REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602251237
Nikaela Gomes da Silva1
Orientadora : Dra. Diala Alves de Sousa2
RESUMO
A sepse constitui um grave problema de saúde pública e está entre as principais causas de mortalidade em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Considerando sua evolução rápida e a necessidade de intervenções precoces, a atuação da enfermagem torna-se essencial para o reconhecimento oportuno e o manejo adequado do paciente séptico. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de revisão de literatura, os cuidados de enfermagem direcionados ao paciente com sepse internado em UTI, destacando práticas baseadas em evidências que contribuem para a melhoria dos desfechos clínicos. Trata-se de um estudo de Revisão Integrativa do tipo descritiva, realizado mediante consulta a artigos científicos disponíveis em bases de dados nacionais, selecionados conforme relevância temática, atualidade e pertinência metodológica. A literatura aponta que o reconhecimento precoce da sepse, a monitorização contínua, a adequada coleta de exames, a administração imediata de antibióticos e a ressuscitação volêmica são intervenções essenciais para reduzir complicações e mortalidade. Evidencia-se ainda que a adesão aos protocolos assistenciais, como o “Pacote de 1 Hora”, depende da capacitação permanente da equipe de enfermagem e da organização dos serviços. Os estudos reforçam que a atuação da enfermagem é determinante para o sucesso terapêutico, especialmente em ambientes críticos, nos quais a detecção precoce e a resposta rápida são fundamentais. Conclui-se que a consolidação de práticas baseadas em evidências contribui significativamente para a qualificação do cuidado ao paciente séptico e destaca a importância da formação continuada e do aprimoramento dos protocolos institucionais.
Palavras-chave: Sepse. Paciente. Cuidados de enfermagem. Unidade terapia intensiva.
ABSTRACT
Sepsis constitutes a serious public health problem and is among the leading causes of mortality in Intensive Care Units (ICU). Considering its rapid progression and the need for early interventions, the role of nursing becomes essential for timely recognition and proper management of the septic patient. This study aimed to analyze, through a literature review, the nursing care directed at patients with sepsis admitted to the ICU, highlighting evidence-based practices that contribute to the improvement of clinical outcomes. This is an integrative review study of a descriptive type, carried out through consultation of scientific articles available in national databases, selected according to thematic relevance, currency, and methodological pertinence. The literature indicates that early recognition of sepsis, continuous monitoring, proper laboratory test collection, immediate administration of antibiotics, and fluid resuscitation are essential interventions to reduce complications and mortality. It is also evident that adherence to care protocols, such as the “1-Hour Bundle,” depends on the ongoing training of the nursing staff and the organization of services. Studies reinforce that nursing performance is crucial for therapeutic success, especially in critical care settings, where early detection and rapid response are fundamental. It is concluded that the consolidation of evidence-based practices significantly contributes to the quality of care for septic patients and highlights the importance of continuous education and the improvement of institutional protocols.
Keywords: Sepsis. Patient. Nursing care.Intensive care unit.
1. INTRODUÇÃO
A sepse é uma condição que envolve a resposta do corpo a uma infecção que causa danos aos seus próprios tecidos e órgãos. Pode desenvolver o choque, falência de múltiplos órgãos e morte, especialmente se não for detectável de imediato e tratada de forma assertiva. É uma síndrome bem prevalente, com alta morbidade e mortalidade e elevados custos. O manejo ofertado de forma precoce e tratamento adequado são fatores fundamentais para a mudança deste cenário. (1)
Caracteriza-se por um conjunto de manifestações sistêmicas graves decorrentes de uma infecção que desencadeia uma resposta inflamatória exacerbada em todo o organismo. Embora no passado tenha sido denominada septicemia ou “infecção no sangue”, o termo sepse descreve, na atualidade, uma condição complexa em que o foco infeccioso pode estar localizado em apenas um órgão, como o pulmão, mas produz efeitos generalizados capazes de comprometer o funcionamento de múltiplos sistemas. Essa resposta inflamatória desregulada pode evoluir para disfunção ou falência de múltiplos órgãos, constituindo um dos quadros mais críticos na prática clínica. (2)
