PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO COMO BASE DO TRATAMENTO PARA HÉRNIA DE DISCO LOMBAR: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

HÉRNIA DE DISCO LOMBAR:UMA REVISÃO SISTEMÁTICA PHYSICAL EXERCISE AS A MAINSTAY OF TREATMENT FOR LUMBAR DISC HERNIATION: A SYSTEMATIC REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601051311


Felipe Ian Ott1
Gabriel Turra Kuchiniski2
Larissa Back3
Luna de Cassia Bonomo4
Lissandro Moisés Dorst5


RESUMO 

A hérnia de disco lombar (HDL) é uma condição prevalente, caracterizada pela protrusão ou extrusão do núcleo pulposo através do anel fibroso, frequentemente associada a dor lombar crônica e radiculopatia, impactando negativamente a qualidade de vida, criando um ciclo de inatividade e agravamento sintomático. Pode ser assintomática em muitos casos e regredir espontaneamente, porém quando sintomática, o tratamento conservador é preferencial em até 80%, priorizando alívio da dor, recuperação neurológica e retorno às atividades. O manejo inicial pode ser não farmacológico, com exercícios como primeira linha, atuando como terapia promotora de saúde, melhorando capacidade física, reduzindo fadiga muscular, aliviando compressão nervosa, melhorando circulação e fortalecendo o core, adaptável em intensidade e tipo, mitiga dor, melhora funcionalidade e previne cronicidade. O objetivo deste estudo foi determinar a eficácia de metodologias de exercício físico como principal intervenção no tratamento da HDL, analisando impactos na dor, incapacidade, qualidade de vida e variáveis biomecânicas. A revisão sistemática foi realizada de acordo com os protocolos do PRISMA e registrada no Open Science Framework (DOI: 10.17605/OSF.IO/A5UZY).  As buscas foram realizadas nas bases MEDLINE, CINAHL, Web of Science e Scopus, sem limite temporal, em inglês e português. De 1.192 artigos, 8 foram incluídos. Todos demonstraram redução significativa da dor e incapacidade funcional. Melhora na qualidade de vida, flexibilidade, mobilidade, força muscular e estabilidade lombar foram consistentes em 62,5% dos estudos. Metodologias analisadas incluíram: McKenzie, estabilização lombar/core, terapia aquática Halliwick, Pilates, ioga e fisioterapia com modificadores. As variações variaram de 5 dias a 12 semanas. Evidência forte para alívio da dor e redução da incapacidade moderada para melhora biomecânica. Neste estudo conclui-se que o exercício físico é eficaz e seguro como base do tratamento para HDL, promovendo alívio sintomático, melhora da funcionalidade e qualidade de vida, com potencial para reduzir intervenções cirúrgicas.  

Palavras-chave: Hérnia de disco lombar. Dor lombar. Incapacidade funcional. Exercício físico. Tratamento conservador.

INTRODUÇÃO 

 A hérnia de disco lombar (HDL) é uma das patologias degenerativas de diagnóstico mais frequente da coluna lombar e uma das principais causas de dor lombar crônica 1;2.  O processo de degeneração discal, recebe influência de múltiplos fatores, como obesidade, tipos de atividade desenvolvidas no trabalho e lazer, tabagismo, diabetes e consumo de álcool, porém a maior influência agravante vem do fator genético 3. A degeneração que enfraquece o disco, comumente inicia-se por desequilíbrio das ações anabólicas e catabólicas do local, ocorrendo degradação da matriz extracelular do disco intervertebral implicando em neoinervações e neovascularização, resultando em abaulamento discal, extravasamento do núcleo pulposo através do anel fibroso, perda de água e subsequentemente diminuição da altura do disco 2

A mecânica da coluna é alterada pela degeneração discal, afetando de forma negativa outras estruturas como músculos e ligamentos 4. O núcleo extravasado pode comprimir estruturas neurais próximas, como raízes nervosas, a medula espinhal e componentes musculoesqueléticos do local. Causando dor aguda ou crônica, nas costas e extremidades inferiores. Essas condições tendem a diminuir o nível de função e a qualidade de vida do paciente, o que pode se tornar um ciclo vicioso se não interrompido, onde o decréscimo na qualidade de vida pesa sobre a função, a baixa função influencia negativamente na qualidade de vida e assim sucessivamente 5. Pacientes acometidos pela hérnia de disco lombar podem ter sintomas de dor na região ciática, fraqueza, restrição de movimentos de flexão e extensão do tronco e redução da funcionalidade física 6;7

Hérnia de disco lombar é uma das principais causas de ciática, podendo ser causada pelo disco herniado comprimindo a raiz nervosa diretamente ou pela forte inflamação local que o extravasamento causa, porém, o aparecimento de hérnia não significa que o paciente terá sintomas, por vezes é encontrada em pacientes assintomáticos e muitas vezes regride de forma espontânea 8;9;10. Portanto, não se pode dizer que toda hérnia de disco cause sintomas. 

