RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) NA FAIXA  ETÁRIA DE 3 A 12 ANOS

PHYSIOTHERAPEUTIC RESOURCES FOR CHILDREN WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER (ASD)  IN THE AGE RANGE OF 3 TO 12 YEARS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202509201419


Amanda Oliveira Pastor
Letícia da Silva Pamplona dos Santos
Luana Lourenço do Nascimento
Patrick Golinelli de Oliveira Barros
Orientadora: Profa Esp. Maria da Penha Laprovita


RESUMO 

Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é descrito como uma alteração  neurológica capaz de afetar o neurodesenvolvimento da criança. A criança com TEA  possui um impacto significativo no desenvolvimento neuropsicomotor, principalmente  nas áreas sociocomportamentais apresentando dificuldades de interação e  comunicação. O tratamento fisioterapêutico nesses casos se torna fundamental no  desenvolvimento psicomotor da criança, contribuindo diretamente no ganho de  independência, melhora na socialização, auxílio na realização de atividades de vida  diária, melhorando significativamente na qualidade de vida da criança e de seus  familiares. Objetivo: O objetivo geral deste estudo é descrever os recursos  fisioterapêuticos utilizados no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro  Autista (TEA) através de uma Revisão de Literatura. Métodos: O seguinte estudo  consiste em uma Revisão de Literatura de caráter qualitativo, onde a busca  bibliográfica será realizada nas bases de dados da Scientific Electronic Library Online  (SciELO), Cochrane Library e PubMed, nos idiomas inglês, português e espanhol,  abrangendo artigos publicados entre janeiro de 2014 a julho de 2024, sendo baseado  na leitura de título e resumos. utilizando os descritores “Fisioterapia”, “Transtorno do  Espectro Autista”, “Crianças”, através dos operadores booleanos “AND” e “OR”. Resultados: A busca inicial dos artigos foi realizada nos bancos de dados onde ao  total resultou na obtenção de 66 artigos. Ao final, foram selecionados 10 artigos para esta  pesquisa. Conclusão: Este trabalho permitiu uma compreensão ampla dos recursos  fisioterapêuticos aplicados ao tratamento de crianças com Transtorno do Espectro  Autista (TEA), destacando a relevância de técnicas como a terapia de integração  sensorial, equoterapia, hidroterapia, exercícios físicos e métodos fisioterapêuticos  específicos. 

Palavras-chave: Fisioterapia. Transtorno do Espectro Autista. Crianças.

ABSTRACT 

Introduction: Autism Spectrum Disorder (ASD) is described as a neurological disorder  capable of affecting the child’s neurodevelopment. Children with ASD have a significant  impact on neuropsychomotor development, especially in the sociobehavioral areas,  presenting difficulties in interaction and communication. In these cases, physiotherapy  treatment becomes fundamental in the child’s psychomotor development, contributing  directly to gaining independence, improving socialization, helping in carrying out  activities of daily living, significantly improving the quality of life of the child and their  families. Objective: The general objective of this study is to describe the  physiotherapeutic resources used in the treatment of children with Autism Spectrum  Disorder (ASD) through a Literature Review. Methods: The following study consists of  a qualitative Literature Review, where the bibliographic search will be carried out in the  databases of the Virtual Health Library (BVS), Scientific Electronic Library Online  (SciELO), Cochrane Library and PubMed, in English, Portuguese and Spanish,  covering articles published between January 2014 and July 2024, based on the  reading of titles and abstracts, using the descriptors “Physical Therapy”, “Autism  Spectrum Disorder”, “Children”, through the Boolean operators “AND” and “OR”.  Results: The initial search for articles was carried out in the databases, which resulted  in a total of 66 articles. In the end, 10 articles were selected for this research. Conclusion: The following work allowed a broad understanding of the  physiotherapeutic resources applied to the treatment of children with Autism Spectrum  Disorder (ASD), highlighting the relevance of techniques such as sensory integration  therapy, hippotherapy, hydrotherapy, physical exercises and specific physiotherapeutic  methods. 

Keywords: Physiotherapy. Autism Spectrum Disorder. Children.

1. INTRODUÇÃO 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é descrito como uma alteração neurológica  capaz de afetar o neurodesenvolvimento da criança. O termo foi descrito pela primeira  vez no ano de 1908 pelo psiquiatra suíço Eugene Bleuler (1857-1939), onde  descreveu a doença uma fuga da realidade em pacientes diagnosticados com  esquizofrenia.1-2 

Atualmente, observa-se um aumento significativo na incidência e prevalência do  TEA. A incidência mundial da doença é de aproximadamente de 1 em cada 100  crianças, já a incidência no Brasil estima-se cerca de 1 em cada 54 crianças. O  aumento do número de diagnósticos precoces está associado a conscientização da  população e a capacitação dos profissionais de saúde frente a esta condição.2 

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição  (DSM-5), o TEA pode ser classificado de acordo com os critérios principais e os níveis  de suporte. Os critérios principais são déficits persistentes na comunicação e  interação social e padrões restritivos e repetitivos, já a classificação por níveis de  suporte pode ser classificada em nível 1 (exige suporte mínimo), nível 2 (exige suporte  significativo) e nível 3 (exige um grande suporte).3-4 

Os sinais presentes podem variar de acordo com o nível do paciente, onde se  manifestam nas seguintes áreas: Comportamentos repetitivos, sensibilidade  sensorial, déficits na interação e comunicação, desenvolvimento atípico da linguagem  e dificuldades cognitivas e motoras. Os sinais precoces bastante observados são:  ausência do sorriso social, ausência do jogo simbólico, dificuldade em manter a  atenção e ausência de balbucios ou falar entre os 12 a 18 meses.5-6 

O diagnóstico precoce do TEA se mostra muito importante, visto que auxilia na  implementação de intervenções precoces, melhorando assim a qualidade de vida e  habilidades da criança. O diagnóstico envolve uma avaliação clínica precisa, além da  implementação de testes e escalas avaliativas como a Escala Modified Checklist for  Autism in Toddlers, Escala Childhood Autism Rating, entre outras.7-8 

A criança com TEA possui um impacto significativo no desenvolvimento  neuropsicomotor, principalmente nas áreas sociocomportamental apresentando dificuldades de interação e comunicação. Essas características afetam  significativamente a percepção e a interação com o ambiente, limitando assim as  oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento social.9-10 

Esses comprometimentos afetam as atividades diárias e o desenvolvimento da  criança, onde a mesma pode apresentar dificuldades na realização de tarefas de  autocuidado (vestir, escovar os dentes, limpeza) devido às suas limitações motoras  e/ou sensoriais. Outros comprometimentos podem ser observados no aspecto físico,  onde a criança pode apresentar problemas de coordenação motora e equilíbrio,  interferindo na realização de brincadeiras e interações com outras crianças. Essas  limitações criam uma barreira na inclusão e autonomia da criança, necessitando assim  um acompanhamento terapêutico através da fisioterapia, visando minimizar os  impactos da doença e promover a qualidade de vida e participação social.9-10 