De acordo com o Ministério da Saúde (MS) estima-se que ocorram entre 47 e 50 milhões de casos de sepse anualmente, resultando em pelo menos 11 milhões de mortes, o que representa aproximadamente uma em cada cinco mortes no mundo. Trata-se da principal causa de óbitos e de readmissões hospitalares, além de configurar o maior custo em saúde, com gastos que ultrapassam 62 bilhões de dólares apenas nos Estados Unidos. Adicionalmente, até 50% dos sobreviventes desenvolvem sequelas físicas e psicológicas de longo prazo, e cerca de 40% dos casos acometem crianças menores de cinco anos. A sepse é sempre desencadeada por uma infecção como pneumonia ou doenças diarreicas e aproximadamente 80% dos casos têm origem fora do ambiente hospitalar, o que evidencia sua elevada incidência e importância epidemiológica. (1,2)
A sepse é considerada uma emergência médica, exigindo reconhecimento imediato e início rápido do tratamento, uma vez que cada hora de atraso aumenta significativamente o risco de mortalidade. Entre os sinais clínicos que podem indicar a presença de sepse destacam- se a confusão mental associada à fala arrastada, tremores intensos, dor muscular, febre, redução acentuada da produção urinária, dificuldade respiratória, sensação de morte iminente, além de alterações cutâneas como equimoses, manchas escuras ou palidez. O manejo inicial deve ser realizado com prioridade, sendo as primeiras horas cruciais para a sobrevida do paciente. A antibioticoterapia adequada deve ser administrada o mais precocemente possível, acompanhada da coleta de culturas de sangue e de outros materiais de acordo com o provável foco infeccioso, com o objetivo de identificar o agente etiológico. (3)
A sepse configura-se atualmente como uma das principais causas de morte hospitalar no Brasil, com estimativa de aproximadamente 670 mil óbitos anuais, e, ao contrário do senso comum, não se restringe a indivíduos previamente internados. Grande parte dos casos tem início na comunidade e chega aos serviços de urgência e emergência já em condição crítica. Nesse contexto, campanhas de conscientização têm como objetivo ampliar o reconhecimento da sepse tanto entre profissionais de saúde quanto entre a população geral, promovendo diagnóstico precoce e intervenção imediata. (4)
A sepse é um problema relevante na saúde dos indivíduos suscetíveis na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também tornando um dos maiores desafios na prática clínica, sendo responsável pela elevada morbimortalidade em pacientes internados em UTI. Apesar dos avanços técnicos e científicos, a importância detecção precoce e o tratamento adequado ainda compõem fatores decisivos para a sobrevivência desses pacientes. Nesse contexto, a equipe de enfermagem desempenha papel central, uma vez que está diretamente envolvida na monitorização contínua, na identificação de sinais clínicos iniciais e na implementação imediata de intervenções terapêuticas. (5)
No entanto, para garantir um cuidado assertivo ao paciente com sepse na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é imprescindível que o manejo clínico seja conduzido de forma adequada, considerando que a sepse é uma condição multifatorial e complexa, que demanda uma abordagem individualizada. A identificação precoce do quadro, associada à reposição volêmica eficaz, ao uso racional e oportuno de antibióticos e à monitorização hemodinâmica contínua, constitui um conjunto de medidas essenciais para a otimização dos desfechos clínicos e a redução da morbimortalidade. (6)
A mobilização precoce do paciente com sepse tem sido amplamente incentivada como estratégia para reduzir complicações decorrentes da imobilidade prolongada, tais como atrofia muscular e úlceras por pressão. Essa intervenção está associada a melhores desfechos, incluindo melhora da recuperação funcional e da qualidade de vida após a internação hospitalar. Contudo, evidências recentes apontam que a mobilização deve ser realizada com cautela em pacientes hemodinamicamente instáveis, sendo necessária avaliação criteriosa e monitoramento contínuo para garantir a segurança do paciente. (6)
A relevância deste estudo obriga a necessidade de consolidar o conhecimento científico na íntegra, por meio de uma revisão de literatura baseada em evidências, permitindo envolver de forma aprofundada quais práticas assistenciais têm demonstrado maior eficácia no manejo da sepse. A Prática Baseada em Evidências (PBE) fornece a tomada de decisão clínica, reduzir variabilidades no cuidado e promover uma assistência mais segura e efetiva. Assim, revisar e sintetizar publicações atualizadas sobre o tema torna-se fundamental para embasar a atuação da enfermagem e fomentar melhorias nos protocolos assistenciais adotados nas UTIs.
