IDENTIFICAÇÃO PRECOCE DA SEPSE: A IMPORTÂNCIA DA ENFERMAGEM NA REDUÇÃO DA MORTALIDADE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511232255


Beatriz Melo dos Santos1; Gabriella Correia Nunes Dorizo1; Helen Rodrigues Alves1; Mariana Martins da Fonseca1; Vitória de Brito Alvarenga1; Orientador: Silvana Flora de Melo2; Co orientador: Ana Rufino3


RESUMO 

A sepse é uma síndrome clínica grave, resultante de uma resposta inflamatória sistêmica desregulada frente a uma infecção, que pode evoluir rapidamente para choque séptico e falência de múltiplos órgãos é considerada um problema de saúde pública. No Brasil, é uma das principais causas de mortalidade em hospitais públicos e privados. O papel da enfermagem na identificação precoce da sepse é crucial para melhorar os desfechos clínicos, reduzir complicações e aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes. Objetivo: Avaliar o papel da enfermagem na identificação precoce da sepse e na redução da mortalidade hospitalar. 

Materiais e métodos : Estudo de revisão integrativa da literatura, com análise de artigos publicados entre 2020 e 2025 em bases de dados nacionais e internacionais. Foram incluídos estudos que abordassem o reconhecimento precoce da sepse e a atuação do enfermeiro na assistência ao paciente séptico. 

Resultados: A literatura aponta que o reconhecimento precoce da sepse pelo enfermeiro é decisivo para reduzir complicações e mortes, sendo essencial o uso de protocolos assistenciais e monitoramento contínuo dos sinais clínicos. Conclusão: Os resultados desta revisão evidenciam que a atuação da enfermagem na detecção precoce da sepse está diretamente relacionada à aplicação de protocolos clínicos e à educação continuada da equipe. O reconhecimento ágil dos sinais clínicos, contribui significativamente para a redução do tempo de internação e para a melhoria dos indicadores de qualidade assistencial. 

Palavras-chave: Enfermeiro; Sepse; Enfermagem; Diagnóstico precoce;

INTRODUÇÃO 

A sepse, reconhecida como um dos maiores desafios da saúde pública mundial, é caracterizada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção, podendo levar à falência de órgãos e, em muitos casos, à morte (SOUZA et al., 2018). Essa síndrome pode ser desencadeada por diversos agentes, como bactérias, vírus, fungos e protozoários (CDC, 2023). Diante disso, a identificação precoce da sepse emerge como uma estratégia crucial, capaz de reduzir a mortalidade em até 50% (OMS, 2023). A rapidez no diagnóstico e no início do tratamento aumenta significativamente as chances de evitar complicações e garantir melhores resultados clínicos, com cada hora de atraso elevando o risco de morte em 7-8% (The Lancet, 2022). 

Nesse contexto, a enfermagem desempenha um papel estratégico fundamental. O enfermeiro, em contato diário com o paciente, está em posição privilegiada para identificar precocemente sinais clínicos que podem passar despercebidos. Essa detecção precoce é determinante para interromper a progressão da síndrome e assegurar um cuidado seguro e qualificado. A atuação da enfermagem não se limita à execução de técnicas; envolve também o seguimento de protocolos, monitoramento contínuo, administração correta de medicamentos e manutenção da higiene dos equipamentos. Tais ações, embora simples em alguns casos, são cruciais para a segurança do paciente e o controle da doença. 

Apesar dos avanços tecnológicos e terapêuticos, a sepse ainda apresenta taxas alarmantes. Estima-se que 11 milhões de pessoas morram anualmente em decorrência da síndrome em todo o mundo. No Brasil, a situação também é preocupante, com aproximadamente 400 mil casos anuais em adultos, dos quais quase 240 mil resultam em óbito, representando 60% do total. Entre as crianças, registram-se 42 mil casos anuais, com uma média de 8 mil mortes (ILAS, 2024). 

Diante desses dados, a implementação de políticas e ações efetivas é imprescindível. O Dia Mundial da Sepse, instituído em 2012 pela Global Sepsis Alliance é celebrado em 13 de setembro, e as campanhas do Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS) visam conscientizar profissionais de saúde e o público em geral sobre a importância do reconhecimento precoce da síndrome (ILAS, 2023; BVS, 2022). 

