TOOTH SENSITIVITY FOLLOWING DENTAL BLEACHING PROCEDURE
SENSIBILIDAD DENTARIA POSTERIOR AL PROCEDIMIENTO DE BLANQUEAMIENTO DENTAL
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202510211545
Ingrid Oliveira Gomes1
Orientadora: Monique Brandalise Stubs2
RESUMO: O clareamento dental é um dos procedimentos estéticos mais procurados em odontologia por sua capacidade de melhoras forma significativa a estética do sorriso. Entretanto, a sensibilidade dentária pós-clareamento é um efeito adverso frequente, que pode comprometer a experiência do paciente durante e após o tratamento. O objetivo deste estudo foi analisar as causas da sensibilidade dentária associada ao clareamento e avaliar as estratégias terapêuticas mais eficazes para o seu controle. Trata-se de uma revisão de literatura conduzida em bases indexadas, incluindo artigos clínicos e revisões sistemáticas publicados nos últimos anos. Os resultados apontam que a sensibilidade ocorre devido à difusão dos agentes clareadores através do esmalte e dentina, atingindo a polpa dentária e estimulando fibras nervosas. Fatores como cáries, trincas e recessões gengivais aumentam o risco de hipersensibilidade exacerbada. As principais abordagens de manejo descritas foram o uso de dessensibilizantes — como nitrato de potássio e fluoretos — e a laserterapia de baixa intensidade, ambos eficazes na redução do desconforto sem comprometer os resultados estéticos. Conclui-se que a adoção de protocolos preventivos e terapêuticos específicos é essencial para garantir maior conforto e satisfação ao paciente submetido ao clareamento dental.
PALAVRAS-CHAVE: clareamento; clareadores; clareamento dentário; agentes dessensibilizante.
ABSTRACT: Tooth whitening is one of the most requested aesthetic procedures in dentistry due to its ability to significantly improve the smile’s appearance. However, post-whitening tooth sensitivity is a common adverse effect that can compromise the patient’s experience during and after treatment. The aim of this study was to analyze the causes of tooth sensitivity associated with bleaching and to evaluate the most effective therapeutic strategies for its management. A literature review was conducted in indexed databases, including clinical studies and systematic reviews published in recent years. The findings indicate that sensitivity results from the diffusion of bleaching agents through enamel and dentin, reaching the pulp and stimulating nerve fibers. Pre-existing factors such as caries, cracks, and gingival recession increase the risk of exacerbated hypersensitivity. The main management approaches identified were desensitizing agents — such as potassium nitrate and fluorides — and low-level laser therapy, both effective in reducing discomfort without compromising the aesthetic outcomes. It is concluded that the adoption of preventive and therapeutic protocols is essential to ensure greater comfort and satisfaction for patients undergoing tooth whitening.
Keywords: whitening; whitening agents; tooth whitening; desensitizing agents.
RESUMEN: El blanqueamiento dental es uno de los procedimientos estéticos más solicitados en odontología debido a su capacidad para mejorar significativamente la apariencia de la sonrisa. Sin embargo, la sensibilidad dental posterior al blanqueamiento constituye un efecto adverso común que puede comprometer la experiencia del paciente durante y después del tratamiento. El objetivo de este estudio fue analizar las causas de la sensibilidad dental asociada al blanqueamiento y evaluar las estrategias terapéuticas más efectivas para su manejo. Se realizó una revisión de la literatura en bases de datos indexadas, incluyendo estudios clínicos y revisiones sistemáticas publicados en los últimos años. Los hallazgos indican que la sensibilidad resulta de la difusión de los agentes blanqueadores a través del esmalte y la dentina, alcanzando la pulpa y estimulando las fibras nerviosas. Factores preexistentes como caries, fisuras y recesión gingival aumentan el riesgo de hipersensibilidad exacerbada. Las principales estrategias de manejo identificadas fueron el uso de agentes desensibilizantes —como el nitrato de potasio y los fluoruros— y la terapia láser de baja intensidad, ambas efectivas para reducir el malestar sin comprometer los resultados estéticos. Se concluye que la adopción de protocolos preventivos y terapéuticos es esencial para garantizar un mayor confort y satisfacción en los pacientes sometidos a blanqueamiento dental.
Palabras clave: blanqueamiento; agentes blanqueadores; blanqueamiento dental; agentes dessensibilizantes.