Portanto, o objetivo geral é analisar os cuidados de enfermagem prestados ao paciente com sepse em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com base nas evidências científicas disponíveis na literatura, identificar os principais sinais e critérios diagnósticos de sepse utilizados na UTI e descrever as intervenções de enfermagem preconizadas para o manejo inicial e contínuo do paciente séptico.
2. MÉTODO
Trata-se de um estudo de Revisão Integrativa do tipo descritiva com embasamento científico com aplicação teórica de Insights a sepse em pacientes internados na uti: atuação e cuidados essenciais de enfermagem
A revisão integrativa é método condescendente no processo do levantamento da pesquisa que pertence à apresentação da síntese dos dados sobre um determinado tema. Esta, por sua vez, necessita incidir de maneira clara, apresentada e objetiva, para que o leitor seja capaz de abranger as informações e a estrutura de uma revisão integrativa como a busca de dados, os critérios de inclusão e exclusão, tipo de amostra, e aspectos éticos da pesquisa científica. (7)
Tabela 01: Elaboração da questão norteadora da pesquisa segundo a estratégia PICo.
| Acrônimo | Descrição | Termos |
| P | População | Pacientes adultos diagnosticados com sepse internados em Unidade deTerapia Intensiva (UTI). |
| I | Interesse | Cuidados de enfermagem baseados em evidências, incluindo reconhecimento precoce, monitorização contínua,aplicação dos protocolos. |
| Co | Contexto | Cuidados não padronizados, ausência de protocolos, intervenções tardias ou práticas assistenciais sem base científica atualizada. Redução da mortalidade, diminuição descomplicações, melhora da estabilidade hemodinâmica, identificação precoce da sepse |
Fonte: (AUTORAS, 2026).
A busca de dados seguiu as etapas. Assim, foram inclusas referências extraídas de bibliotecas virtuais nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Base de Dados de Enfermagem (BDENF), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Medical Literature Analysis and Retrieval System On-line (MEDLINE ) e PubMed . Os descritores foram delimitados, conforme o Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), sendo eles: sepse, paciente, cuidados de enfermagem, unidade terapia intensiva.
Como critérios de inclusão, foram considerados: artigos em língua portuguesa completo; artigos que abordassem a temática proposta; estudos não duplicados nos bancos de dados. Para os critérios de exclusão, foram desconsiderados: artigos escritos em língua estrangeira; artigos que não abordassem o tema conforme os descritores; e artigos que não estivessem dentro do período pesquisado, compreendido entre 2020 e 2026.
Quanto aos aspectos éticos, a pesquisa, por se discutir de uma revisão integrativa, afirma o cumprimento dos princípios éticos que orientaram a elaboração do projeto de pesquisa. Dessa forma, por não submergir seres humanos diretamente, o estudo não carece de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).
3. RESULTADOS
Foram identificados 182 estudos. Inicialmente, realizou-se uma leitura exploratória e minuciosa, a partir da qual, após a aplicação dos critérios de elegibilidade, procedeu-se à análise seletiva dos artigos. Desse processo, 10 estudos foram selecionados para leitura na íntegra em língua portuguesa.
Foram excluídos 172 artigos por não abordarem medidas de detecção atuação e cuidados essenciais de enfermagem da sepse em Unidade de Terapia Intensiva Adulto, bem como por não contemplarem aspectos relacionados à fisiopatologia e à assistência de enfermagem ao paciente adulto com sepse.
Os artigos investigados foram encontrados nas seguintes bases de dados: SciELO, BDENF, BVS, MEDLINE e PubMed. Do total, 5 artigos foram identificados na BVS, 2 na MEDLINE, 1 na SciELO e 2 na BDENF. Todos os estudos incluídos foram publicados entre 2020 e 2025, com maior concentração no ano de 2025. No ano de 2021, não foram localizados artigos disponíveis na íntegra para inclusão.
