REVISÃO NARRATIVA BREVE ACERCA DA EXPERIÊNCIA DE LUTO

PERINATAL A NARRATIVE REVIEW ON THE PERINATAL GRIEF EXPERIENCE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202601310948


Luciano Quintino Dechichi1
Camila Cássia Alves Antunes1
Lucas Rabelo Fernandes Leão2


Resumo 

O campo de estudo acerca do luto perinatal se torna extenso e complexo à medida que se pensa na sua dimensão total, e nas questões entre os indivíduos envolvidos neste processo. Afinal, com o estudo centralizado em vieses científicos sobre a morte e o morrer, de uma vida com uma grande expectativa, com grandes sonhos das famílias sendo destruídos, ou no próprio sentimento isolado da mãe, que sempre foi algo negligenciado pelo biopsicossocial, torna-se cada vez mais evidente o destaque que se deve dar aos estágios presentes deste luto. Todos os aspectos envolvidos nesses episódios na vida das mães e famílias de milhares de indivíduos é extremamente pertinente, a transformação de um evento de extrema felicidade e prazer, para um luto, pelas circunstâncias envolvidas de caso para caso, a dor do que não era esperado, a quebra das expectativas, toda estes acontecimentos causam sofrimentos psicológicos, e que atuam na ordem do fisiológico de maneira longa e duradoura. 

Palavras-chave: Luto perinatal. Cuidado Paliativo. 

The field of study on perinatal grief becomes extensive and complex as we consider its full dimension and the issues among the individuals involved in this process. After all, with research centered on scientific biases about death and dying, of a life with great expectations, with great family dreams being destroyed, or in the mother’s own isolated feeling, which has always been neglected by the biopsychosocial model, it becomes increasingly evident the emphasis that must be given to the stages present in this grief. All the aspects involved in these episodes in the lives of mothers and families of thousands of individuals are extremely pertinent; the transformation of an event of extreme happiness and pleasure into grief, due to the circumstances involved from case to case, the pain of what was not expected, the breaking of expectations—all these events cause psychological suffering that acts on the physiological level in a long and lasting way. 

Keywords: Perinatal Grief. Palliative Care. 

1. INTRODUÇÃO 

O luto perinatal é definido como o conjunto de reações emocionais, psicológicas e sociais que emergem diante da perda de um recém-nascido durante o período perinatal, que vai desde a 22ª semana completa de gestação até os sete primeiros dias após o nascimento (Organização Mundial da Saúde, 1998). Contudo, a literatura tem ampliado essa definição para englobar perdas gestacionais precoces, natimortos e mortes neonatais, reconhecendo a complexidade e diversidade das vivências de perda (Lemos & Cunha, 2015). 

É importante destacar que o luto perinatal se distingue por sua invisibilidade social: a perda não gera a mesma visibilidade de um falecimento pós-natal e muitas vezes é marginalizada ou minimizada pela sociedade. Essa invisibilidade pode dificultar o processo de reconhecimento e acolhimento do sofrimento, impactando diretamente na saúde mental da mãe e da família (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ., 2022). O luto perinatal não é apenas uma tristeza passageira, mas um processo contínuo e multifacetado, que requer reconhecimento e cuidado específicos. 

O luto, neste contexto, não diz respeito apenas à perda de um ser querido, mas a uma transformação drástica, onde a expectativa de uma vida cheia de sonhos e planos é substituída pela dor de uma perda inesperada. Santos, Rosenburg e Buralli (2004) destacam que o luto perinatal envolve não apenas os aspectos emocionais da perda, mas também os fatores sociais e culturais que moldam a experiência da família enlutada. As questões relacionadas a esse processo têm sido, historicamente, negligenciadas pelo viés biopsicossocial, destacando a necessidade de maior atenção aos estágios desse luto, especialmente no que se refere ao apoio psicológico e à humanização do atendimento em serviços de saúde. 

