SEGURANÇA DO PACIENTE NO CENTRO CIRÚRGICO: PAPEL DO ENFERMEIRO RELACIONADO À PREVENÇÃO DE INFECÇÕES

PATIENT SAFETY IN THE SURGICAL CENTER: THE ROLE OF THE NURS IN INFECTION PREVENTION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510170650


Isabelly Cristiny Barbosa Oliveira¹
Profª Ms. Talita Rodrigues Corredeira Mendes2
Profª Bruna Póvoa Ribeiro2
Orientadora: Profª Ms. Danyelly Rodrigues Machado Azevedo³


RESUMO

Introdução: A segurança do paciente é um indicador essencial da qualidade nos serviços de saúde, especialmente em procedimentos cirúrgicos, onde a ocorrência de infecções perioperatórias representa um risco significativo. O enfermeiro desempenha papel estratégico na implementação de práticas baseadas em evidências, coordenando a equipe de enfermagem, monitorando protocolos e promovendo ações preventivas que visam reduzir falhas e eventos adversos. Objetivo: Identificar o papel do enfermeiro na segurança do paciente referente à prevenção de infecções no centro cirúrgico Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura. O acesso às bases de dados ocorreu entre os meses de julho de 2025 a agosto de 2025. Para a busca de dados foram extraídos de artigos científicos publicados na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), que contempla as bases de dados virtuais: MEDLINE, LILACS, BDENF. Foram incluídos artigos publicados na íntegra, nos idiomas português e inglês, dentro dos últimos 06 anos (2020 a 2025). Foram selecionados 9 artigos para compor o estudo. Resultados: Este estudo evidenciou que o enfermeiro desempenha papel central na prevenção de infecções no centro cirúrgico. Apesar dos avanços, foram observadas lacunas no conhecimento, adesão parcial às medidas preventivas e limitações estruturais das instituições, fatores que podem comprometer a segurança do paciente. Estratégias de educação permanente, treinamento de estudantes e profissionais em biossegurança e o uso de inovações tecnológicas, como campos cirúrgicos impregnados com substâncias antimicrobianas e checklists eletrônicos, mostraram-se eficazes na promoção de práticas seguras. Conclusão: O enfermeiro se apresenta como protagonista na segurança do paciente em ambiente cirúrgico, atuando como líder, educador e supervisor. Sua atuação é determinante para a implementação e adesão às medidas de prevenção de infecções, à padronização de condutas e à redução de eventos adversos. A consolidação de uma cultura de segurança, aliada à educação contínua e à incorporação de tecnologias inovadoras, constitui estratégia essencial para garantir assistência segura, de qualidade e livre de danos evitáveis. Além disso, reforça-se a importância de ampliar pesquisas que avaliem a efetividade de tais estratégias em diferentes contextos hospitalares, a fim de fortalecer a prática profissional e reduzir de forma consistente as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).

Palavras-chave: Segurança do paciente; Centro cirúrgico; Prevenção de Infecções e Enfermagem.

ABSTRACT

Introduction: Patient safety is an essential indicator of quality in healthcare services, especially in surgical procedures, where the occurrence of perioperative infections represents a significant risk. Nurses play a strategic role in implementing evidence-based practices, coordinating the nursing team, monitoring protocols, and promoting preventive actions aimed at reducing errors and adverse events. Objective: To identify the role of nurses in patient safety regarding infection prevention in the surgical center. Methodology: This is an integrative literature review. Databases were accessed between July 2025 and August 2025. Data were extracted from scientific articles published in the Virtual Health Library (VHL), which includes the following virtual databases: MEDLINE, LILACS, and BDENF. Articles published in full, in Portuguese and English, within the last six years (2020 to 2025) were included. Nine articles were selected for the study.Results: This study demonstrated that nurses play a central role in preventing infections in the surgical center. Despite advances, knowledge gaps, partial adherence to preventive measures, and institutional structural limitations were observed, factors that can compromise patient safety. Continuing education strategies, biosafety training for students and professionals, and the use of technological innovations, such as surgical drapes impregnated with antimicrobial substances and electronic checklists, proved effective in promoting safe practices. Conclusion: Nurses play a key role in patient safety in surgical settings, acting as leaders, educators, and supervisors. Their role is crucial for implementing and adhering to infection prevention measures, standardizing procedures, and reducing adverse events. Consolidating a culture of safety, combined with ongoing education and the incorporation of innovative technologies, is an essential strategy for ensuring safe, high-quality care free from preventable harm. Furthermore, it reinforces the importance of expanding research that evaluates the effectiveness of such strategies in different hospital settings, in order to strengthen professional practice and consistently reduce Healthcare-Associated Infections (HAIs).

