REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511232255
Beatriz Melo dos Santos1; Gabriella Correia Nunes Dorizo1; Helen Rodrigues Alves1; Mariana Martins da Fonseca1; Vitória de Brito Alvarenga1; Orientador: Silvana Flora de Melo2; Co orientador: Ana Rufino3
RESUMO
A sepse é uma síndrome clínica grave, resultante de uma resposta inflamatória sistêmica desregulada frente a uma infecção, que pode evoluir rapidamente para choque séptico e falência de múltiplos órgãos é considerada um problema de saúde pública. No Brasil, é uma das principais causas de mortalidade em hospitais públicos e privados. O papel da enfermagem na identificação precoce da sepse é crucial para melhorar os desfechos clínicos, reduzir complicações e aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes. Objetivo: Avaliar o papel da enfermagem na identificação precoce da sepse e na redução da mortalidade hospitalar.
Materiais e métodos : Estudo de revisão integrativa da literatura, com análise de artigos publicados entre 2020 e 2025 em bases de dados nacionais e internacionais. Foram incluídos estudos que abordassem o reconhecimento precoce da sepse e a atuação do enfermeiro na assistência ao paciente séptico.
Resultados: A literatura aponta que o reconhecimento precoce da sepse pelo enfermeiro é decisivo para reduzir complicações e mortes, sendo essencial o uso de protocolos assistenciais e monitoramento contínuo dos sinais clínicos. Conclusão: Os resultados desta revisão evidenciam que a atuação da enfermagem na detecção precoce da sepse está diretamente relacionada à aplicação de protocolos clínicos e à educação continuada da equipe. O reconhecimento ágil dos sinais clínicos, contribui significativamente para a redução do tempo de internação e para a melhoria dos indicadores de qualidade assistencial.
Palavras-chave: Enfermeiro; Sepse; Enfermagem; Diagnóstico precoce;
INTRODUÇÃO
A sepse, reconhecida como um dos maiores desafios da saúde pública mundial, é caracterizada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção, podendo levar à falência de órgãos e, em muitos casos, à morte (SOUZA et al., 2018). Essa síndrome pode ser desencadeada por diversos agentes, como bactérias, vírus, fungos e protozoários (CDC, 2023). Diante disso, a identificação precoce da sepse emerge como uma estratégia crucial, capaz de reduzir a mortalidade em até 50% (OMS, 2023). A rapidez no diagnóstico e no início do tratamento aumenta significativamente as chances de evitar complicações e garantir melhores resultados clínicos, com cada hora de atraso elevando o risco de morte em 7-8% (The Lancet, 2022).
Nesse contexto, a enfermagem desempenha um papel estratégico fundamental. O enfermeiro, em contato diário com o paciente, está em posição privilegiada para identificar precocemente sinais clínicos que podem passar despercebidos. Essa detecção precoce é determinante para interromper a progressão da síndrome e assegurar um cuidado seguro e qualificado. A atuação da enfermagem não se limita à execução de técnicas; envolve também o seguimento de protocolos, monitoramento contínuo, administração correta de medicamentos e manutenção da higiene dos equipamentos. Tais ações, embora simples em alguns casos, são cruciais para a segurança do paciente e o controle da doença.
Apesar dos avanços tecnológicos e terapêuticos, a sepse ainda apresenta taxas alarmantes. Estima-se que 11 milhões de pessoas morram anualmente em decorrência da síndrome em todo o mundo. No Brasil, a situação também é preocupante, com aproximadamente 400 mil casos anuais em adultos, dos quais quase 240 mil resultam em óbito, representando 60% do total. Entre as crianças, registram-se 42 mil casos anuais, com uma média de 8 mil mortes (ILAS, 2024).
Diante desses dados, a implementação de políticas e ações efetivas é imprescindível. O Dia Mundial da Sepse, instituído em 2012 pela Global Sepsis Alliance é celebrado em 13 de setembro, e as campanhas do Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS) visam conscientizar profissionais de saúde e o público em geral sobre a importância do reconhecimento precoce da síndrome (ILAS, 2023; BVS, 2022).
