RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS NO MANEJO DE LESÕES  PULMONARES RELACIONADAS AO USO DO CIGARRO  ELETRÔNICO 

PHYSIOTHERAPEUTIC RESOURCES IN THE MANAGEMENT OF  LUNG INJURIES RELATED TO ELECTRONIC CIGARETTE USE 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202508121330


Raquel de Castro Mello1
Andreza Evaldt de Lima2
Bruna Teixeira Monari3
 Marcia Camila Figueiredo Carneiro4


Resumo 

O uso de cigarros eletrônicos tem se intensificado nos últimos anos, principalmente entre jovens, e está  associado a uma série de agravos respiratórios, entre eles a EVALI (lesão pulmonar associada ao uso de  cigarro eletrônico ou vaping). A literatura aponta que essa condição pode evoluir rapidamente para  quadros de insuficiência respiratória aguda, exigindo cuidados intensivos e suporte ventilatório. Diante  da crescente incidência dessas lesões e da escassez de estudos voltados à atuação fisioterapêutica nesses  casos, este estudo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura, a fim de identificar  os recursos fisioterapêuticos utilizados no manejo das lesões pulmonares decorrentes do uso de cigarros  eletrônicos. A pesquisa foi conduzida em bases de dados científicas como SciELO, PubMed Central e  Science Direct, utilizando descritores em português e inglês relacionados à fisioterapia respiratória e ao  cigarro eletrônico. Foram selecionados oito artigos publicados entre 2013 e 2023. Os estudos analisados  apontam que intervenções como ventilação não invasiva, técnicas de higiene brônquica e exercícios  respiratórios são eficazes na recuperação da função pulmonar e na prevenção de complicações. Embora  os resultados reforcem a importância da atuação fisioterapêutica, observa-se uma lacuna significativa  na produção científica sobre o tema, o que evidencia a necessidade de mais pesquisas clínicas que  consolidem protocolos específicos para pacientes acometidos por EVALI. 

Palavras-chave: Fisioterapia respiratória. Cigarro eletrônico. EVALI. Lesões pulmonares. Ventilação  não invasiva. 

1 INTRODUÇÃO 

O tabagismo é considerado, há décadas, um grave problema de saúde pública em todo o mundo,  devido aos seus inúmeros efeitos adversos. O uso crônico do cigarro está associado a diversas  patologias do aparelho respiratório, como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o  enfisema pulmonar e a bronquite crônica. Além disso, contribui significativamente para o  desenvolvimento de doenças cardiovasculares e de diversos tipos de câncer, como os de boca,  esôfago e laringe. Apesar das consequências amplamente conhecidas, a cessação do tabagismo  ainda representa um grande desafio, principalmente devido à dependência química causada pela  nicotina (Lee et al., 2019). 

O cigarro eletrônico surgiu no início dos anos 2000 como uma alternativa ao cigarro tradicional,  idealizado para reduzir os danos associados ao consumo de nicotina (Malta et al., 2010;  Menezes et al., 2021). Inicialmente voltado a fumantes adultos, o dispositivo rapidamente  ganhou popularidade entre os jovens, atraídos por sabores adocicados, aromas variados e fácil  acesso. Esse apelo estético e sensorial também despertou o interesse de adolescentes que nunca  haviam experimentado o cigarro convencional. Em 2019, nos Estados Unidos, o número de  usuários ativos ultrapassou 10 milhões de adultos e alcançou cerca de 3 milhões de adolescentes  (Chand et al., 2020). 

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) em 2019, declarou  um surto de lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos ou produtos vaping  (EVALI). Não há teste ou exame para o diagnóstico da EVALI, é realizado por meio de  exclusão de outras doenças pulmonares e associado ao histórico de uso de cigarros eletrônicos  do paciente. Nos achados patológicos da EVALI, estão pneumonite fibrinosa aguda, dano  alveolar difuso ou pneumonia em organização, a pior complicação esperada é a lesão evoluir  para uma insuficiência respiratória hipoxêmica (Winnicka, shenoy 2020). 