Quadro 1 – Apresentação das caraterísticas do ano, autor, tipo de estudo, principais achados e nível de evidência para extração dos dados dos estudos.
| Autor/Ano | Tipo de Estudo | Principais Achados | Nível de Evidência |
| CAETANO et al., (2023) | Revisão integrativa | Importância da educação permanente na identificação precoce da sepse. | Nível 4 |
| SANTOS et al., (2025) | Revisão integrativa de literatura | Cuidados de enfermagem no choque séptico em UTI. | Nível 4 |
| FERREIRA et al., (2020) | Revisão integrativa | Sistematização da assistência de enfermagem em pacientes sépticos. | Nível 4 |
| MORAES et al., (2022) | Revisão integrativa | Atuação do enfermeiro no cuidado ao paciente séptico. | Nível 4 |
SANTOS et al., (2025) | Revisão da literatura | Evidencia-se que a prevenção deve ser priorizada, com destaque para a adesão rigorosa às medidas de higiene dasmãos, a aplicação de protocolos assistenciais padronizados | Nível 4 |
| BISPO et al., (2025) | Revisão integrativa | Métodos de detecção e manejo da sepse na UTI. | Nível 4 |
| SILVA et al., (2024) | Revisão integrativa | Cuidados intensivos de enfermagem ao paciente com sepse. | Nível 4 |
| ARAÚJO et al., (2024) | Revisão integrativa | Caracterização da sepse em ambientes hospitalares. | Nível 4 |
| SANTANA et al., (2022) | Abordagem qualitativa | Fatores de risco associados à sepse em UTI. | Nível 4 |
| SEBASTIÃO et al., (2023) | Estudo descritivo | Reconhecimento da sepse pelo enfermeiro em UTI. | Nível 4 |
Fonte: (AUTORAS, 2026).
Os estudos selecionados foram avaliados quanto ao nível de evidência, uma vez que esse critério determina a força científica dos achados apresentados. O nível de evidência está diretamente relacionado ao método utilizado em cada pesquisa e, portanto, conhecer essa classificação é fundamental para interpretar a robustez dos resultados incluídos na Revisão Integrativa. Assim, cada estudo foi associado ao seu respectivo nível de evidência e essa informação foi descrita no quadro síntese apresentado nesta seção.
Após a extração dos dados e dos principais achados científicos, procedeu-se à organização das informações com o objetivo de facilitar sua apresentação e permitir melhor compreensão das evidências. Para isso, os dados foram sintetizados a partir de critérios explícitos, agrupando-se elementos semelhantes e destacando-se aspectos relevantes para a prática de enfermagem no manejo da sepse em pacientes adultos internados na UTI. A estruturação das evidências possibilitou a construção de quadros, nos quais foram descritos os autores e ano, tipos de estudos, principais achados e níveis de evidência de cada estudo.
Os resultados evidenciam que o enfermeiro desempenha papel central na detecção precoce, monitorização contínua, administração de terapias essenciais e aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem, além de apontarem lacunas relacionadas à prática clínica, adesão a protocolos e prevenção de infecções associadas à assistência. As conclusões reforçam que o cuidado ao paciente séptico exige conhecimento técnico, julgamento clínico, padronização de práticas assistenciais e integração de protocolos, destacando a relevância da atuação da enfermagem para a melhoria dos desfechos clínicos e redução da mortalidade.
O Quadro 2 sintetiza os estudos selecionados, os quais destacam a atuação da enfermagem no reconhecimento, monitorização e manejo da sepse em UTI. Os objetivos variam entre revisar a literatura, identificar práticas assistenciais e analisar fatores associados à sepse, enquanto os resultados demonstram a relevância do enfermeiro na identificação precoce, aplicação de protocolos e execução de cuidados baseados em evidências.
