PATIENT SAFETY AND QUALITY IN HEALTH SERVICES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511171744
Helena Milena Almeida Fonteles
Resumo
A segurança do paciente e a qualidade dos serviços de saúde tornaram-se prioridades globais, principalmente em contextos que demandam práticas de cuidado eficientes e seguras. O presente estudo analisa a relação entre esses dois elementos, com ênfase na atuação da enfermagem e na implementação das Metas Internacionais de Segurança do Paciente na atenção primária. A revisão integrativa de literatura foi conduzida com base em artigos publicados entre 2020 e 2025, identificando os principais avanços, desafios e lacunas na implementação de práticas seguras e de qualidade. A análise de 18 estudos revelou que, embora a aplicação das metas internacionais tenha contribuído significativamente para a padronização de processos, a efetividade das ações de segurança ainda depende da adequação das políticas institucionais, da formação contínua das equipes e da integração entre os profissionais de saúde. Destacou-se também o papel estratégico da enfermagem na implementação e monitoramento dessas práticas, com a presença constante do enfermeiro na supervisão, formação e comunicação entre as equipes e os pacientes. Além disso, a escuta do usuário e a participação ativa dos pacientes no processo de cuidado foram reconhecidas como elementos fundamentais para o sucesso das práticas de segurança. Este estudo reforça a necessidade de aprimorar a formação profissional, a continuidade das políticas públicas e a adaptação das estratégias de segurança às realidades locais para garantir uma assistência segura, ética e de qualidade.
Palavras-chave: Segurança do paciente. Qualidade em saúde. Enfermagem. Metas internacionais.
1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, a segurança do paciente consolidou-se como um dos pilares centrais para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde em todo o mundo. A crescente complexidade dos processos assistenciais, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas por cuidado humanizado exigem a implementação de práticas que minimizem os riscos à integridade física e emocional dos usuários. Nesse contexto, a segurança do paciente não se configura apenas como uma diretriz técnica, mas como uma dimensão ética que orienta a conduta de profissionais e instituições (Villar, Martins & Rabello, 2022).
A Organização Mundial da Saúde e organismos nacionais estabeleceram diretrizes importantes para fortalecer a cultura de segurança, entre elas as Metas Internacionais de Segurança do Paciente, que propõem ações padronizadas como a correta identificação dos pacientes, a comunicação eficaz entre os profissionais e a higienização das mãos. Essas metas são reconhecidas como referências globais e foram incorporadas às políticas de saúde no Brasil, tanto em unidades hospitalares quanto na atenção primária (Lopes et al., 2025; Pegoraro‑Alves‑Zarpelon et al., 2022).
Apesar desses avanços normativos, ainda são frequentes as ocorrências de eventos adversos nos serviços de saúde, o que evidencia falhas nos processos e na cultura institucional. A literatura aponta desigualdades regionais e estruturais que dificultam a efetivação das boas práticas em segurança do paciente, especialmente nas regiões mais vulneráveis e em serviços com menor capacidade de gestão (Mártires et al., 2024). Esses fatores reforçam a necessidade de se investigar, com profundidade, as condições que favorecem ou comprometem a qualidade assistencial em contextos variados do sistema de saúde.
A atenção primária à saúde, embora menos explorada em estudos sobre segurança, possui papel fundamental na estruturação de uma rede assistencial segura e resolutiva. Os profissionais dessa esfera, particularmente da equipe de enfermagem, atuam diretamente na promoção de práticas seguras e no monitoramento contínuo das condições de cuidado. Contudo, desafios relacionados à formação profissional, sobrecarga de trabalho e escassez de recursos ainda comprometem a efetividade dessas ações (Pegoraro‑Alves‑Zarpelon et al., 2022; Oliveira et al., 2021).
Outro aspecto relevante é o envolvimento do paciente e seus familiares na promoção da segurança, o que vem sendo reconhecido como estratégia eficaz para prevenir falhas e melhorar os resultados assistenciais. A corresponsabilização dos usuários nas decisões sobre seu cuidado fortalece a autonomia, aumenta a vigilância sobre os processos e amplia a confiança na equipe de saúde (Villar, Martins & Rabello, 2022). Trata-se de uma mudança paradigmática que exige, dos profissionais, maior abertura ao diálogo, empatia e compromisso com a educação em saúde.
Diante desse cenário, a atuação da enfermagem revela-se estratégica. O enfermeiro é frequentemente o elo entre os diferentes setores do serviço e entre os profissionais e os pacientes, sendo responsável pela implementação de protocolos, pela supervisão das práticas seguras e pela formação continuada da equipe. Sua inserção ativa nos processos decisórios contribui para uma assistência mais eficaz, segura e centrada nas necessidades do usuário (Oliveira et al., 2021). A valorização dessa função é imprescindível para o fortalecimento da qualidade no cuidado.
Assim, este estudo tem como objetivo analisar a relação entre segurança do paciente e qualidade dos serviços de saúde, com foco na atuação da enfermagem e na aplicação das metas internacionais de segurança na atenção primária. Justifica-se pela necessidade de se aprofundar o conhecimento sobre os fatores que determinam uma prática assistencial segura e eficiente, contribuindo para o aprimoramento das políticas institucionais e para o desenvolvimento de estratégias que garantam o cuidado integral, ético e de qualidade.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Conceito de Qualidade em Serviços de Saúde
A qualidade em serviços de saúde é frequentemente compreendida a partir da combinação de efetividade, segurança, oportunidade e foco no paciente. A Atenção Primária à Saúde (APS), por sua posição estratégica no sistema, tem se destacado como espaço de aferição dessa qualidade. Carvalho et al. (2024) evidenciam que avaliações elevadas da APS estão associadas a melhores estados de saúde e a maior uso racional dos serviços, indicando que a percepção dos usuários pode ser utilizada como medida indireta da efetividade assistencial. Nesse mesmo sentido, Brum et al. (2025), ao realizarem uma revisão de escopo sobre assistência ambulatorial em enfermagem, reforçam a necessidade de adotar critérios mensuráveis e sistemáticos para avaliar práticas cotidianas, especialmente nos contextos de atendimento não hospitalar.
