PREVALENCE OF INTESTINAL PARASITES IN SCHOOL-AGED CHILDREN AND THEIR CLINICAL COMPLICATIONS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511111433
Stephany Foletto¹
Orientadora: Dra. Elisandra Kathellen da Silva Afonso²
Resumo
As parasitoses intestinais representam um importante desafio de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, onde condições de saneamento básico são precárias. Em crianças em idade escolar, a prevalência dessas infecções é elevada, o que se relaciona ao maior contato em ambientes coletivos, à imaturidade do sistema imunológico e à adoção insuficiente de práticas adequadas de higiene. Protozoários e helmintos são os principais agentes etiológicos, capazes de provocar desnutrição, anemia, diarreia recorrente, atraso no crescimento físico e déficits cognitivos, os quais comprometem o desempenho escolar e o desenvolvimento global da criança. Estudos demonstram que fatores socioeconômicos, climáticos e ambientais contribuem significativamente para a manutenção do ciclo de transmissão, refletindo desigualdades sociais e fragilidades em infraestrutura sanitária. Dessa forma, compreender a prevalência e as implicações clínicas das parasitoses intestinais em escolares é fundamental para o planejamento de estratégias de intervenção, incluindo ações educativas, políticas públicas de prevenção, acesso a diagnósticos adequados e tratamento antiparasitário periódico. Tais medidas são essenciais para reduzir os impactos dessas infecções sobre a saúde infantil e sobre o desenvolvimento humano em longo prazo
Palavra chave: Prevalência Parasitos intestinais, Crianças Idade escolar Saúde infantil.
Abstract
Intestinal parasitic infections represent an important public health challenge, especially in developing countries where basic sanitation conditions are inadequate. Among school-aged children, the prevalence of these infections is high, which is associated with greater exposure in collective environments, the immaturity of the immune system, and insufficient adoption of proper hygiene practices. Protozoa and helminths are the main etiological agents, capable of causing malnutrition, anemia, recurrent diarrhea, delayed physical growth, and cognitive deficits, which compromise school performance and the overall development of the child. Studies show that socioeconomic, climatic, and environmental factors significantly contribute to maintaining the transmission cycle, reflecting social inequalities and weaknesses in sanitation infrastructure. Therefore, understanding the prevalence and clinical implications of intestinal parasitic infections in schoolchildren is fundamental for planning intervention strategies, including educational actions, public prevention policies, access to proper diagnosis, and periodic antiparasitic treatment. Such measures are essential to reduce the impacts of these infections on child health and long-term human development.
Keywords: Prevalence, Intestinal parasites, School-aged children, Child health.
1 INTRODUÇÃO
As parasitoses intestinais, causadas por protozoários e helmintos, acompanham o ser humano desde os primórdios da civilização. Essas infecções, mesmo nos dias atuais, representam uma ameaça significativa à saúde pública, levando a graves consequências nutricionais e de saúde para os indivíduos afetados (Ricardo et al., 2024). O agravamento da doença causada por esses parasitos intestinais está intimamente relacionado à carga parasitaria da infecção, mas, de forma geral, os efeitos prejudiciais ao bem-estar dos indivíduos são observados pela redução de absorção de nutrientes devido à competição por nutrientes entre os parasitos e seus hospedeiros. Estima-se que mais de 1,5 bilhões de pessoas estejam infectadas com helmintos transmitidos pelo solo (soil-transmitted helminths, STH), o que equivale a cerca de 24% da população mundial, com maior incidência em crianças em idade escolar (Brasil 2023).
O peso econômico das parasitoses intestinais não se restringe às despesas médicas individuais, mas envolve também custos indiretos relacionados à perda de produtividade, ao absenteísmo escolar e laboral e à necessidade de investimentos contínuos em programas de controle e tratamento. Assim, a persistência das parasitoses intestinais reflete não apenas uma questão biomédica, mas também um desafio estrutural ligado às desigualdades sociais e ao acesso limitado a serviços essenciais de saúde, educação e infraestrutura (Ricardo et al., 2024).
No Brasil, o cenário das parasitoses intestinais é especialmente alarmante. Evidências provenientes de uma revisão sistemática, que agregou dados de diferentes estados, apontam uma prevalência média em torno de 46% para infecções causadas por protozoários e helmintos, com expressivas desigualdades regionais. Esse quadro reflete um problema de grande magnitude, inserido em um contexto mais amplo de saúde pública observado principalmente em países em desenvolvimento, onde tais infecções acometem milhões de pessoas e permanecem como desafio persistente para os sistemas de saúde (ALAMIN et al.,2024).
A persistência dessas infecções está diretamente relacionada a determinantes ambientais e sociais, como condições climáticas favoráveis à sobrevivência dos parasitas, oferta insuficiente de água potável, deficiência nos serviços de saneamento básico e coleta de resíduos, além da vulnerabilidade socioeconômica de populações rurais e periurbanas. Nesse contexto, crianças em idade escolar destacam-se como o grupo mais afetado, tanto pela maior exposição ao risco de infecção quanto pelos impactos negativos dessas doenças sobre o crescimento, o desenvolvimento cognitivo e o desempenho educacional.(Oliveira et al., 2017).
1 REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 PARASITOSES INTESTINAIS NO MUNDO E BRASIL
As parasitoses intestinais provocadas por protozoários e helmintos são infestações que podem desencadear alterações no estado físico, psicossomático e social, interferindo diretamente na qualidade de vida de seus portadores, principalmente em crianças de classes sociais mais baixas, com precárias condições sanitárias, maus hábitos de higiene, em situação de desnutrição e em locais de aglomerações tais como creches, escolas e orfanatos, pela facilidade de contaminação e disseminação (Antas et al., 2019).
A adoção de medidas de higiene pessoal, como o banho diário, a lavagem adequada das mãos antes das refeições e após a evacuação, o corte regular das unhas e o uso de calçados, constitui um fator essencial para a manutenção da saúde. Essas práticas assumem papel determinante na redução do risco de infestações parasitárias, sobretudo entre crianças em idade escolar. Paralelamente, os cuidados relacionados à manipulação e ao consumo de alimentos são igualmente relevantes na prevenção das parasitoses intestinais. A preparação inadequada favorece a contaminação, sendo hortaliças e carnes importantes veículos de transmissão, especialmente quando ingeridas cruas ou submetidas a processamento insuficiente (Santos et al., 2008).
Na faixa etária de 5 a 12 anos, a adoção de hábitos de higiene pessoal assume papel fundamental, pois essas práticas simples exercem influência direta na promoção da saúde e na prevenção de infecções parasitárias. Nessa fase do desenvolvimento infantil, marcada pelo convívio em ambientes coletivos, como escolas, o contato frequente entre as crianças favorece a disseminação de agentes infecciosos. Além disso, a imaturidade do sistema imunológico torna essa faixa etária mais suscetível a doenças (Brasil., 2024).
A escovação adequada dos dentes e o uso regular do fio dental são medidas essenciais para evitar cáries, gengivites e outras condições bucais que podem gerar repercussões sistêmicas. A manutenção da saúde oral também contribui para a prevenção de enfermidades cardíacas, como a endocardite, uma vez que microrganismos presentes na boca podem alcançar a corrente sanguínea e comprometer diferentes órgãos. Do mesmo modo, o banho diário e o uso de roupas limpas auxiliam na remoção de bactérias e impurezas da pele, prevenindo infecções, odores e irritações dermatológicas. Os cuidados com as unhas, por sua vez, evitam o acúmulo de sujeira e de microrganismos potencialmente patogênicos (Calvasina et al ,.2023)
À medida que as crianças compreendem a importância da higiene para o bem-estar, tornam-se mais conscientes de suas escolhas, como o uso de sanitizantes, o hábito de não se alimentar com as mãos sujas e de não compartilhar objetos pessoais. Essas atitudes favorecem o desenvolvimento de um pensamento crítico sobre saúde e prevenção. A incorporação da higiene à rotina diária também contribui para a formação de disciplina e organização. Estabelecer horários fixos para atividades como o banho, a escovação dos dentes e a troca de roupas ensina a importância do planejamento, promovendo habilidades que se refletem em outros aspectos da vida cotidiana. Na América Latina, as parasitoses intestinais já se apresentavam como um desafio à saúde desde períodos anteriores ao segundo milênio a.C., evidenciando que tais infecções acompanham a humanidade há milênios. Embora avanços tenham sido obtidos no controle dessas infecções, persistentes desigualdades sociais e sanitárias favorecem sua manutenção (Brasil.,2024).
A carência de condições adequadas é mais evidente nas áreas periféricas dos centros urbanos e nas zonas rurais, locais onde se concentra a população de menor poder aquisitivo. Essa realidade decorre de diversos fatores, entre os quais se destacam a fragmentação das políticas públicas, a ausência de instrumentos eficazes de regulamentação e a insuficiência na destinação de recursos governamentais (Nascimento; et al.,2005).
