níveis educacionais mais elevados do que a média da população, mesmo em países  desenvolvidos, e com formações variadas. Diversos estudos sobre esses sistemas ou sistemas  semelhantes analisaram a usabilidade percebida por meio de questionários, sendo a Escala de  Usabilidade do Sistema (System Usability Scale – SUS) um dos instrumentos mais utilizados,  por ser rápido e possuir validação comprovada. Outros trabalhos optaram por questionários  personalizados, elaborados a partir de adaptações de metodologias consolidadas ou  desenvolvendo novas abordagens que foram posteriormente validadas (Razza; Kattel, 2024). 

O estudo de Tyas e Khairunisa (2021) investigou a usabilidade de um sistema acadêmico  por meio de uma análise de tarefas. Nesse estudo, os participantes realizaram sete tarefas no  sistema e, em seguida, preencheram um questionário para avaliar dimensões como eficácia,  eficiência e satisfação. A análise das tarefas foi simplificada, considerando apenas o nível de  conclusão das mesmas, enquanto as dimensões de usabilidade foram quantificadas para gerar  uma medida geral de usabilidade. O sistema foi avaliado por 138 estudantes universitários, e os  resultados mostraram uma boa percepção de usabilidade, com um índice de 70%. Essa  metodologia se mostra útil para automatizar a análise e compreender aspectos gerais de um  sistema em amostras maiores; entretanto, ela não fornece indicações sobre como melhorar a  usabilidade do sistema. 

Diversas instituições de ensino têm investido no desenvolvimento de sistemas próprios  de gestão acadêmica. De acordo com Junior Oliveira, Correa e Fonseca, (2018), no caso da  Universidade Estadual do Maranhão, a opção foi pela adoção de um software amplamente  utilizado em universidades públicas brasileiras, implementado como Sistema Integrado de  Gestão (SIG). Essa solução é composta por múltiplos subsistemas interconectados por meio de  uma arquitetura previamente definida, garantindo maior integração e eficiência nos processos  institucionais, que será visto na Figura 1 abaixo.

Figura 1: SigUema: Subsistemas que o compõe, dentre eles o SGA

Fonte: (Junior Oliveira; Correa; Fonseca, 2018).

Dado o exposto, deve-se ressaltar que o subsistema de gestão acadêmica contempla um  módulo específico para o ensino a distância, cuja integração com os demais módulos e  subsistemas do SigUema ocorre por meio da adoção da arquitetura orientada a serviços (SOA),  utilizando protocolos SOAP para a implementação de WebServices internos. Embora o sistema  disponha de um AVA próprio, denominado Turma Virtual, sua utilização não é obrigatória. Na  prática, a instituição optou por disponibilizar aos estudantes da modalidade a distância um AVA  mais robusto, enquanto os alunos do ensino presencial permanecem utilizando a Turma Virtual (Junior Oliveira; Correa; Fonseca, 2018). 

Razza e Kattel (2024) citam a realização de uma avaliação do sistema de gestão  acadêmica Q-Acadêmico utilizando questionários de percepção aplicados a uma amostra de  professores e alunos. A metodologia organizou os questionários em três dimensões: facilidade  de uso, envolvendo compreensão das informações e modo de operação; eficiência e erros,  relacionada à percepção sobre o desempenho do sistema; e satisfação das necessidades,  contemplando as opções e ações disponíveis. O mesmo sistema também foi avaliado por meio  da Escala de Usabilidade do Sistema (SUS) com uma amostra de 101 estudantes via  questionário online, obtendo uma usabilidade geral de 67,66%, considerada satisfatória.  

A análise da plataforma de SGA, conforme pontua Dai (2022) aponta para a necessidade  de melhorar sua integração e otimização de recursos, pois, embora o uso de CPU e memória  seja geralmente baixo, o sistema pode apresentar interrupções em momentos de alta demanda,  como simultaneidade de alunos em seleção de cursos, avaliações e matrículas. O servidor de  banco de dados, responsável pelo software de gestão, também possui baixo consumo em condições normais, mas não suporta o desempenho necessário em períodos de alta demanda.  Além disso, o servidor blade, que desempenha funções críticas, apresenta desempenho  insatisfatório e alta taxa de falhas, o que prejudica a eficiência do sistema como um todo. 