A hérnia de disco é uma patologia de curso benigno, e seu tratamento pode ser de forma conservadora ou cirúrgica 11. O tratamento cirúrgico tem melhor aplicabilidade para pacientes com sintomas debilitantes, que desejam uma melhora mais rápida ou nos casos em que não ocorreu uma melhora satisfatória com o tratamento conservador. Quando comparado ao tratamento conservador, o procedimento cirúrgico tende a evoluir com uma melhora mais rápida da dor nas costas, porém sem uma diferença clínica significativa após 3 meses 12

O tratamento conservador apresenta eficácia em 80% dos pacientes com pelo menos 4 a 6 semanas de tratamento. Nesta abordagem, o objetivo é o alívio da dor e estímulo a recuperação neurológica com retorno precoce às atividades da vida diária, em alguns casos como na crise de ciática o objetivo se torna a redução gradual da dor, aumentando os níveis de exercício físico e evitando o repouso absoluto. Anti-inflamatórios não esteroidais são os medicamentos que atendem com exatidão a necessidade para lidar com a fisiopatologia, portanto devem ser empregados, já analgésicos puros devem ser vistos como um recurso adicional. A composição desta modalidade de tratamento inclui fisioterapia de apoio com analgesia e relaxamento, baseada em exercícios e alongamentos, além de envolver a reabilitação funcional, modificação de atividades e controle da dor 11;13

Diferentes técnicas cirúrgicas podem ser empregadas, mas o risco de eventos adversos é sempre presente, dependente do tipo de cirurgia temos alguns eventos possíveis, como: surgimento de agravo ou novo déficit neurológico, lesão direta da raiz nervosa, hematoma e complicações de ferida (infecção, deiscência e seroma). Além disso, ainda existe a chance de novas complicações discais recorrentes e necessidade de nova operação14.  

Conforme as Diretrizes de Prática Clínica do American College of Physicians de 2017 para pacientes com dor lombar crônica, o tratamento inicial a ser escolhido deve ser o conservador não-farmacológico (forte recomendação), baseado em exercícios, reabilitação multidisciplinar, acupuntura, ioga, tai-chi, relaxamento progressivo, terapia cognitivo comportamental, entre outros. Essas terapias são as primeiras opções pois menos efeitos danosos estão associados a elas.15 

 Caracterizado por ter poucos eventos adversos e possuir uma natureza promotora de saúde, aumentando a capacidade física e qualidade de vida dos praticantes, o exercício físico pode ser retratado como um “remédio”, capaz de prevenir e tratar inúmeras doenças, atua promovendo a saúde de todo o corpo, desde a saúde mental à diminuição de quadros dolorosos crônicos. 16;17;18 

Independente de etnia, raça, sexo, idade ou tamanho corporal, a atividade física de forma regular é benéfica à saúde de todos. Seus resultados em indivíduos saudáveis podem ser imediatos como redução da ansiedade, melhora da função cognitiva, sono e sensibilidade a insulina ou serem desenvolvidos com o tempo, como por exemplo aumento da força muscular e aptidão física, que se constroem com meses a anos de prática.19 

 O exercício físico pode ser adaptado a cada indivíduo e tem efeitos adversos mínimos quando comparado a intervenções medicamentosas e cirúrgicas, o que o torna uma ferramenta atraente no tratamento de indivíduos com dor 18. Além disso, o exercício físico é um aliado na perda de peso, que juntamente com o fortalecimento muscular, ajuda a reduzir a pressão nas articulações, diminuindo a rigidez e aliviando quadros dolorosos 20;21

 A recuperação da função muscular lombar deve estar ligada ao mecanismo terapêutico para hérnia de disco lombar, isso se deve ao fato de as fibras musculares estarem reduzidas nos pacientes com dor lombar, sofrendo fadiga facilmente, não conseguindo manter a postura e a posição do tronco de forma adequada 22;23

 Os músculos lombares por estarem fadigados de forma prolongada levam a uma disfunção da estrutura tecidual que mantém a estabilidade da coluna, progredindo à perda gradativa desta função, agravando a hérnia de disco 24

 A capacidade versátil do exercício, que pode ser alterado em seu tipo, duração, intensidade e frequência, possibilita produzir diferentes métodos, tendo diferentes resultados clínicos. Se bem manejado e por tempo suficiente, a aplicação do exercício físico como preceito terapêutico para pacientes com hérnia de disco lombar, podem melhorar o desempenho físico, a qualidade de vida, a saúde mental e o sono, mas principalmente, aliviar a fadiga dos músculos lombares e aliviar a dor.22 

 Um dos possíveis mecanismos do exercício nesses pacientes é a redução da compressão nervosa, pela provável melhora funcional dos tecidos periféricos da coluna, aumento do espaço espinhal local, redução e liberação dos materiais salientes sobre as raízes nervosas e órgãos vertebrais, estímulo do espaço discal gerando pressão negativa e reduzindo a pressão dentro do ambiente espinhal, melhorando a efetividade da microcirculação local 22;25. Através disso o objetivo desse estudo centra-se em determinar se o uso de metodologias de exercício físico é benéfico para o paciente como principal intervenção do tratamento de hérnia de disco lombar, analisando seus impactos clínicos na sintomatologia causada pela patologia. 

MATERIAIS E MÉTODOS  

BASES DE DADOS E ESTRATÉGIA DE BUSCA  

Este artigo de revisão sistemática foi escrito conforme os procedimentos descritos pelo Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-analyses (PRISMA) e registrado no Open Science Framework ( https://doi.org/10.17605/OSF.IO/A5UZY ). As buscas foram realizadas nas bases de dados MEDLINE, CINAHL, Web of Science e Scopus, limitando-se a publicações em português e inglês, sem restrição de data (desde o primeiro ano de registro das bases até dezembro de 2024. A pesquisa dos trabalhos ocorreu por meio da seguinte estratégia de busca: (((((“non-surgical treatment”) OR “exercise”) OR “physical activit”) OR “sports”)) AND ((((“lumbar disc herniation”) OR “lumbar disc prolapse”) OR “intervertebral disc herniation”)), sendo idêntica para todas as plataformas onde ocorreram as pesquisas. 