Assim, o paciente que é diagnosticado com EVALI e evolui a complicações, é acompanhado  por uma equipe multiprofissional. Sendo a fisioterapia pneumofuncional uma das áreas  responsáveis por desempenhar o papel da avaliação da mecânica respiratória adequada, bem  como funcionamento da musculatura inspiratória e expiratória, sendo de suma importância sua  atuação no tratamento das doenças respiratórias, especificamente as lesões pulmonares.  

Apesar das informações previamente apresentadas, não foram encontrados estudos que  esclareçam ou corroborem as intervenções da fisioterapia pneumofuncional em indivíduos  acometidos pela EVALI. Diante dessa lacuna, o presente estudo tem como objetivo realizar  uma revisão integrativa, com o intuito de contribuir para o entendimento dos efeitos dos  recursos fisioterapêuticos em lesões pulmonares associadas ao uso de cigarro eletrônico.

2 REVISÃO DA LITERATURA 

CIGARRO ELETRONICO 

O surgimento do CE foi em 2003, inventado por Hon lik, com o intuito de ser menos prejudicial  à saúde, comparado com o cigarro convencional. Apresentado como um dispositivo eletrônico,  que oferece aos usuários doses de nicotina e outros aditivos aerossois. São compostos por  bateria, bobina de aquecimento, espaço no dispositivo contendo uma solução liquida  aessolizada. Assim, quando o indivíduo aspira o dispositivo, o líquido é aquecido e vaporizado,  esse vapor libera a nicotina para o usuário, e uma parte do vapor pode ser liberada no ar  ambiente quando o exala (Sapru et al 2020). 

Os dados da OMS, indicam que o uso do tabaco caiu de maneira significativa nos últimos anos.  Apesar desse avanço, o uso de cigarros eletrônicos se tornou uma tendência emergente, devido  ao seus diversos sabores e aromas que os tornam mais desejáveis seu uso foi crescendo,  principalmente entre os jovens que não tinham contato com o cigarro convencional, gerando  assim, novos dependentes. Além disso também popularizou – se como uma forma que seria  menos prejudicial à saúde do que fumar (Chand et al., 2020). 

Inicialmente foram introduzidos no mercado como uma opção de cessação do tabagismo, porém  não é a realidade atual, visto que seu sucesso na área da cessação do tabagismo tem sido muito  limitado, e não comprovados devido à falta de dados que realmente demonstrem eficácia  comparado com as terapias atualmente já aprovadas. Embora esses dispositivos em diversas  vezes são vendidos como menos nocivos à saúde, há evidências crescentes de que estes  dispositivos apresentam sim riscos (Bozier, et al 2020; Doulas et al 2020). 

O cigarro eletrônico representa fator de risco para desenvolvimento de doenças respiratórias,  como a lesão pulmonar aguda, pneumonia, pneumotórax, enfisema pulmonar e asma. Dentre as  apresentações clínicas prejudiciais causadas nos usuários, estão: irritação na garganta e olhos,  dificuldade de deglutir, tosse, desidratação, congestão nasal, inchaço, rinite e maior frequência  cardíaca (Menezes et al., 2021). 

EVALI 

No início de 2019, nos EUA, o Centro de Controle e Prevenção de doenças dos Estados Unidos  da América relatou o primeiro surto de lesões pulmonares em fumantes de e-cigarro, diversas  pessoas adoeceram devido a vaporização e rapidamente atingiu níveis epidêmicos, essa  patologia ficou reconhecida por ocasionar lesão pulmonar associada ao uso de produto de  cigarro eletrônico ou vaping, assim foi denominada de EVALI. Em 2020, 2.668 casos  hospitalizados de EVALI foram relatados em 50 estados dos EUA, resultando em mais de 60  mortes (Krishnasamy, et al 2020; Chatham-stephens, et al 2019). 

