PHYSIOTHERAPEUTIC RESOURCES FOR CHILDREN WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER (ASD) IN THE AGE RANGE OF 3 TO 12 YEARS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202509201419
Amanda Oliveira Pastor
Letícia da Silva Pamplona dos Santos
Luana Lourenço do Nascimento
Patrick Golinelli de Oliveira Barros
Orientadora: Profa Esp. Maria da Penha Laprovita
RESUMO
Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é descrito como uma alteração neurológica capaz de afetar o neurodesenvolvimento da criança. A criança com TEA possui um impacto significativo no desenvolvimento neuropsicomotor, principalmente nas áreas sociocomportamentais apresentando dificuldades de interação e comunicação. O tratamento fisioterapêutico nesses casos se torna fundamental no desenvolvimento psicomotor da criança, contribuindo diretamente no ganho de independência, melhora na socialização, auxílio na realização de atividades de vida diária, melhorando significativamente na qualidade de vida da criança e de seus familiares. Objetivo: O objetivo geral deste estudo é descrever os recursos fisioterapêuticos utilizados no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) através de uma Revisão de Literatura. Métodos: O seguinte estudo consiste em uma Revisão de Literatura de caráter qualitativo, onde a busca bibliográfica será realizada nas bases de dados da Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library e PubMed, nos idiomas inglês, português e espanhol, abrangendo artigos publicados entre janeiro de 2014 a julho de 2024, sendo baseado na leitura de título e resumos. utilizando os descritores “Fisioterapia”, “Transtorno do Espectro Autista”, “Crianças”, através dos operadores booleanos “AND” e “OR”. Resultados: A busca inicial dos artigos foi realizada nos bancos de dados onde ao total resultou na obtenção de 66 artigos. Ao final, foram selecionados 10 artigos para esta pesquisa. Conclusão: Este trabalho permitiu uma compreensão ampla dos recursos fisioterapêuticos aplicados ao tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), destacando a relevância de técnicas como a terapia de integração sensorial, equoterapia, hidroterapia, exercícios físicos e métodos fisioterapêuticos específicos.
Palavras-chave: Fisioterapia. Transtorno do Espectro Autista. Crianças.
ABSTRACT
Introduction: Autism Spectrum Disorder (ASD) is described as a neurological disorder capable of affecting the child’s neurodevelopment. Children with ASD have a significant impact on neuropsychomotor development, especially in the sociobehavioral areas, presenting difficulties in interaction and communication. In these cases, physiotherapy treatment becomes fundamental in the child’s psychomotor development, contributing directly to gaining independence, improving socialization, helping in carrying out activities of daily living, significantly improving the quality of life of the child and their families. Objective: The general objective of this study is to describe the physiotherapeutic resources used in the treatment of children with Autism Spectrum Disorder (ASD) through a Literature Review. Methods: The following study consists of a qualitative Literature Review, where the bibliographic search will be carried out in the databases of the Virtual Health Library (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library and PubMed, in English, Portuguese and Spanish, covering articles published between January 2014 and July 2024, based on the reading of titles and abstracts, using the descriptors “Physical Therapy”, “Autism Spectrum Disorder”, “Children”, through the Boolean operators “AND” and “OR”. Results: The initial search for articles was carried out in the databases, which resulted in a total of 66 articles. In the end, 10 articles were selected for this research. Conclusion: The following work allowed a broad understanding of the physiotherapeutic resources applied to the treatment of children with Autism Spectrum Disorder (ASD), highlighting the relevance of techniques such as sensory integration therapy, hippotherapy, hydrotherapy, physical exercises and specific physiotherapeutic methods.
Keywords: Physiotherapy. Autism Spectrum Disorder. Children.
1. INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é descrito como uma alteração neurológica capaz de afetar o neurodesenvolvimento da criança. O termo foi descrito pela primeira vez no ano de 1908 pelo psiquiatra suíço Eugene Bleuler (1857-1939), onde descreveu a doença uma fuga da realidade em pacientes diagnosticados com esquizofrenia.1-2
Atualmente, observa-se um aumento significativo na incidência e prevalência do TEA. A incidência mundial da doença é de aproximadamente de 1 em cada 100 crianças, já a incidência no Brasil estima-se cerca de 1 em cada 54 crianças. O aumento do número de diagnósticos precoces está associado a conscientização da população e a capacitação dos profissionais de saúde frente a esta condição.2
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-5), o TEA pode ser classificado de acordo com os critérios principais e os níveis de suporte. Os critérios principais são déficits persistentes na comunicação e interação social e padrões restritivos e repetitivos, já a classificação por níveis de suporte pode ser classificada em nível 1 (exige suporte mínimo), nível 2 (exige suporte significativo) e nível 3 (exige um grande suporte).3-4
Os sinais presentes podem variar de acordo com o nível do paciente, onde se manifestam nas seguintes áreas: Comportamentos repetitivos, sensibilidade sensorial, déficits na interação e comunicação, desenvolvimento atípico da linguagem e dificuldades cognitivas e motoras. Os sinais precoces bastante observados são: ausência do sorriso social, ausência do jogo simbólico, dificuldade em manter a atenção e ausência de balbucios ou falar entre os 12 a 18 meses.5-6
O diagnóstico precoce do TEA se mostra muito importante, visto que auxilia na implementação de intervenções precoces, melhorando assim a qualidade de vida e habilidades da criança. O diagnóstico envolve uma avaliação clínica precisa, além da implementação de testes e escalas avaliativas como a Escala Modified Checklist for Autism in Toddlers, Escala Childhood Autism Rating, entre outras.7-8
A criança com TEA possui um impacto significativo no desenvolvimento neuropsicomotor, principalmente nas áreas sociocomportamental apresentando dificuldades de interação e comunicação. Essas características afetam significativamente a percepção e a interação com o ambiente, limitando assim as oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento social.9-10
Esses comprometimentos afetam as atividades diárias e o desenvolvimento da criança, onde a mesma pode apresentar dificuldades na realização de tarefas de autocuidado (vestir, escovar os dentes, limpeza) devido às suas limitações motoras e/ou sensoriais. Outros comprometimentos podem ser observados no aspecto físico, onde a criança pode apresentar problemas de coordenação motora e equilíbrio, interferindo na realização de brincadeiras e interações com outras crianças. Essas limitações criam uma barreira na inclusão e autonomia da criança, necessitando assim um acompanhamento terapêutico através da fisioterapia, visando minimizar os impactos da doença e promover a qualidade de vida e participação social.9-10
Um dos principais tratamentos utilizados com alterações no desenvolvimento devido ao TEA é a Fisioterapia. O tratamento fisioterapêutico nesses casos se torna fundamental no desenvolvimento psicomotor da criança, contribuindo diretamente no ganho de independência, melhora na socialização, auxílio na realização de atividades de vida diária, melhorando significativamente na qualidade de vida da criança e de seus familiares.11-12
No tratamento fisioterapêutico são utilizadas diversas técnicas, sendo elas: Psicomotricidade, fisioterapia aquática, fisioterapia motora e autocontrole pessoal. Para a realização destas atividades são utilizados métodos lúdicos com auxílio de bolas, brinquedos coloridos, elásticos, tapetes e outros materiais. A fisioterapia atua diretamente nas habilidades motoras grossas, coordenação motora fina, controle postural, estimulação sensorial, equilíbrio e controle de comportamentos estereotipados.11
Programas de atividades fisioterapêuticas são eficazes na melhoria do desenvolvimento psicomotor de crianças com TEA, contribuindo para avanços significativos na coordenação motora, habilidades de movimento e integração social.12
A fisioterapia se destaca como uma abordagem complementar importante para o tratamento de crianças com TEA, visando melhorar suas habilidades motoras, coordenação e equilíbrio, promovendo maior independência e qualidade de vida. No entanto, apesar da crescente utilização de recursos fisioterapêuticos, ainda há lacunas na literatura sobre sua eficácia específica para essa população, especialmente em crianças de 3 a 12 anos. Além disso, uma melhor compreensão desses recursos pode auxiliar profissionais da saúde e familiares a otimizar o desenvolvimento e o bem-estar das crianças, promovendo intervenções mais eficazes e direcionadas.12-13
A escolha deste trabalho se justifica pela crescente necessidade de intervenções terapêuticas precoces e adequadas para o tratamento de crianças diagnosticadas com o TEA, buscando explorar como diferentes recursos fisioterapêuticos podem ser utilizados para potencializar o desenvolvimento motor e funcional das crianças com TEA, promovendo uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, a justificativa para este trabalho é embasada na relevância clínica e social da fisioterapia como uma ferramenta importante no manejo do TEA, principalmente quando aplicada de maneira precoce e personalizada, com o objetivo de melhorar a funcionalidade e o bem-estar das crianças, favorecendo seu desenvolvimento integral.
2. OBJETIVOS
2.1. OBJETIVO GERAL
Descrever os recursos fisioterapêuticos utilizados no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) através de uma Revisão de Literatura.
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
a) Identificar as principais técnicas aplicadas no tratamento de crianças com TEA; b) Analisar a eficácia dos recursos fisioterapêuticos mais utilizados no tratamento; c) Explorar os benefícios dos recursos fisioterapêuticos na promoção da autonomia e qualidade de vida de crianças com TEA.
