IMPORTÂNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO PROTOCOLO DELIRIUM NA UTI

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602251250


Victória Machado de Faria


RESUMO

INTRODUÇÃO: O delirium é uma condição neuropsiquiátrica aguda comum em idosos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) que acomete em média 75% em ventilação mecânica e até 50% daqueles que não recebem ventilação mecânica. Se caracteriza como hiperativos ou hipoativos e pode flutuar entre os dois como delirium misto. A identificação precoce e o manejo adequado do delirium são cruciais para minimizar as comorbidades associadas e os protocolos multidisciplinares e institucionalizados tem se mostrado fundamentais para a redução da incidência e gravidade da síndrome. OBJETIVOS: Elaborar um protocolo de prevenção, diagnóstico e tratamento do Delirium para pacientes internados na UTI. METODOLOGIA: Trata-se de um Protocolo Delirium para pacientes críticos internados em UTI Adulto sob uso de ventilação Mecânica. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Tem etiologia multifatorial destacando-se a idade avançada.  Os fatores de risco modificáveis estão relacionados à admissão de urgência, hipóxia, dor, infecções e desidratação, contenção  física,  distúrbios  do  sono,  dispositivos  invasivos,  procedimento cirúrgico,  sedativos  e  analgésicos  opioides. A Polifarmácia, ou o uso de múltiplos medicamentos, é fator de risco crítico, sendo os anticolinérgicos, benzodiazepínicos e opioides conhecidos por seus efeitos adversos no sistema nervoso central, aumentando o risco de delirium. A avaliação e diagnóstico do delirium podem ser realizados pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th Edition (DSM-5), pelo Confusion Assessment Method in Intensive Care Unit (CAM-ICU) e pela escala RASS(Richmond Agitation-Sedation Scale). A prevenção de Delirium pode ocorrer por meio de Medidas farmacológicas e não Farmacológicas.   

Palavras-Chave: Delirium. Fatores de Risco. Prevenção. Tratamento. Protocolo.

ABSTRACT

INTRODUCTION: Delirium is a common acute neuropsychiatric condition in elderly patients admitted to Intensive Care Units (ICUs), affecting on average 75% of those on mechanical ventilation and up to 50% of those not receiving mechanical ventilation. It can present as hyperactive or hypoactive states and can fluctuate between the two as mixed delirium. Early identification and appropriate management of delirium are crucial to minimize associated comorbidities, and multidisciplinary and institutionalized protocols have proven fundamental in reducing the incidence and severity of the syndrome. OBJECTIVES: To develop a protocol for the prevention, diagnosis, and treatment of delirium in patients admitted to the ICU. METHODOLOGY: This is a Delirium Protocol for critically ill patients admitted to an adult ICU under mechanical ventilation. THEORETICAL FOUNDATION: It has a multifactorial etiology, with advanced age being a prominent factor. Modifiable risk factors are related to emergency admission, hypoxia, pain, infections and dehydration, physical restraint, sleep disorders, invasive devices, surgical procedures, sedatives, and opioid analgesics. Polypharmacy, or the use of multiple medications, is a critical risk factor, with anticholinergics, benzodiazepines, and opioids known for their adverse effects on the central nervous system, increasing the risk of delirium. The assessment and diagnosis of delirium can be performed using the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th Edition (DSM-5), the Confusion Assessment Method in Intensive Care Unit (CAM-ICU), and the RASS (Richmond Agitation-Sedation Scale). Delirium prevention can occur through pharmacological and nonpharmacological measures.

Keywords: Delirium. Risk Factors. Prevention. Treatment. Protocol.

1 INTRODUÇÃO

O delirium é uma condição neuropsiquiátrica aguda comum em idosos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) (GONÇALVES et al., 2025; ITABORAHY; LIMA,2023; RODRIGUES, et al. 2025). É uma síndrome clínica caracterizada por um distúrbio agudo da atenção e da consciência (RODRIGUES,  et al. 2025). 

Este distúrbio acomete em média 75% em ventilação mecânica e até 50% daqueles que não recebem ventilação mecânica. O delirium possui características diferentes, apresentando o estado hiperativo ou hipoativo, flutuando entre os dois estados, se caracterizando como misto. O delirium hiperativo é o tipo mais reconhecível, caracterizado por inquietação e agitação. O delirium hipoativo é caracterizado por pensamento e raciocínio mais lentos, letargia e diminuição do movimento (ITABORAHY; LIMA,2023).

Sabe-se que esta doença aumenta o tempo de internação em UTI e no hospital (GONÇALVES et al., 2025), tempo de ventilação mecânica (BASTOS et al., 2020, mortalidade (BASTOS et al., 2020; GONÇALVES et al., 2025; MART et al., 2020), interfere na avaliação e abordagem da dor e de outros sintomas, aumenta os custos hospitalares, diminui a funcionalidade e qualidade de vida pós-alta e tem impacto negativo nos doentes, familiares e profissionais de saúde (BASTOS et al., 2020; GONÇALVES et al., 2025). Por isso, há a necessidade de identificá-lo rapidamente e agir de forma assertiva, para melhora do prognóstico e da qualidade de vida do paciente (BASTOS et al., 2020).

A duração do delirium é o principal fator de risco para comprometimento cognitivo após doença crítica, uma forma de demência adquirida na UTI que é particularmente debilitante (MART et al., 2020).

