REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511110544
Kaylane Gomes da Silva1
Michele Alves Londono2
RESUMO
A revascularização pulpar é uma técnica inovadora da endodontia regenerativa que visa restabelecer a vitalidade pulpar de dentes permanentes imaturos acometidos por necrose, promovendo o desenvolvimento radicular e a espessura das paredes dentinárias. Em contrapartida, a apicificação, embora amplamente utilizada, limita-se à indução de uma barreira mineral apical sem promover o amadurecimento radicular completo. Este artigo tem como objetivo analisar as vantagens da revascularização pulpar em comparação à apicificação, destacando seus aspectos biológicos, clínicos e terapêuticos. Trata-se de uma revisão de literatura realizada entre 2022 e 2025, com base em artigos científicos nacionais e internacionais indexados em bases como PubMed, Scielo, Capes Periódicos e Google Acadêmico. Os resultados evidenciam que a revascularização, além de restaurar a vitalidade, favorece o alongamento radicular, o espessamento dentinário e a resistência estrutural, configurando-se como uma alternativa promissora à apicificação em dentes com rizogênese incompleta.
Palavras chaves: revascularização pulpar; apicificação; endodontia regenerativa; rizogênese incompleta; necrose pulpar.
ABSTRACT
Pulp revascularization is an innovative technique in regenerative endodontics that aims to restore the pulp vitality of immature permanent teeth affected by necrosis, promoting root development and dentin wall thickening. Conversely, apexification, although widely used, is limited to inducing an apical mineral barrier without promoting complete root maturation. This study aims to analyze the advantages of pulp revascularization compared to apexification, emphasizing its biological, clinical, and therapeutic aspects. A literature review was conducted from 2022 to 2025 based on national and international scientific articles indexed in databases such as PubMed, Scielo, Capes Periodicals, and Google Scholar. The results show that revascularization, in addition to restoring vitality, promotes root elongation, dentin thickening, and structural resistance, making it a promising alternative to apexification in teeth with incomplete root formation.
Keywords: pulp revascularization; apexification; regenerative endodontics; incomplete root formation; pulp necrosis.
1 INTRODUÇÃO
A Odontologia contemporânea tem experimentado avanços significativos no campo da endodontia, especialmente no tratamento de dentes permanentes com rizogênese incompleta e necrose pulpar. Esses casos representam um desafio clínico considerável, uma vez que o processo de formação radicular ainda não está concluído, resultando em ápices abertos e paredes dentinárias finas, o que dificulta o selamento apical e torna o dente mais suscetível a fraturas. Tradicionalmente, a apicificação tem sido o procedimento de escolha para promover o fechamento apical artificial por meio da indução de uma barreira calcificada, geralmente utilizando hidróxido de cálcio ou agregados trióxidos minerais (MTA). Embora eficaz, essa técnica apresenta limitações importantes, como a fragilidade das paredes radiculares e a impossibilidade de promover o desenvolvimento radicular contínuo (Travassos et al., 2024).
Nos últimos anos, a revascularização pulpar emergiu como uma alternativa biológica inovadora, fundamentada nos princípios da odontologia regenerativa. Diferentemente da apicificação, esse procedimento visa restabelecer a vitalidade do tecido pulpar, permitindo a regeneração de estruturas dentárias e a continuação da rizogênese. A técnica consiste na desinfecção do canal, na indução de um coágulo sanguíneo que atua como arcabouço biológico e na vedação coronária hermética com materiais biocompatíveis, promovendo o repovoamento celular e a neoformação de tecido semelhante ao pulpar (Moura et al., 2022; Oliveira et al., 2024).
A problemática que motiva este estudo reside na busca por métodos terapêuticos mais conservadores e fisiológicos para o tratamento de dentes imaturos necrosados. A apicificação, embora consolidada, é considerada uma técnica substitutiva, enquanto a revascularização propõe uma abordagem restauradora e regenerativa. Nesse contexto, compreender as diferenças conceituais, biológicas e clínicas entre ambas as técnicas é essencial para que o cirurgião-dentista possa selecionar o tratamento mais adequado a cada caso (Santos et al., 2022; Bontempo; Silva, 2023).