Adicionalmente, a presença de agentes etiológicos tende a aumentar tanto em quantidade quanto em diversidade quando o ambiente oferece condições favoráveis para sua sobrevivência e propagação. Esse contexto cria um cenário propício ao poliparasitismo, isto é, à infecção simultânea por diferentes espécies de parasitas. Tal condição representa um agravo significativo à saúde, pois potencializa efeitos debilitantes, como anemia, desnutrição, déficits no crescimento físico e comprometimento cognitivo (Fontbonne et al.,2001).
O impacto do poliparasitismo vai além da soma dos danos provocados por cada parasita isoladamente, já que a interação entre múltiplos agentes pode agravar manifestações clínicas, prolongar o tempo de recuperação e aumentar a vulnerabilidade a outras doenças infecciosas. Em comunidades com altos índices de pobreza, saneamento básico precário e acesso limitado a serviços de saúde, o poliparasitismo contribui para a perpetuação do ciclo de vulnerabilidade social e para a sobrecarga dos sistemas de saúde pública (Fontbonne et a.,l 2001).
O saneamento precário e as condições inadequadas de moradia favorecem a manutenção e a disseminação das infecções parasitárias, sobretudo entre grupos socialmente vulneráveis. Nesse contexto, os serviços de saúde, principalmente aqueles localizados em regiões com escassez de recursos, enfrentam dificuldades para o diagnóstico, o tratamento e o manejo integrado dessas infecções, incluindo as parasitoses intestinais, o que contribui para o aumento dos gastos em saúde. Em médio e longo prazos, as despesas relacionadas à assistência médica, ao uso de medicamentos e às ações de saúde pública, como investimentos em saneamento básico, geram impactos significativos sobre o sistema público de saúde (Fujiwara et al.,1970).
Nesse contexto, populações rurais, comunidades ribeirinhas e áreas periféricas urbanas encontram-se em maior situação de vulnerabilidade, o que reforça a necessidade da adoção de estratégias integradas, envolvendo ações de educação em saúde, melhorias na infraestrutura de saneamento e programas regulares de quimioprofilaxia (Cavalcant et al.,2020).
As condições climáticas têm papel determinante na persistência das parasitoses intestinais. Em regiões de clima tropical e subtropical, a combinação de calor e umidade cria um ambiente favorável para a sobrevivência e o desenvolvimento de ovos e larvas no solo, prolongando seu tempo de viabilidade fora do organismo hospedeiro. A umidade contribui para evitar o ressecamento dos ovos, enquanto as temperaturas elevadas aceleram a evolução até as formas infectantes, o que eleva significativamente o risco de transmissão (Cavaleira et al., 2025).
Esse cenário explica por que áreas tropicais apresentam maior prevalência de parasitoses como as causadas pela lombriga (Ascaris lumbricoides), pelo tricocéfalo (Trichuris trichiura) e pelos ancilostomídeos (Necator americanus e Ancylostoma duodenale). Em contraste, em regiões áridas ou de clima mais frio, a viabilidade dos ovos e larvas é reduzida, limitando sua disseminação. Portanto, o clima atua como um dos fatores determinantes na distribuição geográfica dessas infecções (Ferreira et al., 2023).
As parasitoses intestinais configuram um importante desafio para a saúde pública, especialmente em países como Venezuela, Brasil, Peru e Colômbia. Nos casos de transmissão oral da doença de Chagas, os sintomas mais frequentes incluem edema bipalpebral e facial, além de febre prolongada, que estão presentes em aproximadamente 90 a 100% dos pacientes (Gual-Gonzalez ;et al., 2008).
Os povos indígenas no Brasil enfrentam graves consequências decorrentes da falta de atenção básica à saúde, especialmente em relação às condições sanitárias precárias, que favorecem a ocorrência de surtos de parasitoses intestinais. Essas infecções afetam profundamente a população indígena em diferentes regiões do país, comprometendo diversos aspectos de sua qualidade de vida. É possível afirmar que, mesmo no século XXI, a segurança sanitária desses povos ainda é influenciada por práticas e costumes tradicionais, somadas à interferência e às ações de populações não indígenas, o que agrava o quadro de vulnerabilidade. A transmissão dessas doenças ocorre por diferentes vias de contaminação, frequentemente associadas à falta de saneamento básico, ao consumo de água não tratada e à manipulação inadequada de alimentos (Assis et al., 2022).
Na Bolívia, já foram identificadas cerca de dezessete espécies de parasitos com potencial de causar infecções intestinais em seres humanos, sendo cinco protozoários e doze helmintos. Pesquisas realizadas em comunidades indígenas demonstram uma alteração no perfil das enteroparasitoses, relacionada tanto à perda de práticas culturais tradicionais quanto às condições de vulnerabilidade social que impactam diretamente a saúde dessas populações (Andrade et al., 2010).
Essas infecções, quando associadas a uma alimentação inadequada, prejudicam a absorção de nutrientes e contribuem para o desenvolvimento de quadros de desnutrição proteico-energética e anemia ferropriva, configurando um desafio relevante para a saúde pública em áreas urbanas e rurais. Dados recentes apontam que cerca de 65% da população boliviana apresenta multiparasitismo e, em pelo menos um quarto desses indivíduos, as cargas parasitárias variam de moderadas a intensas (Romani et al., 1991).
As doenças tropicais negligenciadas (DTNs) constituem um grupo de enfermidades que exercem forte impacto sobre populações socialmente vulneráveis, caracterizando-se por elevados índices de morbimortalidade e por consequências expressivas na saúde física, mental, social e econômica dos indivíduos acometidos. Estima-se que mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo sejam afetadas por essas doenças. No Haiti, considerado um dos países mais pobres do hemisfério ocidental, as DTNs figuram entre as principais causas de adoecimento e morte, refletindo as desigualdades socioeconômicas que agravam sua disseminação e dificultam o controle. Reconhecendo a gravidade desse cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu vinte dessas enfermidades em sua lista de prioridade global para enfrentamento. (Glesil et al., 2023).
A Índia tem obtido avanços significativos no campo do saneamento básico, evidenciados pela redução de 31% na prática da defecação a céu aberto, resultado de políticas públicas e investimentos em infraestrutura. Paralelamente, o país desenvolveu programas de desparasitação em massa, direcionados principalmente a comunidades em situação de vulnerabilidade e a instituições escolares, com o objetivo de reduzir a carga de infecções por helmintos transmitidos pelo solo (STH). Tais iniciativas têm se mostrado essenciais para a prevenção e o controle dessas enfermidades, sobretudo diante da elevada prevalência em regiões tropicais.
Para a seleção dos estudos relacionados ao tema, foram utilizados descritores como: helminto transmitido pelo solo, Ascaris, Trichuris, tricurídeo, Necator, Ancylostoma, ancilóstomo e Índia (Chakrabarti et al., 2018.)
O território indiano apresenta ampla diversidade climática. No entanto, com exceção das áreas áridas e semiáridas do Rajastão, predomina o clima tropical, caracterizado por altas temperaturas e elevados índices de umidade. Esse contexto ambiental favorece a sobrevivência e o desenvolvimento de ovos e larvas dos principais helmintos intestinais, sustentando a cadeia de transmissão (Sharma et al., 2022).
Além disso, fatores como elevada densidade populacional, desigualdades socioeconômicas e acesso limitado à água potável contribuem para a persistência dessas infecções, mesmo diante de esforços contínuos de controle. Estima-se que a Índia concentre, isoladamente, cerca de 25% dos casos globais, com aproximadamente 220,6 milhões de crianças necessitando de quimioterapia preventiva. Esse dado evidencia não apenas a magnitude da transmissão em áreas de alta densidade populacional, mas também a influência de determinantes socioeconômicos e ambientais, como saneamento precário, restrições no acesso à água potável e ausência de políticas públicas eficazes (Sharma et al., 2022).
No Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, as parasitoses intestinais estão intimamente relacionadas à desnutrição, configurando-se como um dos mais relevantes problemas de saúde pública. Essas infecções comprometem o desenvolvimento físico, cognitivo e social, afetando de maneira mais expressiva crianças em idade escolar, que se tornam particularmente vulneráveis ao atraso no crescimento, a dificuldades de aprendizagem e a uma maior suscetibilidade a outras doenças (Pereira et al., 2016).
O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a implementação de medidas preventivas. Nos casos sintomáticos, podem ocasionar diarreia, anorexia, desnutrição, fraqueza e dor abdominal. Além disso, sua persistência está diretamente ligada a fatores sociais, econômicos, ambientais e culturais, que contribuem para a manutenção e propagação do ciclo infeccioso (Sousa et al., 2023).
Apesar de sua reconhecida relevância para a epidemiologia e para a saúde pública, as parasitoses intestinais ainda carecem de referências consistentes, especialmente no contexto brasileiro. Essa lacuna, associada às dificuldades para a realização de exames coproparasitológicos em larga escala, compromete de maneira significativa a compreensão dos impactos dessas infecções sobre a população em geral (Souza et al., 2025).
