PUBLIC HEALTH: THE ROLE OF NURSING IN ADOLESCENT PREGNANCY.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512061624
Igor Sanches Guimarães Campelo1
Letícia Vitoria Gama Brito1
Luan Felipe Matos Brito1
Luiza Vitoria Braga de Sousa1
Thalia Vitoria Coutinho Reis1
Jamilly Karoliny da Silva Miranda2
RESUMO
Objetivo: O presente artigo tem como objetivo analisar a gravidez na adolescência como uma problemática de saúde pública em nosso país, além de compreender o papel do profissional de enfermagem no cuidado destas pacientes levando em consideração os fatores sociais que permeiam nossa sociedade. Métodos: Foi apresentado conceitos, intervenções e riscos, através da metodologia adotada, pesquisa bibliográfica, partindo da análise geral de documentos e artigos científicos. Resultados: A proposta, portanto, visa não apenas proporcionar informações, mas também promover a devida atenção necessária aos índices elevados sobre a problemática citada, sendo assim, contribuindo principalmente para a promoção da saúde da adolescente e do bebê, além também de impactos sociais e econômicos. O problema afeta, especialmente, a biografia da juventude e sua possibilidade de elaborar uma vida estável. Conclusão: É especialmente traumático quando ocorre nas classes socioeconomicamente desfavoráveis. Muitos são os desafios e mudanças próprias da adolescência, podendo os jovens incorrerem num comportamento de risco. A gravidez na adolescência é uma situação de risco psicossocial que pode ser reconhecida como um problema para os jovens que iniciam uma família não intencionada.
Palavras-Chave: Adolescente; Desafios; Gravidez; Problemática;
ABSTRACT
Objective: This article aims to analyze teenage pregnancy as a public health problem in our country, in addition to understanding the role of nursing professionals in caring for these patients, taking into account the social factors that permeate our society. Methods: Concepts, interventions and risks were presented through the adopted methodology, bibliographic research, starting from the general analysis of documents and scientific articles. Results:The proposal, therefore, aims not only to provide information, but also to promote the necessary attention to the high rates of the aforementioned problem, thus contributing mainly to the promotion of the health of the adolescent and the baby, in addition to social and economic impacts. The problem especially affects the biography of young people and their possibility of creating a stable life. Conclusion: It is especially traumatic when it occurs in socioeconomically disadvantaged classes. There are many challenges and changes typical of adolescence, and young people may engage in risky behavior. Teenage pregnancy is a situation of psychosocial risk that can be recognized as a problem for young people who start an unintended family.
Keywords: Adolescent; Challenges; Pregnancy; Problematic;
1 INTRODUÇÃO
A adolescência se caracteriza como um período particular e singular entre a infância e a idade adulta. Esse período, além de ter transformações físicas anatômicas e hormonais em função da puberdade, também é marcado por mudanças psicológicas, sendo caracterizado por vivências intensas no processo de constituição de subjetividade e da individualidade (Silva et al., 2023).
A gravidez na adolescência pode acarretar complicações tanto para a mãe, quanto para o feto, relacionadas ao fato de que as adolescentes estão em fase de crescimento e desenvolvimento físico, emocional e social. Ainda assim, destaca-se que mais da metade dessas mulheres passam por gestações saudáveis e dão à luz a bebês também saudáveis. No entanto, é fundamental que as adolescentes grávidas recebam cuidados pré-natais adequados, apoio emocional e educacional para minimizar riscos potenciais (Brasil, 2021).
Segundo dados do Ministério da Saúde (2020), no Brasil, nascem por ano mais de 434,5 mil bebês filhos de mães adolescentes. O país registra taxa de 68,4 nascimentos para cada mil adolescentes e jovens mulheres entre 15 e 19 anos, o que é considerado um índice elevado se comparado à taxa mundial de 46 nascimentos. De acordo com a pesquisa Nascer Brasil (2020), 66% das gestações em adolescentes não são planejadas e aproximadamente 75% das mães adolescentes estavam fora da escola, segundo a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (PNAD) (Miranda et al., 2024).
A problemática consiste, na maioria das vezes, na falta de educação sexual, visto que em grande parte dos casos o pai também é adolescente. A educação sexual é uma forma eficaz de prevenir a gravidez precoce, evitando consequências físicas e psicossociais. Essa prática deve ser compartilhada entre família, escola e profissionais da saúde, sendo parte essencial da promoção do bem-estar dos adolescentes, ao enfatizar a importância do comportamento sexual responsável, do respeito ao outro, da equidade de gênero e da prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (CNM, 2021).