3. MARCO TEÓRICO
3.1. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o Transtorno do Espectro Autista (TEA) trata-se de um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por manifestações atípicas, alterações na comunicação e na interação social, podendo ser observados nos primeiros meses até os 2 anos da criança.12-13
A primeira citação deste distúrbio foi no ano de 1908 pelo psiquiatra Eugen Bleuler onde foi criado o termo “autismo”. Já no ano de 1938 o psiquiatra Hans Asperger realizou os primeiros diagnósticos deste distúrbio. Em seguida, no ano de 1943 o psiquiatra Leo Kanner realizou um estudo com 11 crianças com dificuldade de socialização, onde descreveu o autismo infantil como um distúrbio autístico do contato afetivo. O termo “Transtorno do Espectro Autista” foi criado no ano de 2013 pelo Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5).13-14
O TEA pode ser classificado de acordo com 3 níveis de suporte sendo leve, moderado e severo. O TEA nível 1 de suporte necessita de apoio para a realização de situações específicas, conseguindo ter uma vida comum e manter relacionamentos, apresentando somente dificuldade na comunicação social e interação. Já o TEA nível 2 de suporte necessita de apoio para a realização de diversas situações, conseguindo realizar algumas atividades diárias sozinho, apresentando dificuldade na fala e em questões comportamentais. Já o TEA nível 3 de suporte é totalmente dependente para a realização de situações simples, sendo comum a ausência da fala, juntamente com dificuldades de interações, socialização e alterações cognitivas.14
Além disso, o TEA também pode ser subdividido em: Síndrome de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Autista e Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. A Síndrome de Asperger é caracterizada pela dificuldade de interação e comportamento restrito, apresentando uma preservação na linguagem e cognição. O Transtorno Desintegrativo da Infância é caracterizado pela perda das habilidades adquiridas após um desenvolvimento normal. Já o Transtorno Autista se mostra mais severo nas questões comportamentais, de socialização e comunicação, se manifestando nos primeiros 2 anos de vida. Por fim, o Transtorno Invasivo do Desenvolvimento se refere a uma dificuldade no desenvolvimento comunicativo e social.15-16
3.1.1. Epidemiologia
A epidemiologia desta condição é diversificada, onde a OMS estima que cerca de 70 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas com TEA, já no Brasil, esta estimativa é de 2 milhões de pessoas com TEA, representando em torno de 1-2% da população. A prevalência do TEA no Brasil é de 0,3% entre 5 a 12 anos de idade.17 O Center of Disease Control and Prevention (CDC) no ano de 2020 indicou que 1 a cada 36 crianças são diagnosticadas com autismo. No ano de 2021, foram realizadas 9,6 milhões de atendimentos em ambulatórios, onde 4,1 milhões desses atendimentos foram voltados para o público infantil de até 10 anos (Figura 1).17-18

Fonte: Central of Disease Control, 2020.17-18
A prevalência do TEA nas últimas décadas, estima-se atualmente em cerca de 1 a cada 100 crianças, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém os números podem variar de acordo como o país em questão e os contextos socioeconômicos, onde em casos de aumento da prevalência pode estar relacionado a melhorias nos critérios diagnósticos e maior uma maior conscientização sobre o TEA através da educação em saúde.18
Devido aos grandes números de casos diagnosticados, foram criadas políticas públicas voltadas ao autismo, como a Lei Berenice Piana – n°12.764/2012, que promove os direitos à educação e saúde adequada a pessoas com TEA.18-19
Outra importante política pública voltada para o autismo consiste no Projeto de Lei n°3.803/2019 que cria a Política Nacional para Educação Especial e Inclusiva para autistas e pessoas com deficiências, sendo um importante fato para garantir um atendimento individualizado e desburocratizado para os autistas, pessoas com deficiência física ou transtornos nas escolas de educação básica, promovendo a atuação de uma equipe multidisciplinar (com profissionais da terapia ocupacional, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição e psicopedagogia). Já no ano de 2020 foi sancionada a Lei n°13.977/2020 conhecida como Lei Romeo Mion, onde criou-se a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA). 18-19
O Brasil é composto por centros especializados a pessoas com deficiência, onde são compostos por 282 centros de Atenção Psicossocial infantil, 2.795 centros de Atenção Psicossocial e 47 oficinas ortopédicas, sendo disponíveis ao público com TEA.18-19
3.1.2. Etiologia e fisiopatologia da doença
O fator etiológico do TEA ainda é desconhecido, porém pesquisas apontam que a interação de fatores genéticos e ambientais apresentam um maior envolvimento no diagnóstico de TEA, sendo assim descrito como uma etiologia complexa e multifatorial.20
Os fatores genéticos envolvidos podem ser: mutações pontuais, haploinsuficiência e alteração no número de cópias de genes. Já os fatores ambientais podem ser: idade avançada dos pais, poluição, traumas durante a gestação, infecções, exposição a drogas ilícitas e agrotóxicos.20
Estudos indicam que o componente genético apresenta uma grande influência de alterações genéticas e forte herdabilidade para o TEA, sendo considerado um distúrbio genético heterogêneo capaz de produzir uma heterogeneidade fenotípica (características físicas e comportamentais diferentes). Apesar das alterações genéticas, não há estudos que indicam um biomarcador específico para o TEA.20-21
A Fisiopatologia do TEA consiste em uma série de alterações do desenvolvimento do cérebro, podendo ser alterações na conectividade cerebral, anormalidade nas sinapses e plasticidade neural, desenvolvimento e crescimento cerebral acelerado, disfunções dos neurotransmissores, alterações em regiões cerebrais específicas (cerebelo, sistema límbico, córtex pré-frontal), alterações genéticas e epigenéticas, neuroinflamação e alteração do sistema imunológico.22
3.1.3. Sinais de alerta e diagnóstico
Os sinais de alerta do TEA podem aparecer nos primeiros meses de vida, porém o diagnóstico é confirmado somente após o 2° ano da criança. Os principais sinais de alerta podem ser dificuldade de comunicação e interação social, seletividade a cheiros, sabores e texturas de alimentos, comportamentos repetitivos, diminuição do filtro social, hipersensibilidade sensorial, dificuldade de compreensão e hiperfoco em temas específicos.22-23
Os sinais de alerta podem variar conforme o desenvolvimento neuromotor e a idade da criança, podendo ser observado uma série de comportamentos até os 12 anos.22-23 Os principais sinais de alerta a serem considerados de cada idade podem ser observados no quadro abaixo (Quadro 1).
