REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202507111437
Cátia Regina Rodrigues Leira1
Cecília Ferreira de Souza1
Rose Claudia S. C. da Guerra Lima1
Orientadora: Prof.ª Janaína Fernandes da Costa Alves2
Resumo: A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa que avança gradualmente e que atinge milhões de indivíduos ao redor do globo. A capacidade do cérebro de se adaptar e reorganizar, conhecida como plasticidade cerebral, é um conceito essencial para compreender essa patologia e para o desenvolvimento de métodos de reabilitação. Este estudo tem como objetivo investigar a conexão entre a plasticidade cerebral e o Alzheimer, examinando os mecanismos neurobiológicos que a fundamentam e suas consequências para a reabilitação. A revisão das pesquisas indica que a plasticidade cerebral está prejudicada na doença de Alzheimer, resultando em mudanças na estrutura e no funcionamento do cérebro. Contudo, há evidências de que a plasticidade cerebral pode ser incentivada e aprimorada através de intervenções não farmacológicas, como atividades de treinamento cognitivo e exercícios físicos. Os achados desta investigação indicam que o entendimento da plasticidade neural na doença de Alzheimer pode ajudar na criação de metodologias de reabilitação mais eficientes, promovendo uma melhor qualidade de vida para os pacientes. Ademais, ressalta-se a relevância de uma abordagem interdisciplinar no cuidado dessa condição, englobando neurocientistas, médicos, terapeutas e diversos outros especialistas da saúde.
Palavras-chave: Doença De Alzheimer, Plasticidade Cerebral, Reabilitação, Neurociência;
Abstract: Alzheimer’s disease is a neurodegenerative condition that progresses gradually and affects millions of individuals around the globe. The brain’s ability to adapt and reorganize, known as brain plasticity, is an essential concept for understanding this pathology and developing rehabilitation methods. This study aims to investigate the connection between brain plasticity and Alzheimer’s, examining the neurobiological mechanisms that underlie it and its consequences for rehabilitation. A review of the research indicates that brain plasticity is impaired in Alzheimer’s disease, resulting in changes in brain structure and function. However, there is evidence that brain plasticity can be encouraged and enhanced through nonpharmacological interventions, such as cognitive training activities and physical exercise. The findings of this investigation indicate that understanding neural plasticity in Alzheimer’s disease can help in the creation of more efficient rehabilitation methodologies, promoting a better quality of life for patients. Furthermore, the relevance of an interdisciplinary approach to the care of this condition is emphasized, encompassing neuroscientists, physicians, therapists, and various other health specialists.
Keywords: Alzheimer’S Disease, Brain Plasticity, Reabilitation, Neuroscience.
1. INTRODUÇÃO
A Doença de Alzheimer (DA) é a forma mais comum de demência, caracterizada por um declínio progressivo da memória, das funções executivas e da autonomia funcional. Estima-se que, até 2050, mais de 150 milhões de pessoas serão afetadas em todo o mundo, o que torna a doença um problema de saúde pública global (MATTON et al., 2025).
No nível neurobiológico, a DA é marcada por acúmulo de β-amiloide, hiperfosforilação da proteína Tau, estresse oxidativo e inflamação crônica, processos que comprometem a plasticidade cerebral — definida como a capacidade do sistema nervoso de se adaptar estrutural e funcionalmente frente a estímulos internos e externos. A redução da plasticidade no Alzheimer contribui para a perda de sinapses, a diminuição de fatores neurotróficos, como o Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF), e o comprometimento da neurogênese no hipocampo, região crítica para a memória (COLAVITTA et al., 2023).
Apesar dessas alterações, evidências sugerem que mecanismos de plasticidade podem ser estimulados, sobretudo nos estágios iniciais da doença. Intervenções não farmacológicas, como exercício físico, treinamento cognitivo, estimulação sensorial e atividades sociais, mostram-se promissoras na preservação de funções cognitivas e na melhoria da qualidade de vida (BEN EZZDINE et al., 2025).