1. Introdução
Nos últimos anos, o clareamento dental tornou-se um dos procedimentos estéticos mais procurados na odontologia, especialmente devido à sua capacidade de proporcionar resultados rápidos e eficazes na melhoria da aparência do sorriso. Esse aumento na demanda por tratamentos clareadores tem sido acompanhado por um crescente interesse em entender os possíveis efeitos colaterais, com destaque para a sensibilidade dental, que é um dos principais desconfortos relatados pelos pacientes (BUSH et al., 2018). A sensibilidade pós-clareamento pode variar em intensidade e duração, afetando significativamente a experiência do paciente durante o tratamento, e é frequentemente um dos fatores que leva à interrupção precoce do procedimento (NOBLE et al., 2020).
O mecanismo que leva à sensibilidade dental após o clareamento está relacionado à penetrabilidade dos agentes clareadores no esmalte e dentina, o que pode estimular a polpa dentária, resultando em dor temporária e desconforto (FARAGE et al., 2017). Essa resposta ocorre principalmente quando os géis clareadores, como o peróxido de hidrogênio e o peróxido de carbamida, entram em contato com as terminações nervosas da dentina, causando uma sensação de dor aguda (SHARAFF et al., 2020). Além disso, pacientes com características dentárias pré-existentes, como desgaste do esmalte, cáries ativas ou fissuras, podem ser mais propensos a desenvolver hipersensibilidade após o tratamento (GÜNEŞ et al., 2021).
A sensibilidade pode ocorrer tanto em tratamentos realizados no consultório quanto em procedimentos caseiros. No clareamento em consultório, os agentes clareadores são aplicados em concentrações mais altas, o que pode causar maior desconforto, principalmente se não forem tomadas medidas para proteger os tecidos moles e garantir a correta aplicação do gel clareador (GUPTA et al., 2019). Em tratamentos caseiros, por outro lado, a concentração dos agentes clareadores é menor, mas o risco de sensibilidade ainda é significativo, dependendo do tempo de uso e da adequação da moldeira (BUSH et al., 2018).
Várias abordagens têm sido investigadas para minimizar a sensibilidade durante e após o clareamento dental.
Dada a crescente popularidade dos tratamentos clareadores e o impacto que a sensibilidade pode ter na adesão dos pacientes ao tratamento, é fundamental que os profissionais de odontologia compreendam as causas subjacentes desse fenômeno e adotem estratégias adequadas para mitigálo. O presente estudo visa revisar a literatura atual sobre as causas e soluções para a sensibilidade pós-clareamento dental, com foco em tratamentos que podem ajudar a melhorar a experiência do paciente, aumentando a eficácia e a aceitação dos tratamentos clareadores.
Nesse sentido, este estudo tem como objetivo realizar uma revisão crítica sobre a sensibilidade dentária associada ao clareamento dental, com foco na identificação das causas, consequências e abordagens terapêuticas para o manejo da hipersensibilidade pós-procedimento.
2. Referencial Teórico
Ao longo dos anos, a estética tem se consolidado como uma das grandes prioridades da sociedade, associada à busca por qualidade de vida e bem-estar. Nesse contexto, o clareamento dental destaca-se como um dos procedimentos mais procurados em odontologia por ser considerado minimamente invasivo e de execução relativamente simples, apresentando grande impacto estético (ALMEIDA et al., 2021).
Segundo Domingos (2020), o desejo por dentes mais claros remonta ao século XIX, quando os tratamentos eram essencialmente invasivos, como a confecção de coroas metalocerâmicas. A primeira referência ao clareamento em dentes não vitais foi registrada em 1848, enquanto em dentes vitais ocorreu em 1868 (DOMINGOS et al., 2020). Com o avanço das técnicas, surgiram métodos mais eficazes e seguros, que buscaram reduzir os efeitos adversos, especialmente a sensibilidade (DOMINGOS et al., 2020).
A sensibilidade dentária, principal efeito colateral do clareamento, ocorre pela penetração dos géis clareadores, à base de peróxido de hidrogênio ou de carbamida, no esmalte e dentina, atingindo a polpa e estimulando fibras nervosas (DAHL; PALLESEN, 2003 apud TARAYRA, 2023). Esse processo resulta em dor aguda e transitória, de intensidade variável, que pode durar até quatro dias após o término do tratamento. Tarayra (2023) ressalta que essa condição é comum e previsível, sobretudo em protocolos realizados em consultório, que utilizam géis em concentrações mais elevadas.