Além de ser considerado fator de risco para mortalidade em UTI, a patologia também pode ocorrer após a alta hospitalar, causando maior dependência do paciente e comprometimento cognitivo à longo prazo. Para os pacientes com delírium a mortalidade hospitalar pode variar entre 25% e 33%, porém a associação estatística é menos clara (BASTOS et al., 2020).

A mortalidade intra-hospitalar, após 3, 6 e 12 meses, apresenta significante aumento em pacientes com delirium. Nestes pacientes, foram observadas maiores taxas de eventos adversos, maiores gastos hospitalares e maiores taxas de readmissão hospitalar (ESPEZI et al., 2024).

2 JUSTIFICATIVA

A presença de delirium tem importantes implicações prognósticas; em pacientes submetidos à ventilação mecânica, está associada a um aumento de 2,5 vezes na mortalidade em curto prazo e de 3,2 vezes na mortalidade em 6 meses (CAVALLAZZI; SAAD; MARIK, 2012).

O delirium causa piora nas condições clínicas do paciente, aumentado a necessidade de cuidados e também o risco de mortalidade, podendo prolongar o tempo de hospitalização (PAN, et al. 2018). 

Ressalta-se que a identificação precoce e o manejo adequado do delirium são cruciais para minimizar as comorbidades associadas (RODRIGUES  et al. 2025).

Protocolos multidisciplinares e institucionalizados tem se mostrado fundamentais para a redução da incidência e gravidade da síndrome GONÇALVES et al., 2025).

Neste contexto, evidenciados a alta incidência de delírium em pacientes internados na UTI, bem como seu alto impacto na mortalidade e aumento de internação e ventilação mecânica, destaca-se a importância na utilização do Protocolo de Delirium na UTI como forma de padronização e melhor operacionalização dos processos envolvidos na assistência. 

A implementação de um protocolo para o delirium visa contribuir para melhor operacionalização e padronização dos processos envolvidos em Terapia Ocupacional; e para melhor tomada de decisão, acompanhamento e mensuração dos resultados; contribuindo para melhor efetividade das ações junto à prevenção e manejo do delirium (RODRIGUES  et al. 2025).

3 OBJETIVOS

3.1 Objetivo Geral:

Elaborar um protocolo de prevenção, diagnóstico e tratamento do Delirium para pacientes internados na UTI.

3.2 Objetivos Específicos:

  • Identificar precocemente os sinais de delirium em pacientes internados na UTI;
  • Estabelecer estratégias de prevenção do delirium;
  • Desenvolver e implementar um protocolo de tratamento para delirium; incluindo intervenções farmacológicas e não farmacológicas, com base nas melhores evidências científicas disponíveis;
  • Reduzir a duração do delirium e suas complicações, como o risco aumentado de mortalidade, tempo de ventilação mecânica e tempo de permanência na UTI;
  • Proporcionar informação para a equipe multidisciplinar da UTI.

4 METODOLOGIA

Trata-se de um Protocolo Delirium para pacientes críticos internados em UTI Adulto. 

O Público-alvo deste protocolo são osprofissionais da equipe multidisciplinar em UTI como Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais de saúde envolvidos no cuidado intensivo. 

Os critérios de exclusão são os pacientes internados em outras enfermarias. 

 Foi realizada uma revisão da literatura para um maior embasamento teórico e científico sobre o tema. A coleta de dados foi realizada por meio de uma busca sistemática nas principais bases de dados científicas:  PubMed/Medline, SciElo, BVS e LILACS. Foram utilizadas como palavras-chave  e  descritores: “Delirium”,  “Hospitalized  patients”,  “Epidemiology”,  “Etiopathogenesis”, “Risk  factors”,  “Diagnosis”,  “Prevention”,  e  “Treatment”,  a  fim  de  identificar  artigos relevantes  que  se  alinhavam  aos  objetivos  da  pesquisa.  A  busca  foi  realizada  de  forma criteriosa e abrangente, respeitando os parâmetros de qualidade científica e precisão nas fontes de informação.

Os critérios de inclusão desta revisão foram os estudos do tipo ensaios clínicos, estudos observacionais, meta análises com relevância para o tema. Foram utilizados estudos em inglês e português e disponíveis com texto completo. Estudos que não estavam diretamente relacionados ao tema ou que não atendiam aos critérios de qualidade foram excluídos.

5  FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

5.1 Definição e epidemiologia

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV), o delirium é definido como um distúrbio na atenção, consciência e cognição com capacidade reduzida de direcionar, focar, manter e desviar a atenção e orientação reduzida para o ambiente (APA, 2014). 

É caracterizado por declínio cognitivo do nível de consciência e da atenção, alterações comportamentais e de humor, atividade psicomotora aumentada ou diminuída, e alteração do ciclo sono-vigília. O reconhecimento precoce e a prevenção são a melhor forma de reduzir e tratar o delirium (BASTOS et al., 2020).

É entendido como um estado confusional proveniente de uma disfunção cerebral aguda potencialmente reversível, que pode ser detectado no momento da admissão do paciente no hospital ou surgir durante a sua internação e persistir após a alta hospitalar (BASTOS et al., 2020).