Key words: Patient safety; Surgical center; Infection prevention and nursing.

INTRODUÇÃO

A segurança do paciente é um dos principais indicadores da qualidade nos serviços de saúde, representando um direito fundamental de todos os indivíduos a um cuidado que minimize riscos de danos evitáveis. No contexto cirúrgico, essa segurança depende diretamente da adoção de práticas baseadas em evidências, capazes de reduzir falhas e prevenir eventos adversos. O enfermeiro assume papel estratégico, atuando em todas as etapas do perioperatório, coordenando a equipe de enfermagem e implementando protocolos que visam à melhoria contínua da assistência (Ribeiro; Souza, 2022).

O ambiente cirúrgico é caracterizado por sua complexidade e alto risco, o que torna essencial a aplicação de ferramentas que previnam erros e eventos adversos. O checklist de cirurgia segura, por exemplo, é uma estratégia importante para padronizar condutas e minimizar riscos. No entanto, a eficácia dessa ferramenta depende do conhecimento, da adesão e do comprometimento dos profissionais de saúde, especialmente dos enfermeiros, responsáveis por sua aplicação no dia a dia clínico (Toti et al., 2020).

As práticas de controle de infecção em cirurgias englobam desde medidas básicas, como a higienização correta das mãos, até ações mais complexas, incluindo o uso adequado de EPIs e a implementação de protocolos específicos. Estudos mostram que falhas aparentemente simples, como o não cumprimento dessas medidas, estão diretamente associadas ao aumento da incidência de infecções no perioperatório, comprometendo a segurança do paciente e prolongando o tempo de internação (Garcia; Oliveira; 2020). Dessa forma, a sistematização dessas práticas é essencial para a redução de riscos e para a promoção de uma assistência segura. (Santos et al, 2020).

Outro aspecto essencial para a segurança do paciente no centro cirúrgico é o monitoramento de indicadores de qualidade e a utilização de ferramentas de sistematização, como o checklist de cirurgia segura. Essas estratégias permitem padronizar os processos, identificar falhas e oportunidades de melhoria, além de apoiar a tomada de decisões baseada em evidências. A incorporação de recursos eletrônicos no acompanhamento de protocolos tem se mostrado uma inovação relevante, proporcionando maior precisão, rastreabilidade e segurança na prática clínica (Santos et al., 2020; Botelho et al., 2025).

Além das medidas tradicionais de assepsia e antissepsia, recursos tecnológicos têm se mostrado aliados na prevenção de infecções. Campos cirúrgicos impregnados com substâncias antimicrobianas, por exemplo, demonstram eficácia na redução da infecção de sítio cirúrgico em procedimentos específicos. Quando combinados com esterilização adequada de materiais e manejo asséptico de instrumentos, esses recursos reforçam a importância da atuação proativa do enfermeiro no controle de infecções, contribuindo para a redução de complicações pós-operatórias e para a melhoria de indicadores de qualidade hospitalar (Krummenauer et al., 2021; Lupepsa et al., 2025).

O tema abordado é de grande relevância social e científica, uma vez que a segurança do paciente durante o período perioperatório constitui um dos pilares da assistência em saúde, e a ocorrência de infecções cirúrgicas ainda representa um problema preocupante. A importância dessa temática se evidencia na necessidade de conscientização e atuação da equipe multiprofissional, especialmente dos enfermeiros, no desenvolvimento e implementação de práticas que garantam a prevenção de infecções no centro cirúrgico. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo identificar o papel do enfermeiro na segurança do paciente, com foco nas práticas de prevenção de infecções durante o cuidado perioperatório, contribuindo para a melhoria da qualidade da assistência e a redução de riscos aos pacientes.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura. Esse método de pesquisa tem por fim sintetizar resultados de outros pesquisadores que estudaram o mesmo tema, para compreender de forma ampla o assunto pesquisado, revisando conceitos, teorias, métodos e análise dos estudos incluídos (Ercole; Melo; Alcoforado, 2014).

Com o objetivo de orientar a revisão, elaborou-se a seguinte pergunta norteadora: Quais práticas de controle de infecções devem ser adotadas pelos enfermeiros durante os procedimentos cirúrgicos para garantir a segurança do paciente?