Existem duas modalidades principais de clareamento: o caseiro, também conhecido como clareamento de moldeira, e o de consultório. No primeiro, utilizam-se géis em concentrações mais baixas aplicados em moldeiras personalizadas. Já no consultório, a aplicação é feita com géis em altas concentrações, sempre com barreiras gengivais para proteger os tecidos moles (ALMEIDA et al., 2021; DOMINGOS et al., 2020). Em ambos os métodos, a alteração da cor dentária ocorre pela difusão do agente clareador, que interage com moléculas cromógenas e modifica a reflexão da luz, resultando em dentes mais claros (KWON; WERTZ, 2015 apud ALMEIDA, 2021).
Apesar da eficácia estética, a difusão do peróxido pode causar inflamação pulpar e irritação nos tecidos moles, além de sensibilidade transitória (DOMINGOS et al., 2020). Embora reversíveis, esses efeitos podem ser intensificados por fatores predisponentes, como trincas no esmalte, lesões cariosas, restaurações defeituosas e recessão gengival, tornando fundamental a avaliação clínica prévia (MOTTA et al., 2020; GÜNEŞ et al., 2021).
Diversos estudos apontam que iniciar o tratamento com géis de menor concentração e aumentar gradualmente a potência é uma estratégia eficaz para reduzir a sensibilidade. Outra medida amplamente validada é a aplicação prévia de dessensibilizantes, especialmente o nitrato de potássio e o fluoreto de sódio, que reduzem significativamente a dor sem prejudicar os resultados do clareamento (DOMINGOS et al., 2020; GUPTA et al., 2019). Além disso, a literatura tem destacado a eficácia da laserterapia de baixa intensidade, que promove alívio imediato e duradouro por seu efeito biomodulador e analgésico (MAHMOOD et al., 2020).
Assim, observa-se que, embora o clareamento dental seja seguro e eficaz, o manejo da sensibilidade deve ser considerado parte integrante do protocolo clínico, tanto para assegurar a adesão quanto para preservar a satisfação dos pacientes (BUSH et al., 2018; NOBLE et al., 2020; RODRIGUES et al., 2022; TARAYRA; ANTEZANA-VERA, 2023).
3. Metodologia
Optou-se pela realização de uma revisão narrativa da literatura, considerando que o tema é amplamente explorado e apresenta abordagens metodológicas e protocolos clínicos heterogêneos. Esse formato de revisão possibilita uma análise crítica, interpretativa e descritiva do corpo de evidências disponíveis, integrando achados provenientes de diferentes delineamentos de estudo, como ensaios clínicos, revisões sistemáticas e relatos de caso, de maneira contextualizada. Tal abordagem é mais adequada quando se busca compreender tendências e sintetizar conhecimentos consolidados, o que seria limitado em uma revisão sistemática tradicional, que exige maior homogeneidade metodológica e critérios mais restritivos de elegibilidade.
Foram excluídos artigos que abordavam exclusivamente o clareamento em dentes não vitais, estudos com amostras animais, revisões narrativas sem metodologia claramente definida, publicações anteriores a 2013 e trabalhos sem acesso ao texto completo. Essa delimitação teve como objetivo garantir atualidade, consistência metodológica e relevância clínica aos resultados analisados.
A pesquisa foi conduzida como uma revisão narrativa de literatura com foco em artigos científicos que investigassem a sensibilidade dentária decorrente do clareamento dental e suas estratégias de manejo clínico. As buscas foram realizadas em bases de dados indexadas de reconhecimento internacional, incluindo PubMed/MEDLINE, Scopus e SciELO, no período de janeiro de 2013 a junho de 2024.
Os descritores utilizados, combinados por operadores booleanos, foram: “tooth whitening” OR “dental bleaching” AND “tooth sensitivity” OR “dentin hypersensitivity” AND “desensitizing agents” OR “laser therapy”. Foram considerados apenas artigos publicados em inglês, português ou espanhol, disponíveis em periódicos indexados e revisados por pares.
Os critérios de inclusão contemplaram estudos clínicos, ensaios randomizados, revisões sistemáticas e metanálises que avaliaram a sensibilidade dentária após o clareamento e as estratégias de prevenção e tratamento, como o uso de dessensibilizantes ou laserterapia. Excluíram-se relatos de caso isolados, estudos em animais, trabalhos sem dados clínicos relevantes ou com metodologia inadequada.
Após a triagem inicial, 12 artigos preencheram os critérios estabelecidos e foram incluídos para análise crítica e discussão dos achados.