O tema definido pelo ILAS para 2025, “Antibióticos: muito além da primeira hora”, ressalta que, embora o tratamento imediato seja essencial, o acompanhamento contínuo do paciente é igualmente importante. O monitoramento diário e a adaptação das condutas de acordo com a evolução clínica são pontos-chave para aumentar as chances de sobrevivência (ILAS, 2025). 

Com base nesses dados, fica evidente o papel decisivo da enfermagem no combate à sepse. Por estar presente em todos os níveis de atenção e manter contato direto com os pacientes, o enfermeiro contribui significativamente para reduzir a morbimortalidade associada à síndrome. Este trabalho tem como objetivo analisar a relevância da identificação precoce da sepse pela enfermagem como estratégia fundamental para reduzir óbitos, destacando ferramentas e práticas utilizadas pela equipe na assistência. 

OBJETIVO 

Analisar a literatura sobre a atuação da enfermagem na identificação precoce da sepse e atuação do enfermeiro na redução da mortalidade, ressaltando as estratégias que reforcem a autonomia e o papel da assistência ao paciente séptico. 

MATERIAIS E MÉTODOS

A metodologia foi baseada em estudos científicos, baseando-se em artigos, livros e pesquisar em dados da enfermagem, a pesquisa foi essencial para o desenvolvimento em todo o projeto, onde analisamos como está sendo feito a passagem de informação a respeito da sepse e seu protocolo. 

Os artigos selecionados foram consultados com bases em dados científicos publicados no período de 2020 à 2025. 

1.1 PROCEDIMENTOS DE SELEÇÃO DAS PUBLICAÇÕES

Selecionamos artigos entre os anos de 2020 a 2025, com informações a respeito a identificação precoce da sepse, artigos esses como: SOUZA et al., 2018, ILAS, 2024 e ILAS, 2023; BVS, 2022. Todos artigos que estudamos para realizar a pesquisa estão com a formatação em português, artigos voltados ao tema da sepse. 

1.2 EXTRAÇÃO E SUMARIZAÇÃO DOS DADOS 

A análise foi realizada de forma crítica, possibilitando a construção de uma discussão do papel do enfermeiro na identificação precoce da sepse e na redução da mortalidade. 

Por este motivo, selecionamos artigos com o prazo de até 5 anos para a pesquisa que estivesse dentro do tema abordado. 

RESULTADOS 

Foram encontrados um total de 3.710 artigos relacionados à identificação precoce da sepse e à atuação do enfermeiro na redução da mortalidade, após a busca em bases de dados como PubMed, Scopus e Web of Science. Após a remoção dos duplicados, resultaram artigos que compuseram o corpus inicial de análise. A Figura 1 apresenta as etapas de cada processo em consonância com o modelo PRISMA (2009), incluindo a aplicação de critérios de inclusão e exclusão (como relevância para o tema, ano de publicação e qualidade metodológica), resultando em 9 artigos selecionados para a revisão. Esses artigos estão listados na Tabela 1, que apresenta os principais estudos referenciados, com detalhes sobre autores, ano, título e resumo das contribuições para o tema. 