Um dos principais tratamentos utilizados com alterações no desenvolvimento devido  ao TEA é a Fisioterapia. O tratamento fisioterapêutico nesses casos se torna  fundamental no desenvolvimento psicomotor da criança, contribuindo diretamente no  ganho de independência, melhora na socialização, auxílio na realização de atividades  de vida diária, melhorando significativamente na qualidade de vida da criança e de  seus familiares.11-12 

No tratamento fisioterapêutico são utilizadas diversas técnicas, sendo elas:  Psicomotricidade, fisioterapia aquática, fisioterapia motora e autocontrole pessoal.  Para a realização destas atividades são utilizados métodos lúdicos com auxílio de  bolas, brinquedos coloridos, elásticos, tapetes e outros materiais. A fisioterapia atua  diretamente nas habilidades motoras grossas, coordenação motora fina, controle  postural, estimulação sensorial, equilíbrio e controle de comportamentos  estereotipados.11 

Programas de atividades fisioterapêuticas são eficazes na melhoria do  desenvolvimento psicomotor de crianças com TEA, contribuindo para avanços  significativos na coordenação motora, habilidades de movimento e integração social.12 

A fisioterapia se destaca como uma abordagem complementar importante para o  tratamento de crianças com TEA, visando melhorar suas habilidades motoras,  coordenação e equilíbrio, promovendo maior independência e qualidade de vida. No  entanto, apesar da crescente utilização de recursos fisioterapêuticos, ainda há lacunas na literatura sobre sua eficácia específica para essa população,  especialmente em crianças de 3 a 12 anos. Além disso, uma melhor compreensão  desses recursos pode auxiliar profissionais da saúde e familiares a otimizar o  desenvolvimento e o bem-estar das crianças, promovendo intervenções mais eficazes  e direcionadas.12-13 

A escolha deste trabalho se justifica pela crescente necessidade de intervenções  terapêuticas precoces e adequadas para o tratamento de crianças diagnosticadas  com o TEA, buscando explorar como diferentes recursos fisioterapêuticos podem ser  utilizados para potencializar o desenvolvimento motor e funcional das crianças com  TEA, promovendo uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, a justificativa para  este trabalho é embasada na relevância clínica e social da fisioterapia como uma  ferramenta importante no manejo do TEA, principalmente quando aplicada de maneira  precoce e personalizada, com o objetivo de melhorar a funcionalidade e o bem-estar  das crianças, favorecendo seu desenvolvimento integral.

2. OBJETIVOS 

2.1. OBJETIVO GERAL 

Descrever os recursos fisioterapêuticos utilizados no tratamento de crianças com  Transtorno do Espectro Autista (TEA) através de uma Revisão de Literatura. 

2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

a) Identificar as principais técnicas aplicadas no tratamento de crianças com TEA; b) Analisar a eficácia dos recursos fisioterapêuticos mais utilizados no tratamento; c) Explorar os benefícios dos recursos fisioterapêuticos na promoção da  autonomia e qualidade de vida de crianças com TEA.

3. MARCO TEÓRICO 

3.1. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o Transtorno do Espectro  Autista (TEA) trata-se de um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por  manifestações atípicas, alterações na comunicação e na interação social, podendo  ser observados nos primeiros meses até os 2 anos da criança.12-13 

A primeira citação deste distúrbio foi no ano de 1908 pelo psiquiatra Eugen Bleuler  onde foi criado o termo “autismo”. Já no ano de 1938 o psiquiatra Hans Asperger  realizou os primeiros diagnósticos deste distúrbio. Em seguida, no ano de 1943 o  psiquiatra Leo Kanner realizou um estudo com 11 crianças com dificuldade de  socialização, onde descreveu o autismo infantil como um distúrbio autístico do contato  afetivo. O termo “Transtorno do Espectro Autista” foi criado no ano de 2013 pelo  Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5).13-14 

O TEA pode ser classificado de acordo com 3 níveis de suporte sendo leve,  moderado e severo. O TEA nível 1 de suporte necessita de apoio para a realização  de situações específicas, conseguindo ter uma vida comum e manter  relacionamentos, apresentando somente dificuldade na comunicação social e  interação. Já o TEA nível 2 de suporte necessita de apoio para a realização de  diversas situações, conseguindo realizar algumas atividades diárias sozinho,  apresentando dificuldade na fala e em questões comportamentais. Já o TEA nível 3  de suporte é totalmente dependente para a realização de situações simples, sendo  comum a ausência da fala, juntamente com dificuldades de interações, socialização  e alterações cognitivas.14 

Além disso, o TEA também pode ser subdividido em: Síndrome de Asperger,  Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Autista e Transtorno Invasivo do  Desenvolvimento. A Síndrome de Asperger é caracterizada pela dificuldade de  interação e comportamento restrito, apresentando uma preservação na linguagem e  cognição. O Transtorno Desintegrativo da Infância é caracterizado pela perda das  habilidades adquiridas após um desenvolvimento normal. Já o Transtorno Autista se  mostra mais severo nas questões comportamentais, de socialização e comunicação,  se manifestando nos primeiros 2 anos de vida. Por fim, o Transtorno Invasivo do Desenvolvimento se refere a uma dificuldade no desenvolvimento comunicativo e  social.15-16 

3.1.1. Epidemiologia 

A epidemiologia desta condição é diversificada, onde a OMS estima que cerca de  70 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas com TEA, já no Brasil, esta  estimativa é de 2 milhões de pessoas com TEA, representando em torno de 1-2% da  população. A prevalência do TEA no Brasil é de 0,3% entre 5 a 12 anos de idade.17 O Center of Disease Control and Prevention (CDC) no ano de 2020 indicou que 1  a cada 36 crianças são diagnosticadas com autismo. No ano de 2021, foram  realizadas 9,6 milhões de atendimentos em ambulatórios, onde 4,1 milhões desses  atendimentos foram voltados para o público infantil de até 10 anos (Figura 1).17-18

Figura 1 – Prevalência de TEA até 2023. 
Fonte: Central of Disease Control, 2020.17-18 

A prevalência do TEA nas últimas décadas, estima-se atualmente em cerca de 1 a  cada 100 crianças, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém os números podem variar de acordo como o país em questão e os contextos  socioeconômicos, onde em casos de aumento da prevalência pode estar relacionado  a melhorias nos critérios diagnósticos e maior uma maior conscientização sobre o TEA  através da educação em saúde.18 

Devido aos grandes números de casos diagnosticados, foram criadas políticas  públicas voltadas ao autismo, como a Lei Berenice Piana – n°12.764/2012, que  promove os direitos à educação e saúde adequada a pessoas com TEA.18-19 

