“ORTHOPANFACIAL” PROJECT: MINIMALLY INVASIVE TREATMENT OF PANFACIAL TRAUMAS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508071157
Wanderlei Gonçalves de Souza1
Adriana Gonçalves de Souza2
Resumo
No contexto dos atendimentos de emergência a pacientes politraumatizados, a prioridade inicial é relatar sobre a estabilização do quadro clínico geral, com foco nos sinais vitais. A pesquisa busca atualizar dados sobre tratamento panfacial existentes que auxiliam pacientes em coma ou consciente. A abordagem bucomaxilofacial, portanto, costuma ser postergada para um momento subsequente, o que, em casos de fraturas panfaciais, pode prejudicar o restabelecimento adequado do contorno facial devido ao tempo limitado para intervenção cirúrgica. Considerando os desafios globais e os cenários de conflito, evidencia-se a necessidade contínua de avanços em técnicas cirúrgicas e no desenvolvimento de tecnologias modernas. O projeto da caixa “Ortopanfacial”, constituem aparelhos para auxiliar nos traumas com lesões extremamente complexas do esqueleto craniofacial.
Palavras-chave: Trauma Panfacial, Trauma Nasal, Tamponamento Nasal, Anatomia do Contorno Facial, Tratamento “Ortopanfacial”.
INTRODUÇÃO
O trauma configura-se como um dos mais sérios problemas de saúde pública no Brasil e no mundo, representando uma das principais causas de morbidade e mortalidade, especialmente entre a população jovem e economicamente ativa. Situações como agressões físicas, ferimentos provocados por armas de fogo, colisões no trânsito e acidentes de trabalho constituem as causas mais frequentes desses eventos, evidenciando a necessidade de políticas públicas voltadas para a diminuição da violência e para a promoção da segurança (CALHEIRA e SANTOS, 2021).
As fraturas panfaciais configuram um grupo de lesões extremamente complexas do esqueleto craniofacial, caracterizadas pelo comprometimento simultâneo das três unidades anatômicas da face: o terço superior (incluindo o osso frontal), o terço médio (ossos zigomático, maxilar e nasal) e o terço inferior (mandíbula). Essa extensão de dano estrutural geralmente decorre de mecanismos de trauma de alta energia cinética, exigindo abordagem multidisciplinar imediata e proficiente (KIM, 2010 e SANTIAGO, 2020; SINGH, 2022 e RECCHIONI 2022).

O tratamento de urgência desses casos exige a utilização de dispositivos especializados e manobras direcionadas à estabilização do estado geral do paciente. Essa abordagem inicial é fundamental para possibilitar intervenções posteriores mais precisas e definitivas, assegurando a recuperação funcional juntamente com a reabilitação do contorno facial, promovendo resultados mais eficientes e evitando consequências adversas (PAE, 2012).
Nos casos em que o trauma maxilofacial está inserido em um contexto de politraumatismo, especialmente, quando coexistem lesões torácicas, cervicais, cranioencefálicas, hipovolemia grave ou obstruções críticas das vias aéreas, a prioridade absoluta do atendimento inicial incide sobre a estabilização hemodinâmica e ventilatória do paciente. Esse protocolo de urgência é imprescindível para garantir a sobrevida imediata do indivíduo, tendo em vista que as lesões sistêmicas representam risco iminente à vida, superando, nesse momento, as considerações estéticas e funcionais da face. No entanto, assim que o quadro clínico se estabiliza, a assistência desses profissionais torna-se essencial para evitar deformidades e garantir uma recuperação adequada (HUTCHISON, 1990; DALENA, 2020). Porém, segundo Araújo 2023, há protocolos eficazes para abordagem de fraturas panfaciais, como os métodos “de cima para baixo e de fora para dentro” e “de baixo para cima e de dentro para fora”. Enfatizando que o fator determinante para o sucesso do tratamento é o tempo de intervenção.
O restabelecimento das funções mastigatórias, respiratórias, oculares e do contorno facial está diretamente ligado às estruturas afetadas e ao tempo de tratamento. A ausência de intervenção precoce na abordagem bucomaxilofacial pode comprometer a adequada remodelação dos fragmentos ósseos, favorecendo o surgimento de fibrose nos tecidos lesados. Essa condição dificulta o manejo terapêutico subsequente e eleva o risco de deformidades faciais e sequelas, como perda de projeção da face, má oclusão, assimetria facial, parestesia, anosmia e diplopia, comprometimento da acuidade visual, epífora, enoftalmia, telecanto traumático e deformidades nasais (BARAK, 2015).
