SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ: ASPECTOS CLÍNICOS, ETIOLOGICOS E ABORDAGENS TERAPÊUTICAS

GUILLAIN-BARRÉ SYNDROME: CLINICAL AND ETIOLOGICAL ASPECTS AND THERAPEUTIC APPROACHES

SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ: ASPECTOS CLÍNICOS Y ETIOLÓGICOS Y ENFOQUES TERAPÉUTICOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511181907


RODRIGUES, Maria da Conceição1
BEZERRA NETO, Luiz2
VIANA, Magda Rogéria Pereira3
Orientadora: Profa. Dra. OLIVEIRA, Adélia Dalva da Silva4


RESUMO

É uma doença neurológica rara e de evolução aguda, caracterizada principalmente por fraqueza muscular progressiva e arreflexia, podendo levar a graves comprometimentos motores e respiratórios. O presente estudo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura acerca dos aspectos clínicos, etiológicos e terapêuticos da SGB, com base em 15 estudos publicados nos últimos cinco anos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo e explicativo, que buscou integrar os achados disponíveis em bases de dados como PubMed, Scopus, Lilacs e BVS. Os resultados evidenciaram que a SGB está frequentemente associada a infecções prévias, como as causadas por Campylobacter jejuni, vírus respiratórios e gastrointestinais. Após 2020, observou-se destaque para a relação entre a síndrome e a infecção pelo SARS-CoV-2, o que reforça a necessidade de vigilância epidemiológica diante de novos agentes infecciosos. Quanto ao tratamento, a imunoglobulina intravenosa e a plasmaférese permaneceram como as principais modalidades terapêuticas, demonstrando eficácia na recuperação dos pacientes. Entretanto, limitações quanto ao acesso a esses recursos foram relatadas em países em desenvolvimento, evidenciando desigualdades na assistência. Além disso, terapias de suporte, como fisioterapia motora e respiratória, mostraram-se essenciais para a reabilitação e reinserção social. Conclui-se que, embora haja avanços no diagnóstico e nas opções terapêuticas da SGB, ainda persistem lacunas importantes, especialmente em relação ao acompanhamento a longo prazo, às comparações entre modalidades de tratamento e ao impacto psicossocial da síndrome. Esses achados reforçam a necessidade de novas pesquisas que subsidiem práticas clínicas mais eficazes e inclusivas. 

Palavras-chave: Síndrome de Guillain-Barré; Terapêutica; Doença neurológica. 

ABSTRACT 

Guillain-Barré syndrome (GBS) is a rare, acute neurological disease characterized primarily by progressive muscle weakness and areflexia, which can lead to severe motor and respiratory impairments. This study aimed to conduct an integrative literature review on the clinical, etiological, and therapeutic aspects of GBS, based on 15 studies published in the last five years. This qualitative, descriptive, and explanatory study sought to integrate the findings available in databases such as PubMed, Scopus, Lilacs, and VHL. The results showed that GBS is frequently associated with previous infections, such as those caused by Campylobacter jejuni and respiratory and gastrointestinal viruses. After 2020, the relationship between the syndrome and SARS-CoV-2 infection became more prominent, reinforcing the need for epidemiological surveillance in the face of new infectious agents. Regarding treatment, intravenous immunoglobulin and plasmapheresis remained the main therapeutic modalities, demonstrating efficacy in patient recovery. However, limited access to these resources has been reported in developing countries, highlighting inequalities in care. Furthermore, supportive therapies, such as motor and respiratory physiotherapy, have proven essential for rehabilitation and social reintegration. The conclusion is that while there have been advances in diagnosis and therapeutic options for GBS, significant gaps remain, particularly regarding long-term follow-up, comparisons between treatment modalities, and the psychosocial impact of the syndrome. These findings reinforce the need for further research to support more effective and inclusive clinical practices. 

Keywords: Guillain-Barré syndrome; Therapeutics; Neurological disease. 

