REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202510310046
Anna Carla da Silva Meireles
Márcia Rafaela Boni Fernandes
Orientadora: Graciele Cristina Rodrigues Mafra
RESUMO
Introdução: A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma enfermidade silenciosa marcada por pressões sanguíneas altas e persistentes. O tratamento medicamentoso da pressão arterial acarreta diferentes alterações na cavidade oral, tais como: hiperplasia, xerostomia, redução na mobilidade da língua, dificuldade na mastigação e na deglutição dos alimentos, alteração na sensação do sabor, aumento da incidência de candidíase, aumento de cárie e doença periodontal, desconforto oral noturno e sensação de queimação. Objetivo: Desenvolver uma tecnologia de ensino sobre as manifestações de patologias orais em pacientes portadores de hipertensão arterial, devido ao uso de medicamentos. Metodologia: revisão integrativa da literatura e o desenvolvimento de tecnologia educacional acerca dos cuidados odontológicos em pacientes com hipertensão. Conclusão: Esta doença com uso de terapia medicamentosa, podem resultar em várias manifestações orais. O dentista deve sempre aferir a pressão arterial antes de qualquer procedimento odontológico, especialmente os mais invasivos, para evitar sangramentos. Além disso, é crucial controlar a ansiedade, manter uma boa higiene oral, conscientizar as principais alterações na cavidade oral, como a hiperplasia gengival e xerostomia induzida por medicamentos
Palavras Chaves: Manejo odontológico para pacientes hipertensos, Doenças bucais em hipertensos, Xerostomia e Hiperplasia Gengival em hipertensos
ABSTRACT
Introduction: Systemic Arterial Hypertension (SAH) is a silent disease characterized by high and persistent blood pressure. Drug treatment of blood pressure causes several changes in the oral cavity, such as: hyperplasia, xerostomia, reduced tongue mobility, difficulty chewing and swallowing food, changes in taste sensation, increased incidence of candidiasis, increased caries and periodontal disease, nocturnal oral discomfort and burning sensation. Objective: To develop a teaching technology on the manifestations of oral pathologies in patients with arterial hypertension, due to the use of medications. Methodology: integrative review of the literature and the development of educational technology on dental care in patients with hypertension. Conclusion: This disease, when used with drug therapy, can result in several oral manifestations. The dentist should always measure blood pressure before any dental procedure, especially the most invasive ones, to avoid bleeding. Furthermore, it is crucial to control anxiety, maintain good oral hygiene, and be aware of the main occasional changes in the mouth, such as gingival hyperplasia and xerostomia caused by medication.
Keywords: Dental management for hypertensive patients, Oral diseases in hypertensive patients, Xerostomia and Gingival Hyperplasia in hypertensive patients
INTRODUÇÃO
A hipertensão arterial (HA) é caracterizada como uma condição assintomática, marcada por um aumento anormal da pressão arterial, com pressão sistólica superior a 140 mmHg e diastólica superior a 90 mmHg, ela é uma condição multifatorial que requer tratamento com medicamentos e alterações no modo de vida do indivíduo para diminuir o risco de complicações ao longo da vida e se torna uma preocupação de saúde pública, uma vez que é um fator de risco para enfermidades cerebrais, doença isquêmica do coração e insuficiência cardíaca.
Segundo a OMS a hipertensão afeta mais de 30% da população adulta em todo o mundo, e é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, como a doença coronariana e o acidente vascular cerebral, além da doença renal crônica, insuficiência cardíaca, arritmia e demência (OMS, 2020)
De acordo com SONIS et al. (14), cerca de 20% dos adultos que visitam clínicas odontológicas possuem hipertensão. A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma enfermidade silenciosa marcada por pressões sanguíneas altas e persistentes. Assim, durante a medição da pressão arterial (PA) deve estar enquadrada na categoria de HAS persistente. Isso significa que apenas uma medição não nos permite fazer um diagnóstico, já que a PA pode variar ao longo das 24 horas do dia, sendo geralmente mais elevada durante as horas de sono (descenso noturno), apresentando picos de elevação no fim da manhã e no meio da tarde do meio-dia.
A hipertensão arterial, além de inviabilizar o tratamento odontológico, apresenta riscos mortais. Por ser uma condição comumente assintomática, tende-se a agravar com mudanças estruturais e/ou funcionais em órgãos-alvo, tais como o coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos. Além disso, está ligada a fatores de risco metabólicos para enfermidades do sistema cardiovascular e renal.
