PREVALÊNCIA DAS LIMITAÇÕES FUNCIONAIS DA HIDRADENITE SUPURATIVA NA ADOLESCÊNCIA: REVISÃO DE LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511171012


Shirlene Cristina de Santana Rosário
Joise Maria Martins Pinto dos Santos
Francisco Gilmar Ribeiro da Rosa
Orientador: Esp. Andrey Silva Machado


RESUMO

A Hidradenite Supurativa (HS) é uma doença inflamatória crônica e recidivante que afeta regiões corporais com elevada concentração de glândulas apócrinas, como axilas e áreas inguinais. Embora mais estudada em adultos, sua manifestação em adolescentes representa um desafio clínico, diagnóstico e psicossocial. Este trabalho tem como objetivo analisar a incidência das limitações funcionais decorrentes da HS em adolescentes, mapeando os sinais e sintomas mais frequentes e avaliando a eficácia das abordagens fisioterapêuticas utilizadas no manejo da doença. Trata-se de uma revisão de literatura, com abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, baseada em publicações entre 2015 e 2025. Os resultados apontam que a HS em adolescentes está associada a dor intensa, restrição de movimentos, absenteísmo escolar e prejuízos psicossociais significativos, especialmente em meninas. Além disso, destaca-se a escassez de estudos voltados à fisioterapia aplicada a essa faixa etária, embora sua atuação seja essencial na reabilitação funcional, controle da dor e melhora da qualidade de vida. Conclui-se que o manejo da HS em adolescentes deve ser multidisciplinar, incorporando o suporte fisioterapêutico precoce e estratégias de cuidado centradas no paciente, a fim de minimizar as limitações funcionais e promover autonomia e bem-estar.

Palavras-chave: Hidradenite Supurativa. Adolescência. Limitação funcional. Fisioterapia. Qualidade de vida.

ABSTRACT

Hidradenitis Suppurativa (HS) is a chronic and recurrent inflammatory disease that affects body regions rich in apocrine glands, such as the axillae and inguinal areas. Although more frequently studied in adults, its manifestation in adolescents poses significant clinical, diagnostic, and psychosocial challenges. This study aims to analyze the incidence of functional limitations caused by HS in adolescents, mapping the most common symptoms and evaluating the effectiveness of physiotherapeutic approaches in managing the disease. This is a qualitative, descriptive, and exploratory literature review based on studies published between 2015 and 2025. The findings indicate that adolescent HS is associated with severe pain, restricted mobility, school absenteeism, and significant psychosocial impairment, particularly among females. Furthermore, there is a scarcity of research on physiotherapy in this population, despite its crucial role in functional rehabilitation, pain management, and improvement of quality of life. It is concluded that the management of HS in adolescents must be multidisciplinary, integrating early physiotherapeutic support and patient-centered strategies to minimize functional limitations and promote autonomy and well-being.

Keywords: Hidradenitis Suppurativa. Adolescents. Functional limitation. Physiotherapy. Quality of life.

INTRODUÇÃO

A Hidradenite Supurativa (HS) é uma doença inflamatória crônica, recorrente e debilitante, que acomete regiões do corpo com maior concentração de glândulas apócrinas, como axilas e região inguinal. Seus sintomas incluem nódulos dolorosos, abscessos, fístulas e cicatrizes, afetando diretamente a qualidade de vida dos pacientes (Cagalj; Marinovi; Mokos, 2022).

Nesse contexto, a HS em adolescentes tem recebido atenção crescente na literatura, sobretudo em relação à sua apresentação clínica e aos mecanismos fisio- patológicos envolvidos. Choi et al. (2020) destacam que a doença apresenta características clínicas semelhantes às do adulto, mas com peculiaridades relacionadas à idade de início, sendo a inflamação crônica e a predisposição genética fatores de- terminantes na fisiopatologia. 

De forma complementar, Berikopoulou et al. (2025) evidenciam a associação entre HS e doenças autoimunes em crianças e adolescentes, sugerindo que alterações imunológicas desempenham papel central no desenvolvimento da enfermidade. Kittler et al. (2022) reforçam que a compreensão da fisiopatologia é fundamental para diferenciar a HS de outras dermatoses com manifestações semelhantes.