Além da efetividade, a satisfação do usuário é uma variável relevante no campo da qualidade. Figueiredo et al. (2024) analisaram a percepção de pacientes em relação à APS e apontaram que a clareza das informações recebidas, a acessibilidade e o vínculo com os profissionais são determinantes para que o atendimento seja avaliado como satisfatório. Isso corrobora a importância da escuta ativa e da comunicação estruturada. Complementarmente, Sousa et al. (2024) destacam a relevância de instrumentos validados para avaliar a qualidade dos serviços em doenças crônicas, defendendo que a sistematização da coleta de dados melhora a análise de desempenho dos serviços e permite intervenções mais direcionadas.
Outro aspecto a ser considerado na análise da qualidade é a capacidade de resposta do sistema de saúde às especificidades epidemiológicas de determinada região. No estudo de Mártires et al. (2024), que aborda os serviços de atenção à saúde voltados à hanseníase, os autores identificam discrepâncias relevantes entre indicadores assistenciais e os princípios preconizados pelas políticas públicas. Essa constatação evidencia limitações na uniformização da qualidade ofertada e aponta para a necessidade de monitoramento constante. De forma complementar, Carvalho et al. (2024) reforçam que a avaliação da qualidade não pode estar dissociada da equidade, pois o acesso desigual compromete diretamente os resultados em saúde, mesmo quando há protocolos estabelecidos.
As investigações recentes também revelam a importância de se avaliar continuamente as práticas assistenciais e a capacidade de incorporação de recomendações baseadas em evidência. Brum et al. (2025) apontam que os serviços ambulatoriais frequentemente operam com recursos limitados, o que exige dos profissionais estratégias de priorização e tomada de decisão bem fundamentadas. Já Sousa et al. (2024) destacam que a qualidade não pode ser analisada de forma dissociada dos sistemas de informação em saúde, sendo indispensável que a avaliação se fundamente em dados confiáveis, organizados e acessíveis para a gestão.
Ao considerar os determinantes contextuais da qualidade, Figueiredo et al. (2024) reforçam a importância de incorporar a perspectiva do usuário na avaliação dos serviços. A experiência vivida pelo paciente pode revelar falhas que não são captadas por indicadores padronizados, sendo uma fonte legítima de análise para fins de planejamento. Mártires et al. (2024), ao avaliarem tendências temporais, demonstram que a qualidade dos serviços sofre variações significativas ao longo do tempo e em função de políticas de financiamento, reforçando a necessidade de articulação entre planejamento estratégico e avaliação de desempenho.
2.2 Segurança do Paciente: Fundamentos, Metas e Práticas
A segurança do paciente constitui uma dimensão fundamental da qualidade assistencial e vem sendo institucionalizada como prioridade nas políticas de saúde em diferentes países. No Brasil, a consolidação de estratégias voltadas à segurança foi impulsionada por meio das Metas Internacionais de Segurança do Paciente, formuladas com o objetivo de prevenir riscos evitáveis e reduzir a ocorrência de eventos adversos. Essas metas incluem ações como a correta identificação do paciente, comunicação efetiva entre profissionais, segurança na prescrição e administração de medicamentos, entre outras práticas padronizadas. Lopes et al. (2025) destacam que a implementação sistemática dessas diretrizes tem contribuído para a padronização de condutas e para a construção de ambientes clínicos mais confiáveis.
A atenção primária à saúde, embora tradicionalmente menos associada a riscos imediatos, também demanda ações voltadas à segurança. Pegoraro‑Alves‑Zarpelon et al. (2022) observam que, nesse nível de atenção, os riscos estão mais frequentemente associados à continuidade do cuidado, falhas de comunicação interprofissional e à ausência de protocolos clínicos bem definidos. A pesquisa sugere que, quando adaptadas à realidade da atenção básica, as metas internacionais são viáveis e eficazes, contribuindo para a melhoria da coordenação do cuidado e da rastreabilidade das informações clínicas.
Uma das metas frequentemente subestimadas, mas de impacto direto na segurança, refere-se à identificação correta do paciente. Ventura‑Silva et al. (2020) reforçam que a falha nesse processo básico está diretamente relacionada a erros na administração de medicamentos, realização de exames e procedimentos em pacientes errados. Os autores recomendam a institucionalização de práticas simples, como pulseiras de identificação padronizadas e dupla checagem ativa pelos profissionais, como forma de reduzir a ocorrência de erros evitáveis nas unidades de saúde.
Além da adoção de protocolos técnicos, a segurança do paciente também depende da participação ativa dos próprios usuários no processo de cuidado. Villar, Martins & Rabello (2022) argumentam que o envolvimento do paciente e de seus familiares representa um componente indispensável para o fortalecimento de práticas mais seguras. Isso inclui não apenas o fornecimento de informações claras e acessíveis sobre o plano terapêutico, mas também o estímulo à notificação de falhas e à participação em decisões clínicas, favorecendo uma cultura de corresponsabilidade.
A estruturação da segurança também passa pelo uso de instrumentos de avaliação que permitam o monitoramento contínuo das práticas institucionais. Sousa et al. (2024) apontam que a adoção de ferramentas avaliativas específicas para o contexto de doenças crônicas tem sido útil para identificar fragilidades em linhas de cuidado prolongadas, onde o risco não se manifesta de forma aguda, mas se acumula ao longo do tempo. Tais instrumentos permitem não apenas mapear riscos operacionais, como também subsidiar o redesenho de processos assistenciais.
Outro aspecto relevante é a institucionalização de diretrizes clínicas nacionais que operem como marcos normativos para a segurança. Cordeiro et al. (2025) argumentam que protocolos técnicos construídos com base em consenso científico têm desempenhado papel determinante na redução de variabilidade entre práticas profissionais, contribuindo para uma atenção mais uniforme e previsível. Além disso, os autores apontam que a adesão institucional a essas diretrizes é mais efetiva quando combinada a processos contínuos de capacitação e supervisão.
Lopes et al. (2025), ao discutirem os efeitos estruturantes das metas internacionais, ressaltam que a simples adesão formal às diretrizes não é suficiente para garantir mudanças significativas. É necessário que a segurança do paciente seja incorporada como valor organizacional, permeando desde o planejamento estratégico até as práticas cotidianas nos pontos de cuidado. Isso implica reconhecer a segurança como responsabilidade coletiva e estabelecer mecanismos de governança que viabilizem sua efetivação.
O fortalecimento da segurança do paciente exige um esforço integrado entre gestores, profissionais, pacientes e formuladores de políticas públicas. Villar, Martins & Rabello (2022) reiteram que o cuidado seguro não se limita à eliminação de riscos técnicos, mas envolve também a criação de vínculos de confiança e a superação de barreiras culturais que dificultam a comunicação e o compartilhamento de responsabilidades. A construção de um ambiente assistencial seguro, portanto, depende tanto da aplicação de protocolos como da transformação das relações entre os atores envolvidos no processo terapêutico.
