REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602251548
Bárbara Ferreira Correia Marques1
Resumo
A psicomotricidade para idosos, é fundamental e imprescindível, pois conforme a idade vai se avançando a tendência dos nossos ossos é ficar menos densos, pelo fato de termos menos cálcio. O objetivo deste trabalho é enaltecer os benefícios que um conjunto de exercícios terapêuticos corroboram para melhorar a qualidade de vida, a funcionalidade e o desempenho motor na vida das pessoas que compõem a terceira idade.
Palavras-chave: Psicomotricidade. Qualidade de vida. Terceira idade.
1. INTRODUÇÃO
As pessoas que compõem a terceira idade, está que podemos chamar de idade madura, idosos ou velhice nomenclaturas diferentes que usamos para definir um período da nossa vida onde ocorrem grandes mudanças no contexto social, biológico e psicológico durante o decorrer do desenvolvimento humano.
Muitos dos que chegam neste período acabam se tornando dependentes financeiramente de seus filhos, netos e ou familiares, pois acabaram perdendo sua capacidade ativa para lidar com questões no mercado financeiro e sua aposentadoria muitas das vezes ficam apenas para pagar convênio médico e remédios. Outros ficam dependentes por conta das diversas doenças e desgastes físicos proporcionados devido a idade. Tudo isso acarreta um grande desconforto ao idoso que por algumas vezes se abala psicologicamente.
Tudo isso vem a gerar uma enorme preocupação com a velhice e a maneira como vamos envelhecer. Segundo NETTO (2002), vemos que envelhecer é uma preocupação antiga, que vem desde os primórdios da humanidade.
Como diz, um velho ditado: “a única coisa certeza que temos da vida é a morte”, está é a única “certeza” que temos, sabemos que um dia vamos morrer. Se isso não acontecer via diversas fatalidades da vida essa “certeza” se concretiza na velhice. Sabemos também que a terceira idade trás consigo muitas limitações e perdas. O corpo não é mais o mesmo, de quando jovem. O cansaço chega com veêmencia do que quando somos jovens! As limitações desta nova fase, locomoção, muitas vezes deixa o idoso á espera de alguém da família para o ajudar.
É preciso, pensar já durante toda a vida e cuidar para se responder a seguinte pergunta: como envelhecer com qualidade? Como possibilitar que esse processo ocorra de maneira saudável?
Nos dias de hoje a população idosa é uma população que está em constante crescimento, segundo o autor citado acima, estima-se que no período entre 1950 e 2025, a população total crescerá cinco vezes mais, enquanto que a população idosa, isto é, com 60 anos ou mais crescerá em média quinze vezes. É bastante considerável tal crescimento. Seremos essa população idosa de amanhã. Esse crescimento nos traz um olhar diferenciado para essa população que não para de crescer.
Através desse novo olhar e tendo por base uma motivação pessoal, a escolha desse tema vem de uma vontade antiga de visualizar a relação que ocorre no trato com pessoas que estão na terceira idade. O interesse pelo tema visa buscar mais informação e realizar uma reflexão sobre a “qualidade de vida”, e quais suas consequências no que tange as relações que constituem as atividades da vida diária do idoso e a sua peculiaridade de “ser no mundo”.
Tendo uma visão no envelhecimento com qualidade, a psicomotricidade para idosos tem um papel importante na prevenção, na educação e na reeducação do idoso, resultando em força, resistência, flexibilidade e mobilidade para permanecer ativo e independente, para poder realizar suas próprias necessidades pessoais e domésticas, assim como realizar compras e ou participar de atividades recreativas ou físicas.
Os recursos como treinamento de força muscular; exemplos: força e resistência, através de exercícios físicos, terapêuticos e de integração social indicam alguns efeitos fisiológicos sobre o envelhecimento precoce.
Será citado aqui as mais variadas atividades para contribuir com a psicomotricidade dos idosos, como: caminhada, corrida, natação, pilates, musculação, dança de salão, alongamento, artes manuais, instrumentos musicais, leitura, atividades escritas (palavras cruzadas, sudoku) dentre outras atividades que o mantenham ativo e sejam prazerosas. É possível ter um envelhecimento normal, onde as perdas esperadas acontecerão (tais como déficits cognitivos, físicos, sociais); um envelhecimento patológico, onde terá alterações severas causadas por doenças afetando diretamente sua saúde; ou ainda um envelhecimento saudável, onde as expectativas são acima das esperadas, pois tudo acontecerá de maneira mais lenta, já que o funcionamento de suas funções físicas, cognitivas e sociais será além no sentido de ser melhor do que o dos demais. Entretanto, é necessário entender que, apesar do envelhecimento ser um processo natural para todos, a forma como cada indivíduo envelhece é única e individual.
É preciso, trabalhar a psicomotricidade para manter e ou recuperar algumas dessas alterações que possibilitarão o idoso independente por mais tempo, evitando assim as alterações psíquicas e comportamentais além da lentidão cognitiva e motora.