A intervenção fisioterapêutica na Doença de Alzheimer é eficaz, pois consegue modular a plasticidade cerebral em diversos níveis. Ao contrário da abordagem farmacológica, que se concentra na patologia primária, a fisioterapia neurofuncional tem como objetivo melhorar as vias compensatórias do cérebro. Pesquisas como a metanálise de Stillman et al. (2020) mostram que a prática de exercícios físicos supervisionados, que abrange o treinamento aeróbico e de resistência, é eficiente para aprimorar a função cognitiva em pacientes com comprometimento cognitivo leve e DA. Esse efeito é parcialmente mediado pelo aumento na produção do BDNF e pela melhoria na circulação sanguínea cerebral, que alimenta e sustenta a sobrevivência dos neurônios, conforme revisado por Voss et al. (2017).
Neste contexto, a atuação do fisioterapeuta é central, pois ele é o profissional habilitado a prescrever e conduzir o exercício físico neuroprotetor, otimizando a plasticidade hipocampal e a função de redes neurais através de estímulos motores específicos e desafiadores. Além disso, técnicas de neuromodulação, como a estimulação magnética transcraniana, tem se mostrado eficaz em potencializar a neuroplasticidade e oferecer ganhos funcionais (YUAN et al., 2020). Assim, o fisioterapeuta atua como um facilitador da neuroplasticidade, recomendando programas de exercícios que sejam desafiadores, específicos e progressivos para estimular a adaptação e compensação funcional nas redes neurais comprometidas.
Diante desse cenário, investigar a plasticidade cerebral no Alzheimer sob a perspectiva da neurociência e da reabilitação possibilita compreender os mecanismos fisiopatológicos envolvidos e ampliar estratégias terapêuticas aplicáveis na prática clínica da fisioterapia. Assim, este trabalho busca integrar evidências atuais sobre os mecanismos de plasticidade cerebral e discutir intervenções que promovam adaptação e compensação funcional em pacientes com Alzheimer.
De acordo com De Castro (2021):
“A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que progressivamente afeta a capacidade cognitiva e a memória do indivíduo, ao ponto de encontrar-se incapacitado para realizar quaisquer tarefas e alheio à própria história, na medida em que os sintomas surgem e o quadro patológico evolui. Como uma doença do tempo, a idade é o principal fator de risco para seu desenvolvimento, afetando cerca de 40% daqueles com mais de 80 anos. A perspectiva é de que, até 2050, mais de 25% da população mundial será idosa, de 11 forma que a prevalência da DA será ainda maior. O cenário nacional seguirá tendência semelhante, uma vez que passou pela quarta transição demográfica onde a expectativa de vida foi elevada, aumentando em 45,9% a quantidade de idosos com mais de 65 anos entre os anos 1980 e 2000.”
O objetivo desta pesquisa é combinar os conhecimentos mais recentes da neurociência sobre os mecanismos de plasticidade cerebral com as evidências da reabilitação, evidenciando como essa conexão é essencial para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas que possam melhorar a função cognitiva remanescente e desacelerar o declínio.
2. METODOLOGIA
Realizou-se uma extensa pesquisa bibliográfica, englobando tanto a área da neuroplasticidade quanto as várias abordagens disponíveis para promover o rejuvenescimento cerebral. Ademais, foi realizada uma análise detalhada para entender as descobertas mais recentes e os avanços mais recentes na neurociência relacionados a esse tema importante.
A metodologia adotou os princípios de uma Revisão de Escopo (Scoping Review), uma forma de síntese de evidências que mapeia e resume a literatura existente sobre um assunto. O objetivo principal foi identificar os conceitos fundamentais, as lacunas na pesquisa e as evidências disponíveis sobre a plasticidade cerebral no âmbito da doença de Alzheimer. A estratégia de busca foi construída com base em palavras-chave abrangentes, buscando por estudos em três categorias principais:
- Condição clínica: “Alzheimer’s Disease” OU “Alzheimer’s” OU “Cognitive Decline”
- Mecanismo central: “Brain Plasticity” OU “Neuroplasticity” OU “Cortical Reorganization” OU “Cognitive Reserve”
- Intervenção/Aplicação: “Rehabilitation” OU “Cognitive Training” OU “Cognitive Rehabilitation” OU “Physical Exercise”
Essas palavras-chave foram combinadas usando operadores booleanos (AND/OR) e a busca foi realizada nas seguintes bases de dados eletrônicas: PubMed, Scopus, Web of Science, e LILACS e SciELO A busca manual nas listas de referências dos artigos incluídos também foi realizada para identificar estudos adicionais para identificar estudos publicados entre janeiro de 2015 e setembro de 2025.