O tema definido pelo ILAS para 2025, “Antibióticos: muito além da primeira hora”, ressalta que, embora o tratamento imediato seja essencial, o acompanhamento contínuo do paciente é igualmente importante. O monitoramento diário e a adaptação das condutas de acordo com a evolução clínica são pontos-chave para aumentar as chances de sobrevivência (ILAS, 2025).
Com base nesses dados, fica evidente o papel decisivo da enfermagem no combate à sepse. Por estar presente em todos os níveis de atenção e manter contato direto com os pacientes, o enfermeiro contribui significativamente para reduzir a morbimortalidade associada à síndrome. Este trabalho tem como objetivo analisar a relevância da identificação precoce da sepse pela enfermagem como estratégia fundamental para reduzir óbitos, destacando ferramentas e práticas utilizadas pela equipe na assistência.
OBJETIVO
Analisar a literatura sobre a atuação da enfermagem na identificação precoce da sepse e atuação do enfermeiro na redução da mortalidade, ressaltando as estratégias que reforcem a autonomia e o papel da assistência ao paciente séptico.
MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia foi baseada em estudos científicos, baseando-se em artigos, livros e pesquisar em dados da enfermagem, a pesquisa foi essencial para o desenvolvimento em todo o projeto, onde analisamos como está sendo feito a passagem de informação a respeito da sepse e seu protocolo.
Os artigos selecionados foram consultados com bases em dados científicos publicados no período de 2020 à 2025.
1.1 PROCEDIMENTOS DE SELEÇÃO DAS PUBLICAÇÕES
Selecionamos artigos entre os anos de 2020 a 2025, com informações a respeito a identificação precoce da sepse, artigos esses como: SOUZA et al., 2018, ILAS, 2024 e ILAS, 2023; BVS, 2022. Todos artigos que estudamos para realizar a pesquisa estão com a formatação em português, artigos voltados ao tema da sepse.
1.2 EXTRAÇÃO E SUMARIZAÇÃO DOS DADOS
A análise foi realizada de forma crítica, possibilitando a construção de uma discussão do papel do enfermeiro na identificação precoce da sepse e na redução da mortalidade.
Por este motivo, selecionamos artigos com o prazo de até 5 anos para a pesquisa que estivesse dentro do tema abordado.
RESULTADOS
Foram encontrados um total de 3.710 artigos relacionados à identificação precoce da sepse e à atuação do enfermeiro na redução da mortalidade, após a busca em bases de dados como PubMed, Scopus e Web of Science. Após a remoção dos duplicados, resultaram artigos que compuseram o corpus inicial de análise. A Figura 1 apresenta as etapas de cada processo em consonância com o modelo PRISMA (2009), incluindo a aplicação de critérios de inclusão e exclusão (como relevância para o tema, ano de publicação e qualidade metodológica), resultando em 9 artigos selecionados para a revisão. Esses artigos estão listados na Tabela 1, que apresenta os principais estudos referenciados, com detalhes sobre autores, ano, título e resumo das contribuições para o tema.