No entanto, é preciso que os idosos pratiquem atividade física regular, leiam, escrevam, façam trabalhos manuais entre outras atividades, colocando seu corpo e seu cérebro em movimento, para que vivam mais e com alegria. Evitando, a imobilidade, o isolamento e a solidão, a depressão, a dependência, e trazendo para si formas de prevenir qualquer questão negativa, e tendo a autoimagem positiva e mantendo a socialização.
2. ENTENDENDO O TERMO PSICOMOTRICIDADE
Psicomotricidade engloba quatro conceitos básicos: PSI (psicologia), que se relaciona com o emocional e sentimentos; CO (cognição), que engloba a parte cognitiva, ou seja, as informações que recebemos; MOTRIZ (motricidade), que está ligado ao movimento e força; e a IDADE, etapa da vida em que nos encontramos.
Com a idade, o processo de envelhecimento pode gerar perdas funcionais no organismo, trazendo adaptações em diversos níveis, tais comoalterações anatômicas, motoras e fisiológicas.
2.1 PSICOMOTRICIDADE
É a ação do sistema nervoso central que cria uma consciência no ser humano sobre os movimentos que realiza através dos padrões motores, como a velocidade, o espaço e o tempo. O termo psicomotricidade se divide em 2 partes: A MOTRIZ E O PSIQUISMO, que constituem o processo de desenvolvimento integral da pessoa. A palavra motriz se refere ao movimento, enquanto psico, determina a atividade psíquica em duas faces: a sócioafetiva e cognitiva.
A teoria de Piaget afirma que a inteligência se constrói a partir da atividade motriz das crianças. Nos primeiros anos de vida, até os sete anos, aproximadamente, a educação da criança é psicomotriz. O conhecimento e a aprendizagem centram-se na ação da criança sobre o meio, os demais e as experiências através de sua ação e movimento. Nos movimentos da criança se articula toda sua afetividade, desejos, possibilidades de comunicação.
Nascimento (1986), a Psicomotricidade como ciência da educação, procura educar o movimento desenvolvendo as funções da inteligência. O pensamento só pode ter acesso aos símbolos e à abstração através do suporte motor.
Segundo Souza (2007) a Psicomotricidade pode constituir um meio privilegiado de prevenção e intervenção para o desenvolvimento da infância e pode ser um meio adequado para otimizar os potenciais de aprendizagem.
As vivências psicomotoras podem beneficiar o desenvolvimento do indivíduo em suas aquisições de habilidades através do movimento, do controle sobre o corpo, dos pensamentos, da linguagem, emoções e da adaptação social.
Sousa, (2007). É no jogo psicomotor (brincar) que a criança exercita o pensamento e o corpo, desenvolvendo habilidades de linguagem, raciocínio e organização, ajudando na formação de sua personalidade, segurança e controle emocional. Conhecer a história da Psicomotricidade é importante para melhor compreensão do Homem moderno. A Psicomotricidade tem uma história, de investigação e pesquisa, o termo “psicomotricidade” apareceu a partir do discurso médico, no início do século XX, com Dupré que percebeu o paralelismo entre doenças psíquicas e debilidades motoras, evidenciando a “Síndrome de Debilidade Motora” na época eram propostos exercícios numa tentativa de “consertar” o corpo e educar a atividade tônica.
Wallon, médico e psicólogo, ampliou esta visão, pesquisando os estágios do desenvolvimento nos fatores orgânicos, neurofisiológicos, sociais e as relações entre eles. Ele relacionou o movimento ao afeto e à cognição, o resultado que ele chegou foi a individualidade. Ele trouxe grandes contribuições nesta área.
2.2. TONICIDADE
Tonicidade é o alicerce da organização psicomotora, Fonseca apud Sousa (2007), descreve que a tonicidade abrange todos os músculos que são responsáveis pelas funções biológicas e psicológicas e toda forma de relação e comunicação não verbal. O tônus prepara e sustenta o movimento e determina as atividades posturais.
Sousa (2007), o tônus muscular é a manifestação muscular involuntária, permanente e variável, em sua distribuição e nos grupos musculares e na sua distribuição. Suas modulações diversas estão relacionadas aos estados afetivos e emocionais, conscientes e inconscientes. Está presente em todas as funções motoras do indivíduo (equilíbrio, coordenação, movimento, etc), dependendo muito da estimulação do meio.
2.3. EQUILIBRAÇÃO
“O equilíbrio é a base primordial de toda ação diferenciada dos segmentos corporais” (Rosa Neto, 2002 p.17). Da luta constante contra o desequilíbrio, tem-se uma fadiga corporal, mental e espiritual, que aumenta o nível de estresse, ansiedade e angústia do indivíduo. Há relação entre as insuficiências do equilíbrio estático e dinâmico com os estados de ansiedade ou insegurança. (Rosa Neto, 2002)
O equilíbrio tônico-postural de uma pessoa, seus gestos, seu modo de respirar, e sua atitude traduzem seu comportamento, suas dificuldades e seus bloqueios. (Rosa Neto, 2002). Equilibração, segundo Fonseca apud Rosa Neto (2002) é a capacidade de manutenção e orientação do corpo e suas partes em relação ao espaço externo e a ação da gravidade, sendo obtido através das informações visuais, labirínticas, cinestésicas e proprioceptivas integradas ao tronco cerebral e ao cerebelo.
