PROFILAXIA NO PROGNÓSTICO DA CATARATA CONGÊNITA

PROPHYLAXIS IN THE PROGNOSIS OF CONGENITAL CATARACT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510311228


Geanne D`Marre1
Benedito Henrique Lima Rodrigues Silva2
Yasmin de Oliveira Matny Petisco3
Orientadora Dra. Marlene Guimarães Santos4


Resumo

Introdução: A catarata congênita é uma das principais causas evitáveis de cegueira na infância, caracterizada pela opacificação do cristalino presente ao nascimento ou nos primeiros meses de vida. Essa condição pode comprometer gravemente o desenvolvimento visual da criança, levando a déficits permanentes se não for diagnosticada e tratada precocemente. A detecção precoce e o tratamento adequado são fundamentais para a preservação da visão e da qualidade de vida da criança. Objetivos: O presente estudo tem como objetivo revisar a literatura científica sobre a catarata congênita, com ênfase na importância da profilaxia, do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno. Busca-se evidenciar os principais métodos diagnósticos, especialmente o Teste do Reflexo Vermelho (TRV), e as condutas terapêuticas indicadas, além de discutir os impactos da intervenção precoce no prognóstico visual. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, com pesquisa realizada nas bases de dados SciELO, PubMed e LILACS, utilizando os descritores: “catarata congênita”, “profilaxia”, “diagnóstico precoce”, “tratamento cirúrgico” e “baixa visão”. Foram incluídos artigos publicados entre 2014 e 2024, em português e inglês, que abordam a temática de forma relevante para a prática clínica em oftalmologia pediátrica. Resultados: A literatura analisada aponta que o Teste do Reflexo Vermelho, realizado ainda na maternidade, é o principal exame de triagem para identificação precoce da catarata congênita. A intervenção cirúrgica, quando realizada até os três meses de idade em casos unilaterais e até os quatro meses em bilaterais, apresenta os melhores resultados visuais. A reabilitação visual com lentes corretivas e oclusão do olho não afetado são medidas essenciais para evitar ambliopia. A profilaxia também inclui cuidados pré-natais, como vacinação contra rubéola e acompanhamento adequado da gestação. Conclusão:A catarata congênita, apesar de grave, possui bom prognóstico quando identificada e tratada precocemente. Políticas públicas de triagem neonatal, capacitação dos profissionais de saúde e garantia de acesso ao tratamento especializado são essenciais para prevenir a cegueira infantil. Investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e reabilitação visual contribuem significativamente para a qualidade de vida das crianças afetadas e para a redução das taxas de deficiência visual na infância.

Palavras-Chave: Catarata. Catarata Infantil. Patologia Congênita. Profilaxia.

Abstract

Introduction: Congenital cataract is one of the leading preventable causes of childhood blindness, characterized by clouding of the lens present at birth or in the first months of life. This condition can seriously compromise a child’s visual development, leading to permanent deficits if not diagnosed and treated early. Early detection and appropriate treatment are essential for preserving a child’s vision and quality of life. Objectives: This study aims to review the scientific literature on congenital cataract, emphasizing the importance of prophylaxis, early diagnosis, and timely treatment. The aim is to highlight the main diagnostic methods, especially the Red Reflex Test (RRT), and the recommended therapeutic approaches, in addition to discussing the impact of early intervention on visual prognosis. Methodology: This is a narrative literature review, with research conducted in the SciELO, PubMed, and LILACS databases, using the descriptors: “congenital cataract,” “prophylaxis,” “early diagnosis,” “surgical treatment,” and “low vision.” Articles published between 2014 and 2024, in Portuguese and English, that address the topic in a manner relevant to clinical practice in pediatric ophthalmology were included. Results: The analyzed literature indicates that the Red Reflex Test, performed in the maternity ward, is the main screening test for early identification of congenital cataracts. Surgical intervention, when performed up to three months of age in unilateral cases and up to four months in bilateral cases, produces the best visual outcomes. Visual rehabilitation with corrective lenses and occlusion of the unaffected eye are essential measures to prevent amblyopia. Prophylaxis also includes prenatal care, such as rubella vaccination and adequate pregnancy monitoring. Conclusion: Congenital cataracts, although serious, have a good prognosis when identified and treated early. Public policies for neonatal screening, training of health professionals, and ensuring access to specialized treatment are essential to prevent childhood blindness. Investments in prevention, early diagnosis, and visual rehabilitation contribute significantly to the quality of life of affected children and to reducing childhood visual impairment rates.