4. Resultados e Discussões
A presente revisão incluiu 12 artigos publicados entre 2017 e 2023, contemplando ensaios clínicos, estudos observacionais e revisões sistemáticas. Em conjunto, os trabalhos analisaram tanto os mecanismos de desenvolvimento da sensibilidade pós-clareamento quanto as estratégias de prevenção e controle. A Tabela 1 apresenta a síntese das principais características metodológicas e dos achados centrais dos estudos incluídos.
Tabela 1 – Estudos incluídos na revisão (n = 12)



De modo geral, os estudos apontam que a prevalência de sensibilidade dentária após o clareamento varia entre 30% e 70% dos pacientes, sendo mais frequente em protocolos realizados em consultório, devido ao uso de géis em altas concentrações (BUSH et al., 2018; GÜNEŞ et al., 2021). Nos tratamentos domiciliares, embora a concentração seja menor, a exposição prolongada ao agente clareador também pode gerar desconforto, especialmente quando há falhas na adaptação da moldeira (GUPTA et al., 2019).
Outro achado relevante é que a sensibilidade não decorre de desgaste do esmalte, mas sim da difusão dos radicais livres liberados pelos agentes oxidantes através do esmalte e dentina, atingindo a polpa dentária e ativando fibras nervosas (FARAGE et al., 2017; SHARAFF et al., 2020). Essa explicação fisiopatológica foi consistente em diferentes revisões, reforçando que a integridade estrutural do esmalte não é comprometida pelo clareamento.
Em relação às estratégias preventivas, o uso de agentes dessensibilizantes foi a intervenção mais estudada. Produtos contendo nitrato de potássio, fluoreto de sódio ou compostos de cálcio/fósforo bioativos demonstraram redução significativa na intensidade da dor em comparação ao placebo (GUPTA et al., 2019; DOMINGOS et al., 2020). Além disso, estudos de revisão sistemática confirmaram que esses agentes podem ser aplicados antes ou após o clareamento sem interferir na eficácia estética (RODRIGUES et al., 2022; NAVARRETE; MACHADO, 2022).
A laserterapia de baixa intensidade foi outro recurso com resultados consistentes. Ensaio clínico de Mahmood et al. (2020) demonstrou que a aplicação de laser após o clareamento reduziu significativamente os episódios de dor imediata, além de prolongar o conforto durante os dias subsequentes. Esse achado foi reforçado por revisões narrativas mais recentes, que destacam o efeito biomodulador e analgésico da terapia (TARAYRA; ANTEZANA-VERA, 2023).
Os estudos também identificaram fatores predisponentes associados à maior intensidade de hipersensibilidade, como trincas no esmalte, recessões gengivais, cáries ativas e restaurações defeituosas (GÜNEŞ et al., 2021). Tais achados reforçam a necessidade de avaliação clínica prévia e correção dessas condições antes do início do clareamento, de modo a reduzir a probabilidade de efeitos adversos intensos.
Por fim, estudos observacionais mostraram que a satisfação do paciente pode ser diretamente impactada pela intensidade da sensibilidade. Noble et al. (2020) identificaram que até 40% dos pacientes relataram redução da satisfação com o tratamento devido ao desconforto. Isso evidencia que, além do aspecto clínico, o manejo da sensibilidade tem papel crucial na adesão ao tratamento e na experiência subjetiva do paciente.
A análise dos 12 estudos incluídos nesta revisão evidencia que a sensibilidade dentária pós-clareamento permanece como o principal efeito adverso associado a esse procedimento estético, com prevalência significativa e impacto clínico relevante. Embora se trate de um evento transitório, sua ocorrência pode comprometer a adesão ao tratamento e reduzir a satisfação dos pacientes, sendo relatada em até 70% dos casos, dependendo da técnica empregada e da concentração do agente clareador utilizado (BUSH et al., 2018; NOBLE et al., 2020; GÜNEŞ et al., 2021).
Do ponto de vista mecanístico, ficou demonstrado que a sensibilidade não decorre de abrasão ou desgaste do esmalte, como por vezes se acredita, mas sim da difusão dos radicais livres gerados pelo peróxido de hidrogênio ou carbamida através da estrutura dental, alcançando a polpa e ativando fibras nervosas (FARAGE et al., 2017; SHARAFF et al., 2020). Esse mecanismo, amplamente confirmado em estudos laboratoriais e revisões sistemáticas, reforça a necessidade de esclarecer pacientes sobre a natureza transitória e funcional da sensibilidade, evitando concepções equivocadas quanto a um suposto “enfraquecimento” dos dentes.