Estabeleceram-se critérios de inclusão e exclusão de estudos para assegurar que somente a literatura pertinente fosse levada em conta.
Os critérios de inclusão foram pesquisas divulgadas em inglês, português ou espanhol. Pesquisas originais (ensaios clínicos, estudos de coorte, estudos de caso-controle e relatos de caso) e revisões bibliográficas. Pesquisas que analisaram a plasticidade cerebral, reserva cognitiva ou mecanismos de compensação neuronal em pessoas diagnosticadas com Alzheimer ou com declínio cognitivo. E pesquisas que analisaram o impacto de intervenções de reabilitação (cognitivas, físicas e ocupacionais) na plasticidade cerebral em grupos com DA.
2.1 Fluxograma do Processo de Seleção de Artigos

Já os critérios de exclusão basearam-se em artigos cujo texto completo não estava acessível. Pesquisas que focavam apenas em outras demências (como demência vascular e demência frontotemporal) sem referência ao Alzheimer. Artigos de opinião, cartas ao editor e resumos de eventos. E pesquisas realizadas em animais (exceto quando se tratava de revisões que englobavam dados em humanos, mas não se restringiam a isso).
Depois de buscados, os artigos passaram por um processo de seleção dividido em duas fases. Inicialmente, os títulos e resumos foram avaliados e posteriormente, analisado o texto completo dos artigos que poderiam ser relevantes.
3. DESENVOLVIMENTO
3.1 O Paradigma da Plasticidade na Doença de Alzheimer
A Doença de Alzheimer é geralmente entendida como uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível, marcada pela formação de placas de beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares de tau, resultando em perda sináptica e morte de neurônios. Entretanto, os avanços recentes na neurociência têm alterado essa perspectiva determinista, trazendo o conceito de plasticidade cerebral como um elemento central para entender a progressão da doença e buscar novas abordagens terapêuticas. A plasticidade cerebral, que é a habilidade do sistema nervoso de ajustar e reestruturar sua estrutura e função em resposta a experiências e lesões, mostra que o cérebro com DA, apesar de doente, não é estático (Voss et al., 2017).
3.2 Neurobiologia da Plasticidade na Doença de Alzheimer
Na DA, a plasticidade cerebral se manifesta em diversos níveis, desde a microescala molecular até a reconfiguração de extensas redes cerebrais. Uma neuroplasticidade tanto estrutural quanto funcional demonstra a habilidade do cérebro de compensar. A plasticidade é controlada, em nível molecular, por uma série complexa de eventos que envolvem a expressão de fatores neurotróficos, como o BDNF, além da modulação da atividade sináptica. O BDNF é essencial para a sobrevivência dos neurônios, o desenvolvimento de neuritos e a criação de novas sinapses (sinaptogênese) (Belkacem et al., 2022).
A plasticidade, em termos estruturais, refere-se à habilidade de criar novas sinapses e, em menor extensão, novos neurônios por meio da neurogênese. Um dos fatores mais significativos associados ao declínio cognitivo na DA é a perda de sinapses (Seib & Vidal Perez, 2021). No entanto, pesquisas realizadas em modelos animais e em humanos mostram que, nos estágios iniciais, o cérebro tenta compensar essa perda aumentando a densidade sináptica nas áreas que permanecem intactas. De maneira semelhante, apesar da neurogênese no hipocampo ser significativamente reduzida na DA, estudos recentes investigam a possibilidade de incentivar a criação de novos neurônios, fundamentais para preservar as funções de memória e aprendizado (Sperling et al., 2021).