Dá-se o nome de equilíbrio ao estado de um corpo, quando forças distintas atuam sobre ele, compensando e anulando mutuamente. Diante do ponto de vista biológico só é possível manter posturas, posições e atitudes mediante o equilíbrio. (Rosa Neto, 2002). O equilíbrio corporal é um ato mecânico do corpo, bem como todo processo de reforço psíquico, incluindo uma participação ativa intelectual.
Sousa (2007) A equilibração é fundamental também para todas as ações coordenadas e intencionais que servem como alicerces para o processo de aprendizagem.
2.4. ESQUEMA E IMAGEM CORPORAL
Sousa, (2007) A criança evolui na medida em que cada vez mais conhece e se conscientiza sobre seu próprio corpo. “A criança é o seu corpo, pois é através dele que ela elabora todas as suas experiências vitais e organiza toda a sua personalidade” (Ajuriaguerra apud Sousa, 2007 p.84).
A imagem corporal é concebida como sendo a representação que temos do nosso corpo em nossa mente, sendo o modo como ele se apresenta para nós. Esta imagem permite que nos distingam em relação às outras pessoas, sendo elaborada através da intervenção dos outros (significantes para o sujeito). (Sousa, 2007)
A imagem do corpo é a síntese de todas as mensagens, estímulos e ações que permitem à criança se diferenciar do mundo exterior e fazer do seu ‘eu’ o sujeito de sua existência. (Rosa Neto, 2002).
O esquema corporal é a integração da imagem corporal ao conceito de corpo que se movimenta, especificando o sujeito como representante da espécie. É responsável por regular a postura e o equilíbrio. (Sousa, 2007).
A noção corporal engloba a percepção do corpo no espaço (locomoção num ritmo próprio, em estado de tensão ou relaxamento). Crianças com problemas no esquema corporal têm dificuldade no processo de leitura e escrita, não obedecendo aos limites da folha, vírgula, pontos ou armar contas de somar. (Sousa, 2007).
2.5. LATERALIDADE E LATERALIZAÇÃO
Lateralidade é definida como a percepção dos lados do corpo, servindo como elemento fundamental de relação e orientação do corpo com o meio externo. (Sousa, 2007).
A lateralização por sua vez, é a propensão que uma pessoa possui para utilizar um lado do corpo, no lugar do outro em três níveis: mão, olho e pé. Há um predomínio motor (dominância de um lado), apresentando maior força muscular, precisão e rapidez. Este lado executa a ação principal enquanto o outro auxilia nesta ação, sendo também importante. (Sousa, 2007). A lateralização cortical é caracterizada pela especialidade de um dos hemisférios quanto ao tratamento da informação sensorial ou controle de certas funções. (Rosa Neto, 2002).
“A lateralidade está em função de um predomínio que outorga a um dos dois hemisférios a iniciativa da organização do ato motor, o qual desembocará na aprendizagem e na consolidação das praxias” (Rosa Neto, 2002 p. 24)
Le Boulch apud Coste (1978) diz que a dominância é funcional e vinculada a experiência da criança, seu amadurecimento e elaboração do esquema corporal, sendo arbitrário tentar definir a lateralidade de uma criança antes dos 5 anos de idade.
Gruspun apud Sousa (2007) cita que uma criança que apresenta uma lateralidade cruzada ou é mal lateralizada possui como uns dos efeitos negativos distúrbios da linguagem e do sono.
2.6. ESTRUTURAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL
A Estruturação espaço-temporal permite ao indivíduo se movimentar e se reconhecer no espaço relacionando e dando sequência aos gestos, localizando e utilizando suas partes do corpo, coordenando e organizando as atividades de vida diária. (Sousa, 2007).
A percepção que temos do espaço e das relações entre os elementos que o compõe evolui e se modificada de acordo com a idade e experiência da criança. Tais relações chegam a ser, de forma progressiva, mais objetivas e independentes. (Rosa Neto, 2002)
“Toda nossa percepção do mundo é uma percepção espacial, na qual o corpo (que não se reduz, nem para o interior nem para o exterior, à superfície da pele) é o termo de referência”. (Coste, 1978 p.58)
A noção de espaço é resultado da construção através da interpretação de uma grande gama de dados sensoriais que não tem relação direta com espaço. A capacidade de estruturar e organizar o espaço é essencial para toda aprendizagem.
Para a criança poder perceber a posição dos objetos no espaço ela primeiro, precisa ter uma boa imagem corporal, utilizando-se do seu corpo como ponto de referência. (Sousa, 2007) A organização espacial depende da estrutura de nosso próprio corpo (estrutura anatômica, biomecânica e fisiológica) e da natureza do meio que nos rodeia e de suas características. (Rosa Neto, 2002).