É caracterizada por uma alteração aguda ou flutuação mental, desatenção e pensamento desorganizado ou um nível alterado de consciência. O delirium pode ser um sintoma prodrômico de homeostase perturbada e um sinal precoce de infecção ou hipóxia (KHAN et al., 2020; KOTFIS et al., 2022).

O delirium é identificado principalmente pela dificuldade de focalizar, manter ou desviar a atenção (desatenção). Causa flutuação de consciência; desorientação em relação ao tempo, e às vezes espaço ou pessoas. Os pacientes tendem a ter alucinações, delírios e paranoia. A confusão relacionada a eventos cotidianos e rotinas diárias é comum, assim como alterações de personalidade e afeto. O pensamento torna-se desorganizado e, geralmente, a fala é arrastada com evidência de pronúncia indistinta, rapidez, neologismos, erros afásicos ou padrões totalmente caóticos (HUANH 2025).  

Os sintomas oscilam em minutos a horas, podendo diminuir durante o dia e piorar à noite. Outros sintomas do delirium podem incluir comportamento inapropriado e medo. Os pacientes podem se tornar irritados, agitados, hiperativos e hiperalertas; inversamente, podem se tornar quietos, introvertidos e letárgicos. Pacientes muito idosos com delirium tendem a se tornar quietos e isolados — as alterações podem ser confundidas com depressão. Alguns pacientes alternam entre agitação e retraimento. Em geral, os padrões de sono e alimentação são bastante distorcidos. Em razão dos vários distúrbios cognitivos, a percepção é precária e o julgamento deficiente (HUANH 2025).   

Uma meta-análise observou que aproximadamente um terço dos pacientes gravemente enfermos desenvolve delirium. De acordo com estudos epidemiológicos, a incidência de delirium pós-operatório é de aproximadamente 45-50%. A incidência de delirium na UTI possui variação de 45 a 87% e a maior taxa de incidência é encontrada em pacientes de UTI submetidos à ventilação mecânica e atingindo mais de 80% (BOWMAN et al., 2021; SIEBER et al., 2021).

Entretanto, apesar de sua elevada incidência, o delirium permanece subdiagnosticado em 25% a 75% dos pacientes. Este quadro pode ser ocasionado pela natureza flutuante dos sintomas clínicos, além da falta de conhecimento dos profissionais envolvidos sobre o distúrbio, ao baixo uso de ferramentas de avaliação além da falta de registro do fenômeno pelos profissionais. Quando não diagnosticado e tratado de forma precoce, este distúrbio apresenta taxa de mortalidade de cerca de 25% a 33%. É estimado que a cada dia em delirium há um incremento de 10% no risco de morte (SIEBER et al., 2021).

É importante ressaltar que os distúrbios de atenção, consciência e cognição não são explicados por distúrbios neurocognitivos pré-existentes e não ocorrem no contexto de um nível gravemente reduzido de excitação, como sedação ou coma. Existe evidências de que a perturbação é uma consequência fisiológica direta de outra condição médica, intoxicação ou abstinência de substância, exposição a uma toxina ou devido a múltiplas etiologias (STOLLINGS et al., 2021).

As implicações da alta incidência e prevalência do delirium são profundas, tanto em termos econômicos  quanto  sociais.  Economicamente,  o  delirium  está  associado  a  custos  elevados devido  ao  prolongamento  do  tempo  de  internação,  necessidade  de  cuidados  intensivos adicionais   e   maiores   taxas   de   readmissão   hospitalar.   Estudos   estimam   que   os   custos relacionados  ao  delirium  ultrapassem bilhões  de  dólares  anualmente,  considerando  despesas médicas diretas e indiretas. Socialmente, o delirium tem um impacto devastador na qualidade de  vida  dos  pacientes  e  seus  familiares,  muitas  vezes  resultando  em  declínio  cognitivo persistente, perda de independência funcional e aumento da necessidade de cuidados em longo prazo  (GOLDBERG et  al.,  2020;  JO  ELLEN  WILSON et  al.,  2020).

O delirium afeta os resultados de saúde imediatos e de longo prazo de pacientes gravemente enfermos, pois pode aumentar o tempo de ventilação mecânica, o tempo de internação na UTI e no hospital, além da chance de enfraquecimento funcional e morte. Os pacientes frágeis possuem chances aumentadas de um desfecho ruim com delirium, principalmente naqueles com idade avançada e que já apresentam dificuldades cognitivas (PALAKSHAPPA;  HOUGHCL, 2021).

Estudos de Lin et al. (2022), realizado em 6 UTIs avaliou 267 pacientes e identificou que a ocorrência de delirium foi associada a internações hospitalares mais longas quando comparada à ausência de delirium.

5.2 Fisiopatologia 

O delirium tem etiologia multifatorial e entre os fatores de risco não modificáveis, aqueles que são decorrentes de uma condição preexistente do paciente, destaca-se a idade avançada, que é um dos  principais  fatores  predisponentes  devido  ao  declínio  fisiológico  natural  do  cérebro  e  à presença  de  comorbidades  (JO ELLEN WILSON et al., 2020, GOLDBERG et al., 2020; HUANH 2025). Também se verifica e o comprometimento cognitivo prévio; a abstinência, o tabagismo e o consumo de álcool (ESPEZI et al., 2024; FONG; INOUYE, 2022; LEAL; MOREIRA, 2023).