Por outro lado, a plasticidade funcional diz respeito à reestruturação das redes cerebrais em resposta a danos (Voss et al., 2017). Estudos de neuroimagem, como a FMRI (Ressonância Magnética Funcional), indicaram que pacientes em estágios prodrômicos da DA podem exibir uma hiperativação em regiões como o córtex pré-frontal. Essa hiperativação é vista como um mecanismo compensatório, no qual o cérebro mobiliza recursos extras para preservar o desempenho cognitivo diante da patologia emergente (Toussaint et al., 2022). Entretanto, essa habilidade de reorganização é limitada e parece diminuir conforme a carga patológica se intensifica, o que destaca a importância de intervenções precoces para aproveitar ao máximo a plasticidade cerebral.
3.3 Neuroplasticidade Estrutural: Sinaptogênese e Neurogênese
A Neuroplasticidade, que se refere à impressionante habilidade do Sistema Nervoso Central (SNC) de se adaptar em função de estímulos internos e externos, é uma base essencial da biologia do cérebro. Ao contrário da visão tradicional que considerava o cérebro como algo fixo após seu desenvolvimento inicial, as pesquisas contemporâneas mostram que o SNC é uma entidade dinâmica, sujeita a contínuas reconfigurações. Essa flexibilidade é vital para processos como aprendizado, memória e a recuperação de lesões neurológicas (Silva e Nascimento, 2024; Andreoti Borges et al., 2024). Entre os vários mecanismos que promovem essas mudanças, a Neuroplasticidade Estrutural é particularmente notável, pois envolve transformações físicas e morfológicas claras no tecido neural. Os processos mais significativos dessa plasticidade em nível estrutural são a Sinaptogênese, que diz respeito à criação de novas sinapses ou à alteração das já existentes, e a Neurogênese, que se refere à formação de novos neurônios. Esses aspectos serão explorados a seguir, com ênfase em pesquisas e perspectivas brasileiras.
3.3.1 A Neuroplasticidade como Fenômeno Adaptativo
A plasticidade cerebral é dividida em dois principais domínios: a Plasticidade Funcional, que diz respeito a modificações na eficácia ou intensidade das conexões já existentes (como a Potenciação de Longo Prazo – PLP e a Depressão de Longo Prazo – DLP), e a Plasticidade Estrutural, que envolve alterações na forma, incluindo o crescimento sináptico, a ramificação dendrítica, a formação de novas sinapses e a geração de neurônios (Gutierres, 2024). Ambos os tipos de plasticidade são interligados e indispensáveis. Enquanto a plasticidade funcional ajusta as interações já estabelecidas, a plasticidade estrutural transforma o próprio hardware do sistema, possibilitando a criação de novas redes ou a reorganização das já existentes. Essa habilidade é crucial para a sobrevivência e adaptação do organismo (Oliva, Dias e Reis, 2015). A maneira como o cérebro em desenvolvimento é influenciada resulta de uma interação complexa entre um conjunto genético predefinido e respostas a estímulos do ambiente, onde a plasticidade sináptica é fundamental na otimização das conexões neuronais (Oliva, Dias e Reis, 2015).
3.3.2 Sinaptogênese: A Arquitetura da Conexão
A sinaptogênese se refere ao processo pelo qual novas sinapses são criadas entre neurônios. De uma maneira mais abrangente dentro da neuroplasticidade estrutural, este conceito abrange não apenas as sinapses novas, mas também as mudanças na estrutura das sinapses já presentes, a remoção sináptica (poda) e as variações na configuração e quantidade das espinhas dendríticas, que são as microestruturas onde se concentra a maioria das sinapses excitatórias (Gutierres, 2024). As espinhas dendríticas não permanecem fixas. Elas mostram um nível elevado de mobilidade e dinamismo, especialmente durante o desenvolvimento e em resposta ao aprendizado e vivências (Freitas e Ribeiro, 2019). A quantidade e a forma dessas espinhas estão intimamente relacionadas com a robustez e a permanência das sinapses que acomodam. A criação de novas espinhas e o amadurecimento das sinapses que nelas se encontram constituem uma forma de sinaptogênese que fortalece a habilidade do cérebro para reter novas informações (José et al., 2015).