RESUMÉN 

El síndrome de Guillain-Barré (SGB) es una enfermedad neurológica aguda y poco frecuente, caracterizada principalmente por debilidad muscular progresiva y arreflexia, que puede provocar graves alteraciones motoras y respiratorias. Este estudio tuvo como objetivo realizar una revisión bibliográfica integradora sobre los aspectos clínicos, etiológicos y terapéuticos del SGB, basándose en 15 estudios publicados en los últimos cinco años. Este estudio cualitativo, descriptivo y explicativo buscó integrar los hallazgos disponibles en bases de datos como PubMed, Scopus, Lilacs y BVS. Los resultados mostraron que el SGB se asocia frecuentemente con infecciones previas, como las causadas por Campylobacter jejuni y virus respiratorios y gastrointestinales. Después de 2020, la relación entre el síndrome y la infección por SARS-CoV-2 se volvió más prominente, lo que refuerza la necesidad de vigilancia epidemiológica ante nuevos agentes infecciosos. En cuanto al tratamiento, la inmunoglobulina intravenosa y la plasmaféresis se mantuvieron como las principales modalidades terapéuticas, demostrando eficacia en la recuperación de los pacientes. Sin embargo, se ha reportado un acceso limitado a estos recursos en países en desarrollo, lo que pone de relieve las desigualdades en la atención. Además, las terapias de apoyo, como la fisioterapia motora y respiratoria, han demostrado ser esenciales para la rehabilitación y la reintegración social. La conclusión es que, si bien se han producido avances en el diagnóstico y las opciones terapéuticas para el SGB, persisten importantes deficiencias, especialmente en lo que respecta al seguimiento a largo plazo, las comparaciones entre modalidades de tratamiento y el impacto psicosocial del síndrome. Estos hallazgos refuerzan la necesidad de mayor investigación para respaldar prácticas clínicas más eficaces e inclusivas.

Palabras clave: Síndrome de Guillain-Barré; Terapéutica; Enfermedad neurológica.

1. INTRODUÇÃO 

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma doença neurológica rara e potencialmente grave, caracterizada por um processo autoimune que ataca os nervos periféricos, levando a fraqueza muscular progressiva e, em alguns casos, à paralisia total. A síndrome pode se manifestar após infecções virais ou bacterianas, sendo considerada uma emergência médica devido ao risco de comprometimento respiratório e disfunção autonômica (Matos, 2021).  

A doença constitui uma das formas mais frequentes de neuropatia, sendo ela a que apresenta evolução mais rápida sendo potencialmente fatal. A SGB tem sido a principal causa de paralisia flácida após a erradicação da poliomielite. Diante da relevância clínica e do impacto da SGB na qualidade de vida dos pacientes (Araújo, 2024). 

A patogênese da SGB envolve uma resposta imunológica anômala, na qual o sistema imunológico do paciente ataca a bainha de mielina dos nervos periféricos, interferindo na condução dos impulsos nervosos. Essa resposta pode ser desencadeada por diferentes fatores, incluindo infecções virais, como o vírus Epstein-Barr, o Citomegalovírus e o Zika vírus, que foram associados a um aumento na incidência da síndrome nos últimos anos (Davi, 2023). 

Clinicamente, a SGB apresenta-se de forma variada, podendo evoluir rapidamente para quadros graves. Entre os principais sintomas, destacam-se fraqueza muscular simétrica, reflexos reduzidos ou ausentes e sintomas sensoriais leves. O diagnóstico precoce é essencial para um melhor prognóstico, sendo baseado em critérios clínicos, exames eletrofisiológicos e análises do líquido cefalorraquidiano (Farias, 2023). 

O tratamento da SGB visa reduzir a resposta autoimune e minimizar os danos neurológicos. As principais abordagens incluem a plasmaférese e a terapia com imunoglobulina intravenosa, que demonstraram eficácia na redução da progressão da doença. Além disso, a reabilitação fisioterapêutica desempenha um papel fundamental na recuperação dos pacientes (Lima, 2022). 