Um contexto frequente nas instituições de ensino ocorre imediatamente antes do início  de cada período letivo, quando são realizadas atividades essenciais de organização acadêmica.  Nesse momento, os departamentos e coordenações definem a oferta de disciplinas, alocam  professores às turmas e estabelecem o número de vagas disponíveis. Paralelamente, ocorre o  cadastro de novos alunos, quando aplicável, e a matrícula dos estudantes nas respectivas turmas.  Todos esses processos, gerenciados principalmente pelo SGA, devem também ser refletidos de  maneira adequada no AVA, garantindo a integração entre os sistemas (Serrano Filho, 2022). 

Constatou-se a partir de Flores-Chacón et al. (2023) que a arquitetura das tecnologias  digitais, formada pelos dois sistemas centrais, o SGA e o AVA, favorece o desenvolvimento de  competências digitais essenciais, incluindo alfabetização digital, comunicação e colaboração,  produção de conteúdo digital e resolução de problemas em contextos virtuais. Ressalta-se, nesse  contexto, a importância da capacitação dos docentes universitários no uso dessas ferramentas,  constituindo um passo fundamental para o aprimoramento de sua prática profissional frente às  demandas do cenário educacional contemporâneo. 

Ficou nítido a partir de Serrano Filho (2022) que a implementação de uma solução que  integre AVAs e SGAs oferece diversas vantagens, pois permite automatizar tarefas de gestão do  AVA que são semelhantes às realizadas no SGA, reduzindo o esforço repetitivo e extenuante da  equipe administrativa. Como resultado, os recursos humanos podem ser direcionados a outras  atividades de maior valor agregado. Além disso, a integração contribui para aumentar a  confiabilidade e a consistência das informações entre os dois sistemas, uma vez que a  automatização minimiza erros decorrentes da inserção e manipulação manual dos dados. 

Deve-se pôr em evidência a transparência das informações fornecida pelos SGA que,  conforme mencionado por Furtado, Lima e Farias (2015), permitem um controle e  acompanhamento mais eficaz dos processos administrativos, possibilitando o planejamento das  ações de maneira clara e eficiente, ao mesmo tempo em que otimiza o uso dos recursos e reduz  os custos institucionais. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A análise evidenciou que os Sistemas de Gestão Acadêmica têm um papel fundamental  na organização e na eficiência das Instituições de Ensino Superior. Quando centralizam informações acadêmicas, financeiras e administrativas, esses sistemas facilitam o acesso rápido  e confiável a dados por gestores, professores e estudantes. Isso ajuda a tornar os processos mais  ágeis e diminui a chance de erros. Ao automatizar tarefas repetitivas, esses sistemas liberam  recursos humanos para atividades mais estratégicas, fortalecendo a capacidade da instituição de  planejar e buscar melhorias constantes. 

Os SGAs auxiliam na qualidade da administração acadêmica, pois oferecem ferramentas  que facilitam a tomada de decisões com base em informações concretas. Com relatórios  detalhados sobre desempenho dos estudantes, frequência, evasão e uso de recursos, é possível  ter uma visão mais completa de como a instituição funciona. Isso aumenta a transparência e  melhora a responsabilidade.  

Por fim, os SGAs vão além da simples administração e têm um impacto direto na forma  como os estudantes aprendem e na experiência geral na instituição. A modernização digital,  combinada com o uso inteligente de dados, ajuda a tornar a gestão mais eficiente, promove  inovação e melhora a qualidade do ensino. Portanto, implementar esse sistema e acompanhá-lo  de perto é fundamental para que as universidades enfrentem os desafios do ensino atual.

REFERÊNCIAS 

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1Universidade Federal Fluminense; wagnerguimaraes@id.uff.br
2Universidade Federal Fluminense; mirian_mexas@id.uff.br
3Universidade Federal Fluminense; lpzotes@id.uff.br

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