2.3 Cultura de Segurança e Formação Profissional
A cultura de segurança em saúde refere-se ao conjunto de valores, atitudes e comportamentos compartilhados pelas equipes, que orientam as práticas voltadas à prevenção de eventos adversos. Essa cultura organizacional influencia diretamente a qualidade do cuidado prestado e o bem-estar dos profissionais de saúde. Batalha, Borges & Melleiro (2024) demonstram que ambientes com cultura de segurança mais consolidada apresentam maior satisfação entre os trabalhadores da enfermagem, além de menores índices de exaustão emocional e rotatividade. A promoção de um ambiente seguro, portanto, não se limita à proteção do paciente, mas envolve também a valorização das condições laborais da equipe.
Nas unidades de terapia intensiva, onde os riscos clínicos são mais acentuados, a percepção da cultura de segurança se torna ainda mais relevante. Silva et al. (2024), em estudo multicêntrico, observaram que a presença de barreiras hierárquicas, falhas na comunicação entre profissionais e a escassez de feedback sobre os erros dificultam a consolidação de uma cultura institucional baseada na melhoria contínua. Os dados reforçam a necessidade de abordagens colaborativas e da promoção de espaços seguros para o reporte de falhas, sem punição automática aos envolvidos, mas com foco na aprendizagem coletiva.
A capacitação contínua das equipes é elemento determinante para a formação de ambientes de cuidado mais seguros. Ranquetat et al. (2024) analisaram os efeitos de um curso sobre segurança do paciente aplicado a uma equipe de enfermagem de hospital privado e constataram aumento na retenção de conhecimento e na adesão às práticas recomendadas após a intervenção. A formação permanente atua como mediadora entre o conhecimento técnico e a execução prática, fortalecendo a autoconfiança dos profissionais e a padronização dos procedimentos clínicos.
Nesse mesmo sentido, Galvão et al. (2024) alertam para a importância da consistência científica na produção de conteúdos sobre segurança. O aprimoramento editorial e o uso de evidências qualificadas são fatores que impactam diretamente a formação profissional, especialmente quando esses conteúdos subsidiam diretrizes clínicas, materiais de apoio institucional ou protocolos de treinamento. A fragilidade metodológica de estudos aplicados pode comprometer decisões clínicas e gerenciais, motivo pelo qual o rigor técnico deve ser mantido tanto na prática quanto na pesquisa.
A enfermagem, por sua presença constante junto ao paciente, ocupa papel estratégico na consolidação da cultura de segurança. Oliveira et al. (2021) destacam o enfermeiro como agente educativo, atuando na formação da equipe, na supervisão das práticas seguras e na interlocução com os pacientes. Além de executar cuidados diretos, o profissional de enfermagem participa do monitoramento de riscos e da mediação de conflitos, sendo uma ponte entre os protocolos institucionais e a realidade do cuidado prestado.
Cordeiro et al. (2025) complementam essa abordagem ao defenderem a adoção de diretrizes clínicas como ferramenta formativa. A padronização de condutas, quando baseada em consenso técnico e implementada com o apoio da gestão, contribui para a uniformização das práticas e para o fortalecimento da segurança em diferentes níveis de atenção. No entanto, alertam que a eficácia dessas diretrizes depende de sua constante atualização, do envolvimento dos profissionais na elaboração e da oferta de treinamentos adequados à realidade de cada serviço.
2.4 Atuação da Enfermagem na Qualidade e Segurança do Cuidado
A atuação da enfermagem constitui elemento central na consolidação de práticas seguras nos serviços de saúde. O enfermeiro é responsável por operacionalizar protocolos assistenciais, supervisionar a execução de procedimentos técnicos e promover a organização do cuidado. Oliveira et al. (2021) destacam que o enfermeiro atua como agente articulador da segurança, sendo o elo entre as diretrizes institucionais e a prática clínica. Rosa Ferreira, Antunez Villagran & Faria (2024), ao analisarem o ambiente do centro cirúrgico, evidenciam que a presença ativa do enfermeiro na coordenação dos fluxos e na comunicação com a equipe contribui para a prevenção de falhas críticas e a garantia da rastreabilidade das ações.
A prática da enfermagem não se limita aos aspectos técnicos do cuidado, mas também abrange a promoção da saúde e o acolhimento dos pacientes e seus familiares. Salles & Andrade (2024) apontam que o enfermeiro, ao atuar na promoção da saúde do trabalhador no contexto hospitalar, influencia positivamente o clima organizacional e reduz fatores de risco ocupacionais, o que, por consequência, impacta na segurança do paciente. Batalha, Borges & Melleiro (2024) complementam ao demonstrar que uma cultura organizacional favorável à segurança fortalece o engajamento dos enfermeiros, elevando a qualidade das práticas e reduzindo a resistência às mudanças institucionais.
No contexto ambulatorial, a função do enfermeiro também é decisiva para a vigilância contínua dos riscos assistenciais. Brum et al. (2025) evidenciam que a presença do profissional de enfermagem em unidades de atenção ambulatorial é fundamental para o acompanhamento longitudinal dos pacientes, especialmente na gestão de condições crônicas. Essa atuação favorece a adesão ao tratamento e reduz hospitalizações evitáveis. Silva et al. (2024), por sua vez, analisam a atuação em unidades de terapia intensiva e apontam que o protagonismo da enfermagem, quando sustentado por trabalho multiprofissional, favorece a detecção precoce de complicações e melhora a comunicação entre os setores.
A mediação entre paciente, equipe técnica e gestão também faz parte das atribuições do enfermeiro, especialmente em situações que envolvem tomada de decisão compartilhada. Oliveira et al. (2021) destacam que o enfermeiro contribui significativamente para a autonomia do paciente, ao fornecer informações precisas, orientar quanto aos cuidados e garantir que seus direitos sejam respeitados. Rosa Ferreira, Antunez Villagran & Faria (2024) reforçam essa função ao salientar que o posicionamento do enfermeiro como defensor do paciente, sobretudo em ambientes de alta complexidade, assegura a execução de procedimentos conforme os protocolos estabelecidos e as preferências individuais.