1.2 RELAÇÃO PARASITO-HOSPEDEIRO E CARACTERIZAÇÃO DOS AGENTES ETIOLÓGICOS
As parasitoses intestinais configuram-se como um importante problema de saúde pública, sobretudo em países em desenvolvimento, onde se manifestam de forma endêmica e afetam, em maior proporção, populações em situação de vulnerabilidade social e econômica (Andrade et al., 2010).
As parasitoses intestinais, como ascaridíase, tricuríase, ancilostomíase e giardíase, apresentam alta ocorrência em comunidades socialmente vulneráveis, especialmente onde há consumo de água contaminada. A falta de políticas públicas efetivas, a histórica negligência a grupos marginalizados e as más condições socioambientais, como ausência de saneamento básico, contato com solo contaminado e uso de água imprópria, favorecem a manutenção e a disseminação dessas infecções, impactando principalmente as crianças. Outro elemento crítico é a fragilidade das ações de educação em saúde, que resulta em baixa percepção sobre os sintomas e na busca tardia por tratamento. As infecções intestinais recorrentes, por sua vez, comprometem o crescimento e o desenvolvimento infantil, afetando a nutrição, o rendimento escolar e contribuindo para a manutenção do ciclo da pobreza. Diante desse cenário, torna-se indispensável a implementação de intervenções estruturais e educativas integradas, voltadas à redução das desigualdades sociais e à promoção de condições básicas de saúde para populações em situação de vulnerabilidade (Castro et al.,2024)
1.3 AMEBÍASE
A amebíase tem como agente etiológico o protozoário Entamoeba histolytica, pertencente ao filo Amoebozoa. A ameba é um protozoário que se instala predominantemente no intestino grosso, onde pode desencadear quadros de diarreia. Em situações mais severas, a Entamoeba histolytica apresenta capacidade invasiva, penetrando a mucosa intestinal e ocasionando diarreia com sangue, frequentemente associada a dor abdominal e perda de peso. Essa agressividade pode levar ao desenvolvimento de úlceras intestinais, responsáveis pela forma mais grave da doença, denominada colite amebiana. além do acometimento intestinal, o protozoário pode alcançar a circulação sanguínea e se disseminar para outros órgãos, como fígado, pulmões e cérebro, resultando em abscessos extraintestinais. Entre eles, o abscesso hepático amebiano é a complicação mais comum e potencialmente grave, caracterizado por febre, dor abdominal intensa e hepatomegalia (Heredia et al., 2012).
A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos do parasita. Esses cistos apresentam alta resistência no ambiente, favorecendo sua persistência em locais com saneamento deficiente e condições precárias de higiene. Por esse motivo, a doença está fortemente associada a contextos de vulnerabilidade social, sendo mais prevalente em regiões tropicais e subtropicais (Chelsea Marie et al., 2024).
O tratamento da amebíase depende da forma clínica apresentada. Em indivíduos assintomáticos, são recomendados fármacos de ação luminal, como a paromomicina, com o objetivo de eliminar os cistos e interromper a cadeia de transmissão. Nas formas intestinais sintomáticas, a terapia de escolha é o metronidazol, geralmente associado a um amebicida luminal, de modo a garantir a erradicação completa do protozoário. O metronidazol constitui o tratamento de primeira linha, sendo administrado por via oral na dose de 500 a 750 mg, três vezes ao dia em adultos, ou de 12 a 17 mg/kg, três vezes ao dia em crianças, durante 7 a 10 dias. Para assegurar a eliminação do parasito e a descontaminação do lúmen intestinal, recomenda-se a associação do metronidazol a fármacos intraluminais, como etofamida, teclozan, iodoquinol, diloxanida ou paromomicina, que atuam diretamente sobre os cistos, prevenindo a persistência da infecção e o risco de recidivas (Focaccia et al., 2015).
Saneamento básico, como o tratamento adequado da água e a correta destinação de resíduos. A adoção de práticas de higiene pessoal e alimentar, incluindo a lavagem criteriosa das mãos e dos alimentos, constitui estratégia fundamental para reduzir a transmissão. Somam-se a essas ações os programas educativos direcionados a comunidades em áreas endêmicas e o tratamento de portadores assintomáticos, que desempenham papel importante na interrupção do ciclo de disseminação da doença(Chelsea Marie et al., 2024).
O diagnóstico da colite amebiana pode ser realizado por meio da análise microscópica de amostras fecais ou de fragmentos da mucosa do cólon em pacientes sintomáticos. Nos últimos anos, métodos diagnósticos mais sensíveis foram incorporados, como testes imunológicos do tipo ELISA e a reação em cadeia da polimerase (PCR), que apresenta alta precisão na detecção do agente etiológico (Chelsea Marie et al ., 2024).
As manifestações da amebíase podem variar de modo significativo, indo desde infecções silenciosas até quadros severos, com risco de morte, como a colite fulminante. Aproximadamente 90% das infecções por Entamoeba histolytica não apresentam sintomas. Em determinados casos, alterações compatíveis com colite amebiana são detectadas de forma incidental durante colonoscopias solicitadas por outros motivos clínicos (Marie et al.,2024)
Quando sintomas estão presentes, o comprometimento intestinal geralmente tem início gradual, caracterizando-se por diarreia de leve intensidade ou por episódios de disenteria acentuada, acompanhados de dor abdominal e evacuações com muco e sangue. A apresentação crônica não disentérica é a forma mais comum da doença. Em contraste, a colite amebiana necrosante fulminante, embora rara, constitui uma condição extremamente grave, capaz de provocar sangramento gastrointestinal baixo mesmo sem diarreia e evoluir rapidamente para complicações sérias (Mari et al., 2024)
A presença de sangue e muco nas fezes, associada à identificação de trofozoítos hematófagos, é indicativa de disenteria amebiana. Contudo, a observação de eritrócitos fagocitados não é exclusiva da infecção por E. histolytica, podendo também ocorrer em casos causados por E. dispar. Entre as complicações mais severas destacam-se a colite fulminante com necrose intestinal e perfuração, evoluindo para peritonite, cuja taxa de mortalidade pode ultrapassar 40%. (Leder et al., 2025).
Feitos diagnósticos por ultrassom ou sorologia no tratamento, usa-se o composto nitroimidazólico metronidazol ou seus análogos, como tinidazol e ornidazol, os 2 primeiros são mais usados para tratar colite, abscesso hepático e qualquer outra forma extraintestinal de amebíase. Entamoeba compartilham muitas características morfológicas e biológicas, mas são caracterizadas, em particular, por posar cromatina adosada à membrana nuclear interna e apresentar das formas evolutivas durante seu ciclo de vida: os trofozoítos ou formas vegetativas e os quistes ou formas de resistência. Os trofozoítos e quistes de E. histolytica, E. dispar, E. moshkovskii e E. bangladeshi são morfologicamente indistinguíveis entre si e, por consenso, se eles foram agrupados no chamado complexo Entamoeba (Brian et al.,2024).
1.4 GIARDÍASE
A giardíase configura-se como uma das infecções parasitárias mais prevalentes em seres humanos, apresentando maior incidência em crianças e estando fortemente associada a condições sanitárias inadequadas. No hospedeiro humano, o protozoário instala- se no intestino delgado, onde pode aderir à mucosa intestinal e, em casos mais graves, recobrir extensas áreas da parede intestinal. O agente etiológico é o protozoário flagelado intestinal Giardia duodenalis também denominado Giardia lamblia ou Giardia intestinalis), que apresenta um ciclo de vida direto, envolvendo as formas de cisto e trofozoíto. Giardia lamblia é um parasita que infecta humanos, bem como outros mamíferos(Marie, et al., 2025).
A giardíase caracteriza-se por um ciclo biológico direto, no qual a forma resistente do parasito, o cisto, ao atingir o estômago do hospedeiro, sofre o processo de excistação. Desse evento origina-se o excizoíto, que, após realizar duas divisões sucessivas por fissão binária, pode originar até quatro trofozoítos. Esses trofozoítos colonizam o intestino delgado, onde aderem à mucosa intestinal, comprometendo a absorção de nutrientes e resultando em manifestações clínicas como diarreia, perda de peso e, em situações mais graves, anemia (Feng et al.,2011).
Além de configurar-se como um relevante problema de saúde pública, há evidências de que a giardíase impacta negativamente o crescimento e o desenvolvimento infantil, favorecendo quadros de desnutrição e comprometendo o desempenho escolar. A transmissão ocorre, predominantemente, pela via fecal-oral, por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados, bem como pelo contato interpessoal em ambientes de aglomeração, a exemplo de creches e instituições escolares (Gutiérrez-Gutiérrez et al., 2023).