 Seleção dos estudos  

Os artigos foram selecionados por dois revisores (FIO e LMD) e para resolução de possíveis divergências acerca da elegibilidade final dos estudos um terceiro revisor (GTK) foi consultado. Todos os estudos identificados pelas buscas foram exportados para o EndNote (Clarivate Analytics) por um investigador. A remoção de estudos duplicados ocorreu de forma automática. Sucessivamente foi realizada a análise de títulos de todos os artigos selecionados pelos revisores, consecutivamente de resumos e texto completo. 

Os trabalhos foram aceitos ou rejeitados conforme os critérios de inclusão ou exclusão. Foram incluídos na pesquisa estudos que: (1) – Envolvam manejo de pacientes portadores de hérnia de disco lombar em tratamento conservador com base em exercícios físicos; (2) – Relatam os resultados da prática de exercício físico em pacientes com hérnia de disco lombar; (3) – Expõem mudanças sintomáticas em pacientes com hérnia de disco lombar; (4) – São classificados como primários (exemplo: estudos de coorte e ensaio clínico randomizado). Foram excluídos da pesquisa: (1) – Estudos secundários (revisão sistemática e meta-análise); (2) – Estudos em que a amostra se baseia em pacientes que já realizaram tratamento cirúrgico de hérnia de disco lombar; (3) – Trabalhos em que os pacientes não sejam portadores de hérnia de disco exclusivamente lombar; (4) – Artigos em que os pacientes da amostra possuam outra patologia que influencie diretamente nos sintomas da hérnia de disco lombar; (5) – Publicações em que a amostra de pacientes tenha sido submetida a uma intervenção onde a principal fase não seja algum método de exercício físico; (6) – Projetos envolvendo uma população específica (militares, atletas de elite, etc). 

Extração e análise dos dados  

As informações retiradas de cada estudo incluíram: autoria, ano de publicação, características da amostra, divisão dos grupos amostrais, demografia dos participantes, protocolos de intervenção, métodos utilizados, variáveis analisadas e resultados. 

Análise do risco de viés  

Os artigos elegíveis foram avaliados usando uma ferramenta de avaliação para estudos transversais (ferramenta AXIS) desenvolvida por Downes e outros, para estimar o risco de viés. Esta forma auxilia na interpretação e informa sobre a qualidade do estudo 26. AXIS integra 20 componentes para examinar a qualidade do estudo, o desenho do estudo e o potencial risco de viés em estudos transversais 26. As respostas variam em sim, não, incapaz de determinar, ou não aplicável para cada item, sendo “sim” o único a pontuar um ponto, os demais pontuam zero. Alguns critérios foram excluídos da análise por não estarem relacionados aos estudos avaliados (critérios 7, 13 e 14); portanto, 17 critérios contribuíram para a pontuação final. Os pontos foram utilizados para um cálculo, determinando a porcentagem dos critérios atendidos em cada estudo. 

RESULTADOS 

 A busca bibliográfica realizada nas quatro bases de dados encontrou 1.192 artigos. Destes, 489 foram removidos por serem duplicados, 592 excluídos pela leitura do título e 76 pela leitura do resumo, resultando em 35 trabalhos para a leitura completa. Estes 35 artigos foram lidos de forma independente por dois revisores, assim, 27 trabalhos foram removidos, 14 estudos por possuírem outras intervenções conjuntas que modificaram o tratamento com exercício físico, 7 estudos por não descreverem a intervenção de forma clara e completa, 3 por não especificar a patologia dos indivíduos, 1 por não expor mudança sintomática dos envolvidos, 1 por se tratar de um estudo exclusivo e experimental com a criação de um dispositivo específico e 1 por ser uma revisão. Totalizando para a inclusão nesta revisão sistemática 8 artigos. A Figura 1 apresenta o fluxograma de seleção dos artigos para este estudo. 

Avaliação do risco de viés dos estudos selecionados 

A avaliação do risco de viés dos trabalhos incluídos foi realizada utilizando a ferramenta AXIS 26, indicando que todos os artigos elegíveis possuem altíssima qualidade. 37,5% atenderam 88,24% dos critérios, 25% atenderam 94,12% dos critérios e 37,5% atenderam 100% dos 17 critérios utilizados. A descrição detalhada de cada estudo e critérios alcançados encontram-se na Tabela 1. Entre os pontos não atendidos, se encontram a falta de justificativa do tamanho da amostra e a ausência de discussão das limitações do estudo.

Figura 1Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta Analyses (PRISMA) fluxograma dos estudos incluídos.

Estudos analisados 

 Uma análise das metodologias de exercício físico utilizadas nos 8 estudos selecionados para esta revisão sistemática, revela que 37,5% dos estudos incluíram o método McKenzie na sua intervenção 27;28;29, 37,5% usaram fisioterapia como intervenção experimental ou para controle 27;30;29, 37,5% utilizaram exercícios de estabilização lombar 31 ou exercícios de estabilidade do core 27;32, este último estudo com variações para terra e água seguindo os princípios da terapia aquática de Halliwick32 , 12,5% ou seja, 1 dos 8 estudos, utilizou exercícios clínicos de pilates na sua intervenção 4 e 12,5% ou 1 estudo utilizou um programa de exercícios de ioga 33. Descrição e síntese dos resultados dos estudos estão presentes na Tabela 2. Os protocolos de intervenção variaram em duração, tendo o mais curto durado 5 dias úteis 29 e o mais longo 12 semanas 33, cabe ressaltar, que os estudos diferem em duração e frequência pela própria natureza das intervenções, sendo cada protocolo adaptado ao tipo de metodologia utilizada. 