Quadro 1 – Principais sinais de alerta do TEA entre 3 e 12 anos.


O diagnóstico é clínico onde envolve diversos profissionais da saúde, sendo realizado através de observações da criança, entrevistas com os pais/cuidadores e utilização de escalas de avaliação específicas como Entrevista Diagnóstica para Autismo – Revisada (ADI-R), Escala de Observação para Diagnóstico do Autismo – Segunda Edição (ADOS-2), Escala de Avaliação de Autismo Infantil (CARS), Lista de Verificação Modificada para Autismo em Crianças Pequenas – Revisada (M-CHAT-R), Teste de Avaliação de Tratamento do Autismo (ATEC), Questionário de Triagem para Autismo (ASQ), Questionário de Comunicação Social (SCQ) e Vineland Adaptive Behavior Scales. O diagnóstico feito até os quatro anos de idade aumenta as chances de estimular o desenvolvimento motor e cognitivo da criança.23
3.2. DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR DE CRIANÇAS COM TEA ENTRE 3 E 12 ANOS
O desenvolvimento neuropsicomotor de crianças entre 3 e 12 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta diversas variações, podendo ser alterado de acordo com a gravidade dos sintomas e das áreas afetadas. Zaqueu et al.25 descreve que a criança com TEA entre essa idade pode apresentar diversas alterações na interação social, comunicação, cognição e coordenação motora (Quadro 2).
Quadro 2 – Alterações no desenvolvimento neuropsicomotor em crianças de 3 e 12 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA).


As alterações do desenvolvimento neuropsicomotor são individuais, onde cada criança pode progredir em diversas áreas diferentes, podendo apresentar atrasos persistentes, sendo necessário a realização de intervenções personalizadas e adequadas a cada quadro apresentado. As alterações no desenvolvimento neuropsicomotor podem acarretar em complicações como comprometimento da motricidade fina e grossa, alterações na postura e equilíbrio devido a hipotonia/hipertonia, dificuldades de coordenação e planejamento motor (dispraxia), problemas de sensibilidade sensorial, acarretando em um impacto na socialização e comportamento, atrasos de linguagem e dependência prolongada de cuidadores.26
O tratamento é realizado através de uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e fonoaudiólogos, visando proporcionar um melhor desenvolvimento neuropsicomotor e melhorar a qualidade de vida e funcionalidade da criança. 26-27
3.3. FISIOTERAPIA NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
De acordo com Gomes et al.28, a fisioterapia se mostra um tratamento fundamental para o desenvolvimento neuropsicomotor da criança com TEA. Através da fisioterapia são tratados os distúrbios de coordenação, motricidade, equilíbrio e globalização, tendo como objetivo melhorar a qualidade de vida, diminuir a dependência funcional e promover a autonomia durante as atividades diárias.