Os profissionais de enfermagem que fazem o atendimento dessas adolescentes enfrentam grandes desafios, especialmente no processo de cuidado e no enfrentamento da fragmentação da rede materno-infantil. As consultas devem proporcionar acolhimento, informações educativas e preventivas, além de detectar precocemente situações de risco e possíveis patologias evitáveis, fortalecendo o vínculo que se inicia no pré-natal e se estende até o parto (Araújo et al., 2022).
Nos últimos anos, diversos estudos têm destacado que a gravidez na adolescência é um fenômeno multifatorial e deve ser analisado a partir de suas dimensões sociais, culturais e econômicas (Lima et al., 2022). Fatores como baixa escolaridade, vulnerabilidade social, desigualdade de gênero, ausência de políticas públicas efetivas e deficiências no acesso aos serviços de saúde contribuem para a manutenção de altos índices de gestações precoces no Brasil (Ferreira e Santos, 2023).
No campo da saúde pública, a gravidez na adolescência é reconhecida como um importante desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS). Os impactos ultrapassam a dimensão biológica, alcançando aspectos sociais e econômicos, como a evasão escolar, o desemprego e o aumento da vulnerabilidade familiar. A adolescente gestante, quando não devidamente assistida, tende a enfrentar um ciclo de exclusão que afeta não apenas sua saúde física e emocional, mas também seu desenvolvimento social e educacional (Cardoso et al., 2023).
A enfermagem, nesse contexto, desempenha papel estratégico no acolhimento e no cuidado humanizado dessas adolescentes. É responsabilidade do enfermeiro identificar situações de vulnerabilidade, realizar o pré-natal de risco habitual, promover orientações sobre o autocuidado e garantir o acesso a programas de planejamento reprodutivo. A consulta de enfermagem deve ser um espaço de escuta qualificada, no qual a adolescente possa expressar suas dúvidas e angústias, estabelecendo um vínculo de confiança com o profissional (Mendes et al., 2023).
Recentemente, novas abordagens têm sido desenvolvidas para aprimorar o cuidado às gestantes adolescentes, com a integração de tecnologias digitais e mídias sociais no processo educativo. Segundo Costa e Nascimento (2024), aplicativos e plataformas digitais voltados à saúde sexual e reprodutiva têm sido utilizados como ferramentas de apoio à enfermagem, favorecendo o acesso à informação e à comunicação segura entre profissionais e adolescentes. Essas estratégias contribuem para reduzir barreiras culturais e geográficas, aproximando o cuidado das realidades locais e fortalecendo a autonomia das jovens. Outro ponto importante é a capacitação contínua dos profissionais da enfermagem para lidar com as especificidades da adolescência. O cuidado prestado a essa população deve envolver aspectos técnicos, éticos e afetivos, considerando as singularidades do desenvolvimento juvenil. A escuta ativa, a empatia e o respeito à diversidade são elementos fundamentais para a construção de um cuidado integral e livre de julgamentos (Oliveira & Braga, 2023).
Portanto, compreender a gravidez na adolescência como um fenômeno de saúde pública implicar reconhecer sua complexidade e a necessidade de intervenções integradas. Cujo o objetivo é analisar o papel da enfermagem no cuidado, prevenção e acompanhamento da gravidez no contexto da saúde pública e identificar fatores sociais, culturais e econômicos associados à gravidez na adolescência. A atuação da enfermagem é essencial tanto na prevenção quanto na assistência, garantindo não apenas a redução das complicações gestacionais, mas também a promoção da saúde física, emocional e social da adolescente e de seu filho. Assim, investir em políticas públicas, formação profissional e ações educativas contínuas é o caminho para reduzir os índices de gravidez precoce e fortalecer uma cultura de cuidado humanizado e inclusivo no sistema de saúde brasileiro.
2 METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo bibliográfico, descritivo e de abordagem qualitativa. Após a definição do tema, realizou-se a seleção de palavras-chave com o objetivo de orientar as buscas em bases de dados científicas. As bases consultadas foram: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Portal de Periódicos da CAPES, Google Acadêmico e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), além da consulta a livros, dissertações e documentos oficiais do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Foram adotados como critérios de inclusão materiais publicados entre 2020 e 2025, redigidos em língua portuguesa, que abordassem temas relacionados à gravidez na adolescência, saúde pública e à atuação da enfermagem. Como critérios de exclusão, eliminaram-se estudos duplicados, materiais sem rigor científico e publicações que não abordassem diretamente o papel do enfermeiro no cuidado à gestante adolescente.