Já os fatores de risco modificáveis relacionam-se a uma condição aguda ou a eventos iatrogênicos e ambientais os quais são passíveis de intervenção, são exemplos: admissão de urgência, hipóxia, dor (FONG; INOUYE, 2022), infecções (FONG; INOUYE, 2022; HUANH, 2025; LEAL; MOREIRA, 2023). e desidratação (HUANH, 2025), contenção  física,  distúrbios  do  sono,  dispositivos  invasivos  (ESPEZI et al., 2024; LEAL; MOREIRA, 2023),  procedimento cirúrgico,  sedativos  e  analgésicos  opioides (BASTOS et al., 2020; ESPEZI et al., 2024; FONG; INOUYE, 2022; LEAL; MOREIRA, 2023). 

A Polifarmácia, ou o uso de múltiplos medicamentos, é fator de risco crítico, sendo os anticolinérgicos, benzodiazepínicos e opioides conhecidos por seus efeitos adversos no sistema nervoso central, aumentando o risco de delirium (JO ELLEN WILSON et al., 2020, GOLDBERG et al., 2020; HUANH 2025). A interação entre múltiplos fármacos pode exacerbar esses efeitos, especialmente em idosos (GOLDBERG et al., 2020; JO ELLEN WILSON et al., 2020) e características próprias ao ambiente como iluminação artificial, ruídos, isolamento familiar (ESPEZI et al., 2024).

A  etiologia  é  multifatorial,  envolvendo  uma  combinação  de  fatores  predisponentes  e precipitantes. Entre as causas subjacentes mais comuns estão as doenças médicas agudas, insuficiência  cardíaca,  insuficiência  renal  e  desequilíbrios  eletrolíticos. Estas condições podem alterar o metabolismo cerebral, levando a disfunções cognitivas. Condições   neurológicas,   como   demência,   AVC   e   traumatismo cranioencefálico, aumentam a vulnerabilidade do cérebro a disfunções que podem culminar em delirium (FONG; INOUYE, 2022).

Fonte: Almeida et al., 2021

Também se incluem os fatores como o choque, anemia, imobilidade, desnutrição, privação de sono, diminuição dos estímulos sensoriais à noite e estresse emocional. A Insuficiência hepática ou renal não reconhecida tendem a causar delirium ao prejudicar o metabolismo e reduzir a depuração de um medicamento previamente bem tolerado (HUANH 2025).

Um   Estudo transversal de Pinheiro, et al. (2022) realizado com 316 pacientes hospitalizados indicaram uma prevalência de delirium em 62% em pacientes de neurocirurgia. A contenção física (81,3%), alimentação por sonda nasoenteral (85,9%) e ventilação mecânica (50,0%) foram associadas à prevalência de delirium.  

Gibb, et al. (2020), também observaram que fatores  precipitantes  podem  variar  conforme  o  contexto  clínico, mas no ambiente hospitalar, a polifarmácia, o uso de psicofármacos e a contenção física se destacam como os principais elementos que aumentam significativamente o risco de delirium.  Estes  fatores  são  responsáveis  por  um  aumento  do  risco  em  até  quatro  vezes.

 Rodrigues (2023), identificarm em pacientes com idade acima de 60 anos uma associação entre a ocorrência de delirium e fragilidade, demência e histórico de acidente vascular cerebral.

Estudos de Marques et al. (2025), evidenciaram em idosos com mais de 60 anos hospitalizados, a ocorrência geral de delírium de 25,83% para permanência superior a três dias de hospitalização. Dos pacientes que desenvolveram delírium, 74,17% eram frágeis, 25,83% pré-frágeis, 

Lin (2022), averiguaram em estudo que a ocorrência de delirium foi associada a internações hospitalares mais longas quando comparada à ausência de delirium.

Bhavani; Prathyusha; Kumar (2025), comprovaram que pacientes idosos apresentaram um risco 2,5 vezes maior de desenvolver delirium. Pacientes com escores de gravidade da doença mais elevados apresentaram um risco 3,2 vezes maior de delirium . A ventilação mecânica prolongada foi associada a um risco 2,8 vezes maior de delirium, provavelmente devido à exposição prolongada a sedativos e à imobilização. O uso de benzodiazepínicos aumentou o risco de delirium em 2,1 vezes, o que está de acordo com seus conhecidos efeitos colaterais neurocognitivos. A hipoxemia grave foi associada a um risco 1,8 vezes maior de delirium.

De Trizio (2025), registrou que entre 9.604 pacientes, 22,6% desenvolveram delirium na UTI, sendo que 11,1% possuíam mais de 65 anos. 

5.3 Ferramentas diagnósticas validadas

A avaliação e diagnóstico do delirium podem ser realizados pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th Edition (DSM-5), pelo Confusion Assessment Method in Intensive Care Unit (CAM-ICU) e pela escala RASS(Richmond Agitation-Sedation Scale). 

Fonte: 5a Edição do Manual Diagnóstico e estatístico – APA-DSM-V, 2022

O Confusion Assessment Method for the Intensive Care Unit (CAM-ICU) é um teste para detectar delirium. Baseia-se numa série de perguntas e comandos concebidos para detectar as caraterísticas do delirium. Certos aspetos do teste CAM-ICU tornam-no adequado para ambientes de cuidados intensivos muito ocupados. O teste CAM-ICU pode ser efetuado mesmo que o doente que está a ser testado não consiga falar. O CAM-ICU é rápido de executar e requer um treino mínimo, pelo que pode ser utilizado por qualquer membro da equipa de saúde.