Keywords: Cataract. Childhood Cataract. Congenital Pathology. Prophylaxis.

1 INTRODUÇÃO

A catarata é uma das principais causas tratáveis de cegueira no mundo, representando cerca de 40% dos 45 milhões de casos globais (SHEELADEVI et al., 2016). Embora frequentemente associada à população idosa, a doença também pode afetar crianças, especialmente quando presente desde o nascimento, sendo então classificada como catarata congênita. Essa condição se caracteriza pela opacificação do cristalino, dificultando a passagem da luz para a retina e comprometendo o desenvolvimento visual.

A etiologia da catarata congênita é multifatorial, podendo envolver causas hereditárias, distúrbios metabólicos como a galactosemia, infecções congênitas como a rubéola e toxoplasmose, além de síndromes genéticas e causas idiopáticas (MANUAL SAÚDE PARA FAMÍLIA, 2022). O diagnóstico precoce, por meio do teste do reflexo vermelho (teste do olhinho), é fundamental para evitar sequelas visuais permanentes, como a ambliopia.

Apesar dos avanços na triagem neonatal e no acesso a tratamentos, a catarata congênita ainda representa entre 6,4% e 12,7% dos casos de deficiência visual em crianças no Brasil. A literatura destaca a importância da cirurgia precoce, idealmente até o terceiro mês para casos unilaterais e até o quarto mês para casos bilaterais, seguida por acompanhamento rigoroso e reabilitação visual. Dessa forma, esta revisão visa reunir as principais evidências sobre a profilaxia e o prognóstico da catarata congênita, ressaltando a importância do diagnóstico precoce, das intervenções oportunas e das políticas públicas de saúde ocular infantil.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A catarata congênita é uma opacificação do cristalino presente ao nascimento ou que se desenvolve nos primeiros meses de vida. Essa alteração pode afetar um ou ambos os olhos e comprometer de forma significativa o desenvolvimento visual da criança, podendo resultar em baixa visão ou cegueira irreversível. Em geral, a detecção ocorre ainda na maternidade, por meio do teste do reflexo vermelho (TRV), também conhecido como “teste do olhinho” (PLAGER et al., 2014).

A catarata congênita pode surgir como resultado de fatores hereditários, como resultado de anomalias no desenvolvimento da criança ou mesmo como resultado de relações sexuais durante a gravidez, como infecções, doenças da mãe – como rubéola, toxoplasmose e sífilis materna – , radiação excessiva ou mesmo consumo de álcool e tabaco. Em muitos casos, a dificuldade de observar a catarata em crianças faz com que a doença passe despercebida. Nessas situações, o desenvolvimento da criança pode sofrer sérios prejuízos.

O sintoma mais característico da catarata congênita é a brancura do olho, como se houvesse uma película no globo ocular, que cria a sensação de pupila opaca. No entanto, condições como estrabismo e movimentos oculares descoordenados também podem indicar a presença de catarata congênita.

A catarata leva a uma visão ruim no olho afetado, que geralmente só pode ser melhorada com cirurgia. No caso das crianças, torna-se mais grave, se não for tratada rapidamente, a deficiência visual pode tornar-se irreversível devido ao desenvolvimento da ambliopia, que é um distúrbio no desenvolvimento da capacidade de enxergar (ver material informativo específico sobre ambliopia).

Existem dois tipos de catarata: congênita (infantil), presente ao nascimento ou que aparece logo após; e a catarata adquirida, que aparece mais tardiamente e geralmente está relacionada a alguma causa específica, como traumas ou doenças sistêmicas. Ambos os tipos podem ser unilaterais ou bilaterais, parciais ou completos (total). Muitas cataratas congênitas têm causa desconhecida; alguns são herdados geneticamente, outros são secundários a doenças infecciosas intra uterinas (rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus e sífilis) ou doenças metabólicas, ou ainda estão associados a várias síndromes.