Do ponto de vista clínico, a giardíase pode manifestar-se de forma assintomática ou sintomática. Nos casos sintomáticos, o quadro inicial é caracterizado, em geral, por diarreia aguda, frequentemente associada a dor abdominal, flatulência, náuseas e, em determinadas situações, à síndrome de má absorção. Na ausência de tratamento adequado, a infecção pode evoluir para formas crônicas, intermitentesou persistentes, ocasionando perdas nutricionais relevantes e comprometendo de maneira significativa a qualidade de vida dos indivíduos afetados. (Marie et al., 2025).
Bovinos e ovinos configuram-se como importantes fontes de infecção para humanos em razão do potencial zoonótico das espécies de Giardia que os acometem. Destaca-se, em especial, o papel dos bezerros na disseminação do parasito no ambiente, uma vez que podem excretar até 10 cistos por grama de fezes, contribuindo para a contaminação de mananciais de água. Ainda que submetida a tratamentos convencionais, a água contaminada apresenta apenas redução, e não eliminação completa, do protozoário. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo investigar a prevalência de Giardia spp( Thompson et al., 2004).
O período de incubação da giardíase varia, em geral, entre 1 e 2 semanas, com média de 7 a 14 dias após a ingestão dos cistos de Giardia duodenalis também conhecida como G. lamblia ou G. intestinalis. As manifestações clínicas ocorrem com maior frequência em crianças do que em adultos e incluem episódios de diarreia aguda ou crônica, inicialmente aquosa e, posteriormente, gordurosa e fétida. Ressalta-se que a maioria dos indivíduos infectados permanece assintomática, correspondendo a cerca de 50% a 75% dos casos (Dixon et al., 2021).
Entre os sintomas mais comuns, além da diarreia, destacam-se mal-estar geral, anorexia, náuseas, vômitos, flatulência, dor abdominal e astenia. Em situações menos frequentes, podem ocorrer febre baixa, calafrios e cefaleia. Um aspecto característico da diarreia causada pela Giardia é a ausência de muco, sangue ou leucócitos nas fezes (Centers et al., 2025).
O diagnóstico laboratorial da giardíase, provocada pelo protozoário G. duodenalis, baseia-se na detecção de cistos e,ou trofozoítos em amostras fecais de indivíduos suspeitos. O método mais utilizado é o exame parasitológico de fezes, realizado por microscopia óptica. Essa análise pode ser conduzida de forma direta, com ou sem o uso de corantes, ou mediante técnicas de concentração, que aumentam a sensibilidade do diagnóstico. Dentre estas, destaca-se a técnica de sedimentação espontânea de Hoffman, amplamente empregada na identificação do parasito. A infecção por Giardia, também chamada de giardíase, é uma das causas mais comuns de doenças transmitidas pela água nos Estados Unidos. Os parasitas podem viver em córregos e lagos, abastecimento público de água, piscinas, banheiras de hidromassagem e poços. A infecção por Giardia pode se espalhar pela água, alimentos e contato direto.As infecções por giárdia geralmente desaparecem em semanas. Mas você pode ter problemas estomacais muito tempo depois que os parasitas desaparecerem. Vários medicamentos funcionam contra os parasitas da giárdia, mas não funcionam para todos. É melhor prevenir a infecção. (Hooshyar et al., 2025).
A infecção por giardíase ocorre pela ingestão de cistos do protozoário Giardia lamblia, geralmente presentes em água e alimentos contaminados, incluindo fontes de recreação como rios, lagos e piscinas. A Giardia apresenta alta transmissibilidade, propagando-se facilmente por meio das fezes de pessoas ou animais infectados. Os cistos tornam-se imediatamente infecciosos após a eliminação fecal, podendo ser transmitidos diretamente de pessoa a pessoa através de mãos não higienizadas ou contaminando superfícies e objetos, como maçanetas, campainhas e recipientes de armazenamento de água e alimentos. Animais domésticos infectados, como cães e gatos, também podem atuar como vetores zoonóticos, facilitando a transmissão para humanos.( Silvo et al., 2006)
Quatro características contribuem para a elevada prevalência da Giardia lamblia: (a) baixa dose infecciosa necessária para causar infecção, estimada entre 10 e 100 cistos em humanos; (b) rápida disseminação entre mamíferos após a excreção fecal; (c) capacidade dos cistos de sobreviverem por semanas ou até meses no ambiente; e (d) presença frequente de cistos em água potável e alimentos, favorecendo a propagação da doença (Brasil et al.,2025)
De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), pacientes que apresentam diarreia por três dias ou mais devem ser avaliados para infecção por Giardia. Os cistos do protozoário podem ser identificados em amostras de fezes preservadas. Como a eliminação do parasita ocorre de forma intermitente, recomenda-se a coleta de três amostras de fezes em dias diferentes, garantindo maior precisão nos resultados. Estudos indicam que a sensibilidade do exame com três amostras seriadas, coletadas a cada dois ou três dias, supera 90%.
O padrão-ouro para o diagnóstico da giardíase é a microscopia combinada com testes de anticorpos fluorescentes diretos, que confirmam a presença de Giardia. Outras técnicas diagnósticas incluem ensaios moleculares, como a reação em cadeia da polimerase (PCR), testes rápidos de cartucho imunocromatográfico, ensaios de imunoabsorção enzimática (ELISA) e microscopia com coloração tricrômica.(Berne et., al 2025)
Em casos nos quais há suspeita clínica de giardíase, mas os exames laboratoriais não confirmam o diagnóstico, pode-se recorrer à endoscopia digestiva alta como recurso adicional de investigação realizada para obter uma biópsia do duodeno para exame laboratorial de evidências de Giardia(Centers et al., 2025)
1.5 ASCARIDÍASE
O Ascaris lumbricoides, nematódeo popularmente denominado lombriga, é considerado o maior verme intestinal que parasita o ser humano, podendo atingir de 15 a 40 centímetros de comprimento na fase adulta. Esse helminto apresenta corpo cilíndrico, coloração esbranquiçada e cutícula espessa, características que contribuem para sua resistência no ambiente. As fêmeas são maiores que os machos e podem produzir mais de 200 mil ovos por dia, eliminados juntamente com as fezes e responsáveis pela manutenção do ciclo biológico da espécie (Alexandre et al., 2025).
A infecção, conhecida como ascaridíase, ocorre principalmente pela ingestão de ovos embrionados presentes em água e alimentos contaminados com fezes humanas. Uma vez ingeridos, os ovos eclodem no intestino delgado, liberando larvas que atravessam a parede intestinal, alcançam a corrente sanguínea e migram até os pulmões. Após essa fase, retornam ao trato gastrointestinal, onde completam seu desenvolvimento até a fase adulta. Esse percurso é denominado ciclo pulmonar ou ciclo de Loos (Kellerman et al., 2024).
Embora a maioria das infecções seja assintomática, os sintomas podem variar conforme a carga parasitária. Em infecções leves, predominam queixas como dor abdominal difusa, diarreia, náuseas, vômitos e anorexia. larval. Problemas de saúde graves, chamados complicações, podem ocorrer se muitos vermes crescerem dentro do corpo (Merck et al. 2023)
Durante a fase larval, as larvas podem migrar através da corrente sanguínea até os pulmões, provocando manifestações respiratórias, como tosse seca, dispneia, chiado no peito e, em alguns casos, febre um quadro conhecido como síndrome de Loeffler.( Baldi et al., 2016).
Quando a carga parasitária de vermes adultos é elevada, a ascaridíase pode evoluir para complicações clínicas severas. É uma verminose causada pelo nematóide. Os vermes adultos são e cilíndricos, sendo que as fêmeas medem cerca de 30 a 40 cm de tamanho e os machos de 15 a 30 cm. As fêmeas possuem a parte posterior retilínea e os machos são facilmente reconhecíveis pelo enrolamento ventral de sua extremidade caudal.. Entre elas, destacam-se a obstrução intestinal, a perfuração da parede do intestino e a ocorrência de apendicite. Além disso, a migração dos parasitos pode alcançar as vias biliares e pancreáticas, ocasionando quadros de colecistite, colangite e pancreatite, condições potencialmente graves que exigem intervenção médica imediata (Pinto et al., 2011)
O tratamento das verminoses, em geral, é considerado simples e baseia-se na administração oral de fármacos antiparasitários específicos. Entre os medicamentos mais comumente utilizados destacam-se o albendazol, o mebendazol e a ivermectina, todos com eficácia comprovada contra diferentes espécies de helmintos. É fundamental ressaltar, entretanto, que o uso desses fármacos deve ocorrer sempre sob prescrição e acompanhamento médico, uma vez que podem apresentar contraindicações, efeitos adversos e risco de interações medicamentosas.( Kogien et al,. 2011)
A prática da automedicação ou o uso inadequado não apenas comprometem a eficácia terapêutica, como também favorecem o surgimento de resistência parasitária. Além disso, podem interferir na absorção de nutrientes, aumentando a probabilidade de desnutrição e complicações gastrointestinais (Pedro Pinheiro et al., 2025).
