SÍNDROME DA ARTÉRIA MESENTÉRICA SUPERIOR NA VIGÊNCIA DE PANCREATITE AGUDA: UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA CIENTÍFICA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511291237


Luísa de Lamare dos Santos Paula
Bruno Henrique Ribeiro Valério


RESUMO

A Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (SAMS), também conhecida como Síndrome de Wilkie, representa uma etiologia vascular e mecânica extremamente rara de obstrução duodenal proximal que, quando associada à Pancreatite Aguda (PA), pode levar a complicações significativas se o diagnóstico for tardio.1 Esta revisão narrativa tem como objetivo sintetizar os achados clínicos, radiológicos e as estratégias de manejo desta rara coocorrência, com base na literatura científica indexada no período de 2015 a 2025. A SAMS é definida pela compressão extrínseca da terceira porção do duodeno (D3) entre a Aorta Abdominal e a Artéria Mesentérica Superior (AMS), geralmente precipitada pela perda significativa do coxim de gordura retroperitoneal.3 A associação com a PA é atribuída ao mecanismo de síndrome oclusiva pós-papilar secundária, que resulta no refluxo retrógrado de bile para o ducto pancreático, ativando as enzimas inflamatórias.3 O diagnóstico é altamente dependente da Tomografia Computadorizada (TC), que revela uma redução crítica do Ângulo Aortomesentérico (AMA, tipicamente abaixo de 22°) e da Distância Aortomesentérica (AMD, tipicamente abaixo de 8 mm).1 O manejo inicial é primariamente conservador, focando na descompressão nasogástrica, suporte nutricional agressivo, e ganho de peso, com altas taxas de sucesso.4 A intervenção cirúrgica, notavelmente a duodenojejunostomia laparoscópica, é reservada para casos refratários ao tratamento clínico.2

Palavras-chave

Síndrome da Artéria Mesentérica Superior; Pancreatite Aguda; Síndrome de Wilkie; Compressão Duodenal; Aortomesentérica; Refluxo Biliar.1

1. INTRODUÇÃO

1.1. Contextualização da Pancreatite Aguda e a Busca por Etiologias Não Convencionais

A Pancreatite Aguda (PA) constitui uma das principais causas de hospitalização por doença gastrointestinal em todo o mundo, apresentando uma prevalência crescente ao longo dos anos.8 As etiologias mais comuns globalmente são a doença biliar (litíase) e o consumo de álcool.8 No entanto, uma parcela significativa dos casos (aproximadamente 10% a 30%) permanece classificada como “idiopática” após uma investigação inicial.10 A persistência de uma etiologia desconhecida (pancreatite idiopática) não é apenas um desafio diagnóstico, mas tem sido associada a desfechos clínicos potencialmente piores e maior risco de falência orgânica persistente e mortalidade quando comparada a etiologias mais definidas.10

Dada a gravidade potencial da PA e o prognóstico reservado dos casos idiopáticos, torna-se imperativo que a investigação etiológica se estenda a causas raras e estruturais, que, se identificadas, podem ser corrigidas de maneira definitiva.11 É neste contexto que as síndromes de compressão vascular, como a Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (SAMS), ganham relevância como diagnósticos diferenciais cruciais. Uma quantidade significativa de estudos recentes, majoritariamente a nível de relatos de caso, tem observado a associação desta síndrome à pancreatite aguda, indicando um potencial subdiagnóstico da SAMS como causa ou agravante da PA, o que retardaria terapias mais direcionadas e efetivas. 

1.2. Etiopatogenia da Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (SAMS)

A SAMS, também referida como Síndrome de Wilkie ou síndrome de compressão duodenal aortomesentérica, é uma desordem de compressão vascular adquirida e rara.1 Ela é caracterizada pela compressão extrínseca da terceira porção do duodeno (D3) no estreito ângulo formado pela origem da Artéria Mesentérica Superior (AMS) e a Aorta Abdominal (AA).1 A D3, que cruza o plano mediano, é tipicamente amortecida e protegida por um coxim de gordura retroperitoneal e tecido linfoide.

