REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511081731
David Teixeira do Nascimento1
Igor Alexandre Alves Viana1
Maisa Figueiredo de Lima1
Thaiana Bezerra Duarte2
Resumo
Introdução: A artroplastia total de joelho é um procedimento frequente para tratar doenças articulares degenerativas, sendo essencial a reabilitação fisioterapêutica para otimizar a recuperação funcional. Objetivo: Analisar as estratégias de reabilitação fisioterapêutica no pós-operatório de artroplastia de joelho, com foco em mobilização articular e exercícios. Materiais e método: Revisão de literatura realizada nas bases LILACS, PubMed e SciELO, considerando artigos publicados entre 2015 e 2025, que abordassem reabilitação pós-artroplastia de joelho. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados em português e inglês, e excluídos estudos sem relação direta com fisioterapia, revisões e trabalhos duplicados. Resultados: Cinco estudos foram selecionados, avaliando técnicas de mobilização articular, exercícios, movimento passivo contínuo (CPM) e protocolos combinados. Os achados indicam que intervenções precoces e combinadas promovem melhora significativa na amplitude de movimento, redução da dor, melhora da função e aumento da qualidade de vida, sendo os protocolos que associam técnicas manuais aos exercícios os mais eficazes. Conclusão: A reabilitação Fisioterapêutica quando realizada de forma precoce, individualizada e progressiva de acordo com a evolução do paciente, utilizando diferentes técnicas e realizando o acompanhamento contínuo, é benéfica para o sucesso na reestruturação funcional após artroplastia total de joelho.
Palavras-chave: Artroplastia de joelho. Fisioterapia. Reabilitação. Mobilização. Exercício.
Abstract
Background: Total knee arthroplasty is a common procedure to treat degenerative joint diseases, and physiotherapeutic rehabilitation is essential to optimize functional recovery. Pourpose: To analyze physiotherapeutic rehabilitation strategies in the postoperative period of knee arthroplasty, focusing on joint mobilization and exercises. Methods: Literature review conducted in LILACS, PubMed, and SciELO databases, considering articles published between 2015 and 2025 that addressed postoperative knee arthroplasty rehabilitation. Randomized clinical trials in English and Portuguese were included, while studies unrelated to physiotherapy, reviews, and duplicates were excluded. Results: Five studies were selected, evaluating joint mobilization techniques, exercises, continuous passive motion (CPM), and combined early rehabilitation protocols. Findings indicate that early and combined interventions significantly improve range of motion, reduce pain, enhance function, and increase quality of life, with protocols combining manual techniques and exercises showing superior outcomes. Conclusion: Physiotherapeutic rehabilitation, when performed early, individualized, and progressively according to the patient’s evolution, using different techniques and providing continuous monitoring, is beneficial for successful functional recovery after total knee arthroplasty.
Keywords: Knee arthroplasty. Physiotherapy. Rehabilitation. Mobilization. Exercise.
1 INTRODUÇÃO
A artroplastia total de joelho (ATJ) é um procedimento cirúrgico amplamente indicado para o tratamento de doenças articulares degenerativas, especialmente a osteoartrite. Com o envelhecimento da população e o aumento da prevalência de condições osteoarticulares incapacitantes, observa-se um crescimento expressivo no número de cirurgias realizadas em todo o mundo. A cirurgia tem como objetivo principal aliviar a dor, restaurar a mobilidade e permitir que o paciente retome suas atividades de vida diária com maior independência e qualidade de vida. Entretanto, o sucesso da ATJ depende não apenas da técnica cirúrgica, mas também de um processo de reabilitação fisioterapêutica estruturado, capaz de otimizar a função articular e reduzir complicações pós-operatórias (Dutta et al., 2024).
A fisioterapia pós-operatória busca restaurar a amplitude de movimento, fortalecer a musculatura e controlar a dor, aspectos essenciais para o restabelecimento da marcha e das atividades cotidianas. Estudos indicam que o início precoce da reabilitação, associado a recursos como cinesioterapia, crioterapia e exercícios resistidos, promove redução do edema e da rigidez articular, além de melhorar a função motora e a qualidade de vida (Lee; Yoon; Yim, 2024; Jia et al., 2024). Protocolos individualizados e progressivos, incluindo exercícios de cadeia cinética fechada e acompanhamento constante, têm demonstrado eficácia na recuperação funcional e na prevenção de complicações como contraturas e quedas (Konnyu et al., 2023).