Quadro 2 – Síntese dos estudos selecionados
| Estudo | Autoria | Título | Objetivo | Resultados | Conclusões |
1 | CAETANOet al., ( 2023) | Índice de sepse em UTI no Brasil e a importância da educação permanente com os profissionais de enfermagem e comunidade sobre sinais e sintomas de sepse | Revisar a literatura sobre a sepse e identificar a necessidade de ações educativas tanto para profissionais de saúde quanto para a população em geral. | resultados apontam para estudos que se complementam e abordam outras questões diante da problemática do conhecimento necessário dos sinais e sintomas da sepse para profissionais de enfermagem e a comunidade. | Diante destes estudos, a qualificação e capacitação dos profissionais de enfermagem através da Educação Permanente revela um menor índice de diminuição de risco de vida do paciente com suspeita de sepse |
2 | SANTOS et al., (2025) | Cuidados de enfermagem ao paciente em choque séptico na unidade de terapia intensiva | contribuir para a detecção precoce da condição e a implementação de intervenções adequada | Observou-se que, apesar do conhecimento teórico adequado da equipe de enfermagem, lacunas na aplicação prática e na identificação precoce da sepse | A enfermagem, ao integrar conhecimento técnico, julgamento clínico e abordagem humanizada, exerce papel essencial na preservação da vida e na qualificação do cuidado em situações críticas. |
3 | FERREIRAet al., (2020) | Sistematização da assistência de enfermagem a pacientes adultos com diagnóstico de sepse | Objetivo analisar evidências na literatura científica acerca de assistência de enfermagem desenvolvida para indivíduos adultos com sepse. | Os principais cuidados envolveram a identificação de sinais clínicos de sepse, administração de antimicrobianos, fluidos e vasopressores, monitoramento eletrônico, coleta de lactato e gasometrias, curva glicêmica, sistematização da assistência de enfermagem | O estudo concluiu que pacientes adultos com sepse exigem cuidados específicos de enfermagem, baseados em metodologias assistenciais fundamentadas em evidências científicas, como protocolos e ferramentas, assim como revelou a necessidade de métodos educacionais. |
4 | MORAES et al., (2022) | Atuação do enfermeiro no cuidado ao paciente em quadro clínico de sepse: revisão integrativa | Descrever a atuação do profissional enfermeiro ao paciente em quadro séptico, estabelecer fatores que contribuem para a ocorrência de sepse em UTI- adulto | A busca trouxe de forma geral protocolos, pesquisas de conhecimento dos enfermeiros, cuidados de enfermagem, sinais clínicos, fatores de risco, identificação de sinais e sintomas e processo de enfermagem. | Enfermeiros são profissionais de grande relevância no ambiente intensivo, desempenhando a função de impedir ou reduzir consideravelmente a progressão de sepse para as formas mais graves |
5 | BISPO et al., (2025) | Métodos para detecção e manejo da sepse em uma Unidade de Terapia Intensiva: Uma revisão integrativa | analisar na literatura científica as estratégias de detecção e manejo da Sepse realizadas pela equipe de enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva | Nessa conjuntura, esforços devem ser direcionados para a integração de protocolos clínicos e medidas de melhoria baseado em evidências como eixo imprescindível sobre estratégias de cunho regresso as manifestações da Sepse | O estudo discutiu a importância de ações direcionadas para a detecção e manejo da Sepse em Unidade de Terapia Intensiva, especialmente, voltado a enfermagem. Dito isso, a Sepse em todo contexto hospitalar é um problema grave de saúde pública, principalmente voltado a Unidade de Terapia Intensiva. |
6 | SILVA et al., (2024 ) | Descrever os cuidados de enfermagem na terapia intensiva do paciente com sepse. | Foram encontrados 11 estudos que sintetizam os cuidados de enfermagem ao paciente com sepse em três eixos: diagnóstico precoce, monitorização e manejo clínico | Os cuidados de enfermagem ao paciente com sepse na unidade de terapia intensiva são pautados no diagnóstico precoce, na oportuna monitorização e efetivo manejo clínico com integração do processo de enfermagem | |