Autor, ANOBase de dadosTítuloObjetivoDelineamentoResultados
CRUZ, Tatiane
R. Santana
(2025)
RevistaftCuidados de
enfermagem
ao paciente
em sepse :
uma revisão
integrativa
Descrever a
atuação da
enfermagem
na detecção
precoce e
tratamento da
sepse em UTI, reunindo
resultados de
estudos sobre
identificação
da condição
pela equipe,
com ênfase na
capacitação
para prevenir
complicações.
Revisão
integrativa de
literatura,
com buscas
em bases de
dados LILACS e BDENF,
analisando
estudos sobre a prática
assistencial
da enfermagem
na sepse,
desde admissão até alta hospitalar.
A sepse é comum
em unidades de
saúde e a
enfermagem é
essencial para
identificação
precoce. Há lacuna
de estudos sobre o
tema, necessitando mais pesquisas
para disseminar
boas práticas,
melhorar
diagnóstico e
reduzir danos.
Equipe ILAS
,2025
Banco de
dados do
ILAS:
pacientes
com sepse e
choque
séptico
Relatório
Nacional –
Ano de
Referência
2024:
Programa de
Melhoria de
Qualidade –
Protocolos
Gerenciados
de Sepse
Reportar os
dados das
instituições
que participam
do programa
de melhoria de
qualidade do
ILAS no ano
de 2024, para
oferecer um
panorama do
tratamento da
sepse em
hospitais
públicos e
privados.
Relato
descritivo
(“benchmarking”) dos
dados de
qualidade
assistencial
em hospitais
participantes
do programa
do ILAS —
não
representa
necessariamente
prevalência
nacional, há
viés amostral
(hospitais
que
participam do
programa).
O Relatório
Nacional ILAS 2024
apresenta dados
consolidados do
Programa de
Melhoria de
Qualidade em
Sepse do Instituto
Latino-Americano
de Sepse (ILAS).
Entre os anos de
2005 e 2024, foram
incluídos 164.946
pacientes com
diagnóstico de
sepse e choque
séptico no banco de
dados nacional.
Somente no ano de
2024, participaram
do programa 82
centros hospitalares
brasileiros,
totalizando 14.369
pacientes
analisados.
SILVA, Isabela
Karla de Melo
(2024)
Enfermagem
Brasil
Cuidados
intensivos de
enfermagem
ao paciente com sepse :
uma revisão
integrativa
Descrever os
cuidados de
enfermagem
na terapia intensiva do
paciente com
sepse,
considerando
sua
fisiopatologia
associada à
disfunção de
órgãos, hipotensão e
hipoperfusão
tecidual.
Revisão
integrativa da
literatura em
seis etapas, baseada na
estratégia
PICo, com
artigos de
2011 a 2021,
utilizando os
descritores
“enfermagem
”, “sepse” e
“terapia
intensiva” nas
bases PubMed,
LILACS, MEDLINE, SciELO e
BVS.
Foram identificados
11 estudos que
sintetizam os
cuidados enfermagem ao
paciente com sepse
em três eixos:
diagnóstico
precoce,
monitorização e
manejo clínico. Os cuidados são
pautados no
diagnóstico
precoce, na
oportuna
monitorização e no efetivo manejo clínico, com integração do processo de
enfermagem e das condutas da equipe multiprofissional, visando melhorar os
desfechos na UTI.
TOUSSAINT,
Luciana
Spindola
Monteiro
(2024)
BJSCRSepse : A
relevância do
papel da
enfermagem
na identificação
e tratamento
precoce
Abordar a
relevância do
papel da
enfermagem
na
identificação e
tratamento
precoce da
sepse, considerando
sua natureza
como resposta
inflamatória
sistêmica que
evolui rapidamente
para choque
séptico e
disfunção
multiorgânica.
Revisão
integrativa da
literatura,
realizada em
janeiro de
2024, com
buscas nas
bases de
dados CINAHL,
MEDLINE/PU
BMED, LILACS e
Web of Science
(WoS), visando analisar estudos sobre a atuação da enfermagem
na sepse.
O estudo reforça a
importância da
equipe de
enfermagem na
identificação e
tratamento precoce
da sepse,
contribuindo para
melhores resultados
clínicos e redução
da mortalidade.
Ressalta a
enfermagem como peça-chave em
abordagens
multidisciplinares e destaca a
necessidade de
investimentos
contínuos em
educação e
treinamento para aprimorar sua
eficácia.
FERREIRA, Rejane
Eleuterio, SANTOS, Ana
Luisa Rodrigues
(2023)
Revista
Pró-Universus
Enfermagem
na identificação
precoce de
sinais e
sintomas e
manejo das
primeiras
horas da
sepse
Reunir
enfermeiras(os) de um hospital
universitário
para refletir
desafios na
assistência a
pacientes com
sepse ou
choque séptico, e propor uma
produção
técnica para
otimizar o
reconhecimento precoce de
sinais e
sintomas e o
manejo
adequado nas
primeiras
horas, visando
melhorar o
desfecho
clínico e reduzir a taxa de mortalidade.
Estudo
descritivo e
exploratório
de abordagem
sociopoética,
a ser realizado no Hospital
Universitário
Clementino
Fraga Filho
da Universidade
Federal do
Rio de Janeiro. Os participantes
serão enfermeiras(o
s) da instituição
que assistem
pacientes
internados.
O texto não
apresenta
resultados
específicos, pois
descreve o
planejamento do estudo. Os
resultados
esperados incluem
reflexões sobre
desafios
assistenciais e o
desenvolvimento de uma produção
técnica para
melhorar o
reconhecimento e tratamento precoce
da sepse,
potencialmente
reduzindo a
mortalidade.
LEVINE, Myra
(2022)
SciELOAssistência de enfermagem
ao paciente
com sepse
estimular a
reflexão
acerca da
assistência
de enfermagem ao paciente com sepse a partir dos quatro
princípios
de conservação propostos
pelo modelo
conceitual
de Myra
Levine..
Revisão de
literatura,
com artigos