Figura 1 Cristalino com catarata

Fonte: Clínica Raskin (2023)

Além do trauma, outras causas de catarata adquirida incluem uveíte (inflamação intraocular), infecções oculares adquiridas, diabetes e medicamentos (principalmente corticosteroides tópicos ou sistêmicos) (SOLEBO et al., 2020). Quanto à etiologia, a maioria dos casos é considerada idiopática, sendo um terço hereditário, sem doença sistêmica associada, como trissomia do cromossomo 21 e síndrome de Turner.

Causas raras são devidas a distúrbios metabólicos, como galactosemia e hipocalcemia. Infecções intra uterinas graves como toxoplasmose, rubéola, herpes e citomegalovírus também podem ser um fator etiológico. Nos casos unilaterais, pode haver associação com lentidão e persistência da vascularização fetal, que raramente está associada a síndromes ou são hereditárias. As cataratas hereditárias, que são predominantemente autossômicas dominantes, podem ser morfologicamente diferentes entre mãe e filho. (TADROS et al., 2016). Na Figura 1 se observa as diferenças de cristalino nos casos normais e na catarata.

2.1 DIAGNÓSTICO DE CATARATA CONGÊNITA

É importante prestar atenção a outras características. Você pode ficar atento a sintomas como: recusa de luzes brilhantes, dificuldade em encontrar pequenos objetos ao engatinhar e mudanças na maneira como ele tateia e pega brinquedos e outros objetos (BECK et al., 2021).

O principal método de diagnóstico da catarata congênita é o exame do reflexo vermelho, também conhecido como teste do olhinho. O exame consiste em projetar uma luz especial no olho da criança, que permite ao oftalmologista observar qualquer alteração nas estruturas oculares e ajuda a prevenir a cegueira irreversível. (FREEDMAN et al., 2015).

Figura 2 Passo a passo do teste do olhinho

Fonte: G1 (2023).

O exame é melhor realizado nas primeiras horas de vida ou antes que o bebê saia do hospital. Depois disso, é fundamental que o médico seja constantemente acompanhado no âmbito das consultas de rotina, que devem ser realizadas durante o primeiro ano de vida. Na Figura 2 se nota como é realizado o teste do olhinho. (CHOUGULE et al., 2018).

2.2 EPIDEMIOLOGIA DOS CASOS DE CATARATA CONGÊNITA

A catarata congênita ainda é uma das principais causas de baixa visão em crianças hoje. Enquanto as causas infecciosas desempenham um papel secundário nos países desenvolvidos, no Brasil, a rubéola congênita continua sendo uma das principais causas de catarata, observada em 20,96% das crianças deste estudo. Quando adquirida nos três primeiros meses de gestação, essa infecção pode causar, além da catarata, uma série de malformações sistêmicas no recém-nascido. Esta é uma causa evitável, porém neste estudo constatou-se que há um grande número de gestantes (22,58%) que não fazem o pré-natal e provavelmente o programa de vacinação específico não atingiu todos os seus objetivos (SAMY et al., 2021).

Quanto ao diagnóstico, constatou-se que na maioria dos casos (72,58%) a mãe é a primeira a detectar alterações oculares, seguida pelo pediatra (16,13%), o que demonstra a relativa facilidade de diagnóstico. O principal sintoma identificado é a leucocoria, observada em 80,64% dos casos. Há também uma série de outras doenças oftalmológicas de início na infância que podem levar a melhores desfechos se detectadas precocemente, como retinoblastoma, retinopatia da prematuridade, glaucoma congênito, entre outras. Para a suspeita inicial, muitas vezes é necessária apenas a avaliação do eixo visual, o que permitirá o encaminhamento adequado dessas crianças para um exame mais detalhado para diagnóstico definitivo e posterior tratamento (LOTTELLI et al., 2023).