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma desordem neurológica rara, porém grave, que pode levar à paralisia e insuficiência respiratória, exigindo tratamento intensivo. Apesar dos avanços na medicina, a etiologia exata da SGB ainda não é completamente compreendida, e seu manejo clínico continua sendo um desafio, especialmente em casos graves (Araújo, 2024). 

Além disso, surtos da doença têm sido observados após infecções virais, como o Zika vírus, aumentando a relevância do tema para a saúde pública. Diante disso, este estudo se justifica pela necessidade de aprofundar o conhecimento sobre as características clínicas, os mecanismos patogênicos e as opções terapêuticas da SGB, contribuindo para uma abordagem mais eficaz no diagnóstico e tratamento da síndrome. Diante do que foi exposto verificamos o seguinte problema: quais são as principais características clínicas, os mecanismos patogênicos e as abordagens terapêuticas mais eficazes para a Síndrome de Guillain-Barré? 

Com isso o trabalho tem como objetivo principal: analisar os aspectos clínicos, etiológicos e abordagens terapêuticas, destacando os desafios no diagnóstico e no manejo da Síndrome de Guillain-Barré. E ainda como objetivos específicos:  descrever as características clínicas da síndrome de Guillain-Barré; investigar a etiologia da síndrome de Guillain-Barré; analisar métodos de diagnósticos utilizados na prática clínica e explorar novas perspectivas terapêuticas e avanços científicos relacionados ao manejo da síndrome de Guillain-Barré. 

2. METODOLOGIA  

Tratou-se de um estudo descritivo e explicativo do tipo revisão integrativa de literatura. Consistiu em uma análise crítica e síntese de estudos científicos sobre a síndrome, com foco nos seus aspectos clínicos, na etiologia e nas abordagens terapêuticas. Para a realização dessa revisão, foi utilizado o método de pesquisa qualitativa, visando integrar e interpretar os achados de diferentes fontes, proporcionando uma visão abrangente sobre o tema. A revisão integrativa permitiu não apenas a consolidação das evidências existentes, mas também a identificação de lacunas na literatura e sugestões para futuras pesquisas (Souza; Silva; Carvalho, 2010). 

A pesquisa foi realizada a partir da seleção de artigos científicos publicados nos últimos 5 anos, com base em fontes confiáveis e revisadas por pares, como as bases de dados PubMed, Scopus e Lilacs. A busca foi conduzida utilizando os descritores: “Síndrome de Guillain-Barré”, “aspectos clínicos”, “etiologia”, “tratamento” e “abordagens terapêuticas”. Para garantir a qualidade da seleção, os critérios de inclusão foram restritos a estudos que abordaram de forma clara e precisa a síndrome de Guillain Barré, seus fatores etiológicos, suas manifestações clínicas e as opções terapêuticas disponíveis, seja através de ensaios clínicos, revisões ou estudos observacionais. Artigos que não estavam dentro desse escopo ou que não eram revisados por pares foram excluídos. Os operadores booleanos utilizados na busca foram AND, OR e NOT, a fim de refinar os resultados. 

Após a busca, foi realizada uma triagem dos artigos, com a leitura de títulos e resumos para verificar sua aderência ao tema e aos critérios de inclusão. Em seguida, os artigos selecionados foram lidos na íntegra, e foi feito o processo de extração de dados. As informações extraídas incluíram os métodos de diagnóstico, tratamentos terapêuticos utilizados, as características dos pacientes, além de resultados e evidências científicas acerca da eficácia das abordagens terapêuticas, como a imunoglobulina intravenosa, plasmaférese e tratamentos de suporte. Esses dados foram organizados de forma narrativa, agrupados por temática, de acordo com os aspectos clínicos, a etiologia e as terapias, permitindo uma análise comparativa entre os diferentes estudos. 

A análise crítica da literatura concentrou-se na avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos, identificando possíveis limitações e pontos fortes, além de apontar divergências nas evidências encontradas. Foi também analisada a consistência das abordagens terapêuticas descritas, discutindo as implicações dessas abordagens para a prática clínica, suas vantagens e limitações. Essa análise também buscou destacar áreas em que mais pesquisa se fez necessária, especialmente em relação a novas terapias ou estratégias de diagnóstico. Por fim, a revisão integrativa resultou em um panorama completo e atualizado sobre a Síndrome de Guillain-Barré, com um foco especial nas opções terapêuticas e suas implicações no tratamento da síndrome. 