Dessa forma, o presente artigo tem como objetivo analisar a revascularização pulpar como alternativa biológica à apicificação em dentes permanentes com rizogênese incompleta, destacando suas vantagens, limitações e perspectivas clínicas. Especificamente, busca-se compreender os mecanismos biológicos envolvidos, os resultados clínicos descritos na literatura recente e as condições ideais para a indicação de cada técnica.
A justificativa deste estudo baseia-se na relevância crescente da endodontia regenerativa como campo de pesquisa e prática clínica. A revascularização representa uma mudança de paradigma, passando de abordagens interventivas para estratégias biológicas de preservação e regeneração tecidual. Além de oferecer benefícios clínicos evidentes, essa técnica alinha-se aos princípios contemporâneos de odontologia minimamente invasiva e medicina regenerativa, consolidando-se como uma tendência promissora para o futuro da endodontia.
2 MATERIAL E MÉTODOS
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão de literatura narrativa e integrativa, de natureza básica e abordagem qualitativa. Seu objetivo foi reunir, analisar e comparar evidências científicas sobre o uso da revascularização pulpar como alternativa biológica à apicificação em dentes permanentes com rizogênese incompleta, considerando aspectos biológicos, clínicos e terapêuticos descritos entre os anos de 2022 e 2025.
O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases de dados PubMed, SciELO, Google Acadêmico e Portal de Periódicos da CAPES, utilizando os seguintes descritores controlados e não controlados: “revascularização pulpar”, “apicificação”, “endodontia regenerativa”, “rizogênese incompleta”, “pulp revascularization” e “apexification”. Foram aplicados operadores booleanos (“AND” e “OR”) para refinar os resultados.
Os critérios de inclusão contemplaram artigos originais, revisões de literatura e relatos de caso publicados em português e inglês, que abordassem diretamente as técnicas de revascularização e apicificação em dentes permanentes imaturos. Foram excluídas publicações duplicadas, sem metodologia definida ou que não apresentassem relação com o tema proposto.
Após a triagem inicial de aproximadamente 58 artigos, 26 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade e foram analisados quanto à metodologia, fundamentação biológica, resultados clínicos e conclusões. Além dos artigos recentes, foram utilizados livros clássicos da área de endodontia (Leonardo, 2005; Lopes; Siqueira, 2015) para complementar a fundamentação teórica e conceitual.
Os resultados foram organizados em categorias analíticas comparativas entre as técnicas avaliadas, com foco nas seguintes dimensões:
• Desempenho clínico e biológico da revascularização pulpar;
• Resultados obtidos com apicificação por hidróxido de cálcio e MTA;
• Vantagens e limitações terapêuticas observadas;
• Perspectivas futuras na endodontia regenerativa.
A análise dos dados seguiu um processo descritivo e interpretativo, priorizando a síntese crítica das evidências científicas disponíveis, de modo a permitir uma compreensão abrangente sobre a eficácia e aplicabilidade clínica das técnicas estudadas.
3 RESULTADOS
A análise da literatura evidenciou que a revascularização pulpar apresenta resultados significativamente superiores à apicificação quando aplicada em dentes permanentes com rizogênese incompleta e necrose pulpar. Diversos estudos recentes apontam que o procedimento regenerativo é capaz de promover alongamento radicular, espessamento das paredes dentinárias, restabelecimento parcial da vitalidade e melhor resistência mecânica do dente tratado (Moura et al., 2022; Bontempo; Silva, 2023; Matos et al., 2024).
Os trabalhos de Santos et al. (2022) e Oliveira et al. (2024) demonstram que a revascularização propicia o fechamento fisiológico do ápice e estimula a formação de novos tecidos mineralizados, resultando em um prognóstico mais favorável a longo prazo. Em contrapartida, a apicificação, seja com hidróxido de cálcio ou MTA, tem eficácia comprovada no fechamento apical, mas não promove o desenvolvimento radicular contínuo, limitando-se à formação de uma barreira mineral que fragiliza a estrutura dentária (Travassos et al., 2024).