O envolvimento direto do enfermeiro com os processos formativos e de supervisão também é um componente estruturante da segurança assistencial. Salles & Andrade (2024) observam que o enfermeiro tem a responsabilidade de orientar continuamente os profissionais de sua equipe, garantindo que todos compreendam e apliquem corretamente as normas vigentes. Batalha, Borges & Melleiro (2024) enfatizam que esse papel educacional é favorecido em ambientes institucionais onde há estímulo à atualização profissional e à valorização da enfermagem como categoria estratégica na gestão do risco clínico.
A atuação do enfermeiro, portanto, é multifacetada: ele organiza, executa, coordena e supervisiona práticas assistenciais que, direta ou indiretamente, impactam a segurança do paciente. Brum et al. (2025) reforçam que a atenção à continuidade do cuidado, especialmente nas transições entre níveis de complexidade, depende em grande medida da organização promovida pelo profissional de enfermagem. Silva et al. (2024) apontam que o enfermeiro, ao estabelecer rotinas seguras e ao manter o diálogo aberto com os demais profissionais, contribui para a redução de falhas sistêmicas e para a consolidação de uma cultura institucional de segurança.
2.5 Indicadores, Políticas Públicas e Tendências na Gestão da Qualidade em Saúde
O monitoramento da qualidade em saúde no Brasil tem sido orientado por políticas públicas que buscam consolidar sistemas avaliativos capazes de guiar decisões clínicas, administrativas e sanitárias. Nesse sentido, os indicadores epidemiológicos cumprem papel estratégico ao fornecerem subsídios para o planejamento e para a avaliação dos serviços prestados. Mártires et al. (2024) realizaram uma análise de tendência da qualidade dos serviços voltados ao controle da hanseníase, evidenciando que, mesmo diante de avanços normativos, ainda há disparidades regionais e instabilidade na continuidade das ações, o que compromete a efetividade da assistência. Já Galvão et al. (2024) ressaltam que políticas de fortalecimento editorial e científico são indispensáveis para garantir que os dados utilizados no planejamento sejam consistentes e aplicáveis às realidades locais.
A atenção primária à saúde (APS) tem ganhado destaque como campo estratégico para a consolidação da qualidade e da segurança do cuidado. Flores-Quispe et al. (2024), ao avaliarem tendências na assistência neonatal, identificaram melhorias em diversos indicadores, porém alertam para a necessidade de investir em qualificação profissional e em estrutura mínima nas unidades básicas. A fragilidade estrutural limita a capacidade de resposta dos serviços frente a demandas complexas. Cordeiro et al. (2025), por sua vez, apontam que a articulação entre diretrizes clínicas e ferramentas de gestão possibilita padronização de condutas, diminuição da variabilidade técnica e maior controle dos resultados, contribuindo para o fortalecimento institucional da APS.
A institucionalização de instrumentos avaliativos como parte integrante das políticas públicas também é um ponto de atenção. Sousa et al. (2024) defendem que a avaliação sistemática dos serviços, especialmente no campo das doenças crônicas, deve integrar protocolos clínicos e ações estratégicas de monitoramento, permitindo a identificação precoce de riscos e a reorientação do cuidado. Esses instrumentos, quando validados e utilizados de forma sistemática, auxiliam gestores e profissionais na tomada de decisões mais coerentes com os objetivos sanitários. Mártires et al. (2024), reforçando essa perspectiva, mostram que falhas na coleta e na análise de dados epidemiológicos impactam diretamente na qualidade da vigilância em saúde.
O olhar do usuário também deve ser considerado como parte integrante da avaliação da qualidade institucional. Figueiredo et al. (2024) analisaram a percepção dos pacientes quanto aos serviços de atenção primária e identificaram que fatores como escuta ativa, vínculo longitudinal e resolução de problemas clínicos influenciam significativamente a avaliação positiva dos serviços. Sousa et al. (2024), ao tratarem da construção de instrumentos de avaliação, destacam que a incorporação da experiência do paciente nos processos de monitoramento favorece uma abordagem mais completa e sensível às reais necessidades da população atendida.
A combinação entre indicadores quantitativos, políticas públicas consistentes e práticas clínicas baseadas em evidências é indispensável para a sustentabilidade dos sistemas de avaliação em saúde. Galvão et al. (2024) enfatizam que a melhoria contínua só pode ser alcançada quando os dados gerados localmente são utilizados de forma qualificada para orientar estratégias de gestão e para promover processos formativos. Cordeiro et al. (2025) complementam ao destacar que a atualização das diretrizes clínicas e a sua integração às práticas cotidianas dependem da capacidade institucional de gerar, interpretar e aplicar dados com agilidade e precisão.
Flores-Quispe et al. (2024) alertam que avanços em indicadores não significam, por si só, que a qualidade esteja consolidada, uma vez que muitas melhorias observadas são resultado de programas pontuais e descontinuados. Por isso, reforçam a importância da continuidade das ações e do financiamento regular das políticas públicas voltadas à atenção primária. Figueiredo et al. (2024), ao observarem a avaliação do usuário, indicam que a instabilidade dos serviços e a ausência de resolutividade são aspectos frequentemente identificados como negativos nas entrevistas realizadas, evidenciando falhas que escapam dos indicadores formais.
3. METODOLOGIA
Este estudo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, com o objetivo de analisar a relação entre a segurança do paciente e a qualidade dos serviços de saúde, com ênfase na atuação da equipe de enfermagem e nas diretrizes estabelecidas pelas Metas Internacionais de Segurança do Paciente. Essa abordagem permite compreender os fenômenos em sua complexidade, considerando as experiências, práticas institucionais e normativas que influenciam a gestão do cuidado seguro.
O procedimento metodológico adotado foi a revisão integrativa da literatura, por meio da qual foram selecionados, analisados e interpretados artigos científicos publicados entre 2020 e 2025. Essa técnica possibilita a síntese de conhecimento disponível sobre determinado tema, reunindo resultados de pesquisas anteriores e oferecendo subsídios para a construção de novos referenciais teóricos e práticos. A escolha da revisão integrativa justifica-se pelo volume crescente de publicações relacionadas à segurança do paciente e pela necessidade de sistematizar achados recentes sobre a temática.
A busca pelos estudos foi realizada nas bases de dados SciELO, LILACS e BVS, utilizando os seguintes descritores controlados: “segurança do paciente”, “qualidade em saúde”, “enfermagem” e “atenção primária à saúde”. Foram aplicados os seguintes critérios de inclusão: artigos publicados em português ou espanhol, com texto completo disponível gratuitamente, publicados entre 2020 e 2025, e que abordassem a temática em ambientes de atenção primária, hospitalar ou ambulatorial, com foco na atuação da enfermagem ou na gestão da segurança. Como critério de exclusão, eliminaram-se publicações de caráter opinativo, editoriais, duplicadas ou que não abordavam diretamente a temática proposta.