Todas as modalidades sensórias participam do processo de percepção espacial (visão, audição, tato, propriocepção e o olfato). (Rosa Neto, 2002)
A orientação temporal encontra-se ligada á espacial, sendo que um sujeito se movimenta em um determinado espaço e tempo. O movimento humano só pode ser compreendido através da ligação da noção de corpo, tempo e espaço. (Sousa, 2007).
Os dois grandes componentes da orientação espacial são a ordem e a duração que o ritmo reúne. A ordem define a sucessão que existe entre os acontecimentos, sendo que uns são continuação dos outros, seguindo uma ordem irreversível; a duração permite a variação de intervalo que separa o começo e o fim de um acontecimento. (Rosa Neto, 2002).
Fonseca apud Sousa (2007) diz que a unidade de extensão da dimensão corporal é o ritmo que envolve a conscientização de igualdade dos intervalos de tempo. A criança pode não perceber os intervalos de tempo, espaços entre palavras, escrever sem espaço entre palavras e pode misturar fatos. Com a organização espaço-temporal inadequada pode ter fracasso com a Matemática, uma vez que não tem noção de fileira e coluna; ter dificuldade na organização do tempo; dificuldade de representação mental sonora, que interfere em ditados (correspondência entre som e letra).
O tempo é, simultaneamente, duração, ordem e sucessão, sendo indispensável que estes três níveis se estruturem para o indivíduo se organizar temporalmente. (Coste, 1978) A estruturação temporal se faz na criança em duas etapas: evolução das intuições da ordem e da duração no sentido da independência em relação à experiência vivida. O ritmo é o fator de estruturação temporal que sustenta a adaptação ao tempo. (Coste, 1978)
Necessita-se acrescentar à noção de tempo a noção também de velocidade, sendo que o tempo e a duração são avaliados em função de um movimento cuja velocidade é constante. (Rosa Neto, 2002)
2.7. PRAXIA GLOBAL
As “praxias” segundo Piaget apud Sousa (2007) são sistemas de movimentos coordenados em função de um resultado. É através da brincadeira espontânea que a criança descobre os ajustes diversos, complexos e progressivos da atividade motriz, que vai resultar em movimentos coordenados em função de um objetivo a ser alcançado. (Rosa Neto, 2002) A Praxia Global possui a missão de realizar e automatizar os movimentos globais e complexos que se desenrolam em um tempo, exigindo atividade conjunta de vários grupos musculares. Ela expressa os movimentos, indicando a organização práxica da criança, tendo reflexos nítidos sobre a eficiência, proficiência e realização motora. (Sousa, 2007) A Praxia Global está relacionada com a capacidade da criança, seus gestos, atitudes, deslocamento e ritmo, permitindo um melhor conhecimento e compreensão do indivíduo. Através da Praxia Global a criança expressa sua afetividade e exercita sua inteligência. Não é um automatismo, mas um movimento voluntário e consciente, que vai ser lapidado entre 5 e 6 anos de idade, quando a criança dá início a coordenação óculo-manual e óculo-pedal havendo maior harmonia entre os movimentos. (Di Nucci, 2007).
2.8. PRAXIA FINA
A Praxia Fina é traduzida pela precisão dos movimentos da mão e dos dedos, entrando em jogo as relações espaço-temporais. Ela recebe a contribuição de todos os fatores psicomotores, sendo o processo final. (Sousa, 2007).
É considerada como um dos fatores mais importantes no processo de aprendizagem escolar, visto que a mão é o órgão de adaptação e interação com o meio, capacitando a criança a realizar diversas ações. (Nucci, 2007).
2.9. DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR
O desenvolvimento infantil é influenciado por diversos fatores que incluem os aspectos cognitivos, motores e psicossociais que se entrelaçam no decorrer do processo de desenvolvimento do indivíduo. (Rosa Neto, 2002)
As possibilidades motoras vão se tornando cada vez mais variadas e complexas, sendo que no período pré-escolar e escolar o desenvolvimento de movimentos se torna pré-requisito para outras habilidades motoras. (Gallahue apud Rosa Neto, 2004)
O desenvolvimento motor nem sempre segue uma sequência linear. (Rosa Neto, 2004). O desenvolvimento é um processo de diferenciação contínuo e ordenado com padrões de comportamento que acompanham as diversas modificações que o ser humano apresenta durante a vida. O desenvolvimento motor é uma das áreas do desenvolvimento humano. O desenvolvimento motor é uma contínua alteração no comportamento ao longo da vida, realizado pela interação entre as necessidades da tarefa, a biologia do indivíduo e as condições do ambiente.
As respostas de um recém-nascido são basicamente motoras e o progresso é medido através de movimentos. Muitos defendem que as experiências motoras que se iniciam na infância são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, uma vez que os movimentos fornecem o meio para a criança explorar, relacionar e controlar seu ambiente. (Winck, 2004).