A lesão pulmonar associada ao uso de produto de cigarro eletrônico ou vaping (EVALI), é uma  síndrome pulmonar aguda, causada por uso excessivo do e-cigarro. Os sintomas da EVALI são  parecidos com os sintomas de doenças virais, esses sintomas são inespecíficos, e os testes não  demonstram nenhum patógeno agressor. Os sintomas mais comuns nos casos assemelham com a gripe, assim, diversos usuários apresentaram sinais e sintomas respiratórios (dispneia, tosse  seca e dor torácica); gastrointestinais (náusea, êmese e diarreia) e sintomas constitucionais  (inespecíficos), como febre e cefaleia (Kligerman et al., 2020; Chatham-stephens et al., 2019). 

O diagnóstico é feito por meio de exclusão de outras doenças pulmonares, não havendo teste  ou exames específicos. Assim, o diagnóstico é realizado com base nos sinais e sintomas,  histórico de uso de cigarro eletrônico e estudo de imagem. O paciente deve se enquadrar nos  três critérios que o CDC estabeleceu para o diagnóstico da EVALI: (1) uso de cigarro eletrônico  nos últimos 90 dias do início dos sintomas; (2) presença de consolidações na radiografia ou  aspecto de vidro fosco na tomografia de tórax; e (3) avaliação negativa para infecções  pulmonares ou outros processos de doenças (doenças cardiológicas, reumatológicas,  neoplásicas, etc) (CDC, 2021). 

Entre os padrões de lesão pulmonar associadas ao e-cigarro, as mais frequentes apresentações  clínicas são: pneumonia lipoide; pneumonia eosinofílica aguda (PEA); hemorragia alveolar  difusa; síndrome da dificuldade respiratória aguda (SDRA); pneumonia aguda em organização  fibrosa; e pneumonia granulomatosa (Sujith et al., 2020). 

LESÕES PULMONARES 

A pneumonia lipoide desencadeia de uma resposta inflamatória aos lipídios presentes nos  alvéolos, pode estar presentes nos indivíduos que costumam inalar hidrocarbonetos líquidos,  como a glicerina vegetal presente nos e-líquidos. O desenvolvimento irá depender do tipo,  quantidade, frequência e duração dos óleos ou gorduras inalados. Os ácidos graxos tender a  aderir e manter –se nas paredes alveolares. Esses ácidos graxos podem ser fagocitados por  macrófagos que irão migrar para os septos interlobulares. Assim, a resposta inflamatória pode  destruir as paredes alveolares e o interstício (Marchiori, 2007). 

A pneumonia eosinofílica aguda, é uma condição que pode acomter jovens previamente  saudáveis, principalmente em indivíduos que retomaram o hábito de fumar ou o iniciaram  recentemente. Ocorre a infiltração de eosinófilos nos alvéolos e vias aéreas, podendo progredir  para insuficiência respiratória aguda em poucas horas ou dias se não for tratada (De giacomi et  al., 2018.) 

A hemorragia alveolar difusa é caracterizada por sangramentos decorrentes de lesão  envolvendo a membrana alveolar, provocando acúmulo de sangue no interior dos alvéolos,  resultando num desarranjo estrutural difuso, com lesão da membrana alvéolo capilar e  consequente extravasamento de hemácias (Borges et al., 2005). 

A pneumonia aguda em organização fibrosa, é um agravo pulmonar intersticial desenvolvido  por uma ampla proliferação fibroblástica na forma de “bolas” de fibrina dentro dos espaços  alveolares. É possível observar um edema septal alveolar intenso e difuso, com infiltração  celular inflamatória e espessamento das paredes alveolares (Santos et al., 2010). 

A SDRA é um agravo consequente de lesões na parede capilar, tendo como causa direta a  inalação de toxinas presentes na fumaça dos e-cigarros. Isto resulta no acúmulo de líquidos podendo causar um colapso nos alvéolos, deixando os pulmões incapazes de funcionar  adequadamente (Tamashiro et al., 2009). 