No cenário epidemiológico, dados nacionais e internacionais mostram que a HS não é rara, embora ainda seja subdiagnosticada. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da HS, publicado pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2019; 2020), a prevalência global varia entre 0,00033% e 4,1%, com incidência estimada de 4 a 10 casos por 100.000 pessoas-ano. No Brasil, um levantamento populacional estimou prevalência de 0,41% (IC 95% 0,32–0,50), sendo maior em adolescentes (0,57%) e em adultos (0,47%), especialmente no sexo feminino (≈3:1) (Ministério da Saúde/CONITEC, 2019). 

Fatores como predisposição genética, alterações hormonais, obesidade, tabagismo e atrito mecânico cutâneo contribuem para a ocorrência ou piora da doença, assim como determinantes étnico-raciais, evidenciando a interação de aspectos biológicos e contextuais.

A adolescência representa uma fase crítica, pois a HS compromete não apenas o bem-estar físico, mas também o emocional. Dor intensa, odor das lesões e localização íntima geram vergonha, isolamento social e evasão escolar, limitando a participação em atividades físicas e prejudicando o desenvolvimento saudável (Toledo et al., 2022). 

Tais impactos se refletem em altas taxas de depressão, ansiedade, baixa autoestima e ideação suicida, especialmente em casos graves, demonstrando que o sofrimento desses jovens é muitas vezes negligenciado no atendimento clínico (McKenzie et al., 2020; Truong et al., 2020).

Além disso, há suspeitas de associação entre HS e distúrbios autoimunes em adolescentes, o que reforça a necessidade de avaliação multidisciplinar e acompanhamento clínico contínuo (Berikopoulou et al., 2025). Entretanto, o diagnóstico precoce ainda representa um desafio, uma vez que muitos casos são confundidos com infecções cutâneas comuns ou acne grave. Situações menos usuais, como fístulas mamilares, ressaltam a importância de capacitar profissionais de saúde para reconhecer a doença em seus estágios iniciais (Kittler et al., 2022; Barker; Duff; Lee, 2023).

Outro ponto crítico é a transição do atendimento pediátrico para o adulto, um período de vulnerabilidade que, quando mal conduzido, compromete a continuidade do tratamento e a adesão ao cuidado. Protocolos claros e equipes integradas são essenciais para garantir melhores resultados clínicos e psicossociais (Yi et al., 2022). A subnotificação dos casos pediátricos, decorrente da ausência de sinais típicos ou da relutância dos adolescentes em relatar sintomas em áreas íntimas, também contribui para atrasos nas intervenções e favorece a progressão da doença (Choi et al., 2020).

A HS impacta diretamente a autonomia dos adolescentes, prejudicando tarefas cotidianas, como sentar-se, vestir-se ou praticar atividades físicas, e interferindo na formação da identidade e na integração social e escolar (McGrath; Steyn; Rashidghamat, 2024). Fatores como menarca precoce, obesidade, resistência à insulina e histórico familiar positivo estão relacionados à piora da doença, o que torna fundamental que o plano terapêutico inclua abordagens educativas, nutricionais e comportamentais, priorizando o cuidado centrado no paciente (Collier et al., 2022).

A participação da família é determinante para o sucesso do tratamento: ambientes acolhedores favorecem adesão e saúde mental, enquanto contextos desinformados ou desestruturados agravam a vulnerabilidade do adolescente (Collier et al., 2022). Paralelamente, a escassez de profissionais especializados em HS pediátrica e a ausência de protocolos específicos para avaliar dor, funcionalidade e qualidade de vida dificultam mensurar o impacto real da doença e avaliar os resultados das intervenções (Svoboda et al., 2021).

Diante desse cenário, muitos adolescentes recebem terapias conservadoras devido ao receio de efeitos adversos, o que, embora cauteloso, pode comprometer o controle da inflamação e a progressão da doença. Assim, é essencial incluir os jovens nas decisões terapêuticas, oferecendo informações claras e acessíveis (Salame et al., 2024). Nesse contexto, a dermatologia pediátrica desempenha papel central no enfrentamento da HS, pois a escuta ativa, o acolhimento e a construção de uma relação de confiança entre médico, paciente e família são pilares para evitar complicações, melhorar o prognóstico e promover saúde integral (Collier et al., 2022).