Este artigo tem como objetivo apresentar uma abordagem para o tratamento de fraturas panfaciais com os aparelhos da caixa “Ortopanfacial”, sendo utilizados com técnicas minimamente invasivas sob anestesia local ou geral.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Segundo Cavalcante (2014), a estrutura facial mais frequentemente acometida é o nariz, em razão de sua proeminência. Os ossos fraturados costumam ser estabilizados por contenção interna com gazes e contenção externa com gesso ou esparadrapo.
Considerando a imperiosidade de manter a estabilidade anatômica e a correta coaptação dos fragmentos ósseos até o momento oportuno da intervenção cirúrgica definitiva, foi concebido a caixa “Ortopanfacial”, cuja finalidade primordial é garantir a redução e imobilização temporária e funcional das estruturas faciais comprometidas.
Trata-se de um aparato de engenharia biomédica inovador e de aplicação minimamente invasiva, cujo posicionamento pode ser realizado sem representar riscos iatrogênicos ou apresentar contraindicações relevantes, mesmo em pacientes em estado clínico delicado. Sua concepção permite a fixação transcutânea e eficaz de segmentos ósseos fraturados, mantendo a integridade morfofuncional da região maxilofacial até a resolução cirúrgica final.
O emprego dos aparelhos segue um protocolo técnico rigidamente estabelecido, abrangendo desde a seleção criteriosa dos pontos de ancoragem até a aplicação de forças vetoriais específicas para a estabilização tridimensional dos ossos acometidos. Essa metodologia confere ao dispositivo uma vantagem significativa em cenários emergenciais, na qual, a abordagem cirúrgica imediata se mostra inviável, e a contenção do foco fraturado torna-se fundamental para o prognóstico funcional e estético do paciente (SOUZA, W. 1986).
Imagem 3: Foto da Animação 3D – Aparelho Ortonaso, Aparelho Ortozigoma e o Aparelho Zigomático frontal
A previsão de intervenção cirúrgica será avaliada por toda a equipe, com decisão baseada na revisão dos protocolos Advanced Trauma Life Support (ATLS), se aprovado, o tratamento seguirá todas as etapas e normas da bucomaxilofacial. Caso haja risco de morte, especialmente após avaliação neurológica, a demora na abordagem pode resultar em cicatrizes graves, deformidades pós-traumáticas, má oclusão e envelhecimento permanente. Pacientes com lesões traumáticas no esqueleto craniofacial e comprometimento neurológico enfrentarão uma reconstrução desafiadora, exigindo uma técnica minimamente invasiva para restaurar o contorno facial com precisão (MASSENBURG, 2021).
Os dispositivos para redução nasal e estabilização dos ossos que compõem o arcabouço nasal são projetados para manter, reposicionar, desobstruir e alinhar os fragmentos ósseos presentes no trajeto nasofaríngeo. Essa adaptação permite uma recuperação mais eficiente e segura, minimizando problemas e favorecendo a restauração da funcionalidade das vias aéreas (NAMA, 2020).
Falando-se do dispositivo para o tratamento do trauma nasal (ORTONASO), permanece eficaz, mesmo após a remoção do tubo endotraqueal durante a internação, garantindo a manutenção das vias aéreas livres. Além disso, sua aplicação reduz o acúmulo de secreções e previne a proliferação de bactérias, evitando o risco de meningite bacteriana em casos da presença de liquorreia. Essa abordagem contribui para a segurança e recuperação do paciente, evitando complexidades decorrentes do trauma (SOUZA, W. 1986).
Imagem 4: Visão Lateral dos Aparelhos “Ortopanfacial” de Dr. Wanderlei Souza.
O tratamento das fraturas mandibulares seguirá a mesma abordagem estratégica, incluindo a avaliação global do osso mandibular em relação ao trauma craniano, planejamento adequado e aplicação de aparelhos para estabilização das estruturas fraturadas. Os ajustes dos dispositivos serão realizados conforme a necessidade e a adaptação das fraturas, garantindo alinhamentos precisos e contornos adequados. Essa abordagem visa, principalmente, prevenir o colapso da base da língua causado pelo deslocamento dos músculos genioglosso e gêniohioideo, promovendo uma recuperação funcional eficaz (Tung, 2000).
