REABILITAÇÃO ORAL DE PACIENTE COM COMUNICAÇÃO NASOPALATINA UTILIZANDO PRÓTESE OBTURADORA PROVISÓRIA: RELATO DE CASO

ORAL REHABILITATION OF A PATIENT WITH NASOPALATINE COMMUNICATION USING A TEMPORARY OBTURATOR PROSTHESIS – CASE REPORT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202509261534


Letícia Bento de Castro Inácio¹, Viviane Rodrigues Matias², Orientadora: Profa. Ma. Caren Cristine da Silva Batista³, Nicolly Almeida de Melo4, Lothar Matheus Antunes Schossing5, Marcos Gabriel Silveira Modesto6, Ilza Caixeta Camargo7


RESUMO

Introdução: A utilização de próteses obturadoras é essencial no processo de reabilitação oral, especialmente em casos em que há perda considerável da estrutura do palato devido a defeitos congênitos ou resultados de uma reabilitação cirúrgica. Este relato de caso com caráter intervencional tem como objetivo apresentar a confecção de uma prótese obturadora utilizando materiais de moldagem do tipo elastômero, com métodos apropriados à condição clínica do paciente do sexo masculino que possui comunicação nasopalatina. A escolha pela confecção da prótese obturadora provisória visa atender, de forma imediata, às demandas estéticas e funcionais do paciente. A metodologia empregada envolverá a utilização de materiais de moldagem, dentes de estoque e resina acrílica. Entre os resultados esperados estão uma boa adaptação da prótese obturadora, funcionalidade oclusal e estética positiva para o paciente, além do aprimoramento da fonação. Serão observados fatores como a retenção da prótese e possíveis intercorrências, como fatores antiestéticos, desconforto, deslocamento, instabilidade e disfuncionalidade oclusal. Conclui-se que a técnica descrita representa uma boa alternativa para a reabilitação temporária em pacientes que possuem comunicação nasopalatina, promovendo conforto e satisfação estética.

Palavras-Chave: Prótese obturadora, comunicação nasopalatino, prótese dental, fissura palatina

ABSTRACT

Introduction: The use of obturator prostheses is essential in the oral rehabilitation process, especially in cases where there is considerable loss of palatal structure due to congenital defects or results of surgical rehabilitation. This interventional case report aims to present the construction of an obturator prosthesis using elastomer-type molding materials, with methods appropriate to the clinical condition of a male patient with nasopalatine communication. The choice to manufacture a temporary obturator prosthesis aims to immediately meet the aesthetic and functional demands of the patient. The methodology employed will involve the use of molding materials, stock teeth and thermopolymerizable acrylic resin. Expected results include good adaptation of the obturator prosthesis, occlusal functionality and positive aesthetics for the patient, in addition to improved phonation. Factors such as prosthesis retention and possible complications, such as anti-aesthetic factors, discomfort, displacement, instability and occlusal dysfunction, will be observed. It is concluded that the technique described represents a good alternative for temporary rehabilitation in patients with nasopalatine communication, promoting comfort and aesthetic satisfaction.

keywords: obturator prosthesis, nasopalatine communication, dental prosthesis, cleft palate

INTRODUÇÃO

A confecção de uma prótese obturadora tem um papel essencial na reabilitação oral de um paciente que possui conexão nasopalatina, sendo crucial tanto para a funcionalidade quanto para a aparência do indivíduo. Segundo Toledo et al. (2019), a prótese obturadora é uma boa solução para quem tem defeitos no palato, pois ajuda a selar a abertura entre as cavidades, protege os tecidos da região afetada e melhora tanto as funções quanto a aparência, contribuindo para a reintegração do paciente à vida social.

