REVISÃO INTEGRATIVA SOBRE PSICOFÁRMACOS APLICADOS A TRANSTORNOS NEUROPSIQUIÁTRICOS E NEURODESENVOLVIMENTAIS

INTEGRATIVE REVIEW ON PSYCHOTROPIC DRUGS APPLIED TO NEUROPSYCHIATRIC AND NEURODEVELOPMENTAL DISORDERS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202509272241


Gustavo Francisco Santos da Silva1
Carlos Denilson da Silva Soares1
Vinícius Antônio Vetor Molina1
Alyne Gabriele Barros de Oliveira1
Carmem Patrícia Barbosa2


Resumo

O presente estudo aborda o uso de psicofármacos aplicados ao tratamento de transtornos neuropsiquiátricos e do neurodesenvolvimento, considerando a relevância dessas condições para a saúde pública. A pesquisa teve como objetivo analisar as principais evidências científicas relacionadas à eficácia, segurança, limitações e desafios do uso de medicamentos em transtornos como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, Transtorno do Espectro Autista, esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar, dentre outros. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida a partir da seleção de estudos publicados entre 2014 e 2024, nas bases nacionais e internacionais, utilizando descritores relacionados ao tema. Os resultados indicaram que os psicoestimulantes, antipsicóticos atípicos, antidepressivos e estabilizadores de humor são amplamente empregados, e apresentam eficácia reconhecida em diversas condições, embora estejam associados a efeitos adversos e ao uso off-label em populações específicas. Foram identificadas lacunas em relação ao conhecimento científico (especialmente quanto à segurança dos medicamentos em longo prazo) e à efetividade em grupos vulneráveis. 

Além disso, destaca-se que o acesso desigual aos tratamentos, o estigma social e a baixa adesão terapêutica impactam negativamente os desfechos clínicos. Conclui-se que, apesar dos avanços farmacológicos, persistem desafios significativos no manejo seguro e eficaz das neuroatipias, sendo fundamental o aprimoramento de protocolos clínicos e o incentivo a pesquisas que ampliem o conhecimento e reduzam as desigualdades no acesso aos cuidados em saúde mental.

Palavras-chave: Psicotrópicos. Alterações neuropsiquiátricas. Neuroatipias. Saúde mental. Revisão integrativa.

1 INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, os transtornos neuropsiquiátricos e as alterações do neurodesenvolvimento, frequentemente denominados neuroatipias, vêm ganhando destaque nas pesquisas em saúde pública devido seu impacto significativo sobre o bem-estar individual e coletivo. Essas condições englobam uma variedade de quadros clínicos que afetam o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental, gerando desafios substanciais para os sistemas de saúde, educação e assistência social (Friedrich e Blattes, 2021; Dalgalarrondo, 2022).

Dentre as principais neuroatipias estão o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), depressão, transtorno bipolar, transtorno do pânico, transtorno do espectro autista (TEA), dislexia, esquizofrenia, síndrome de Tourette, transtorno de personalidade borderline e transtorno dissociativo de identidade. Essas condições, além de comprometerem a qualidade de vida dos indivíduos, estão associadas ao aumento da morbimortalidade, ao prejuízo escolar e laboral, e à sobrecarga dos serviços de saúde mental (Souza Fernandes et al., 2023; Fontes et al., 2025).

O manejo das neuroatipias envolve, em grande parte, o uso de intervenções farmacológicas, como os psicoestimulantes, antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor, que têm se mostrado eficazes no controle dos sintomas e na melhora do funcionamento psicossocial dos pacientes (Brasil, 2023a). No entanto, apesar dos avanços terapêuticos, ainda persistem lacunas importantes na literatura quanto à eficácia em longo prazo, segurança dos fármacos, variabilidade da resposta entre diferentes grupos populacionais e o uso off-label, principalmente em adultos com TDAH e em populações com condições associadas (Carton et al., 2019; Barros Neto et al., 2019).