Outro dado relevante identificado nos estudos revisados refere-se ao tempo de tratamento. A revascularização, por ser um procedimento realizado em menor número de sessões clínicas, apresenta redução significativa do tempo total de terapia, além de custos mais acessíveis em comparação à apicificação tradicional com hidróxido de cálcio, que pode exigir múltiplas trocas de curativo por meses (Lourenço; Silva; Pagliosa, 2023; Santos et al., 2024).
Em termos biológicos, observou-se que a técnica regenerativa permite a migração de células-tronco da papila apical, estimulando a neoformação de tecido semelhante ao pulpar, com presença de vasos sanguíneos e odontoblastos funcionais. Esses achados, relatados por Nasrin (2024) e Silva et al. (2024), sustentam a eficácia da revascularização como abordagem de caráter regenerativo e não apenas reparador.
De modo geral, os resultados da revisão indicam que a revascularização pulpar apresenta taxas de sucesso superiores a 90% em casos bem indicados e conduzidos com protocolo adequado, superando as limitações históricas da apicificação e consolidando-se como a principal alternativa biológica no tratamento de dentes imaturos necrosados.
4 DISCUSSÃO
A revascularização pulpar tem se consolidado como uma das maiores inovações da endodontia regenerativa contemporânea, pois redefine os paradigmas de tratamento de dentes permanentes imaturos com necrose pulpar. A literatura revisada demonstra que essa técnica, diferentemente da apicificação tradicional, não busca apenas o selamento apical, mas a restauração biológica e funcional do tecido pulpar, por meio da regeneração tecidual e do amadurecimento radicular contínuo (Santana; Freire, 2023; Oliveira et al., 2024). Esse enfoque biológico faz com que a revascularização seja considerada uma abordagem mais conservadora, fisiológica e duradoura, capaz de restabelecer a vitalidade e a resistência estrutural do elemento dentário.
Os achados desta revisão indicam que a revascularização apresenta vantagens clínicas e biológicas expressivas quando comparada à apicificação, especialmente quanto ao prognóstico em longo prazo. Além disso, estudos recentes sugerem que a revascularização pode ser potencializada com o uso de biomateriais e fatores de crescimento que estimulam a diferenciação celular e a angiogênese, conferindo maior previsibilidade ao tratamento (Torabinejad; Farashah, 2021; Nasrin, 2024).
4.1 Aspectos biológicos e clínicos da revascularização pulpar
Sob o ponto de vista biológico, a revascularização baseia-se na capacidade das células-tronco da papila apical de se diferenciarem em odontoblastos e fibroblastos, promovendo a formação de tecido semelhante ao pulpar, com presença de vasos sanguíneos e estruturas nervosas (Moura et al., 2022; Bontempo; Silva, 2023). O coágulo sanguíneo induzido no canal radicular atua como arcabouço biológico (scaffold) para a migração e fixação dessas células, favorecendo a angiogênese e o crescimento radicular.
Do ponto de vista clínico, a técnica é especialmente indicada para pacientes jovens, geralmente entre 7 e 18 anos, nos quais o potencial de regeneração tecidual é mais elevado (Genê, 2023). O protocolo envolve irrigação cuidadosa com soluções antimicrobianas, mínima instrumentação mecânica, indução de sangramento controlado e vedação coronária com materiais biocompatíveis, como MTA ou biocerâmicos à base de silicato de cálcio (Silva et al., 2024). Esses fatores são determinantes para o sucesso clínico, que, segundo estudos recentes, supera 90% de taxa de sucesso clínico e radiográfico (Santana; Freire, 2023; Santos et al., 2024).
4.1.1 Comparação entre revascularização pulpar e apicificação
A comparação entre as duas técnicas evidencia diferenças estruturais e funcionais importantes. Enquanto a apicificação busca apenas o fechamento do ápice radicular por meio da indução de uma barreira calcificada — seja pelo uso de hidróxido de cálcio ou MTA —, a revascularização objetiva a regeneração do tecido pulpar e a continuidade da rizogênese (Travassos et al., 2024; Ferreira; Coelho, 2023).