O mecanismo etiológico primário da SAMS envolve a redução ou perda abrupta deste tecido adiposo, o que leva à diminuição crítica tanto do ângulo (AMA) quanto da distância (AMD) entre a AMS e a AA.3 Os fatores de risco chave consistentemente associados à SAMS incluem a perda de peso significativa (caquexia, frequentemente observada em pacientes com índice de massa corporal (IMC) baixo, como 18 kg/m² ou 15.6 kg/m²), cirurgia corretiva da coluna vertebral, e anormalidades anatômicas congênitas ou adquiridas.11

1.3. A Associação SAMS-PA e os Objetivos da Revisão

A coocorrência de SAMS e PA é reportada como um evento extremamente incomum na literatura médica.15 Devido à sua raridade, o diagnóstico é frequentemente postergado, o que pode resultar em morbidade e mortalidade elevadas.2 O reconhecimento desta entidade exige um alto índice de suspeição clínica, especialmente em pacientes com caquexia que apresentam sintomas de obstrução gastrointestinal alta (vômitos e distensão gástrica) juntamente com um quadro de PA de etiologia obscura.11

O objetivo desta revisão narrativa é sintetizar os raros casos e estudos publicados no período de 2015 a 2025 em bases de dados científicas primárias (PubMed e SciELO) sobre a associação entre SAMS e PA. Pretende-se padronizar o entendimento da fisiopatologia proposta para esta ligação, revisar os critérios diagnósticos por imagem e estabelecer um consenso sobre as estratégias de manejo terapêutico mais eficazes para esta complexa condição.

2. METODOLOGIA

2.1. Desenho do Estudo e Período de Análise

Este estudo configura-se como uma revisão narrativa da literatura científica. A metodologia foi desenhada para buscar e analisar artigos originais (relatos e séries de casos) e revisões críticas que abordam a Síndrome da Artéria Mesentérica Superior como causa ou comorbidade associada à Pancreatite Aguda. O período de tempo estabelecido para a busca foi de janeiro de 2015 a dezembro de 2025, visando uma análise das evidências mais recentes.

2.2. Estratégia de Busca e Fontes de Dados

A seleção de fontes foi restrita a bases de dados bibliográficas que garantem o rigor científico e o processo de revisão por pares: PubMed (incluindo o arquivo PMC, National Library of Medicine) e SciELO (Scientific Electronic Library Online).2

A estratégia de busca utilizou uma combinação de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e termos livres, abrangendo os idiomas Português, Inglês e Espanhol, a fim de maximizar a captação de relatos internacionais, conforme as especificações da consulta.6 Os termos-chave utilizados na busca foram: (“Superior Mesenteric Artery Syndrome” OR “Wilkie Syndrome”) AND (“Acute Pancreatitis” OR “Pancreatitis”).1

2.3. Critérios de Elegibilidade e Protocolo de Extração de Dados

Critérios de Inclusão:

  1. Artigos científicos originais (relatos de caso, séries de caso) ou revisões publicadas entre 2015 e 2025.
  2. Artigos indexados no PubMed ou SciELO.
  3. Artigos disponíveis em Português, Inglês ou Espanhol.
  4. Conteúdo que descreva a SAMS como etiologia ou comorbidade diretamente relacionada à Pancreatite Aguda.3

Critérios de Exclusão:

  1. Artigos que mencionam PA e SAMS como diagnósticos diferenciais sem causalidade ou coocorrência estabelecida.
  2. Literatura cinzenta, resumos de congressos sem texto completo indexado ou artigos não revisados por pares.
  3. Estudos fora do período estipulado (2015-2025).

O protocolo de extração de dados focou na coleta de variáveis cruciais para a compreensão da patologia e manejo. Foram extraídos: variáveis demográficas (idade, sexo), estado nutricional (IMC ou caquexia), sintomas predominantes (obstrução vs. inflamação), confirmação laboratorial da PA (níveis de amilase e lipase), métodos de exclusão etiológica (litíase, álcool, metabólica), achados quantitativos de TC (AMA e AMD) e o desfecho terapêutico (conservador vs. cirúrgico).11

A estratégia de busca e os critérios de elegibilidade estão resumidos na Tabela 1.