Na odontologia, já é bem estabelecido o conceito de influência bilateral da HA com o atendimento odontológico, visto que, na grande maioria dos casos, a ida ao consultório odontológico e realização de alguns procedimentos podem causar estresse e consequente aumento da PA do paciente que, por sua vez, vai interferir no processo e ser determinante na decisão de realizar ou não o procedimento planejado pelo cirurgião dentista.
Corrêa e colaboradores, em 2005, apontam que o tratamento medicamentoso da pressão arterial acarreta diferentes alterações na cavidade oral, tais como: hiperplasia, xerostomia, redução na mobilidade da língua, dificuldade na mastigação e na deglutição dos alimentos, alteração na sensação do sabor, aumento da incidência de candidíase, aumento de cárie e doença periodontal, desconforto oral noturno e sensação de queimação
Sendo assim, o objetivo do estudo é apresentar as manifestações orais em pacientes portadores de hipertensão arterial através de achados em revisão de literatura em forma de produto educacional.
JUSTIFICATIVA
A relevância deste estudo reside no fato de que a hipertensão arterial, quando não controlada, pode causar sintomas tanto no corpo quanto na cavidade oral. É crucial fornecer informações e identificar o estado de saúde desses pacientes, fornecendo e intensificando orientações sobre a enfermidade e incentivando o autocuidado com a saúde oral. Portanto, é crucial condensar e comunicar as informações sobre a HA de maneira clara e compreensível para que possam ser compreendidas pelos pacientes.
Assim, permitirá que eles identifiquem sinais e sintomas, busquem atendimento de saúde bucal para um melhor controle das condições orais. Este artigo é relevante, pois uma tecnologia educacional pode ser útil para auxiliar no processo de ensino e a adquirir conhecimentos sobre as patologias orais.
OBJETIVO
Objetivo Geral
O objetivo do estudo é apresentar um produto educacional como forma de estratégia em educação em saúde nos cuidados orais em pacientes hipertensos
Objetivos específicos
- Identificar na literatura dados necessários sobre saúde oral para indivíduos com hipertensão arterial
- Desenvolver uma tecnologia de ensino sobre as manifestações de patologias orais em pacientes portadores de hipertensão arterial, devido ao uso de medicamentos.
MÉTODO
Este estudo foi conduzido em duas fases: revisão integrativa da literatura e o desenvolvimento de tecnologia educacional acerca dos cuidados odontológicos em pacientes com hipertensão. Inicialmente, efetuou-se uma revisão sistemática da literatura através de uma pesquisa bibliográfica nas seguintes áreas: bases de dados online: PubMed/MEDLINE, LILACS e Google Acadêmico. Restringindo o período de busca a partir de 2018 até 2025. Os artigos coletados por meio de pesquisas, baseadas em temas específicos; “manejo odontológico para pacientes hipertensos “, “doenças bucais em hipertensos”, Hiperplasia Gengival em hipertensos ’’.
30 artigos foram encontrados, porém, os critérios para inclusão foram os artigos de revisão, relato de caso e trabalho de pesquisa que se adequavam a temática proposta, sendo 6 artigos selecionados (Tabela 1), os artigos publicados que não estavam nos idiomas inglês, português e espanhol foram excluídos.
Tabela 1: Artigos Selecionados
| Ano | Autor | Titulo | Conclusão |
| 2018 | Reis torres | Atendimento odontológico em pacientes hipertensos: revisão de literatura | Concluiu-se que o tratamento odontológico de pacientes hipertensos representa um desafio para os cirurgiões dentistas, os quais devem estar embasados cientificamente de forma que a estabelecer a melhor conduta para o manejo deste tipo de paciente. |
| 2019 | Pereira, Oliveira | Tratamento odontológico para pacientes portadores de necessidades especiais: hipertensão arterial crônica | O odontólogo por sua vez possui uma base de formação com direcionamento para ser minucioso na anamnese do paciente, pois é ela que norteia o conhecimento do estado clínico do paciente em questão e consequentemente o ponto de partida para o planejamento, procedimento e seu passo a passo, pois cada atendimento é único |
| 2020 | Amorim Pontes | Tratamento odontológico em pacientes com hipertensão arterial | Concluiu-se que os pacientes portadores de hipertensão arterial necessitam de cuidados diferenciados dos pacientes sem a patologia. No entanto, caso a doença esteja controlada não há nada que desabone o tratamento. |
| 2021 | Rodrigues, Rabelo | Cuidados com o paciente hipertenso no atendimento odontológico: revisão de literatura | É importante enfatizar que esta patologia e seu tratamento medicamentoso podem acarretar diversas manifestações bucais, tais como alteração salivar, xerostomia, eritema multiforme, erupções liquenoídes e ulceração. Sendo o valor máximo da pressão arterial recomendado pela maioria dos autores para atendimentos odontológicos em nível ambulatorial de até 150/99 mmHg. |
| 2024 | Pereira, Coelho, Gois et al. | Hiperplasia gengival induzida por medicamento: relato de caso | Crucial que o cirurgião dentista esteja ciente das possíveis alterações bucais induzidas por medicamentos. |
| 2024 | Silva, Lopes, Barreto e et al. | Manejo de pacientes com hipertensão arterial em anestesiologia | Fundamental que o cirurgião-dentista reconheça a singularidade de cada paciente e que avalie cuidadosamente, mediante uma anamnese, a fim de determinar qual sal anestésico é mais indicado para o manejo de pacientes hipertensos. Além da aferição da PA antes e durante o procedimento. |
Em seguida, para auxiliar na criação do produto educacional, foi criada através do aplicativo Canva, seguindo critérios ligados ao conteúdo: cuidados odontológicos em pacientes hipertensos. Tendo como objetivo principal ser um produto didático e ilustrativo para que auxilie os cirurgiões dentistas nos seus atendimentos.