Esse tipo de luto decorrente da perda de um filho durante a gestação ou logo após o nascimento, é um processo complexo e desafiador (Carvalho et al., 2021). Caracteriza-se pela transição abrupta da expectativa de felicidade para a dor da perda, afetando profundamente as mães e suas famílias (Guimarães & Faria, 2024). Esse tipo de perda é marcado por uma complexidade psicológica e fisiológica duradoura, que impacta significativamente as mães. O luto perinatal envolve a transição de um evento de extrema felicidade, como a chegada de um filho, para um acontecimento de luto e dor, cujas circunstâncias podem variar amplamente de caso a caso tenha quebra das expectativas, o sofrimento e a dor do que não era esperado tornam esse processo único e desafiador para os envolvidos. 

Os profissionais de saúde desempenham um papel fundamental no apoio aos pais enlutados, sendo essenciais intervenções eficazes que envolvem comunicação compassiva e a criação de memórias significativas (Andrade et al., 2025). Pesquisas evidenciam que é crucial permitir que os pais vivenciem plenamente o processo de luto, além de reconhecerem a ambivalência que pode surgir em relação a gestações subsequentes (Dumitru et al., 2024). Nesse contexto, o apoio psicológico especializado e uma rede de apoio robusta são essenciais para ajudar os pais a lidarem com a perda de forma saudável. Luna (2020) destaca que grupos de apoio facilitam a expressão das emoções e o compartilhamento de experiências, auxiliando os enlutados a processar o luto de maneira mais eficaz 

2. REVISÃO DA LITERATURA 

O luto, neste contexto, não diz respeito apenas à perda de um ser querido, mas a uma transformação drástica, onde a expectativa de uma vida cheia de sonhos e planos é substituída pela dor de uma perda inesperada. Santos, Rosenburg e Buralli (2004) destacam que o luto perinatal envolve não apenas os aspectos emocionais da perda, mas também os fatores sociais e culturais que moldam a experiência da família enlutada. As questões relacionadas a esse processo têm sido, historicamente, negligenciadas pelo viés biopsicossocial, destacando a necessidade de maior atenção aos estágios desse luto, especialmente no que se refere ao apoio psicológico e à humanização do atendimento em serviços de saúde. 

Esse tipo de luto decorrente da perda de um filho durante a gestação ou logo após o nascimento, é um processo complexo e desafiador (Carvalho et al., 2021). Caracteriza-se pela transição abrupta da expectativa de felicidade para a dor da perda, afetando profundamente as mães e suas famílias (Guimarães & Faria, 2024). Esse tipo de perda é marcado por uma complexidade psicológica e fisiológica duradoura, que impacta significativamente as mães. O luto perinatal envolve a transição de um evento de extrema felicidade, como a chegada de um filho, para um acontecimento de luto e dor, cujas circunstâncias podem variar amplamente de caso a caso tenha quebra das expectativas, o sofrimento e a dor do que não era esperado tornam esse processo único e desafiador para os envolvidos. 

Os profissionais de saúde desempenham um papel fundamental no apoio aos pais enlutados, sendo essenciais intervenções eficazes que envolvem comunicação compassiva e a criação de memórias significativas (Andrade et al., 2025). Pesquisas evidenciam que é crucial permitir que os pais vivenciem plenamente o processo de luto, além de reconhecerem a ambivalência que pode surgir em relação a gestações subsequentes (Dumitru et al., 2024). Nesse contexto, o apoio psicológico especializado e uma rede de apoio robusta são essenciais para ajudar os pais a lidarem com a perda de forma saudável. Luna (2020) destaca que grupos de apoio facilitam a expressão das emoções e o compartilhamento de experiências, auxiliando os enlutados a processar o luto de maneira mais eficaz 

3. METODOLOGIA 

Foi realizada uma revisão breve de literatura acerca da experiência de luto perinatal, usando como fonte de evidência os devidos descritores de caso para se avaliar devidamente o impacto. Os descritores utilizados vão de dados descritivos dos casos de morte perinatal à análise de dor subjetiva e individual dos sujeitos 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS 