A escala CAM-ICU demonstrou excelente confiabilidade e validade na utilização por enfermeiros e médicos, e é indicada para pacientes ventilados mecanicamente em UTI (APA, 2013). 

Já o manejo da sedação em pacientes críticos é um dos desafios centrais da terapia intensiva. Sedar pouco pode levar à agitação, risco de autoextubação e sofrimento. Sedar demais aumenta o risco de delirium, infecções e tempo prolongado de ventilação mecânica. Nesse cenário, a escala RASSsurge como uma ferramenta clínica valiosa, validada e de fácil aplicação (NASSAR JUNIOR, 2008)

A RASS é uma escala desenvolvida para avaliar de forma padronizada o nível de agitação e sedação de pacientes hospitalizados, especialmente em ambientes de terapia intensiva (ALVES, 2025). A escala varia de +4 a -5, abrangendo desde um estado de extrema agitação até o coma profundo.

Quando combinada com outras ferramentas, como a CAM-ICU, a RASS auxilia na detecção de delirium em pacientes críticos (ALVES, 2025)

Além destes testes, deve haver evidências a partir da história, exame físico e/ou testes laboratoriais sugerindo que a perturbação é causada por uma doença médica, uma substância (incluindo fármacos ou toxinas), ou interrupção de substâncias (HUANG, 2025).

Fonte: NICE, 2010; OLIVEIRA  et al., 2025 

5.4 Tratamento farmacológico e não farmacológico: Ações preventivas

De acordo com  Brummel; Girard (2013), a prevenção de Delirium pode ocorrer por meio de Medidas farmacológicas e não Farmacológicas.  Como medidas não farmacológicas e Estruturais, sugere-se ajustar o ambiente, mantendo ciclos de sono-vigília, garantia de uma iluminação natural, redução de ruídos, fornecimento de óculos/aparelhos auditivos e realização de reorientação cognitiva frequente. Também é importante incentivar a movimentação precoce para se evitar contenção física. O engajamento familiar também deve ser incentivado com relação aos cuidados do paciente. A equipe Multiprofissional deve fazer avaliação diária por escalas validadas (CAM-ICU ou ICDSC) (AMERICAN GERIATRICS SOCIETY, 2021; CAETANO, 2021: WILLIAMS et al., 2020). 

O tratamento não farmacológico deve incluir a minimização da dor e o desconforto, prevenção de lesões na pele, melhora da incontinência urinária e fecal e minimização do risco de aspiração (CAETANO, 2021; WILLIAMS, et  al., 2020).

Estudos de Lange et al. (2022) avaliaram os efeitos das intervenções de enfermagem não farmacológicas na prevenção do delírium, que foram classificados em quatro grupos: intervenções não farmacológicas multicomponentes, mobilização precoce, participação familiar e intervenções ambientais. 

De acordo com os autores, as intervenções não farmacológicas multicomponentes incluem: redução da luz e do ruído e a orientação frequente do paciente, ouvir música, usar óculos, protetores auriculares/coberturas para os olhos, redução do ruído e uso de luz natural/iluminação reduzida à noite. Também identificaram como eficazes as medidas do protocolo ABCDE.

Também foram observados no estudo uma intervenção multicomponente composta por sete complexos, como atividade física, participação familiar, estimulação cognitiva, reorientação, estimulação sensorial, controle ambiental, adaptação clínica, reorientação, estimulação sensorial, controle ambiental e adaptação clínica em conjunto, foi a intervenção mais eficaz na prevenção do delirium em unidades de terapia intensiva. 

Com relação à mobilização precoce, identificaram efeitos positivos na redução da incidência e na redução da duração do delirium. No entanto, a atividade física combinada com a participação da família teve um efeito maior na redução do delirium. Identificaram também que o efeito do exercício cognitivo na duração do delirium em pacientes de UTI reduziu significativamente a incidência de delirium e o tempo de internação hospitalar em pacientes de UTI (LANGE et al., 2022)..

A participação da família esteve associada a um risco 24% menor de delirium e a menos dias de delirium  e as intervenções ambientais como terapia com luz brilhante e ao uso da terapia com luz dinâmica como intervenções isoladas não mostraram diferenças estatisticamente significativas na incidência de delirium, embora a terapia com luz brilhante tenha demonstrado um efeito positivo na melhora do ritmo circadiano dos pacientes. Outras intervenções ambientais como de higiene do sono, incluindo o uso de tampões de ouvido em pacientes internados na UTI, foi associada a uma redução significativa no risco de delirium. O efeito da música demonstrou efeito positivo na redução da incidência de delirium (LANGE et al., 2022).

Marra et al (2017), citam o protocolo ABCDEF que constitui em um  guia baseado em evidências para nortear os profissionais de saúde em ações necessárias para otimizar a recuperação e os desfechos dos pacientes em UTI. O protocolo inclui: Avaliar , Prevenir e Gerir a Dor, Testes de Despertar Espontâneo e Testes de Respiração Espontânea, Escolha de analgesia e sedação, Delírio : Avaliar, Prevenir e Gerir, Mobilidade precoce e Exercício e Envolvimento e capacitação da família.