Os dados/informações desta pesquisa foram extraídos de artigos científicos publicados na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), que contempla as bases de dados virtuais: Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde (LILACS); BDENF- Enfermagem; e MEDLINE. O acesso às bases de dados ocorreu entre os meses de julho de 2025 a agosto de 2025. Os descritores utilizados foram: “segurança do paciente”, “prevenção de infecções” “cuidados de enfermagem” e “centro cirúrgico”, tendo como boleador “and”.

Foram incluídos artigos científicos completos publicados em língua portuguesa, espanhola e inglesa, dentro do período de 06 anos (2020 a 2025). Os critérios de exclusão foram: artigos de revisão de literatura, artigos pagos, textos que não contemplavam a temática estudada e os que não responderam à pergunta norteadora. 

A seleção foi realizada por meio da análise de títulos, resumos e leitura criteriosa dos artigos para selecionar os que atendessem aos critérios de inclusão, respondessem à questão norteadora e fossem relevantes aos objetivos do estudo.

Utilizando o operador boleando “and”. Ao todo, foram encontrados 80 artigos, dentre os quais excluiu-se 7 artigos por terem sido encontrados duplicados, restando 73 artigos completos para análise dos resumos e títulos, destes 13 artigos de revisão foram descartados, 36 por não contemplarem a temática e 15 por não responderem à pergunta norteadora, restando 9 artigos para análise, conforme se observa do fluxograma de Prisma abaixo (figura 1). Os artigos foram selecionados com base nos critérios de inclusão e exclusão, além de ter como base a pergunta norteadora para se atingir o objetivo proposto no presente estudo.

Para apresentar o resumo dos artigos selecionados, foi elaborado uma tabela com a descrição dos seguintes aspectos: ano da publicação, autores, título do estudo, objetivo principal do artigo, delineamento, resposta da pergunta norteadora e limitações do estudo. Assim, foi possível observar e estudar cada artigo em sua individualidade (Quadro 01).

Figura 1. Fluxograma da seleção dos estudos para revisão integrativa conforme critérios do PRISMA

3 RESULTADOS

Os resultados deste estudo apontaram 9 estudos completos, que se encontram dentro dos padrões dos critérios de inclusão mencionados. Os principais aspectos dos artigos analisados foram agrupados no quadro 1, utilizando-se, para sua construção, as informações analisadas na íntegra, a seguir dispostas, em ordem cronológica:

Quadro – Práticas de controle de infecções adotadas pelos enfermeiros durante os procedimentos cirúrgicos para garantir a segurança do paciente.

DISCUSSÃO

A partir dos estudos selecionados para a presente pesquisa, foi possível considerar que a atuação do enfermeiro no centro cirúrgico é fundamental para a promoção da segurança do paciente, especialmente no que se refere à prevenção de infecções. A eficácia das medidas adotadas depende não apenas do conhecimento técnico, mas também do cumprimento rigoroso dos protocolos assistenciais e das boas práticas em saúde. Para melhor compreensão dos resultados desta pesquisa, foram criadas duas categorias de análise, a seguir descritas:

  1. Papel do enfermeiro na prevenção de infecções no ambiente cirúrgico.
  2. Fatores que influenciam na segurança do paciente no centro cirúrgico.

Papel do enfermeiro na prevenção de infecções no ambiente cirúrgico

Os resultados do A1 e A2 evidenciaram que o enfermeiro desempenha papel central na prevenção das infecções relacionadas ao centro cirúrgico, atuando desde medidas básicas, como a higienização adequada das mãos, o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a manipulação asséptica de instrumentos, até ações mais complexas, como a coordenação da equipe e a implementação de protocolos sistematizados. No entanto, lacunas de conhecimento ainda foram identificadas, evidenciando que mesmo profissionais experientes podem apresentar falhas que comprometem a efetividade das medidas preventivas.

Segundo A3 e A9 a aplicação do checklist de cirurgia segura constitui um importante instrumento de apoio à atuação do enfermeiro, contribuindo para a padronização de condutas, a melhoria da comunicação entre profissionais e a prevenção de erros. Entretanto, sua adesão ainda enfrenta desafios, incluindo resistência da equipe, pressa em procedimentos de alta demanda e limitações estruturais. Segundo (Toti et al. 2020), destacou que fatores como falta de conhecimento, apoio insuficiente e tempo limitado podem comprometer seu uso, evidenciando a necessidade de capacitação contínua e de cooperação multiprofissional para garantir sua efetividade e a segurança do paciente.