Tabela 1 – Avaliação da qualidade metodológica pela ferramenta AXIS. Y = critério atendido e N = critério não atendido. Pontuação final = soma dos Ys (e Ns no caso do critério 19). Alguns critérios não foram incluídos na análise por não terem relação com os estudos avaliados (7,13 e 14), portanto, 17 critérios contribuíram para a pontuação final.

Pontuação: de 1 a 18 e 20: “sim” (Y) = 1, “não” (N) = 0. 19 trata-se de um critério invertido: “não” (N) = 1, “sim” (Y) = 0. Critérios: (1) as metas / objetivos do estudo foram claros; (2) o desenho do estudo foi adequado aos objetivos declarados; (3) o tamanho da amostra foi justificado; (4) a população alvo/de referência foi claramente definida; (5) o quadro da amostra foi retirado de uma base populacional adequada para representar de perto o alvo/referência da população sob investigação; (6) o processo de seleção provavelmente selecionaria sujeitos/participantes representativos da população-alvo/referência sob investigação; (8) as variáveis fator de risco e desfecho foram medidas adequadas aos objetivos do estudo; (9) as variáveis fator de risco e desfecho foram mensuradas corretamente por meio de instrumentos/medidas previamente testados, ou publicados; (10) ficou claro o que foi utilizado para determinar a significância estatística (por exemplo, valores de p-valores, ICs); (11) os métodos foram suficientemente descritos para permitir sua repetição; (12) os dados basais foram adequadamente descritos; (15) os resultados foram internamente consistentes; (16) os resultados das análises foram descritos nos métodos apresentados; (17) as discussões e conclusões dos autores foram justificadas pelos resultados; (18) as limitações do estudo foram discutidas; (19) havia fonte de financiamento ou conflito de interesses que pudesse afetar a interpretação dos resultados pelos autores e (20) obteve-se a aprovação ética ou consentimento dos participantes. 

Analisando os resultados dos estudos, pode-se identificar que todos os artigos selecionados tiveram desfechos favoráveis para dor, com as metodologias de exercício físico melhorando as pontuações das escalas utilizadas, revelando que houve diminuição da dor. Um dos estudos incluiu uma avaliação conjunta da dor com a dimensão sensorial e da dor neuropática especificamente, apresentando também melhora dos sintomas comprovados pelos escores de pontuação das escalas utilizadas33

Além disso, a incapacidade funcional percebida foi analisada, sendo medida pelo Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI) e/ou pelo questionário de incapacidade de Roland-Morris (RMDQ). Com exceção do artigo de Bakhtiary, Safavi-Farokhi, Rezasoltani 31 que não utilizou nenhuma dessas escalas e do artigo de Szulc, et al.29 que utilizou uma forma modificada do ODI, todos os artigos selecionados utilizaram pelo menos uma dessas escalas. Levando em conta os estudos que incluíram essas avaliações, correspondendo a 87,5% dos selecionados, todos tiveram resultados positivos, mostrando após a intervenção diminuição na pontuação, o que indica redução da incapacidade percebida. 

Três artigos analisaram a qualidade de vida relacionada à saúde 32;27;4. Neste primeiro artigo32, que utilizou a escala Nottingham Health Profile, a redução na pontuação após a intervenção indica aumento na qualidade de vida. Nos dois outros artigos repete-se a melhora da qualidade de vida, neste caso, baseado no formulário SF-3627;4

62,5% dos estudos, analisaram as mudanças corporais relacionadas à estabilidade, flexibilidade, amplitude ou mobilidade, provenientes das intervenções. Essas variáveis foram medidas de diferentes formas por cada estudo. O artigo de Bakhtiary, Safavi-Farokhi, Rezasoltani 31 avaliou a amplitude de flexão do tronco sem sentir dor, por meio do teste de sentar e alcançar, o paciente com os joelhos estendidos tenta alcançar os dedos das mãos até os pés, a distância dos dedos das mãos até os dedos dos pés serviu como referência para verificar a mudança pós-intervenção, que foi positiva, com aumento significativo da amplitude de flexão do tronco. Este estudo também avaliou o intervalo de elevação das pernas estendidas sem dor por goniometria manual, mostrando na avaliação pós-intervenção, aumento significativo no ângulo em 80% do lado esquerdo e 60% do lado direito. Outros estudos de forma semelhante avaliaram a mobilidade do tronco, lombar ou a flexibilidade dos isquiotibiais, Taspinar, et al.4 utilizaram o teste de distância mão-dedo-chão que foi realizado com o paciente em pé tentando tocar o chão com a ponta dos dedos das mãos, a distância foi medida e serviu como parâmetro e teste de sentar e alcançar realizado de forma idêntica ao estudo citado anteriormente, ambos os testes no período pós intervenção demonstraram melhora significativa dos parâmetros, com diminuição da distância restante para alcançar o chão ou os dedos dos pés. Yildirim e Gultekin 33 avaliaram a mobilidade lombar pelo método de Schober modificado, que após a intervenção de 3 meses mostrou uma diferença positiva estatisticamente significativa. Os estudos de Dohnert, et al.27 e Szulc, et al.29 utilizaram equipamentos para realizar as medidas das variáveis, este primeiro utilizou o banco de Wells para medir a flexibilidade dos isquiotibiais, demonstrando no período após a intervenção, um aumento significativo da flexibilidade dos isquiotibiais em todos os grupos presentes na pesquisa. Szulc, et al.29  utilizaram um eletrogoniômetro tensiométrico Penny & Giles na modificação de Boocok 34 para determinar a extensão dos movimentos e os ângulos das curvaturas da coluna, servindo com o parâmetro para comparação após a intervenção, assim, evidenciando uma melhora significativa da mobilidade de vários segmentos espinhais em todos os eixos e planos pós-intervenção com o método McKenzie enriquecido com técnicas de energia muscular (MET), contrastando-se com os outros dois grupos, em que a melhora foi menos pronunciada. 