3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
A psicomotricidade é sugerida como meio propiciador de qualidade de vida, através de atividades psicomotoras adaptadas à faixa etária, visto que a psicomotricidade é a ciência que tem por objeto o estudo do homem através do seu corpo em movimento nas suas relações com o mundo interno e externo, integrando as funções motrizes e mentais, sob o efeito do desenvolvimento do sistema nervoso (Rezende et al., 2003).
Segundo Fonseca (1998), durante o processo de envelhecimento ocorre uma involução psicomotora que é o produto final da evolução onde acontece a deterioração das propriedades e funções dos fatores psicomotores. A esse conjunto de mudanças que acontece no idoso dá-se o nome de retrogênese. Deste modo, pode-se inferir que os aspectos psicomotores interferem na qualidade de vida da população idosa. A psicomotricidade para idosos, ou seja, a gerontopsicomotricidade tem como objetivo maior a manutenção das capacidades funcionais, melhorar e aprimorar o conhecimento de si e a eficácia das ações, sobretudo das atividades de vida diária. Visa, criar consciência de seu poder de sabedoria, valorizar suas capacidades e dar realce às suas forças, incentivar o enfrentamento de certas limitações físicas e perdas, e estimular o autocuidado com o desenvolvimento de hábitos pessoais de saúde. Essa intervenção certamente levará o idoso a questionar suas atitudes e, consequentemente, ter mais possibilidades em adaptar-se às mudanças que o envelhecimento acarreta (Levy, 2000; Vasconcelos, 2003).
3.1 Desempenho da marcha de idosos: Os princípios da psicomotricidade podem ser utilizados no meio aquático, com isso facilitam a execução de movimentos que coordenam os deslocamentos corporais, relacionados à marcha. Assim, ampliando a perspectiva de melhorias funcionais. Os fatores relacionados são: equilíbrio, coordenação motora, deslocamentos posturais na água, controle dos movimentos globais e segmentados, domínio postural e esquema corporal. Esta facilidade acontece, porque a água atua como um meio facilitador da proposta motora que, direta ou indiretamente, estimula o aparecimento de reações psicoemocionais (Santos et al., 2014). Diante disso, uma análise detalhada da marcha é necessária quando se está diante dos possíveis fatores que podem ajudar a se compreender o desempenho motor de uma pessoa idosa. Através do fortalecimento da consciência e da imagem corporal como também dos elementos associados ao equilíbrio corporal e à coordenação motora, fortalece-se a corporeidade, tendo em vista que a segurança do meio aquático propicia a integração do corpo em movimento. O objetivo do trabalho psicomotor sendo em solo ou meio aquático é de assegurar a vivência do corpo na integração de três importantes dimensões; a motorainstrumental, a emocional-afetiva e a práxico-cognitiva (Santos et al.,2014).
3.2 Efeitos dos exercícios psicomotores no equilíbrio do idoso: No processo de envelhecimento, ocorrem alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas, que alteram progressivamente o organismo ocorrendo um declínio funcional em vários sistemas: sistema muscular esquelético, sistema nervoso e somatossensorial, visual e vestibular que controlam o equilíbrio (Nascimento et al., 2007; Padoin et al., 2010). Há muitos fatores de risco para quedas de idosos; e a perda de equilíbrio é conhecida por ser um dos principais fatores intrínsecos de risco (Jbabdi; Boissy; Hamel, 2008). Além das consequências diretas da queda, os sujeitos em idade avançada restringem suas atividades devido a dores, incapacidades, medo de cair e por atitudes protetoras de familiares e cuidadores (Padoin et al., 2010). Sabe-se que a experiência motora adquirida da relação do homem com o meio ambiente culmina na exploração sensório motora, que proporciona uma melhora da organização espaço temporal, da noção de esquema corporal e do controle do corpo por meio de um melhor equilíbrio e coordenação. Assim, a organização psicomotora se processa de forma a garantir ao homem uma relação com o seu meio que oportunize experiências sociais, sensoriais e afetivas (Do Nascimento; Cortreira; Beltrame, 2011; Medina Papst; Marques,2010). A psicomotricidade exerce efeito preventivo, conservando uma tonicidade funcional, um controle postural flexível, uma boa imagem do corpo, uma organização espacial e temporal, uma integração e prolongamento de praxes motoras, perfeitamente adaptada às necessidades funcionais específicas do idoso, escapando à imobilidade, à passividade ao isolamento, à dependência e à segregação, dando a essa fase da vida a dignidade que ela merece (Fonseca, 1998). A psicomotricidade para idosos tem como objetivo maior a manutenção da consciência corporal, das capacidades funcionais, melhorar e aprimorar o conhecimento de si e a eficácia das ações, sobretudo das atividades de vida diária (Ovando; Couto, 2010).
4. COMPREENDENDO A FASE DA TERCEIRA IDADE
Será enaltecido a seguir, o que é o envelhecimento, e quais processos levam o indivíduo a se tornar um idoso e possibilitar a compreensão dessa fase.
O processo do envelhecimento:
Com o passar do tempo, a disposição da juventude vai cedendo lugar algumas perdas do corpo. A elasticidade da pele já não é mais a mesma, o nosso corpo não obedece os comandos do cérebro. Com tantas mudanças que nos presenteiam com a terceira idade alguns idosos, perdem a alegria de estar vivo.