4.1 O Luto Como Processo Psíquico 

O luto perinatal é um processo psicológico complexo e emocionalmente desgastante. Freud (1915) descreve o luto como uma reação natural à perda de um objeto amado, que não se restringe à morte de um ente querido, mas a qualquer perda significativa, sendo caracterizado por tristeza profunda, afastamento de outras atividades e perda de interesse no mundo externo. No caso do luto perinatal, esse processo se torna difícil devido à ausência de reconhecimento social, pois a perda do bebê, que não teve uma existência social plena, é frequentemente minimizada pela sociedade. Freud (1917) também afirma que o luto é um fenômeno mental consciente, onde o enlutado sabe exatamente o que perdeu, sendo uma experiência natural que permite ao indivíduo redirecionar sua energia emocional de forma saudável, embora o luto perinatal se torne mais difícil devido à falta de apoio social adequado. Além disso, Freud (1926) observa que as primeiras experiências de perda ao longo do desenvolvimento psíquico formam um protótipo para futuras perdas emocionais, e no luto perinatal, essa elaboração da perda é dificultada pela invisibilidade social, tornando o processo de recuperação mais patológico e complicado 

De acordo com Melanie Klein (1940), o luto perinatal pode ser entendido como um processo no qual a mãe experimenta sentimentos ambivalentes de culpa e raiva em relação à perda do bebê. O objeto perdido, o bebê, é idealizado, o que leva a mãe a se sentir frequentemente responsável pela perda, gerando um cenário de dor emocional e psicológica intensa. Klein (1940) destaca que essas fantasias de culpa podem intensificar o sofrimento no luto, resultando em um conflito interno profundo. Além disso, Klein propõe que o luto perinatal não se restringe a uma perda afetiva, mas também a uma perda objetal. Nesse sentido, o processo de luto envolve a reativação de experiências precoces do desenvolvimento psíquico, particularmente no que Klein denominou de “posição depressiva” arcaica. Assim, o luto perinatal é caracterizado não apenas pela perda real do bebê, mas também pela perda simbólica de um objeto idealizado, o que leva a mãe a vivenciar um intenso conflito de identidade, à medida que ela se vê confrontada com suas próprias emoções e expectativas em relação ao papel materno. 

4.2 A Psicologia do Desenvolvimento e o Impacto Emocional 

Além da teoria psicanalítica, a psicologia do desenvolvimento aponta que o luto materno pode impactar diretamente o funcionamento emocional, social e físico da mulher. Estudos demonstram que o luto perinatal pode desencadear sintomas de depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e dificuldades na construção de vínculos futuros (Freire et al., 2024). Esses efeitos podem ser particularmente intensos em mães que não têm acesso a suporte psicológico adequado e têm seu sofrimento minimizado pela sociedade (Oliveira, 2019). 

O luto perinatal pode afetar profundamente a percepção corporal da mãe, sua autoestima e motivação, além de prejudicar o sono e o apetite. Esses impactos emocionais e psicológicos frequentemente se estendem por meses ou até anos, comprometendo a saúde mental da mulher de maneira duradoura. Estudos indicam que a perda gestacional ou neonatal pode desencadear sintomas de depressão, ansiedade e dificuldades na construção de vínculos futuros. Nesse contexto, De Montigny et al. (2020) destacam que os fatores de risco, como a ausência de apoio emocional e o estigma social relacionado à perda gestacional, podem intensificar os efeitos psicológicos negativos e prolongar o sofrimento das mães. Além disso, a falta de suporte psicológico adequado e a minimização do sofrimento pela sociedade podem intensificar esses efeitos, tornando o processo de luto mais complexo e prolongado. O cuidado psicológico contínuo é essencial para que as mães possam lidar com a perda de forma saudável, prevenindo o agravamento de sintomas depressivos ou de ansiedade. Contudo, a relação entre medicalização e luto é complexa, pois as mães frequentemente se veem em um processo de negociação entre suas experiências pessoais e o conhecimento psicológico institucionalizado, o que pode influenciar significativamente sua recuperação (Ferreira de Faria & Lerner, 2019).

4.3 Fatores Clínicos e Obstétricos 

As principais causas de morte perinatal envolvem uma série de fatores clínicos e obstétricos, entre os quais se destacam o parto prematuro, as malformações congênitas, a insuficiência placentária, infecções maternas e condições obstétricas complexas. Lima et al. (2024) apontam que esses fatores são determinantes essenciais na taxa de mortalidade neonatal, com o parto prematuro, em particular, sendo um dos mais prevalentes. A assistência pré-natal adequada se configura, portanto, como um fator protetor fundamental, capaz de reduzir significativamente o impacto dessas complicações e, por conseguinte, a mortalidade perinatal. O parto prematuro representa um risco crítico devido às complicações associadas, como imaturidade pulmonar, infecções e distúrbios neurológicos, que elevam significativamente as taxas de mortalidade neonatal (Calabrese & De Souza, 2022). 