7 | ARAUJO et al., (2024) | Sepse em ambientes hospitalares: uma revisão integrativa da literatura | investigar o papel dos enfermeiros na implementação e execução dos protocolos de sepse em ambientes hospitalares | Os resultados demonstram que os enfermeiros, frequentemente os primeiros a avaliar os pacientes, são essenciais na detecção precoce da sepse | implementação de protocolos assistenciais adaptados às realidades locais é essencial para reduzir a mortalidade por sepse e melhorar os resultados clínicos |
8 | SANTOS et al., ( 2025) | Assistência de enfermagem na prevenção de infecção hospitalar e sepse em terapia intensiva | Revisar a literatura científica sobre infecção hospitalar e sepse em UTIs, destacando os fatores de riscos, medidas preventivas e impacto na mortalidade | As infecções hospitalares, também denominadas Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS),correspondem a infecções adquiridas durante a internação em ambiente hospitalar, geralmente após 48 a 72 horas da admissão, e que não estavam presentes ou incubadas no momento da chegada do paciente. Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) | Conclui-se que as infecções hospitalares e a sepse em UTIs, embora representem um desafio constante para a assistência em saúde, podem ter seus impactos reduzidos por meio da prevenção, da adesão a protocolos clínicos e do diagnóstico precoce, estratégias que fortalecem a segurança do paciente crítico. |
9 | SANTANAet al., (2022) | Fatores de risco associados à sepse empacientes internados na unidade deterapia intensiva. | O objetivo do estudo é compreender quais são os fatores que estão associados ao desenvolvimento de sepse em pacientes internados na unidade de terapia intensiva | Foram encontrados 147 estudos, após avaliação, 06 foram selecionados para compor a amostra final. Os fatores de riscos associados à sepse em pacientes da UTI estão relacionados aos procedimentos invasivos: ventilação mecânica, cateterismo vascular e outros. | Evidenciou-se por meio dos estudos que o desenvolvimento da sepse no ambiente hospitalar é um fator que influencia diretamente para o comprometimento da qualidade de vida dos pacientes, aumentando desse modo o índice de mortalidade. |
10 | SEBASTIÃOet al., (2023) | A atuação do enfermeiro no reconhecimento da sepse em Unidade de Terapia Intensiva | comprovar a atuação do enfermeiro no reconhecimento da Sepse em Unidade de Terapia Intensiva. | Foi observado que alguns artigos não abordavam o tema investigado. Por fim, 15 artigos contemplaram o objetivo do trabalho e todos os aspectos envolvidos e perfizeram parte desta revisão integrativa | Conclui-se que o reconhecimento precoce da sepse é a chave para o tratamento adequado |
Fonte: (AUTORAS, 2026).
A análise dos estudos permitiu identificar quatro categorias temáticas principais. A primeira, Identificação precoce e reconhecimento clínico da sepse (80%), evidencia que grande parte das pesquisas destaca o papel fundamental do enfermeiro na detecção precoce, avaliação de sinais clínicos, julgamento clínico e rapidez na tomada de decisões diante da suspeita de sepse.
A segunda categoria, Implementação de protocolos e manejo baseado em evidências (70%), demonstra a relevância dos protocolos institucionais, bundles e medidas terapêuticas imediatas, reforçando a necessidade de padronização da assistência.
A terceira categoria, Cuidados assistenciais e monitoramento contínuo (50%), engloba ações diretamente relacionadas ao cuidado intensivo, como monitorização hemodinâmica, administração de antimicrobianos, fluidoterapia, uso de vasopressores, coleta de exames e aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).
Por fim, a categoria Fatores de risco e prevenção de infecções (20%) reúne estudos que abordam fatores predisponentes para sepse, Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), procedimentos invasivos e seus impactos na morbimortalidade. Essas categorias sintetizam as principais evidências encontradas e refletem a complexidade do cuidado de enfermagem ao paciente séptico em UTI.
Quadro 3 – Descrição das categorias temáticas que emergiram dos estudos.
| Categoria Temática | Publicações | Porcentagem |
| Identificação precoce e reconhecimentoclínico da sepse | 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 10 | 80% |
| Implementação de protocolos e manejo baseado em evidências | 1, 2, 3, 4, 5, 7, 8 | 70% |
| Cuidados de enfermagem no monitoramento e tratamento do paciente séptico | 2, 3, 4, 6, 8 | 50% |
| Fatores de risco, prevenção de infecções e segurança do paciente | 8, 9 | 20% |
Fonte: (AUTORAS, 2026).