Além disso, observa-se que o acesso desigual aos tratamentos, o estigma social, a baixa adesão terapêutica e a falta de profissionais capacitados configuram desafios adicionais à efetividade dos cuidados em saúde mental, especialmente em países em desenvolvimento, como o Brasil (Ferreira et al., 2017; Dalgalarrondo, 2022). Essa realidade evidencia a necessidade de atualizar e integrar os conhecimentos disponíveis, oferecendo aos profissionais de saúde subsídios científicos para uma prática clínica mais segura e baseada em evidências.

Diante desse cenário, este estudo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre o uso de psicofármacos aplicados às neuroatipias supracitadas, analisando as principais evidências sobre eficácia, segurança, indicações, limitações e desafios no contexto brasileiro. Espera-se que os resultados desta pesquisa contribuam para ampliar o entendimento acerca do manejo medicamentoso das condições neuropsiquiátricas e do neurodesenvolvimento, subsidiando a prática clínica e apontando lacunas para futuras investigações.

2 REVISÃO DA LITERATURA

As neuroatipias englobam uma gama de condições que afetam o neurodesenvolvimento e o funcionamento psíquico, resultando em alterações cognitivas, emocionais e comportamentais significativas (Dalgalarrondo, 2022). Tais condições, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a esquizofrenia, a depressão e o transtorno bipolar, representam desafios expressivos para os indivíduos e para os sistemas de saúde, exigindo intervenções baseadas em evidências para promover o bem-estar e o funcionamento global dos pacientes (Brasil, 2023b; Souza Fernandes et al., 2023).

O tratamento medicamentoso das neuroatipias evoluiu significativamente nas últimas décadas, sendo considerado um dos pilares no manejo de diversos transtornos neuropsiquiátricos. Segundo Friedrich e Blattes (2021), o avanço na psicofarmacologia possibilitou o desenvolvimento de fármacos mais específicos, com melhores perfis de eficácia e segurança. Entretanto, o uso desses medicamentos ainda gera debates na literatura, sobretudo em relação aos efeitos colaterais, às prescrições off-label e à escassez de estudos em populações específicas, como adultos com TDAH (Carton et al., 2019).

No caso do TDAH, psicoestimulantes, como o metilfenidato e a lisdexanfetamina, são considerados medicamentos de primeira escolha, promovendo melhora significativa na atenção e na redução da hiperatividade e impulsividade (Moura et al., 2022). Contudo, os efeitos adversos e o risco de uso indevido desses medicamentos exigem monitoramento clínico rigoroso, além da necessidade de mais pesquisas sobre o tratamento em adultos, onde muitas vezes se observa a prática de prescrição fora das indicações formalmente aprovadas (Pérez e Sánchez, 2024).

Em relação ao TEA, ainda não existem medicamentos que atuam diretamente sobre os mecanismos causais do transtorno, sendo os psicofármacos utilizados para o controle de sintomas associados como agressividade e irritabilidade (Fernandes Sousa et al., 2024). Os antipsicóticos atípicos, como risperidona e aripiprazol, demonstraram eficácia nesse contexto, embora seus efeitos adversos, como ganho de peso e síndrome metabólica, representem um desafio clínico (Brasil, 2023b).

A esquizofrenia, por sua vez, é tratada predominantemente com antipsicóticos, sendo os atípicos preferidos devido ao menor risco de efeitos extrapiramidais. A clozapina se destaca por sua eficácia em casos refratários, mas o risco de agranulocitose limita seu uso, exigindo protocolos rígidos de monitoramento (Dalgalarrondo, 2022).

No contexto dos transtornos de humor, como a depressão e o transtorno bipolar, os antidepressivos e estabilizadores de humor são amplamente empregados. Os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS), como sertralina e fluoxetina, são indicados no tratamento da depressão e do transtorno do pânico, apresentando eficácia consolidada (Brasil, 2023a). No transtorno bipolar, o lítio permanece como uma das opções terapêuticas mais estudadas, com forte evidência na prevenção do suicídio, embora apresente efeitos colaterais que demandam monitoramento contínuo (Souza Fernandes et al., 2023).