Em ambientes de recuperação e ensino, a flexibilidade sináptica é o processo fundamental que possibilita o aprendizado de novas capacidades. A utilização de métodos comportamentais, por exemplo, provou ser eficaz no desenvolvimento de habilidades práticas e acadêmicas, provavelmente por estimular a flexibilidade sináptica (Freitas e Ribeiro, 2019). A prática e o treinamento, tanto a atividade física quanto a mental, funcionam como influências poderosas sobre a eficácia sináptica e a flexibilidade estrutural relacionada (Gutierres, 2024; Andreoti Borges et al., 2024).
3.3.3 Neurogênese: O Nascimento de Novas Células
A neurogênese é o termo usado para descrever a formação de novos neurônios a partir de células-tronco neurais e progenitoras (Gutierres, 2024). Durante um longo período, pensou-se que esse fenômeno ocorria apenas durante o desenvolvimento embrionário, porém investigações realizadas no final do século XX e no começo do XXI demonstraram que a neurogênese continua a ocorrer na fase adulta em áreas específicas do cérebro de mamíferos, incluindo os seres humanos (Jesus, 2025).
Assim como acontece com a sinaptogênese, a neurogênese em adultos é fortemente influenciada por elementos do ambiente, comportamentos e fatores moleculares: • Atividade Física: Pesquisas em animais e em humanos mostram que a prática de exercícios aeróbicos é um dos fatores mais eficazes na modulação da neurogênese no hipocampo. O aumento na circulação sanguínea no cérebro e a liberação de neurotrofinas, como o BDNF, são mecanismos fundamentais que favorecem a multiplicação, sobrevivência e integração dos neurônios recém-formados (Gutierres, 2024).
3.3.3.1 Aprendizagem e Estímulos Cognitivos
O aprendizado, especialmente aquele que exige o hipocampo (como o aprendizado espacial e de novas associações), pode aumentar a sobrevivência e a integração dos neurônios recém-nascidos, embora nem todo tipo de aprendizado tenha esse efeito (Jesus, 2025).
3.3.3.2 Estresse Crônico e Depressão
O estresse crônico e a depressão estão ligados à diminuição da neurogênese no hipocampo. Essa revelação resultou na hipótese de que a alteração na plasticidade estrutural, que abrange a neurogênese, desempenha um papel na etiopatogenia de doenças psiquiátricas. Medicamentos antidepressivos, segundo alguns estudos, mostram a capacidade de restaurar essa diminuição, sugerindo que a modificação da neuroplasticidade pode ser uma abordagem terapêutica promissora (Jesus, 2025).
3.3.3.3 Dieta e Substâncias
A cafeína, por sua vez, tem sido objeto de pesquisa em relação aos seus efeitos na neuroplasticidade, com dados indicando uma influência benéfica, especialmente no hipocampo, ao aumentar a eficiência das mitocôndrias nas sinapses e aperfeiçoar a memória espacial, sugerindo um efeito tanto direto quanto indireto na neurogênese e sinaptogênese (Gutierres, 2024).
3.3.3.4 Modulação da Sinaptogênese
Diversos fatores internos e externos regulam a sinaptogênese e a manutenção das conexões neurais:
3.3.3.5 Fatores de Crescimento Neuronal
Neurotrofinas, como o Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF), são essenciais para a sobrevivência, a diferenciação e a plasticidade sináptica dos neurônios (Jesus, 2025). A prática de atividades físicas, por sua vez, é um forte estimulador da produção de BDNF, favorecendo a sinaptogênese e a aquisição de conhecimentos (Gutierres, 2024).
1.3.3.6 Atividade Neural
O princípio de Hebb, que diz que “neurônios que disparam juntos, conectam-se juntos”, explica que a atividade elétrica sincronizada é fundamental para a consolidação e o fortalecimento das sinapses. A força do estímulo e o foco dado a ele influenciam a importância da informação e, por esse motivo, a criação ou o fortalecimento das ligações (José et al., 2015).