Além disso, pesquisas sugerem que diferentes intensidades de reabilitação podem impactar diretamente os resultados clínicos. Por exemplo, programas de alta intensidade parecem favorecer ganhos mais rápidos de força e mobilidade, enquanto programas de baixa intensidade podem ser mais adequados para pacientes com maior fragilidade ou com complicações associadas (Bade et al., 2017). A literatura também destaca a importância de estratégias complementares, como o uso de movimento passivo contínuo e técnicas específicas de fisioterapia, que podem contribuir para uma recuperação mais segura e eficaz (Jia et al., 2024).
Apesar dos avanços, ainda não há consenso sobre o momento ideal para iniciar a fisioterapia, a frequência das sessões e o tipo de exercícios mais eficaz. Essa falta de padronização dificulta a comparação entre estudos e a formulação de protocolos baseados em evidências sólidas. Além disso, há escassez de ensaios clínicos que avaliem o custo-benefício e a efetividade a longo prazo das diferentes abordagens, reforçando a necessidade de revisões de literatura que sintetizem os principais achados e orientem a prática clínica (Bade et al., 2017; Konnyu et al., 2023).
Diante disso, o objetivo deste estudo é analisar, por meio de uma revisão de literatura, as estratégias de reabilitação fisioterapêutica no pós-operatório de artroplastia de joelho, com ênfase na mobilização articular e nos exercícios terapêuticos. Busca-se identificar os principais objetivos clínicos dessas intervenções, bem como sua eficácia na otimização dos desfechos funcionais e na redução de complicações.
2 MATERIAIS E MÉTODO
Trata-se de uma revisão de literatura, baseada em artigos publicados nas bases de dados eletrônicas LILACS, PubMed e SciELO no período de 2015 a 2025. A busca nas bases de dados foi realizada em setembro de 2025. As palavras-chave utilizadas na busca foram: Rehabilitation AND Physiotherapy AND Postoperative AND knee AND Mobilization, sendo usado o operador booleano “AND” nas combinações entre elas.
Para compor a amostra desta revisão, foram incluídos artigos publicados nos últimos 10 anos, que tratassem especificamente da reabilitação fisioterapêutica no pós-operatório de artroplastia de joelho, ensaios clínicos randomizados e artigos publicados nos idiomas inglês e português.
Excluíram-se da análise pesquisas sem relação direta com a fisioterapia ou com o processo de reabilitação no pós-operatório de artroplastia de joelho, bem como trabalhos duplicados e indisponíveis na íntegra. Os resultados foram apresentados em forma de fluxograma e tabela.
3 RESULTADOS
A busca foi realizada nas bases LILACS, PubMed e SciELO, totalizando 26 registros (PubMed = 22; SciELO = 3; LILACS = 1). Após a retirada de 12 registros duplicados, 14 estudos passaram à triagem por título e resumo; desses, 8 foram excluídos (6 por não corresponderem ao tema, 1 por se tratar de revisão e 1 por critério temporal). Seis artigos foram lidos na íntegra, dos quais 1 foi excluído por ser estudo de transversal, restando 5 estudos incluídos na revisão.
A Figura 1 apresenta o fluxograma do processo de seleção dos estudos, onde é possível visualizar de forma clara as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Esse esquema representa o caminho percorrido desde a busca nas bases de dados até a definição dos artigos que realmente fizeram parte da amostra final da pesquisa.
Figura 1 – Fluxograma do processo de seleção de estudos.

Após a aplicação dos critérios de elegibilidade e leitura crítica, foram selecionados 5 estudos para compor esta revisão, todos ensaios clínicos randomizados. As intervenções fisioterapêuticas avaliadas no pós-operatório de artroplastia total de joelho envolveram principalmente técnicas de mobilização articular, exercícios terapêuticos, movimento passivo contínuo (CPM) e protocolos combinados de reabilitação precoce.
De maneira geral, os estudos apontaram que a reabilitação fisioterapêutica precoce promove melhorias significativas na amplitude de movimento, redução da dor, função articular e qualidade de vida dos pacientes. Os protocolos que combinaram exercícios com técnicas de mobilização mostraram resultados superiores na recuperação funcional quando comparados aos programas baseados apenas em exercícios convencionais.
A Tabela 1 apresenta a organização dos estudos incluídos, indicando o autor, ano de publicação, tipo de estudo, objetivos, metodologia utilizada e uma síntese dos principais resultados obtidos.