Cabe destacar que, em alguns transtornos, como na dislexia e no transtorno dissociativo de identidade, o uso de medicamentos não constitui a principal abordagem terapêutica. Nestes casos, as intervenções psicopedagógicas e psicoterapêuticas são fundamentais, sendo os psicofármacos indicados apenas para tratar comorbidades associadas, como ansiedade ou depressão (Barros Neto et al., 2019; Fontes et al., 2025).

Apesar dos avanços científicos, ainda existem lacunas significativas na literatura, principalmente no que diz respeito ao impacto de longo prazo com o uso de psicofármacos em populações vulneráveis, como crianças e adolescentes, bem como à efetividade dos medicamentos em condições de alta complexidade, como o transtorno de personalidade Borderline (Ferreira et al., 2017). Além das questões clínicas, a literatura aponta que o estigma social, o subdiagnóstico, a escassez de serviços especializados e a desigualdade no acesso ao tratamento contribuem para a piora dos desfechos em saúde mental, principalmente em países em desenvolvimento (Dalgalarrondo, 2022; Fernandes Sousa et al., 2024). Esses fatores reforçam a necessidade de estudos que integrem as evidências disponíveis, proporcionando aos profissionais da saúde ferramentas atualizadas para um manejo mais seguro e eficaz das neuroatipias.

Dessa forma, esta pesquisa fundamenta-se no reconhecimento de que, embora as terapias farmacológicas sejam indispensáveis no tratamento de diversas condições neuropsiquiátricas e do neurodesenvolvimento, ainda se faz necessária a ampliação do conhecimento científico quanto à sua segurança, eficácia e aplicabilidade clínica, de modo a promover o cuidado integral e baseado em evidências.

METODOLOGIA 

Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, método que permite a síntese de resultados de pesquisas disponíveis sobre o tema, integrando estudos com diferentes delineamentos metodológicos, com o objetivo de aprofundar o conhecimento científico e subsidiar a prática clínica baseada em evidências (Mendes et al., 2008).

O presente trabalho visou identificar e analisar as evidências disponíveis acerca do uso de psicofármacos no tratamento de neuroatipias, incluindo TDAH, depressão, transtorno bipolar, transtorno do pânico, TEA, dislexia, esquizofrenia, síndrome de Tourette, transtorno de personalidade borderline e transtorno dissociativo de identidade.

O desenvolvimento da revisão seguiu as etapas metodológicas propostas por Mendes et al. (2008), compreendendo: (1) identificação do tema e formulação da questão norteadora; (2) definição dos critérios de inclusão e exclusão; (3) seleção das fontes de informação e coleta dos dados; (4) análise e categorização dos dados; (5) apresentação e interpretação dos resultados.

Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídos na amostra artigos científicos originais, revisões sistemáticas, revisões narrativas e diretrizes clínicas publicados no período de 2014 a 2025, nos idiomas português ou inglês, que abordassem intervenções farmacológicas relacionadas às neuroatipias mencionadas. Foram excluídos estudos com enfoque exclusivo em terapias não medicamentosas, pesquisas com modelos animais, estudos duplicados ou que não apresentavam acesso ao texto completo.

Fontes de dados e estratégia de busca

A busca dos artigos foi realizada entre os dias 6 e 21 de maio de 2025, por meio de levantamento manual e eletrônico em periódicos científicos e bases indexadas, incluindo: Revista FT, Revista Brasileira de Medicina da Família e Comunidade, Revista Debates em Psiquiatria, Revista Pluralidades em Saúde Mental, Saúde e Desenvolvimento Humano, REICEIN, PePSIC, RSD Journal e PubMed Central.