Em relação às estratégias de manejo, o uso de agentes dessensibilizantes foi a conduta mais consistentemente apoiada pela literatura. Produtos à base de nitrato de potássio, fluoreto de sódio, arginina ou compostos de cálcio/fósforo têm demonstrado eficácia em reduzir significativamente a intensidade da dor, atuando tanto pela obliteração dos túbulos dentinários quanto pela modulação da excitabilidade neural (GUPTA et al., 2019; DOMINGOS et al., 2020; RODRIGUES et al., 2022). Além disso, as evidências sugerem que sua aplicação prévia ao procedimento pode maximizar o efeito protetor sem comprometer o resultado estético final (ALMEIDA et al., 2021).
Outro recurso promissor identificado é a laserterapia de baixa intensidade, cujos efeitos analgésicos e biomodulatórios foram relatados de forma consistente em ensaios clínicos controlados (MAHMOOD et al., 2020). Ao promover analgesia imediata e duradoura, o laser se configura como alternativa viável especialmente em protocolos de consultório, nos quais há maior risco de sensibilidade devido ao uso de agentes em altas concentrações. Revisões narrativas recentes corroboram sua eficácia, ressaltando ainda a vantagem de não interferir nos resultados do clareamento e de apresentar um perfil de segurança elevado (TARAYRA; ANTEZANA-VERA, 2023).
Outro achado de relevância clínica refere-se à influência de fatores predisponentes. Pacientes portadores de trincas no esmalte, recessões gengivais, lesões cariosas ou restaurações defeituosas apresentam maior risco de desenvolver hipersensibilidade exacerbada (GÜNEŞ et al., 2021). Tal constatação ressalta a importância da avaliação clínica minuciosa e do tratamento prévio de condições que fragilizem a estrutura dental antes da indicação do clareamento, prática que deve ser incorporada como etapa obrigatória no planejamento terapêutico.
Do ponto de vista da experiência do paciente, é relevante destacar que a sensibilidade influencia diretamente o grau de satisfação com o tratamento. Noble et al. (2020) demonstraram que até 40% dos indivíduos submetidos ao clareamento relataram insatisfação parcial ou total devido ao desconforto doloroso. Esse dado reforça que a gestão adequada da hipersensibilidade não apenas melhora o conforto clínico, mas também impacta positivamente na percepção estética e na aceitação do procedimento em longo prazo.
Apesar dos avanços observados, algumas limitações ainda persistem na literatura. Muitos estudos apresentam tamanho amostral reduzido, protocolos heterogêneos e períodos de acompanhamento curtos, o que dificulta a padronização de recomendações universais. Além disso, a comparação direta entre diferentes agentes dessensibilizantes ou entre estes e a laserterapia ainda é restrita, limitando conclusões definitivas sobre a superioridade de uma intervenção sobre a outra.
Portanto, embora a presente revisão aponte que tanto os dessensibilizantes quanto a laserterapia são opções seguras e eficazes no manejo da sensibilidade pós-clareamento, é necessário o desenvolvimento de ensaios clínicos randomizados multicêntricos, com maior poder amostral e metodologias padronizadas, a fim de estabelecer protocolos clínicos robustos e comparativos.
Em síntese, os resultados evidenciam que a prevenção e o controle da sensibilidade devem integrar-se obrigatoriamente ao planejamento do clareamento dental, uma vez que influenciam não apenas os desfechos clínicos, mas também a satisfação do paciente e, consequentemente, a adesão ao tratamento.
5. Conclusão
A revisão de literatura demonstrou que a sensibilidade dentária pós-clareamento é um efeito adverso frequente, decorrente da difusão dos agentes clareadores pela estrutura dental, e não de desgaste do esmalte. Entre as estratégias de controle, destacam-se o uso de dessensibilizantes, como nitrato de potássio, fluoretos e compostos de cálcio/fósforo, e a laserterapia de baixa intensidade, ambos eficazes na redução do desconforto sem comprometer o resultado estético. Além disso, a avaliação clínica prévia e o manejo de fatores predisponentes, como cáries e recessões gengivais, são fundamentais para garantir maior conforto e satisfação ao paciente, embora ainda sejam necessários estudos clínicos de maior robustez para padronizar protocolos universais.
Referências
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1Acadêmica em odontologia
Faculdade Metropolitana De Rondônia Porto velho, Rondônia, Brasil.
E-mail: Ingridoliveiragomes@hotmail.com
2Especilista em Implante e Dentística
Faculdade Integrada Aparício Carvalho Porto velho, Rondônia, Brasil
E-mail: Moniquebrandalisestubs@gmail.com