publicados
entre 2014 e
2018, utilizando as bases de
dados
SCIELO e
LILACS. O estudo
analisa ações
de enfermagem
diante de
suspeita de
infecção
evoluindo
para sepse,
incluindo
observação
de sinais
clínicos e
intervenções
terapêuticas.
As principais ações de enfermagem
incluem observação
da frequência
cardíaca,
verificação da PVC, saturação venosa
de oxigênio,
gasometria arterial,
monitorização de hipoperfusão, hipoxemia e
oligúria, coleta de hemocultura e administração
imediata de
antibióticos
conforme protocolo
(sem esperar
culturas, ajustando
conforme
necessário). A
demora aumenta o
risco de óbito. O
enfermeiro deve
observar
manifestações
clínicas como
hipotensão,
hipoxemia e
oligúria. Conclui-se que a enfermagem
oferece suporte
terapêutico,
identificando
complicações e
utilizando
conhecimentos
científicos para
cuidados
individualizados,
provocando
mudanças na
prática assistencial.
SOUZA,
Auriléia
Perdigão Costa
de, GARCIA,
Ricardo
Amorim de
Souza (2020
Brazilian
Journal of
Health
Review
Assistência
de Enfermagem
em unidade
de terapia
intensiva nas
alterações
sistêmicas
causadas
pela sepse
Revisar a
literatura sobre
sepse, choque
séptico e
disfunção de
múltiplos
órgãos em
pacientes
críticos nas
Unidades de Terapia
Intensiva
(UTI), com
foco nas ações
de enfermagem
para identificação
precoce e
manejo de
quadros
infecciosos
evoluindo para
SIRS, visando
reduzir riscos
de óbito e
oferecer assistência
individualizada.
Revisão de
literatura,
com artigos
publicados
entre 2014 e
2018,
utilizando as
bases de
dados
SCIELO e LILACS. O estudo
analisa ações
de enfermagem
diante de
suspeita de
infecção
evoluindo
para sepse,
incluindo
observação
de sinais
clínicos e
intervenções
terapêuticas.
As principais ações de enfermagem
incluem observação
da frequência
cardíaca,
verificação da PVC, saturação venosa de oxigênio,
gasometria arterial,
monitorização de hipoperfusão,
hipoxemia e
oligúria, coleta de hemocultura e administração
imediata de
antibióticos
conforme protocolo
(sem esperar
culturas, ajustando
conforme
necessário). A
demora aumenta o
risco de óbito. O
enfermeiro deve
observar
manifestações
clínicas como
hipotensão,
hipoxemia e
oligúria. Conclui-se que a enfermagem
oferece suporte
terapêutico,
identificando
complicações e
utilizando
conhecimentos
científicos para
cuidados
individualizados,
provocando
mudanças na
prática assistencial.
JUNIOR, Antonio
Rodrigues
Ferreira,
BELARMINO,
Adriano da
Costa (2020)
Revista Baiana de Saúde PúblicaSistematização da assistência de enfermagem
a pacientes
adultos com
diagnóstico de sepse
Analisar
evidências na
literatura
científica
acerca da
assistência de
enfermagem
desenvolvida
para indivíduos adultos com
sepse,
considerando-
a como uma
síndrome
clínica
associada à
infecção com
repercussões
e disfunções
sistêmicas.
Revisão
integrativa da
literatura,
com amostra
de 24 artigos
primários
publicados
entre 2007 e
Os artigos foram
agrupados
em três
categorias
temáticas:
implantação
de protocolos
e instrumentos
padronizados
para
identificação
da sepse;
aplicação de
cuidados de
enfermagem
na sepse;
processos
educacionais
e pesquisas
para qualificação
da enfermagem.
Os principais
cuidados de
enfermagem
envolvem
identificação de
sinais clínicos de
sepse, administração de antimicrobianos, fluidos e
vasopressores,
monitoramento
eletrônico, coleta de
lactato e
gasometrias, curva
glicêmica,
sistematização da assistência de enfermagem e processos
educacionais.
Identificaram-se
ferramentas de
triagem,
instrumentos para disfunções
orgânicas e
pesquisas para
qualificação
assistencial. O
estudo conclui que pacientes adultos
com sepse exigem cuidados
específicos
baseados em
evidências
científicas,
protocolos e
ferramentas, além de métodos
educacionais para melhorar a atuação da enfermagem.
FERNANDES,
Andressa
Mônica Gomes
(2017-2018)
Revista
humano ser
ATUAÇÃO
DA
ENFERMAGEM NA DETECÇÃO
PRECOCE E
TRATAMENT
O DA SEPSE NA TERAPIA
INTENSIVA
Estimular a
reflexão
acerca da
assistência de
enfermagem
ao paciente
com sepse,
fundamentada nos quatro
princípios de
conservação
propostos pelo
modelo
conceitual de
Myra Levine,
promovendo
uma
compreensão
ampliada
sobre o
cuidado
integral e
adaptativo
frente a essa
condição clínica.
Trata-se de
um estudo
teórico-reflexivo, elaborado
a partir da
análise da
relação entre
os princípios
de conservação
de Levine
conservação
da energia,
integridade
estrutural,
integridade
pessoal e
integridade
social e a
prática de
enfermagem
direcionada
ao paciente
com sepse.
A aplicação dos
princípios de
conservação de
Myra Levine
mostrou-se
essencial na
assistência de
enfermagem ao
paciente com sepse. A
conservação da
energia exige
atenção aos sinais vitais e à oferta de oxigênio; a
integridade
estrutural depende
do reconhecimento
precoce das
disfunções
orgânicas; a
integridade pessoal
envolve preservar a
identidade e
dignidade do
paciente; e a
integridade social destaca a inclusão da família no
cuidado. Esses
princípios orientam
um cuidado integral e humanizado,
favorecendo o
equilíbrio físico e
emocional do
paciente séptico.