Diante dessa realidade, foi criada no município de São Paulo a Lei 13.463 de 4 de dezembro de 2002, que é regida pelo Decreto 42.877 de 20 de fevereiro de 2003, que obriga os hospitais da rede pública de saúde a realizarem “pequenos exames oftalmológicos”. O objetivo é detectar o reflexo vermelho no fundo do olho da criança, o que permite verificar se o eixo visual está livre, sem anomalias que prejudiquem o desenvolvimento da visão. Outros estados seguiram o exemplo, mas o objetivo final é que a ação se torne lei federal.

Neste estudo, constatou-se que em 93,44% dos casos, as alterações oculares compatíveis com a catarata são detectadas até os 3 meses de vida, quando, segundo diversos autores, esse período seria o mais favorável para intervenção no sentido de estimular o desenvolvimento de funções visuais. Infelizmente, antes desta idade, apenas 33,87% das crianças visitam uma clínica específica e apenas 3,23% dos pacientes são operados nesta fase, o que pode significar, entre outras coisas, falta de informação ou mesmo dificuldade de acesso a serviços especializados que nem sempre são capaz de satisfazer a demanda ou mesmo carecer de tratamentos posteriores por parte de alguns indivíduos (RASTOGI et al., 2018).

2.3 TRATAMENTO NA CATARATA CONGÊNITA

O tratamento da catarata congênita varia de acordo com a intensidade do problema, ou seja, depende do grau de turvação e déficit visual causados pela doença, bem como das possíveis alterações oculares associadas ao problema. Se as cataratas presentes no nascimento forem totais e prejudicarem levemente a visão, elas devem ser removidas cirurgicamente a tempo de garantir que não ocorra ambliopia grave ou irreversível (perda de visão em crianças que ocorre quando o cérebro ignora a imagem recebida de um olho) (BOTHUN et al., 2021).

O tratamento depende da intensidade da turvação e do grau de deficiência visual causado. A catarata total presente ao nascimento deve ser operada precocemente. Os parciais requerem uma avaliação individual. A prevenção da cegueira por catarata congênita deve ser feita pela imunização contra rubéola antes da gravidez, pré-natal adequado e detecção precoce com encaminhamento imediato para tratamento adequado (KOCH et al., 2019).

A catarata é removida por sucção através de uma pequena incisão. Muitas crianças podem ter um implante de lente intraocular após os 6 meses de idade. No pós-operatório, a correção da visão com óculos, lentes de contato ou ambos geralmente é necessária para obter um melhor resultado. Após a remoção de uma catarata unilateral, a qualidade da imagem no olho afetado é menor do que no outro olho (supondo que o outro olho seja normal). Como o melhor olho é o preferido, o cérebro infantil suprime a imagem de baixa qualidade e as crianças podem desenvolver ambliopia (acuidade visual reduzida de um olho causada pelo desuso no desenvolvimento da visão). Portanto, mesmo após a remoção da catarata, é necessário um tratamento eficaz da ambliopia para que o olho tratado desenvolva uma visão normal. Algumas crianças não conseguem atingir uma boa acuidade visual. Por outro lado, a visão de crianças submetidas à remoção de catarata bilateral, onde a qualidade da imagem é semelhante em ambos os olhos, geralmente é igualmente desenvolvida em ambos os olhos (SOLEBO et al., 2020).

Ou seja, a eficácia do tratamento depende da intensidade da opacidade e da idade ao diagnóstico. Casos graves e bilaterais requerem cirurgia precoce, geralmente até os quatro meses de vida, com posterior uso de lentes corretivas e terapias visuais para prevenir ambliopia (BOTHUN et al., 2021; KOCH et al., 2019).

3 METODOLOGIA

Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, com o objetivo de reunir, analisar e sintetizar os conhecimentos científicos disponíveis sobre a catarata congênita, com ênfase nas estratégias de profilaxia e seu impacto no prognóstico. A pesquisa foi realizada por meio da seleção criteriosa de artigos científicos, livros, diretrizes clínicas e publicações relevantes nas áreas de oftalmologia pediátrica e saúde pública.

