MENTAL HEALTH OF MEDICAL STUDENTS: IMPACTS OF ACADEMIC WORKLOAD, COPING STRATEGIES AND USE OF PSYCHOTROPIC DRUGS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202508292126
Bruno Di Girolamo Vita1
Vanessa Valverde Menezes Rehem1
Professora Orientadora: Évelin Santos Oliveira2
RESUMO
Introdução. O período acadêmico em cursos de medicina caracteriza-se por intensa demanda intelectual, emocional e social, podendo impactar significativamente a saúde mental dos estudantes. A elevada carga horária, a pressão por desempenho acadêmico, as exigências clínicas e a competitividade inerente ao curso contribuem para o surgimento de sintomas de ansiedade, depressão, estresse e burnout, afetando o bem-estar físico, psicológico e social. Objetivos. Este estudo tem como objetivo investigar os impactos da carga acadêmica na saúde mental de estudantes de medicina, as estratégias de enfrentamento adotadas e o uso de psicofármacos. Justificativa. A pesquisa é relevante por fornecer evidências atualizadas sobre os determinantes da saúde mental em estudantes de medicina, contribuindo para a compreensão dos fatores de risco, mecanismos de proteção e intervenções eficazes. Metodologia. Trata-se de uma revisão sistemática de literatura revisão seguiu o protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) para seleção de artigos publicados entre 2020 e 2025 nas bases PubMed e SciELO. Foram incluídos estudos que abordassem a saúde mental de estudantes de medicina, as estratégias de enfrentamento adotadas e o uso de psicofármacos, em português, inglês ou espanhol, com texto completo disponível. Foram excluídos trabalhos fora do período delimitado e indisponíveis gratuitamente na íntregra. Resultados e discussão. Os estudos revisados indicam que a elevada carga acadêmica está associada ao surgimento de sintomas de ansiedade, depressão, burnout e insônia, influenciados por fatores psicológicos, fisiológicos e comportamentais. As estratégias de enfrentamento eficazes incluem prática de atividade física, organização do tempo, apoio social, orientação psicológica e grupos de estudo colaborativos. O uso de psicofármacos, incluindo ansiolíticos, antidepressivos e estimulantes, tem sido relatado e necessitam de maior supervisão para beneficiar os estudantes. Conclusão. Conclui-se que a carga acadêmica exerce impacto multifatorial sobre a saúde mental de estudantes de medicina, favorecendo o surgimento de sintomas emocionais e o uso de psicofármacos. O desenvolvimento de estratégias preventivas, acompanhamento individualizado e promoção de hábitos saudáveis é essencial para preservar o bem-estar, garantir qualidade de vida.
Palavras-chave: Saúde mental. Estudantes. Psicofármacos.
ABSTRACT
Introduction. The academic period in medical courses is characterized by intense intellectual, emotional, and social demands, which can significantly impact students’ mental health. High workloads, pressure for academic performance, clinical requirements, and the inherent competitiveness of the course contribute to the onset of symptoms such as anxiety, depression, stress, and burnout, affecting physical, psychological, and social well-being.Objectives. This study aims to investigate the impacts of academic workload on the mental health of medical students, the coping strategies adopted, and the use of psychotropic drugs.Rationale. The research is relevant as it provides updated evidence on the determinants of mental health in medical students, contributing to the understanding of risk factors, protective mechanisms, and effective interventions.Methodology. This is a systematic literature review that followed the PRISMA protocol (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) to select articles published between 2020 and 2025 in PubMed and SciELO databases. Studies addressing the mental health of medical students, coping strategies, and the use of psychotropic drugs, in Portuguese, English, or Spanish, with full-text availability were included. Studies outside the defined period or not freely accessible in full text were excluded.Results and Discussion. The reviewed studies indicate that high academic workload is associated with the onset of anxiety, depression, burnout, and insomnia symptoms, influenced by psychological, physiological, and behavioral factors. Effective coping strategies include regular physical activity, time management, social support, psychological counseling, and collaborative study groups. The use of psychotropic drugs, including anxiolytics, antidepressants, and stimulants, has been reported and requires careful supervision to benefit students. Conclusion. It can be concluded that academic workload has a multifactorial impact on the mental health of medical students, favoring the emergence of emotional symptoms and the use of psychotropic drugs. The development of preventive strategies, individualized support, and the promotion of healthy habits are essential to preserve well-being and ensure quality of life.