4. DISCUSSÃO
Os princípios de conservação demonstram forte relação com a assistência de enfermagem ao paciente com sepse. A conservação da energia envolve garantir oferta adequada de oxigênio e avaliar parâmetros vitais, fundamentais diante do risco de instabilidade hemodinâmica. A conservação da integridade estrutural destaca a importância do reconhecimento precoce das disfunções orgânicas previstas no pacote Hora-1. Já a integridade pessoal requer que a equipe respeite e preserve a identidade do paciente, especialmente quando há limitações de comunicação. Por fim, a conservação da integridade social reforça a necessidade de uma relação terapêutica com o paciente e a família, valorizando o cuidado humanizado e centrado na pessoa. (4,5)
A sepse e o choque séptico exigem atuação rápida e precisa da enfermagem na UTI. O enfermeiro é fundamental para reconhecer precocemente alterações clínicas, aplicar intervenções imediatas e monitorizar rigorosamente os parâmetros do paciente. A SAE e os protocolos clínicos qualificam o cuidado, favorecendo decisões seguras e baseadas em evidências. A comunicação eficaz e a capacitação contínua fortalecem a segurança do paciente. Assim, a competência técnica e o julgamento clínico do enfermeiro são determinantes para prevenir agravamentos e melhorar os desfechos terapêuticos em situações de alta complexidade. (5,6)
Diante desse cenário, torna-se essencial integrar protocolos clínicos e práticas baseadas em evidências para qualificar as estratégias de detecção e manejo da sepse. Espera-se um trabalho contínuo e articulado entre as diferentes áreas da equipe multiprofissional, reforçando a importância do cuidado integrado. Nessa perspectiva, os enfermeiros desempenham suas funções com competência em todas as etapas do processo de enfermagem, desde o planejamento individualizado até as intervenções necessárias frente aos problemas reais ou potenciais apresentados pelos pacientes sépticos. Destaca-se ainda a importância de adaptar protocolos e diretrizes nacionais e internacionais às particularidades de cada instituição. Assim, cabe a toda equipe de saúde — especialmente à enfermagem, que mantém contato contínuo com o paciente crítico — a responsabilidade de aplicar com expertise as estratégias de monitoramento, reconhecimento e manejo da sepse na UTI. (5)
Assim, a atuação do enfermeiro, fundamentada em iniciativa, competência técnica e compromisso ético, é crucial para estabilizar o paciente, prevenir agravamentos e melhorar os resultados terapêuticos. A combinação entre conhecimento técnico, julgamento clínico e sensibilidade no cuidado sustenta a capacidade de enfrentar os desafios da sepse e do choque séptico, evidenciando a importância da enfermagem na preservação da vida e na oferta de uma assistência segura e qualificada em contextos de alta complexidade. (8)
A coordenação do cuidado realizada pelos enfermeiros favorece a colaboração multidisciplinar e garante uma abordagem integrada no manejo da sepse, promovendo comunicação eficaz entre os profissionais e assegurando a atenção a todas as necessidades do paciente. Contudo, persistem desafios, como a falta de recursos e a demanda por capacitação contínua. (8)
As infecções hospitalares e a sepse em UTIs constituem importantes desafios para a prática clínica e para a segurança do paciente crítico, devido à alta complexidade assistencial, ao uso de procedimentos invasivos e à resistência microbiana. Esses fatores aumentam o risco de complicações graves e elevam a morbimortalidade. A literatura destaca que a prevenção deve ser prioridade, com adesão rigorosa à higiene das mãos, aplicação de protocolos padronizados e uso racional de antimicrobianos. A educação permanente das equipes multiprofissionais também é essencial. Tais medidas reduzem a incidência de infecções, melhoram os desfechos clínicos e diminuem o tempo de internação e os custos hospitalares. (9)
A presente revisão de literatura permitiu identificar os principais fatores desencadeantes da sepse na unidade de terapia intensiva, os sinais clínicos apresentados pelos pacientes e o papel do enfermeiro no cuidado, atuando para impedir ou reduzir a progressão da sepse para formas mais graves e garantindo uma assistência de qualidade ao paciente séptico. Diante das limitações desta pesquisa, especialmente por incluir apenas estudos relacionados à UTI adulto, sugere-se a realização de novas investigações, principalmente estudos originais, que possibilitem identificar os índices da patologia, o perfil clínico dos pacientes e a realidade da atuação do enfermeiro in loco na assistência a indivíduos com sepse no ambiente intensivo. (10)