Diante de todos os desafios físicos, emocionais e sociais vivenciados por adolescentes com HS, é essencial compreender como essa condição afeta o cotidiano desses jovens. Nesse sentido, este trabalho visa analisar a prevalência das limitações funcionais ocasionadas pela Hidradenite Supurativa em adolescentes, com a intenção de subsidiar práticas de cuidado mais acolhedoras, adaptadas e eficazes à realidade desses pacientes.

Dessa forma, o objetivo deste trabalho é analisar a incidência das limitações funcionais decorrentes da Hidradenite Supurativa (HS) em adolescentes, mapeando os sinais e sintomas mais comuns nessa faixa etária e destacando as diferenças clínicas em relação aos adultos. Além disso, busca-se identificar os principais comprometimentos funcionais relatados por adolescentes com HS e sua frequência, bem como avaliar a eficácia dos principais protocolos fisioterapêuticos utilizados no tratamento da doença.

REFERENCIAL TEÓRICO 

HIDRADENITE SUPURATIVA 

Hidradenite supurativa (HS) é uma doença inflamatória crônica que acomete principalmente áreas ricas em glândulas apócrinas, como axilas, virilha e região glútea. Sua manifestação envolve nódulos dolorosos, abscessos e fístulas, levando a dor, cicatrizes e desconforto físico. O impacto na qualidade de vida é significativo, especialmente em adolescentes, devido à dor crônica, alterações na autoestima, dificuldades sociais e risco aumentado de depressão. Estudos mostram que até um terço dos casos de HS tem início na infância ou adolescência, e que a doença pode causar prejuízos emocionais e sociais duradouros nessa faixa etária (Nguyen et al., 2020).

SINAIS, SINTOMAS E DIFERENÇAS CLÍNICAS EM RELAÇÃO AOS ADULTOS

Os sinais e sintomas mais comuns em adolescentes com Hidradenite Supurativa (HS) são semelhantes aos dos adultos: dor, prurido, drenagem purulenta, odor desagradável e cicatrizes. No entanto, adolescentes podem apresentar maior impacto psicossocial, com prejuízo na autoestima, isolamento social e dificuldades escolares. A presença de comorbidades psiquiátricas, como depressão, é mais frequente em adolescentes com HS do que em controles, embora menos prevalente do que em adultos. Diferenças clínicas incluem maior frequência de lesões em áreas genitais e maior associação com acne vulgar e distúrbios hormonais (Pustišek et al., 2025; Molina-Leyva; Cuenca-Barrales, 2018; Cotton et al., 2023).

COMPROMETIMENTOS FUNCIONAIS E SUA FREQUÊNCIA

A HS causa limitações funcionais importantes, como dor ao caminhar, sentar ou movimentar os braços, além de restrições em atividades físicas, escolares e sociais. A dor crônica e o desconforto levam a absenteísmo escolar e redução da produtividade. Estudos mostram que adolescentes com HS relatam maior interferência da dor nas atividades diárias e maior limitação funcional, especialmente em mulheres. A frequência dessas limitações é alta, com impacto negativo na qualidade de vida e saúde mental (Pustišek et al., 2025; Wolinska et al., 2024; Schneider-Burrus et al., 2021).

PROTOCOLOS FISIOTERAPÊUTICOS E EFICÁCIA

O manejo fisioterapêutico da HS em adolescentes ainda é pouco estudado e, na prática, baseia-se em extrapolações dos protocolos adultos. As abordagens incluem controle da dor, orientações posturais, exercícios para manutenção da mobilidade e prevenção de contraturas, além de suporte psicossocial. O tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo fisioterapia, psicoterapia, educação em saúde e, em casos graves, cirurgia restrita. A eficácia dos protocolos fisioterapêuticos específicos para adolescentes carece de estudos robustos, sendo recomendada a personalização do tratamento conforme o estágio da doença e as necessidades individuais (Țarcă et al., 2021; Pustišek et al., 2025; Molina-Leyva; Cuenca-Barrales, 2018).