Após a aplicação dos critérios, 18 artigos foram selecionados para análise. Os dados extraídos dos estudos incluíram: ano de publicação, objetivos, metodologia, resultados e conclusões. A análise foi conduzida por meio da leitura crítica e interpretativa do conteúdo, identificando-se categorias temáticas recorrentes, tais como: cultura de segurança, metas internacionais, protocolos clínicos, avaliação da qualidade e papel do enfermeiro. Esses elementos foram utilizados para estruturar a fundamentação teórica e a discussão analítica apresentada nas seções anteriores.
A confiabilidade metodológica da revisão foi assegurada pela utilização de critérios rigorosos de seleção e pela triangulação das fontes. Além disso, a categorização dos achados foi realizada de forma independente por dois avaliadores, sendo resolvidas divergências por consenso. O processo buscou garantir transparência na coleta e na análise dos dados, favorecendo a reprodutibilidade do estudo por outros pesquisadores interessados na temática.
Dessa forma, a metodologia adotada contribuiu para a construção de uma base teórica fundamentada, que sustenta as análises desenvolvidas neste artigo. A utilização da revisão integrativa como estratégia investigativa permitiu compreender as múltiplas dimensões envolvidas na segurança do paciente, ressaltando a centralidade da atuação da enfermagem e a importância das políticas públicas e institucionais voltadas para a melhoria contínua da qualidade assistencial.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
4.1 Caracterização dos Estudos Selecionados
A presente revisão integrativa resultou na seleção de dezoito estudos publicados entre os anos de 2020 e 2025, todos disponíveis em acesso aberto e extraídos das bases SciELO, LILACS e BVS. O critério temporal visou contemplar a produção científica mais recente, alinhada às normativas atuais de segurança do paciente e qualidade assistencial. Observou-se uma maior concentração de publicações nos anos de 2023 e 2024, o que indica uma intensificação da produção acadêmica sobre o tema em resposta às demandas por melhoria da assistência nos serviços de saúde brasileiros.
Quanto ao recorte temático, os estudos foram classificados em três eixos principais: segurança do paciente, qualidade dos serviços de saúde e atuação da equipe de enfermagem. A maior parte dos trabalhos abordou simultaneamente dois ou mais desses eixos, o que reflete a interdependência estrutural entre esses campos. A segurança do paciente, por exemplo, é frequentemente discutida como um dos componentes da qualidade assistencial e depende diretamente das práticas executadas pela equipe de enfermagem, especialmente no que se refere à padronização de condutas e vigilância de riscos.
No que diz respeito ao local de realização das pesquisas, nove estudos foram conduzidos no contexto da atenção primária à saúde (APS), cinco em unidades hospitalares e quatro em serviços ambulatoriais especializados. Essa distribuição permite visualizar a transversalidade da temática em diferentes níveis do sistema de saúde. Enquanto os estudos na APS enfatizam a coordenação do cuidado e a longitudinalidade, os estudos hospitalares focam majoritariamente em unidades de terapia intensiva e centros cirúrgicos, evidenciando a importância da prevenção de eventos adversos em ambientes de alta complexidade.
Em relação ao delineamento metodológico, os dezoito estudos se dividiram entre abordagens qualitativas (8), revisões integrativas e de escopo (5), estudos transversais com dados quantitativos (3) e relatos de intervenção educativa (2). Essa diversidade metodológica proporciona uma compreensão mais ampla da temática, articulando dados objetivos com percepções de profissionais e usuários, além de oferecer evidências práticas sobre intervenções voltadas à melhoria da segurança. A presença de múltiplos métodos também reforça a legitimidade das análises construídas.
A atuação da enfermagem emergiu como foco central em treze dos dezoito estudos. O enfermeiro é retratado como figura estratégica na supervisão das rotinas assistenciais, na implementação de protocolos de segurança e na promoção da comunicação entre os diversos atores do cuidado. Estudos como os de Oliveira et al. (2021) e Rosa Ferreira, Antunez Villagran & Faria (2024) reforçam que a mediação exercida pelo enfermeiro contribui para a redução de riscos, melhora a experiência do paciente e fortalece o alinhamento entre equipes multiprofissionais.
Diversos artigos também destacaram a aplicação de instrumentos validados para a mensuração de aspectos relacionados à segurança e à qualidade. Sousa et al. (2024) e Figueiredo et al. (2024), por exemplo, utilizaram escalas específicas para avaliar tanto a percepção dos usuários quanto a maturidade institucional da cultura de segurança. A presença desses instrumentos em vários estudos indica uma tendência à objetivação dos processos avaliativos, contribuindo para maior comparabilidade entre os serviços e para a formulação de políticas baseadas em evidência.
Entre as limitações apontadas pelos próprios autores, destacam-se a restrição geográfica dos estudos a determinadas regiões, o uso de amostras pequenas e a ausência de dados longitudinais em muitos casos. Apesar disso, os achados oferecem subsídios relevantes para o aprimoramento das práticas institucionais. A maioria dos estudos sugere a necessidade de maior integração entre formação profissional, protocolos normativos e escuta qualificada dos usuários para alcançar melhorias sustentáveis na qualidade assistencial.
4.2 Metas Internacionais e Cultura de Segurança
A análise dos estudos selecionados evidencia que a implementação das Metas Internacionais de Segurança do Paciente tem sido amplamente reconhecida como estratégia estruturante para a qualificação dos serviços de saúde, especialmente na prevenção de eventos adversos evitáveis. Essas metas – que envolvem ações como a identificação correta do paciente, a comunicação efetiva entre os profissionais de saúde, a segurança na administração de medicamentos, a higiene das mãos, entre outras – foram abordadas de forma direta em 11 dos 18 estudos incluídos, tanto em contextos hospitalares quanto na atenção primária. Contudo, sua efetivação prática ainda esbarra em obstáculos de natureza institucional e operativa.
Lopes et al. (2025) demonstram que, embora as metas estejam oficialmente integradas aos programas de qualidade no Brasil, a adesão efetiva ainda depende de fatores como capacitação da equipe, apoio da gestão e mecanismos de avaliação contínua. A análise dos estudos confirma essa dependência: em instituições onde há incentivo à formação e monitoramento de processos, a adesão às metas é visivelmente mais elevada. Por outro lado, em cenários onde prevalece a sobrecarga de trabalho, ausência de protocolos claros e resistência organizacional, os profissionais tendem a subestimar a aplicabilidade das metas, reduzindo sua eficácia.