3.3.3.7 Ambiente e Experiência
A vivência em ambientes estimulantes e a educação constante favorecem a criação de novas conexões sinápticas e a reestruturação das redes já existentes. Essa relação entre o organismo e o ambiente é o que distingue e configura os circuitos neuronais, evidenciando a plasticidade e a singularidade neural (Oliva, Dias e Reis, 2015).
Apesar dos progressos, a pesquisa brasileira sobre neuroplasticidade estrutural ainda enfrenta obstáculos. A diversificação dos métodos e a diferença nas amostras em certos estudos destacam a necessidade de investigações futuras com abordagens mais uniformes para aprofundar a compreensão dos mecanismos neuroplásticos (Jesus, 2025). A combinação de estratégias que abranjam a análise molecular (como fatores de crescimento e sinalização sináptica), a investigação morfológica (abordando sinaptogênese e neurogênese) e a aplicação prática (em reabilitação e psiquiatria) é fundamental para o avanço de intervenções mais individualizadas e eficazes. O progresso contínuo na compreensão da neuroplasticidade pode levar a uma transformação significativa na prática clínica e na qualidade de vida de pessoas em diversas etapas, desde o desenvolvimento até o envelhecimento, além de em diferentes estados de saúde e enfermidade.
3.4 Plasticidade Funcional: Reorganização de Redes Cerebrais
Os mecanismos celulares fundamentais que promovem a plasticidade funcional são as variações na força sináptica: a Potenciação de Longo Prazo (PLP) e a Depressão de Longo Prazo (DLP). A PLP refere-se a um aumento prolongado na força de transmissão das sinapses, constituindo a base celular principal para o aprendizado e a memória. Por outro lado, a DLP implica uma diminuição duradoura dessa força, sendo crucial para eliminar informações irrelevantes e aprimorar circuitos (Noronha, 2025). A alteração na eficácia sináptica, através desses processos, modifica a forma como a informação flui nas redes neuronais.
3.4.1 Mecanismos Fundamentais da Plasticidade Funcional
A importância da plasticidade funcional na clínica é inquestionável, particularmente na reabilitação funcional após lesões cerebrais (Andreoti Borges et al., 2024). Em casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Traumatismo Cranioencefálico (TCE), a função que se perdeu não é retomada somente pela recuperação da área danificada, mas sim através da ativação de regiões novas, um fenômeno conhecido como reorganização cortical funcional (Silva e Nascimento, 2024). A reorganização cortical pode se manifestar de duas maneiras principais: 1. Expansão/Desmascaramento: Isso se refere à ativação de sinapses previamente inativas ou ao aumento da área cortical que representa uma função no hemisfério saudável ou nas áreas próximas à lesão (Andreoti Borges et al., 2024). 2. Recrutamento Contralateral: Regiões equivalentes no hemisfério não afetado são convocadas para realizar a função que foi perdida, como observado durante a recuperação motora após um AVC (Noronha, 2025; Silva e Nascimento, 2024). Esse processo de reorganização funciona como uma adaptação que busca restaurar o equilíbrio nas redes motoras e sensoriais que foram impactadas pela lesão (Almeida, 2022). A RFMI tem se mostrado uma ferramenta relevante em estudos no Brasil, permitindo investigar a conectividade funcional e as alterações de redes após lesões, como a lesão na medula espinhal, evidenciando a reorganização cortical voltada para a manutenção das redes de planejamento motor (Almeida, 2022).
4. ABORDAGENS TERAPÊUTICAS INDUTORAS DE PLASTICIDADE FUNCIONAL
A reabilitação contemporânea aproveita a capacidade de adaptação do cérebro, aplicando estímulos repetidos e direcionados para fortalecer as conexões neuronais desejadas e facilitar a reorganização da área cortical.
4.1 Reabilitação Intensiva e Específica
As atividades terapêuticas praticadas de forma contínua, como aquelas empregadas na Fisioterapia Intensiva ou na Terapia Ocupacional, são fundamentais. A Terapia de Movimento Induzida por Restrição (TMIR), por sua vez, obriga a utilização do membro lesionado, ampliando os estímulos e favorecendo a recuperação e o reforço das conexões motoras (Silva e Nascimento, 2024).