 DADOS NUMÉRICOS E PANORAMA CLÍNICO DA HS EM ADOLESCENTES

Em um grande estudo internacional com 481 pacientes pediátricos, 80% eram meninas, com idade média de início dos sintomas aos 12,5 anos e diagnóstico aos 14,4 anos. A obesidade foi observada em 65% dos casos, e 41% apresentavam histórico familiar da doença. As manifestações iniciais mais comuns foram cistos/abscessos (48%), dor/sensibilidade (25%) e pápulas/pústulas (24%). No momento do diagnóstico, 48% já apresentavam cicatrizes cutâneas. Quanto à gravidade, 47% estavam no estágio 1 de Hurley, 45% no estágio 2 e 8% no estágio 3. Complicações ocorreram em 79% dos pacientes, principalmente cicatrizes e contraturas (80% dos casos com complicação) (Liy-Wong et al., 2021).

Em relação ao tratamento, antibióticos mostraram resposta em 100% dos casos pediátricos avaliados, finasterida em 100%, biológicos em 93,9%, retinoides orais em 80% e metformina em 50%. Entre os biológicos, adalimumabe e bimekizumabe foram os únicos a apresentar eficácia significativa em grandes estudos, com adalimumabe também se destacando por melhor perfil de segurança (Zouboulis et al., 2018; Čagalj; Marinović; Bukvić Mokos, 2022). O tempo médio para resolução das lesões com biológicos variou de 10 dias a 11,5 meses, com média de 5,1 meses.

FISIOTERAPIA NA HIDRADENITE SUPURATIVA EM ADOLESCENTES: CORRELAÇÕES E EVIDÊNCIAS

A fisioterapia, embora pouco estudada de forma isolada na Hidradenite Supurativa (HS), integra abordagens multidisciplinares recomendadas para adolescentes, especialmente devido ao impacto funcional, dor crônica e prejuízo psicossocial associados à doença.

Segundo o especialista Thiago Fukuda, atualmente diretor-clínico do Instituto TRATA – Joelho e Quadril, um profissional  fisioterapeuta pode prescrever uma variedade de exercícios específicos para atender às necessidades individuais dos pacientes, focando na recuperação da força, melhora da coordenação motora, flexibilidade e funcionalidade dos membros inferiores.

PAPEL DA FISIOTERAPIA E ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR

A literatura destaca que o manejo ideal da HS em adolescentes deve ser multidisciplinar, incluindo fisioterapia, psicoterapia, educação em saúde e suporte social. A fisioterapia contribui principalmente para o controle da dor, manutenção da mobilidade, prevenção de contraturas e reabilitação funcional, além de atuar na orientação postural e incentivo à atividade física adaptada. Medidas como exercícios leves, alongamentos e orientações para evitar atrito e pressão nas áreas afetadas são recomendadas como parte da prevenção e do tratamento não farmacológico (Țarcă et al., 2021. Hermak et al., 2024. Savage et al., 2020). 

ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS

Terapia manual: compreende técnicas como mobilização e manipulação articular, aplicadas com o objetivo de restaurar a mobilidade, aliviar tensões musculares e promover o relaxamento, especialmente nas articulações do joelho, quadril, tornozelo e pé.

Ultrassom terapêutico:  utiliza ondas sonoras de alta frequência para tratar tecidos profundos, reduzindo inflamações, aliviando a dor e acelerando a regeneração tecidual, sendo indicado em casos de entorses, bursites e tendinites.

Exercícios de fortalecimento muscular: são fundamentais para recuperar a força e a estabilidade articular. Esses exercícios devem ser individualizados, podendo incluir o uso de pesos, faixas elásticas e práticas proprioceptivas, que contribuem para o equilíbrio, a coordenação e a prevenção de novas lesões.

Laserterapia:  utiliza feixes de luz concentrados para estimular a regeneração celular, aumentar a produção de energia (ATP) e reduzir processos inflamatórios, mostrando-se eficaz em casos de lesões musculares, tendinites e artrites.

INTEGRAÇÃO COM TRATAMENTOS MÉDICOS

A fisioterapia é complementar aos tratamentos farmacológicos e cirúrgicos, sendo indicada para reabilitação após procedimentos, manejo da dor e melhora da qualidade de vida. O suporte fisioterapêutico é especialmente relevante em casos de limitação funcional, dor ao movimento e restrição de atividades diárias, comuns em adolescentes com HS. Além disso, a fisioterapia pode auxiliar na adesão a mudanças de estilo de vida, como incentivo à prática de exercícios e controle do peso, fatores que impactam diretamente a evolução da doença (Hermak et al., 2024. Țarcă et al., 2021. Savage et al., 2020). 