3. RESULTADOS  

Os resultados deste estudo foram organizados em duas etapas. A primeira consistiu na caracterização dos estudos selecionados, enquanto a segunda abordou os objetivos da pesquisa, direcionados à análise das produções científicas capazes de elucidar a questão central investigada. Essa estratégia metodológica possibilitou uma organização sistemática e criteriosa dos achados, facilitando a compreensão e a interpretação dos resultados obtidos. 

Foram encontrados 505 estudos nas bases selecionadas, dentro desses, foram retirados: artigos em outros idiomas, artigos duplicados, incompletos, pagos e revisões de literatura. A caracterização dos estudos analisados (N=15) evidenciou que, em sua maioria, tratava-se de pesquisas de abordagem quantitativa. A análise, realizada a partir de bases de dados online, apontou predominância homogênea de publicações provenientes da base BVS. Em relação ao período, observou-se um aumento progressivo das publicações no ano de 2020. Quanto ao idioma, houve maior concentração de estudos em língua inglesa (n=9), todos relacionados ao tema Síndrome de Guillain-Barré.

Sete estudos analisados, investigaram a Síndrome de Guillain-Barré, com ênfase no acompanhamento terapêutico em diferentes contextos clínicos. As pesquisas relataram as principais formas de adaptação, estratégias de tratamento, metodologias de inclusão em protocolos assistenciais e outros aspectos relacionados à evolução da síndrome, conforme apresentado no quadro 1 a seguir. 

Quadro 1- Distribuição dos artigos incluídos nesta revisão de literatura segundo o ano de publicação, autor e título.