4.2 Neuromodulação Não Invasiva
Métodos como a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (tDCS) e a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) são empregues para alterar a excitabilidade do córtex cerebral, promovendo a plasticidade sináptica e a reorganização funcional nas áreas de interesse. Essas abordagens têm o objetivo de estabelecer um ambiente neural mais favorável ao aprendizado e à consolidação de novas habilidades (Andreoti Borges et al., 2024). Entender os fatores que impulsionam a neuroplasticidade funcional é crucial para prolongar a reabilitação após lesões e desenvolver intervenções mais adaptadas e eficazes, aproveitando o potencial natural do cérebro para a recuperação (Noronha, 2025; Andreoti Borges et al., 2024).
4.2.1 O Papel da Reserva Cognitiva e Cerebral
A reação do cérebro a lesões neurológicas ou ao desgaste relacionado ao envelhecimento não é homogênea; ela é fortemente afetada pelas ideias de Reserva Cognitiva (RC) e Reserva Cerebral (RCb). Esses conceitos teóricos tentam clarificar a diferença notada entre o grau da neuropatologia (danos físicos) e a apresentação clínica das deficiências cognitivas (Prado et al., 2025; Cardoso et al., 2019). A pesquisa brasileira com frequência distingue a Reserva Cognitiva da Reserva Cerebral:
4.2.2 Reserva Cerebral (RCb)
É vista como a versão passiva de reserva e está ligada a aspectos quantitativos e estruturais do cérebro, como o tamanho do cérebro, o número de neurônios ou o total de sinapses. A Reserva Cerebral implica que um cérebro com mais recursos (maior tamanho ou densidade das sinapses) pode enfrentar mais dano cerebral antes que os déficits cognitivos apareçam de forma clínica (Prado et al., 2025; Cardoso et al., 2019). Representa uma avaliação da capacidade física, seja inata ou adquirida (José et al., 2015).
4.2.3 Reserva Cognitiva (RC)
É a forma ativa de reserva. Diz respeito à habilidade do cérebro de empregar redes neurais já existentes de maneira mais eficaz ou de mobilizar redes diferentes para executar uma tarefa cognitiva, mesmo na presença de danos estruturais. A RC se desenvolve ao longo da vida por meio de atividades que desafiem a cognição, aprendizado e interação social (Prado et al., 2025). Trata-se de um mecanismo de compensação que envolve plasticidade neural (Cardoso et al., 2019).
4.2.4 A Construção da Reserva Cognitiva e a Neuroplasticidade
A Reserva Cognitiva funciona como um sistema de defesa do cérebro, reduzindo as consequências desfavoráveis de condições neurológicas, como a doença de Alzheimer e o processo de envelhecimento. A RC é impulsionada de forma direta pela adaptabilidade do cérebro. Ações que favorecem a criação de novas conexões sinápticas e o reforço de circuitos neurais ajudam a aumentar a RC. Pesquisas têm demonstrado de maneira consistente que elementos como:
4.2.5 Educação Formal
Alto nível de escolaridade é um dos preditores mais robustos de RC (Sobral e Paúl, 2015).
4.2.6 Complexidade Ocupacional
Ocupações que exigem maior demanda cognitiva e mental ao longo da vida (Cardoso et al., 2019).
4.2.7 Engajamento em Hobbies e Atividades de Lazer
A participação em atividades de lazer com estímulo cognitivo (leitura, jogos de raciocínio, aprendizado contínuo) está associada à melhoria na função executiva, memória e velocidade de processamento, retardando o declínio (Prado et al., 2025).
A intervenção mais promissora para a RC é o treinamento cognitivo complexo em idosos, que pode induzir mudanças significativas no estado cerebral, explorando a neuroplasticidade funcional para melhorar o desempenho em tarefas cognitivas (Prado et al., 2025; Almeida et al., 2025).