DISCUSSÃO 

A sepse é uma das principais causas de morte evitável no mundo. Nesse contexto, a enfermagem tem um papel essencial: a detecção precoce. Quando os profissionais de enfermagem conseguem identificar os primeiros sinais da doença, aumentam consideravelmente as chances de recuperação do paciente e ajudam a reduzir os custos e a sobrecarga no sistema de saúde. 

Esta discussão busca mostrar como a atuação proativa da enfermagem pode transformar o desfecho de casos de sepse, abordando sua definição e epidemiologia, a importância da identificação precoce, o papel do enfermeiro, as evidências científicas disponíveis e os desafios enfrentados no dia a dia.

1. Definição e Epidemiologia da Sepse 

A sepse é uma resposta inflamatória grave a uma infecção e pode evoluir rapidamente para falência de órgãos se não for reconhecida e tratada a tempo. Segundo os critérios da Sepsis-3, ela é caracterizada pela suspeita de infecção associada a uma pontuação alta no escore SOFA, que avalia o funcionamento de diferentes órgãos. 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima cerca de 11 milhões de mortes por ano em todo o mundo causadas por sepse. No Brasil, a taxa de mortalidade hospitalar varia entre 30% e 50%, de acordo com o Ministério da Saúde. Pesquisas mostram que a detecção tardia aumenta o risco de morte em até 7,6 vezes (Rivers et al., 2001), o que reforça a necessidade de uma abordagem rápida e eficiente. 

2. A importância da identificação precoce 

A sepse pode se agravar em poucas horas, por isso o diagnóstico precoce é fundamental. Quando identificada logo no início, o tratamento com antibióticos intravenosos, reposição de fluidos e suporte vasopressor pode reduzir a mortalidade em até 40% (The Lancet, 2018). 