Por ser um estudo de caráter documental, sem envolvimento de seres humanos, este projeto dispensa apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa, conforme Resolução 466/2012 (BRASIL, 2012).
REFERENCIAL TEÓRICO
Estratégias e tecnologias educacionais sobre saúde bucal para pessoas com hipertensão arterial
As Diretrizes da Política Nacional De Saúde Bucal (2004), enfatizam que os cuidados com a saúde bucal devem levar em consideração tanto as diferenças sociais quanto às especificidades culturais quando se trata de alimentação saudável, higiene e autocuidado físico, considerando que a cavidade oral é um órgão de absorção de nutrientes e defesa. Ressalta ainda que, conteúdos de educação em saúde bucal devem ser pedagogicamente trabalhados em conjunto com as demais áreas. Podendo ser desenvolvidos na forma de debates, oficinas de saúde, vídeos, teatro, conversas em grupo, cartazes, folhetos e outros meios.
As tecnologias educacionais são estratégias e metodologias que têm como objetivo auxiliar na formação de níveis de consciência entre os indivíduos. Elas desempenham um papel essencial e significativo, permitindo o aprimoramento do conhecimento e a autonomia das mulheres, tornando-as protagonistas em seu próprio processo de ensino-aprendizagem. Deste modo, as tecnologias educacionais, são utilizadas como instrumentos capazes de despertar o interesse sobre a temática, facilitando o processo de ensino e aprendizagem (Silva; Carreiro; Mello, 2017; Nietsche, 2000; Mello et al., 2020).
Segundo Chaves et al. (2021), as tecnologias educacionais proporcionam conhecimento de forma mais interativa e promoção da saúde à comunidade, contribuindo para a construção do saber dos seus usuários.
Nesse sentido, uma tecnologia educacional surge como uma importante ferramenta que facilita a mediação de um processo educativo ao fornecer imagens e textos em material físico, configurando-se como de baixo custo e fácil aquisição, permitindo a interação do usuário e do profissional da saúde (CHAVES, et al., 2021).
Assim, a implementação de estratégias preventivas aliadas ao autocuidado é essencial para a sensibilização e o estímulo do envolvimento ativo do indivíduo com hipertensão, fazendo-o responsável pela sua própria saúde.
Atendimento odontológico em pacientes hipertensos
Há vários fatores de risco para o surgimento da HAS, onde torna-se essa condição mais perigosa e uma possível complicação nos procedimentos odontológicos. A prevenção é um dos principais métodos para evitar doenças, dessa maneira, existem várias estratégias de tratamento disponíveis, como medicamentos para o tratamento da HAS que têm como objetivo o controle e a luta contra os fatores de risco presentes.
Sabe-se que o ambiente do consultório odontológico pode causar aumento na PA do paciente, evidenciando a influência das questões psicológicas e comportamentais nos níveis pressóricos. A diferença da PA entre as medidas realizadas dentro e fora do consultório é denominada efeito do avental branco (EAB) e efeito de mascaramento (EM), quando seus valores são, respectivamente, positivos ou negativos. (BARROSO et al., 2021).