Em se tratando de estratégias de prevenção, é primordial adotar  medidas  que  promovam  um  ambiente  hospitalar  otimizado,  com  ênfase  na manutenção  da  orientação  temporal  e  espacial  do  paciente,  estimulação  cognitiva  e estratégias   para   a   minimização   de   fatores   estressores.   Além   do mais,   o   ajuste   de medicamentos,  com  a  redução  de  fármacos  potencialmente  delirantes  e  a  revisão  dos esquemas  terapêuticos,  é  uma  etapa  crucial  para  prevenir  a  progressão  do  quadro (WILLIAMS et al., 2020.

Uma importante estratégia do Protocolo ABCDEF é a mobilização precoce e de acordo com Marra et al. (2017), foi a única intervenção que resultou em redução dos dias de delirium em pacientes internados na UTI.

De acordo com os autores, apesar do da mobilização precoce por parte dos profissionais clínicos, observa-se evidências positivas sobre a estratégia de minimizar a sedação e, consequentemente aumentar a atividade física de pacientes em UTI até o ponto em que consigam levantar-se e sair da cama. 

A fisioterapia demonstrou ser viável e segura, mesmo em pacientes mais complexos que recebem as terapias médicas mais avançadas. A terapia de ativação espontânea diária combinada com fisioterapia e terapia ocupacional, em comparação com a terapia de ativação espontânea isolada, evidenciou melhor resultado com relação à diminuição da duração do delirium na UTI  (MARRA et al., 2017).

A melhora do desempenho ocupacional e estímulo à realização de atividades são significativas, também é válida a prescrição de recursos de tecnologia assistiva e terapias complementares, quando indicado. Deve ocorrer a avaliação constante e monitoramento do paciente visando o controle da dor, de sintomas emocionais e de condições clínicas que predispõem ao delirium. A melhora da comunicação do paciente e sua vinculação com a equipe e com a rede de apoio também devem ser estimuladas visando a educação em saúde (CAETANO, 2021).

O meio ambiente deve incluir sinais visuais para orientar o paciente (p. ex., calendário, relógios, fotografias da família). A frequente reorientação e tranquilização, pela equipe médica do hospital ou pelos membros da família, também pode ajudar (WILLIAMS et  al., 2020).

Já as medidas farmacológicas estão relacionadas ao manejo e sedação e incluem o Protocolo de Analgo-sedação que deve priorizar a dor antes da sedação. Sedação leve é a meta para manter o paciente calmo e colaborativo. 

A dexmedetomidina é preferida por associar-se a menores taxas de delirium e tempo reduzido de ventilação. O propofol é outra opção segura. Deve ser evitado os Benzodiazepínicos (lorazepam, midazolam), pois aumentam significativamente o risco de delirium. Com o delirium estabelecido, deve-se tratar as causas reversíveis (infecções, distúrbios metabólicos, medicamentos). O haloperidol pode ser considerado para agitação severa, embora não haja droga “aprovada” especificamente para o tratamento (BRUMMEL; GIRARD, 2013).

Outra conduta eficiente no ajuste da sedação é manter o paciente acordado, calmo e colaborativo, objetivando o escore RASS entre -2 e +1. Também pode ser utilizada a interrupção diária da sedação, despertando o paciente para avaliação da necessidade contínua de sedação, o que reduz o tempo de ventilação mecânica e a incidência de delirium. Com relação à analgosedação, deve-se tratar a dor primeiro com analgésicos (ex: fentanil) antes de iniciar sedativos, pois a dor é uma causa subjacente comum de agitação (BARR et al., 2013)

A agitação pode ameaçar o bem-estar do paciente, de um cuidador ou um membro da equipe médica. Simplificar o regime de medicamentos e evitar o máximo possível o uso de acessos e métodos de contenção física (em particular no ambiente do tratamento prolongado) pode ajudar a prevenir a exacerbação da agitação e reduzir o risco de lesão. 

No entanto, em certas circunstâncias, pode ser necessária a contenção física para impedir que os pacientes causem danos a si mesmos ou a outros. A contenção deve ser realizada por um membro da equipe médica treinado para tal, devendo ser interrompida pelo menos a cada 2 horas para prevenir lesão e descontinuada o mais breve possível. O uso de assistentes hospitalares (cuidadores) como observadores constantes pode ajudar a evitar a necessidade de contenção (AMERICAN GERIATRICS SOCIETY, 2021).

Os medicamentos antipsicóticos às vezes são utilizados para tratar agitação grave, mas seu uso rotineiro não é recomendado. Estas medicações não corrigem o problema de base e podem prolongar ou exacerbar o delirium. O Haloperidol em baixa dose, conforme necessário, pode diminuir a agitação ou os sintomas psicóticos; ocasionalmente, doses mais altas são necessárias. 

 Antipsicóticos de segunda geração (atípicos) (p. ex., risperidona, olanzapina, quetiapina) podem ser preferíveis em pacientes mais velhos, pois têm menos efeitos adversos extrapiramidais; no entanto, o uso a longo prazo pode causar ganho de peso e outros efeitos adversos. Esses medicamentos são tipicamente administrados por via oral, não por via parenteral (AMERICAN GERIATRICS SOCIETY, 2021).