De acordo com Colvenkar et al. (2023), a reabilitação protética em pacientes com fissura labial e palatina é frequentemente indispensável devido à ausência de dentes, alterações na crista alveolar, má oclusão, defeitos residuais e discrepâncias entre os arcos maxilar e mandibular. Existem diversos métodos de reabilitação protética disponíveis para os pacientes, que variam desde próteses fixas ou removíveis não cirúrgicas, até opções cirúrgicas com suporte de implantes. A escolha do tratamento depende de fatores como a extensão do defeito, a quantidade de dentes restantes e o suporte ósseo disponível. Pacientes que apresentam deficiência de tecido, fístulas múltiplas, disfunção do palato mole ou ação descoordenada do esfíncter nasofaríngeo, que resulta em fala hipernasal, são especialmente indicados para o uso de próteses parciais removíveis.

No quesito qualidade de vida, uma pesquisa feita por Toyoshima et al. (2022) com 52 pessoas, cerca de quarenta e seis participantes relataram experiências negativas antes do uso da prótese parcial fixa, enquanto 48 indicaram uma melhoria na qualidade de vida 30 dias após a entrega da prótese. Todos os domínios avaliados mostraram melhorias significativas na qualidade de vida quando comparados os dois períodos.

Segundo LEIVA et al. (2017), os pacientes cujo a comunicação não pode ser corrigida com cirurgia precisam de uma prótese que funcione como um selante. A presença dessa abertura afeta a qualidade de vida, dificultando a alimentação, a estética e as relações sociais.

Mesmo com os avanços da Medicina em termos de novos materiais e técnicas, a reabilitação cirúrgica em pacientes que possuem comunicação nasopalatino continua sendo um desafio. Em conformidade com Leiva et al. (2017), embora a cirurgia primária resolva grande parte da anomalia, em alguns casos a comunicação entre as cavidades oral e nasal persiste. Isso torna o fechamento cirúrgico mais difícil, e em algumas situações, impossível. Nesses casos, o uso de uma prótese para selar a fístula oferece uma solução de baixo custo, com bons resultados a curto e médio prazo.

Além de devolver a função e a estética em pessoas que possuem comunicação nasopalatina por malformação congênita, as próteses obturadoras são igualmente importantes para indivíduos que se encontram no período cicatricial após cirurgia de maxilectomia parcial por excisão de tumores malignos no palato, sendo uma solução de forma imediata. De acordo com Costa et al. (2021), a prótese obturadora ajuda a reduzir o tempo de uso da sonda nasogástrica, pois fecha a comunicação entre a boca e o seio, permitindo que o paciente volte a se alimentar pela via oral.

O objetivo do estudo é realizar um relato de caso em que será confeccionada uma prótese parcial obturadora provisória diferente das convencionais com o objetivo de selar a conexão nasopalitina e dessa forma melhorar a deglutição, fonação e mastigação, evoluindo os aspectos psicológicos e sociais do paciente. Visto que ele ainda não realizou todas as reabilitações necessárias para confeccionar sua prótese parcial obturadora definitiva. Portanto a confecção de próteses obturadoras para reabilitação de pacientes com comunicação nasopalatina é fundamental no sucesso do tratamento odontológico, envolvendo uma série de fatores funcionais, estéticos e estruturais que visam garantir o bem-estar do paciente e sua saúde bucal.