O tratamento fisioterapêutico é realizado de forma individual para cada criança, considerando suas habilidades motoras, cognitivas e sociais. As principais áreas de atuação da fisioterapia são: Desenvolvimento motor grosso e fino, com o objetivo de melhorar a coordenação, força muscular, equilíbrio e habilidades motoras finas; Correção e melhora da postura e equilíbrio com objetivo de ajudar a manter uma postura adequada e melhorar o controle postural; Integração social visando ajustar a resposta da criança aos estímulos sensoriais, como toque, som e movimento; Fortalecimento muscular e melhora da resistência visando aumentar a força e a resistência muscular; Melhora da coordenação e planejamento motor (práxis), com o objetivo de desenvolver a capacidade de planejar e executar movimentos complexos; e a Promoção da interação social e participação em atividades, ajudando a criança a participar de atividades em grupo e a se envolver em brincadeiras com outras crianças promovendo a independência em atividades diárias e sociais.29-30
As técnicas e recursos utilizados na fisioterapia com TEA são: Hidroterapia, terapia de integração social, exercícios de fortalecimento e mobilidade, atividades lúdicas e recreativas, musicoterapia, equoterapia, psicomotricidade, estimulação sensorial, treinamento funcional, treinamento de habilidade sociais, Mindfulness e técnicas de relaxamento.29
A hidroterapia utiliza a água como um meio terapêutico capaz de promover o relaxamento, a mobilidade e o fortalecimento, onde a flutuação e pressão da água ajudam a desenvolver habilidades motoras e de coordenação em crianças com TEA. A Terapia de Integração Sensorial é focada na adaptação do sistema nervoso à interpretação de estímulos sensoriais, utilizando estímulos visuais, auditivos e táteis, proporcionando um controle de reações e estímulos externos.30-31
Os exercícios de fortalecimento e mobilidade trabalham a musculatura e articulações, promovendo um melhor desenvolvimento motor e na coordenação, sendo importante para o tratamento de crianças com TEA que apresentem fraqueza muscular e dificuldades motoras. Já as atividades lúdicas, recreativas e musicoterapia são técnicas utilizadas no desenvolvimento de habilidades motoras e de interação social, onde utilizam brincadeiras, jogos e músicas para estimular a criatividade, capacidade de cooperação, comunicação, expressão emocional, regulação emocional e foco da criança.32-33
A equoterapia é uma técnica utilizando cavalos para a promoção do equilíbrio, coordenação e fortalecimento muscular, desenvolvendo também a percepção espacial e habilidades sociais da criança, onde a interação com o animal auxilia na redução do estresse e da ansiedade. A Psicomotricidade envolve atividades de consciência corporal e movimento, proporcionando um melhor desenvolvimento de habilidades motoras e percepção espacial, sendo essenciais para a autonomia da criança com TEA.34-35
A estimulação sensorial também são técnicas de estímulo sensorial onde auxiliam a criança no entendimento de diferentes estímulos, se mostrando importante no tratamento de crianças com hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos sensoriais. O treinamento funcional e de habilidade sociais são técnicas que trabalham o movimento e as habilidades de interação e comunicação, reproduzindo assim as atividades diárias auxiliando na independência e no desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas da criança.36-37
Por fim, as técnicas de Mindfulness e de relaxamento auxiliam no controle emocional, promovendo a calma e reduzindo a ansiedade e o estresse, sendo umas das técnicas mais importantes no tratamento das crianças com TEA, pois auxilia na autorregulação emocional.38-39
A fisioterapia deve ser realizada de forma precoce, visto que o desenvolvimento motor da criança está intimamente ligado ao desenvolvimento cognitivo e social. A realização do tratamento fisioterapêutico precoce auxilia na prevenção do agravamento de dificuldades motoras, facilitando a aprendizagem e a adaptação ao ambiente escolar e social. Visto isso, entende-se que o papel da fisioterapia é multidimensional, onde são abordadas questões físicas, sensoriais, emocionais e sociais da criança, melhorando assim a sua qualidade de vida.40
As intervenções fisioterapêuticas são essenciais para uma melhor qualidade de vida na criança com TEA, porém apresenta desafios e limitações que afetam sua eficácia. Os principais desafios consistem nas barreiras de adesão ao tratamento, onde muitas famílias apresentam dificuldades na realização do acompanhamento fisioterapêutico devido ao elevado custo, impedindo assim a criança em dar continuidade no tratamento.41-42
Outras dificuldades no tratamento consistem nas limitações específicas das técnicas fisioterapêuticas, visto que as terapias como equoterapia e hidroterapia exigem instalações e profissionais específicos, além de serem técnicas de alto custo e com limitações de acesso geográfico. A resposta ao tratamento varia significativamente, onde exige adaptações constantes no protocolo fisioterapêutico e estratégias realizadas, representando-se também um desafio ao profissional da saúde.43
Esses desafios demandam esforços contínuos para tornar as terapias mais acessíveis e para adaptar as intervenções às características únicas de cada criança. Na ampliação do conhecimento e possibilidade de tratamento, contribui-se para uma abordagem cada vez mais abrangente e efetiva na fisioterapia para o TEA, beneficiando as crianças e seus familiares.44-45
4. METODOLOGIA
Trata-se de uma Revisão de Literatura de caráter qualitativo, realizado pelo curso de Graduação em Fisioterapia da Universidade Iguaçu (UNIG), visando abordar os efeitos do tratamento fisioterapêutico em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre 3 e 12 anos através da literatura científica nacional e internacional.
A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados da Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library e PubMed. Os idiomas utilizados para a seleção dos estudos foram inglês, português e espanhol, abrangendo artigos publicados entre 2015 a 2025.
Foram utilizados os descritores “Fisioterapia / Physiotherapy”, “Transtorno do Espectro Autista” / “Autism Spectrum Disorder”, “Crianças / Children”, através dos operadores booleanos “AND” e “OR”. O conjunto de operadores booleanos foram estruturados da seguinte forma: (“Fisioterapia” OR “Physiotherapy”) AND (“Transtorno do Espectro Autista” OR “Autism Spectrum Disorder”) AND (“Crianças” OR “Children”).