A dimensão educativa também se apresenta como eixo estratégico da atuação do enfermeiro. Estudos de A6 e A7 demonstram que estudantes e profissionais em formação, quando treinados em biossegurança e precauções padrão, apresentam maior adesão às práticas de prevenção de infecção. Esses achados confirmam que o enfermeiro, enquanto educador, exerce papel fundamental na construção de práticas seguras e sustentáveis.

Além das práticas tradicionais, a incorporação de recursos tecnológicos e materiais inovadores mostrou-se eficaz na prevenção de infecções. A4 destacou a utilização de campos cirúrgicos impregnados com iodo em cirurgias de coluna, resultando em menor incidência de infecção do sítio cirúrgico (ISC). Embora específica, essa prática evidencia a importância de o enfermeiro estar atento às evidências científicas, incorporando inovações capazes de reduzir riscos e aprimorar os indicadores de qualidade hospitalar.

O estudo de A8 mostrou que o monitoramento contínuo das infecções e a adesão às medidas preventivas reduzem as taxas de ISC. Assim, a segurança do paciente depende não apenas das práticas individuais, mas também de políticas institucionais que promovam padronização, acompanhamento sistemático e melhoria contínua. Pesquisas nacionais indicam que a efetividade dessas ações também requer uma cultura institucional fortalecida, já que um clima de segurança deficitário e percepção limitada sobre higiene das mãos comprometem a prevenção das IRAS (Bezerra et al., 2021).

De forma complementar, (Castro et al., 2023) destacam que a comunicação efetiva dentro da equipe cirúrgica é um dos pilares da segurança, pois evita falhas na execução de protocolos, reduz riscos de incidentes e fortalece a integração multiprofissional. Assim, a atuação do enfermeiro como mediador da comunicação assume papel estratégico para garantir fluxos mais seguros e coordenados.

Portanto, o papel do enfermeiro na prevenção de infecções no centro cirúrgico vai além da execução técnica dos cuidados. Ele envolve liderança, supervisão, educação permanente, incentivo à cultura de segurança e integração da equipe multiprofissional. Quanto mais fortalecido estiver o papel do enfermeiro como líder no centro cirúrgico, maior será a adesão às boas práticas e, consequentemente, menor a incidência de infecções relacionadas à assistência.

Fatores que influenciam na segurança do paciente no centro cirúrgico

A segurança do paciente no ambiente cirúrgico é condicionada por múltiplos fatores, que envolvem tanto aspectos individuais quanto institucionais. Conforme A2 e A 6 apontam que a falta de conhecimento ou lacunas na formação dos profissionais de enfermagem podem comprometer a efetividade das práticas de prevenção, evidenciando a necessidade de treinamentos contínuos e de investimentos em capacitação profissional. Nesse contexto, professores e estudantes de enfermagem do A7 ressaltam a biossegurança e a cultura de segurança como pilares fundamentais para a redução de eventos adversos.

Outro aspecto relevante refere-se à adesão aos protocolos assistenciais. Apesar da disponibilidade de instrumentos eficazes, como o checklist de cirurgia segura, ainda há resistência à sua utilização, motivada por fatores como sobrecarga de trabalho e falta de engajamento da equipe (Toti et al., 2020). Esse cenário evidencia a necessidade de fortalecimento da cultura organizacional voltada para a segurança do paciente, estimulando a corresponsabilização de todos os profissionais envolvidos no cuidado.

A literatura também demonstra que aspectos estruturais exercem impacto direto sobre os resultados cirúrgicos. Estudos recentes apontam que infraestrutura hospitalar adequada, disponibilidade de recursos materiais e apoio institucional são determinantes para a segurança do paciente. A8 evidenciaram que a adoção de indicadores de qualidade cirúrgica está diretamente associada à redução das taxas de infecção.

A adesão parcial ou inadequada às medidas preventivas permanece como um desafio. A2 identificaram lacunas de conhecimento entre enfermeiros no que se refere à prevenção de ISC, enquanto A5 constataram falhas na execução de protocolos, mesmo entre profissionais experientes. Tais evidências sugerem que a segurança cirúrgica não depende apenas do domínio técnico e científico, mas também de fatores comportamentais, culturais e organizacionais que influenciam diretamente a prática cotidiana.

Nesse sentido, (Caetano et al., 2024) reforçam que as notificações de incidentes cirúrgicos em hospitais universitários apontam fatores contribuintes como falhas de comunicação (57,4%), fragilidade na adesão a protocolos (53,1%) e problemas na organização da equipe (51,9%). Esses achados evidenciam que a cultura organizacional e os processos de trabalho têm impacto direto na ocorrência de eventos adversos e devem ser continuamente monitorados.