Esses medicamentos atuam de forma direta sobre o metabolismo ou sobre a estrutura dos parasitas, provocando sua morte e consequente eliminação do organismo. Apesar de apresentarem elevada eficácia terapêutica, o tratamento não está isento de riscos. Os fármacos podem ocasionar efeitos adversos como náuseas, dor abdominal, tontura e, em situações menos comuns, alterações hepáticas.
Nos casos de infecções mais graves, caracterizadas por alta carga parasitária ou presença de complicações, pode ser necessária a repetição do tratamento, a associação de diferentes antiparasitários ou ainda a implementação de medidas de suporte clínico, como reposição nutricional, acompanhamento laboratorial e, em situações extremas, intervenções cirúgicas para tratar obstruções intestinais (Pedro Pinheiro et al., 2025).
O ciclo biológico dos helmintos inicia-se com a ingestão de ovos embrionados presentes em solo contaminado por fezes humanas, geralmente por meio de água ou alimentos contaminados. No intestino delgado, esses ovos eclodem, liberando larvas que penetram na mucosa intestinal e migram pela corrente sanguínea até o fígado, o coração e, posteriormente, os pulmões. No tecido pulmonar, as larvas passam por um processo de maturação, podendo provocar manifestações respiratórias, como tosse, chiado e dificuldade para respirar. A partir daí, elas alcançam os alvéolos, ascendem até a faringe, são deglutidas novamente e retornam ao intestino delgado, onde completam seu desenvolvimento, transformando-se em vermes adultos. Em casos mais graves, esses parasitos podem ser eliminados pela boca ou pelo nariz, além de ocasionar obstruções intestinais que, em certas situações, exigem intervenção cirúrgica (Chelsea et al., 2025).
Os ovos do parasita são eliminados nas fezes e permanecem viáveis no solo contaminado, que constitui elo essencial para a transmissão. A infecção ocorre principalmente pela ingestão de ovos embrionados, geralmente por meio de água ou alimentos contaminados. Trata-se de uma doença negligenciada, fortemente associada à pobreza e às condições ambientais de países tropicais e em desenvolvimento, que favorecem a disseminação do parasito (Chelsea et al., 2025).
O ciclo de vida envolve passagem obrigatória pelo solo. Após a ingestão dos ovos, estes eclodem no intestino, liberando larvas que atravessam a mucosa intestinal e alcançam a circulação sanguínea. Em seguida, migram para os pulmões, de onde ascendem até a faringe, sendo deglutidas novamente. Uma vez de volta ao intestino delgado, completam seu desenvolvimento até a fase adulta, reiniciando o ciclo (Karin et al., 2021).
A prevalência e o controle das infecções de Helmintos Transmitidos pelo Solo (STH) estão inextricavelmente ligados à qualidade da água, saneamento, práticas de higiene e status socioeconômico nas áreas afetadas . Apesar do fato de que a infecção pode ser curada com Albendazol ou Mebendazol, a erradicação é difícil, dado o padrão de transmissão fecal-oral e de penetração pela pele da STH, pois as chances de reinfecção são muito altas na população que vive em áreas afetadas . O controle é alcançado pelo uso direcionado de quimioterapia e melhoria do saneamento, água potável, uso de latrinas em vez de defecação a céu aberto e boas práticas de higiene.(Prado et al., 2021).
O clima quente e úmido, aliado a condições sanitárias inadequadas, favorece a sobrevivência e a disseminação de ovos e larvas no solo e na água, ampliando o risco de transmissão. Em contrapartida, nas regiões áridas e semiáridas, a incidência dessas infecções tende a ser menor, já que a escassez de umidade dificulta a continuidade do ciclo biológico dos parasitas. Contudo, mesmo nesses ambientes, áreas específicas como oásis, vales úmidos ou regiões irrigadas artificialmente podem apresentar elevada prevalência, em razão das condições microclimáticas favoráveis (Shammartin et al., 2014).
Estima-se que a prevalência global das helmintíases transmitidas pelo solo seja de aproximadamente 30%, embora esse índice varie de forma significativa entre as diferentes regiões. Essa variação reflete a influência de fatores como saneamento básico, acesso à água potável, hábitos de higiene, densidade populacional e políticas públicas de saúde. Países tropicais e em desenvolvimento concentram a maior parte dos casos, sobretudo em áreas rurais e periferias urbanas, onde a combinação de pobreza, infraestrutura precária e clima favorável cria um cenário propício para a perpetuação do ciclo parasitário (Silva et al., 2012).
2 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter descritivo e qualitativo, realizada com base em artigos científicos publicados entre 2019 e 2024, com a inclusão adicional de estudos clássicos quando essenciais para fundamentação teórica. O objetivo foi reunir e discutir evidências sobre a prevalência de parasitos intestinais em crianças em idade escolar e suas implicações clínicas.
A busca foi realizada nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS e Google Scholar, utilizando os descritores parasitoses intestinais, crianças em idade escolar, intestinal parasites, schoolchildren, prevalence e clinical implications.
Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e revisões integrativas sobre crianças de 5 a 12 anos, disponíveis em texto completo e nos idiomas português, inglês ou espanhol. Excluíram-se estudos duplicados, pesquisas com adultos, relatos de caso, teses, dissertações e documentos não revisados por pares.
Os artigos selecionados foram analisados quanto ao tipo de estudo, objetivos, população investigada, resultados e conclusões, e posteriormente organizados em categorias temáticas para síntese dos achados e discussão comparativa.
RESULTADOS
Estudos realizados em diferentes regiões do Brasil demonstram elevada prevalência de parasitoses intestinais na população infantil, especialmente em áreas com condições socioeconômicas e sanitárias desfavoráveis. Silva et al. (2010), ao avaliarem crianças em idade pré-escolar matriculadas em centros educacionais municipais no sul de Minas Gerais, identificaram que 44,2% das 102 crianças analisadas apresentavam infecção por pelo menos um parasito intestinal, percentual considerado elevado. Entre os parasitos identificados, destacaram-se Enterobius vermicularis (16,7%), Entamoeba coli (11,8%) e Giardia lamblia. Esses achados foram semelhantes aos observados em crianças atendidas pelo Projeto Nadar, desenvolvido no município de Montes Claros–MG (Monteiro et al., 2009).
Resultados ainda mais expressivos foram descritos em estudos realizados em creches públicas de bairros periféricos do município de Coari, no estado do Amazonas, nos quais a taxa de positividade alcançou 66,4% das crianças avaliadas por meio de exames coproparasitológicos. Os principais enteroparasitos identificados incluíram Entamoeba coli, Entamoeba histolytica, Giardia lamblia, Enterobius vermicularis, Hymenolepis nana e Schistosoma mansoni, evidenciando a associação entre a elevada ocorrência de parasitoses intestinais e a precariedade das condições sanitárias (Monteiro et al., 2009).
Foram analisadas 50 amostras, das quais 48% apresentaram resultado negativo e 52% positivo para parasitoses intestinais. Verificou-se predominância de protozoários, com maior frequência de Entamoeba coli (38%), seguida por Ascaris lumbricoides (31%), Endolimax nana (27%) e Giardia lamblia (12%). Em relação ao sexo, observou-se maior positividade entre os participantes do sexo masculino (68,4%), quando comparada à do sexo feminino (41,9%). Quanto aos hábitos relacionados à água, constatou-se que 51,6% das crianças que consumiam água diretamente da torneira apresentaram algum tipo de parasito. Além disso, observou-se que 53,2% das crianças infectadas relataram consumir alimentos apenas após a lavagem, indicando que, mesmo com práticas básicas de higiene alimentar, a ocorrência de parasitoses permaneceu elevada. (Sousa et al., 2019).