Tabela 1 – Distribuição dos estudos incluídos segundo autores, ano e intervenções.
| AUTOR/ANO | TIPO DE ESTUDO | OBJETIVO | METODOLOGIA | RESULTADOS |
| Argut et al., 2021 | Ensaio clínico randomizado | Avaliar eficácia de exercícios combinados com terapia manual vs exercícios isolados nos desfechos de dor, amplitude de movimento, função, qualidade de vida e satisfação do paciente. | 42 pacientes (50–75 anos) submetidos à TKA, divididos em 2 grupos de 21. Intervenção combinou exercícios mais terapia manual; grupo controle realizou apenas exercícios. | Grupo combinado (21 pacientes) apresentou redução da dor, diminuição da rigidez e aumento da qualidade de vida. Sem diferença significativa na amplitude de movimento. |
| An et al., 2024 | Ensaio clínico randomizado | Avaliar efeitos de exercícios de equilíbrio combinados na fase aguda de reabilitação pós TKA. | 42 pacientes submetidos à TKA unilateral, divididos em 2 grupos de 21. Intervenção incluiu exercícios de equilíbrio mais reabilitação padrão. | Grupo intervenção (21 pacientes) apresentou melhorias em dor, rigidez, função física, amplitude de movimento, equilíbrio e marcha. |
| Wirries et al., 2020 | Ensaio clínico randomizado | Avaliar efeito do movimento passivo contínuo (CPM) na fase inicial da reabilitação. | 40 pacientes divididos em 2 grupos de 20: CPM e terapia manual. | Grupo CPM (20 pacientes) apresentou flexão de 111° e PROM de 109°, superior ao grupo MT na fase inicial; sem diferença funcional a longo prazo. |
| Alsiri et al.,2025 | Ensaio clínico randomizado | Avaliar efeito da mobilização com movimento (MWM) associada à reabilitação padrão pós-TKA. | 84 pacientes, divididos aleatoriamente em 2 grupos de 42. Intervenção incluiu MWM + reabilitação padrão. | Grupo MWM (42 pacientes) apresentou maior ganho de flexão do joelho 6 semanas após a cirurgia. |
| Lin, Yi; LUO, Xingwen. 2025 | Ensaio clínico randomizado | Avaliar efeito de MWM associada à reabilitação rápida na recuperação funcional pós TKA. | 72 pacientes divididos em 2 grupos de 36. Intervenção incluiu MWM + reabilitação rápida. | Grupo MWM (36 pacientes) apresentou melhora progressiva em PROM, WOMAC e HSS, com maior redução de dor e rigidez. |
Em relação às intervenções combinadas de exercícios e terapia manual, Argut et al. (2021) realizaram um ensaio clínico randomizado que avaliou pacientes de 50 a 75 anos submetidos à artroplastia total de joelho (TKA) e demonstrou melhora significativa da dor, redução da rigidez e aumento da qualidade de vida nos pacientes que realizaram exercícios combinados com terapia manual em comparação ao grupo que realizou apenas exercícios isolados (Argut et al., 2021).
An et al. (2024) conduziram um ensaio clínico randomizado com 42 pacientes submetidos à TKA unilateral, avaliando os efeitos de exercícios de equilíbrio combinados sobre amplitude de movimento do joelho (ROM), equilíbrio estático e dinâmico, marcha e função. O grupo intervenção apresentou melhorias significativas em todos os desfechos avaliados, incluindo dor, rigidez, função física, ROM, equilíbrio e desempenho funcional, reforçando a eficácia de protocolos combinados na fase aguda de reabilitação pós-artroplastia de joelho (An et al., 2024).
Quanto ao movimento passivo contínuo (CPM), Wirries et al. (2020) analisaram 40 pacientes divididos em dois grupos, CPM e terapia manual (MT). O grupo CPM apresentou maiores resultados, com flexão de 111° e amplitude de movimento passiva (PROM) de 109°, significativamente superior ao grupo MT durante a fase inicial da reabilitação (Wirries et al., 2020).
Em relação às intervenções com mobilização com movimento (MWM), Alsiri et al. (2025) realizaram um estudo envolvendo 84 participantes divididas aleatoriamente em grupos. O grupo submetido à técnica de MWM apresentou maior ganho de flexão do joelho seis semanas após a artroplastia, indicando benefícios da intervenção combinada à reabilitação padrão (Alsiri et al., 2025).