Keywords: Mental health. Students. Psychotropic drugs.
1 INTRODUÇÃO
O período acadêmico em cursos de medicina é reconhecido por sua elevada demanda intelectual, emocional e social, o que pode impactar significativamente a saúde mental dos estudantes. A intensa carga horária, a pressão por desempenho acadêmico, as exigências clínicas e a competitividade inerente ao curso podem gerar níveis elevados de estresse, ansiedade e depressão, comprometendo o bem-estar físico, psicológico e social desses indivíduos (Silva et al., 2023). Além disso, fatores como mudanças de rotina, privação de sono, dificuldades financeiras e a necessidade de conciliar atividades extracurriculares e estágios clínicos contribuem para o surgimento ou agravamento de transtornos emocionais nesse grupo populacional.
A adoção de estratégias de enfrentamento adequadas pode reduzir os efeitos negativos da carga acadêmica sobre a saúde mental. As práticas de atividade física regular, técnicas de relaxamento, organização do tempo, apoio social e orientação psicológica são ferramentas importantes para a promoção da resiliência emocional, melhora da concentração e manutenção da motivação acadêmica (Oliveira et al., 2024). No entanto, observa-se que muitos estudantes, diante de níveis elevados de ansiedade e cansaço mental, recorrem ao uso de psicofármacos, como ansiolíticos e estimulantes, frequentemente sem acompanhamento médico adequado.
Tal prática pode apresentar riscos à saúde, incluindo dependência, efeitos adversos e interferência no desempenho cognitivo e emocional (Santos et al., 2023). Nos últimos anos, pesquisas têm avançado na compreensão dos determinantes da saúde mental em estudantes de medicina, identificando os fatores de risco, como também os mecanismos de proteção e estratégias de intervenção eficazes. Os programas institucionais de apoio psicológico, grupos de estudo orientados e políticas que promovam equilíbrio entre vida acadêmica e pessoal têm se mostrado promissores na prevenção de transtornos mentais e na melhoria da qualidade de vida desses estudantes (Pereira et al., 2022).
Além disso, o acompanhamento individualizado, considerando características pessoais, histórico de saúde mental, níveis de estresse e recursos de enfrentamento disponíveis, é fundamental para otimizar resultados e prevenir complicações mais graves. A relevância do tema se evidencia diante do impacto da saúde mental no rendimento acadêmico, na qualidade do cuidado prestado durante a formação médica e na futura atuação profissional (Conceição et al., 2021). Assim, a compreensão aprofundada das consequências da carga acadêmica, das estratégias de enfrentamento adotadas e do uso de psicofármacos é essencial para embasar intervenções institucionais e práticas clínicas voltadas à promoção do bem-estar nesse grupo.
Diante disso, este estudo tem como objetivo investigar as evidências científicas atuais sobre os impactos da carga acadêmica na saúde mental de estudantes de medicina, as estratégias de enfrentamento adotadas e o uso de psicofármacos, destacando a necessidade de intervenções eficazes para promover bem-estar, qualidade de vida e desenvolvimento acadêmico sustentável.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
Este estudo consiste em uma revisão sistemática da literatura sobre os impactos da carga acadêmica na saúde mental de estudantes de medicina, com foco nas estratégias de enfrentamento adotadas e no uso de psicofármacos. A pesquisa foi conduzida seguindo as diretrizes doPreferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), que orientam a realização e o relato de revisões sistemáticas de maneira estruturada e transparente.
A busca seguiu a estratégia População, Intervenção, Comparação e Desfechos (PICO). A população-alvo incluiu estudantes de medicina de diferentes níveis do curso. A intervenção abrangeu a avaliação da carga acadêmica, das estratégias de enfrentamento e do uso de psicofármacos. A comparação considerou diferentes métodos de suporte e prevenção da sobrecarga emocional, enquanto os desfechos analisaram a eficácia das estratégias de enfrentamento, a frequência e os impactos do uso de psicofármacos, bem como sua relação com o bem-estar psicológico e o desempenho acadêmico.