Os efeitos da fisioterapia geralmente são observados nas primeiras semanas de tratamento, com melhora da dor e da mobilidade. No entanto, resultados duradouros dependem da continuidade do tratamento e da adesão do paciente. 

METODOLOGIA

ASPECTOS ÉTICOS

Os pesquisadores seguirão e respeitarão a Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que estabelece diretrizes éticas para pesquisas com seres humanos. Por se tratar de um estudo de revisão de literatura, não haverá coleta direta de dados com participantes, sendo, portanto, dispensada a utilização do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A pesquisa será iniciada somente após a assinatura do aceite da orientadora (Apêndice A).

TIPO DE ESTUDO

Trata-se de uma pesquisa de revisão de literatura, com abordagem qualitativa, descritiva e exploratória. A escolha desse delineamento justifica-se pela necessidade de reunir e analisar produções científicas recentes sobre as limiitações funcionais causadas pela Hidradenite Supurativa em adolescentes, contribuindo para a compreensão do impacto dessa condição nesta faixa etária.

PERÍODO DA PESQUISA

A busca e seleção de artigos iniciou no mês de fevereiro de 2025 e a seleção continuará sendo realizada até o mês de setembro de 2025, utilizando todos os critérios de inclusão e exclusão.

CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

Serão incluídos artigos científicos de casos clínicos, revisões de literatura e observacionais, publicados entre os anos de 2015 e 2025, disponíveis na íntegra, que abordem a Hidradenite Supurativa em adolescentes, especialmente com foco em comprometimentos funcionais, manifestações clínicas e abordagens terapêuticas. Serão adotados artigos em inglês e português, que apresentem relevância para os objetivos do estudo.

CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

Serão excluídos os estudos que não tratavam da população adolescente, bem como os que não apresentavam relação com a temática central da pesquisa, assim como os duplicados e resumos de anais.

ANÁLISE DE DADOS

A coleta dos dados será realizada por meio de análise temática, com buscas em bases de dados científicas eletrônicas, priorizando plataformas como PubMed, Scielo e Biblioteca virtual de saúde (BVS). A estratégia de busca empregará os descritores em inglês: “Hidradenitis Suppurativa” AND “Adolescent” AND “Functional Status”, e os descritores em português “Hidradenite Supurativa” E “Adolescente” E “Status Funcional” combinados por operadores booleanos, definidos pelos descritores da saúde (Decs) Os artigos selecionados serão organizados e analisados de forma sistemática, buscando identificar padrões, recorrências e lacunas no conhecimento acerca das limitações funcionais na adolescência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A Hidradenite Supurativa (HS) é uma doença crônica que, além do impacto cutâneo, acarreta limitações funcionais significativas em adolescentes, especialmente devido à dor, restrição de movimentos e comprometimento psicossocial. Estudos populacionais demonstram que a prevalência de limitações funcionais e interferência da dor nas atividades diárias é elevada entre adolescentes com HS, sendo ainda mais pronunciada em meninas, que apresentam quase três vezes mais chances de relatar prejuízo funcional em comparação aos meninos (Kingston et al., 2025). Essas limitações afetam não apenas a mobilidade (dificuldades para caminhar, subir escadas, levantar objetos), mas também a participação escolar, esportiva e social, agravando o impacto negativo na qualidade de vida (Kingston et al., 2025. Collier et al., 2020).  

A fisioterapia, nesse contexto, assume papel fundamental como parte da abordagem multidisciplinar, atuando na reabilitação funcional, controle da dor, prevenção de contraturas e incentivo à atividade física adaptada (Collier et al., 2020. Zouboulis et al., 2018). Intervenções fisioterapêuticas podem auxiliar na manutenção da mobilidade, na redução do desconforto e na promoção da autonomia, além de contribuir para a adesão a mudanças de estilo de vida que impactam positivamente a evolução da doença (Collier et al., 2020. Zouboulis et al., 2018). Portanto, a integração precoce da fisioterapia ao tratamento de adolescentes com HS é recomendada para minimizar as limitações funcionais e melhorar o prognóstico global.

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