Os artigos obtidos após as buscas foram selecionados inicialmente após a aplicação dos critérios de elegibilidade, em seguida foram separados a partir da leitura de títulos e resumos, finalizando após a leitura dos artigos na íntegra.
Os critérios de inclusão selecionados foram publicações dos últimos 10 anos para garantir uma atualidade no tema, que bordem intervenções fisioterapêuticas especificamente voltadas para crianças com TEA, compostas por crianças na faixa etária entre 3 e 12 anos, que descrevam métodos de avaliação ou resultados sobre a eficácia dos recursos fisioterapêuticos, publicados nos idiomas selecionados, gratuitos e completos.
Já os critérios de exclusão foram estudos com população que inclui outras condições além do TEA sem separar os resultados por condição, que abordem intervenções para crianças fora da faixa etária escolhida, estudos não aplicados em seres humanos ou revisões de literatura, estudos sem descrição detalhada do método fisioterapêutico ou que não foquem especificamente em técnicas fisioterapêuticas, publicados fora dos idiomas selecionados, pagos e incompletos.
5. RESULTADOS
A busca inicial dos artigos foi realizada nos bancos de dados Scientific Electronic Library Online (n=30), Cochrane Library (n=17) e PubMed (n=19), onde, ao total, resultou na obtenção de 66 artigos. Esses artigos foram submetidos a aplicação dos critérios de elegibilidade, onde foram excluídos 16 por não se encaixarem nos critérios selecionados.
Restaram 50 artigos para serem submetidos a leitura de títulos e resumo, sendo excluídos 27 por não se apresentarem ao menos um dos descritores selecionados. Restaram 23 para a leitura completa, onde foram excluídos 19 por não apresentarem resultados satisfatórios e relevância ao estudo. Ao final, foram selecionados 11 artigos para esta pesquisa. O processo de delimitação dos estudos pode ser observado na figura a seguir (Figura 2).

Figura 2 – Banco de dados e artigos selecionados.
Fonte: Os autores.
Após avaliação dos artigos e levantamento bibliográfico, realizando uma leitura analítica apresentam-se como resultados 11 artigos que abordam a fisioterapia e a sua atuação na criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O resultado apresentado refere-se a estudos de diferentes abordagens científicas (Quadro 3).
Quadro 3 – Artigos selecionados para análise.






6. DISCUSSÃO
Ao total, foram selecionados 11 artigos publicados entre 2015 e 2025, com o intuito de descrever as principais terapias e condutas utilizadas no tratamento de crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O estudo de Karim e Mohammed (2015)56 evidencia a relevância da terapia de integração sensorial como uma estratégia eficaz para o desenvolvimento motor de crianças com Transtornos do Espectro Autista (TEA). Os resultados obtidos, ao compararem os valores médios pré e pós-tratamento pela Escala de Desenvolvimento Motor Peabody (PDMS-2), demonstraram uma melhora significativa tanto nas habilidades motoras grossas quanto finas, reforçando a hipótese de que intervenções focadas no processamento perceptual e sensorial podem atenuar limitações funcionais associadas ao autismo. A realização de sessões regulares ao longo de seis meses não apenas contribuiu para o aprimoramento das capacidades motoras, mas também promoveu maior independência das crianças ao lidar com atividades diárias. Esses achados corroboram a importância de integrar a terapia sensorial aos planos terapêuticos, destacando seu potencial em fortalecer a interação e o funcionamento neurológico, aspectos frequentemente comprometidos em crianças com TEA.
Já os estudos de Steiner e Kertesz (2015)55, Gabriels et al. (2015)54, Bender e Guarany (2016)53 e Souza et al. (2023)47 descreveram a atuação da equoterapia no tratamento de crianças autistas. O estudo de Steiner e Kertesz (2015)55 envolveu 26 crianças de uma escola de necessidades especiais, com 12 meninos e 14 meninas, e utilizou a análise da caminhada como método para avaliar a coordenação motora antes e depois de um mês de terapia. Através da comparação de dados coletados antes e após o período terapêutico, observou-se uma melhora significativa na estabilidade da marcha, especialmente no plano sagital. Além disso, a análise de habilidades mentais, com o uso do teste Pedagogical Analysis and Curriculum (PAC), mostrou avanços nas áreas de comunicação, autocuidado, habilidades motoras e socialização.