Os achados apresentados evidenciam que a ocorrência de parasitoses intestinais em crianças permanece elevada em diferentes contextos regionais do país, o que reforça o caráter endêmico dessas infecções na população infantil. A variação das taxas observadas entre os estudos analisados pode estar relacionada a diferenças nas condições ambientais, socioeconômicas e de saneamento básico, bem como às características metodológicas adotadas em cada investigação(Silva et al., 2021)
A presença recorrente de enteroparasitos comumente associados à transmissão fecal-oral sugere que fatores relacionados à higiene pessoal, ao consumo de água e alimentos contaminados e ao convívio em ambientes coletivos exercem papel central na manutenção do ciclo de transmissão. Esse cenário é especialmente relevante em creches e comunidades com infraestrutura sanitária limitada, onde a exposição aos agentes parasitários tende a ser contínua, favorecendo reinfecções.(Ferreira et al.,2000)
Observa-se, ainda, que a população infantil apresenta maior vulnerabilidade às parasitoses intestinais, tanto pela imaturidade do sistema imunológico quanto por comportamentos típicos dessa faixa etária, como o contato frequente com o solo e a higiene inadequada das mãos. Esses fatores, associados às desigualdades sociais, contribuem para a persistência das infecções e dificultam o controle efetivo dessas doenças, conforme descrito na literatura.( Teixeira et al., 2020)
Embora parte das infecções possa ocorrer de forma assintomática, as parasitoses intestinais representam um importante agravo à saúde infantil, uma vez que podem ocasionar alterações nutricionais, anemia e prejuízos ao crescimento e ao desenvolvimento cognitivo. Tais repercussões impactam diretamente o desempenho escolar e a qualidade de vida das crianças, ressaltando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo dessa população (Coelho et al., 2025)
Diante desse contexto, os resultados discutidos reforçam a necessidade de estratégias integradas de prevenção e controle, que envolvam ações educativas voltadas à promoção de hábitos adequados de higiene, melhorias nas condições de saneamento básico e a implementação de programas periódicos de desparasitação. Essas medidas são fundamentais para a redução da prevalência das parasitoses intestinais e para a promoção da saúde infantil, especialmente em áreas socialmente vulneráveis. Lobato et al., 2024)
CONCLUSÃO
Diante dos achados apresentados, conclui-se que as parasitoses intestinais em crianças em idade escolar permanecem como um relevante problema de saúde pública, fortemente associado às condições socioeconômicas, ambientais e sanitárias. A elevada prevalência dessas infecções evidencia que práticas inadequadas de higiene pessoal e alimentar, o consumo de água não potável e a ausência de saneamento básico adequado são fatores determinantes para a manutenção do ciclo de transmissão dos parasitos, refletindo desigualdades sociais ainda persistentes.
Além disso, as consequências clínicas dessas infecções, como desnutrição, anemia, episódios recorrentes de diarreia, atraso no crescimento e prejuízos no desenvolvimento cognitivo, comprometem significativamente a saúde integral das crianças e impactam negativamente seu rendimento escolar e qualidade de vida. Esses efeitos reforçam a necessidade de intervenções precoces e contínuas, voltadas não apenas ao tratamento, mas principalmente à prevenção das parasitoses.
Nesse contexto, o enfrentamento das parasitoses intestinais requer uma abordagem multissetorial e integrada, envolvendo ações de educação em saúde no ambiente escolar, campanhas periódicas de desparasitação, investimentos em saneamento básico e o fortalecimento da vigilância epidemiológica. Tais estratégias são essenciais para a redução da carga dessas infecções, promovendo melhorias na saúde infantil, no desenvolvimento humano sustentável e na equidade em saúde.
REFERÊNCIAS
ANTAS, S. H.; CHAVES, M. F.; SOUZA, S. de A.; SILVA, A. B.; FREITAS, F. I. de S.; CAVALCANTE, U. M. B.; LIMA, C. M. B. L. Perfil socioeconômico e qualidade de vida dos pacientes com protozooses intestinais. Saúde (Santa Maria), Santa Maria, v. 45, n. 2, 2019. DOI: https:/Disponível em /doi.org/10.5902/2236583438076. Acesso em: 05 fev 2020
APAZA, C.; CUNA, W.; Brañez, F.; PASSERA, R.; RODRIGUEZ, C. Intestinal parasitoses and associated factors in Bolivian schoolchildren across diverse ecological regions. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, São Paulo, v. 65, e63, 2023. Disponível em: DOI: https://doi.org/10.1590/S1678-9946202365063
Acesso em: 10 ago 2020
ANDRADE, Elisabeth Campos; LEITE, Isabel Cristina Gonçalves; RODRIGUES, Vivian de Oliveira; CESCA, Marcelle Goldner. Parasitoses intestinais: uma revisão sobre seus aspectos sociais, epidemiológicos, clínicos e terapêuticos. Revista de APS, Juiz de Fora, v. 13, n. 2, p. 231-240, abr./jun. 2010 Disponivel em; https://periodicos.ufjf.br/index.php/aps/article/view/14508 Acesso em:22 mar 2021
Alexandre R. Pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE). Einstein Hospital Israelita, 16 jul. 2024. Atualizado em: 03 set. 2025. Disponível em: https://www.einstein.br/. Acesso em: 26 set. 2025.
ASSIS, E. M. D.; SANTOS, E. M.; FARIA, M. C. D. S.; RODRIGUES, J. L.; GARCEZ, A.; BOMFETI, C. A.; BARCELLOS, N. T. A vulnerabilidade de populações indígenas: qualidade da água consumida pela comunidade Maxakali, Minas Gerais, Brasil. Sociedade & Natureza, v. 32, p. 265-275, 2022. Disponivel em: https://www.scielo.br/j/sn/a/NLcJL6FRNrZWtLrh9kQD8Zd/abstract/?lang=pt Acesso em:30 mar 2021
AL AMIN, A. S. M.; WADHWA, R. Helmintíase. In: StatPearls [Internet]. Ilha do Tesouro (FL): StatPearls Publishing, 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560525/. Acesso em: 28 set. 2024.
BALDI, G.B. et al. Parasitoses pulmonares. In: MARTINS, M.A. et al. Clínica médica, volume 2: doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, emergências e terapia intensiva. 2. ed. Barueri: Manole, 2016. Doi: https://sistema.editorapasteur.com.br/uploads/pdf/publications_chapter/S%C3%8DNDROME%20DE%20LOEFFLER:%20ASPECTOS%20IMUNOL%C3%93GICOS%20E%20FISIOPATOLOGIA%20PARASIT%C3%81RIA-9c87ac12-d4b1-4762-b35d-6b6c567a0e03.pdf Acesso em: 20 mar 2021
BERNE, Ana Cristina; VIEIRA, Juliana Nunes; AVILA, Luciana Farias da Costa de; VILLELA, Marcos Marreiro; BERNE, Maria Elisabeth Aires; SCAINI, Carlos James. Giardia lamblia: diagnóstico com o emprego de métodos microscópicos e Enzyme-linked Immunosorbent Assay (ELISA). Revista de Patologia Tropical / Journal of Tropical Pathology, Goiânia, v. 43, n. 4, p. 412-419, 2015. DOI: https://doi.org/10.5216/rpt.v43i4.33602. Disponível em: https://revistas.ufg.br/iptsp/article/view/33602. Acesso em: 26 set. 2025.
BERNE, Ana Cristina; VIEIRA, Juliana Nunes; DE AVILA, Luciana Farias da Costa; VILLELA, Marcos Marreiro; BERNE, Maria Elisabeth Aires; SCAINI, Carlos James. Giardia lamblia: DIAGNÓSTICO COM O EMPREGO DE MÉTODOS MICROSCÓPICOS E Enzyme-linked Immunosorbent Assay (ELISA). Revista de Patologia Tropical / Journal of Tropical Pathology, Goiânia, v. 43, n. 4, p. 412–419, 2015. DOI: 10.5216/rpt.v43i4.33602. Disponível em: https://revistas.ufg.br/iptsp/article/view/33602. Acesso em: 19 dez. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Cadernos de Atenção Básica. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento.pdf. Acesso em: 14 maio 2024.
COELHO, G. L. L. Prevalence of helmintic infections in Brazilian Maxakali indigenous: a repeated cross-sectional design. International Journal for Equity in Health, v. 23, e18, 2024. Disponivel em: DOI: https://doi.org/10.1186/s12939-024-02105-7.) Acesso em: 24 set 2025
COELHO, S. R.; SILVEIRA, K. S. da S. M.; MARQUES, J. dos S.; PAULO, D. G.; LARA, R. C.; ALVES, L. F.; GONÇALVES, G. S. Parasitoses intestinais e saneamento básico no Brasil: um estudo comparativo em crianças de creches públicas em Belo Horizonte. Revista Gestão e Conhecimento, v. 19, n. 1, 2025. DOI: Disponivel em: 10.55908/RGCV19N1-010. Acesso:10 de maio 2025
CASTRO, Lays Carvalho de; ROCHA, Maria Aparecida Lima Feitosa. Principais parasitoses intestinais em povos indígenas no Brasil. Revista Novos Desafios, [S. l.], v. 4, n. 2, p. 35–49, 2024. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.14200106. Disponível em: https://novosdesafios.inf.br/index.php/revista/article/view/95. Acesso em: 27 set. 2025.