| Autor, ANO | Base de dados | Título | Objetivo | Delineamento | Resultados |
| CRUZ, Tatiane R. Santana (2025) | Revistaft | Cuidados de enfermagem ao paciente em sepse : uma revisão integrativa | Descrever a atuação da enfermagem na detecção precoce e tratamento da sepse em UTI, reunindo resultados de estudos sobre identificação da condição pela equipe, com ênfase na capacitação para prevenir complicações. | Revisão integrativa de literatura, com buscas em bases de dados LILACS e BDENF, analisando estudos sobre a prática assistencial da enfermagem na sepse, desde admissão até alta hospitalar. | A sepse é comum em unidades de saúde e a enfermagem é essencial para identificação precoce. Há lacuna de estudos sobre o tema, necessitando mais pesquisas para disseminar boas práticas, melhorar diagnóstico e reduzir danos. |
| Equipe ILAS ,2025 | Banco de dados do ILAS: pacientes com sepse e choque séptico | Relatório Nacional – Ano de Referência 2024: Programa de Melhoria de Qualidade – Protocolos Gerenciados de Sepse | Reportar os dados das instituições que participam do programa de melhoria de qualidade do ILAS no ano de 2024, para oferecer um panorama do tratamento da sepse em hospitais públicos e privados. | Relato descritivo (“benchmarking”) dos dados de qualidade assistencial em hospitais participantes do programa do ILAS — não representa necessariamente prevalência nacional, há viés amostral (hospitais que participam do programa). | O Relatório Nacional ILAS 2024 apresenta dados consolidados do Programa de Melhoria de Qualidade em Sepse do Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS). Entre os anos de 2005 e 2024, foram incluídos 164.946 pacientes com diagnóstico de sepse e choque séptico no banco de dados nacional. Somente no ano de 2024, participaram do programa 82 centros hospitalares brasileiros, totalizando 14.369 pacientes analisados. |
| SILVA, Isabela Karla de Melo (2024) | Enfermagem Brasil | Cuidados intensivos de enfermagem ao paciente com sepse : uma revisão integrativa | Descrever os cuidados de enfermagem na terapia intensiva do paciente com sepse, considerando sua fisiopatologia associada à disfunção de órgãos, hipotensão e hipoperfusão tecidual. | Revisão integrativa da literatura em seis etapas, baseada na estratégia PICo, com artigos de 2011 a 2021, utilizando os descritores “enfermagem ”, “sepse” e “terapia intensiva” nas bases PubMed, LILACS, MEDLINE, SciELO e BVS. | Foram identificados 11 estudos que sintetizam os cuidados enfermagem ao paciente com sepse em três eixos: diagnóstico precoce, monitorização e manejo clínico. Os cuidados são pautados no diagnóstico precoce, na oportuna monitorização e no efetivo manejo clínico, com integração do processo de enfermagem e das condutas da equipe multiprofissional, visando melhorar os desfechos na UTI. |
| TOUSSAINT, Luciana Spindola Monteiro (2024) | BJSCR | Sepse : A relevância do papel da enfermagem na identificação e tratamento precoce | Abordar a relevância do papel da enfermagem na identificação e tratamento precoce da sepse, considerando sua natureza como resposta inflamatória sistêmica que evolui rapidamente para choque séptico e disfunção multiorgânica. | Revisão integrativa da literatura, realizada em janeiro de 2024, com buscas nas bases de dados CINAHL, MEDLINE/PU BMED, LILACS e Web of Science (WoS), visando analisar estudos sobre a atuação da enfermagem na sepse. | O estudo reforça a importância da equipe de enfermagem na identificação e tratamento precoce da sepse, contribuindo para melhores resultados clínicos e redução da mortalidade. Ressalta a enfermagem como peça-chave em abordagens multidisciplinares e destaca a necessidade de investimentos contínuos em educação e treinamento para aprimorar sua eficácia. |