A hipertensão do avental branco (HAB) é definida pelo crescimento da pressão arterial (PA). No consultório, um paciente normotenso sem o uso de medicamentos anti-hipertensivos não é recomendado. (Superior aos parâmetros para ser classificado como um paciente com hipertensão). As evidências indicam que a incidência da HAB é maior em mulheres, especialmente naquelas com maior escolaridade.
Manifestações de doenças patológicas bucais
Há seis categorias existentes no Brasil: diuréticos, inibidores da angiotensina, bloqueadores de canais de cálcio, bloqueadores da enzima de transformação de cálcio, angiotensina, inibidores do receptor AT1 da angiotensina, angiotensina II e agentes diretos de vasodilatação. Esses fármacos podem provocar reações na boca, como a xerostomia e a hiperplasia da gengiva.
A saliva é de extrema importância para o ambiente bucal, bem como para corpo. Ela desempenha diversas funções essenciais para o bem-estar humano como: digestão, lubrificação das mucosas, proteção antibacteriana, equilíbrio do pH, cicatrização de feridas, percepção de sabores e retenção de próteses. Essa última propriedade, a retenção de próteses, faz parte, junto à estabilidade e o suporte, dos elementos fundamentais que permitem que a prótese cumpra com seu papel restaurador (Kaplan, et al., 1993)
Segundo Silva et al. (2016) a xerostomia, caracterizada pela sensação de boca seca, é um sintoma intrinsecamente relacionado à falta de saliva, podendo ou não estar associada à hipossalivação. A presença desse desconforto pode resultar em alterações na qualidade da saliva, na qual desequilíbrios em sua composição induzem não apenas à sensação de boca seca, mas também a uma diminuição notável do fluxo salivar. Diversas etiologias podem desencadear a xerostomia, como sequelas do tratamento radioterápico, síndrome de Sjögren e efeitos colaterais associados ao uso de determinados medicamentos.
Destacam-se os anti-hipertensivos, que são uma classe diversificada de medicamentos essenciais no tratamento da hipertensão arterial, uma condição prevalente que afeta milhões de pessoas no Brasil. Entre eles, seis classes distintas têm sido amplamente utilizadas: diuréticos, inibidores adrenérgicos, bloqueadores de canais de cálcio, inibidores da enzima de conversão de angiotensina, inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina II (ECA) e vasodilatadores diretos. Embora esses medicamentos sejam fundamentais para o controle da pressão arterial, é importante destacar que eles podem desencadear manifestações bucais, sendo a xerostomia (boca seca) e a hiperplasia gengival os mais comuns (Bardow et al., 2001).
A hiperplasia gengival medicamentosa é um aumento do tecido gengival como resultado de uma terapia médica com administração de medicamentos anticonvulsivantes (fenitoína), anti-hipertensivos (nifedipina) e imunossupressores (ciclosporina). Caracterizada como um efeito colateral da medicação, essa condição clínica apresenta lesões que acontecem em cerca de metade das pessoas que tomam os medicamentos citados (TRACMAN, KANTARCI, 2015).
Independente da etiologia da hiperplasia gengival, em todas as situações ela se apresenta de forma problemática e pode favorecer o aparecimento da cárie e da doença periodontal, além de causar alterações estéticas, sintomas como a dor, sensibilidade, sangramento gengival, disfunções fonéticas, mobilidade dentária e distúrbios oclusais. Mas quando se refere às alterações causadas especificamente pela hiperplasia gengival medicamentosa, os sinais clínicos no contorno da gengiva podem estar associados ao acúmulo de placa, tendo como consequência uma gengiva edemaciada e hiperêmica (MATHUR, et al., 2015)
A influência da periodontite no risco de hipertensão arterial tem sido objeto de muitos estudos clínicos. Assim, Surma e colaboradores (2021) se propuseram a correlacionar a HAS e a periodontite como um fator hipertensivo. Visto que a ocorrência de periodontite, especialmente de intensidade severa, está associada a um risco aumentado de hipertensão arterial. Por isso, os autores concluíram que a periodontite pode acarretar no aumento da PA e dependendo da gravidade da doença, pode aumentar o risco de desenvolver cardiopatias (SURMA et al., 2021)
DISCUSSÃO
Reis Torres (2018), relata que o tratamento odontológico de pacientes hipertensos representa um desafio para os cirurgiões-dentistas, os quais devem estar embasados cientificamente de forma que a estabelecer a melhor conduta para o manejo deste tipo de paciente. Realizar uma anamnese bem detalhada e o aferimento da pressão arterial, orientar o paciente sobre sua condição sistêmica, esclarecer as terapêuticas empregadas e reconhecer as alterações advindas destas são fundamentais para o estabelecimento do melhor plano de tratamento e para minimizar ou impedir as complicações que possam ocorrer durante o atendimento odontológico.