As bases de dados utilizadas para a busca foram SciELO, PubMed e LILACS, abrangendo publicações nacionais e internacionais. Foram incluídos estudos publicados nos últimos dez anos, redigidos em português, inglês ou espanhol, que abordassem diretamente a catarata congênita, seu diagnóstico, tratamento, intervenções precoces e medidas profiláticas. Artigos duplicados, com metodologia inadequada ou que não tratassem do tema central foram excluídos.

A seleção dos materiais seguiu critérios de relevância, atualidade e qualidade científica. Os descritores utilizados incluíram termos como “catarata congênita”, “profilaxia”, “diagnóstico precoce”, “prognóstico visual” e “tratamento cirúrgico em neonatos”, com operadores booleanos para refinar os resultados. Após a triagem dos títulos e resumos, os artigos selecionados foram lidos na íntegra e analisados criticamente.

A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, buscando identificar pontos em comum, divergências e lacunas na literatura, com o intuito de construir uma visão ampla e atualizada sobre a importância da intervenção precoce e das medidas preventivas no desfecho clínico da catarata congênita.

Este trabalho respeita os princípios éticos da pesquisa científica, não envolvendo coleta de dados com seres humanos, e, portanto, dispensado de aprovação por Comitê de Ética, conforme previsto na Resolução nº 510/16 do Conselho Nacional de Saúde.

4 RESULTADOS

A revisão da literatura evidenciou que a catarata congênita, embora tratável, continua sendo uma importante causa de deficiência visual e cegueira evitável na infância, especialmente em países em desenvolvimento. Os estudos analisados reforçam que o sucesso do tratamento está diretamente relacionado ao diagnóstico precoce, à realização oportuna da cirurgia e à adesão ao acompanhamento oftalmológico e reabilitação visual.

O Teste do Reflexo Vermelho (TRV) se destacou como ferramenta essencial para a triagem neonatal, sendo de baixo custo, não invasivo e eficaz na detecção precoce de opacidades do cristalino. A literatura mostra que a cirurgia idealmente deve ser realizada até o terceiro mês de vida em casos unilaterais e até o quarto mês em casos bilaterais, a fim de evitar o desenvolvimento de ambliopia e outras complicações visuais.

Além disso, os dados sugerem que a reabilitação visual — com o uso de lentes de contato, óculos e terapias oclusivas — é um componente fundamental do tratamento, tendo impacto direto no prognóstico visual da criança. Fatores como acesso à saúde, capacitação de profissionais para detecção precoce, acompanhamento pós-operatório e envolvimento da família também foram identificados como determinantes para os desfechos positivos.

5 CONCLUSÃO

A catarata congênita representa uma condição oftalmológica séria e potencialmente tratável, cujo prognóstico visual está fortemente relacionado à precocidade no diagnóstico e à intervenção cirúrgica adequada. A presente revisão bibliográfica demonstrou que medidas profiláticas, como a realização do Teste do Reflexo Vermelho nas primeiras semanas de vida e o encaminhamento rápido a serviços especializados, são determinantes para o sucesso terapêutico e prevenção da ambliopia.

Além disso, o tratamento da catarata congênita não se resume à cirurgia, exigindo acompanhamento oftalmológico regular e reabilitação visual adequada, com o uso de lentes corretivas e terapias de estímulo visual. A literatura evidencia que, quando conduzido corretamente, o manejo da catarata congênita permite o desenvolvimento visual adequado e a redução significativa do risco de cegueira infantil.

Dessa forma, é imprescindível que políticas públicas voltadas à saúde ocular infantil priorizem a triagem neonatal universal, a capacitação de profissionais da atenção básica e o acesso rápido ao tratamento especializado, a fim de garantir melhores prognósticos e qualidade de vida às crianças afetadas.

REFERÊNCIAS

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1Discente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho FIMCA e-mail: geannedireito@yahoo.com.br
2Discente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho FIMCA e-mail: beneditohenrique.llima@gmail.com
3Discente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho FIMCA e-mail: yaspetisco@gmail.com
4Docente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho FIMCA.