A coleta de dados ocorreu por meio da leitura analítica e da seleção criteriosa dos materiais provenientes das fontes mencionadas. Para a busca, utilizaram-se os descritores: “enfermagem”, “adolescência”, “saúde pública” e “desafios”.
Após a triagem, os estudos selecionados foram organizados em uma planilha contendo: autor, ano, título, objetivos, metodologia e principais resultados. Essa etapa possibilitou a identificação de produções relevantes que contribuíssem para o embasamento teórico do estudo.
A escolha pela pesquisa bibliográfica qualitativa justifica-se pela possibilidade de realizar uma análise aprofundada das produções científicas acerca do papel da enfermagem no cuidado à gestante adolescente, considerando os aspectos sociais, psicológicos e de saúde pública que permeiam esse contexto. Tal abordagem permitiu construir uma compreensão ampla dos desafios enfrentados pelos profissionais de enfermagem e da importância de sua atuação na promoção da saúde e no acompanhamento adequado das adolescentes grávidas.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A gravidez na adolescência é um tema amplamente estudado por seus impactos sociais, econômicos, educacionais e de saúde. É evidenciado que por sua vez é conhecida como um dos problemas prevalentes na atualidade. Dessa forma, é crucial que sejam ressaltados os motivos pelos quais esses números crescem cada vez mais e fazem esses adolescentes vivenciarem esse cenário, tudo começa quando a educação sexual não é transmitida, à informação sobre sexualidade, a ausência de diálogo familiar, a influência de contextos socioeconômicos vulneráveis e a dificuldade de acesso a métodos contraceptivos. Por isso, é fundamental investir em políticas públicas que promovam a educação sexual nas escolas, ofereçam suporte psicológico e garantam atendimento médico adequado às jovens.
Diversos são os impactos causados na vida da adolescente em todas as áreas da vida, trazendo problemas que muitas vezes não são resolvidos ao longo do tempo, como por exemplo, a educação e mercado de trabalho, onde muitas adolescentes abandonam a escola após engravidar. Isso reduz as chances de qualificação profissional e oportunidade de emprego. A gravidez precoce dificulta o ingresso e permanência em empregos formais, aumentando a dependência econômica. Além disso, a saúde física e mental é destacada pelos riscos maiores de complicações obstétricas e depressão pós-parto em jovens mães. Em 2010, quase 20% de todos os nascimentos no Brasil eram de parturientes adolescentes, enquanto em 2019 a proporção foi de 14,72%. A maior diminuição se deu na faixa etária de 15 a 19 anos. As adolescentes mais jovens, de 10 a 14 anos, apresentaram proporções abaixo de 1% e com uma tendência a diminuição mais discreta. (Assis et,al., 2022). A taxa de gravidez na adolescência no Brasil tem apresentado uma tendência de queda nos últimos anos, embora ainda seja considerada elevada em comparação com outros países da América Latina.
Levando em consideração alguns dados nacionais, percebe-se que o número de mães adolescentes tem diminuído. Em 2023, aproximadamente 11,95% dos nascimentos no Brasil foram de mães adolescentes, representando uma redução em relação aos 14,72% registrados em 2019. (Fapespa). Entre 2014 e 2023, o número de partos entre adolescentes caiu pela metade, passando de 18,9% para 11,9% do total nacional. Abaixo, podemos analisar alguns gráficos com dados que confirmam o que foi mencionado anteriormente:

Os dados do SINASC (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos – 2025) mostram avanços significativos na redução da gravidez na adolescência entre os anos de 2020 e 2024 (FIGURA 1). Neste período, houve uma diminuição de aproximadamente significativa nos nascimentos de bebês de mães adolescentes (15 a 19 anos).

Ao analisar a prevalência da gravidez na adolescência por região na Figura 2, observa-se que o Nordeste do país tem a maior taxa (82.069), seguido pelo Sudeste (73.132), enquanto o Centro Oeste figura como última posição (22.177).
Apesar dos dados nacionais apresentarem redução nas taxas de gravidez na adolescência, o Brasil ainda apresenta índices superiores à média de outros países latinoamericanos, como Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai. A desigualdade social, o acesso limitado a serviços de saúde e educação, além de fatores culturais, continuam a influenciar esses números. É fundamental continuar investindo em políticas públicas que promovam a educação sexual, o acesso a métodos contraceptivos e o empoderamento das adolescentes para reduzir ainda mais essas taxas.