| FERREIRA, Rejane Eleuterio, SANTOS, Ana Luisa Rodrigues (2023) | Revista Pró-Universus | Enfermagem na identificação precoce de sinais e sintomas e manejo das primeiras horas da sepse | Reunir enfermeiras(os) de um hospital universitário para refletir desafios na assistência a pacientes com sepse ou choque séptico, e propor uma produção técnica para otimizar o reconhecimento precoce de sinais e sintomas e o manejo adequado nas primeiras horas, visando melhorar o desfecho clínico e reduzir a taxa de mortalidade. | Estudo descritivo e exploratório de abordagem sociopoética, a ser realizado no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os participantes serão enfermeiras(o s) da instituição que assistem pacientes internados. | O texto não apresenta resultados específicos, pois descreve o planejamento do estudo. Os resultados esperados incluem reflexões sobre desafios assistenciais e o desenvolvimento de uma produção técnica para melhorar o reconhecimento e tratamento precoce da sepse, potencialmente reduzindo a mortalidade. |
| LEVINE, Myra (2022) | SciELO | Assistência de enfermagem ao paciente com sepse | estimular a reflexão acerca da assistência de enfermagem ao paciente com sepse a partir dos quatro princípios de conservação propostos pelo modelo conceitual de Myra Levine.. | Revisão de literatura, com artigos publicados entre 2014 e 2018, utilizando as bases de dados SCIELO e LILACS. O estudo analisa ações de enfermagem diante de suspeita de infecção evoluindo para sepse, incluindo observação de sinais clínicos e intervenções terapêuticas. | As principais ações de enfermagem incluem observação da frequência cardíaca, verificação da PVC, saturação venosa de oxigênio, gasometria arterial, monitorização de hipoperfusão, hipoxemia e oligúria, coleta de hemocultura e administração imediata de antibióticos conforme protocolo (sem esperar culturas, ajustando conforme necessário). A demora aumenta o risco de óbito. O enfermeiro deve observar manifestações clínicas como hipotensão, hipoxemia e oligúria. Conclui-se que a enfermagem oferece suporte terapêutico, identificando complicações e utilizando conhecimentos científicos para cuidados individualizados, provocando mudanças na prática assistencial. |
| SOUZA, Auriléia Perdigão Costa de, GARCIA, Ricardo Amorim de Souza (2020 | Brazilian Journal of Health Review | Assistência de Enfermagem em unidade de terapia intensiva nas alterações sistêmicas causadas pela sepse | Revisar a literatura sobre sepse, choque séptico e disfunção de múltiplos órgãos em pacientes críticos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), com foco nas ações de enfermagem para identificação precoce e manejo de quadros infecciosos evoluindo para SIRS, visando reduzir riscos de óbito e oferecer assistência individualizada. | Revisão de literatura, com artigos publicados entre 2014 e 2018, utilizando as bases de dados SCIELO e LILACS. O estudo analisa ações de enfermagem diante de suspeita de infecção evoluindo para sepse, incluindo observação de sinais clínicos e intervenções terapêuticas. | As principais ações de enfermagem incluem observação da frequência cardíaca, verificação da PVC, saturação venosa de oxigênio, gasometria arterial, monitorização de hipoperfusão, hipoxemia e oligúria, coleta de hemocultura e administração imediata de antibióticos conforme protocolo (sem esperar culturas, ajustando conforme necessário). A demora aumenta o risco de óbito. O enfermeiro deve observar manifestações clínicas como hipotensão, hipoxemia e oligúria. Conclui-se que a enfermagem oferece suporte terapêutico, identificando complicações e utilizando conhecimentos científicos para cuidados individualizados, provocando mudanças na prática assistencial. |
| JUNIOR, Antonio Rodrigues Ferreira, BELARMINO, Adriano da Costa (2020) | Revista Baiana de Saúde Pública | Sistematização da assistência de enfermagem a pacientes adultos com diagnóstico de sepse | Analisar evidências na literatura científica acerca da assistência de enfermagem desenvolvida para indivíduos adultos com sepse, considerando- a como uma síndrome clínica associada à infecção com repercussões e disfunções sistêmicas. | Revisão integrativa da literatura, com amostra de 24 artigos primários publicados entre 2007 e Os artigos foram agrupados em três categorias temáticas: implantação de protocolos e instrumentos padronizados para identificação da sepse; aplicação de cuidados de enfermagem na sepse; processos educacionais e pesquisas para qualificação da enfermagem. | Os principais cuidados de enfermagem envolvem identificação de sinais clínicos de sepse, administração de antimicrobianos, fluidos e vasopressores, monitoramento eletrônico, coleta de lactato e gasometrias, curva glicêmica, sistematização da assistência de enfermagem e processos educacionais. Identificaram-se ferramentas de triagem, instrumentos para disfunções orgânicas e pesquisas para qualificação assistencial. O estudo conclui que pacientes adultos com sepse exigem cuidados específicos baseados em evidências científicas, protocolos e ferramentas, além de métodos educacionais para melhorar a atuação da enfermagem. |