Os resultados de Gabriels et al. (2015)54 oferecem evidências de que a equoterapia pode ser uma intervenção eficaz para melhorar aspectos do comportamento, cognição social e habilidades de comunicação em crianças com TEA. As melhorias significativas observadas nos comportamentos de irritabilidade e hiperatividade, junto com os avanços na cognição social e na comunicação, indicam que a equoterapia pode ser um recurso valioso no manejo dos sintomas do TEA. O fato de os efeitos começarem a ser percebidos a partir da quinta semana da intervenção sugere que a equoterapia tem um impacto gradual e duradouro, o que pode refletir a construção de habilidades ao longo do tempo. Esses resultados se alinham com outras pesquisas sobre equoterapia, reforçando a possibilidade de que a equoterapia seja uma alternativa terapêutica relevante para crianças com TEA, especialmente quando combinada com abordagens convencionais.
Bender e Guarany (2016)53 complementam que ao comparar crianças e adolescentes praticantes e não praticantes de equoterapia, identificou diferenças significativas no desempenho funcional, especialmente nas áreas de autocuidado e mobilidade, conforme avaliação feita pelo PEDI. Esses resultados sugerem que a equoterapia pode ter um impacto positivo em aspectos funcionais fundamentais para a autonomia dessas crianças. Contudo, a ausência de diferenças no desempenho funcional observadas pela MIF indica que, para algumas áreas, os efeitos podem não ser tão evidentes, o que ressalta a necessidade de mais investigações para compreender a totalidade dos benefícios da equoterapia.
Souza et al. (2023)47, obtiveram seus resultados a partir de um estudo exploratório em 4 crianças com TEA onde demonstrou que a intervenção com cavalos resultou em melhorias significativas nas áreas de autocuidado, mobilidade e funcionamento social, conforme evidenciado pela avaliação utilizando o Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI). Os dados mostraram aumentos significativos nas pontuações de autocuidado, mobilidade e funcionamento social, sugerindo que a Equoterapia pode ser uma ferramenta valiosa na promoção de progresso funcional e motor para crianças com TEA.
Os estudos47-53-55 destacam a eficácia da equoterapia no tratamento de crianças com TEA, embora com enfoques diferentes. Steiner e Kertesz (2015)55 observaram melhorias na coordenação motora e habilidades mentais após um mês de terapia. Gabriels et al. (2015)54 notaram avanços significativos no comportamento, cognição social e comunicação, com efeitos percebidos a partir da quinta semana. Bender e Guarany (2016)53 identificaram impactos positivos no desempenho funcional, mas com resultados variáveis em algumas áreas. Souza et al. (2023)47 destacaram melhorias no autocuidado, mobilidade e funcionamento social, sugerindo benefícios gerais da equoterapia. Todos os estudos indicam que a equoterapia pode ser uma ferramenta valiosa, especialmente quando combinada com outras abordagens terapêuticas.
Toscano, Carvalho e Ferreira (2018)50 realizaram outro tipo de tratamento, utilizando exercícios físicos para a melhora da qualidade do sono e nas funções de crianças com TEA. Os resultados deste estudo indicam que uma intervenção de exercícios de 48 semanas tem efeitos positivos significativos em crianças com TEA, tanto nas funções metabólicas quanto em traços de autismo e qualidade de vida percebida. O grupo experimental, que participou da intervenção, apresentou melhorias no perfil lipídico, incluindo aumento do colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL) e redução do colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL) e colesterol total, o que sugere um impacto positivo na saúde metabólica. Além disso, as melhorias observadas nos traços de autismo e na qualidade de vida, conforme relatado pelos pais, indicam que a prática regular de exercícios, como coordenação e força, pode ser uma ferramenta terapêutica eficaz para mitigar aspectos do TEA.
Tse et al. (2019)49 complementam o estudo acima, onde evidencia que a prática de atividade física tem um impacto positivo na qualidade do sono e na função executiva de crianças com TEA, especialmente na eficiência do sono, latência do início do sono e duração do sono. O grupo de intervenção apresentou melhorias significativas em comparação ao grupo controle, indicando que a atividade física pode ser uma estratégia eficaz para mitigar distúrbios do sono comuns em crianças com TEA. No entanto, os achados relacionados à função executiva mostraram resultados mistos, com melhorias no controle inibitório, mas sem mudanças significativas na memória de trabalho, sugerindo que tipos específicos de atividade física podem ser necessários para melhorar de maneira mais ampla as funções executivas.
Ferreira et al. (2016)52 utilizaram técnicas em seu estudo de fisioterapia para o atendimento de crianças com TEA. A partir dos resultados obtidos, observou-se que a fisioterapia desempenhou um papel positivo no desenvolvimento motor e na independência funcional das crianças autistas avaliadas. O aumento das pontuações na MIF após o tratamento sugere que, mesmo em casos de autismo grave, houve progresso na realização de atividades diárias com menor dependência de cuidadores. A regularidade das sessões e o atendimento individualizado parecem ter contribuído diretamente para esses avanços, destacando a fisioterapia como um recurso terapêutico relevante para ampliar a qualidade de vida e a autonomia de crianças com autismo.