A gravidez na adolescência é uma condição que, embora tenha apresentado redução nos últimos anos no Brasil, ainda se configura como uma grave questão de saúde pública, afetando milhares de jovens, sobretudo nas regiões mais vulneráveis. Trata-se de um fenômeno que não pode ser compreendido apenas pela ótica biomédica ou comportamental, mas sim como um reflexo das múltiplas dimensões sociais, econômicas, culturais e familiares que permeiam a vida das adolescentes brasileiras (Oliveira et al., 2021).
Em primeiro lugar, é importante destacar que a adolescência representa uma fase de profundas transformações fisiológicas, cognitivas, emocionais e sociais. Nesse período, o indivíduo passa pela consolidação da identidade e experimenta, muitas vezes, comportamentos de risco, influenciados pelo desejo de pertencimento, autonomia e afirmação de sua sexualidade. Quando não há suporte familiar, educacional e institucional adequado, essas experiências podem resultar em uma gestação precoce (Costa et al., 2020).
A gravidez na adolescência está fortemente associada à ausência de educação sexual sistematizada, à limitação no acesso a métodos contraceptivos e à escassa comunicação entre pais e 8 filhos sobre temas ligados à sexualidade. Em muitas famílias, especialmente as mais conservadoras ou com baixa escolaridade, ainda persiste o tabu em torno da sexualidade, dificultando o acesso das adolescentes às informações necessárias para uma vivência sexual segura e responsável (Ribeiro & Lima, 2021). De acordo com Moreira et al. (2020), a ausência de políticas públicas bem estruturadas nas escolas, que abordem a saúde sexual e reprodutiva com linguagem apropriada e de forma contínua, contribui para a perpetuação desse ciclo.
Do ponto de vista epidemiológico, os números ainda preocupam: embora a taxa de gravidez precoce esteja em queda, o Brasil ainda apresenta indicadores superiores à média da América Latina, com taxas particularmente altas nas regiões Norte e Nordeste, onde há maior concentração de pobreza e vulnerabilidade social. Nascimento e Santos (2022) observam que meninas que engravidam precocemente enfrentam rupturas importantes em sua trajetória escolar, o que compromete diretamente sua formação acadêmica e posterior inserção no mercado de trabalho, perpetuando ciclos de exclusão e dependência econômica.
Além disso, os riscos à saúde são significativamente maiores entre as gestantes adolescentes. Ferreira e Andrade (2023) apontam que há maior incidência de parto prematuro, pré-eclâmpsia, infecções urinárias e recém-nascidos com baixo peso. Esses desfechos adversos estão relacionados tanto à imaturidade biológica quanto à falta de acompanhamento pré-natal adequado, que muitas vezes se deve ao medo, à desinformação ou à dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
A saúde mental das adolescentes também sofre impacto direto com a gestação precoce. Estudos recentes demonstram a prevalência elevada de sintomas de depressão pós-parto, ansiedade, baixa autoestima e sentimento de culpa entre essas jovens, especialmente quando a gravidez não foi planejada e não há rede de apoio sólida (Silva & Menezes, 2022). Muitas vezes, a adolescente é responsabilizada socialmente por sua gravidez, sendo estigmatizada por sua família, escola e comunidade, o que agrava ainda mais sua vulnerabilidade psíquica.
Neste cenário, o papel da enfermagem torna-se central e estratégico. Profissionais de enfermagem, principalmente aqueles atuantes na Atenção Primária à Saúde (APS), são os primeiros a acolher essas adolescentes no sistema de saúde. Assim, devem estar preparados para oferecer não apenas cuidados clínicos, mas também suporte emocional, orientação educativa e encaminhamentos interdisciplinares. De acordo com Cardoso e Farias (2023), a consulta de enfermagem precisa ser entendida como espaço privilegiado de escuta, vínculo e educação em saúde, onde é possível abordar aspectos psicossociais e fornecer informações sobre o planejamento reprodutivo de forma acolhedora e respeitosa.
Além da atuação direta com a gestante, a enfermagem deve participar ativamente do desenvolvimento e da implementação de estratégias preventivas, como a promoção da educação sexual nas escolas, ações comunitárias de saúde e campanhas voltadas ao empoderamento feminino. A integração da enfermagem com o Programa Saúde na Escola (PSE), por exemplo, é uma via promissora para alcançar adolescentes em idade escolar e discutir temas como sexualidade, métodos contraceptivos, infecções sexualmente transmissíveis e prevenção da gravidez (Moreira et al., 2020).