Tabela 1: Estratégia de Busca e Critérios de Elegibilidade

Base de DadosDescritores (MeSH/Termos Livres)Filtros Aplicados (Período/Idioma)Critérios de Inclusão
PubMed/SciELO(“Superior Mesenteric Artery Syndrome” OR “Wilkie Syndrome”) AND (“Acute Pancreatitis” OR “Pancreatitis”)2015-2025; Português, Inglês, EspanholRelatos de caso, séries de caso e revisões focadas na etiologia/associação.6

3. RESULTADOS

A revisão da literatura científica indexada no período de 2015 a 2025 reafirma que a associação entre SAMS e PA é excepcionalmente rara, sendo a maioria das publicações encontradas na forma de relatos de caso.15 Esses artigos fornecem dados essenciais para delinear o perfil clínico, os achados diagnósticos e as abordagens terapêuticas.

3.1. Perfil Clínico e Demográfico dos Casos Reportados

Os relatos de caso abrangem um espectro etário que varia desde pacientes adultos jovens até idosos, com exemplos de mulheres de 18, 20 e 28 anos, e um homem de 76 anos.11

O fator de risco mais consistente e universalmente presente em todos os casos de SAMS-induzida PA é a presença de caquexia ou histórico de perda de peso significativa.3 Por exemplo, um paciente idoso apresentou um IMC de 15.6 kg/m², e uma paciente jovem com paralisia cerebral estava caquética com um IMC de 18 kg/m².11 Outros fatores predisponentes incluíam condições crônicas de base que levam à desnutrição ou perda de peso rápida, como colectomia prévia por colite grave, ou condições neurológicas como a paralisia cerebral.3 A apresentação clínica é marcada pela coexistência de sintomas de obstrução intestinal alta e inflamação pancreática (dor epigástrica e vômitos biliosos repetidos).16

A Tabela 3 sumariza os achados cruciais de quatro relatos de casos representativos da associação SAMS-PA no período analisado.

Tabela 3: Síntese dos Relatos de Caso Selecionados (2015–2025)

VariávelCaso 1: Idoso (76, M)Caso 2: Jovem (28, F)Caso 3: Jovem (20, F)Caso 4: Adolescente (18, F)
Fator PredisponenteCaquexia (IMC 15.6 kg/m²)Paralisia Cerebral, Caquexia (IMC 18 kg/m²)Colectomia prévia, Perda de Peso SignificativaBaixo Peso (IMC 15.2 kg/m²), Ansiedade
Apresentação PAChoque Hipovolêmico, Dor (PA Grave)Distensão Abdominal, Vômitos BiliososObstrução Intestinal Alta AgudaDor Epigástrica, Êmese
Lab. Chave PAAmilase 4132 U/L, PCR 10.74 mg/dLAmilase 500 U/L, Lipase 628 U/L, Balthazar DLab. PA Positivo (Não detalhado no trecho)Amilase 570 U/L, Lipase 1478 U/L
Ângulo Aortomesentérico (AMA)18º (Normal 45-60º) 11Reduzido (Implícito, TC) 1212º (Agudo) 320º (Reduzido) 15
Distância Aortomesentérica (AMD)Não detalhadoReduzida 123.7 mm (Reduzido) 35 mm (Reduzido) 15
Comorbidade SMASNenhumaNenhumaNenhumaSíndrome Quebra-Nozes (NCS) 15
Manejo e DesfechoConservador (SNG, Nutrição Enteral), Recuperação do ChoqueConservador (NPT, SNG), Resolução gradual em 3 semanasConservador (Nutricional, Soro), Desfecho PositivoConservador (Procinéticos, Dieta), Melhora Sintomática

3.2. Achados Laboratoriais e Exclusão Etiológica

O diagnóstico laboratorial da PA é confirmado pelo aumento significativo dos níveis séricos de amilase e lipase, excedendo em mais de três vezes o limite superior da normalidade. Os relatos analisados demonstraram elevações consistentes dessas enzimas.11

A exclusão de etiologias comuns (litíase biliar, alcoolismo, hipercalcemia, hipertrigliceridemia) é a etapa diagnóstica mais crucial, elevando o valor preditivo da SAMS como causa estrutural.11