O nascimento prematuro, por exemplo, pode gerar complicações imediatas para o recém-nascido, como dificuldades respiratórias, dificuldades de termorregulação e aumento do risco de infecção, entre outros problemas. A insuficiência placentária também é uma condição frequentemente associada a complicações graves, pois compromete a nutrição e oxigenação adequadas do feto, o que pode levar a um natimorto ou morte neonatal. 

4.4 O Impacto das Condições Obstétricas no Brasil 

No contexto brasileiro, a elevada taxa de partos prematuros e as complicações associadas destacam a necessidade urgente de políticas públicas voltadas para a saúde materna e neonatal. Lima et al. (2024) apontam que a análise das taxas de mortalidade neonatal no Brasil revela uma disparidade significativa entre as regiões, com a região Norte apresentando a taxa mais alta, seguida pelo Nordeste. Essa disparidade levanta questões cruciais sobre os determinantes regionais da mortalidade neonatal e a eficácia das políticas de saúde implementadas em diferentes áreas do país. A falta de acesso a cuidados adequados, especialmente nas regiões mais vulneráveis, compromete a prevenção e o tratamento de complicações obstétricas, o que contribui para as elevadas taxas de mortalidade neonatal. Nesse cenário, a gestão eficiente do pós-parto e o monitoramento de condições como diabetes gestacional e hipertensão crônica tornam-se essenciais para a melhoria da saúde materna e a redução das complicações perinatais. Além disso, o acompanhamento médico rigoroso, o apoio psicológico e o suporte nutricional são estratégias fundamentais para promover a recuperação da mulher após o parto (Araújo et al., 2025). 

No Brasil, a implementação de políticas públicas voltadas para o acompanhamento contínuo das gestantes, especialmente aquelas com alto risco, como as com histórico de parto prematuro ou complicações clínicas, é essencial para a redução das mortes perinatais. Embora tenha ocorrido progresso no cuidado pré-natal e avanços tecnológicos significativos, as taxas de mortalidade perinatal no país continuam preocupantemente elevadas (Pires et al., 2021). Para combater essa realidade, é imprescindível a adoção de medidas preventivas mais robustas durante as consultas pré-natais, além da melhoria contínua da qualidade dos cuidados perinatais (Alves et al., 2021). 

4.5 Experiências dos Pais e o Cuidado Sensível 

Estudos qualitativos, como o da FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ., 2022, exploram as experiências dos pais em contextos de perdas que transitam entre aborto espontâneo, natimorto e morte neonatal. Destacam a importância de uma comunicação cuidadosa, que respeite a terminologia sensível, evitando termos que possam minimizar a dor, e promovendo a validação do sofrimento parental. 

Reid (2007) observa que a experiência da perda e o nascimento subsequente são processos interligados para a mãe, onde o reconhecimento da dor anterior ajuda na construção do vínculo com o recém-nascido. O cuidado paliativo busca essa humanização da experiência, reconhecendo o bebê e o luto como realidades que precisam ser validadas. 

4.6 Luto Materno

A experiência do luto materno é singular e carregada de significados profundos, pois está diretamente relacionada à construção da identidade materna e à vivência da maternidade como um projeto de vida e expectativa social. Para muitas mulheres, a gravidez representa não apenas a gestação de uma nova vida, mas também a incorporação de um novo papel social, afetivo e identitário, que envolve a expectativa da concretização desse vínculo com o bebê (Pontes & Volkmer, 2016). 

A perda perinatal rompe esse projeto, causando uma sensação de vazio, desamparo e descontinuidade existencial. O luto materno, portanto, é um fenômeno complexo que vai além do sentimento de tristeza; envolve processos psíquicos profundos que questionam o sentido da existência, a continuidade do ciclo da vida e a própria corporeidade da mulher. 