É fundamental ressaltar que não basta focar na adolescente como única responsável pelo processo gestacional. Muitos dos pais também são adolescentes e enfrentam os mesmos desafios, o que demanda uma abordagem inclusiva e dialógica com ambos os envolvidos. A responsabilização deve recair sobre o Estado e as instituições que falharam em fornecer suporte adequado para que esses jovens pudessem exercer sua sexualidade com responsabilidade e proteção.
A gravidez na adolescência, portanto, deve ser compreendida como expressão das desigualdades sociais que estruturam o Brasil. Ela afeta com mais intensidade as adolescentes negras, pobres, moradoras de periferias urbanas ou de áreas rurais com difícil acesso a serviços públicos. Enfrentar essa realidade exige, além da atuação técnica da enfermagem, uma postura ética, crítica e comprometida com a transformação social. É preciso defender políticas públicas mais equitativas, com investimento contínuo em educação, saúde e assistência social para garantir o desenvolvimento pleno de todas as adolescentes, independentemente de sua origem ou condição socioeconômica.
Assim, a gravidez precoce não deve ser apenas prevenida, mas tratada com dignidade quando ocorre. É dever dos profissionais de saúde – e especialmente da enfermagem – acolher essas jovens, garantindo cuidado humanizado, escuta ativa, respeito às suas histórias e apoio para a construção de um futuro possível, mesmo diante das dificuldades impostas por uma gestação precoce.
4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A gravidez na adolescência é um fenômeno complexo que exige respostas integradas e contínuas dos serviços de saúde, educação e assistência social. Trata-se de uma condição de risco psicossocial que impacta negativamente a trajetória de vida das jovens mães e de seus filhos, principalmente quando ocorre em contextos de vulnerabilidade social. A presença de múltiplos determinantes – como baixa escolaridade, pobreza, ausência de educação sexual, falta de diálogo familiar e dificuldades no acesso aos serviços de saúde – reforça a necessidade de estratégias abrangentes de prevenção e cuidado.
Neste cenário, o papel da enfermagem destaca-se como essencial, tanto na promoção da saúde reprodutiva quanto na assistência humanizada às adolescentes gestantes. A atuação dos profissionais de enfermagem deve ir além do atendimento clínico, incorporando ações educativas, preventivas e de acolhimento, capazes de estabelecer vínculos e proporcionar uma rede de apoio segura e eficaz. É fundamental que a enfermagem esteja preparada para identificar precocemente situações de risco, promover a autonomia das adolescentes e garantir que seus direitos sexuais e reprodutivos sejam respeitados.
Ademais, a redução sustentável da gravidez precoce passa pela valorização da educação sexual nas escolas, pelo fortalecimento das políticas públicas de saúde da mulher e da adolescência, e pela garantia de equidade no acesso a informações e serviços. Ao se comprometer com a prevenção 10 da gravidez na adolescência e com o cuidado integral às gestantes jovens, a enfermagem cumpre seu papel social e ético na construção de uma sociedade mais justa e saudável.
O enfermeiro desempenha um papel fundamental na assistência à gravidez na adolescência, atuando não apenas no cuidado clínico, mas também como agente educador, acolhedor e facilitador do acesso à saúde. Sua intervenção é essencial para reduzir riscos maternos e neonatais, promover o desenvolvimento saudável da gestação e fortalecer a autonomia da adolescente por meio de ações educativas e de apoio emocional.
Ao oferecer acolhimento humanizado, orientação sobre autocuidado, planejamento reprodutivo, vínculos afetivos e direitos sexuais e reprodutivos, o enfermeiro contribui para que a adolescente vivencie a gestação de forma mais consciente, segura e informada. Além disso, sua atuação interdisciplinar e comunitária ajuda a minimizar vulnerabilidades sociais, favorecendo a continuidade do cuidado no pré-natal, parto e pós-parto.
Assim, o enfermeiro se torna peça-chave na promoção da saúde integral da adolescente, no fortalecimento de sua rede de apoio e na construção de um futuro mais saudável para mãe e bebê.
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1 Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal (UNIPLAN) Polo Bragança-PA e-mail: viririx@gmail.com
2 Docente do Curso Superior de Enfermagem o Centro Universitário Planalto do Distrito Federal (UNIPLAN) Polo Bragança-PA. e-mail: Jamillymiranda854@gmail.com