Ainda na temática de mobilização com movimento, Lin e Luo (2025) analisaram 72 pacientes divididos em dois grupos. O grupo submetido à técnica de MWM apresentou melhora progressiva nos escores de PROM, WOMAC e HSS em todos os períodos de acompanhamento, com maior redução de dor e rigidez em comparação ao grupo controle, evidenciando recuperação funcional superior (Lin; Luo, 2025).
Dessa forma, os estudos indicam que a reabilitação precoce no pós-operatório de artroplastia de joelho, seja por meio de exercícios combinados com terapia manual, movimento passivo contínuo ou mobilização com movimento, promove melhora da amplitude de movimento, redução da dor, melhora da função articular e aumento da qualidade de vida, sendo que protocolos que associam técnicas manuais aos exercícios tendem a apresentar resultados superiores (Argut et al., 2021; Wirries et al., 2020; Alsiri et al., 2025; Lin; Luo, 2025).
4 DISCUSSÃO
Os estudos incluídos nesta revisão demonstraram que as intervenções fisioterapêuticas no pós-operatório de artroplastia de joelho promovem benefícios significativos nos desfechos avaliados. Argut et al. (2021) observaram redução da dor e melhora na função e na qualidade de vida em pacientes que realizaram exercícios combinados com terapia manual. An et al. (2024) relataram que exercícios de equilíbrio combinados aumentaram a amplitude de movimento, o equilíbrio, a marcha e a função física. Wirries et al. (2020) evidenciaram que o movimento passivo contínuo (CPM) proporcionou maior flexão e amplitude de movimento passiva (PROM) durante a fase inicial da reabilitação, embora os efeitos a longo prazo tenham sido semelhantes aos da terapia manual isolada. Já Alsiri et al. (2025) e Lin e Luo (2025) mostraram que a mobilização com movimento (MWM) favoreceu maiores ganhos na flexão do joelho, melhora funcional e redução da dor em comparação aos grupos controle, em diferentes períodos de acompanhamento. De forma geral, os resultados indicam que técnicas combinadas tendem a apresentar resultados superiores aos protocolos isolados, refletindo benefícios na recuperação precoce e na funcionalidade dos pacientes.
A análise comparativa entre os estudos selecionados para esta revisão permite compreender as principais diferenças metodológicas e clínicas que justificam a relevância dos resultados obtidos. De modo geral, os artigos incluídos apresentaram delineamentos experimentais mais robustos, com amostras compostas por pacientes submetidos à artroplastia total de joelho (TKA) e foco na eficácia de intervenções fisioterapêuticas estruturadas, enquanto outros estudos analisados abordaram condições distintas, intervenções não controladas ou metodologias de caráter descritivo.
O trabalho de Argut et al. (2021) destacou-se por investigar os efeitos da combinação entre exercícios terapêuticos e terapia manual em comparação ao uso isolado dos exercícios. O estudo evidenciou melhora significativa nos desfechos de dor, rigidez, amplitude de movimento e qualidade de vida, mensurados por instrumentos padronizados como WOMAC e SF-12. Em contraste, Carvalho et al. (2017) analisou pacientes com osteoartrite de joelho sem artroplastia, restringindo-se a exercícios gerais de fortalecimento e alongamento, o que limita a aplicabilidade dos resultados ao contexto pós-operatório. Essa diferença metodológica reforça a importância de investigar intervenções específicas voltadas à recuperação funcional após TKA.
De forma semelhante, Wirries et al. (2020) avaliou o movimento passivo contínuo (CPM) na fase inicial da reabilitação, apresentando seguimento de dois anos e resultados positivos no ganho de amplitude de movimento e função articular. Por outro lado, Faria et al. (2019) abordou aspectos hospitalares, como tempo de internação e complicações cirúrgicas, sem intervenção fisioterapêutica estruturada, o que impede a comparação direta dos desfechos clínicos. Essa diferença reforça que o impacto funcional da fisioterapia depende de protocolos ativos e bem delineados.
O estudo de An et al. (2024) demonstrou que a associação de exercícios de equilíbrio à fisioterapia convencional potencializa a recuperação funcional e o desempenho motor de pacientes submetidos à artroplastia de joelho. Os resultados mostraram melhora expressiva em dor, rigidez, função física e equilíbrio, medidos por WOMAC, TUG e teste de caminhada. Em comparação, Gómez et al. (2018) concentrou-se em análises biomecânicas e cinemáticas do movimento do joelho após cirurgia, sem intervenção terapêutica aplicada. Embora relevante para compreender aspectos mecânicos, o estudo não oferece evidências sobre a efetividade clínica dos protocolos de reabilitação, diferindo substancialmente da proposta de An et al. (2024).