3.3. Achados Radiológicos e Critérios Quantitativos de SAMS

A Tomografia Computadorizada (TC) é a modalidade diagnóstica padrão, confirmando o diagnóstico de SAMS através da redução do Ângulo Aortomesentérico (AMA) e da Distância Aortomesentérica (AMD).1 Nos casos de PA associada, foram observadas distâncias críticas (e.g., 3.7 mm 3, 5 mm 15) e ângulos agudos (e.g., 12º 3, 18º 11, 20º 15), o que está em concordância com os valores típicos de SAMS (AMA 6º a 22º; AMD 2 a 8 mm).1

A Tabela 2 resume os critérios radiológicos cruciais para o diagnóstico de SAMS.

Tabela 2: Achados Radiológicos Chave na Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (SAMS)

Parâmetro Radiológico (TC/CTA)Valor Normal de ReferênciaValor Típico na SAMSImplicação
Ângulo Aortomesentérico (AMA)28º a 65º6º a 22ºAcentuada angulação vascular 1
Distância Aortomesentérica (AMD)10 a 34 mm2 a 8 mmRedução do coxim adiposo retroperitoneal 1
Duodeno ProximalCalibre NormalDilatação até a zona de compressão (D3)Obstrução mecânica 3

4. DISCUSSÃO

4.1. Fisiopatologia: O Enlace Entre Obstrução Mecânica e Inflamação Pancreática

A rara associação entre SAMS e PA é explicada pela síndrome oclusiva pós-papilar secundária.11 A compressão mecânica da D3, localizada a jusante da Papila de Vater, leva à estase e ao aumento da pressão intraluminal duodenal.3 Este gradiente de pressão reverso promove o refluxo retrógrado de bile para o ducto pancreático, o que resulta na ativação prematura das enzimas pancreáticas e desencadeia a cascata inflamatória da PA.3

4.2. Discussão Crítica: Heterogeneidade Clínica e Fator Etiológico Comum

A análise dos relatos de caso (Tabela 3) evidencia uma acentuada heterogeneidade demográfica, abrangendo pacientes de 18 a 76 anos, de ambos os sexos, com diferentes comorbidades de base (paralisia cerebral, pós-colectomia, ou sem histórico relevante). No entanto, todos os casos convergem em torno do fator etiológico primário: a perda significativa e/ou o estado de caquexia (IMC baixo).3 Essa perda de peso, independentemente da causa subjacente, leva à redução crítica do coxim de gordura retroperitoneal, que é o gatilho mecânico para a SAMS.3

A gravidade da PA também variou, desde quadros com sinais de choque hipovolêmico11 e necrose glandular (Balthazar D) 12, até casos de PA aguda mais leve, que responderam rapidamente ao manejo conservador.15 Essa variação na gravidade está mais provavelmente ligada à intensidade da obstrução duodenal e à rapidez do diagnóstico e descompressão, do que à etiologia em si.3

Uma diferença notável é a ocorrência da Síndrome Quebra-Nozes (NCS) em um dos casos.15 A NCS é a compressão da veia renal esquerda, também dentro do triângulo aortomesentérico. A coocorrência de SAMS e NCS neste paciente caquético (IMC 15.2 kg/m²) reforça a noção de que a perda extrema de gordura retroperitoneal não é um evento isolado, mas sim um fator de risco sistêmico que predispõe o paciente a múltiplas síndromes de compressão vascular simultâneas.15

O sucesso do tratamento conservador em todos os casos tabulados, focado no ganho de peso e descompressão, sublinha a natureza mecânica reversível da doença, confirmando que a PA é uma complicação secundária e não a causa primária.3

4.3. Limitações da Literatura e a Necessidade de Estudos Sistemáticos

A associação entre SAMS e PA é tão rara que é descrita em “menos de dez casos” na literatura.15 A incidência exata desta coocorrência é desconhecida.17 Consequentemente, a base de evidências atual consiste quase inteiramente em relatos de caso ou revisões narrativas (Nível 4 de evidência). Este panorama resulta em severas limitações metodológicas:

  1. Viés de Publicação e Heterogeneidade: O conhecimento é limitado aos casos que foram diagnosticados e considerados incomuns o suficiente para publicação, o que pode subestimar a prevalência real. A falta de padronização nas informações (como a ausência da AMD em alguns relatos 11) dificulta a metanálise formal ou a elaboração de diretrizes uniformes.
  2. Falta de Análise de Coorte: Não existem estudos prospectivos ou séries de casos grandes que permitam analisar o prognóstico de SAMS-PA em comparação com outras etiologias. Essa falta de dados contrasta com a informação de que a Pancreatite Aguda classificada como “idiopática” (aquela sem causa definida após investigação) está associada à maior taxa de falência orgânica e mortalidade.10 A identificação precoce da SAMS evita que estes casos sejam rotulados como idiopáticos, o que é crucial para o prognóstico.

4.4. Perspectivas Futuras para o Aperfeiçoamento da Abordagem Clínica

Para superar as limitações atuais e melhorar sistematicamente a abordagem dos pacientes com SAMS-PA, são necessários estudos mais detalhados e mecanismos de coleta de dados robustos.

  1. Criação de Registros Internacionais: O estabelecimento de um registro internacional (ou nacional) de síndromes de compressão vascular associadas à PA permitiria a agregação de dados raros, fornecendo uma amostra estatisticamente relevante para análise de incidência, fatores de risco e desfechos a longo prazo (comparando grupos de manejo conservador versus cirúrgico).
  2. Estudos de Rastreamento Prospectivo: Devem ser elaborados estudos prospectivos que incluam o rastreamento por TC para SAMS em todos os pacientes internados com Pancreatite Aguda de etiologia obscura (idiopática), especialmente aqueles que apresentam baixo Índice de Massa Corporal (IMC < 18 kg/m²) ou histórico de perda de peso recente e acentuada.
  3. Padronização Radiológica: A publicação de artigos futuros deve ser estimulada a incluir obrigatoriamente a quantificação precisa dos parâmetros AMA e AMD, não apenas o diagnóstico qualitativo. O estabelecimento de um protocolo de imagem padronizado para o triângulo aortomesentérico é fundamental para aumentar a reprodutibilidade do diagnóstico de SAMS.
  4. Avaliação Nutricional Sistemática: A inclusão de ferramentas de rastreamento nutricional robustas (como a Avaliação Subjetiva Global) no protocolo de admissão de PA permitiria a identificação precoce de pacientes caquéticos que exigem investigação imediata para SAMS e o início do suporte nutricional agressivo, que é a base do tratamento etiológico.3

5. CONCLUSÃO

A Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (SAMS) representa uma causa rara, mas clinicamente significativa, de Pancreatite Aguda. A sua importância reside no mecanismo etiológico singular: a compressão duodenal, exacerbada pela caquexia ou perda de peso, que resulta numa síndrome oclusiva pós-papilar e subsequente refluxo retrógrado de bile para o ducto pancreático.

O diagnóstico requer um alto índice de suspeição clínica, devendo ser investigado em pacientes com baixo IMC, sintomas de obstrução gastrointestinal alta e PA cuja etiologia comum foi excluída. A Tomografia Computadorizada (TC) é a ferramenta diagnóstica essencial, fornecendo critérios quantitativos claros de compressão vascular (AMA e AMD reduzidos) e avaliando a extensão da PA. A grande heterogeneidade clínica dos casos reportados reforça que o fator de risco crucial é a perda do coxim de gordura retroperitoneal.

O manejo é predominantemente conservador e etiológico. O suporte nutricional agressivo, visando o ganho de peso e a reconstituição do coxim de gordura retroperitoneal, é a pedra angular do tratamento. A Duodenojejunostomia laparoscópica é a opção cirúrgica de eleição, reservada para casos que não respondem ao manejo nutricional. A literatura atual, limitada a relatos de caso, exige a criação de registros de dados e estudos prospectivos focados em pacientes caquéticos com PA idiopática, visando evitar o atraso diagnóstico e garantir uma intervenção terapêutica que ataque a raiz do problema mecânico e prevenindo a recorrência da inflamação pancreática.

REFERÊNCIAS

Referências citadas

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