Do ponto de vista psicanalítico, Melanie Klein (1940) destacou que a perda do bebê gestacional pode desencadear sentimentos ambivalentes, como culpa, raiva e medo, devido às fantasias inconscientes que a mãe desenvolve em relação ao bebê. O bebê é muitas vezes internalizado como um objeto perfeito e idealizado, e sua perda provoca um luto que afeta não apenas a figura do recém-nascido, mas aspectos da identidade da mãe, gerando conflitos internos e sentimentos persecutórios. Essas dinâmicas podem levar a uma vivência dolorosa de autoacusação e isolamento emocional. 

Além disso, a psicanálise ressalta a importância do vínculo estabelecido durante a gestação, mesmo que não haja convivência pós-natal, pois o laço afetivo se constrói a partir das expectativas, desejos e cuidados antecipatórios da mãe. A interrupção desse vínculo gera uma ferida psíquica significativa, que exige tempo e espaço para elaboração (Freud, 1917; Klein, 1940). 

A psicologia do desenvolvimento também aponta que o luto materno pode impactar diretamente o funcionamento emocional, social e físico da mulher, desencadeando sintomas depressivos, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e dificuldades na construção de vínculos futuros (Santos Cavalcante, 2016). O luto pode prejudicar o sono, o apetite e a motivação, além de afetar a percepção corporal e a autoestima da mãe. 

Socioculturalmente, o luto materno sofre invisibilização, uma vez que a sociedade muitas vezes não reconhece formalmente a perda de um recém nascido que não nasceu ou que faleceu precocemente, dificultando o processo de acolhimento e validação do sofrimento materno (Ignacio & Medeiros, 2022). Essa invisibilidade pode gerar silenciamento, isolamento social e até culpabilização da mãe, fatores que agravam o sofrimento e dificultam a elaboração do luto. 

A teoria da construção social da maternidade também enfatiza que as expectativas culturais acerca do papel da mulher como mãe idealizada contribuem para um conflito interno quando a perda ocorre, pois a mulher enfrenta a dor pessoal e o peso das cobranças sociais para “superar” ou “seguir em frente” rapidamente (Pontes & Volkmer, 2016). Essa dicotomia entre o sofrimento pessoal e a pressão social é fonte de sofrimento adicional. 

O luto materno, portanto, deve ser abordado com sensibilidade e compreensão, reconhecendo as particularidades do processo e as múltiplas dimensões envolvidas — psicológica, social, cultural e biológica. O suporte emocional contínuo, a validação do sofrimento e a criação de espaços seguros para a expressão da dor são fundamentais para a saúde mental da mulher e para a construção de novos sentidos em sua vida.

4.7 Abordagem dos Cuidados Paliativos 

A integração dos cuidados paliativos no contexto perinatal representa uma mudança de paradigma no atendimento a famílias que enfrentam a morte iminente ou a perda de seus filhos durante a gestação ou nos primeiros dias de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002), os cuidados paliativos consistem em uma abordagem que busca melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças ameaçadoras à vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, identificando precocemente e tratado de forma adequada a dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual. 

A equipe multidisciplinar deve assumir papel central, englobando profissionais da medicina, enfermagem, psicologia, serviço social, fisioterapia e outros, cuja atuação integrada busca não apenas minimizar o sofrimento físico, mas sobretudo promover a elaboração do luto e o fortalecimento dos vínculos familiares. 

Esse cuidado ampliado reconhece o luto perinatal como um processo complexo e singular, que implica uma dor profunda decorrente da perda de um ser que, embora ainda não tenha vivido socialmente, ocupa um lugar simbólico fundamental na construção do projeto de vida da mãe e da família. O trabalho da equipe é voltado para o suporte contínuo, desde o diagnóstico de risco fetal ou gestação de alto risco, passando pelo parto e o possível óbito, até o acompanhamento no pós-perda, momento em que os desafios psicológicos podem se intensificar. A escuta qualificada, o respeito à individualidade e às escolhas familiares, e a oferta de suporte psicossocial e espiritual são pilares indispensáveis nesse processo (Saffi Júnior, 2023). 