A identificação correta do paciente, por exemplo, figura como uma prática fundamental, mas que ainda encontra falhas sistemáticas na rotina de muitos serviços. Ventura-Silva et al. (2020) apontam que a adoção de estratégias simples como pulseiras padronizadas, conferência dupla de identidade e uso de registros eletrônicos contribui significativamente para a prevenção de erros de medicação, cirurgias em local errado ou administração de cuidados em pacientes equivocados. Os estudos revisados demonstram que, mesmo reconhecendo a importância desse procedimento, muitos serviços não possuem mecanismos institucionais eficazes para fiscalizar e reforçar sua prática cotidiana.
Na atenção primária, os desafios para aplicar as metas se multiplicam, sobretudo pela limitação de recursos físicos e humanos. Pegoraro-Alves-Zarpelon et al. (2022), em uma revisão integrativa voltada à APS, demonstram que a segurança do paciente é muitas vezes secundarizada frente a outras prioridades assistenciais, o que dificulta a incorporação sistemática das metas. Os estudos analisados reforçam essa constatação: há relatos de que, na ausência de protocolos adaptados à realidade da atenção básica, as metas são tratadas como exigências formais, sem articulação com a prática clínica e a cultura local dos serviços.
A consolidação da cultura de segurança aparece como tema transversal em praticamente todos os estudos que abordam a implementação das metas. De forma recorrente, os autores apontam que a existência de uma cultura organizacional pautada pela responsabilização coletiva, comunicação não punitiva e liderança comprometida está diretamente relacionada à efetividade das práticas seguras. Silva et al. (2024), em estudo multicêntrico com profissionais de UTI, observaram que instituições com maior grau de maturidade na cultura de segurança apresentam menor resistência à adesão aos protocolos e maior comprometimento das equipes com as metas propostas.
O papel da gestão institucional também se mostrou decisivo na análise. Os estudos identificam que serviços com instâncias formais de coordenação da qualidade, auditoria interna e comissões de segurança conseguem não apenas implementar as metas com mais consistência, mas também desenvolver ações educativas e sistemáticas de melhoria contínua. Em contrapartida, ambientes marcados pela ausência de lideranças clínicas, rotatividade elevada de pessoal e comunicação ineficiente tendem a apresentar fragilidade na internalização das metas como prática regular.
Outro ponto frequentemente destacado é a necessidade de adaptar a linguagem, os formatos e os fluxos das metas às especificidades locais de cada serviço. A replicação mecânica dos protocolos institucionais, sem considerar o contexto da equipe e da comunidade atendida, foi identificada como um fator de resistência entre os profissionais. Vários estudos ressaltam que, quando as metas são incorporadas a partir de processos participativos e com validação coletiva, há maior adesão e naturalização das condutas seguras, favorecendo sua sustentabilidade.
Em síntese, a análise dos estudos indica que as Metas Internacionais de Segurança do Paciente são reconhecidas como referência normativa legítima, porém sua efetivação requer mais do que instruções técnicas. É indispensável que estejam integradas a uma cultura institucional orientada à aprendizagem, ao diálogo entre os profissionais e à valorização do cuidado seguro como valor organizacional. O êxito de sua aplicação está diretamente ligado à presença de uma gestão que estimule práticas reflexivas, formativas e colaborativas, adaptadas à realidade dos serviços de saúde brasileiros.
4.3 A Enfermagem como Eixo da Segurança e Qualidade
Os estudos analisados nesta revisão revelam, de forma consistente, a centralidade da enfermagem na implementação de práticas seguras e na consolidação da qualidade assistencial nos diferentes níveis de atenção à saúde. Em 13 dos 18 artigos incluídos, o enfermeiro é retratado como agente protagonista na organização dos fluxos assistenciais, na supervisão das condutas técnicas e na articulação entre os profissionais da equipe multiprofissional. Essa posição estratégica se justifica pela presença contínua do enfermeiro junto ao paciente, o que lhe permite atuar de forma preventiva, educativa e interventiva.
Oliveira et al. (2021) destacam que o enfermeiro exerce papel fundamental na tradução das diretrizes institucionais para a prática cotidiana, assumindo a responsabilidade pela coordenação das ações e pela vigilância contínua de possíveis riscos. A atuação não se restringe à execução de tarefas técnicas, mas se amplia para a mediação entre pacientes, familiares e equipe clínica, promovendo um ambiente mais transparente, comunicativo e seguro. Essa perspectiva é compartilhada por diversos autores, que apontam o enfermeiro como elo entre as metas organizacionais e a experiência concreta do cuidado.
A supervisão das rotinas assistenciais aparece com frequência nos estudos como uma das funções mais relevantes desempenhadas pelos enfermeiros em contextos hospitalares e ambulatoriais. Rosa Ferreira, Antunez Villagran & Faria (2024) demonstram que a presença ativa do enfermeiro no centro cirúrgico, por exemplo, é determinante para a padronização das condutas pré, trans e pós-operatórias, reduzindo o risco de eventos adversos relacionados a falhas humanas ou ausência de comunicação eficaz. Essa atuação é ainda mais relevante em cenários de alta complexidade, onde o tempo de resposta e a coordenação entre profissionais são decisivos para a segurança do paciente.
A promoção da saúde como eixo estruturante da segurança também foi destacada em estudos que abordaram a atuação do enfermeiro em unidades de internação e no cuidado ao trabalhador da saúde. Salles & Andrade (2024) analisam ações voltadas à prevenção de agravos ocupacionais entre profissionais hospitalares e ressaltam que a enfermagem pode atuar tanto na identificação precoce de fatores de risco quanto na construção de estratégias educativas que envolvam toda a equipe. Dessa forma, a segurança extrapola o cuidado ao paciente, alcançando também o bem-estar dos profissionais, o que retroalimenta positivamente a qualidade da assistência prestada.
Outro aspecto fortemente associado à prática da enfermagem nos estudos é a formação permanente da equipe. O enfermeiro aparece como responsável direto por capacitações, treinamentos internos, reuniões clínicas e momentos de escuta coletiva. Batalha, Borges & Melleiro (2024) evidenciam que, em instituições com cultura organizacional mais favorável à segurança, a liderança do enfermeiro é incentivada como estratégia de difusão do conhecimento e de valorização da prática reflexiva. A formação contínua, nesse sentido, não apenas atualiza os protocolos, mas reforça a postura ética, o compromisso com o cuidado e a autorresponsabilidade entre os profissionais.