Imagem 5: Visão Frontal dos Aparelhos da caixa “Ortopanfacial” para Mandíbula.
METODOLOGIA
Este estudo, de caráter observacional, aborda sobre tratamentos para o trauma facial, desenvolvido pelo Prof. Especialista Bucomaxilofacial Wanderlei Gonçalves de Souza. A pesquisa apresenta um projeto em desenvolvimento voltado à criação de diversos instrumentos específicos para o tratamento de traumas envolvendo o osso zigomático, o processo zigomático do osso frontal, a região nasal e mandíbula. Todos esses dispositivos integram o conjunto denominado “Ortopanfacial”, voltado à atuação bucomaxilofacial.
Para fundamentar a pesquisa, foram inicialmente selecionados 35 artigos científicos. Após aplicação dos critérios estabelecidos, 20 foram incluídos na análise mais 02 livros e 15 foram descartados por não atenderem aos parâmetros definidos. A coleta de dados foi realizada por meio das bases Arquivo Brasileiro de Odontologia, Lilacs, PubMed, Revista da USP-SP, Research, Society and Development, Revista Odontólogo Moderno, Researchgate, Revista Contribuciones a Las Ciencias Sociales, Scielo, Manual Básico de Urgência em Traumatologia de Face e o Manual Prático em Cirurgia Bucomaxilofacial.
RESULTADO
Os resultados indicam que a maioria dos autores concorda com a eficácia dos protocolos “de cima para baixo e de fora para dentro” e “de baixo para cima e de dentro para fora” no tratamento de fraturas panfaciais. No entanto, apesar de sua efetividade, o tempo necessário para a intervenção da especialidade de bucomaxilofacial pode ocasionar sequelas, comprometendo a recuperação funcional e estética dos pacientes. Isso reforça a importância de estratégias que permitam uma abordagem mais ágil, diminuindo os impactos negativos e garantindo melhores resultados no tratamento (CORREA, 2013).
Outro fator relevante observado é a dificuldade de estabilização das fraturas em pacientes inconscientes ou agitados, sem a colaboração para manter a redução e fixação realizadas pelos métodos convencionais. Essa condição compromete a eficácia do tratamento e pode impactar negativamente os resultados.
A diplopia pode surgir em casos de trauma no rebordo orbitário associado ao deslocamento do nervo óptico, sendo mais frequente, em situações de redução tardia. Pode ser agravada por fragmentos ósseos residuais que comprometem estruturas anatômicas e dificultam a reabilitação ocular (SANTOS, 2020).
Correa (2013) e Araújo (2023) destacam que a aplicação de trações por determinados dispositivos pode prevenir diversas complicações nos movimentos mandibulares, relacionadas ao afundamento do arco zigomático e à fibrose na fossa zigomática temporal, impedido o movimento adequado da articulação temporomandibular, em especial, o processo coronoide. Porém, nem todos os métodos apresentam a mesma eficácia, e muitos resultam em deformidades e sequelas irreparáveis.
No entanto, é essencial conhecer os dispositivos presentes na caixa bucomaxilofacial “Ortopanfacial”, os quais desempenham um papel fundamental no avanço do tratamento do trauma panfacial, favorecendo uma recuperação mais ágil e operativo. A aplicação dos aparelhos da caixa “Ortopanfacial” é realizada sob anestesia local ou geral, seguindo uma abordagem minimamente invasiva. Durante o período de espera para a intervenção definitiva, esses dispositivos, garantem a manutenção da redução e fixação da fratura, estabilizando as estruturas e preenchendo os espaços gerados pelo trauma. O tempo de permanência dos aparelhos de contorno facial varia entre 3 e 5 dias, conforme a avaliação por imagem e a necessidade de intervenção clínica. (SOUZA, W. 1986 e 1990).

Imagem 6 e 7: Aparelhos em 3D do Ortozigoma e do Zigoma.