Outra importante política pública voltada para o autismo consiste no Projeto de Lei  n°3.803/2019 que cria a Política Nacional para Educação Especial e Inclusiva para  autistas e pessoas com deficiências, sendo um importante fato para garantir um  atendimento individualizado e desburocratizado para os autistas, pessoas com  deficiência física ou transtornos nas escolas de educação básica, promovendo a  atuação de uma equipe multidisciplinar (com profissionais da terapia ocupacional,  psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição e psicopedagogia). Já no ano de 2020  foi sancionada a Lei n°13.977/2020 conhecida como Lei Romeo Mion, onde criou-se  a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA). 18-19 

O Brasil é composto por centros especializados a pessoas com deficiência, onde  são compostos por 282 centros de Atenção Psicossocial infantil, 2.795 centros de  Atenção Psicossocial e 47 oficinas ortopédicas, sendo disponíveis ao público com TEA.18-19 

3.1.2. Etiologia e fisiopatologia da doença 

O fator etiológico do TEA ainda é desconhecido, porém pesquisas apontam que a  interação de fatores genéticos e ambientais apresentam um maior envolvimento no  diagnóstico de TEA, sendo assim descrito como uma etiologia complexa e  multifatorial.20 

Os fatores genéticos envolvidos podem ser: mutações pontuais, haploinsuficiência  e alteração no número de cópias de genes. Já os fatores ambientais podem ser: idade  avançada dos pais, poluição, traumas durante a gestação, infecções, exposição a  drogas ilícitas e agrotóxicos.20

Estudos indicam que o componente genético apresenta uma grande influência de  alterações genéticas e forte herdabilidade para o TEA, sendo considerado um  distúrbio genético heterogêneo capaz de produzir uma heterogeneidade fenotípica  (características físicas e comportamentais diferentes). Apesar das alterações  genéticas, não há estudos que indicam um biomarcador específico para o TEA.20-21 

A Fisiopatologia do TEA consiste em uma série de alterações do desenvolvimento  do cérebro, podendo ser alterações na conectividade cerebral, anormalidade nas  sinapses e plasticidade neural, desenvolvimento e crescimento cerebral acelerado,  disfunções dos neurotransmissores, alterações em regiões cerebrais específicas  (cerebelo, sistema límbico, córtex pré-frontal), alterações genéticas e epigenéticas,  neuroinflamação e alteração do sistema imunológico.22 

3.1.3. Sinais de alerta e diagnóstico 

Os sinais de alerta do TEA podem aparecer nos primeiros meses de vida, porém o  diagnóstico é confirmado somente após o 2° ano da criança. Os principais sinais de  alerta podem ser dificuldade de comunicação e interação social, seletividade a  cheiros, sabores e texturas de alimentos, comportamentos repetitivos, diminuição do  filtro social, hipersensibilidade sensorial, dificuldade de compreensão e hiperfoco em  temas específicos.22-23 

Os sinais de alerta podem variar conforme o desenvolvimento neuromotor e a  idade da criança, podendo ser observado uma série de comportamentos até os 12  anos.22-23 Os principais sinais de alerta a serem considerados de cada idade podem  ser observados no quadro abaixo (Quadro 1).

Quadro 1 – Principais sinais de alerta do TEA entre 3 e 12 anos.

Fonte: Steigleder, Bosa e Sbicigo24

O diagnóstico é clínico onde envolve diversos profissionais da saúde, sendo  realizado através de observações da criança, entrevistas com os pais/cuidadores e  utilização de escalas de avaliação específicas como Entrevista Diagnóstica para  Autismo – Revisada (ADI-R), Escala de Observação para Diagnóstico do Autismo – Segunda Edição (ADOS-2), Escala de Avaliação de Autismo Infantil (CARS), Lista de  Verificação Modificada para Autismo em Crianças Pequenas – Revisada (M-CHAT-R),  Teste de Avaliação de Tratamento do Autismo (ATEC), Questionário de Triagem para  Autismo (ASQ), Questionário de Comunicação Social (SCQ) e Vineland Adaptive  Behavior Scales. O diagnóstico feito até os quatro anos de idade aumenta as chances  de estimular o desenvolvimento motor e cognitivo da criança.23 

3.2. DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR DE CRIANÇAS COM TEA  ENTRE 3 E 12 ANOS

O desenvolvimento neuropsicomotor de crianças entre 3 e 12 anos com Transtorno  do Espectro Autista (TEA) apresenta diversas variações, podendo ser alterado de  acordo com a gravidade dos sintomas e das áreas afetadas. Zaqueu et al.25 descreve  que a criança com TEA entre essa idade pode apresentar diversas alterações na  interação social, comunicação, cognição e coordenação motora (Quadro 2).

Quadro 2 – Alterações no desenvolvimento neuropsicomotor em crianças de 3 e 12 anos com  Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Fonte: Zaqueu et al.25

As alterações do desenvolvimento neuropsicomotor são individuais, onde cada  criança pode progredir em diversas áreas diferentes, podendo apresentar atrasos  persistentes, sendo necessário a realização de intervenções personalizadas e  adequadas a cada quadro apresentado. As alterações no desenvolvimento  neuropsicomotor podem acarretar em complicações como comprometimento da  motricidade fina e grossa, alterações na postura e equilíbrio devido a  hipotonia/hipertonia, dificuldades de coordenação e planejamento motor (dispraxia),  problemas de sensibilidade sensorial, acarretando em um impacto na socialização e  comportamento, atrasos de linguagem e dependência prolongada de cuidadores.26 

O tratamento é realizado através de uma equipe multidisciplinar composta por  psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e fonoaudiólogos,  visando proporcionar um melhor desenvolvimento neuropsicomotor e melhorar a  qualidade de vida e funcionalidade da criança. 26-27 

3.3. FISIOTERAPIA NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA 

De acordo com Gomes et al.28, a fisioterapia se mostra um tratamento fundamental  para o desenvolvimento neuropsicomotor da criança com TEA. Através da fisioterapia  são tratados os distúrbios de coordenação, motricidade, equilíbrio e globalização, tendo como objetivo melhorar a qualidade de vida, diminuir a dependência funcional  e promover a autonomia durante as atividades diárias.  