SILVA (2005), entende que a pessoa que é considerada idosa para uma sociedade é aquela que a partir de um determinado momento da vida encerra as suas atividades econômicas e, acrescenta também que “o indivíduo passa a ser visto como idoso quando começa a depender de terceiros para o cumprimento de suas necessidades básicas ou tarefas rotineiras”.
Nas palavras de Silva, podemos entender que quem tanto fez no passado, passa em alguns casos a ser dependentes tanto físico quanto financeiro. Uma parte da sua vida lhe é tirada: principalmente a capacidade de agir por si só. Alguns nem estão 100 % debilitados , mas os filhos e a família agem, como se o idoso não tivesse mais autonomia e consciência para guiar sua própria vida. Outros recebem alguma função: a de cuidar dos netos enquanto os filhos trabalham.
Quando isso, não ocorre, a função de cuidar dos netos, os idosos acabam se sentindo inútil sentindo como um estorvo para os seus familiares. Chegar nesta fase da vida, e não conseguir somar em nada, faz o mundo parar de brilhar para eles.
Com o avançar da tecnologia onde a cada dia aparecem novidades no mercado tecnológico a todo instante. O novo deixa de ser novo muito rápido o consumo e o descarte caminham lado a lado nos levando cada vez mais a consumir e descartar. Na nossa sociedade, que tudo é descartável e o que não é mais útil é jogado fora.
Butler e Lewis (1984), também discutem essa questão nos dizendo que:
Na idade avançada, o homem vê-se ameaçado quanto às principais fontes de significado, tais como trabalho, status social e empreendimentos. A cultura ocidental, em contraste com a oriental, valoriza o jovem, a vitalidade e a produtividade econômica, não atribuindo um papel significativo para o idoso.
As pessoas idosas precisam conviver com um mundo capitalista, consumista que não vê nele utilidade e produtividade. Corroborando que quase tudo, que não está incluso é excluído, assim, as pessoas são tratadas da mesma forma, e se tratando de pessoas, segue esse mesmo pensamento e ação, exemplificando que alguns não conseguem fazer operações em caixas eletrônicos, acessar internet, dentre outros.
MENDES (2005), fala desse novo lugar que o idoso ocupa nessa sociedade e nas suas perdas sociais:
O modelo capitalista fez com que a velhice passasse a ocupar um lugar marginalizado na existência humana, na medida em que a individualidade já teria os seus potenciais evolutivos e perderia então o seu valor social. Desse modo, não tendo mais a possibilidade de produção de riqueza, a velhice perderia o seu valor simbólico.
Dessa maneira o papel social do idoso é de grande relevância para o seu envelhecimento, pois a forma de vida que levou até os dias antes terceira idade e a que terá depois que se aposentar. A aposentadoria trará nesse novo momento um distanciamento da vida produtiva associada a uma sensação de desligamento.
4.1. O processo biológico do envelhecimento:
Com tudo isso o idoso tem uma enorme dificuldade de se RE conhecer e de SE perceber. O corpo sofre enormes modificações principalmente de dimensão e peso. Alguns desgastes dão lugar a próteses. Segundo Okuma (2009):
Quando seus meios de comunicação falham, sente-se impotente para transmitir o que levou uma vida para aprender. A incapacidade é culturalmente aceita, quando não solicitada. (…) A relação entre passado e presente é outra: o futuro torna-se curto. (p. 14).
O idoso em seu processo natural de envelhecimento perde na sua estatura começando o processo inverso da infância, não mais cresce, mas agora passa a diminuir. O nariz e as orelhas passam a crescer, a pele torna-se mais ressecada, perdendo sua elasticidade e dando lugar as rugas. Os ossos tornam-se mais fracos e as fraturas são muito mais complicadas nessa idade. A força dos músculos não é mais a mesma, o coração bate mais devagar, os órgãos não tem mais tanta eficiência.
No decorrer da vida somos expostos a fatores intrínsecos e extrínsecos que ao longo da nossa vida influenciam no nosso processo de envelhecimento. São cargas genéticas e antropológicas: características que carregamos que nos foram herdadas dos nossos antepassados ou que fazem parte da história da nossa civilização; reações químicas e metabólicas; capacidade imunológica para combater doenças. Por outro lado sofremos com a radiação ao qual nos expomos; a altitude é outro fator contribuinte; a temperatura e a maneira como nos prevenimos dela; a poluição que nos contamina pelo ar; a alimentação que ingerimos – quantidade e qualidade de ingestão; a tensão emocional ao qual somos submetidos ao longo do nosso curso de vida são fatores determinantes que influenciam no nosso envelhecimento, na nossa qualidade de vida e em mortes precoce.
4.2. O processo psicológico do envelhecimento:
O idoso é como um material descartável sem grandes utilidades depois que é usado pode ser descartado. Para uma mente “cansada” é muito mais difícil acompanhar as “facilidades” do mundo moderno e, com tudo isso nos esquecemos de seus sentimentos, esquecemos da enorme enciclopédia de vida que guarda dentro de si. Esquecemos-nos do quanto esse idoso significou e cooperou para a sociedade que temos hoje.