A mediação entre paciente e instituição também figura como atribuição destacada nas análises. Em contextos nos quais o enfermeiro atua como facilitador do diálogo, aumenta-se a adesão do usuário ao tratamento, melhora-se a compreensão das orientações e reduz-se o número de queixas relacionadas à negligência ou omissão. Estudos como o de Oliveira et al. (2021) indicam que o engajamento do enfermeiro com os usuários fortalece o vínculo terapêutico e promove uma percepção mais positiva da qualidade do serviço. A humanização do cuidado, neste caso, torna-se parte indissociável da segurança.
4.4 Avaliação da Qualidade e Indicadores Institucionais
A avaliação da qualidade nos serviços de saúde é uma estratégia fundamental para garantir a segurança do paciente, a efetividade das ações e a eficiência na gestão dos recursos. Os estudos analisados nesta revisão apontam que os indicadores institucionais representam ferramentas indispensáveis no monitoramento de práticas assistenciais e na tomada de decisões organizacionais. No entanto, os autores também indicam que a existência de indicadores, por si só, não garante melhorias nos serviços, sendo necessário que sua utilização esteja integrada a uma política institucional contínua e participativa.
Sousa et al. (2024) enfatizam a importância da utilização de instrumentos avaliativos específicos para monitorar a qualidade dos cuidados em doenças crônicas. Esses instrumentos não apenas mensuram variáveis operacionais e clínicas, como também permitem a identificação de pontos críticos na linha de cuidado, favorecendo ajustes oportunos. A análise dos estudos revela que a adoção de escalas validadas, questionários estruturados e checklists padronizados é cada vez mais frequente, sobretudo em instituições que possuem núcleos de qualidade e segurança consolidados.
Figueiredo et al. (2024), ao abordarem a avaliação da atenção primária do ponto de vista do usuário, demonstram que a experiência vivenciada pelo paciente constitui um indicador legítimo da qualidade percebida. Aspectos como escuta ativa, respeito à autonomia, clareza na comunicação e tempo de atendimento influenciam diretamente a avaliação do cuidado prestado. Diversos estudos incluídos na revisão reconhecem que a inclusão da percepção do paciente na avaliação institucional amplia o alcance dos indicadores, permitindo capturar dimensões subjetivas que os instrumentos convencionais muitas vezes não contemplam.
A integração entre os dados obtidos por meio de instrumentos avaliativos e os protocolos clínicos institucionalizados é uma tendência destacada nos estudos mais recentes. Cordeiro et al. (2025) analisam o uso de diretrizes clínicas em serviços de atenção básica e hospitalar e demonstram que, quando essas diretrizes estão alinhadas aos indicadores de desempenho, há maior aderência das equipes às práticas seguras. A institucionalização de protocolos baseados em evidência técnica promove uniformidade na conduta e facilita a auditoria interna, contribuindo para a melhoria dos resultados assistenciais.
Galvão et al. (2024) reforçam que a produção científica e a difusão de dados técnicos qualificados são partes integrantes da cadeia de avaliação da qualidade. Os autores defendem que os indicadores devem estar ancorados em evidências confiáveis e contextualizadas, de forma a evitar interpretações equivocadas e decisões gerenciais ineficazes. A padronização dos critérios de avaliação e a validação metodológica das ferramentas utilizadas são apontadas como requisitos para a construção de um sistema confiável de monitoramento.
Apesar dos avanços identificados, os estudos também apontam limitações recorrentes na aplicação e continuidade dos sistemas avaliativos. Mártires et al. (2024), em sua análise longitudinal sobre a hanseníase, indicam que muitas das estratégias avaliativas são implementadas de forma pontual, sem continuidade institucional ou incorporação nos planos de gestão. Essa descontinuidade compromete a comparabilidade dos dados ao longo do tempo e reduz a capacidade do sistema de saúde de responder a tendências negativas de forma estruturada.
A sustentabilidade das ações voltadas à qualidade é outro desafio evidenciado pela literatura. Flores-Quispe et al. (2024), ao investigarem os cuidados neonatais na atenção primária, alertam para o risco de retrocessos nos indicadores quando os investimentos em qualificação profissional e estrutura física são descontinuados. A estabilidade das equipes e o apoio da gestão superior são elementos fundamentais para manter as boas práticas em funcionamento, mesmo diante de limitações orçamentárias ou mudanças políticas.
Diversos estudos também ressaltam que a fragmentação dos sistemas de informação e a baixa interoperabilidade entre os diferentes níveis de atenção prejudicam o acompanhamento longitudinal dos indicadores. Essa deficiência compromete a rastreabilidade dos casos, a comparação entre serviços e a identificação de gargalos na rede de cuidado. A integração de sistemas eletrônicos, associada a treinamento das equipes para uso adequado dos dados, é uma das recomendações frequentes encontradas nas análises revisadas.
Por outro lado, os artigos que analisaram experiências bem-sucedidas demonstram que os indicadores de qualidade são mais eficazes quando incorporados à rotina das equipes, com devolutiva periódica dos resultados, metas compartilhadas e ações corretivas pactuadas. A gestão participativa e a cultura de avaliação contínua são reconhecidas como condições para que os dados coletados sejam transformados em melhoria real nos processos e nos desfechos clínicos.
Dessa forma, a avaliação da qualidade e a gestão por indicadores devem ser compreendidas não como processos burocráticos ou externos à assistência, mas como instrumentos de apoio ao trabalho clínico e à tomada de decisão ética, técnica e política. A análise dos estudos evidencia que o uso eficaz dos indicadores depende de seu alinhamento com as diretrizes institucionais, da valorização da escuta do usuário, da integração entre os níveis de atenção e do compromisso institucional com a aprendizagem organizacional e a melhoria contínua.
4.5 Fragilidades, Limitações e Atenções Identificadas
A análise dos 18 estudos incluídos nesta revisão integrativa permitiu identificar fragilidades recorrentes no campo da qualidade e segurança do paciente, especialmente no que diz respeito à consolidação de práticas sustentáveis e à padronização das ações entre diferentes serviços e níveis de atenção. Uma das principais limitações observadas foi a concentração dos estudos em ambientes hospitalares e unidades de atenção primária, com escassez de pesquisas voltadas para o contexto ambulatorial, unidades de pronto atendimento e serviços especializados. Essa lacuna compromete a abrangência do conhecimento produzido e dificulta a aplicação de diretrizes integradas em todos os pontos da rede de atenção à saúde.