3 METODOLOGIA  

3.1 DESIGN DO ESTUDO 

Este estudo caracteriza-se como uma revisão de literatura integrativa. O Preferred Reporting  Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (PRISMA) checklist foi utilizado  parcialmente para conduzir este estudo. 

3.2 ESTRATÉGIA DE PESQUISA E SELEÇÃO DE ESTUDOS 

Para o estudo, foram realizados levantamentos bibliográficos nas plataformas da Scientific  Eletronic Libray Online (SciELO), PubMed Central (PMC) e Science direct, selecionados no  período de maio até setembro de 2023.  

Para a pesquisa de artigos foram aplicados os Descritores em Ciências da Saúde: “Fisioterapia  pneumofuncional” “Fisioterapia respiratória” “Mecânica respiratória” “Danos respiratória”  “Cigarro eletrônico”, em português e inglês.  

3.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO  

De acordo com a descrição do Fluxograma 1, foram selecionados em ambas as plataformas os  artigos deveriam atender os seguintes critérios de inclusão: a) contemplar o tema de EVALI e  fisioterapia; b) tratamento para lesões pulmonares com fisioterapia respiratória; c) em língua  portuguesa e inglesa; d) artigos publicados no período de 2013 a 2023; Os critérios de exclusão  considerados foram: a) Estudos que não abordavam a temática proposta; b) estudos que  analisaram dados de crianças; c) resumos de eventos/congressos, estudos que não sejam  clínicos, conteúdo de livros; d) artigos duplicados, os que estavam fora do período de  publicação elegido; 

3.4 ANÁLISE DE DADOS  

O processo de organização e análise dos artigos foram constituídos através de uma tabela no  programa de edição de texto Microsoft Word 2021. Dessa forma, a tabela apresenta autor e ano  de publicação, objetivo e os seus resultados, conforme descrição na Tabela 1

4 RESULTADOS E ANÁLISE DOS DADOS 

Os artigos selecionados e incluídos nesta revisão estão representados no fluxograma  (Figura 1). Foram incluídos 8 artigos, apresentados detalhadamente com autor, ano, dados da  amostra e resultados na tabela 1. Dentre os estudos, ensaios clínicos randomizados, estudos  retrospectivos ou prospectivos, e revisões, que apontam sobre os danos ocasionados pelo uso  do cigarro eletrônico no sistema respiratório e recursos da fisioterapia nessa fase de reabilitação  e prevenção nas sequelas pós lesões pulmonares, foram incluídos na revisão.  

Diante disso, 5 dos estudos selecionados, investigaram as lesões ocasionadas em decorrer do  uso do cigarro eletrônico, e todos demonstraram os efeitos e danos negativos após o uso e  diferenças em função pulmonar, sintomas respiratórios e sistêmicos, inflamação e lesão  pulmonar.  

Os resultados sobre função pulmonar, em dois estudos apresentaram diminuição da capacidade  vital, pico de fluxo expiratório, fluxo expiratório máximo e percentual do previsto de VEF1 e  volume expiratório forçado no primeiro segundo/capacidade vital forçada (VEF1/CVF),  consequentemente causada pela obstrução de vias aéreas. 

Os sintomas foram relatados por cinco estudos, sendo eles, bronquite, dispneia, fadiga, tosse,  náusea, sensação de tontura, tensão e cefaleia. Contudo, um dos estudos relata que durante o  experimento dois participantes foram excluídos por apresentarem sintomas de tosse ou  desconforto no peito e irritação na garganta. Segundos Doukas (2020), quatro em cada dez  pacientes foram internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital por insuficiência  respiratória hipóxica aguda.

Figura 1. Fluxograma representando o processo de seleção de estudos. 

Em 3 estudos, foi abordado recursos da fisioterapia, como a ventilação não invasiva em  insuficiência aguda e técnicas de higiene brônquica em pacientes hospitalizados.