Nos estudos de Matos et al. (2024) e Oliveira et al. (2024), verificou-se que os dentes submetidos à revascularização apresentaram aumento da espessura dentinária e alongamento radicular, ao passo que os tratados por apicificação permaneceram estruturalmente fragilizados. Além disso, a apicificação com hidróxido de cálcio demanda múltiplas trocas de curativo e longo tempo de acompanhamento, enquanto a revascularização é realizada em menor número de sessões e com menor custo clínico (Lourenço; Silva; Pagliosa, 2023).
Outro ponto relevante diz respeito ao comportamento biológico dos materiais utilizados. Embora o MTA apresente excelente selamento e biocompatibilidade, ele atua apenas como barreira física, sem estimular a neoformação tecidual. Já na revascularização, o coágulo sanguíneo e os fatores de crescimento presentes no plasma do paciente funcionam como indutores naturais do processo regenerativo, o que explica o melhor prognóstico e o retorno da sensibilidade pulpar em diversos casos relatados (Nasrin, 2024; Santos et al., 2022).
4.2 Perspectivas terapêuticas e limitações da técnica regenerativa
A revascularização pulpar, embora amplamente reconhecida como um marco na endodontia regenerativa, ainda apresenta desafios clínicos e científicos que limitam sua aplicação universal. Apesar dos índices de sucesso relatados na literatura — superiores a 90% em casos bem indicados —, alguns fatores podem comprometer o resultado, como a ausência de sangramento adequado, a contaminação intracanal e a variação individual da resposta biológica dos tecidos (Silva et al., 2024; Mariano et al., 2023). Assim, compreender suas limitações é essencial para o aprimoramento dos protocolos clínicos e para a consolidação dessa técnica como procedimento de rotina na prática odontológica.
Do ponto de vista clínico, a principal limitação da revascularização reside na dependência do coágulo sanguíneo como matriz biológica. O insucesso na formação do coágulo, seja por dificuldades em induzir o sangramento ou pela ineficiência da irrigação prévia, pode inviabilizar o processo regenerativo. Além disso, o controle da infecção intracanal permanece um fator crítico, pois qualquer persistência de microrganismos pode comprometer a diferenciação celular e a angiogênese, levando à falha do tratamento (Travassos et al., 2024; Moura et al., 2022).
Outra limitação observada é a ausência de padronização dos protocolos clínicos. Embora as diretrizes gerais recomendem o uso de irrigantes não citotóxicos, antibióticos intracanais e indução controlada de sangramento, há grande variação nas concentrações e materiais empregados por diferentes autores, o que torna difícil a comparação direta dos resultados (Lourenço; Silva; Pagliosa, 2023). Essa heterogeneidade metodológica evidencia a necessidade de estudos clínicos multicêntricos que avaliem a eficácia dos protocolos de revascularização em condições padronizadas e com acompanhamento de longo prazo.
4.2.1 Avanços biomateriais e potencialização do processo regenerativo
Os avanços recentes em biomateriais e engenharia tecidual têm contribuído para superar algumas limitações da revascularização. O desenvolvimento de biocerâmicos à base de silicato de cálcio e materiais como o Biodentine e o MTA biocerâmico ampliaram a biocompatibilidade e a capacidade de selamento coronário, promovendo um microambiente propício à regeneração celular (Torabinejad; Farashah, 2021; Oliveira et al., 2024).
Além disso, o uso de fibrina rica em plaquetas (PRF) e plasma rico em fatores de crescimento (PRGF) tem se mostrado eficaz como matriz alternativa ao coágulo sanguíneo natural, proporcionando maior estabilidade e estimulando a liberação sustentada de fatores bioativos. Esses biomateriais favorecem a proliferação de células-tronco e a angiogênese, encurtando o tempo de reparo e aumentando a previsibilidade do tratamento (Nasrin, 2024).