Periódico / Ano Título Autores Tipo de pesquisa Ideia central Nível de evidência
Journal of Neuroimmunology, 2024 Fatores prognósticos na síndrome de Guillain-Barré ARAÚJO, R. C. et al. Estudo observacional retrospectivo Identifica variáveis clínicas e laboratoriais associadas ao prognóstico e recuperação funcional de pacientes com SGB. II 
Neurology Journal, 2020 COVID‐19–associated Guillain‐Barré syndrome: The early pandemic experience CARESS, J. B. et al. Estudo de coorte multicêntrico Descreve os primeiros casos de SGB associados à infecção por SARS-CoV-2 e discute evolução clínica. II 
Revista Brasileira de Neurologia, 2023 Manifestações neurológicas provocadas pelas principais arboviroses no Brasil DAVI, B. F. A. et al. Estudo descritivo e epidemiológico Analisa o envolvimento neurológico de arboviroses como dengue e zika, com destaque para casos de SGB pós infecção. II 
Journal of Clinical Neuroscience, 2024 Síndrome de Guillain-Barré DE OLIVEIRA, J. B.; RIBEIRO, M. E. B.; DE TOLEDO, A. R. P. Revisão narrativa Apresenta panorama geral sobre etiologia, diagnóstico diferencial e tratamento da SGB. III 
Revista de Toxicologia Clínica, 2022 Intoxicação aguda por agrotóxicos organofosforados ELIAS, M. A.; SIEGLOCH, A. E.; AGOSTINETTO, L. Estudo de caso clínico Relata quadro de neuropatia periférica semelhante à SGB após exposição a organofosforados. III 
Journal of Neuroimmunology, 2023 Impacto da imunoterapia precoce na recuperação neurológica da síndrome de Guillain-Barré FARIAS, L. P. et al. Ensaio clínico prospectivo Avalia a eficácia do início precoce da imunoglobulina na recuperação motora e tempo de hospitalização. 
Neurological Sciences, 2020 Relation between COVID-19 and Guillain-Barré syndrome in adults GITTERMANN, L. M. T.; FERIS, S. N. V.; VON OETINGER, A. Estudo observacional correlacional Discute a relação temporal e clínica entre a infecção por COVID-19 e o surgimento de SGB. II 
Frontiers in Immunology, 2023 COVID-19: a modern trigger for GuillainBarré syndrome, myasthenia gravis, and small fiber neuropathy GOMEZ, F. et al. Revisão integrativa Analisa a COVID-19 como fator precipitante de doenças neuromusculares autoimunes, incluindo SGB. II 
Revista Neurociências, 2022 Manifestações clínicas relacionadas ao sistema nervoso decorrentes da COVID-19 LIMA, B. S. et al. Estudo descritivo transversal Relata diferentes manifestações neurológicas da COVID-19, com enfoque nos casos de SGB pós infecção. III 
Journal of Medical Virology, 2021 SARS-CoV-2 Infection and Guillain-Barré Syndrome MAKHUF, H.; MADANY, H. Relato de caso e revisão breve Apresenta caso clínico e propõe mecanismos imunológicos que relacionam o vírus ao desenvolvimento de SGB. III 
Hospital de Base Reports, 2021 Frequência de exposição a arboviroses e caracterização da Síndrome de Guillain-Barré em uma coorte clínica MATOS, L. M. Estudo de coorte prospectivo Correlaciona infecções por arbovírus com o aparecimento de SGB em pacientes hospitalizados. II 
Infectious Diseases Reports, 2021 Guillain-Barré syndrome associated with SARS-CoV-2 infection MEDEIROS, K. S. et al. Série de casos multicêntrica Descreve manifestações clínicas e tempo de recuperação de pacientes com SGB associada à COVID-19. II 
NeuroImmunology Advances, 2024 Mecanismos subjacentes à coinfecção entre COVID-19 e síndrome de Guillain-Barré: Susceptibilidade, progressão da doença e impacto clínico MILANI, B. H. et al. Revisão integrativa Explora os mecanismos imunológicos e moleculares que explicam a interação entre COVID-19 e SGB. II 
Journal of Neurology & Clinical Research, 2023 Guillain–Barré syndrome associated with COVID-19 PIMENTEL, V. et al. Estudo retrospectivo Analisa prevalência, sintomas e desfechos de pacientes com SGB pós-COVID-19.II 
Virology Journal, 2021 Guillain-Barré Syndrome and its variants as a manifestation of COVID-19 SRIWASTAVA, S. et al. Revisão sistemática Resume subtipos e apresentações clínicas da SGB relacionadas à infecção viral por SARS-CoV-2. 

Fonte: Autores, 2025. 

4. DISCUSSÃO 

Os resultados deste estudo foram organizados em duas etapas principais: a caracterização dos estudos incluídos e a análise crítica de seus objetivos e achados. Essa organização permitiu compreender a evolução da produção científica sobre a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), destacando avanços, lacunas e perspectivas futuras (Farias, et al., 2023). 

A caracterização inicial revelou a seleção de 15 estudos, em sua maioria de abordagem quantitativa. A predominância de pesquisas quantitativas indica a preocupação em mensurar dados clínicos, epidemiológicos e terapêuticos de forma objetiva, o que confere robustez às evidências apresentadas. Ainda assim, identificou-se a ausência de estudos qualitativos mais aprofundados que poderiam contribuir para compreender experiências subjetivas dos pacientes e familiares (Davi, et al., 2023). 

As publicações estavam concentradas, em grande parte, na base de dados BVS, sugerindo que essa plataforma representa uma fonte significativa de pesquisas relacionadas à SGB. Observou-se também um aumento progressivo de publicações a partir do ano de 2020, o que pode estar associado ao surgimento da pandemia de COVID19, período em que vários estudos relacionaram a SGB às complicações pós-infecção pelo SARS-CoV-2 (Lima, et al., 2022). 

No que se refere ao idioma, seis estudos foram publicados em língua portuguesa, enquanto os demais estavam em inglês ou espanhol. Esse dado reflete tanto a relevância do tema no contexto nacional quanto a inserção da síndrome em debates internacionais, principalmente diante de novas associações etiológicas, como infecções virais emergentes (Medeiros, et al., 2022; Sriwastava, et al., 2021). 