Os descritores utilizados foram selecionados com base na pergunta de pesquisa e a partir dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Os termos empregados incluíram: “saúde mental”, “estudantes de medicina”, “carga acadêmica”, “estratégias de enfrentamento” e “psicofármacos”. Para a busca em inglês, foram utilizados os correspondentes: “mental health”, “medical students”, “academic load”, “coping strategies”, “psychotropic drugs”. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, que reúne referências e resumos de artigos científicos biomédicos reconhecidos internacionalmente, e SciELO (Scientific Electronic Library Online), que disponibiliza literatura científica. A combinação dos descritores utilizou o operador booleano ANDrefinar os resultados.
Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, em português, inglês ou espanhol, com texto completo disponível, que abordassem a saúde mental de estudantes de medicina, estratégias de enfrentamento e/ou uso de psicofármacos. Foram excluídos estudos sem texto completo disponível gratuitamente na íntegra e que não enfocassem estudantes de medicina ou que não abordassem aspectos relacionados à saúde mental, estratégias de enfrentamento ou uso de psicofármacos.
Figura 1. Desenho metodológico

3 RESULTADOS E DISCUSSÃOPara a composição deste estudo, realizou-se inicialmente a triagem dos resumos disponíveis na literatura, resultando na seleção de 09 artigos para leitura integral. As publicações foram examinadas e sistematizadas na Tabela 1, contemplando investigações sobre os efeitos da carga acadêmica na saúde mental de estudantes de medicina. A avaliação incluiu a identificação dos sintomas mais frequentes como ansiedade, depressão e estresse a análise da eficácia das estratégias de enfrentamento, que englobam práticas de autocuidado, apoio social e terapias psicológicas, e o levantamento do uso de psicofármacos como parte do manejo clínico.
Tabela 1. Artigos selecionados para análise e escrita.
| Autor | Ano | Amostra (n) | Conclusões |
| AMORIM, G.V et al. | 2025 | 150 | O estudo demonstrou que a elevada carga acadêmica influencia negativamente a saúde mental de estudantes de medicina, favorecendo sintomas ansiosos e depressivos. Foram identificadas como estratégias de enfrentamento mais eficazes a organização do tempo, apoio social e prática regular de atividade física. Reforça-se a importância de programas institucionais de promoção de qualidade de vida e prevenção do adoecimento. |
| DLEON, H.C et al. | 2025 | 200 | Evidenciou-se alta prevalência de transtornos mentais relacionados à sobrecarga de estudos e pressão por desempenho, sendo a ansiedade generalizada e a insônia as queixas mais comuns. O uso de psicofármacos, principalmente ansiolíticos, foi relatado por parte dos alunos como forma de lidar com o estresse. Estratégias não medicamentosas, como terapia psicológica e atividades recreativas, mostraram-se menos acessíveis. |
| FIORILLO, A.F et al. | 2025 | 180 | Constatou-se que a intensidade da carga curricular está associada ao aumento de sintomas de burnout e depressão. Estratégias de enfrentamento como grupos de apoio, acompanhamento psicoterápico e flexibilização de prazos acadêmicos mostraram eficácia na redução do sofrimento mental. Houve relato de uso crescente de antidepressivos e estimulantes por parte dos estudantes. |
| FREITAS, F.A et al. | 2025 | 220 | A transição para o ensino remoto durante a pandemia agravou a pressão acadêmica e ampliou casos de ansiedade, estresse e isolamento social. Muitos estudantes recorreram a psicofármacos, especialmente antidepressivos, para lidar com os impactos emocionais. A manutenção de rotinas de autocuidado, contato com familiares e acompanhamento psicológico online mostrou-se protetiva. |
| GONÇALVES, P.B et al. | 2025 | 130 | A investigação apontou que a sobrecarga acadêmica está diretamente associada à piora da qualidade de vida, gerando quadros de insônia, fadiga e ansiedade. Estratégias como meditação, atividade física e suporte familiar foram consideradas eficazes para redução de sintomas. autores recomendam a implementação de políticas universitárias que conciliem exigência acadêmica e bem-estar. |