O tratamento fisioterapêutico é realizado de forma individual para cada criança,  considerando suas habilidades motoras, cognitivas e sociais. As principais áreas de  atuação da fisioterapia são: Desenvolvimento motor grosso e fino, com o objetivo de  melhorar a coordenação, força muscular, equilíbrio e habilidades motoras finas;  Correção e melhora da postura e equilíbrio com objetivo de ajudar a manter uma  postura adequada e melhorar o controle postural; Integração social visando ajustar a  resposta da criança aos estímulos sensoriais, como toque, som e movimento;  Fortalecimento muscular e melhora da resistência visando aumentar a força e a  resistência muscular; Melhora da coordenação e planejamento motor (práxis), com o  objetivo de desenvolver a capacidade de planejar e executar movimentos complexos;  e a Promoção da interação social e participação em atividades, ajudando a criança a participar de atividades em grupo e a se envolver em brincadeiras com outras crianças  promovendo a independência em atividades diárias e sociais.29-30 

As técnicas e recursos utilizados na fisioterapia com TEA são: Hidroterapia, terapia  de integração social, exercícios de fortalecimento e mobilidade, atividades lúdicas e  recreativas, musicoterapia, equoterapia, psicomotricidade, estimulação sensorial,  treinamento funcional, treinamento de habilidade sociais, Mindfulness e técnicas de  relaxamento.29 

A hidroterapia utiliza a água como um meio terapêutico capaz de promover o  relaxamento, a mobilidade e o fortalecimento, onde a flutuação e pressão da água  ajudam a desenvolver habilidades motoras e de coordenação em crianças com TEA.  A Terapia de Integração Sensorial é focada na adaptação do sistema nervoso à  interpretação de estímulos sensoriais, utilizando estímulos visuais, auditivos e táteis,  proporcionando um controle de reações e estímulos externos.30-31 

Os exercícios de fortalecimento e mobilidade trabalham a musculatura e  articulações, promovendo um melhor desenvolvimento motor e na coordenação,  sendo importante para o tratamento de crianças com TEA que apresentem fraqueza  muscular e dificuldades motoras. Já as atividades lúdicas, recreativas e musicoterapia  são técnicas utilizadas no desenvolvimento de habilidades motoras e de interação  social, onde utilizam brincadeiras, jogos e músicas para estimular a criatividade,  capacidade de cooperação, comunicação, expressão emocional, regulação emocional  e foco da criança.32-33 

A equoterapia é uma técnica utilizando cavalos para a promoção do equilíbrio,  coordenação e fortalecimento muscular, desenvolvendo também a percepção  espacial e habilidades sociais da criança, onde a interação com o animal auxilia na redução do estresse e da ansiedade. A Psicomotricidade envolve atividades de  consciência corporal e movimento, proporcionando um melhor desenvolvimento de  habilidades motoras e percepção espacial, sendo essenciais para a autonomia da  criança com TEA.34-35 

A estimulação sensorial também são técnicas de estímulo sensorial onde auxiliam  a criança no entendimento de diferentes estímulos, se mostrando importante no  tratamento de crianças com hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos  sensoriais. O treinamento funcional e de habilidade sociais são técnicas que  trabalham o movimento e as habilidades de interação e comunicação, reproduzindo  assim as atividades diárias auxiliando na independência e no desenvolvimento de  habilidades motoras e cognitivas da criança.36-37 

Por fim, as técnicas de Mindfulness e de relaxamento auxiliam no controle  emocional, promovendo a calma e reduzindo a ansiedade e o estresse, sendo umas  das técnicas mais importantes no tratamento das crianças com TEA, pois auxilia na  autorregulação emocional.38-39 

A fisioterapia deve ser realizada de forma precoce, visto que o desenvolvimento  motor da criança está intimamente ligado ao desenvolvimento cognitivo e social. A  realização do tratamento fisioterapêutico precoce auxilia na prevenção do  agravamento de dificuldades motoras, facilitando a aprendizagem e a adaptação ao  ambiente escolar e social. Visto isso, entende-se que o papel da fisioterapia é  multidimensional, onde são abordadas questões físicas, sensoriais, emocionais e  sociais da criança, melhorando assim a sua qualidade de vida.40 

As intervenções fisioterapêuticas são essenciais para uma melhor qualidade de  vida na criança com TEA, porém apresenta desafios e limitações que afetam sua  eficácia. Os principais desafios consistem nas barreiras de adesão ao tratamento,  onde muitas famílias apresentam dificuldades na realização do acompanhamento  fisioterapêutico devido ao elevado custo, impedindo assim a criança em dar  continuidade no tratamento.41-42 

Outras dificuldades no tratamento consistem nas limitações específicas das  técnicas fisioterapêuticas, visto que as terapias como equoterapia e hidroterapia  exigem instalações e profissionais específicos, além de serem técnicas de alto custo  e com limitações de acesso geográfico. A resposta ao tratamento varia  significativamente, onde exige adaptações constantes no protocolo fisioterapêutico e  estratégias realizadas, representando-se também um desafio ao profissional da  saúde.43 

Esses desafios demandam esforços contínuos para tornar as terapias mais  acessíveis e para adaptar as intervenções às características únicas de cada criança.  Na ampliação do conhecimento e possibilidade de tratamento, contribui-se para uma  abordagem cada vez mais abrangente e efetiva na fisioterapia para o TEA,  beneficiando as crianças e seus familiares.44-45

4. METODOLOGIA 

Trata-se de uma Revisão de Literatura de caráter qualitativo, realizado pelo curso  de Graduação em Fisioterapia da Universidade Iguaçu (UNIG), visando abordar os  efeitos do tratamento fisioterapêutico em crianças com Transtorno do Espectro Autista  (TEA) entre 3 e 12 anos através da literatura científica nacional e internacional. 

A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados da Scientific Electronic  Library Online (SciELO), Cochrane Library e PubMed. Os idiomas utilizados para a  seleção dos estudos foram inglês, português e espanhol, abrangendo artigos  publicados entre 2015 a 2025.  

Foram utilizados os descritores “Fisioterapia / Physiotherapy”, “Transtorno do  Espectro Autista” / “Autism Spectrum Disorder”, “Crianças / Children”, através dos  operadores booleanos “AND” e “OR”. O conjunto de operadores booleanos foram  estruturados da seguinte forma: (“Fisioterapia” OR “Physiotherapy”) AND (“Transtorno  do Espectro Autista” OR “Autism Spectrum Disorder”) AND (“Crianças” OR “Children”). 

Os artigos obtidos após as buscas foram selecionados inicialmente após a  aplicação dos critérios de elegibilidade, em seguida foram separados a partir da leitura  de títulos e resumos, finalizando após a leitura dos artigos na íntegra. 

Os critérios de inclusão selecionados foram publicações dos últimos 10 anos para  garantir uma atualidade no tema, que bordem intervenções fisioterapêuticas  especificamente voltadas para crianças com TEA, compostas por crianças na faixa  etária entre 3 e 12 anos, que descrevam métodos de avaliação ou resultados sobre a  eficácia dos recursos fisioterapêuticos, publicados nos idiomas selecionados,  gratuitos e completos.  

Já os critérios de exclusão foram estudos com população que inclui outras  condições além do TEA sem separar os resultados por condição, que abordem  intervenções para crianças fora da faixa etária escolhida, estudos não aplicados em  seres humanos ou revisões de literatura, estudos sem descrição detalhada do método  fisioterapêutico ou que não foquem especificamente em técnicas fisioterapêuticas,  publicados fora dos idiomas selecionados, pagos e incompletos. 

5. RESULTADOS 

A busca inicial dos artigos foi realizada nos bancos de dados Scientific Electronic  Library Online (n=30), Cochrane Library (n=17) e PubMed (n=19), onde, ao total, resultou na obtenção de 66 artigos. Esses artigos foram submetidos a aplicação dos  critérios de elegibilidade, onde foram excluídos 16 por não se encaixarem nos critérios  selecionados.  