A força muscular, a estabilidade e a resistência foram outras das variáveis analisadas. Dohnert, et al.27 avaliaram a força dos músculos extensores do tronco pelo dinamômetro dorsal Crown e a estabilidade lombopélvica pelos testes de Single Leg Squat Test, Runner Pose Test, Prone Instability Test, Right and Left Lateral Bridge Test e Sorenson Test, ambas as variáveis obtendo melhora no pós intervenção, observando-se aumento da força muscular isométrica dos músculos do tronco, sem diferença entre os grupos e melhora significativa no Single Leg Squat Test, Runner Pose Test e Prone Instability Test, com destaque a melhora do grupo principal e grupo principal + McKenzie. Bayraktar, et al.32 avaliaram a resistência estática dos músculos do tronco por meio do teste de resistência dos extensores do tronco, teste de resistência dos flexores do tronco e teste da ponte lateral, demonstrando que a resistência estática dos músculos do tronco assemelhou-se a dos indivíduos controle saudáveis após 8 semanas de intervenção, tanto para o grupo terrestre, quanto para o grupo de terapia específica aquática. Lendraitienė, et al.30 calcularam a força muscular pelo aparelho eletrônico Back-Check by Dr. Wolff, incluindo força muscular isométrica durante a flexão do tronco, extensão do tronco, flexão lateral do tronco e extensão do quadril. Após as sessões de fisioterapia designadas a cada grupo, obteve-se que no primeiro grupo que recebeu fisioterapia convencional mais exercícios de sling a mudança no equilíbrio não foi estatisticamente significativa, enquanto no grupo dois ou grupo de fisioterapia com ênfase em exercícios de fortalecimento muscular postural e exercícios de alongamento, a mudança no equilíbrio da força muscular foi estatisticamente significativa, que indica uma transição da razão da força muscular das costas e do abdômen em direção ao recomendado, estes resultados espelham-se para a musculatura lateral da cintura, com o primeiro grupo não tendo uma mudança estatisticamente significativa no equilíbrio desse grupamento muscular, ao contrário do segundo grupo em que houve modificação em direção ao equilíbrio recomendado. Neste mesmo sentido, Taspinar, et al.4 verificaram a resistência estática dos músculos centrais laterais usando o teste da ponte lateral e a resistência dinâmica dos músculos do tronco e força muscular dos flexores do tronco pelo teste de abdominais. Neste estudo, o grupo CPE ou grupo de exercícios clínicos de pilates, teve aumento do teste de ponte lateral e nos valores do teste de abdominais, sendo significativamente maiores que no grupo controle que não recebeu intervenção com exercícios seguindo suas rotinas normais. 

Algumas variáveis foram estudadas de forma única por cada artigo selecionado, como o tempo para completar algumas atividades funcionais de vida diária, relatado no estudo de Bakhtiary, Safavi-Farokhi, Rezasoltani 31, que demonstrou após o protocolo de exercícios de estabilização lombar uma melhora significativa nas medidas de tempo, exemplificando, o tempo de caminhada de 10 metros foi otimizado em 39,7% e subir escadas em 48,3%. O Fear-Avoidance Beliefs Questionnaire esciatica foram utilizados por Hossain, et al.28 como forma de estimar a participação em atividades funcionais, conjuntamente com a escala de incômodo em atividades, demonstrando após a aplicação da intervenção, uma diferença significativa nos testes, porém sem diferença significativa entre os grupos do estudo. O comprimento do tendão do músculo da coxa foi avaliado utilizando o teste de extensão passiva do joelho por Yildirim e Gultekin 33, encontrando uma diferença estatisticamente significativa entre o pré e pós-tratamento de 3 meses no grupo ioga, mantendo-se aos 6 meses, tendo efeito de tamanho pequeno. Por fim, a última variável analisada dos artigos selecionados para esta revisão, foi o grau de degeneração dos discos intervertebrais, por Szulc, et al.29, utilizando a ressonância magnética antes e depois da intervenção, que demonstrou que o método McKenzie + MET produziu o melhor resultado, manifestado pela diminuição da hérnia de disco espinhal. Embora este grupo tenha tido o melhor resultado, o grupo método McKenzie clássico obteve uma melhoria menor, mas significativa contrapondo-se ao grupo fisioterapia padrão, em que nenhuma redução de tamanho foi documentada. 