Chakrabarti S, Ajjampur SSR, Waddington HS, Kishore A, Nguyen PH, Scott S. Deworming and micronutrient status by community open defecation prevalence: An observational study using nationally representative data from India, 2016-2018. PLoS Med. 2024 May 10;21(5):e1004402. Disponivel em: 10.1371/journal.pmed.1004402. PMID: 38728369; PMCID: PMC11125536. Acesso em 15 dez 2021
DE CASTRO, Lays Carvalho; ROCHA, Maria Aparecida Lima Feitosa. Principais parasitoses intestinais em povos indígenas no Brasil. Facit Business and Technology Journal, v. 1, n. 55, 2024. Dol: file:///C:/Users/Suzana%20Foletto/Desktop/Parasitoses+intestinais+e+sua+rela%C3%A7%C3%A3o+com+a+vulnerabilidade+social.pdf Acesso em: 24 Set 2025
Chammartin F, Guimarães LH, Scholte RG, Bavia ME, Utzinger J, Vounatsou P. Spatio-temporal distribution of soil-transmitted helminth infections in Brazil. Parasit Vectors. 2014 Sep 18;7:440. Disponivel em: 10.1186/1756-3305-7-440. PMID: 25230810; PMCID: PMC4262198. Acesso em :01 julh 2022
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Symptoms of infection by Giardia. Atlanta, 20 dez. 2023. Disponível em: https://www.cdc.gov/giardia/signs-symptoms/index.html. Acesso em: 17 jun. 2025
CAVALIER, N. T.; BOLSONI, J. L. F.; SILVEIRA, A. M.; LISBÔA, L. A.; DAYUBE, A. L.; NETTO, L. A.; FERNANDES, M. L. X. de A.; LIMA, B. R. de S. Diagnóstico e tratamento das doenças infecciosas e parasitárias. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, [S. l.], v. 5, n. 5, p. 2522–2530, 2023. DOI: 10.36557/2674-8169.2023v5n5p2522- 2530. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/838. Acesso em: 6 ago. 2025.
CALVASINA, P. Redes de atenção à saúde bucal: A transversalidade invisível. 2023. Ciência & Saúde Coletiva, v. 28, n. 03, 2023. doi: Disponivel em https://www.scielo.br/j/csc/a/HRpbzBXJ7qkkdK4J8DF3hmc/. Acesso em: 17dez2025
CAVALCANTI, M. B.; MELO, D. de C. P. de. Vulnerabilidade socioambiental em comunidade ribeirinha: a experiência da Ilha de Deus, Recife/PE. Revista Ibero-Americana de Ciências Ambientais, v. 12, n. 1, p. 595–614, 2020.Disponivel em :DOI: 10.6008/CBPC2179-6858.2021.001.0048.Acesso em:03 abri 2020
DIXON, B. R. Giardia duodenalis em humanos e animais: transmissão e doença. Research in Veterinary Science, v. 135, p. 283-289, Disponivel em: https://doi.org/10.1016/j.rvsc.2020.09.034 Acesso em :mar. 2021.
Feng Y, Xiao L. Zoonotic potential and molecular epidemiology of Giardia species and giardiasis. Clin Microbiol Rev. 2011 Jan;24(1):110-40.Disponivel em:10.1128/CMR.00033-10. PMID: 21233509; PMCID: PMC3021202.
Acesso em: 22 out 2022
FALEIROS, J. M. M. et al. Ocorrência de enteroparasitoses em alunos da escola pública de ensino fundamental do município de Catanduva (São Paulo, Brasil). Revista do Instituto Adolfo Lutz, v. 63, n. 2, p. 243–247, jul./dez. 2004.Disponivel em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-404807 Acesso em: 05 set 2020
FOCACCIA, Roberto (ed. cient.). Veronesi: tratado de infectologia. 5. ed. rev. e atual. São Paulo: Editora Atheneu, 2015. MSD MANUALS. Amebíase. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/infec%C3%A7%C3%B5es-parasit%C3%A1rias-protozo%C3%A1rios-intestinais-e-microspor%C3%ADdios/ameb%C3%ADase. Acesso em: 19 dez. 2025.
Flávia de Souza; MERLINI, Luciana Silva. Epidemiologia das parasitoses intestinais. Revista de Medicina, Ribeirão Preto, v. 41, n. 4, p. 418-422, 2008. Disponível em: https://revistas.usp.br/rmrp/article/download/265/266/524 Acesso em :01 abril 2020
FUJIWARA, Ricardo Toshio; BUENO, Lilian Lacerda. Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Publicado em: 1 jan. 1970. Disponivel em: https://bvsms.saude.gov.br/parasitoses-intestinais-e-seu-impacto-na-sociedade/ Acesso em: 05 maio 2020
FERREIRA, F. S. et al. Avaliação do perfil epidemiológico da esquistossomose na região norte Evaluation of the epidemiological profile of schistosomiasis in the northern region. Brazilian Journal of Health Review, Piracicaba, v. 4, n. 6, p. 25486-25496, 2021. Disponivel em :10.34119/bjhrv4n6-150. ISSN: 2595-6825 Acesso em:15 agost 2020
FONTBONNE, A.; FREESE-DE-CARVALHO, E.; ACIOLI, M. D.; SÁ, G. A.; CESSE, E. A. P. Fatores de risco para poliparasitismo intestinal em uma comunidade indígena de Pernambuco, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 17, n. 2, 2001. Disponivel em: DOI: 10.1590/S0102-311X2001000200011. Acesso em: 18 dez 2025
FERREIRA, A. S.; MELO, C. G. de; COSTA, L. A. G. da; SILVA PEREIRA, L. H. da; FRANÇA, B. C. S.; ALMEIDA, V. V.; SALES, S. G. dos S.; FREITAS NETO, J. L. de; ROLIM, L. A.; NETO, P. J. R. Geo-helmintíases: cenário atual, agentes etiológicos, diagnósticos, tratamento e prevenção. Cuadernos de Educación y Desarrollo, v. 15, n. 5, p. 4782–4801, 2023. Disponivel em: DOI: 10.55905/cuadv15n5-047.Acesso em: 22 dez 2025
GUAL-GONZALEZ, Lídia; ARANGO-FERREIRA, Catalina; LOPERA-RESTREPO, Laura Camila; CANTILLO-BARRAZA, Omar; MARÍN, Daniela Velásquez; BUSTAMANTE, Natalia Restrepo; TRIANA-CHAVEZ, Omar; NOLAN, Melissa S. Acute Pediatric Chagas Disease in Antioquia, Colombia: A Geographic Location of Suspected Oral Transmission. Microorganisms, v. 10, n. 1, art. 8, 2022. Disponivel em: https://doi.org/10.3390/microorganisms10010008
Acesso em: 04 abril 2020
GLESIL, Melicile. Doenças tropicais negligenciadas no Haiti: perfil cienciométrico de publicações científicas de 1923-2022. 2023. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) – Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2023. Disponível em: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/75321. Acesso em: 18 dez. 2023.
HEREDIA, R. D.; FONSECA, J. A.; LÓPEZ, M. C. Entamoeba moshkovskii: perspectives of a new agent to be considered in the diagnosis of amebiasis. Acta Tropica, v. 123, n. 3, p. 139-145, 2012. DOI:
Disponivel em : https://doi.org/10.1016/j.actatropica.2012.05.012 Acesso em 10 de set de 2025
HOOSHYAR, H.; ROSTAMKHANI, P.; ARBABI, M.; DELAVARI, M. Giardia lamblia infection: review of current diagnostic strategies. Gastroenterology and Hepatology from Bed to Bench, v. 12, n. 1, p. 3-12, 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30949313/. Acesso em: 26 set. 2025.
Karin; WELLER, Peter. Ascariasis. UpToDate, Inc., 2020. Acesso em: 21 abril 2021. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/ascariasis>. Acesso em: 21 abril 2021.
KELLERMAN, R. D. et al. Parasitas intestinais. In: CONN’S CURRENT THERAPY 2024. Elsevier, 2024. Disponível em: https://www.clinicalkey.com. Acesso em: 13 fev. 2024
KATZUNG, Bertram G.; TREVOR, Anthony J. (org.). Farmacologia básica e clínica. 13. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2017. 1202 p.SANAR MED. Anti-helmínticos: mecanismos de ação, farmacocinética, indicações e mais.
Disponível em: https://sanarmed.com/resumo-de-anti-helminticos-mecanismos-de-acao-farmacocinetica-indicacoes-e-mais/ Acesso: 05 mar 2024
KOGIEN, M.; TEIXEIRA, C. A. Mebendazol no tratamento de helmintíases intestinais: revisão de literatura e considerações de Enfermagem. Revista Eletrônica Trimestral de Enfermaria, Porto Velho, RO, v. 24, p. 233–236, 2011.Dol: http://www.cic.fio.edu.br/anaisCIC/anais2020/pdf/09.04.pdf Acesso em: 23 fev 2020
LEDER, Karin; WELLER, Peter F. Intestinal Entamoeba histolytica amebiasis. UpToDate, 2023. Disponível em: https://www.uptodate.com/. Acesso em: coloque a data de acesso, 15 out. 2025.
LOBATO, J. E. G.; BARROS, L. J. V.; SANTOS, T. V.; SANT’ANNA, C. C. Anemia associada a parasitoses. Revista Brasileira de Análises Clínicas (RBAC), Belém, v. 56, n. 1, p. 12–18, 2024.
Disponivel em: DOI: 10.69849/revistaft/cl10202504071813. Acesso em: 20 dez 2024
MERCK. Versão Profissional. Abordagem para Infecções Parasitárias. Disponível em: https://www.merckmanuals.com/professional/infectious-diseases/approach-to-parasitic-infections/approach-to-parasitic-infections. Acesso em: 7 abr. 2023.