A estratégia de busca foi orientada por descritores controlados e palavras-chave relacionados ao tema, tais como: “tratamento farmacológico”, “neuroatipias”, “transtornos mentais”, “psicofármacos”, “TDAH”, “autismo”, “depressão”, “transtorno bipolar”, entre outros, combinados por operadores booleanos (AND, OR) de acordo com a necessidade de refinamento dos resultados.

Coleta e análise dos dados

A seleção dos artigos foi realizada em etapas, iniciando-se pela leitura dos títulos e resumos, com base nos critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. Em seguida, os estudos potencialmente elegíveis foram avaliados na íntegra, assegurando a relevância e a aderência ao tema proposto.

Para apoiar a sistematização das informações, os dados extraídos dos artigos selecionados foram organizados em uma tabela auxiliar contendo elementos como o nome do medicamento, o mecanismo de ação, as neuroatipias relacionadas e os principais efeitos descritos na literatura.

A análise dos dados foi conduzida de forma qualitativa e descritiva, com o objetivo de identificar os padrões de eficácia, as limitações dos tratamentos e as lacunas existentes no conhecimento atual sobre o uso dos psicofármacos em condições neuropsiquiátricas e do neurodesenvolvimento.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES 

A revisão integrativa selecionou 34 artigos publicados entre 2014 e 2024, os quais abordaram o uso de psicofármacos em diversas neuroatipias no contexto brasileiro e internacional. Os resultados foram organizados por transtorno, destacando eficácia, segurança, limitações e desafios.

3.1 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Os psicoestimulantes, especialmente o metilfenidato e a lisdexanfetamina, constituem o tratamento de primeira linha para o TDAH, apresentando evidências sólidas de melhora dos sintomas de desatenção e hiperatividade em crianças e adolescentes (Manarin; David, 2025; Moura et al., 2022). Contudo, efeitos adversos como insônia, perda de apetite e irritabilidade são frequentemente relatados (Carton et al., 2019).

Observa-se ainda o uso crescente off-label desses medicamentos em adultos, cujo quadro clínico apresenta maior variabilidade e riscos acrescidos, evidenciando lacunas nas diretrizes brasileiras para essa faixa etária (Barros Neto et al., 2019; Carton et al., 2019).

3.2 Transtorno do Espectro Autista (TEA)

No TEA, psicofármacos são utilizados para o manejo de sintomas associados, como irritabilidade e agressividade. A risperidona e o aripiprazol demonstram eficácia para esses sintomas, embora estejam relacionados a efeitos colaterais significativos, tais como ganho ponderal e síndrome metabólica (Fernandes Sousa et al., 2024; Brasil, 2023b).

A escassez de estudos longitudinais limita a avaliação da segurança em longo prazo do uso desses fármacos em crianças e adolescentes (Fernandes Sousa et al., 2024).

3.3 Esquizofrenia

Os antipsicóticos atípicos predominam no tratamento da esquizofrenia, com destaque para a clozapina em casos refratários, que apresenta eficácia superior, porém requer monitoramento hematológico rigoroso para evitar agranulocitose (Bertoni; Leal, 2023; Dalgalarrondo, 2022).

Além disso, a vulnerabilidade social interfere negativamente na adesão ao tratamento, comprometendo a eficácia clínica, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (Dalgalarrondo, 2022).

3.4 Transtornos do humor: depressão e transtorno bipolar

Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), como fluoxetina e sertralina, são recomendados para depressão e transtorno do pânico, com eficácia bem estabelecida (Brasil, 2023a). Entretanto, há relatos de indução de mania em pacientes bipolares não diagnosticados adequadamente, o que ressalta a necessidade de avaliação clínica cuidadosa (Souza Fernandes et al., 2023).

Dessa forma, o lítio permanece como estabilizador de humor de escolha para o transtorno bipolar, principalmente pela prevenção do suicídio, embora exija monitoramento constante devido aos efeitos adversos renais e tireoidianos (Brasil, 2023a).