Já Alsiri et al. (2025) apresentou achados consistentes sobre o uso da técnica de Mobilização com Movimento (MWM) associada à fisioterapia convencional, demonstrando ganhos significativos na flexão, na dor e na função física em períodos de seis semanas e seis meses. Em contrapartida, Ribeiro et al. (2016) abordou a reabilitação ortopédica de forma geral, sem foco em artroplastia de joelho e sem análise quantitativa dos resultados. A comparação evidencia que estudos com intervenções específicas e acompanhamento longitudinal oferecem maior aplicabilidade clínica e científica.
Por fim, Lin e Luo (2025) investigaram pacientes submetidos à artroplastia unicompartimental do joelho (UKA), analisando a aplicação da técnica MWM associada à reabilitação acelerada. O estudo demonstrou melhora significativa em dor, rigidez e função, utilizando instrumentos como PROM, WOMAC e HSS. Em contraste, Torres et al. (2015) examinou a artroplastia de quadril, uma condição com demandas biomecânicas e protocolos de reabilitação distintos, o que impossibilita comparações diretas, embora ambos enfoquem o processo de reabilitação ortopédica.
De forma geral, observa-se que os estudos com delineamento experimental e protocolos fisioterapêuticos padronizados como os de Argut et al. (2021), Wirries et al. (2020), An et al. (2024), Alsiri et al. (2025) e Lin e Luo (2025) proporcionam maior nível de evidência científica, apresentando resultados mensuráveis e aplicáveis à prática clínica. Em contrapartida, os demais trabalhos, com enfoques descritivos, retrospectivos ou voltados a condições distintas, contribuem apenas de forma complementar para a compreensão geral da temática.
Mesmo com resultados positivos, esta revisão apresenta algumas limitações. Foi difícil encontrar artigos que tratassem especificamente da reabilitação fisioterapêutica voltada para o joelho, já que muitos estudos abordavam sobre o quadril, fraturas de fêmur ou envolviam tratamentos robóticos e medicamentosos. Além disso, alguns trabalhos foram excluídos por serem duplicados, estarem em outros idiomas ou não serem randomizados. O número pequeno de estudos e as diferenças entre os métodos também dificultaram comparar os resultados com precisão. Por isso, são necessários novos estudos com mais participantes e protocolos padronizados para confirmar os benefícios observados e fortalecer as evidências sobre a reabilitação após artroplastia de joelho.
5 CONCLUSÃO
Esta revisão de literatura evidenciou que a reabilitação fisioterapêutica desempenha papel fundamental na recuperação funcional de pacientes submetidos à artroplastia total de joelho (ATJ). As intervenções analisadas incluindo exercícios terapêuticos, terapia manual, movimento passivo contínuo (CPM) e mobilização com movimento (MWM) demonstraram eficácia significativa na redução da dor, melhora da amplitude de movimento, da função articular e da qualidade de vida. De forma geral, os protocolos que associam técnicas manuais e exercícios terapêuticos apresentaram resultados superiores em comparação aos programas convencionais isolados, especialmente quando iniciados precocemente no pós-operatório.
Os estudos revisados reforçam que a combinação de recursos terapêuticos favorece uma recuperação mais rápida e eficiente, contribuindo para o retorno funcional e a independência dos pacientes. Além disso, evidenciam que o início precoce da reabilitação está diretamente relacionado à redução de complicações, como rigidez articular e atrofia muscular, e à diminuição do tempo de internação hospitalar.
Apesar dos resultados positivos, a revisão apresentou limitações, como a escassez de estudos específicos sobre reabilitação fisioterapêutica do joelho, já que muitos abordavam o quadril, fraturas de fêmur ou terapias robóticas e medicamentosas. Houve ainda exclusão de trabalhos duplicados, em outros idiomas ou não randomizados. O pequeno número de estudos e a diversidade metodológica dificultaram a comparação precisa dos resultados, evidenciando a necessidade de novas pesquisas com maior número de participantes e protocolos padronizados para confirmar e fortalecer as evidências sobre a reabilitação após artroplastia de joelho.
A reabilitação fisioterapêutica, quando estruturada de forma precoce, individualizada e progressiva, é determinante para o sucesso funcional após a artroplastia total de joelho. A integração de diferentes técnicas e o acompanhamento contínuo do paciente são essenciais para otimizar os desfechos clínicos, reduzir complicações e promover a reintegração plena às atividades de vida diária.
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1 Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
2 Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara. Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.