Imagem 8: Foto de Animação 3D do Ortonaso
Imagem 9: Foto da Caixa Bucomaxilofacial “ORTOPANFACIAL”
DISCUSSÃO
Com base na análise aprofundada dos achados deste estudo e no cruzamento com a literatura científica contemporânea, evidencia-se que, embora os recursos terapêuticos disponíveis, tanto os dispositivos quanto às metodologias aplicadas apresentem eficácia comprovada em grande parte dos traumas, ainda persiste uma parcela significativa de situações que culminam em desfechos insatisfatórios (RIBEIRO, 2024).
Esses resultados poderiam ser evitados se a priorização do tempo de intervenção e a aplicação dos dispositivos adequados fossem garantidas. Em outras palavras, falhas na priorização do atendimento inicial e na escolha do dispositivo mais adequado ao perfil e gravidade do paciente comprometem expressivamente os resultados, tanto no que diz respeito à recuperação funcional quanto aos aspectos estéticos da reabilitação. Dessa forma, infere-se que a implementação de diretrizes clínicas mais robustas, embasadas em fluxogramas de decisão dinâmicos e sensíveis às variáveis clínicas individuais, pode não apenas reduzir a incidência de complicações iatrogênicas e recorrências, como também, potencializar a efetividade da intervenção, promovendo uma trajetória de recuperação mais célere, segura e satisfatória (SANTOS, 2020).
A previsão de intervenção será realizada por toda a equipe médica, garantindo uma avaliação criteriosa do quadro clínico do indivíduo. Quando o paciente apresenta condições favoráveis, a cirurgia pode ser realizada no tempo ideal, aumentando a eficácia do tratamento e diminuindo os riscos (VIDAL, 2009).
O uso desses dispositivos em caráter de urgência prioriza a estabilização eficaz das fraturas, proporcionando resultados satisfatórios na recuperação estrutural e funcional da face, garantindo ao paciente um processo de reabilitação mais seguro (SOUZA, 1986 e 1990).
CONCLUSÃO
O interesse em tratar fraturas panfaciais surgiu a partir da utilização do contensor nasal bifuncional (ORTONASO), empregado pela primeira vez no Hospital São Lucas, em Porto Alegre, durante o curso de mestrado da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em 1983. Reconhecendo a relevância e os benefícios que esses dispositivos oferecem aos pacientes, independentemente do tipo de trauma ou faixa etária. Foi publicado um artigo na Revista Odontólogo Moderno, volume XIII, nº 2, em março de 1986. Em 1993, esse autor, participou do X Congresso Prêmio Talento Brasileiro promovido pelo Serviço Social da Indústria (SESI), com o Contensor Bifuncional de Fraturas Nasais e o Imobilizador Bilateral do osso zigomático, os quais, sagrou-se vencedor em 1º e 2º lugar do referido concurso a nível estadual.
Atualmente, o projeto da caixa “ORTOPANFACIAL” está em desenvolvimento com o propósito de promover o contorno facial por meio de trações, visando à redução das fraturas de forma parcial ou completa, conforme a gravidade do quadro clínico. Em especial, o ORTONASO apresenta utilidade significativa em pacientes com asma, gestantes, pacientes especiais e alcoólatras.
A modernização dos protocolos assistenciais com esses aparelhos, aliados à capacitação contínua das equipes multidisciplinares, figura, assim, como um imperativo estratégico para a elevação do padrão de cuidado e para a consolidação de práticas baseadas em evidências de impacto e desfechos clínicos mensuráveis. Tendo, em vista, a capacitação dos profissionais bucomaxilofacial em Hospitais e Universidades para uso do mesmo.
REFERÊNCIAS
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1Especialista Bucomaxilofacial. Inventor dos aparelhos “ORTOPANFACIAL”. Atualmente trabalha no Hospital Regional do Agreste (HRA) em Caruaru-PE, Plantonista Bucomaxilofacial. Presidente da @ORTONASO. E-mail: ortonasodrwanderlei@hotmail.com
2Enfermeira Pós Graduada em Saúde do Idoso. Diretora da @ORTONASO. Atualmente é discente do 6º Período do Curso Superior de Bacharelado de Odontologia do Instituto Ser Educacional Campus Caruaru-PE. E-mail: ortonasodrwanderleisouza@hotmail.com Contato: 81.9.9755-6668.