Ferramentas simples como o qSOFA, que avalia respiração, nível de consciência e pressão arterial, ajudam nessa detecção rápida, assim como o protocolo “Sepse Bundle”, que recomenda intervenções em até uma hora após a suspeita. Em contrapartida, cada hora de atraso aumenta o risco de morte entre 4% e 8% (Kumar et al., 2006). Por isso, reconhecer os primeiros sinais é essencial para impedir que uma infecção simples se torne uma situação crítica. 

3. O papel da enfermagem

Os enfermeiros estão na linha de frente do cuidado e são, muitas vezes, os primeiros a perceber alterações no estado do paciente. Isso faz da enfermagem uma peça-chave na detecção precoce da sepse. Além de monitorar sinais vitais e sintomas, são responsáveis por comunicar rapidamente a equipe médica, aplicar protocolos de triagem e iniciar medidas de suporte, como oxigenação e administração de antibióticos. 

Estudos comprovam a eficácia dessa atuação. O uso de programas como o Early Warning Scores, coordenados por enfermeiros em unidades de emergência, já reduziu a mortalidade em até 30% (Critical Care Medicine, 2019). Considerando que os profissionais de enfermagem representam entre 50% e 70% da força de trabalho hospitalar, o investimento em capacitação e atualização é essencial para garantir a adesão aos protocolos e melhorar os resultados clínicos. 

4. Evidências e desafios 

Diversos estudos reforçam o impacto positivo da enfermagem no combate à sepse. O ProCESS Trial (2014) demonstrou que intervenções iniciadas precocemente, muitas vezes pela equipe de enfermagem, reduzem as taxas de mortalidade. No Brasil, a Rede Brasileira de Pesquisa em Sepse observou uma queda de até 15% nas mortes em hospitais que adotaram protocolos padronizados. 

Um dos exemplos mais conhecidos é o pacote “Sepsis Six”, que inclui medidas rápidas como avaliação, administração de oxigênio e antibióticos, infusão de fluidos, coleta de culturas e medição do lactato. Quando aplicado de forma adequada, pode reduzir a mortalidade entre 20% e 50% (Intensive Care Medicine, 2020). Além de salvar vidas, essas práticas também geram economia significativa para os sistemas de saúde, estimada em bilhões de dólares anualmente. 

Apesar dos avanços, ainda existem obstáculos. A falta de treinamento adequado, a sobrecarga de trabalho e a ausência de protocolos unificados fazem com que muitos casos passem despercebidos. Estudos apontam que até metade dos casos de sepse não são identificados a tempo (JAMA). Para mudar esse cenário, é preciso investir em educação continuada, uso de tecnologias que auxiliem na triagem e políticas públicas que valorizem e fortaleçam o papel da enfermagem. 

A detecção precoce da sepse é um dos fatores mais importantes para reduzir a mortalidade e garantir um tratamento eficaz. Nesse contexto, a enfermagem tem um papel fundamental, já que é a categoria que mais tempo passa junto ao paciente e que pode reconhecer rapidamente alterações sutis no quadro clínico. 

Ao adotar protocolos bem estruturados, investir em capacitação e fortalecer o protagonismo da enfermagem, é possível transformar o cuidado prestado, salvar vidas e reduzir o impacto da sepse nos serviços de saúde. A atuação da enfermagem, portanto, não é apenas essencial, é transformadora, e deve ser reconhecida como um dos pilares da luta contra essa condição tão grave e silenciosa. 

 CONCLUSÃO 

A sepse é uma condição grave, caracterizada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção, que pode levar à falência de órgãos e morte se não for identificada e tratada rapidamente. O estudo destaca a importância da detecção precoce e o papel essencial da enfermagem nesse processo. 

Por estar em contato direto e contínuo com os pacientes, o enfermeiro tem condições de perceber os primeiros sinais de sepse, como alterações na temperatura, frequência cardíaca, respiratória e contagem de glóbulos brancos, seguindo protocolos como o de SIRS. Além disso, sua atuação vai além dos cuidados técnicos, abrangendo a administração correta de medicamentos, o uso adequado de equipamentos e a observação constante do estado clínico. 