Tabela 2 – Síntese de estudos experimentais que analisaram metodologias de exercício físico como principal intervenção no tratamento de pacientes com hérnia de disco lombar

DISCUSSÃO 

 Esta revisão sistemática reúne resultados do uso de metodologias de exercício físico como base do tratamento para hérnia de disco lombar, avaliando suas consequências e efeitos. Foi possível identificar que as metodologias de exercício físico empregadas pelos artigos selecionados tiveram objetivos semelhantes no tratamento desses pacientes, sendo aplicadas para reduzir o impacto da doença na vida dos indivíduos. Algumas das variáveis relatadas se fizeram mais presentes, como a dor, incapacidade, qualidade de vida e mudanças corporais relacionadas a flexibilidade, amplitude, mobilidade, força, estabilidade e resistência, demonstrando o amplo espectro de ação do tratamento por esse meio. A diversidade de metodologias presentes nessas pesquisas aponta sutilmente a vasta gama de formas em que esse tipo de tratamento pode ser realizado. Exercícios de estabilização lombar, exercícios de estabilidade do core, terapia específica aquática de Halliwick, método McKenzie, exercícios personalizados de core, método McKenzie adicionado a exercícios personalizados de core, fisioterapia, fisioterapia adicionada a exercícios de sling, fisioterapia em adição a exercícios com cinco instrutores Back-Check by Dr. Wolff com feedback, método McKenzie com adição de MET, exercício clínico de pilates e ioga são as metodologias apresentadas nos artigos selecionados, com destaque ao método McKenzie presente em 3 estudos e a fisioterapia presente também em 3 dos 8 estudos. 

Execução das metodologias de exercício físico 

 Criado em 1950 pelo fisioterapeuta Robin Anthony McKenzie, o método McKenzie, é um protocolo de exercícios, conhecido por exercícios de extensão da coluna. Esse protocolo é extensamente utilizado para diagnóstico e tratamento de condições musculoesqueléticas, incluindo dor lombar, é amplamente aceito para o tratamento eficaz da dor nas costas, enfatizando o autotratamento por meio do ajuste postural e movimentos repetidos de alta frequência em amplitude final 35. Essa metodologia, visa o fenômeno de centralização, onde a dor iniciada na coluna se refere distalmente, e por movimentos repetidos direcionados, a dor retorna a coluna, possibilitando uma avaliação para a prescrição de exercícios específicos. O foco do método para a dor nas costas envolve a identificação e classificação da dor inespecífica em subgrupos homogêneos. Síndrome postural, síndrome de disfunção, síndrome de desarranjo e outro são os subgrupos possíveis, que recebem um plano de tratamento direcionado ao grupo que pertencem35.  

O Método McKenzie, isolado ou combinado, se destacou em 3 dos artigos desta revisão, Hossain et al.28 mostraram que sua versão manipulativa superou a fisioterapia convencional em desfechos como dor e funcionalidade. Dohnert et al.27combinaram exercícios de estabilização lombar (LSE) com o Método McKenzie, evidenciando superioridade dessa abordagem sinérgica sobre técnicas isoladas na redução da dor e incapacidade, sugerindo que o fortalecimento do core aliado à mobilização direcionada otimiza a estabilidade e alivia a compressão neural. Szulc et al.29 reportaram redução do tamanho da hérnia via ressonância magnética ao associá-lo a técnicas de energia muscular, indicando possível regeneração discal em um protocolo intensivo de cinco dias, essa informação tem sua relevância elevada se analisarmos outros estudos, como o de Rapčan et al.36 e Albert et al.37. Rapčan et al.36 relataram melhorias significativas na dor e na qualidade de vida, validadas por várias escalas, incluindo o Índice de Incapacidade de Oswestry, após a realização de discectomia endoscópica para hérnias de disco lombares. Albert et al.37 nos mostra que, pelo tratamento de preservação da inflamação durante 1 ano, a hérnia de disco lombar foi completamente reabsorvida, acompanhada de resolução significativa dos sintomas, sugerindo que o tratamento não invasivo também é capaz de minimizar o tamanho e os sintomas da HDL. 

 A diversidade das abordagens terapêuticas dos artigos dessa revisão, destacaram a adaptabilidade do exercício físico às necessidades dos pacientes com HDL. Bakhtiary, Safavi-Farokhi, Rezasoltani31 demonstraram que LSE, aplicados por quatro semanas, melhoraram significativamente a dor, a amplitude de movimento (como flexão do tronco e teste de elevação da perna estendida) e o desempenho de AVDs. Da mesma forma, Bayraktar et al.32 exploraram a estabilização em ambiente aquático, utilizando os princípios de Halliwick, e observaram uma amplificação na redução da dor, possivelmente devido à menor carga axial sobre a coluna no ambiente aquático. Sintetizando os resultados desses dois estudos 31;32 que utilizaram metodologias semelhantes, podemos identificar que esta terapia foi capaz de melhorar, além das variáveis já citadas, o estado funcional, seguindo de moderadamente afetado para levemente afetado e a qualidade de vida dos pacientes. Estando de acordo com o estudo de Kuligowski et al 38, que relataram melhorias nos índices de incapacidade e na amplitude de movimento da coluna, mudanças observadas após várias semanas de treinamento de estabilização do núcleo, independentemente do tipo específico de hérnia de disco (protrusão ou extrusão). 