Como podemos ver as perdas do idoso são muitas e as limitações também eles perdem socialmente e estão biologicamente limitados.
Para não enxergar as perdas e limitações que hoje fazem parte da sua vida, alguns idosos se desculpam através das doenças: Não podem sair e caminhar por conta da artrose, problemas no joelho e etc. Não fazem uma atividade física por causa da labirintite e com isso deixam de gozar as coisas boas dessa nova etapa, deixam de fazer amizades. É mais fácil encontrar-se doente do que velho. De fato alguns realmente precisam implantar e usar próteses, óculos, aparelhos auditivos, meias elásticas e tudo isso vai dando ma sensação de inautenticidade.
O desejo atrelado a impotência ou para as mulheres a “falta” de desejo do parceiro traz consigo fortes angústias e contradições.
Baseado na sua condição financeira é mais difícil ter projetos e por conta do biológico conseguir alcançá-los é muito mais complicado do que antes. Sendo assim, a falta de alternativas vem trazendo a alienação.
A cognição também sofre alterações é mais difícil a aprendizagem nessa fase da vida. A memória falha muitas vezes, trazendo alguns desconfortos e confusões e em alguns casos transtornos de comunicação, produzindo falta de credibilidade no que diz “incapacidade” até mesmo de ensinar.
Com tantos transtornos o psicológico entra em baixa e a visão de si modifica sua relação consigo mesmo.
Okuma (2009), fazendo uma análise da velhice nos mostra a situação humana vinculada à dimensão existencial, onde ocorre modificação em relação do indivíduo consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com o tempo.
Que utilidade a pessoa de 60 anos ou mais encontra em si para viver ou para se projetar na vida? Que significado tem atribuído a si? Esse significado só pode ser construído por cada um através do valor e da satisfação que possui com seu novo momento de viver. Sendo assim é necessário se ter uma existência cheia de bons significados com efeitos positivos que facilitem tal satisfação pessoal.
Wong (1989) nos mostra vários estudos revisados que enfatizam a importância do significado existencial para se lidar com a perda e a dor. Em estudos feitos junto a Reker e Peacock ele nos mostra que o senso de propósito de vida é positivamente correlacionado com a percepção de bem-estar psicológico e físico.
Dessa forma vemos que quando o idoso está mais satisfeito consigo mesmo tende a suportar melhor as adversidades da vida e principalmente as da própria idade.
4.3. O processo bio-psico-social do envelhecimento:
Ser “velho” é habituar-se a alterações biológicas, mentais e sociais que são difíceis de esconder. Todos terão que envelhecer como processo natural que nos ocorre, quando nascemos a única certeza que temos é a de que um dia morreremos e esperamos sempre que isso aconteça na velhice, isto é, quando não temos mais nada para ganhar… Como diz VELASCO (2005) a velhice é um triste coleção de perdas.
A velhice é o topo da pirâmide quando se chega lá, chega-se então ao fim. Talvez essa fosse a lógica, mas não devemos olhar a velhice como a espera da morte que não tarda em nos transportar desse mundo. Ou muito menos olhar a velhice como uma “triste coleção de perdas”, e sim como um momento da nossa vida diferente do que já foi vivido. Um dia nascemos, nos tornamos crianças, adolescentes, adultos e chega o momento de envelhecer.
Em todas as “idades” da vida temos as dificuldades que lhes são próprias e passamos bem por todos esses momentos mesmo com todas as limitações e doenças próprias de cada fase. Sofremos por não saber andar e por isso somos dependentes dos pais, a ter doenças de criança como: poliomielite, sarampo, paralisia infantil entre outras tantas doenças. Depois aprendemos mais um pouco, crescemos mais um pouco enfrentamos mais dificuldades, temos outras enfermidades e passamos mais uma vez por elas. Em todo esse trajeto alguns avançam bem, outros apresentam seqüelas no corpo e/ou na mente, por conta de doenças, maus tratos, violências físicas e psicológicas; e, ainda temos os que se vão.
Passamos a vida inteira convivendo com as dificuldades da idade e passando por elas para enfrentar as próximas, assim o ciclo permanece. Na velhice a mesma coisa: alguns sofrem com as limitações da idade, as enfermidades, as perdas e mais uma vez temos o desafio de transpor. Cada idade nos traz um novo olhar para dentro de si e a velhice é mais uma fase que teremos que passar e conviver na história da vida.
4.4. Conceituando o envelhecimento:
Vários estudiosos já tentaram conceituar a velhice. Qual o momento em que ela se constitui? Aos 50, 60, 70. Qual o início dessa nova fase em nossas vidas? Alguns declaram que nada tem a ver com a idade cronológica, mas mesmo assim conceituamos primeira idade, segunda idade e terceira idade e há quem nos fale em quarta idade, a chamada idade da velhice que se inicia aos 84 anos de idade.