Em conclusão, o reconhecimento precoce da sepse é fundamental para um tratamento adequado, e a ausência de educação continuada e treinamentos da equipe compromete a efetividade das respostas terapêuticas. Destaca-se a importância de que as instituições invistam na capacitação da equipe de enfermagem, permitindo que reconheçam os sinais de gravidade e aprimorem a qualidade da assistência prestada, especialmente por estarem à beira leito de forma contínua. Quando devidamente treinada e preparada para executar os protocolos com precisão, a equipe contribui significativamente para a redução das taxas de morbidade e, principalmente, das mortalidades associadas à sepse. (11.12)
A sepse configura-se como um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, em razão dos elevados índices de mortalidade associados a essa condição. No contexto da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), essa preocupação torna-se ainda mais evidente, considerando o alto percentual de pacientes internados com diagnóstico confirmado de sepse. Nesse cenário, cabe ao enfermeiro desenvolver um olhar clínico apurado, mantendo-se atento às alterações hemodinâmicas, além de possuir conhecimento sólido acerca da fisiopatologia da doença, de seus sinais e sintomas e da terapêutica integral. Dessa forma, ao colocar o processo de enfermagem como eixo central de sua prática profissional, o enfermeiro estará apto a atuar de maneira eficaz, atendendo às necessidades prioritárias de cuidado do paciente séptico. (13,14)
O estudo analisou os principais fatores relacionados à sepse neonatal, destacando o tempo de internação, o tipo de sepse e diagnósticos associados, como prematuridade e insuficiência respiratória aguda. A sepse precoce foi a mais frequente, sobretudo nas infecções pulmonares. Houve controle adequado do uso de dispositivos invasivos, ventilação mecânica e antibioticoterapia, embora variações na duração desses tratamentos possam ter influenciado a evolução clínica. A prematuridade mostrou-se um fator determinante para os desfechos. De forma positiva, todos os recém-nascidos apresentaram boa evolução, com alta hospitalar por cura, evidenciando a eficácia das estratégias adotadas pela equipe multiprofissional. (15,16,17,18)
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta Revisão Integrativa evidenciou que a atuação da enfermagem é decisiva para a detecção precoce, intervenção rápida e monitorização contínua de pacientes com sepse na UTI. Os estudos analisados destacam que a adesão aos protocolos assistenciais, o reconhecimento imediato dos sinais clínicos e a administração ágil das terapias recomendadas reduzem significativamente a mortalidade.
As categorias temáticas emergentes demonstraram que os principais desafios incluem falhas na comunicação entre equipes, baixa adesão a protocolos e necessidade de capacitação contínua. Tais fatores reforçam a importância do julgamento clínico do enfermeiro, do trabalho multiprofissional e de ambientes organizacionais que favoreçam práticas seguras.
Apesar dos avanços, ainda existem lacunas relacionadas à avaliação de intervenções educativas e estratégias para aprimorar a atuação da enfermagem no manejo da sepse. Assim, recomenda-se a realização de novos estudos que aprofundem essas questões e fortaleçam a aplicação de cuidados baseados em evidências. Conclui-se que a enfermagem exerce papel central na assistência ao paciente séptico, sendo essencial investir em educação permanente, padronização de protocolos e recursos que favoreçam a identificação precoce e a melhoria dos desfechos clínicos em terapia intensiva.
REFERÊNCIAS
- MINISTÉRIO DA SAÚDE. 13/9 – Dia Mundial da Sepse [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2021 [citado em 2025 Dez 07]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/13-9-dia- mundial-da-sepse-2/
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- CAETANO, P.D.T.; NASCIMENTO, N.J.; PEREIRA, R. Índice de sepse em UTI no Brasil e a importância da educação permanente com os profissionais de enfermagem e comunidade sobre sinais e sintomas de sepse. Rev Bras Reabil Ativ Fís. 2023;12(2):69–75.
- BISPO, H.M. (Org.). Métodos para detecção e manejo da sepse em uma Unidade de Terapia Intensiva: uma revisão integrativa. Research, Society and Development. 2025;14(10):e177141049851.
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1Enfermeira, Especialista em saúde pública e urgência e emergência, Docência do Ensino Superior, FAG.
2Enfermeira, Especialista em Terapia Intensiva (UVA – CE). Docência em Ensino Superior (FAK – CE). Especialista em Saúde da Família (UVA – CE). Especialista em Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente (Instituto Sírio-Libanês – SP). Mestre em Terapia Intensiva (IBRATI – SP). Doutora em Terapia Intensiva (SORRATI – SP). Docente da UNIFAMEC – CRATO/CE. Docente do Centro de Ensino em Saúde, SP.