| LAVAREDA, P.H et al. | 2025 | 160 | Verificou-se que o excesso de carga horária e a ausência de espaços de escuta para estudantes contribuem para o sofrimento mental e, em alguns casos, para a automedicação com ansiolíticos e antidepressivos. Estratégias de enfrentamento mais frequentes incluíram apoio entre colegas, grupos de estudo colaborativos e prática esportiva. |
| MONTEIRO, J.A et al. | 2025 | 190 | Observou-se crescimento significativo de transtornos psiquiátricos entre estudantes nos últimos anos, diretamente relacionado à pressão acadêmica intensa. Muitos relataram uso regular de antidepressivos e estabilizadores de humor como forma de manter desempenho escolar. |
| MORCERF, C.C et al. | 2024 | 140 | O estudo apontou que fatores socioeconômicos e carga acadêmica elevada atuam de forma sinérgica no agravamento da saúde mental de estudantes de medicina. Estratégias adaptativas incluíram apoio comunitário e acompanhamento com psicólogos, mas o acesso desigual limitou resultados. |
| PEREIRA, T.M et al. | 2025 | 170 | Constatou-se que a pressão acadêmica e o contato precoce com situações de alta carga emocional contribuem para sofrimento psíquico, levando alguns alunos ao uso de ansiolíticos e antidepressivos. As estratégias de enfrentamento mais relatadas incluíram apoio entre colegas, prática de esportes e busca por terapia. O estudo defende intervenções institucionais amplas para promover bem-estar. |
A análise dos estudos selecionados evidencia que a carga acadêmica constitui um fator crítico para a saúde mental dos estudantes de medicina. A pressão por desempenho, altas expectativas, longas jornadas de estudo e exposição precoce a situações de estresse contribuem para o surgimento de sintomas de ansiedade, depressão, burnout e insônia, conforme apontado por Amorim et al. (2025) e Dleon et al. (2025). Monteiro et al. (2025) destacam que a incidência de transtornos psiquiátricos entre estudantes vem aumentando nos últimos anos, sugerindo que o ambiente acadêmico contemporâneo pode agravar vulnerabilidades emocionais.
Os sintomas se manifestam por meio de uma combinação de mecanismos psicológicos, fisiológicos e comportamentais: a ansiedade e o estresse são desencadeados pela ativação constante do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, elevando os níveis de cortisol e provocando inquietação, dificuldade de concentração e sensação de sobrecarga; a depressão decorre da percepção de incapacidade ou fracasso acadêmico, levando à diminuição da motivação, apatia e sentimentos de desesperança (Oliveira et al., 2022).
O burnout surge do desgaste emocional e físico causado pelo esforço contínuo sem períodos adequados de descanso, gerando esgotamento, cinismo e redução da eficiência acadêmica; e a insônia, frequentemente relacionada à preocupação constante com o desempenho, compromete a recuperação cognitiva e emocional, intensificando sintomas de ansiedade e fadiga (Dleon et al. 2025).
Esses achados reforçam que a sobrecarga acadêmica afeta o bem-estar psicológico, mas também interfere no desempenho acadêmico, motivação e engajamento dos estudantes. No que se refere às estratégias de enfrentamento, os estudos indicam que mecanismos adaptativos individuais e institucionais são essenciais para mitigar os efeitos negativos da pressão acadêmica (Monteiro et al. 2025)
Nesse sentido, apoio social, manutenção de atividades físicas regulares, organização do tempo e participação em grupos de apoio ou acompanhamento psicológico são medidas eficazes para reduzir o sofrimento psíquico (Amorim et al., 2025; Fiorillo et al., 2025; Lavareda et al., 2025). De acordo com Freitas et al. (2025) observam que, durante a pandemia de COVID-19, a adaptação ao ensino remoto e o fortalecimento de laços familiares e de amizade desempenharam papel protetivo.
Outrossim, Gonçalves et al. (2025) ressaltam que hábitos saudáveis, equilíbrio entre vida pessoal e acadêmica e acesso a recursos de lazer favorecem o bem-estar global, demonstrando que estratégias preventivas e de autocuidado são determinantes para a resiliência do estudante.