3.5 Outros Transtornos

Para dislexia e transtorno dissociativo de identidade, o uso de psicofármacos é restrito ao tratamento de sintomas comórbidos, como ansiedade e depressão (Barros Neto et al., 2019; Fontes et al., 2025). No transtorno de personalidade Borderline e na síndrome de Tourette, o uso é heterogêneo e frequentemente off-label, refletindo a escassez de estudos controlados e protocolos padronizados (Fontes et al., 2025; Ferreira et al., 2017).

3.6 Desafios sistêmicos: acesso, estigma e adesão

A desigualdade no acesso a tratamentos e o estigma social associados ao uso de psicofármacos impactam negativamente os resultados terapêuticos. Países em desenvolvimento, como o Brasil, enfrentam limitações estruturais, incluindo escassez de profissionais especializados, insuficiência de serviços e desigualdade regional no acesso a tais medicamentos. Entretanto, a adesão ao tratamento é uma barreira importante, demandando estratégias que incluam suporte psicossocial e educação do paciente (Dalgalarrondo, 2022).

3.7 Lacunas e perspectivas para pesquisas futuras

O presente estudo identificou a necessidade de mais estudos longitudinais que avaliem os efeitos prolongados dos psicofármacos em populações vulneráveis, como crianças, adolescentes, idosos e grávidas. Também é urgente aprofundar pesquisas sobre comorbidades complexas e transtornos neuropsiquiátricos menos prevalentes (Carton et al., 2019; Ferreira et al., 2017). Assim, tais lacunas evidenciam a importância de aprimorar protocolos clínicos, garantindo segurança, eficácia e adequação às necessidades da população brasileira.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo aponta para o fato de que o uso de psicofármacos constitui uma estratégia essencial no manejo de diversos transtornos neuropsiquiátricos e do neurodesenvolvimento, atendendo parcialmente às necessidades terapêuticas dessas populações. As evidências disponíveis demonstram eficácia consolidada dos psicoestimulantes no tratamento do TDAH, dos antipsicóticos atípicos no TEA e na esquizofrenia, dos ISRS na depressão e do lítio no transtorno bipolar. No entanto, observa-se que as limitações associadas aos efeitos adversos, ao uso off-label e à escassez de estudos longitudinais restringem a aplicabilidade plena dessas intervenções, especialmente em adultos com TDAH e em populações pediátricas.

Os dados analisados revelam que o acesso desigual aos tratamentos, o estigma social e a baixa adesão terapêutica comprometem os desfechos clínicos, indicando a necessidade de políticas públicas mais eficazes e de capacitação profissional. Além disso, a heterogeneidade nas abordagens terapêuticas de transtornos como o de personalidade borderline, a síndrome de Tourette, a dislexia e o transtorno dissociativo de identidade ressalta a insuficiência de protocolos padronizados e de pesquisas robustas.

Conclui-se que os objetivos da presente pesquisa foram atingidos ao sintetizar as principais evidências sobre o uso de psicofármacos em neuroatipias e ao identificar lacunas relevantes no conhecimento atual. Desta forma, esta revisão contribui para o avanço teórico ao integrar informações dispersas e oferece subsídios práticos para o aprimoramento do cuidado em saúde mental. Como limitações, destaca-se a predominância de estudos com delineamentos heterogêneos e a carência de investigações nacionais de grande escala.

Ademais, é importante salientar a necessidade de que futuras pesquisas priorizem o desenvolvimento de protocolos clínicos adaptados à realidade brasileira, a avaliação em longo prazo da segurança dos psicofármacos em populações vulneráveis, e a ampliação do acesso equitativo aos tratamentos, visando assim uma prática clínica mais segura, eficaz e baseada em evidências.

REFERÊNCIAS

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1Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Campus Maringá e-mail: ra138625@uem.br; ra138211@uem.br ; ra128701@uem.br; ra130203@uem.br  

2Docente do Curso Superior de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Campus Maringá Doutora em Ciências Biológicas (DCM/UEM). e-mail: cpbarbosa@uem.br