Para Pereira, Oliveira (2019), a Hipertensão arterial, uma condição crônica que muitas das vezes é silenciosa e sorrateira fazendo com o que o indivíduo conviva com ela sem os cuidados que lhe são agregados. O odontólogo por sua vez possui uma base de formação com direcionamento para ser minucioso na anamnese do paciente, pois é ela que norteia o conhecimento do estado clínico do paciente em questão e consequentemente o ponto de partida para o planejamento, procedimento e seu passo a passo, pois cada atendimento é único,
Amorim Pontes (2020), conclui que ainda é alta a prevalência da hipertensão na população, de acordo com os relatos percebe-se que a melhor forma de conscientização para a adesão aos tratamentos é através de palestras educativas e orientações individuais, explicando com clareza a população da importância da prevenção e do controle. Na odontologia o tratamento para essa classe de pacientes deve ser diferenciado, tomando precauções inclusive com tempo de atendimento do paciente no consultório.
Pereira, Coelho, Gois et al. (2024), relata que o diagnóstico precoce é essencial para o tratamento e prognóstico das doenças periodontais. Assim, é crucial que o cirurgião-dentista esteja ciente das possíveis alterações bucais induzidas por medicamentos, como anticonvulsivantes, bloqueadores dos canais de cálcio e imunossupressores, para assegurar um diagnóstico e tratamento corretos. Um exame clínico rigoroso, juntamente com uma anamnese precisa, é vital para identificar o uso desses medicamentos pelo paciente.
Rodrigues, Rabelo (2021), ressalta que é evidente que a hipertensão arterial sistêmica consiste em uma doença silenciosa, na qual o cirurgião-dentista é também responsável por fazer o diagnóstico inicial. É importante enfatizar que esta patologia e seu tratamento medicamentoso podem acarretar diversas manifestações bucais, tais como alteração salivar, xerostomia, eritema multiforme, erupções liquenóides e ulceração. Sendo o valor máximo da pressão arterial recomendado pela maioria dos autores para atendimentos odontológicos em nível ambulatorial de até 150/99 mmHg.
Pereira, Coelho, Gois et al, (2024), O diagnóstico precoce é essencial para o tratamento e prognóstico das doenças periodontais. Assim, é crucial que o cirurgião-dentista esteja ciente das possíveis alterações bucais induzidas por medicamentos, como anticonvulsivantes, bloqueadores dos canais de cálcio e imunossupressores, para assegurar um diagnóstico e tratamento corretos. Um exame clínico rigoroso, juntamente com uma anamnese precisa, é vital para identificar o uso desses medicamentos pelo paciente.
Silva, Lopes, Barreto e et al. (2024) fundamenta que o cirurgião-dentista reconheça a singularidade de cada paciente e que avalie cuidadosamente, mediante uma anamnese, a fim de determinar qual sal anestésico é mais indicado para o manejo de pacientes hipertensos. Além da aferição da PA antes e durante o procedimento.
PRODUTO TECNOLÓGICO
As tecnologias educativas vêm como instrumento para facilitar o trabalho dos profissionais de saúde quanto à comunicação e orientação dos doentes e cuidadores, além de dinamizar as atividades de educação em saúde (Souza, et al., 2021). A Tecnologia Educacional foi produzida através de um aplicativo chamado Canva, em forma de Flyer (imagem 1), ilustrando as manifestações bucais em pacientes hipertensos, contendo informações pertinentes e de uma maneira didática, dinâmica e de fácil entendimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Portanto, a hipertensão arterial sistêmica é uma condição silenciosa, onde o dentista também é encarregado de realizar o diagnóstico inicial. É crucial destacar que esta doença com uso de terapia medicamentosa, pode resultar em várias manifestações orais. O dentista deve sempre aferir a pressão arterial antes de qualquer procedimento odontológico, especialmente os mais invasivos, para evitar sangramentos. Além disso, é crucial controlar a ansiedade, manter uma boa higiene oral, conscientizar as principais alterações na cavidade oral, como a hiperplasia gengival e xerostomia induzida por medicamentos.
REFERÊNCIAS
Bardow A, Nyvad B, Nauntofte B. Las relaciones entre la ingesta de medicamentos, las quejas de sequedad en la boca, tasa de flujo salival y la composición, y la tasa de desmineralización de los dientes in situ. Dinamarca 2001 Biol Oral Arch. 2001 May; 46
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