A ziprasidona é um antipsicótico atípico, disponível em formulações oral e intramuscular, utilizado no manejo de agitação aguda, inclusive em quadros de delirium. No entanto, estudos indicam que a ziprasidona não altera significativamente a duração do delirium em UTIs, sendo ineficaz, assim como o haloperidol, na redução de dias em coma ou delirium (GIRARD et al., 2018).

Para delirium causado pela abstinência de álcool ou benzodiazepínicos, os benzodiazepínicos intravenosos são os medicamentos de escolha. Seu início de ação é mais rápido (5 minutos após a administração parenteral) do que os antipsicóticos. Contudo, benzodiazepinas devem ser evitados para o tratamento de todas as outras causas de delirium, pois podem agravar a confusão e a sedação.

De acordo com Marra et al. (2017), existe uma clara associação entre a diminuição da exposição a sedativos, particularmente benzodiazepínicos, e a melhora dos resultados para o paciente. Os benzodiazepínicos são um fator de risco independente para o desenvolvimento de delirium durante doenças críticas, mesmo quando administrados mais de 8 horas antes de uma avaliação de delirium.  As opções sedativas não benzodiazepínicas podem ser preferíveis a regimes sedativos à base de benzodiazepínicos.  

Estudos de L Jones; Kundakci; Booth (2025), evidenciaram uso do receptor α2adrenérgico (principalmente dexmedetomidina) para prevenir ou reduzir a ocorrência de delirium. reduzir o tempo de internação em UTI e hospitalar. 

Marra et al. (2017) também observaram os resultados dos benzodiazepínicos em comparação com um novo sedativo agonista alfa-2, a dexmedetomidina: o estudo SEDCOM (Segurança e Eficácia da Dexmedetomidina Comparada ao Midazolam) que evidenciou uma redução na prevalência de delirium e na duração da ventilação mecânica em pacientes sedados com dexmedetomidina em comparação com midazolam, e o estudo MENDS (Maximizando a Eficácia da Sedação Direcionada e Reduzindo a Disfunção Neurológica) que avaliou o papel da mudança de paradigmas de sedação na disfunção cerebral aguda, comparando dexmedetomidina com lorazepam.  A estratégia de sedação com dexmedetomidina resultou em mais dias vivos sem delirium ou coma, mas sem diferenças na mortalidade ou nos dias livres de ventilação mecânica. 

Devlin et al. (2018), analisaram estudos randomizados de adultos admitidos na UTI para cuidados pós-operatórios onde foram revisados para uso de haloperidol, o antipsicótico atípico risperidona e dexmedetomidina . Cada estudo relatou uma redução significativa na incidência de delirium favorecendo o agente farmacológico: haloperidol IV programado após cirurgia não cardíaca; uma dose única de risperidona após cirurgia cardíaca eletiva; e dexmedetomidina em baixa dose programada após cirurgia não cardíaca. Observaram em outro estudo a sugestão de que a administração noturna de dexmedetomidina em baixa dose em adultos criticamente enfermos com escores APACHE-II de 22 foi associada a uma proporção significativamente maior de pacientes que permaneceram sem delirium durante sua internação na UTI.

Pacientes sedados com dexmedetomidina apresentam mínima depressão respiratória, interagem mais e são despertados com maior facilidade, de forma que o agente também pode ser utilizado em pacientes não intubados. No entanto, a dexmedetomidina não deve ser utilizada em ambientes sem monitorização pelo risco de sedação excessiva, hipotensão e bradicardia (HCOR, 2025).

5.5 Fatores limitantes

Como fatores limitantes deste estudo, observa-se que as  evidências  científicas  não  sustentam  o  uso  de  tratamentos  farmacológicos profiláticos para  evitar  o  delirium  em  pacientes  internados em UTI. Embora algumas medicações tenham sido testadas, como os inibidores da colinesterase, os resultados não demonstraram   redução   na   incidência   de   delirium   e   mostraram   efeitos   colaterais significativos,  incluindo  possível  aumento  da  mortalidade.  Agonistas  dos  receptores  α2-adrenérgicos,  como  a  dexmedetomidina  e  a  clonidina, também têm sido investigados, com potencial para prevenir e tratar o delirium, embora o mecanismo exato de ação ainda não esteja completamente elucidado (KHACHATURIAN, et al.,2020).

Devlin et a. (2018), recomendam não utilizar haloperidol, um antipsicótico atípico, dexmedetomidina, um inibidor da β-hidroxi-β-metilglutaril-coenzima A (HMG-CoA) redutase (isto é, estatina) ou cetamina para prevenir o delirium em todos os adultos gravemente enfermos. 

O diagnóstico do delirium é eminentemente clínico, e o reconhecimento imediato da condição em pacientes é essencial para bom prognóstico. Além disso, mais de 80% dos pacientes em UTI com ventilação mecânica apresentam delirium. Porém, é um diagnóstico subestimado – estima-se que apenas metade dos casos são identificados (OLIVEIRA, et al. 2025).

Não há muitas ferramentas clínicas que demonstraram ser tão úteis quando a CAMICU para ajudar a identificar delirium – que apresenta sensibilidade e especificidade próximas de 95%. Observa-se que a escala é limitada para pacientes cuja linha de base neurológica é desconhecida. Além disso, não pode ser utilizada em pacientes sedados (MARIZ et al., 2022).