Muitos classificam a velhice como um estado de espírito apesar do envelhecimento não se dar da mesma forma para todos os organismos da espécie humana. Dessa maneira a diferença entre idosos baseado em idade cronológica e biológica passa a ser a individualidade.
Para o Estatuto do Idoso, regido pela Lei nº. 10.741, de 1º de outubro de 2003, idoso é toda aquela pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.
Para a organização Mundial de saúde o envelhecimento cronológico acontece a partir dos 60 anos. E, a mesma classifica o idoso em outras três fases: 60 a 69 – jovens idosos; 70 a 79 – meio idosos e, de 80 anos em diante – idosos velhos. Essa última os franceses classificam como quarta idade.
Dessa maneira temos o conceito de envelhecimento atrelado à idade cronológica, mas não idêntico a ela. Sendo assim, o termo pode ser usado de diversas formas e vinculado a diferentes fenômenos, mudanças e alterações nos trazendo certa dificuldade de conceituar precisamente o que venha a ser a velhice.
4.5. Uma nova visão do envelhecimento:
Apesar de todo o pensamento que se tem do idoso e que foi culturalmente construído sobre o mesmo ao longo da nossa civilização não precisamos acreditar que a velhice está condenada a esse estereotipo, a todo pensamento negativo que se tem desse processo. E essa visão de velho já está mudando novas terminologias determinam esse novo momento em busca de uma velhice normal ou bem-sucedida. Segundo Néri (1995) essa teoria, a velhice bem sucedida é:
Uma condição individual e grupal de bem-estar físico e social, referenciada aos ideais da sociedade e às condições e aos valores existentes no ambiente em que o indivíduo envelhece e às circunstâncias de sua história pessoal e de seu grupo etário… uma velhice bem-sucedida preserva o potencial para o desenvolvimento, respeitando os limites da plasticidade de cada um. (p. 34)
5. METODOLOGIA
A presente pesquisa trata-se de uma pesquisa bibliográfica abrangendo os estudos nas bases de dados Pubmed, PEDro e Scielo. Os descritores utilizados foram: Psicomotricidade. Idosos. Terceira Idade.
Os artigos analisados deveriam estar em português, inglês ou espanhol compreendidos entre os anos de 2000 a 2024. A pesquisa e obtenção dos artigos para leitura e análise foram realizadas entre novembro e dezembro de 2016 e, a escrita do presente estudo foi realizada nos meses de janeiro a março de 2024. A partir dos artigos obtidos, foram avaliados os textos completos dos artigos incluídos no estudo e suas listas de referências bibliográficas foram verificadas de forma independente para identificar prováveis artigos que pudessem ser incluídos neste presente trabalho, até então, não encontrados em nossa busca eletrônica.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através deste estudo foi possível compreender a relevância de uma intervenção para a população da terceira idade, pois são pessoas que estão em busca de uma melhor qualidade de vida. Sendo assim, à necessidade de intervenção para diminuir os índices de queda e instabilidade. E a psicomotricidade possibilita uma melhora da funcionalidade como um todo, sendo da tonicidade, amplitude de movimento, equilíbrio, lateralidade, esquema corporal, espaço temporal, e coordenação motora. Possibilitando uma maior perspectiva de vida através de atividades psicomotoras direcionadas para pessoas na terceira idade.
Hoje se percebe muito mais quais são as necessidades do idoso, se percebe mais o seu processo de envelhecimento que não se dá apenas no campo biológico, mas ainda no campo psicológico e também social.
Muitas são as perdas dos idosos e é necessária uma readaptação e um reconhecimento dessa nova identidade no idoso, nessa nova fase de sua vida.
Notou-se que a atividade física é muito importante para que se tenha melhor qualidade, mais agilidade e um melhor desempenho até mesmo das tarefas rotineiras que se tornam mais pesadas e de difícil realização na velhice.
A Psicomotricidade surge na vida do idoso para unir e exercitar os diferentes campos de sua vida: social, emocional, físico e motor. O corpo adoece por conta da emoção, da sua visão de si, dos seus desgastes biológicos e a Psicomotricidade é uma área de atuação que trabalha com todo o corpo concomitantemente.
Em dias atuais podemos dizer que estamos conhecendo mais o idoso e isso faz com que conheçamos também um pouco mais sobre o nosso futuro.
Envelhecer com qualidade deve ser uma preocupação de todos nós, não devemos deixar para a velhice, mas devemos nos preparar antes para chegar com qualidade a velhice. Sendo assim, quando o corpo não obedecer mais aos comandos do cérebro com tanta rapidez e agilidade, a mente não lembrar mais com tanta facilidade começando a falhar e o social se modificar é necessário estabelecer um novo olhar para dentro de si. Antes de qualquer benefício externo é necessário se reconhecer e perceber que apesar das limitações que a vida nos traz é preciso sempre re começar.
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1 Graduada em Pedagogia, Pós Graduada em Psicomotricidade, Psicopedagogia Institucional, Educação Especial com Ênfase em Deficiência Auditiva e Libras.