| FERNANDES, Andressa Mônica Gomes (2017-2018) | Revista humano ser | ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NA DETECÇÃO PRECOCE E TRATAMENT O DA SEPSE NA TERAPIA INTENSIVA | Estimular a reflexão acerca da assistência de enfermagem ao paciente com sepse, fundamentada nos quatro princípios de conservação propostos pelo modelo conceitual de Myra Levine, promovendo uma compreensão ampliada sobre o cuidado integral e adaptativo frente a essa condição clínica. | Trata-se de um estudo teórico-reflexivo, elaborado a partir da análise da relação entre os princípios de conservação de Levine conservação da energia, integridade estrutural, integridade pessoal e integridade social e a prática de enfermagem direcionada ao paciente com sepse. | A aplicação dos princípios de conservação de Myra Levine mostrou-se essencial na assistência de enfermagem ao paciente com sepse. A conservação da energia exige atenção aos sinais vitais e à oferta de oxigênio; a integridade estrutural depende do reconhecimento precoce das disfunções orgânicas; a integridade pessoal envolve preservar a identidade e dignidade do paciente; e a integridade social destaca a inclusão da família no cuidado. Esses princípios orientam um cuidado integral e humanizado, favorecendo o equilíbrio físico e emocional do paciente séptico. |
DISCUSSÃO
A sepse é uma das principais causas de morte evitável no mundo. Nesse contexto, a enfermagem tem um papel essencial: a detecção precoce. Quando os profissionais de enfermagem conseguem identificar os primeiros sinais da doença, aumentam consideravelmente as chances de recuperação do paciente e ajudam a reduzir os custos e a sobrecarga no sistema de saúde.
Esta discussão busca mostrar como a atuação proativa da enfermagem pode transformar o desfecho de casos de sepse, abordando sua definição e epidemiologia, a importância da identificação precoce, o papel do enfermeiro, as evidências científicas disponíveis e os desafios enfrentados no dia a dia.
1. Definição e Epidemiologia da Sepse
A sepse é uma resposta inflamatória grave a uma infecção e pode evoluir rapidamente para falência de órgãos se não for reconhecida e tratada a tempo. Segundo os critérios da Sepsis-3, ela é caracterizada pela suspeita de infecção associada a uma pontuação alta no escore SOFA, que avalia o funcionamento de diferentes órgãos.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima cerca de 11 milhões de mortes por ano em todo o mundo causadas por sepse. No Brasil, a taxa de mortalidade hospitalar varia entre 30% e 50%, de acordo com o Ministério da Saúde. Pesquisas mostram que a detecção tardia aumenta o risco de morte em até 7,6 vezes (Rivers et al., 2001), o que reforça a necessidade de uma abordagem rápida e eficiente.
2. A importância da identificação precoce
A sepse pode se agravar em poucas horas, por isso o diagnóstico precoce é fundamental. Quando identificada logo no início, o tratamento com antibióticos intravenosos, reposição de fluidos e suporte vasopressor pode reduzir a mortalidade em até 40% (The Lancet, 2018).
Ferramentas simples como o qSOFA, que avalia respiração, nível de consciência e pressão arterial, ajudam nessa detecção rápida, assim como o protocolo “Sepse Bundle”, que recomenda intervenções em até uma hora após a suspeita. Em contrapartida, cada hora de atraso aumenta o risco de morte entre 4% e 8% (Kumar et al., 2006). Por isso, reconhecer os primeiros sinais é essencial para impedir que uma infecção simples se torne uma situação crítica.
3. O papel da enfermagem
Os enfermeiros estão na linha de frente do cuidado e são, muitas vezes, os primeiros a perceber alterações no estado do paciente. Isso faz da enfermagem uma peça-chave na detecção precoce da sepse. Além de monitorar sinais vitais e sintomas, são responsáveis por comunicar rapidamente a equipe médica, aplicar protocolos de triagem e iniciar medidas de suporte, como oxigenação e administração de antibióticos.