 A metodologia de fisioterapia como modo padrão, seguindo os estudos selecionados, foi utilizada somente em grupos de controle 28;29, não possuindo abundante relevância se analisada isoladamente. No estudo de Lendraitienė et al.30, verificou-se a presença deste método com a adição de modificadores, neste estudo, os autores compararam a fisioterapia com exercícios de tipoia/sling (utilizando equipamento Redcord) e a fisioterapia com feedback possível graças ao aparelho Back-check by Dr Wolff manipulado com cinco focos diferentes, otimizando grupamentos musculares distintos em cada forma. Por meio destas intervenções, houve redução da incapacidade, diminuição da dor lombar e dor em repouso, presentes nos dois grupos e ganho em força muscular e estabilidade de forma significativa, para o grupo de feedback. Assim, é possível verificar que a diferença das variáveis foi baseada majoritariamente nos modificadores e não somente na metodologia fisioterapia. O artigo de revisão de El Melhat et al 39 mostra que a fisioterapia é um ponto central no tratamento conservador para hérnia de disco lombar. Os principais objetivos são reduzir a dor, melhorar a função e prevenir incapacidade crônica. Com algumas intervenções proporcionando melhorias de curto prazo na dor e na incapacidade, embora a magnitude do benefício seja geralmente modesta. Este mesmo estudo destaca algumas metodologias integradas da fisioterapia, por exemplo, a tração pode oferecer alívio de curto prazo, mas modalidades como laser, ultrassom e eletroterapia não demonstram benefícios consistentes.39 

 Outras abordagens que integram fortalecimento e alongamento são exemplificadas pelo exercício clínico de pilates e o ioga. O artigo de Taspinar et al 4 expõe as mudanças causadas pelo exercício clínico de pilates realizado 3 vezes por semana por 6 semanas, mostrando que a intervenção foi capaz de reduzir a dor e a incapacidade e melhorar a flexibilidade, resistência e a qualidade de vida. Os exercícios baseados neste método estão associados à melhor ativação dos músculos centrais do tronco, incluindo o oblíquo interno e o multífido, essenciais para a estabilidade da coluna lombar. Evidências de estudos biomecânicos demonstram que indivíduos submetidos a exercícios de Pilates apresentam recrutamento mais eficaz desses músculos e melhor estabilidade do tronco e da pelve em comparação com indivíduos não expostos a tal. Isso é clinicamente relevante para a hérnia de disco lombar pois a estabilidade do núcleo é um componente central no tratamento conservador, reduzindo a dor e melhorando a função40. Yildirim e Gultekin 33 pesquisaram as mudanças relativas à prática de ioga, realizado 2 vezes por semana por 12 semanas, destacando-se entre os resultados a redução da dor neuropática, dor lombar, incapacidade e melhora da função em comparação com o grupo de controle que não participou da intervenção com exercícios. Mostrando-se particularmente útil para tratamento de pacientes com radiculopatia lombar. No entanto, a amostra era composta apenas por mulheres, limitando a comparação para toda a população geral.  

Duração das intervenções 

A duração dos protocolos de intervenção utilizados por cada estudo analisado variou consideravelmente, mostrando a discrepância de cada tipo de metodologia utilizada, variando em número de sessões, tempo de sessões e duração total dos métodos. O estudo de Szulc et al.29 apresentou a menor duração, com um protocolo intensivo de 5 dias úteis utilizando o método McKenzie enriquecido com técnicas de energia muscular. Já o mais longo entre os estudos selecionados foi o de Yildirim e Gultekin 33, que utilizaram um programa de ioga com duração de 12 semanas. Boa parte dos estudos analisados optaram por períodos intermediários, variando de 4 a 8 semanas 31;32;4. Essa variabilidade está diretamente relacionada às características das intervenções, como intensidade, frequência e objetivos terapêuticos. Por exemplo, protocolos mais intensos como o método McKenzie podem alcançar resultados em períodos menos longos, em comparação, abordagens como ioga ou Pilates, que se baseiam em adaptações graduais e fortalecimento contínuo requerem maior tempo para terem desfechos favoráveis. A análise da duração sugere que protocolos mais curtos podem ser eficazes para alívio mais breve da dor, enquanto intervenções prolongadas tendem a promover e manter benefícios de forma mais consistente, em variáveis como qualidade de vida e funcionalidade. 

Desfechos das metodologias utilizadas 

 Os estudos selecionados demonstraram de forma regular desfechos positivos para as metodologias de exercício físico usadas no tratamento conservador. Todas as intervenções analisadas, incluindo método McKenzie com ou sem MET, exercícios de estabilização lombar, terapia aquática de Halliwick, Pilates, ioga e fisioterapia com modificadores, resultaram em redução significativa da dor, avaliada por escalas validadas como a Escala visual analógica. A incapacidade funcional, mensurada pelo Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI) e pelo Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (RMDQ), também apresentou melhora em 100 % dos estudos que a avaliaram, notando-se uma tendência a melhora da capacidade funcional dos indivíduos submetidos a este tipo de tratamento. Além disso, a qualidade de vida relacionada à saúde, avaliada por instrumentos como SF-36 e Nottingham Health Profile, melhorou em estudos como os de Bayraktar et al.32, Dohnert et al.27 e Taspinar et al.4, tendo impacto positivo em simultâneas áreas da vida, não somente na saúde física do indivíduo. Variáveis biomecânicas, como flexibilidade, mobilidade do tronco, força muscular e estabilidade lombo pélvica, mostraram avanços significativos, com destaque para o aumento da amplitude de movimento sem dor e maior resistência muscular, essas mudanças físicas corroboram com os objetivos do tratamento, demonstrando os diferentes pontos de ação do tratamento com exercícios físicos. O método McKenzie, no estudo de Szulc et al.29, demonstrou ação no próprio disco intervertebral, reduzindo o tamanho da hérnia, sugerindo um potencial regenerativo discal. Esses resultados reforçam a relevância clínica do exercício físico como uma abordagem eficaz para aliviar sintomas e melhorar a funcionalidade em pacientes com HDL. 