Apesar dos avanços em terapias e tecnologias, reconhecer precocemente a sepse continua sendo o ponto-chave para reduzir complicações e mortes.

Campanhas de conscientização, como as promovidas pelo Instituto Latino-Americano de Sepse, reforçam essa importância. 

Em resumo, a enfermagem exerce um papel decisivo na prevenção e no controle da sepse. Profissionais capacitados e com autonomia para agir rapidamente são fundamentais para garantir atendimento eficaz e humanizado, contribuindo de forma direta para a redução da mortalidade e a melhoria dos resultados no tratamento. 

REFERÊNCIAS 

1. Artigo SciELO SILVA, Andressa; BARBOSA, Fernanda; PEREIRA, Juliana; et al. Assistência de enfermagem ao paciente com sepse: análise à luz do modelo conceitual de Myra Levine. Escola Anna Nery, v. 26, e20210212, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/WRrpcQr3fZCKKZNypgt93xy/?lang=pt. Acesso em: 15 agosto. 2025. 

2. Artigo BVS (Revista Enfermagem UERJ) SANTOS, Maria; OLIVEIRA, João; CARVALHO, Luana; et al. Protocolos gerenciados por enfermeiros para identificação precoce da sepse. Revista Enfermagem UERJ, v. 31, e66263, 2023. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/6626 3/46475. Acesso em: 15 agosto 2025. 

3. ALMEIDA, Camila F.; ROCHA, Patrícia L. A atuação do enfermeiro na identificação precoce da sepse: revisão integrativa. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 97, n. 41, p. 1–9, 2023. Disponível em: https://revistaft.com.br/atuacao-do-enfermeiro-na-identificacao-precoce-da-se pse-em-pacientes/ . Acesso em: 25 ago. 2025. 

4. GOMES, Jéssica R.; MARTINS, Laura S. Reconhecimento precoce da sepse pela equipe de enfermagem: impacto na sobrevida do paciente. Revista Brasileira de Terapias Intensivas, v. 35, n. 2, p. 205–210, 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/384208989_Cuidados_intensivos_de _enfermagem_ao_paciente_com_sepse_uma_revisao_integrativa . Acesso em: 25 ago. 2025.

5. BRASIL. Dia Mundial da Sepse: Brasil tem alta taxa de mortalidade por sepse entre os países em desenvolvimento. Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), 13 set. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-sudeste/hu-ufjf/ comunicacao/noticias/2023/dia-mundial-da-sepse-brasil-tem-alta-taxa-de-mort alidade-por-sepse-dentre-os-paises-em-desenvolvimento . Acesso em: 27 ago. 2025. 

6. UNAERP. A importância do enfermeiro na identificação precoce da sepse. Disponível em: https://www.unaerp.br/documentos/3300-a-importancia-do-enfermeiro-na-iden tificacao-precoce-da-sepse/file. Acesso em: 09 set. 2025 

7. SILVA, Letícia Pinheiro. A importância do enfermeiro na identificação precoce da sepse. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Enfermagem) — Fundação Educacional de Ituverava-FAFRAM, Ituverava, 2024. Disponível em:  https://repositorio.feituverava.com.br/handle/hdl-c0002-s01/4904 . Acesso em: 09 set. 2025.. 

8. BVS – Biblioteca Virtual em Saúde. 13/9 – Dia Mundial da Sepse. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/13-9-dia-mundial-da-sepse-4/. Acesso em: 23 set. 2025. 

9. ILAS – Instituto Latino-Americano de Sepse. Sobre o Dia Mundial da Sepse. São Paulo: ILAS, 2023. Disponível em: https://ilas.org.br/sobre-o-dia-mundial-da-sepse/. Acesso em: 23 set. 2025. 

10.CRUZ, Tatiane Raquel Santana da et al. Cuidados de enfermagem ao paciente em sepse: uma revisão integrativa. RevistaFT, v. 29, ed. 143, fev. — mar. 2025. DOI: 10.69849/revistaft/dt10202502250830. Disponível em: https://revistaft.com.br/cuidados-de-enfermagem-ao-paciente-em-sepse-uma-r evisao-integrativa . Acesso em: 24 out. 2025 

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