Os artigos de pesquisa abordam diversos aspectos do luto parental, com ênfase no luto materno e suas implicações socioculturais. O luto materno é descrito como uma experiência profunda e prolongada que impacta a identidade e a visão de mundo da mãe (Freitas & Michel, 2014). A invisibilidade desse luto em ambientes hospitalares pode dificultar a implementação de intervenções de enfermagem adequadas para as famílias enlutadas (Almeida et al., 2025). Nesse contexto, as redes de apoio social desempenham um papel fundamental no processo de luto, sendo a família e os amigos as fontes de apoio mais significativas, embora, em alguns casos, de forma inadequada (Franqueira & Magalhães, 2018). Os grupos de apoio oferecem um espaço essencial para o compartilhamento de experiências e o acolhimento mútuo. O estudo do luto paterno revela o impacto das normas culturais nas vivências dos homens, frequentemente levando à invisibilidade de seu sofrimento (Maués & Nascimento, 2023). Essas constatações destacam a necessidade urgente de uma compreensão mais profunda do luto parental tanto nos ambientes de saúde quanto na sociedade em geral. 

É a principal parte do artigo que contém a exposição ordenada do assunto tratado. Pode se dividir em seções e subseções, que variam em função da abordagem do tema e do método. 

Os dados coletados devem ser organizados de forma a facilitar ao máximo a análise e interpretação. Para tanto, deve-se utilizar os recursos adequados para elaboração de planilhas, tabelas, gráficos, etc., levando em conta o tipo de análise a ser realizada (metodologia). 

A discussão é o local do artigo que abriga os comentários sobre o significado dos resultados, a comparação com outros achados de pesquisas e a posição do autor sobre o assunto. 

Uma discussão sem estrutura coerente desagrada, daí a conveniência de organizar os temas em tópicos. Cada um dos tópicos informa sobre uma faceta da discussão e seu conjunto fornece os subsídios para se julgar a adequação dos argumentos, da conclusão e de todo o texto. 

Em pesquisas com levantamento de dados ou experimentais que utilizam entrevistas, prontuários, avaliações de pessoas ou animais é necessário inserir os principais resultados obtidos com o desenvolvimento da pesquisa. 

Etapa reservada também para análise e interpretação dos dados em função dos objetivos da pesquisa e das hipóteses, suposições ou conjecturas formuladas na introdução do texto. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS: 

Recentemente, o governo sancionou a Lei 15.139. O objetivo da política é garantir acolhimento digno e assistência integral às famílias em luto gestacional (morte do feto até a 20ª semana de gravidez), óbito fetal (após a 20ª semana) ou óbito neonatal (nos primeiros 28 dias de vida). A lei prevê, entre outros pontos, o direito a apoio psicológico especializado, exames que investiguem as causas das perdas e acompanhamento da saúde mental durante gestações posteriores A nova política modifica a Lei dos Registros Públicos Lei 6.015, de 1973 para garantir o direito ao sepultamento ou cremação do feto ou recém-nascido, com participação dos pais na definição do ritual e emissão de declaração com nome, data, local do parto e, se possível, registro de impressão digital ou plantar (Agência Senado; 2025). A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou o caráter humanitário da norma, ao afirmar que “colocar mulheres enlutadas no mesmo ambiente que mães que celebram o nascimento dos filhos representa uma forma de violência”. 

É perceptível as novas mudanças para a vida de famílias enlutadas pelo governo sancionar esta lei. Seja pelo destaque social que a pauta entra ao ser concebida desta maneira, ou pelo fato de que os indivíduos que sofrem desta perda poderão ter apoio institucional diante um processo tão difícil. 

Além destas conquistas, é de extrema importância que os profissionais da saúde façam o devido letramento e sempre estejam preparados para guiar os pacientes diante seus recursos e direitos concebidos para que o devido tratamento seja feito. 

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1Discente do Curso Superior de Luciano Quintino Dechichi do Instituto UniCEUB Campus Asa Norte e-mail: lucianodechichi15@gmail.com
2Docente do Curso Superior de Medicina da UniCEUB. Especialista em Clínica Médica e Medicina Paliativa. e-mail: lucasrfleao.cm@gmail.com.br

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