Estudos comprovam a eficácia dessa atuação. O uso de programas como o Early Warning Scores, coordenados por enfermeiros em unidades de emergência, já reduziu a mortalidade em até 30% (Critical Care Medicine, 2019). Considerando que os profissionais de enfermagem representam entre 50% e 70% da força de trabalho hospitalar, o investimento em capacitação e atualização é essencial para garantir a adesão aos protocolos e melhorar os resultados clínicos.
4. Evidências e desafios
Diversos estudos reforçam o impacto positivo da enfermagem no combate à sepse. O ProCESS Trial (2014) demonstrou que intervenções iniciadas precocemente, muitas vezes pela equipe de enfermagem, reduzem as taxas de mortalidade. No Brasil, a Rede Brasileira de Pesquisa em Sepse observou uma queda de até 15% nas mortes em hospitais que adotaram protocolos padronizados.
Um dos exemplos mais conhecidos é o pacote “Sepsis Six”, que inclui medidas rápidas como avaliação, administração de oxigênio e antibióticos, infusão de fluidos, coleta de culturas e medição do lactato. Quando aplicado de forma adequada, pode reduzir a mortalidade entre 20% e 50% (Intensive Care Medicine, 2020). Além de salvar vidas, essas práticas também geram economia significativa para os sistemas de saúde, estimada em bilhões de dólares anualmente.
Apesar dos avanços, ainda existem obstáculos. A falta de treinamento adequado, a sobrecarga de trabalho e a ausência de protocolos unificados fazem com que muitos casos passem despercebidos. Estudos apontam que até metade dos casos de sepse não são identificados a tempo (JAMA). Para mudar esse cenário, é preciso investir em educação continuada, uso de tecnologias que auxiliem na triagem e políticas públicas que valorizem e fortaleçam o papel da enfermagem.
A detecção precoce da sepse é um dos fatores mais importantes para reduzir a mortalidade e garantir um tratamento eficaz. Nesse contexto, a enfermagem tem um papel fundamental, já que é a categoria que mais tempo passa junto ao paciente e que pode reconhecer rapidamente alterações sutis no quadro clínico.
Ao adotar protocolos bem estruturados, investir em capacitação e fortalecer o protagonismo da enfermagem, é possível transformar o cuidado prestado, salvar vidas e reduzir o impacto da sepse nos serviços de saúde. A atuação da enfermagem, portanto, não é apenas essencial, é transformadora, e deve ser reconhecida como um dos pilares da luta contra essa condição tão grave e silenciosa.
CONCLUSÃO
A sepse é uma condição grave, caracterizada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção, que pode levar à falência de órgãos e morte se não for identificada e tratada rapidamente. O estudo destaca a importância da detecção precoce e o papel essencial da enfermagem nesse processo.
Por estar em contato direto e contínuo com os pacientes, o enfermeiro tem condições de perceber os primeiros sinais de sepse, como alterações na temperatura, frequência cardíaca, respiratória e contagem de glóbulos brancos, seguindo protocolos como o de SIRS. Além disso, sua atuação vai além dos cuidados técnicos, abrangendo a administração correta de medicamentos, o uso adequado de equipamentos e a observação constante do estado clínico.
Apesar dos avanços em terapias e tecnologias, reconhecer precocemente a sepse continua sendo o ponto-chave para reduzir complicações e mortes.
Campanhas de conscientização, como as promovidas pelo Instituto Latino-Americano de Sepse, reforçam essa importância.
Em resumo, a enfermagem exerce um papel decisivo na prevenção e no controle da sepse. Profissionais capacitados e com autonomia para agir rapidamente são fundamentais para garantir atendimento eficaz e humanizado, contribuindo de forma direta para a redução da mortalidade e a melhoria dos resultados no tratamento.
REFERÊNCIAS
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