A inovação tecnológica tem se mostrado um recurso promissor para enfrentar desafios persistentes na segurança do paciente. Segundo A9 o desenvolvimento de checklists eletrônicos, como proposto para pacientes oncológicos, demonstra que soluções digitais podem padronizar práticas, reduzir esquecimentos e melhorar a comunicação entre equipes de saúde. Além disso, indicou que a integração de tecnologias digitais nos fluxos assistenciais potencializa a adesão às medidas de prevenção e promove maior segurança do paciente.

Complementarmente, evidências internacionais apontam que programas estruturados de prevenção de infecções só alcançam impacto quando sustentados em políticas robustas e bem monitoradas. (Núñez et al., 2025), ao analisarem o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções na Colômbia, destacaram que o fortalecimento da capacitação profissional, a definição de indicadores claros, o apoio político-institucional e o envolvimento da família no cuidado são elementos determinantes para a redução das IRAS, ressaltando que mudanças efetivas exigem tanto investimentos quanto transformação cultural.

A análise dos nove artigos incluídos demonstrou que, embora existam avanços significativos na aplicação de práticas de prevenção, ainda persistem desafios relacionados à adesão parcial, às lacunas de conhecimento e às limitações estruturais de instituições de saúde. A falta de engajamento de profissionais e a sobrecarga de trabalho também surgem como fatores que comprometem a efetividade dos protocolos.

Por outro lado, evidenciou-se que estratégias de educação permanente, treinamento prático e incentivo à cultura de segurança contribuem para maior adesão às medidas preventivas. Além disso, a incorporação de inovações tecnológicas, como campos cirúrgicos impregnados com substâncias antimicrobianas e sistemas informatizados de checklist, mostrou-se promissora na redução de infecções do sítio cirúrgico.

CONCLUSÃO

O presente estudo evidenciou que o enfermeiro exerce papel essencial na prevenção de infecções no centro cirúrgico, atuando desde medidas básicas, como a higienização adequada das mãos, uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e manipulação asséptica de instrumentos, até ações mais complexas, como a implementação de protocolos sistematizados, a utilização do checklist de cirurgia segura e a liderança da equipe multiprofissional.

Constatou-se que a adesão das práticas preventivas ainda e um barreira relacionada a lacunas de conhecimento, sobre carga de trabalho, resistência de profissionais e limitações estruturais institucionais. Esses fatores podem comprometer a efetividade das ações de segurança, reforçando a necessidade de investimentos em educação permanente, capacitação técnica e fortalecimento da cultura organizacional voltada a segurança do paciente.

Além disso, a incorporação de tecnologias inovadoras como sistemas informatizados de checklist e materiais impregnados com substâncias antimicrobianas mostrou-se promissora na melhoria dos resultados, destacando a importância de o enfermeiro estar atualizado e aberto à aplicação de evidências científicas em sua prática.

Conclui-se, portanto, que a segurança do paciente no ambiente cirúrgico depende de uma combinação de fatores individuais, institucionais e tecnológicos, nos quais o enfermeiro se apresenta como protagonista. Sua atuação como líder, educador e supervisor é determinante para a consolidação de uma assistência segura, de qualidade e livre de danos evitáveis.

Por fim, recomenda-se que novas pesquisas ampliem o olhar sobre a efetividade das estratégias de prevenção de infecções em diferentes realidades hospitalares, bem como investiguem o impacto de programas contínuos de capacitação e do uso de tecnologias emergentes na redução das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEZERRA, T. B. et al. Clima de segurança e a prática de higiene das mãos: percepção de trabalhadores e gestores. Rev. enferm. UFPE on line; 15(1): [1-18], jan. 2021. Disponivel em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/247896/38654. Acesso em: 30 ago. 2025.

BOTELHO, M. de N. G. et al. Checklist de cirurgia segura: protótipo eletrônico para o paciente oncológico. Enfermagem Foco, Brasília, v. 16, p. e2025027, 2025. Disponível em: https://enfermfoco.org/article/checklist-de-cirurgia-segura-prototipo-eletronico-para-o-paciente-oncologico/. Acesso em: 20 ago. 2025

CAETANO, G. D. et al. Notificações de assistência à saúde relacionadas a cirurgia em um hospital universitário. Revista SOBECC, [S. l.], v. 29, 2024. DOI: 10.5327/Z1414-4425202429962. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/962. Acesso em: 8 jul. 2025.