Werner et al. observaram que mais da metade dos pacientes com desfechos fatais foram  diagnosticados com síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), condição que pode  evoluir para insuficiência respiratória hipoxêmica aguda. Em casos de EVALI, há uma associação relevante com a presença de comorbidades crônicas, o que potencializa o risco de  desenvolvimento da SDRA. 

Landman et al. (2019) identificaram quatro principais achados clínicos nos casos analisados,  com destaque para a hipoxemia, observada em 62% dos pacientes (18 casos). Além disso, os  níveis de saturação de oxigênio variaram entre 56% e 92% em ar ambiente, sendo que uma  saturação inferior a 95% foi registrada com frequência significativa. 

No estudo de Staudt et al (2018), os indivíduos apresentavam redução da função pulmonar pela  diminuição de variáveis ventilatórias, como o pico de fluxo expiratório máximo, o percentual  do previsto do VEF1 ou da relação VEF1/CVF, assim, indicando irritação e obstrução das vias  aéreas.  

Segundo Doukas, quatro em cada dez pacientes demonstraram aumento nas demandas de  oxigênio, necessitando de oxigenoterapia mais agressiva e internação na UTI para  monitoramento. Em relação à evolução clínica, todos os pacientes necessitaram de internação  hospitalar, com média de permanência de cinco dias. Quatro em cada dez pacientes  necessitaram de cuidados intensivos, com aumento na demanda de oxigênio e utilização de  ventilação não invasiva com pressão positiva (VNIPP), especialmente em casos com hipóxia  moderada a grave evidenciada por gasometria arterial. A admissão em UTI e o uso de suporte  ventilatório, mesmo sem hipercapnia, ilustram a gravidade potencial da EVALI. 

Conforme discutido por Santos (2024), a atuação do fisioterapeuta no contexto da EVALI é de  grande relevância, uma vez que esse profissional exerce papel fundamental na recuperação da  função pulmonar e na reabilitação da capacidade funcional dos pacientes. Técnicas específicas  são aplicadas para atenuar sintomas característicos da condição, como a dispneia,  frequentemente presente ao longo da evolução clínica da doença. 

Complementando essa perspectiva, o autor destaca uma variedade de estratégias  fisioterapêuticas voltadas ao manejo da EVALI, como a mobilização de secreções no trato  respiratório, manobras de reexpansão pulmonar e o uso de dispositivos de pressão positiva. Essas abordagens têm impacto direto na melhora da oxigenação e na redução do desconforto  respiratório, contribuindo para uma evolução clínica mais favorável. 

Nesse mesmo contexto, Pereira e Veneziano (2021) reforçam que as manifestações clínicas  associadas ao uso do cigarro eletrônico demandam uma atuação integrada da equipe  multiprofissional, com ênfase na fisioterapia respiratória. O fisioterapeuta atua tanto na prevenção quanto no tratamento de disfunções respiratórias, adotando técnicas que visam  restaurar a função pulmonar, melhorar a ventilação alveolar e mobilizar secreções. Os  exercícios respiratórios, por sua vez, desempenham papel crucial na reabilitação, fortalecendo  a musculatura respiratória e otimizando as trocas gasosas. 

Além dessas intervenções, os autores apontam que as técnicas de higiene brônquica são  especialmente relevantes no tratamento em curto prazo, por favorecerem a eliminação de  secreções e reduzirem a ocorrência de hipoxemia. Entre as condutas descritas, destacam-se o  tique traqueal, o huffing e a aceleração do fluxo expiratório (AFE), bem como exercícios  específicos, como inspiração profunda, fracionada, ativação diafragmática e freno labial. Tais  estratégias são direcionadas a melhorar a ventilação pulmonar, fortalecer o diafragma e reduzir  a sobrecarga da musculatura acessória, promovendo uma recuperação mais eficiente em  pacientes hospitalizados (Pereira & Veneziano, 2021). 