Restaram 50 artigos para serem submetidos a leitura de títulos e resumo, sendo  excluídos 27 por não se apresentarem ao menos um dos descritores selecionados.  Restaram 23 para a leitura completa, onde foram excluídos 19 por não apresentarem  resultados satisfatórios e relevância ao estudo. Ao final, foram selecionados 11 artigos para  esta pesquisa. O processo de delimitação dos estudos pode ser observado na figura  a seguir (Figura 2). 

Figura 2 – Banco de dados e artigos selecionados.
Fonte: Os autores.

Após avaliação dos artigos e levantamento bibliográfico, realizando uma leitura analítica apresentam-se como resultados 11 artigos que abordam a fisioterapia e a sua atuação na criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O resultado apresentado  refere-se a estudos de diferentes abordagens científicas (Quadro 3).

Quadro 3 – Artigos selecionados para análise.

6. DISCUSSÃO 

Ao total, foram selecionados 11 artigos publicados entre 2015 e 2025, com o intuito  de descrever as principais terapias e condutas utilizadas no tratamento de crianças  com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).  

O estudo de Karim e Mohammed (2015)56 evidencia a relevância da terapia de  integração sensorial como uma estratégia eficaz para o desenvolvimento motor de  crianças com Transtornos do Espectro Autista (TEA). Os resultados obtidos, ao  compararem os valores médios pré e pós-tratamento pela Escala de Desenvolvimento  Motor Peabody (PDMS-2), demonstraram uma melhora significativa tanto nas  habilidades motoras grossas quanto finas, reforçando a hipótese de que intervenções  focadas no processamento perceptual e sensorial podem atenuar limitações  funcionais associadas ao autismo. A realização de sessões regulares ao longo de seis  meses não apenas contribuiu para o aprimoramento das capacidades motoras, mas  também promoveu maior independência das crianças ao lidar com atividades diárias.  Esses achados corroboram a importância de integrar a terapia sensorial aos planos  terapêuticos, destacando seu potencial em fortalecer a interação e o funcionamento  neurológico, aspectos frequentemente comprometidos em crianças com TEA. 

Já os estudos de Steiner e Kertesz (2015)55, Gabriels et al. (2015)54, Bender e  Guarany (2016)53 e Souza et al. (2023)47 descreveram a atuação da equoterapia no  tratamento de crianças autistas. O estudo de Steiner e Kertesz (2015)55 envolveu 26  crianças de uma escola de necessidades especiais, com 12 meninos e 14 meninas, e  utilizou a análise da caminhada como método para avaliar a coordenação motora  antes e depois de um mês de terapia. Através da comparação de dados coletados  antes e após o período terapêutico, observou-se uma melhora significativa na  estabilidade da marcha, especialmente no plano sagital. Além disso, a análise de  habilidades mentais, com o uso do teste Pedagogical Analysis and Curriculum (PAC),  mostrou avanços nas áreas de comunicação, autocuidado, habilidades motoras e  socialização. 

Os resultados de Gabriels et al. (2015)54 oferecem evidências de que a equoterapia pode ser uma intervenção eficaz para melhorar aspectos do comportamento, cognição  social e habilidades de comunicação em crianças com TEA. As melhorias  significativas observadas nos comportamentos de irritabilidade e hiperatividade, junto com os avanços na cognição social e na comunicação, indicam que a equoterapia pode ser um recurso valioso no manejo dos sintomas do TEA. O fato de os efeitos  começarem a ser percebidos a partir da quinta semana da intervenção sugere que a  equoterapia tem um impacto gradual e duradouro, o que pode refletir a construção de  habilidades ao longo do tempo. Esses resultados se alinham com outras pesquisas  sobre equoterapia, reforçando a possibilidade de que a equoterapia seja uma  alternativa terapêutica relevante para crianças com TEA, especialmente quando  combinada com abordagens convencionais.  

Bender e Guarany (2016)53 complementam que ao comparar crianças e  adolescentes praticantes e não praticantes de equoterapia, identificou diferenças  significativas no desempenho funcional, especialmente nas áreas de autocuidado e  mobilidade, conforme avaliação feita pelo PEDI. Esses resultados sugerem que a  equoterapia pode ter um impacto positivo em aspectos funcionais fundamentais para  a autonomia dessas crianças. Contudo, a ausência de diferenças no desempenho  funcional observadas pela MIF indica que, para algumas áreas, os efeitos podem não  ser tão evidentes, o que ressalta a necessidade de mais investigações para  compreender a totalidade dos benefícios da equoterapia. 

Souza et al. (2023)47, obtiveram seus resultados a partir de um estudo exploratório  em 4 crianças com TEA onde demonstrou que a intervenção com cavalos resultou em  melhorias significativas nas áreas de autocuidado, mobilidade e funcionamento social,  conforme evidenciado pela avaliação utilizando o Inventário de Avaliação Pediátrica  de Incapacidade (PEDI). Os dados mostraram aumentos significativos nas  pontuações de autocuidado, mobilidade e funcionamento social, sugerindo que a  Equoterapia pode ser uma ferramenta valiosa na promoção de progresso funcional e  motor para crianças com TEA.  

Os estudos47-53-55 destacam a eficácia da equoterapia no tratamento de crianças  com TEA, embora com enfoques diferentes. Steiner e Kertesz (2015)55 observaram  melhorias na coordenação motora e habilidades mentais após um mês de terapia.  Gabriels et al. (2015)54 notaram avanços significativos no comportamento, cognição  social e comunicação, com efeitos percebidos a partir da quinta semana. Bender e  Guarany (2016)53 identificaram impactos positivos no desempenho funcional, mas com  resultados variáveis em algumas áreas. Souza et al. (2023)47 destacaram melhorias  no autocuidado, mobilidade e funcionamento social, sugerindo benefícios gerais da equoterapia. Todos os estudos indicam que a equoterapia pode ser uma ferramenta  valiosa, especialmente quando combinada com outras abordagens terapêuticas. 

Toscano, Carvalho e Ferreira (2018)50 realizaram outro tipo de tratamento,  utilizando exercícios físicos para a melhora da qualidade do sono e nas funções de  crianças com TEA. Os resultados deste estudo indicam que uma intervenção de  exercícios de 48 semanas tem efeitos positivos significativos em crianças com TEA,  tanto nas funções metabólicas quanto em traços de autismo e qualidade de vida  percebida. O grupo experimental, que participou da intervenção, apresentou melhorias  no perfil lipídico, incluindo aumento do colesterol de lipoproteína de alta densidade  (HDL) e redução do colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL) e colesterol  total, o que sugere um impacto positivo na saúde metabólica. Além disso, as melhorias  observadas nos traços de autismo e na qualidade de vida, conforme relatado pelos  pais, indicam que a prática regular de exercícios, como coordenação e força, pode ser  uma ferramenta terapêutica eficaz para mitigar aspectos do TEA.  