Outro avanço importante é o uso de células-tronco da papila apical (SCAP), cuja plasticidade celular permite a diferenciação em odontoblastos e cementoblastos, promovendo a regeneração de tecidos mineralizados e a continuação fisiológica da rizogênese (Matos et al., 2024). Tais descobertas reforçam que a revascularização pulpar está evoluindo de uma técnica empírica para uma abordagem biotecnológica controlada e fundamentada em evidências
4.2.2 Perspectivas futuras e integração clínica
As perspectivas futuras da revascularização pulpar indicam uma tendência de integração entre a biotecnologia e a prática clínica, permitindo protocolos mais seguros, previsíveis e individualizados. O desenvolvimento de bioandames sintéticos tridimensionais (scaffolds 3D), impregnados com fatores de crescimento e células tronco, promete substituir a dependência exclusiva do coágulo sanguíneo, tornando o processo regenerativo menos variável e mais controlável (Santana; Freire, 2023; Torabinejad; Farashah, 2021).
Do ponto de vista clínico, a tendência é a criação de guias clínicos padronizados que unifiquem os procedimentos de desinfecção, indução de sangramento, escolha de biomateriais e tempo de acompanhamento pós-operatório. Essa padronização permitirá resultados mais consistentes e comparáveis entre estudos, favorecendo a consolidação da revascularização como tratamento de primeira escolha em dentes imaturos necrosados.
Finalmente, a ampliação da pesquisa translacional na área de endodontia regenerativa deverá integrar novas tecnologias, como a bioimpressão tridimensional de tecidos pulpares e o uso de nanomateriais bioativos para liberação controlada de agentes antimicrobianos e de crescimento. Tais inovações representam um horizonte promissor, no qual a revascularização deixará de ser apenas uma alternativa terapêutica e passará a constituir o padrão ouro de tratamento biológico, promovendo uma verdadeira regeneração funcional e estética do órgão dentário.
Em síntese, embora ainda enfrente desafios técnicos e biológicos, a revascularização pulpar apresenta um futuro promissor, impulsionado pela biotecnologia e pela medicina regenerativa. A evolução dos biomateriais, o aprimoramento dos protocolos clínicos e a integração entre ciência e prática clínica consolidam essa técnica como um dos pilares da endodontia moderna, reafirmando seu papel como a mais completa alternativa à apicificação tradicional.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise desenvolvida ao longo deste artigo permite concluir que a revascularização pulpar representa um marco evolutivo na endodontia moderna, especialmente no tratamento de dentes permanentes com rizogênese incompleta e necrose pulpar. Sua aplicação clínica demonstra resultados superiores aos obtidos pela apicificação, ao possibilitar a regeneração tecidual, o espessamento das paredes dentinárias e a continuidade fisiológica do desenvolvimento radicular, restaurando de forma mais completa a função e a resistência do elemento dentário.
O estudo confirma que a revascularização não apenas substitui a apicificação, mas a supera conceitualmente, por adotar uma abordagem biológica e conservadora, alinhada aos princípios da odontologia regenerativa. Trata-se de uma técnica capaz de integrar o potencial natural de cicatrização do organismo às práticas clínicas, oferecendo maior previsibilidade e longevidade aos tratamentos endodônticos em pacientes jovens.
Reconhece-se, contudo, que a técnica ainda enfrenta desafios operacionais e biológicos, exigindo do profissional preparo técnico, domínio dos protocolos e rigor na execução de cada etapa. Mesmo assim, a tendência observada é de consolidação da revascularização como tratamento de primeira escolha para dentes imaturos necrosados, especialmente diante do avanço dos biomateriais e das terapias baseadas em células-tronco.
Em síntese, a revascularização pulpar deve ser compreendida como um passo decisivo rumo a uma odontologia verdadeiramente regenerativa, que privilegia a preservação e a restauração funcional do órgão dentário. Seu uso clínico contínuo e responsável tende a redefinir os paradigmas da prática endodôntica, promovendo tratamentos mais biológicos, duradouros e condizentes com os princípios da medicina baseada em evidências.
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TORABINEJAD, Mahmoud; FARASHAH, Zahra. Regenerative Endodontics: Current Perspectives and Future Directions. New York: Springer, 2021.
1Acadêmico de Odontologia. E-mail: kaylanegomes.pvh@gmail.com. Artigo apresentado a CENTRO UNIVERSITÁRIO APARÍCIO CARVALHO – FIMCA, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Odontologia, Porto Velho/RO, 2025.
2Professor Orientador. Professor do curso de Odontologia. prof.michele.alves@fimca.com.br