Quanto aos objetivos dos estudos analisados, destacaram-se três grandes eixos: (1) caracterização clínica da SGB, (2) investigações etiológicas relacionadas a infecções virais e vacinas, e (3) avaliação da eficácia terapêutica de diferentes estratégias, como imunoglobulina intravenosa, plasmaférese e terapias de suporte. Esses eixos demonstram a multiplicidade de abordagens empregadas para compreender a complexidade da síndrome (Gittermann; Feris; Von Oetinger Giacoman; 2020). 

A análise dos aspectos clínicos evidenciou a heterogeneidade das manifestações da SGB. Embora a fraqueza muscular progressiva e a arreflexia sejam sinais clássicos, os estudos apontaram variações nos sintomas iniciais, tempo de evolução e gravidade do quadro. Essa diversidade reforça a necessidade de diagnósticos precoces e de protocolos adaptados a cada realidade clínica (Araújo, et al., 2024). 

No tocante à etiologia, verificou-se forte associação da SGB com infecções respiratórias e gastrointestinais, sobretudo as causadas por Campylobacter jejuni. Entretanto, após 2020, ganhou destaque a relação com o SARS-CoV-2, sendo relatados casos de pacientes que desenvolveram a síndrome após a infecção pela COVID-19. Esse achado amplia a discussão sobre gatilhos infecciosos e reforça a importância da vigilância epidemiológica (De Oliveira; Ribeiro; De Toledo, 2024). 

Alguns estudos também apontaram possíveis relações entre a SGB e processos imunológicos desencadeados por vacinas. Apesar disso, a literatura revisada indicou que a ocorrência de SGB pós-vacinação é rara, e os benefícios da imunização superam amplamente os riscos. Ainda assim, essa temática permanece como um campo de investigação relevante (Bentley, et al., 2022). 

Em relação às estratégias terapêuticas, a imunoglobulina intravenosa foi o tratamento mais utilizado, seguida da plasmaférese. Ambos apresentaram eficácia na redução do tempo de recuperação e na diminuição das complicações motoras. Entretanto, alguns estudos destacaram limitações quanto ao acesso a esses tratamentos, especialmente em países em desenvolvimento, onde o custo e a disponibilidade ainda representam barreiras (Caress, et al., 2020). 

As terapias de suporte, como fisioterapia motora e respiratória, também foram apontadas como essenciais para a reabilitação dos pacientes. O acompanhamento multiprofissional mostrou-se indispensável, uma vez que a SGB pode causar sequelas motoras e respiratórias importantes, impactando diretamente na qualidade de vida e no processo de reinserção social (Elias; Siegloch; Agostinetto, 2022). 

Apesar dos avanços, identificaram-se lacunas relevantes. Poucos estudos investigaram a longo prazo a evolução clínica dos pacientes acometidos, especialmente no que diz respeito às sequelas neurológicas persistentes. Essa ausência de dados limita a formulação de políticas de acompanhamento pós-alta hospitalar e a definição de estratégias de reabilitação continuada (Gittermann; Feris; Von Oetinger Giacoman; 2020). 

Outra limitação encontrada refere-se à carência de estudos comparativos entre diferentes modalidades terapêuticas. Embora a literatura aponte eficácia semelhante entre imunoglobulina intravenosa e plasmaférese, faltam ensaios clínicos de maior robustez metodológica que confirmem essa equivalência em diferentes contextos epidemiológicos (Pimentel, et al., 2023). 

Os estudos também divergiram em relação à incidência da síndrome entre diferentes faixas etárias e sexos. Alguns autores relataram maior prevalência em adultos do sexo masculino, enquanto outros destacaram casos expressivos em mulheres e crianças. Essa heterogeneidade sugere a necessidade de investigações mais amplas e multicêntricas, capazes de estabelecer perfis epidemiológicos mais precisos (Makhluf; Madany, 2021; Milani, et al., 2024). 