Tse et al. (2019)49 complementam o estudo acima, onde evidencia que a prática  de atividade física tem um impacto positivo na qualidade do sono e na função  executiva de crianças com TEA, especialmente na eficiência do sono, latência do  início do sono e duração do sono. O grupo de intervenção apresentou melhorias  significativas em comparação ao grupo controle, indicando que a atividade física pode  ser uma estratégia eficaz para mitigar distúrbios do sono comuns em crianças com  TEA. No entanto, os achados relacionados à função executiva mostraram resultados  mistos, com melhorias no controle inibitório, mas sem mudanças significativas na  memória de trabalho, sugerindo que tipos específicos de atividade física podem ser  necessários para melhorar de maneira mais ampla as funções executivas.  

Ferreira et al. (2016)52 utilizaram técnicas em seu estudo de fisioterapia para o  atendimento de crianças com TEA. A partir dos resultados obtidos, observou-se que a  fisioterapia desempenhou um papel positivo no desenvolvimento motor e na  independência funcional das crianças autistas avaliadas. O aumento das pontuações  na MIF após o tratamento sugere que, mesmo em casos de autismo grave, houve  progresso na realização de atividades diárias com menor dependência de cuidadores.  A regularidade das sessões e o atendimento individualizado parecem ter contribuído  diretamente para esses avanços, destacando a fisioterapia como um recurso terapêutico relevante para ampliar a qualidade de vida e a autonomia de crianças com  autismo.  

O ensaio clínico randomizado de El Shemy e El-Sayed (2018)51 mostrou a  utilização da a técnica de indicação rítmica auditiva, onde demonstrou que quando  integrada ao treinamento de marcha, potencializa significativamente a melhora das  habilidades motoras brutas em crianças com autismo, em comparação ao programa  de fisioterapia isolado. Ambos os grupos apresentaram progressos em coordenação  bilateral, equilíbrio, velocidade e agilidade de corrida, além de força muscular,  evidenciando a eficácia geral das intervenções fisioterapêuticas. No entanto, as  melhorias mais acentuadas observadas no grupo submetido à estimulação auditiva  rítmica reforçam a hipótese de que estímulos sensoriais auditivos podem  desempenhar um papel crucial na modulação do controle motor dessas crianças.  

Mills et al. (2020)48 realizaram em sua pesquisa, um tratamento de 8 semanas com  8 crianças entre 6 a 12 anos utilizando técnicas de hidroterapia. A técnica mostrou-se  uma intervenção promissora para promover melhorias nos comportamentos que  impactam a saúde mental e o bem-estar de crianças com TEA. Os resultados  evidenciaram reduções significativas nos escores relacionados à  ansiedade/depressão, problemas internalizantes, pensamento e atenção, com  tamanhos de efeito substanciais, sugerindo que a atividade aquática estruturada pode  desempenhar um papel positivo no equilíbrio emocional e nas funções cognitivas  dessas crianças. Assim, este estudo reforça a importância da incorporação da  hidroterapia como estratégia complementar no manejo clínico do TEA, visando à  promoção de saúde mental e qualidade de vida. 

Finalizando, Arabi e Kakhki (2025)46 desenvolveu um estudo recente, onde  comparou os efeitos de exercícios motores finos, grossos e fino-grossos em crianças  autistas, visando descrever suas competências motoras. Participaram 60 crianças,  distribuídas aleatoriamente em três grupos experimentais e um grupo controle. Os  grupos experimentais realizaram intervenções específicas durante 3 meses. Os  resultados indicaram que os grupos que realizaram exercícios de motricidade grossa  e de motricidade combinada (grosso-fina) apresentaram melhora significativa nas  competências motoras. No entanto, o grupo que realizou exercícios combinados  demonstrou os melhores resultados tanto no pós-teste quanto no acompanhamento,  com avanços em habilidades motoras grossas e finas. Em síntese, os estudos revisados reforçam a importância de abordagens  terapêuticas diversificadas e personalizadas no tratamento de crianças com TEA. A  combinação de intervenções sensoriais, motoras e físicas demonstrou impactos  positivos em múltiplas dimensões (motoras, cognitivas e emocionais) ressaltando a  relevância de estratégias integrativas para potencializar o desenvolvimento global  dessas crianças. A continuidade das pesquisas, aliada à interdisciplinaridade das  ações terapêuticas, é essencial para ampliar o conhecimento científico e consolidar  práticas clínicas cada vez mais eficazes.

7. CONCLUSÃO 

Este trabalho permitiu uma compreensão ampla dos recursos fisioterapêuticos  aplicados ao tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA),  destacando a relevância de técnicas como a terapia de integração sensorial,  equoterapia, hidroterapia, exercícios físicos e métodos fisioterapêuticos específicos.  Os estudos analisados demonstraram avanços significativos no desenvolvimento  motor, nas habilidades de comunicação, no comportamento social e na qualidade de  vida das crianças, reforçando a fisioterapia como uma ferramenta terapêutica  essencial para promover a autonomia e o bem-estar dos pacientes com TEA. 

Ao analisar a eficácia dos recursos fisioterapêuticos mais utilizados no tratamento,  os estudos apontam para resultados positivos e significativos. A equoterapia, por  exemplo, mostrou-se eficaz no estímulo ao controle postural e no aumento da atenção  e socialização. Já a hidroterapia promove ganhos motores, melhora na coordenação  e proporciona relaxamento corporal, sendo especialmente útil para crianças com  sensibilidade sensorial exacerbada. A terapia de integração sensorial, por sua vez,  demonstrou avanços na organização dos estímulos e no comportamento adaptativo.  

Contudo, apesar dos resultados promissores, constatou-se a necessidade de  ampliar as pesquisas sobre a eficácia a longo prazo dessas intervenções, bem como  a busca por abordagens personalizadas que considerem a individualidade de cada  criança. A falta de homogeneidade nos métodos de avaliação e a escassez de ensaios  clínicos randomizados limitam uma compreensão mais aprofundada sobre quais  técnicas apresentam maior impacto em diferentes aspectos do desenvolvimento  infantil. Dessa forma, é imprescindível que novos estudos sejam realizados,  incorporando amostras mais amplas e metodologias robustas. 

Portanto, a continuidade das pesquisas é fundamental para fortalecer as  evidências científicas acerca dos recursos fisioterapêuticos no tratamento de crianças  com TEA. Investir em investigações clínicas e multidisciplinares aprimora a prática  fisioterapêutica e oferece suporte às famílias, contribuindo para estratégias  terapêuticas mais eficazes e integradas. Assim, é possível avançar na construção de  um cuidado centrado nas necessidades individuais e uma melhor qualidade de vida.