RELATO DE CASO CLÍNICO

Paciente MERP, sexo masculino, branco, 45 anos de idade, compareceu a clínica odontológica do Centro Universitário São Lucas – Porto Velho/RO, queixando-se da prótese parcial removível superior antiga mal adaptada e com alguns dentes da prótese quebrados (figura 1). No exame radiográfico o paciente não apresentou indicação de infecção nos rebordos residuais. Na anamnese o paciente negou comorbidades médicas, alergia medicamentosa ou anestésicos locais. Ao exame clínico foi notada a presença de uma comunicação nasopalatina (figura 2) de origem congênita do lábio leporino, no qual foi feita a cirurgia para o selamento da fissura durante a infância, contudo não foi totalmente selada na região média do palato, foi notado também a presença de dois elementos ectópicos na região da maxila. O palato possui irregularidades que poderiam prejudicar a adaptação de uma prótese comum. Paciente apresentava xerostomia e a posição da língua estava normal. A radiografia periapical dos dentes remanescentes da maxila apresentavam-se em condições de desordens periodontais, dentinárias e endodônticas. O planejamento proposto para o paciente foi a reabilitação oral através de uma PPR superior obturadora provisória, visto que os procedimentos endodônticos e cirúrgicos para reabilitação total do paciente não são realizados na graduação, se fazendo necessário o encaminhamento do paciente para a pós-graduação, para que posteriormente ele possa realizar uma prótese definitiva.O risco considerado mínimo deste relato de caso, se baseia em complicações como: insatisfação estética, desconforto oclusal, pode apresentar um possível deslocamento da prótese durante o período de uso, especialmente em situações de maior carga mastigatória ou devido a outros fatores como a falta de retenção, ou hábitos do paciente, ou potencial extravasamento do material de moldagem, e constrangimento do paciente ao ser publicado o relato de caso. Contudo, os benefícios deste estudo contribuirá para a melhorias na estética do sorriso, satisfação do paciente com o resultado, considerando a harmonia com os dentes adjacentes, até que termine completamente o tratamento bucal para posteriormente, confeccionarmos a prótese obturadora definitiva. Por ser realizado em uma instituição de ensino superior, haverá protocolos rígidos para garantir que o tratamento atenda aos padrões clínicos e de segurança. Os benefícios e riscos sobre a confecção da PPR superior obturadora provisória foram devidamente explicados e documentados na assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.

Foi realizado a confecção da moldagem da arcada superior com Kit Silicone de condensação Speedex Putty – Coltene (figura 3), primeiramente fazendo a impressão inicial com a silicona pesada, com a quantidade recomendada pelo fabricante (figura 4), logo em seguida foi realizada a manipulação da silicona leve, sobre a primeira moldagem (peada) (figura 6). Foi realizada a confecção da moldagem anatômica inferior (figura 8), com o alginato Dentsply Sirona Jeltrate tipo 2 dustless na proporção indicada pelo fabricante – 2 medidores de pó para 2 medidores de água. Logo em seguida, foi realizado o vazamento com gesso tipo III pedra Asfer, 100g para cada 37 ml de água com o uso de uma cubeta e espátula para manipulação para obtenção do modelo de estudo (figura 09). Em seguida foi realizado o registro de mordida com cera 7 (figura 10).

Após a obtenção do modelo de estudo, foi realizado o alívio nas áreas retentivas do modelo (figura 11) com cera 7 Asfer, com auxílio de uma lamparina e espátula 7, para executar a base de prova com a “técnica pó-líquido”, despejando pó pelo modelo e logo após o líquido, repetindo o processo até que toda a área de base de prova do modelo esteja envolvida por resina acrílica. Após a completa polimerização da resina acrílica foi feito acabamento e polimento nas extremidades da base de prova para evitar cortes na boca do paciente. Após isso foi realizada o rolete de cera e montagem dos dentes pelo laboratório. Foi utilizado cera 7, lamparina, espátula 7 e dente de estoque cor 66 POP DENT com o formato e tamanho condizente aos dentes remanescentes do paciente (figura 12). Posteriormente foi realizado a prova dos dentes, para verificar adaptação, estética e função (figura 13), foi orientado ao paciente que pronunciasse palavras para teste de fonação. Nada incomodava o paciente, por conseguinte, relatou que estava se sentindo bem com a prótese provisória. Logo, foi encaminhado a prova dos dentes ao laboratório para acrilização (figura 14). Foi realizada a instalação da PPR superior, foi avaliada a adaptação e selamento da fissura nasopalatina (figura 15), realizou-se alguns ajustes finais na região da comunicação nasopalatina que estava incomodando o paciente, e foi instalada a prótese no paciente (figura 16). Logo após foi efetuada as orientações verbais quanto a higienização e cuidados para longevidade da prótese.