O uso de psicofármacos surge como uma resposta à incapacidade de enfrentar de forma saudável a pressão acadêmica. Os estudos como os de Dleon et al. (2025), Fiorillo et al. (2025) e Monteiro et al. (2025) relatam o consumo de ansiolíticos, antidepressivos e estimulantes como forma de manter o rendimento e reduzir sintomas de ansiedade e depressão.
Dentre os psicofármacos mais utilizados pelos estudantes, destacam-se os ansiolíticos, especialmente os benzodiazepínicos, como diazepam e lorazepam, que têm como principal função reduzir sintomas de ansiedade e tensão. Os antidepressivos, em sua maioria os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como fluoxetina e sertralina, indicados para depressão, ansiedade persistente e alterações do humor. Já os estimulantes, como metilfenidato e anfetaminas, são utilizados principalmente para melhorar a concentração e sustentar o rendimento acadêmico em períodos de alta demanda (Pereira et al., 2025).
Morcerf et al. (2024) relatam que o uso desses medicamentos é mais frequente entre estudantes com menor suporte social ou condições socioeconômicas desfavoráveis, evidenciando a necessidade de intervenções preventivas, acompanhamento clínico adequado e orientação profissional para evitar automedicação e uso inadequado. Além disso, estratégias de enfrentamento adaptativas, aliadas ao acompanhamento psicológico e psicopedagógico, bem como à promoção de hábitos saudáveis, podem reduzir a dependência de psicofármacos e minimizar os riscos associados ao seu uso (Lavareda et al., 2025).
De forma geral, os achados evidenciam que a saúde mental dos estudantes de medicina é multifatorial, sendo influenciada por fatores acadêmicos, pessoais, sociais e institucionais. A implementação de políticas de prevenção e promoção do bem-estar é imprescindível, incluindo programas de acompanhamento psicológico, flexibilização curricular, capacitação docente, incentivo à prática de atividades físicas e estratégias de promoção de qualidade de vida (Conceição et al., 2021).
Nesse sentido, a criação de ambientes acadêmicos que valorizem o equilíbrio entre estudo e vida pessoal pode reduzir o risco de adoecimento mental e contribuir para um desenvolvimento acadêmico sustentável (Pereira et al., 2025; Lavareda et al., 2025). Logo, os dados sugerem que a integração entre medidas individuais e institucionais é fundamental para fortalecer a resiliência emocional dos estudantes, prevenir o uso inadequado de psicofármacos e promover um ambiente de aprendizagem saudável, equilibrando a exigência acadêmica com a manutenção da saúde mental.
Por fim, estudos futuros podem explorar estratégias inovadoras, como programas de mindfulness, mentorias e acompanhamento longitudinal, para avaliar a efetividade dessas intervenções ao longo da formação médica.
4 CONCLUSÃO
Em síntese, os estudos analisados evidenciam que a elevada carga acadêmica exerce um impacto significativo sobre a saúde mental dos estudantes de medicina, favorecendo o surgimento de ansiedade, depressão, burnout e insônia. Os sintomas se desenvolvem por meio de interações complexas entre fatores psicológicos, fisiológicos e comportamentais, sendo agravados por contextos de alta competitividade e pressão constante. A necessidade de enfrentar essas demandas de forma saudável evidencia a importância de estratégias adaptativas, como apoio social, organização do tempo, prática de atividades físicas e acompanhamento psicológico.
Ademais, o uso de psicofármacos, incluindo ansiolíticos, antidepressivos e estimulantes, aparece como recurso frequente para lidar com o estresse acadêmico. Esses achados reforçam a urgência de políticas institucionais voltadas à prevenção do adoecimento mental, à orientação adequada sobre o uso de medicamentos e à promoção de hábitos saudáveis e estratégias de enfrentamento adaptativas. Assim, o desenvolvimento de programas de apoio contínuo e de intervenções integradas pode favorecer um equilíbrio entre desempenho acadêmico e qualidade de vida.
REFERÊNCIAS
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1Discentes da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna
2Doutorado em Imunologia