REFERÊNCIAS 

1. Onzi, FZ; Gomes, RF. Transtorno do Espectro Autista: A importância do  diagnóstico e reabilitação. Caderno Pedagógico. 2015; 12(3): 188-199.  

2. Salgado, NDM; Pantoja, JC; Viana, RPF; Pereira, RGV. Autism Spectrum  Disorder in Children: A Systematic Review of the Increasing Incidence and  Diagnosis. Research, Society and Development. 2022; 11(13): 1-17. 

3. Araújo, HS; Júnior, UML.; Sousa, MNA. Atuação Multiprofissional no manejo do  Transtorno do Espectro Autista. Contemporary Journal. 2022; 2(3): 46-68.  

4. Schmidt, C. Transtorno do espectro autista: onde estamos e para onde  vamos. Psicologia em Estudo. 2017; 22(2): 221-230. 

5. Steyer, S; Lamoglia, A; Bosa, CA. A Importância da Avaliação de Programas de  Capacitação para Identificação dos Sinais Precoces do Transtorno do Espectro  Autista–TEA. Trends in Psychology. 2018; 26(1): 1395-1410. 

6. Carvalho, FA; Paula, CS; Teixeira, MCT. V. et al. Rastreamento de Sinais  Precoces de Transtorno do Espectro do Autismo em Crianças de Creches de um  Município de São Paulo. Revista Psicologia: Teoria e Prática. 2013; 15(2): 144- 154. 

7. Gaiato, M. S.O.S Autismo: Guia Completo para Entender o Transtorno do  Espectro Autista. São Paulo: nVersos Editora; 2018. 92 p. 

8. Silva, CC; Elias, LCS. Instrumentos de Avaliação no Transtorno do Espectro  Autista: Uma Revisão Sistemática. Aval. Psicol. 2020; 19(2): 189-197. 

9. Neves, LT; Spillari, LG; Fernandes, TRL; Catelan-Mainardes, SC. Autismo e seus  impactos no Desenvolvimento Neuropsicomotor. Revista Foco (Interdisciplinary  Studies Journal). 2020; 17(5): 1-10. 

10.Reis, DA; Almeida, KFA; Alfieri, MSS; Castro, GG. O Impacto dos Transtornos de  Ansiedade na Qualidade de Vida de Pessoas com TEA: Uma Revisão  Narrativa. Cadernos de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento.  2023; 23(1): 60-76. 

11.Gaia, BLS; Freitas, FGB. Atuação da fisioterapia em crianças com Transtorno do  Espectro Autista (TEA): Uma revisão de literatura. Revista Diálogos em Saúde. 2022; 5(1): 11-24. 

12.Oliveira, EM; Gonçalves, FTD; Magalhães, MM; Nascimento, HMS; Carvalho,  ICV; Lemos, AVL. et al. O impacto da Psicomotricidade no tratamento de crianças  com transtorno do Espectro Autista: revisão integrativa. Electronic Journal  Collection Health. 2019; 34(1):1-7. 

13.Santos, GTS; Mascarenhas, MS; Oliveira, EC. A contribuição da fisioterapia no  desenvolvimento motor de crianças com transtorno do espectro autista. Cadernos de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento.  2021; 21(1): 129-143. 

14.Montenegro, MA; Celeri, EHRV; Casella, EB. Transtorno do Espectro Autista TEA: manual prático de diagnóstico e tratamento. Thieme Revinter  Publicações LTDA; 2018. 144 p. 

15.Vasconcelos, AF; Freires, KCP; Gomes, LES; Carvalho, STA; Pontes, RJS. Implicações Histórico-Sociais Do Transtorno Do Espectro Autista. Boletim de  Conjuntura (BOCA). 2023; 15(43): 221-243.  

16.Martins, IS; Pereira, GR. O Ensino de Ciências para crianças com Transtorno do  Espectro Autista sob a perspectiva histórico-cultural. Revista Ciências & Ideias.  2021; 1(1): 19-34.  

17.Fontes, BMC; Souza, CB. Transtorno do espectro autista (TEA): da classificação  genética ao diagnóstico molecular. SaBios-Revista de Saúde e Biologia. 2022;  17(1):1-9. 

18.Parraga, GCV; Rodríguez, JDC; Mayano, DMC; Guaycha, AGL. Síndrome de  Asperger. RECIMUNDO: Revista Científica de la Investigación y el  Conocimiento. 2019; 3(4): 416-433.  

19.Almeida, ML; Neves, AS. A popularização diagnóstica do Autismo: uma falsa  epidemia? Psicol. Cienc. Prof. 2020; 40(1): 1-12.  

20.Alvim, RJ. Perfil epidemiológico do Transtorno do Espectro Autista na  população pediátrica em um hospital terciário do estado do Rio de Janeiro. [dissertação]. Rio de Janeiro: Pós-graduação em Pesquisa Aplicada à Saúde da  Criança e da Mulher; Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do  Adolescente Fernandes Figueira. 132 p. 

21.Griesi-Oliveira, K; Sertié, AL. Transtornos do espectro autista: um guia atualizado  para aconselhamento genético. Einstein (São Paulo). 2017; 15(1): 233-238. 

22.Ribeiro, TC. Epidemiologia do transtorno do espectro do autismo:  rastreamento e prevalência na população. [Tese] São Paulo: Doutorado em  Ciências; Universidade de São Paulo. 139 p. 

23.Saraiva, RF; Freire, RVS; Frazão, MA; Muniz, JS; Souza, LCB. Transtorno do  Espectro Autista (TEA): Etiologia, Diagnóstico e Intervenções Terapêuticas: Uma  Revisão Bibliográfica da Literatura. Revista Ibero-Americana de Humanidades,  Ciências e Educação. 2024; 10(8): 2281-2291. 

24.Steigleder, BG; Bosa, CA; Sbicigo, JB. Sinais de alerta para transtorno do  espectro autista: evidências de validade do PROTEA-R-NV. Avaliação  Psicológica. 2021; 20(3): 331-340.

25.Silva, ARCE; Batista, DCA. Distúrbios comportamentais associados ao transtorno  do espectro autista (TEA)-tratamento farmacológico e o manejo clínico de  reações adversas. Revista Multidisciplinar do Sertão. 2022; 4(3): 276-285. 

26.Steigleder, BG; Bosa, CA; Sbicigo, JB. Sinais de alerta para transtorno do  espectro autista: evidências de validade do PROTEA-R-NV. Avaliação  Psicológica. 2021; 20(3): 331-340.  

27.Hanna, LMO; Sousa, FEA; Roledo, GL; Alves, BWG; Vale, SL; Silva, CHS. et al. Cartilha educativa sinais de alerta para o Transtorno do Espectro Autista TEA. Seven Editora. 2024; 1(1): 537-559. 

28.Mercado, WI. TEA – Diagnóstico precoce com reflexos na qualidade de vida da  criança e da família. Research, Society and Development. 2022; 11(15): 1-10. 