O ensaio clínico randomizado de El Shemy e El-Sayed (2018)51 mostrou a utilização da a técnica de indicação rítmica auditiva, onde demonstrou que quando integrada ao treinamento de marcha, potencializa significativamente a melhora das habilidades motoras brutas em crianças com autismo, em comparação ao programa de fisioterapia isolado. Ambos os grupos apresentaram progressos em coordenação bilateral, equilíbrio, velocidade e agilidade de corrida, além de força muscular, evidenciando a eficácia geral das intervenções fisioterapêuticas. No entanto, as melhorias mais acentuadas observadas no grupo submetido à estimulação auditiva rítmica reforçam a hipótese de que estímulos sensoriais auditivos podem desempenhar um papel crucial na modulação do controle motor dessas crianças.
Mills et al. (2020)48 realizaram em sua pesquisa, um tratamento de 8 semanas com 8 crianças entre 6 a 12 anos utilizando técnicas de hidroterapia. A técnica mostrou-se uma intervenção promissora para promover melhorias nos comportamentos que impactam a saúde mental e o bem-estar de crianças com TEA. Os resultados evidenciaram reduções significativas nos escores relacionados à ansiedade/depressão, problemas internalizantes, pensamento e atenção, com tamanhos de efeito substanciais, sugerindo que a atividade aquática estruturada pode desempenhar um papel positivo no equilíbrio emocional e nas funções cognitivas dessas crianças. Assim, este estudo reforça a importância da incorporação da hidroterapia como estratégia complementar no manejo clínico do TEA, visando à promoção de saúde mental e qualidade de vida.
Finalizando, Arabi e Kakhki (2025)46 desenvolveu um estudo recente, onde comparou os efeitos de exercícios motores finos, grossos e fino-grossos em crianças autistas, visando descrever suas competências motoras. Participaram 60 crianças, distribuídas aleatoriamente em três grupos experimentais e um grupo controle. Os grupos experimentais realizaram intervenções específicas durante 3 meses. Os resultados indicaram que os grupos que realizaram exercícios de motricidade grossa e de motricidade combinada (grosso-fina) apresentaram melhora significativa nas competências motoras. No entanto, o grupo que realizou exercícios combinados demonstrou os melhores resultados tanto no pós-teste quanto no acompanhamento, com avanços em habilidades motoras grossas e finas. Em síntese, os estudos revisados reforçam a importância de abordagens terapêuticas diversificadas e personalizadas no tratamento de crianças com TEA. A combinação de intervenções sensoriais, motoras e físicas demonstrou impactos positivos em múltiplas dimensões (motoras, cognitivas e emocionais) ressaltando a relevância de estratégias integrativas para potencializar o desenvolvimento global dessas crianças. A continuidade das pesquisas, aliada à interdisciplinaridade das ações terapêuticas, é essencial para ampliar o conhecimento científico e consolidar práticas clínicas cada vez mais eficazes.
7. CONCLUSÃO
Este trabalho permitiu uma compreensão ampla dos recursos fisioterapêuticos aplicados ao tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), destacando a relevância de técnicas como a terapia de integração sensorial, equoterapia, hidroterapia, exercícios físicos e métodos fisioterapêuticos específicos. Os estudos analisados demonstraram avanços significativos no desenvolvimento motor, nas habilidades de comunicação, no comportamento social e na qualidade de vida das crianças, reforçando a fisioterapia como uma ferramenta terapêutica essencial para promover a autonomia e o bem-estar dos pacientes com TEA.
Ao analisar a eficácia dos recursos fisioterapêuticos mais utilizados no tratamento, os estudos apontam para resultados positivos e significativos. A equoterapia, por exemplo, mostrou-se eficaz no estímulo ao controle postural e no aumento da atenção e socialização. Já a hidroterapia promove ganhos motores, melhora na coordenação e proporciona relaxamento corporal, sendo especialmente útil para crianças com sensibilidade sensorial exacerbada. A terapia de integração sensorial, por sua vez, demonstrou avanços na organização dos estímulos e no comportamento adaptativo.
Contudo, apesar dos resultados promissores, constatou-se a necessidade de ampliar as pesquisas sobre a eficácia a longo prazo dessas intervenções, bem como a busca por abordagens personalizadas que considerem a individualidade de cada criança. A falta de homogeneidade nos métodos de avaliação e a escassez de ensaios clínicos randomizados limitam uma compreensão mais aprofundada sobre quais técnicas apresentam maior impacto em diferentes aspectos do desenvolvimento infantil. Dessa forma, é imprescindível que novos estudos sejam realizados, incorporando amostras mais amplas e metodologias robustas.
Portanto, a continuidade das pesquisas é fundamental para fortalecer as evidências científicas acerca dos recursos fisioterapêuticos no tratamento de crianças com TEA. Investir em investigações clínicas e multidisciplinares aprimora a prática fisioterapêutica e oferece suporte às famílias, contribuindo para estratégias terapêuticas mais eficazes e integradas. Assim, é possível avançar na construção de um cuidado centrado nas necessidades individuais e uma melhor qualidade de vida.
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