DISCUSSÃO

A conexão nasopalatina deixa sequelas em todas as funções da boca, envolvendo alimentação e nutrição, pois o paciente precisa ter cuidado ao se alimentar, analisando a textura do alimento e a possibilidade de desvios na hora da deglutição. A pronúncia de palavras é afetada devido a perda de referência para pronunciar os fonemas. a qualidade da voz é interferida, mudando a ressonância vocal se tornando hipernasal, a intensidade da voz é baixa e duração vocal é curta. Também é alterado a respiração, devido ao escape de ar nasal o paciente precisa inspirar com mais frequência o que altera o ritmo respiratório e torna – se a fala mais cansativa. Outra função que também é afetada é a audição, pois ocorre uma redução da pressão intraoral impedindo a ventilação adequada da orelha média. Essas alterações funcionais também refletem em aspectos psicológicos, sociais, familiar e de trabalho (Diaz et al., 2018).

Adultos com fissura labiopalatina ou próteses maxilares ainda enfrentam desafios tanto funcionais quanto psicológicos em relação à mastigação e à qualidade de vida. Em uma pesquisa realizada com 60 participantes, divididos em três grupos: pacientes com fissura labiopalatina, usuários de próteses maxilares e indivíduos sem problemas dentários, adotando o questionário OHIP-14 e RDC/TMD eixo II. Os resultados mostraram que pessoas com fissura labiopalatina apresentam maior impacto psicológico e sintomas de depressão em comparação aos outros grupos. Embora a reabilitação oral seja importante para restaurar a estética e a função mastigatória, ela pode não ser suficiente para garantir um bem-estar ideal, reforçando a necessidade de abordagens individualizadas que considerem tanto os aspectos físicos quanto emocionais dos pacientes (PALMEIRO et al., 2018).

Pacientes com fissura labiopalatina bilateral enfrentam desafios no tratamento odontológico, como mobilidade da pré-maxila, ausência ou mau posicionamento dos dentes anteriores, dentes moles desfavoráveis e lábio superior tenso. Em uma reabilitação oral complexa, é necessário considerar vários fatores para garantir um bom planejamento do tratamento e alcançar resultados estéticos e funcionais. Esses fatores incluem a avaliação dos dentes remanescentes, suporte labial, dimensão vertical, linha do sorriso, entre outros (Oliveira et al., 2017).

Pessoas com comunicação oronasal precisam de tratamentos realizados por uma equipe multidisciplinar, que pode incluir cirurgião bucomaxilofacial, ortodontista, fonoaudiólogo, pediatra, cirurgião plástico, dentista geral, protesista, otorrinolaringologista, psicólogo e outros profissionais que contribuam para melhorar a função, estética e bem-estar psicológico. Os pacientes cujo a comunicação não pode ser corrigida com cirurgia precisa de uma prótese que funcione como um selante (LEIVA et al., 2017).

Os objetivos principais da prótese obturadora são preservar os dentes e tecidos restantes e fornecer conforto, função e estética aos pacientes. O design básico dessas próteses utiliza-se o dente disponível e o tecido de suporte para atingir a máxima retenção e estabilidade (Cardelli et al., 2015).

A prótese obturadora é uma boa solução para quem tem defeitos no palato, pois ajuda a selar a abertura entre as cavidades, protege os tecidos da região afetada e melhora tanto as funções quanto a aparência, contribuindo para a reintegração da paciente à vida social (Toledo et al., 2019).

A reabilitação de pacientes com comunicação oro-nasal envolve as mesmas etapas da confecção de próteses convencionais, mas é importante considerar as necessidades específicas de cada caso durante o planejamento. Também é preciso ter mais cuidado ao fazer as impressões e ao instalar o aparelho. Esse tipo de reabilitação ajuda os pacientes a retomar atividades diárias, como falar e comer de forma adequada (DOMINGUES et al., 2016).