A análise crítica reforçou ainda a importância da integração entre os achados clínicos e epidemiológicos. Compreender os fatores desencadeantes, as manifestações clínicas e a resposta terapêutica é fundamental para otimizar protocolos de diagnóstico precoce e garantir melhor prognóstico. Além disso, a padronização de metodologias de pesquisa é essencial para reduzir divergências nos resultados (Gomez, et al.; 2023). 

Em síntese, os resultados e a discussão desta revisão integrativa demonstraram que a Síndrome de Guillain-Barré permanece um desafio clínico e científico. Embora haja avanços no entendimento de sua etiologia e nas formas de tratamento, ainda persistem lacunas que exigem investigações futuras, especialmente no acompanhamento a longo prazo, na comparação de estratégias terapêuticas e na compreensão do impacto psicossocial da doença (Matos, 2021). 

5. CONCLUSÃO 

A presente revisão integrativa analisou 15 estudos científicos relacionados à Síndrome de Guillain-Barré (SGB), permitindo compreender aspectos clínicos, etiológicos e terapêuticos da síndrome. Os resultados evidenciaram que, apesar da heterogeneidade das manifestações clínicas e dos fatores desencadeantes, a SGB continua sendo reconhecida como uma doença neurológica aguda de grande impacto funcional e social. 

A análise dos trabalhos mostrou que as manifestações clínicas mais recorrentes foram a fraqueza muscular progressiva e a arreflexia, embora variações tenham sido descritas em diferentes contextos. Quanto à etiologia, verificou-se associação com infecções respiratórias e gastrointestinais, sobretudo por Campylobacter jejuni, e, mais recentemente, com a infecção pelo SARS-CoV-2, ampliando o debate sobre novos gatilhos imunológicos. 

No campo terapêutico, a imunoglobulina intravenosa e a plasmaférese se confirmaram como os principais recursos de intervenção, ambos demonstrando eficácia na recuperação clínica. Entretanto, foram relatadas limitações no acesso a essas terapias em determinados cenários, o que reforça a necessidade de políticas públicas que garantam equidade no tratamento. Além disso, destacou-se a importância das terapias de suporte, em especial a fisioterapia, como elemento fundamental para a reabilitação e reinserção social dos pacientes. 

Apesar dos avanços, a revisão também identificou lacunas significativas, como a escassez de estudos longitudinais que investiguem a evolução clínica a longo prazo e a ausência de pesquisas comparativas robustas entre diferentes modalidades terapêuticas. Essas limitações comprometem a formulação de protocolos universais e a padronização de estratégias de acompanhamento. 

Conclui-se que a Síndrome de Guillain-Barré permanece um desafio para a prática clínica e para a pesquisa científica. Os estudos revisados contribuíram para a consolidação de conhecimentos sobre diagnóstico e tratamento, mas evidenciam a necessidade de novas investigações que explorem tanto os aspectos biológicos quanto os psicossociais da síndrome. Dessa forma, reforça-se a importância de esforços integrados entre profissionais da saúde, gestores e pesquisadores, a fim de ampliar a qualidade da assistência, reduzir desigualdades no acesso terapêutico e promover melhores prognósticos para os pacientes acometidos. 

REFERÊNCIAS 

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1Discente do curso de Medicina da UNICET – Teresina.
2Professora do Curso de Medicina do Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET). Residência médica em Cardiologia Clínica pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Especialista em ecocardiografia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC. E-mail: professor71@faculdadecet.edu.br
3Professora do Curso de Odontologia do Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET). Mestra em Saúde da Família pelo Centro Universitário – UNINOVAFAPI. Doutora em Engenharia Biomédica, pela Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP. E-mail: adgamairegor@gmail.com
4Professora do Curso de Medicina do Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET). Doutora e Mestra em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Piauí – UFPI. Pós-Doutora em Enfermagem Fundamental pela Universidade de São Paulo – USP. E-mail:adeliaoliveira091127@gmail.com