MORAES, Lana Janine Rodrigues et al. Prevalência de anemia associada a parasitoses intestinais no território brasileiro: uma revisão sistemática. Revista PanAmazônica de Saúde, v. 10, p. 9-9, 2019. Disponivel em: http://dx.doi.org/10.5123/s2176-6223201900098. Acesso em: 23 nov
MELO, E. M.; FERRAZ, F. N.; ALEIXO, D. L. Importância do estudo da prevalência de parasitos intestinais de crianças em idade escolar. SaBios: Revista de Saúde e Biologia, v. 5, n. 1, 2010. Disponível em: https://revista2.grupointegrado.br/revista/index.php/sabios/article/view/546. Acesso em: 21 out. 2025.
MARIE, Chelsea; PETRI JUNIOR, William A. Giardíase. Revisado por: MUZNY, Christina A. MSD Manuals – Versão para o público leigo, maio 2024. Modificado em: jan. 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/infec%C3%A7%C3%B5es-parasit%C3%A1rias-protozo%C3%A1rios-intestinais-e-microspor%C3%ADdios/giard%C3%ADase. Acesso em :10 agost 2025
NASCIMENTO, N. O.; HELLER, L. Ciência, tecnologia e inovação na interface entre as áreas de recursos hídricos e saneamento. Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, v. 10, n. 1, p. 36–48, jan./mar. 2005 Dol: Disponivel em: https://www.scielo.br/j/esa/a/mdZJr7sJy5dhZqG9cBfvrTQ/?format=html&lang=pt. Acesso em: 20 nov 2020
Organização Mundial da Saúde (OMS), Ficha informativa sobre infecções por helmintos transmitidos pelo solo (2023). Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/soil-transmitted-helminth-infections (Acesso em 6 de fevereiro de 2023).
OLIVEIRA, C. B.; SILVA, A. S.; MONTEIRO, S. G. Ocorrência de parasitas em solos de praças infantis nas creches municipais de Santa Maria – RS, Brasil. Saúde (Santa Maria), v. 43, n. 2, p. 265–345, maio/ago. 2017 Disponivel em: Dol file:///C:/Users/Suzana%20Foletto/Desktop/beatriz-revsaude,+23158%20(1).pdf Acesso em: 22 nov 2020
MONTEIRO, A. M. C. de; SILVA, E. F. da; ALMEIDA, K. S. de; SOUSA, J. J. N. de; MATHIAS, L. A.; BAPTISTA, F.; FREITAS, F. L. C. da. Parasitoses intestinais em crianças de creches públicas localizadas em bairros periféricos do município de Coari, Amazonas, Brasil. Revista de Patologia Tropical, Goiânia, v. 38, n. 4, p. 284–290, out./dez. 2009.
Disponivel em: DOI: https://doi.org/10.5216/rpt.v38i4.8592 Acesso em: 23 out 2021
PINHEIRO, Pedro. Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal. MD.Saúde. Disponível em: https://www.mdsaude.com. Acesso em: 26 set. 2025.
PINTO, Carlos José Carvalho; GRISARD, Edmundo Carlos; ISHIDA, Maria Márcia Imenes. Parasitologia. Florianópolis: CCB/EAD/UFSC, 2011. 136 p. Disponivel em: Dol:https://repositorio.pgsscogna.com.br/bitstream/123456789/46417/1/VALERIA_FERREIRA_DA_SILVA_ATIVIDADE_3.pdf Acesso em: 4 nov. 2021
PEREIRA, Liliane G. F.; GAIARDO, Viviane. Parasitoses intestinais como fator de risco para aprendizado escolar. Revista Científica Semana Acadêmica, Fortaleza, ano 2016, n. 80, 28 jan. 2016. Disponível em: https://semanaacademica.org.br/artigo/parasitoses-intestinais-como-fator-de-risco-para-aprendizado-escolar. Acesso em: 20 dez. 2025
PRADO, D. P. G. do; JÚNIOR, B. A. R.; MOURA, V. O. L. D.; REZENDE, H. H. A.; LOPES, A. R. Importância da qualidade da água no controle de doenças parasitárias. Revista Multidisciplinar em Saúde, v. 2, n. 3, p. 103, 28 jul. 2021. DOI: 10.51161/rems/1515. Acesso em 23 abr 2020
FUJIWARA, Ricardo Toshio; BUENO, Lilian Lacerda. Parasitoses intestinais e seu impacto na sociedade. Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), 6 jun. 2024. Disponível em: https://sbmt.org.br/parasitoses-intestinais-e-seu-impacto-na-sociedade/. Acesso em: 22 dez 2022
ROMANI, S. A. M.; LIRA, P. I. C.; BATISTA FILHO, M.; SIQUEIRA, L. A. S.; FREITAS, C. L. C. Anemias em pré-escolares: diagnóstico, tratamento e avaliação, Recife, PE, Brasil. Archivos Latinoamericanos de Nutrición, v. 41, p. 159–208, 1991. Dol: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/Cxbzqszsd8cfKY6bs8YpSRH/?format=html&lang=pt Acesso em:20 de no 2020.
SOUSA, Paulo Ricardo Pereira de et al. Parasitoses intestinais no Nordeste entre 2012 e 2021: uma revisão integrativa de literatura. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 27, n. 5, p. 3433-3448, 2023. Disponivel em: DOI: 10.25110/arqsaude.v27i5.2023-082. Acesso em: 10 out 2022
SOUSA, F. das C. A.; SIQUEIRA, H. D. S.; SIQUEIRA, F. F. F. S.; OLIVEIRA, E. H. de; LIMA VERDE, R. M. C.; MIRANDA JUNIOR, R. N. C.; MIRANDA, N. M. R. de S.; RODRIGUES, L. A. de S.; SILVA, W. C. da; COELHO, L. de S.; MAIA, N. M. F. S. Prevalência de parasitoses intestinais em crianças de uma escola pública municipal. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 90, n. 28, 2019. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br/index.php/revista/article/view/515. Acesso em: 18 dez. 2025.
RODRIGUES, L. A. de S.; SILVA, W. C. da; COELHO, L. de S.; MAIA, N. M. F. S. Prevalência de parasitoses intestinais em crianças de uma escola pública municipal. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 90, n. 28, 2019. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br/index.php/revista/article/view/515. Acesso em: 18 dez. 2025.
Silva, M. M. A., Lima, R. M., & Bastos, S. N. D. (2014) Parasitoses intestinais do município de Nova Esperança do Piriá: conhecer para evitar. Ensino, Saúde e Ambiente, 7(1) Disponivel em: https://doi.org/10.22409/resa2014.v7i1.a21185. Acesso em:25 fev 2020
SAVIOLI, L.; SMITH, H.; THOMPSON, A. Giardia and Cryptosporidium join the ‘Neglected Diseases Initiative’. Trends in Parasitology, v. 22, p. 203–208, 2006. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/upload/S/0047-2077/2014/v102n1/a4019.pdf. Acesso em:18 dez 2025
PEREIRA, Liliane G. F. et al.; VIVIANE,) Gaiardo. Parasitoses intestinais como fator de risco para aprendizado escolar. Revista Científica Semana Acadêmica, Fortaleza, n. 000080, 28 jan. 2016. Disponível em: https://semanaacademica.org.br/artigo/parasitoses-intestinais-como-fator-de-risco-para-aprendizado-escolar. Acesso em: 26 set. 2025.
Sharma A, Purwar S, Gupta S, Gupta A, Gautam D. Strategies to Decrease the Prevalence of Soil-Transmitted Helminths in Central India. J Lab Physicians. 2022 Oct 20;15(2):202-206. Disponivel em: doi: 10.1055/s-0042-1757417. PMID: 37323609; PMCID: PMC10264114.) Acesso em: 08 set 2021
SILVA, E. F.; SILVA, V. B. C.; FREITAS, F. L. C. Parasitoses intestinais em crianças residentes na comunidade ribeirinha São Francisco do Laranjal, município de Coari, estado do Amazonas, Brasil. Revista de Patologia Tropical, v. 41, p. 97–101, 2012.Dol Disponivel em file:///C:/Users/Suzana%20Foletto/Desktop/dorlivete,+e23610515000.pdf Acesso em:20 nov 2020
Thompson RCA O significado zoonótico e a epidemiologia molecular de Giardia e giardíase. Parasitologia Veterinária. 2004;126:15–35. Disponivel em: doi: 10.1016/j.vetpar.2004.09.008. Acesso em: 05 out 2021
TEIXEIRA, Phelipe Austriaco et al. Parasitoses intestinais e saneamento básico no Brasil: estudo de revisão integrativa. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 5, p. 22867–22890, 2020. Disponivel em: DOI: 10.5281/zenodo.7983235.Acesso em: 20 nov 2020