Desfechos indesejados das metodologias utilizadas  

 Embora os estudos selecionados tenham relatado desfechos predominantemente positivos, alguns desfechos negativos foram observados, mas nenhum deles acarretou piora significativa dos sintomas. Houve um único estudo que descreveu um potencial efeito colateral, que relatou lesões musculares em dois participantes, um foi acometido por torção de tornozelo que melhorou após 4 dias e um sofreu uma distensão glútea 3 vezes que melhorou espontaneamente33.  

Além disso, é possível destacar desfechos relativamente neutros em alguns estudos, como em Lendraitienė et al.30, o grupo que utilizou fisioterapia com exercícios de sling não apresentou mudanças significativas no equilíbrio da força muscular, sugerindo que essa abordagem pode ser menos eficaz para certas variáveis em comparação com a fisioterapia com exercícios de fortalecimento postural, e a ausência de diferenças significativas como em Hossain et al.28 para algumas variáveis funcionais, indica que algumas metodologias podem ter efeitos comparáveis, mas sem superioridade clara. A grande variação nos protocolos de intervenção, como intensidade e frequência, pode ter contribuído para resultados menos pronunciados em determinados casos. Por fim, a falta de acompanhamento prolongado na maioria dos estudos impede a avaliação de desfechos desfavoráveis ao longo da vida, como recidiva de sintomas ou necessidade de outras intervenções.  

Limitações do estudo  

 Esta revisão sistemática apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Primeiramente, a grande variedade das metodologias de exercício físico presentes, com variações em tipo, duração, frequência e intensidade, dificultou a comparação direta entre os estudos e a realização de uma meta-análise. A ausência de justificativa para o tamanho da amostra em alguns estudos, identificado pela ferramenta de avaliação de risco de viés AXIS 26, pode prejudicar a representatividade dos resultados. Além disso, alguns dos estudos não discutiram explicitamente suas limitações, o que pode mascarar potenciais vieses ou fatores confundidores. A restrição de idiomas (português e inglês) e o número de bases de buscas podem ter ignorado estudos relevantes de outras fontes, realizar as buscas em uma quantidade maior de bases poderia suprimir este problema. Outro ponto é a falta de dados sobre acompanhamento a longo prazo, o que limita a compreensão da manutenção dos benefícios observados. A exclusão de populações específicas como de pacientes com outras patologias concomitantes, pode limitar a generalização dos achados para grupos mais diversos, impossibilitando a comparação dos dados obtidos a toda a população. No entanto, mesmo com limitações, como a diversidade de protocolos e ausência de acompanhamento a longo prazo, os achados corroboram as diretrizes do American College of Physicians15.  

CONCLUSÃO 

Esta revisão sistemática demonstra que metodologias de exercício físico, como método McKenzie sozinho ou enriquecido com MET, exercícios de estabilização lombar, Pilates, ioga, terapia aquática de Halliwick e fisioterapia com modificadores, são eficazes no tratamento conservador da hérnia de disco lombar. Os estudos selecionados para este estudo evidenciaram redução significativa da dor, melhora da funcionalidade, aumento da qualidade de vida e aprimoramento de características físicas, ou variáveis biomecânicas, como flexibilidade, força e estabilidade. A grande diversidade dos tipos de abordagem e a diferença das metodologias reforça a adaptabilidade que o exercício físico possui como método de tratamento, adequando-se às necessidades individuais dos pacientes. Essas metodologias mostram-se com benefícios evidentes e raros eventos adversos, o que apoia sua escolha. Desta forma, o exercício físico como base do tratamento deve ser analisado como uma ferramenta central no manejo da HDL, considerando seu potencial de personalização e individualização para o manejo desta patologia, promovendo alívio dos sintomas, recuperação da funcionalidade e melhora da qualidade de vida, com competência para reduzir a necessidade de intervenções cirúrgicas, a curto e longo prazo. 

CONFLITOS DE INTERESSE  

  Os autores atestam que não possuem qualquer conflito de interesse.

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  1. El Melhat AM, Youssef ASA, Zebdawi MR, Hafez MA, Khalil LH, Harrison DE. NonSurgical Approaches to the Management of Lumbar Disc Herniation Associated with Radiculopathy: A Narrative Review. J Clin Med. 2024 Feb 8;13(4):974. doi: 10.3390/jcm13040974. PMID: 38398287; PMCID: PMC10888666. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38398287/  
  1. Lee K. The Relationship of Trunk Muscle Activation and Core Stability: A Biomechanical Analysis of Pilates-Based Stabilization Exercise. Int J Environ Res Public Health. 2021 Dec 4;18(23):12804. doi: 10.3390/ijerph182312804. PMID: 34886530; PMCID: PMC8657451. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8657451/ 

1Discente do Curso Superior de medicina do Centro Universitário Assis Gurgacz Campus Cascavel-Pr.
e-mail: felipeian@ott.com.br
2Discente do Curso Superior de medicina do Centro Universitário Assis Gurgacz Campus Cascavel-Pr.
e-mail: gabriel.turra.gt@gmail.com
3Discente do Curso Superior de medicina do Centro Universitário Assis Gurgacz Campus Cascavel-Pr.
e-mail: backlarissa7@gmail.com
4Discente do Curso Superior de medicina do Centro Universitário Assis Gurgacz Campus Cascavel-Pr. email:lunabonomo@outlook.com
5Docente do Curso Superior de Educação Física do Centro Universitário Assis Gurgacz Campus Cascavel-Pr. Mestre em ciência do movimento humano (UFSM) e Doutor em educação física (UEL/UEM)
e-mail: lissandro@fag.edu.br