O obturador deve preencher a comunicação confortavelmente, ser estabilizado na posição e não obstruir a função da fala. Enquanto isso, o processo de design e fabricação do obturador deve ser rápido e preciso (Chen et al., 2022).

O uso de próteses obturadoras melhora a função mastigatória, a fala, a estética facial e a autoestima dos pacientes, promovendo uma melhor integração social. É fundamental fornecer orientações adequadas sobre o uso, higienização e acompanhamento periódico das próteses para garantir o sucesso do tratamento e a manutenção da qualidade de vida dos pacientes (Toledo et al., 2019).

Com base na pesquisa feita com 52 pessoas que possuem comunicação nasopalatina, quarenta e seis participantes relataram experiências negativas antes do uso da prótese parcial fixa, enquanto 48 indicaram uma melhoria na qualidade de vida 30 dias após a entrega da prótese. Todos os domínios avaliados mostraram melhorias significativas na qualidade de vida quando comparados os dois períodos (Toyoshima et al., 2022).

O uso de uma prótese para selar a fístula oferece uma solução de baixo custo, com bons resultados a curto e médio prazo. Antes da reabilitação, é importante avaliar o estado periodontal do paciente, pois em casos de fissura labiopalatina, é comum haver defeitos na crista alveolar nos dentes próximos à fissura, com gengiva retraída e de difícil correção. Por isso, o plano de tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo cirurgia plástica e maxilofacial, ortodontia, fonoaudiologia, psicologia, otorrinolaringologia, reabilitação oral e o apoio contínuo da rede familiar (Leiva et al., 2017).

Mesmo com a variedade de opções de tratamento disponíveis dentro da reabilitação protética, onde as indicações variam conforme o caso, deve-se sempre analisar o custo/ benefício do tratamento do paciente, buscando satisfazer as principais queixas e desejos do paciente, e visando a restauração da função mastigatória. Essas opções de tratamento incluem: prótese sobre implante, prótese parcial removível, prótese fixa e prótese total (Oliveira et al., 2017).

METODOLOGIA

Este trabalho foi executado de acordo com as diretrizes do Manual Unificado de Trabalho de Conclusão de Curso MUTCC da faculdade São Lucas Afya – UniSL Afya. O método empregado para o presente trabalho, trata-se de uma revisão de literatura qualitativa e descritiva acerca do tema e a descrição do relato de caso do paciente com o tema: Reabilitação Oral de Paciente com Comunicação Nasopalatina Utilizando Prótese Obturadora Provisória. Foi feita uma pesquisa dos artigos com base de dados nos sites de pesquisa: Google Acadêmico, BVS, Pubmed, Scielo, periódicos, tese de mestrado e projetos de pesquisa voltados ao tema proposto.

Metodologia

O estudo em questão possui abordagem quantitativa, de nível descritivo, e será realizado de maneira transversal, onde o sujeito da pesquisa constitui-se do paciente da clínica integrada da Faculdade de Odontologia do Centro Universitário São Lucas (UniSL), localizado no município de Porto Velho/RO. Será aplicado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TCLE, (Conselho Nacional de Saúde, Resolução 466/12 CNS/MS). Havendo um risco (mínimo), tal procedimento será realizado antes ou após a consulta agendada pelo acadêmico que presta atendimento àquele participante da pesquisa, podendo ocorrer em ambos os turnos de atendimento do centro odontológico, dependendo do horário de atendimento deste paciente na clínica integrada II. A coleta de dados será realizada na recepção do centro odontológico, mediante questionário estruturado, após explicação do objetivo, do método, da garantia de confidencialidade dos dados e da possibilidade de desistência em qualquer etapa da pesquisa, após os usuários serão convidados a participar do estudo e será solicitada assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Neste critério, aplica-se a categoria de intervenção observacional e clínica, onde o pesquisador interfere o mínimo possível no levantamento de informações e práticas odontológicas sequenciais, visto que será o próprio interlocutor que realizará o procedimento, favorecendo assim, aqueles que possuam dificuldade de ler e/ou escrever.