A ventilação não invasiva (VNI) tem se consolidado como uma estratégia eficaz no manejo da  insuficiência respiratória aguda, incluindo os casos relacionados à lesão pulmonar associada ao  uso de cigarros eletrônicos (EVALI). O uso de dispositivos como o BiPAP (Bilevel Positive  Airway Pressure) tem sido associado à redução da necessidade de intubação orotraqueal e à  diminuição do tempo de internação hospitalar em pacientes com EVALI. Além disso, ao  proporcionar suporte ventilatório eficaz sem a necessidade de via aérea invasiva, a VNI  contribui para a minimização de complicações, como infecções nosocomiais e lesões  pulmonares induzidas pela ventilação mecânica invasiva tilação mecânica invasiva (Costa et al  2021); 

Além disso, a VNI tem mostrado benefícios na melhoria dos parâmetros gasométricos e na  redução do esforço respiratório em pacientes com EVALI. A utilização de pressões positivas  nas vias aéreas contribui para a manutenção da oxigenação e ventilação alveolar, promovendo  a estabilização clínica desses pacientes. Contudo, é fundamental que a aplicação da VNI seja  acompanhada por monitoramento contínuo e avaliação criteriosa, considerando a gravidade do  quadro clínico e a resposta individual ao tratamento (Hess, 2013). A implementação de  protocolos clínicos baseados em evidências e a capacitação da equipe multidisciplinar são  essenciais para otimizar os resultados terapêuticos e garantir a segurança dos pacientes com  EVALI (Mas, Masip 2014). 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Os achados desta revisão integrativa evidenciam que o uso de cigarros eletrônicos, apesar de  inicialmente promovido como uma alternativa menos prejudicial ao cigarro convencional, está  associado a importantes riscos à saúde pulmonar. Entre as principais manifestações clínicas  observadas, destacam-se a dispneia, tosse, febre, dor torácica e, nos casos mais graves, a  insuficiência respiratória aguda. A condição conhecida como EVALI configura-se como uma síndrome pulmonar de etiologia multifatorial, ainda pouco compreendida, porém com impacto  clínico significativo e potencial risco de evolução para quadros graves, como a SDRA. 

Diante desse cenário, a atuação fisioterapêutica assume papel central tanto na fase aguda quanto  na reabilitação respiratória desses pacientes. Técnicas como a ventilação não invasiva (VNI), a  higiene brônquica, a reexpansão pulmonar e os exercícios respiratórios têm demonstrado  benefícios na melhora da oxigenação, redução do esforço respiratório, mobilização de secreções  e fortalecimento da musculatura ventilatória. Além disso, a fisioterapia contribui para a  diminuição do tempo de internação e da dependência de oxigenoterapia, favorecendo a  recuperação funcional e a qualidade de vida. 

Apesar da relevância da intervenção fisioterapêutica evidenciada nos estudos analisados, ainda  há uma lacuna significativa de pesquisas específicas que abordem de forma aprofundada os  protocolos fisioterapêuticos voltados exclusivamente para pacientes com EVALI. A escassez  de dados clínicos e experimentais sobre a eficácia dessas intervenções ressalta a importância de  novos estudos que ampliem o corpo de evidências científicas e possibilitem a elaboração de  diretrizes baseadas em evidências. 

Conclui-se, portanto, que os recursos fisioterapêuticos representam uma estratégia fundamental  no manejo das lesões pulmonares associadas ao uso de cigarro eletrônico. Entretanto, o  aprofundamento do conhecimento científico sobre o tema é essencial para garantir intervenções  cada vez mais eficazes, seguras e direcionadas às reais necessidades clínicas dessa população  emergente. 

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1 Fisioterapeuta. E-mail: Raquellcmello@gmail.com;
2 Discente do curso de fisioterapia da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM – andreza.lima@acad.ufsm.br;
3 Fisioterapeuta – (IBMR) – Fisio.monari@gmail.com;
4 Mestra em saúde coletiva pela Universidade Federal da Paraíba UFPB – Figueiredocamila29@gmail.com

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