A escala RASS também não está isenta de limitações, pois sua aplicação depende da observação clínica, o que pode introduzir variações subjetivas entre profissionais. No entanto, o uso de protocolos padronizados ajuda a reduzir essas diferenças. A RASS não mensura analgesia nem delirium. Assim, um paciente pode estar adequadamente sedado segundo a escala, mas ainda sentir dor ou apresentar quadro confusional (NICE, 2010; OLIVEIRA, 2025)

6 PROTOCOLO PARA PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO DELIRIUM EM PACIENTES INTERNADOS NA UTI

Conceito: O delirium consiste em uma condição neuropsiquiátrica aguda caracterizada por um distúrbio agudo da atenção e da consciência que acomete em média 75% dos pacientes internados na UTI em ventilação mecânica e até 50% daqueles que não recebem ventilação mecânica. É considerado um fator de risco para mortalidade entre 25% e 33% em UTI e após a alta hospitalar, causando maior dependência do paciente e comprometimento cognitivo à longo prazo. 

Objetivo: Identificar risco precoce para delirium;reduzir fatores predisponentes e precipitantes; controlar sintomas e tratar a causa base.

Local de aplicação: UTI

Público-alvo: profissionais da equipe multidisciplinar em UTI (Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, outros profissionais de saúde envolvidos no cuidado intensivo.

Todos devem ser treinados e estar alinhados com as intervenções preventivas e de manejo.

1. ADMISSÃO UTI – AVALIAÇÃO 

Ao admitir um paciente na UTI, a equipe deve realizar uma avaliação inicial, considerando fatores de risco para o desenvolvimento de delirium:

  • Ventilação mecânica — delirium pode ocorrer em até 80% desses pacientes. 
  • Idosos – mais suscetíveis à disfunção cognitiva aguda. 
  • Gravidade clínica elevada ou doença crítica — internados por sepse, choque, grandes cirurgias etc.
  • Fatores predisponentes e precipitantes

2. AVALIAÇÃO CONTÍNUA DE RISCO E DIAGNÓSTICO

Deve-se utilizar as escalas como RASS (Richmond Agitation-Sedation Scale) e CAMICU (Confusion Assessment Method for the ICU) para avaliação diária da sedação e da presença de delirium:

Escala de Richmond de Agitação-Sedação (RASS)

Os pacientes devem, preferencialmente, permanecer com nível superficial de sedação (RASS 0 a -2) ou seja, calmos, confortáveis e colaborativos. Sedação profunda (RASS -3 a -5) pode ser necessária para assegurar ventilação protetora

Escala CAM

Fonte: Critical Illness, Brain Dysfunctio, and survivirship (CIBS) Center, 2007

Caso o delirium seja diagnosticado, deve ser realizado uma investigação detalhada para identificar causas subjacentes, como infecções, distúrbios metabólicos ou problemas respiratórios.

3. CONFIRMAÇÃO E INVESTIGAÇÃO DA CAUSA

Identificar e corrigir fatores desencadeantes:

  • Avaliar possíveis causas:

o Infecção (PAV, sepse, ITU)           

o Distúrbios metabólicos e eletrolíticos

o Hipoxemia, hipoglicemia           

o Dor mal controlada

o Uso de fármacos (sedativos, opioides, anticolinérgicos)

  • Solicitar exames laboratoriais e de imagem conforme necessidade.

4. TRATAMENTO DO DELIRIUM

O delirium deve ser tratado abordando diretamente suas causas (ex.: tratamento de infecções, correção de desequilíbrios metabólicos, ajuste da ventilação mecânica).

A sedação é ajustada com base no protocolo de sedação da instituição, favorecendo sedação leve, controlada, priorizando conforto, evitando sedação profunda, sempre que possível.

5. MONITORAMENTO CONTÍNUO

Avaliar resposta ao tratamento:

  • Reavaliar diariamente:

o RASS

o CAM-ICU

o Necessidade de sedação e antipsicóticos

  • Ajustar intervenções conforme evolução clínica.

6. DESMAME DA VENTILAÇÃO MECÂNICA

Reduzir fatores perpetuadores do delirium:

  • Avaliar prontidão diariamente.
  • Reduzir sedação progressivamente.
  • Realizar teste de respiração espontânea.
  • Extubar o mais precocemente possível, quando indicado.

7. PÓS-DELIRIUM E ALTA DA UTI

Evitar recorrência e sequelas cognitivas.

  • Monitorar recuperação cognitiva.
  • Orientar equipe e familiares sobre sinais de recorrência.
  • Planejar continuidade do cuidado após alta da UTI.

8. INDICADORES DE QUALIDADE

  1. Taxa de Delírium Hospital X UTI
  2. Tempo de duração do delirium
  3. Tempo de internação UTI
  4. Taxa de readmissão UTI

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este passo a passo promove uma abordagem padronizada, segura e baseada em evidências, integrando prevenção, diagnóstico precoce e tratamento eficaz do delirium em pacientes ventilados na UTI. O sucesso depende da atuação multiprofissional, da avaliação diária sistemática e da priorização de estratégias não farmacológicas.

FLUXOGRAMA INSTITUCIONAL – MANEJO DO DELIRIUM EM PACIENTES INTERNADOS NA UTI

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