CONCLUSÃO

A execução de próteses obturadoras provisórias cumpre um papel chave na reabilitação odontológica, principalmente em casos de paciente que possui comunicação nasopalatina devido a defeitos congênitos ou reabilitações cirúrgicas.

O presente relato de caso descreve a confecção de uma prótese parcial removível (PPR) obturadora superior com o objetivo de reabilitar os espaços edêntulos referentes aos dentes 11, 12, 15, 16, 21, 22, 24, 25 e 26. Além da reabilitação estética, fonética e funcional, a prótese também teve a finalidade de selar uma comunicação nasopalatina presente no palato do paciente. Ressalta-se a importância de orientar os pacientes quanto ao tempo de uso das próteses removíveis, uma vez que próteses antigas podem favorecer o surgimento de lesões na mucosa, especialmente na região de suporte palatina.

Priorizando a integridade periodontal e a adaptação oclusal do paciente, a estratégia adotada neste caso ilustra a importância de técnicas personalizadas para o paciente, se tornando determinantes no sucesso de reabilitações provisórias. Os achados obtidos reforçam não apenas a segurança e eficácia do método, mas também sua aplicabilidade em contextos clínicos similares, ampliando horizontes para abordagens individualizadas na prática odontológica.

O relato ora apresentado, tem como objetivo exibir e orientar, com embasamento científico, o cirurgião-dentista que deseja reabilitar pacientes com comunicação nasopalatina através de próteses obturadoras, exibindo a sequência clínica personalizada de acordo com as necessidades anatômicas de cada paciente, proporcionando uma retenção mecânica aprimorada, prevenindo complicações como deslocamento da prótese ou desconforto oclusal, possibilitando uma medida com menor custo em relacão a outras modalidades de tratamento e com resultado estético e funcional bem satisfatório, evoluindo também os aspectos psicológicos e sociais do paciente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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DOMINGUES, J. M.; CORRÊA, G.; FERNANDES FILHO, R. B.; HOSNI, E. S. Palatal obturator prosthesis: case series. RGO – Revista Gaúcha De Odontologia, Porto Alegre, v. 64, n. 4, p. 477–483, 2016.

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OLIVEIRA, M. B. S. de; PUCCIARELLI, M. G. R.; LOPES, J. F. S.; TAVANO, R. D. Removable partial denture with attachment as a treatment option in patients with cleft lip and palate. RGO – Revista Gaúcha De Odontologia, Porto Alegre, v. 65, n. 4, p. 380–385, 2017.

PALMEIRO, M. R. L. et al. Quality of life and mastication in denture wearers and cleft lip and palate adults. Brazilian Oral Research, São Paulo, v. 32, p. e113, 2018.

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TOYOSHIMA, G. et al. Fixed partial dentures in adult patients with cleft lip and palate and their relationship with the quality of ,0: A cross-sectional clinical study. J Prosthet Dent, [S. l.], v. 131, n. 4, p. 598-602, abr. 2024.

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¹Acadêmico do curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas Afya – Porto Velho
E-mail: leticiabentocastro@gmail.com

²Acadêmico do curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas Afya – Porto Velho
E-mail: vivi.rodriguesm@icloud.com

³Orientadora e Professora do Centro Universitário São Lucas Afya – Porto Velho, Cirurgiã Dentista e  Mestre e especialista em Prótese Dentária E-mail: caren.batista@saolucas.edu.br 

4Acadêmico do curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas Afya – Porto Velho
E-mail: nicollyalmeida345@gmail.com

5Acadêmico do curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas Afya – Porto Velho
E-mail: lotharmatheusantunes@gmail.com

6Acadêmico do curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas Afya – Porto Velho
E-mail: marcosgabrielsilveiramodesto@gmail.com

7Professora do Centro Universitário São Lucas Afya – Porto Velho, Cirurgiã Dentista e Mestre e especialista em Prótese Dentária. E-mail: ilza.camargo@saolucas.edu.br