Outro aspecto crítico está na ausência de continuidade dos programas de segurança do paciente após mudanças na gestão ou redução de financiamento institucional. Vários estudos relataram que as ações de qualidade são muitas vezes pontuais, com baixa institucionalização, o que prejudica a sustentabilidade dos resultados e compromete a cultura de segurança como eixo estruturante do cuidado. A fragmentação das políticas públicas, a desarticulação entre os entes federativos e a descontinuidade de incentivos também foram apontadas como obstáculos à consolidação de práticas seguras.
No que tange aos indicadores de qualidade, observou-se fragilidade na sistematização da coleta e análise dos dados, bem como na formação dos profissionais para interpretação crítica desses indicadores. Em muitos cenários, a avaliação é realizada de forma isolada e não gera planos de ação consistentes. Isso evidencia a necessidade de aprimoramento dos processos de monitoramento e da incorporação efetiva da avaliação como parte da rotina assistencial. Além disso, a escassa utilização da perspectiva do paciente como fonte de dados qualitativos limita a compreensão integral dos efeitos das práticas sobre a experiência do cuidado.
Também foi recorrente a menção à sobrecarga das equipes de enfermagem como fator limitante para a adoção integral de práticas seguras. A escassez de recursos humanos, somada à pressão por produtividade, compromete a capacidade dos profissionais de acompanhar protocolos, registrar adequadamente os procedimentos e participar de ações educativas. Essa condição impacta diretamente a qualidade do cuidado e aumenta os riscos assistenciais, especialmente em ambientes de alta complexidade como as unidades de terapia intensiva e os centros cirúrgicos.
Do ponto de vista metodológico, parte dos estudos analisados apresentou limitações quanto ao desenho da pesquisa, à representatividade das amostras e à ausência de acompanhamento longitudinal. A predominância de estudos descritivos e de corte transversal restringe a capacidade de estabelecer relações de causa e efeito ou de identificar mudanças sustentadas ao longo do tempo. A carência de pesquisas qualitativas com abordagem participativa ou etnográfica também foi apontada como limitação para aprofundar a compreensão das dimensões subjetivas e organizacionais envolvidas na segurança do paciente.
As fragilidades identificadas também se relacionam à baixa integração entre os setores administrativos e assistenciais nas instituições de saúde. A cultura de gestão verticalizada e pouco participativa dificulta a construção coletiva de estratégias de segurança, gera resistências à mudança e invisibiliza o protagonismo dos profissionais da linha de frente. Nesse sentido, os estudos apontam a necessidade de promover ambientes institucionais mais democráticos, onde a comunicação interprofissional e a corresponsabilização sejam incentivadas.
Ainda que os marcos normativos e diretrizes internacionais estejam amplamente divulgados, foi observado que muitos profissionais desconhecem na prática os conteúdos das Metas Internacionais de Segurança do Paciente. Isso evidencia um déficit na formação continuada e na comunicação interna das instituições, indicando a urgência de estratégias pedagógicas mais acessíveis e permanentes para capacitação das equipes. A rotatividade dos profissionais e a ausência de lideranças locais comprometidas com o tema agravam esse cenário.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão integrativa permitiu identificar que a qualidade dos serviços de saúde e a segurança do paciente são dimensões interdependentes e diretamente influenciadas pela organização institucional, pela cultura do cuidado e pelo protagonismo das equipes de enfermagem. Os resultados revelaram que, embora haja avanços normativos e técnicos na área, a efetivação de práticas seguras ainda enfrenta limitações estruturais, operacionais e formativas.
As Metas Internacionais de Segurança do Paciente têm funcionado como referência normativa para orientar condutas clínicas, mas sua aplicação ainda é desigual entre os serviços e depende de fatores como engajamento da gestão, capacitação contínua e adesão das equipes. Observa-se que estratégias simples, como a identificação correta do paciente e a higienização das mãos, nem sempre são executadas com regularidade, o que compromete os resultados esperados.
A cultura de segurança aparece como uma dimensão estratégica, especialmente quando articulada a modelos de gestão participativos, fluxos bem definidos e comunicação interprofissional eficaz. Os ambientes de cuidado que valorizam o trabalho colaborativo, o acolhimento e o aprendizado contínuo tendem a apresentar menor incidência de falhas e eventos adversos. Contudo, ainda existem barreiras culturais e organizacionais que dificultam a consolidação dessa cultura em larga escala.
A enfermagem ocupa lugar central na operacionalização das práticas seguras, não apenas pela proximidade com o paciente, mas também pela atuação na supervisão técnica, na mediação com a família e na liderança de ações educativas. O desempenho eficaz do enfermeiro está diretamente relacionado à qualidade do cuidado e à capacidade institucional de prevenir riscos assistenciais. A sobrecarga de trabalho, a escassez de recursos e a rotatividade profissional figuram como fatores que limitam esse protagonismo.
No campo da avaliação, constatou-se que os instrumentos utilizados ainda são subaproveitados, especialmente em sua integração às rotinas gerenciais. A escuta qualificada dos usuários, a utilização de indicadores clínicos e a implementação de protocolos padronizados precisam ser fortalecidas como práticas de monitoramento contínuo e tomada de decisão baseada em evidências.
Além disso, identificaram-se fragilidades na sustentabilidade das ações de segurança, frequentemente impactadas por mudanças administrativas, descontinuidade de programas e ausência de planejamento estratégico de longo prazo. A baixa articulação entre os níveis de atenção e a fragmentação das iniciativas dificultam a institucionalização de uma política permanente de qualidade assistencial.
Diante desse cenário, torna-se necessário reforçar o compromisso das instituições com a formação permanente das equipes, a integração entre os setores e a valorização dos profissionais da linha de frente. A construção de ambientes de cuidado seguros exige investimento contínuo em recursos humanos, estrutura física, processos avaliativos e gestão do conhecimento.
Conclui-se, portanto, que a consolidação da segurança do paciente e da qualidade em saúde depende da articulação entre política institucional, capacitação técnica e engajamento profissional. Estudos futuros podem contribuir para ampliar o escopo das análises, considerando diferentes realidades regionais e novas abordagens metodológicas voltadas à transformação das práticas em saúde.
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