29.Costa, GON; Abreu, CRC. Os benefícios do uso de psicofármacos no tratamento  de indivíduos com transtorno do espectro autista (TEA): revisão  bibliográfica. Revista JRG de Estudos Acadêmico. 2021; 4(8): 240-251. 

30.Reis, ST; Lenza, N. A Importância de um diagnóstico precoce do autismo para um  tratamento mais eficaz: uma revisão da literatura. Revista Atenas Higeia. 2020;  2(1): 1-7.  

31.Gomes, AVSM. Assis, SC; Daltro, MCSL. A Perspectiva dos Pais Sobre o  Tratamento Fisioterapêutico no Desenvolvimento Motor de Crianças com  Transtorno do Espectro Autista (TEA). Revista Centro Universitário UNIFIB.  2024; 15(1):4709-4725. 

32.Santos, LF; Gigonzac, MAD; Gigonzac, TCV. Estudo das Principais Contribuições  da Fisioterapia em Pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)  diagnosticados. Anais do IV Congresso de Ensino, Pesquisa e Extensão da  Universidade Estadual de Goiás. 2017; 4(1): 1-9. 

33.Carmo, CV; Silva, RB; Araújo, MG. Intervenção fisioterapêutica no tratamento de  crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA): Revisão de Literatura.  Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação. 2023;  9(11): 1-16. 

34.Martins, IRR; Motta, OJR. A equoterapia como tratamento para crianças com  Transtorno do Espectro Autista (TEA): Revisão bibliográfica. SAÚDE DINÂMICA.  2022; 4(1): 18-31.  

35.Nunes, LP; Moretto, SS; Araoz, SMM. Os princípios da psicomotricidade em  pacientes com Transtorno do Espectro Autista-TEA: Eficácia fisioterapêutica. NATIVA-Revista de Ciências, Tecnologia e Inovação. 2021;  1(1): 21-28.  

36.Martins, JS; Leão, AT; Camargo, SPH. Utilização de estímulos sensoriais táteis  nas atividades pré escolares de uma criança com TEA. Revista GepesVida.  2020; 6(14): 31-41.

37.Valente, JVGP; Barbosa, JM; Marcondes, MF; Junqueira, CGS. Efeitos do  treinamento funcional sobre a coordenação motora de crianças e  adolescentes com Transtorno do Espectro Autista. In: Congresso de  Educação Física de Volta Redonda; 2023. p. 1-12. 

38.Rojas-Torres, LP; Alonso-Esteban, Y; Alcantud-Marín, F. Mindfulness parenting y  juego infantil: un ensayo clínico con padres de niños con trastornos del espectro  del autismo. Psicothema. 2023; 35(3): 259-270.  

39.Oliveira, DM; Neto, ROC; Souza, DCP. et al. Abordagens Avançadas no  Tratamento do Transtorno do Espectro Autista. Brazilian Journal of  Implantology and Health Sciences. 2024; 6(9):564-582. 

40.Daltro, MCSL. Intervenção fisioterapêutica no Transtorno do Espectro Autista.  Fisioterapia Brasil. 2018; 19(5): 266-271. 

41.Gomes, P; Lima, LHL; Bueno, MKG. et al. Autismo no Brasil, desafios familiares e  estratégias de superação: revisão sistemática. Jornal de pediatria, v. 91, p. 111- 121, 2015. 

42.Sifuentes, M; Bosa, CA. Criando pré-escolares com autismo: características e  desafios da coparentalidade. Psicologia em estudo. 2010; 15(1): 477-485. 

43.Silveira, NMG; Santos, LKF; Stascxak, FM. Os desafios das crianças com  autismo à Educação Inclusiva. Ensino em Perspectivas. 2021; 2(4): 1-12.  

44.Souza, CB; Moreno, GHM. Impacto do diagnóstico tardio e sua relação com  disfunções posturais, sensoriais, tempo de tratamento fisioterapêutico e nível de  suporte em pacientes autistas. Cuadernos de Educación y Desarrollo. 2024;  16(10): 1-18. 

45.Barbosa, MM; Raimundo, RJS. Benefícios da fisioterapia no desenvolvimento  motor da criança com transtorno do espectro autista. Revista JRG de Estudos  Acadêmicos. 2024; 7(14): 1-9. 

46.Arabi, SM; Kahki, AS. Comparing the effects of fine, gross, and fine-gross motor  exercises on the motor competence of 6-12 year-old autistic children: A quasi experimental study with a follow-up test. Acta Psychol (Amst). 2025; 254(1):  104842. 

47.Souza, GSO; Costa, MEB; Silva, S; Paula, VLP; Marques, DL. Benefícios da  equoterapia em crianças autistas com déficit motor. Revista Perspectivas  Online: Biológicas & Saúde. 2023; 13(44): 19-30.  

48.Mills, W; Kondakis, N; Orr, R; Warburton, M; Milne, N. Does Hydrotherapy Impact  Behaviours Related to Mental Health and Well-Being for Children with Autism  Spectrum Disorder? A Randomised Crossover-Controlled Pilot Trial. Int J  Environ Res Public Health. 2020; 17(2): 558-560.

49.Tse, CYA; Lee, HP; Chan, KSK; Edgar, VB; Wilkinson-Smith, A; Lai, WHE.  Examining the impact of physical activity on sleep quality and executive functions  in children with autism spectrum disorder: A randomized controlled trial. Autism.  2019; 23(7): 1699-1710. 

50.Toscano, CVA; Carvalho, HM; Ferreira, JP. Exercise Effects for Children With  Autism Spectrum Disorder: Metabolic Health, Autistic Traits, and Quality of Life. Percept Mot Skills. 2018; 125(1): 126-146.  

51.El-Shemy, S; El-Sayed, MS. The impact of auditory rhythmic cueing on gross  motor skills in children with autism. J Phys Ther Sci. 2018; 30(8): 1063-1068. 

52.Ferreira, JTC; Mira, NF; Carbonero; Campos, D. Efeitos da fisioterapia em  crianças autistas: estudo de séries de casos. Cad. Pós-Grad. Distúrb.  Desenvolv. 2016; 16(2): 24-32. 

53.Bender, DD; Guarany, NR. Efeito da equoterapia no desempenho funcional de  crianças e adolescentes com autismo. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 2016;  27(3): 271-277.  

54.Gabriels, RL; Pan, Z; Dechant, B; Agnew, JA; Brim, N; Mesibov, G. Randomized  Controlled Trial of Therapeutic Horseback Riding in Children and Adolescents  With Autism Spectrum Disorder. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2015;  54(7): 541-549. 

55.Steiner, H; Kertesz, ZS. Effects of therapeutic horse riding on gait cycle  parameters and some aspects of behavior of children with autism. Acta Physiol  Hung. 2015; 102(3): 324-335. 

56.Karim, AEA; Mohammed, AH. Effectiveness of sensory integration program in  motor skills in children with autism. Egyptian Journal of Medical Human  Genetics. 2015; 16(4): 375-380.