CALEGARI, I. B. et al. Adesão às medidas para prevenção de infecção do sítio cirúrgico no perioperatório. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 29, p. e62347, 2021. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/enfermagemuerj/article/view/62347. Acesso em: 15 jul. 2025.

CASTRO, J. de V. R. et al. A comunicação efetiva no alcance de práticas seguras: concepções e práticas da equipe de enfermagem. Rev. enferm. atenção saúde; 12(1): 202359, nov.-fev. 2023. Disponível em: https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/5153/6624. Acesso em: 26 jul. 2025

ERCOLE, F.F.; MELO, L.S.; ALCOFORADO, C.L.G.C. Revisão integrativa versus revisão sistemática. Revista Mineira de Enfermagem, Belo Horizonte, v. 18, n. 1, p. 9-12, jan./mar. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/reme/article/view/50174. Acesso em: 25 ago. 2025

GARCIA, T. de F.; OLIVEIRA, A. C. Índice autorreferido pela equipe de ortopedia sobre a prevenção de infecção do sítio cirúrgico. Enfermagem em Foco (Brasília), v. 11, n. 2, p. 16-22, jul. 2020. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/55850/2/Índice%20autorreferido%20pela%20equipe%20de%20ortopedia%20sobre%20a%20prevenção%20de%20infecção%20do%20sítio%20cirúrgico.pdf. Acesso em: 22 jul. 2025.

KRUMMENAUER, E. C. et al. Campos impregnados com iodo em cirurgia da coluna: impacto na infecção de sítio cirúrgico. Revista SOBECC (Online), v. 26, n. 3, p. 147-155, 30 set. 2021. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/704. Acesso em: 30 jul. 2025.

LOPES, M. de L. et al. Conhecimento e adesão de estudantes de enfermagem às precauções padrão. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 36, p. eAPE01371, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/bp3sCvwNJqNwRTrnYBtmG5K/. Acesso em: 22 jul. 2025.

LUPEPSA, B. Z. et al. Taxa de incidência de infecção de sítio cirúrgico relacionada a indicadores de qualidade. Revista Epidemiologia e Controle de Infecção, Santa Cruz do Sul, v. 15, n. 1, p. 1-10, 2025. Disponível em: https://online.unisc.br/seer/index.php/epidemiologia/article/view/19503/12160. Acesso em: 12 ago. 2025.

NÚÑEZ, L. P. C. et al. Analysis of a theory of change to evaluate the Health Care-Associated Infection Prevention Program (HAI) in Colombia. BMC Health Serv Res 25, 442 (2025). https://doi.org/10.1186/s12913-024-12072-y Acesso em: 25 ago. 2025

RIBEIRO, G. et al. Biossegurança e segurança do paciente: visão de professores e estudantes de enfermagem. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 36, p. eAPE02921, 2023. Disponível em: https://acta-ape.org/wp-content/uploads/articles_xml/1982-0194-ape-36-eAPE02921/1982-0194-ape-36-eAPE02921.pdf.  Acesso em: 30 jul. 2025.

SANTOS, S. M. P. dos et al. Checklist de cirurgia segura: conhecimento da equipe cirúrgica. Enfermagem em Foco (Brasília), v. 11, n. 4, p. 214-220, dez. 2020. Disponível em: https://enfermfoco.org/article/checklist-de-cirurgia-segura-conhecimento-da-equipe-cirurgica/. Acesso em: 5 ago. 2025.

SOUZA, K. V. de; SERRANO, S. Q. Saberes dos enfermeiros sobre prevenção de infecção do sítio cirúrgico. Revista SOBECC, v. 25, n. 1, p. 11-16, 31 mar. 2020. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/547. Acesso em: 20 jul. 2025.

TOTI, IAN CESAR CARDOSO et al. Percepções dos profissionais de enfermagem na aplicação do checklist de cirurgia segura. Journal of Nursing and Health, [S.l.], v. 10, n. 1, p. e20101010, 2020. Disponível em: https://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/recom/article/view/2608. Acesso em: 25 maio 2025.


¹Graduando do curso de Enfermagem pela Faculdade Evangélica de Goianésia– FACEG.
2Profª. Colaboradora do curso de Enfermagem da Faculdade Evangélica de Goianésia – FACEG.
3Profª. Orientadora do curso de Enfermagem da Faculdade Evangélica de Goianésia – FACEG