4.2.8 Implicações Clínicas
O grau de Reserva Cognitiva desempenha um papel importante na previsão da gravidade da demência. Indivíduos com alta Reserva Cognitiva podem preservar suas funções cognitivas em relativo grau, mesmo diante de uma considerável carga patológica, o que adia a aparição de sintomas clínicos (Sobral e Paúl, 2015). Portanto, a promoção da Reserva Cognitiva, através da estimulação mental e de hábitos saudáveis, constitui uma estratégia essencial de saúde pública para um envelhecimento bem-sucedido e a prevenção de doenças neurodegenerativas (Almeida et al., 2025; Prado et al., 2025).
4.3 Diferenciando a Reserva Cerebral e a Reserva Cognitiva
Os termos Reserva Cerebral (RCb) e Reserva Cognitiva (RC) são fundamentais para a compreensão das diferentes manifestações clínicas de uma neuropatologia (como a Doença de Alzheimer) entre as pessoas, mesmo quando a mesma patologia está presente. Apesar de ambos os conceitos tentarem elucidar a habilidade do cérebro de enfrentar lesões, eles funcionam através de mecanismos diferentes: um é passivo (estrutural) e o outro é ativo (funcional).
4.3.1 Reserva Cerebral (RCb): O Modelo Passivo
A Reserva Cerebral é caracterizada como um modelo de reserva passiva. Ela diz respeito às propriedades do sistema nervoso, ou seja, à capacidade e força física do cérebro. Essa reserva é avaliada por meio de fatores mensuráveis (Katzman, 1993). Substrato Anatômico: Um maior volume cerebral, um número elevado de neurônios ou uma maior densidade sináptica. A premissa é que um cérebro com estruturas maiores ou mais robustas pode suportar uma quantidade superior de dano físico (devido a placas senis ou lesões vasculares) antes que a degeneração atinja um ponto em que sintomas cognitivos comecem a se manifestar (Cardoso et al., 2019).
4.3.2 Reserva Cognitiva (RC): O Modelo Ativo
A Reserva Cognitiva representa um modelo ativo de reserva e está profundamente conectada à neuroplasticidade funcional. Esse conceito não diz respeito ao volume cerebral, mas sim à eficácia e à adaptabilidade das redes neuronais na realização de tarefas. A RC se forma continuamente ao longo da vida por meio de experiências vividas: um elevado nível de educação, ocupações complexas e participação em atividades sociais e hobbies que estimulam o intelecto (Sobral e Paúl, 2015).
O papel principal da RC é contrabalançar danos já existentes, permitindo que o cérebro acesse redes alternativas ou mobilize áreas cerebrais com maior eficácia, garantindo assim a manutenção da função cognitiva, mesmo com a progressão de uma patologia (Stern, 2002). Em resumo, a Reserva Cerebral retarda o apagamento cognitivo ao fornecer uma base mais resistente aos danos, enquanto a Reserva Cognitiva prolonga a funcionalidade ao oferecer estratégias que compensam os prejuízos.
4.4 Da Neurociência à Reabilitação: Aplicando o Conhecimento
A Neurociência, através da ideia de neuroplasticidade, revolucionou a reabilitação, movendo-se de um método baseado na experiência para um enfoque guiado pela biologia cerebral. O essencial é a conversão do entendimento sobre os processos celulares em táticas clínicas, com o objetivo de aprimorar a recuperação funcional após danos (Andreoti Borges et al., 2024).
4.5 Princípios de Reabilitação Baseada em Plasticidade
O êxito da recuperação está ligado a ações que promovam de maneira ativa as capacidades adaptativas do cérebro. O entendimento atual aponta que os tratamentos precisam ser:
4.5.1 Intensivas e Repetitivas
A sinapse plástica, conhecida como Potenciação de Longo Prazo (PLP), ocorre com base no uso. Aprender e solidificar novas aptidões motoras e cognitivas requer práticas repetidas. A Terapia de Movimento Induzida por Restrição (TMIR) representa uma abordagem intensa que promove o redesenho cortical (Sacchelli e Borella, 2005).
4.5.2 Específicas e Significativas
O cérebro distribui recursos flexíveis para o que é significativo. Atividades que requerem concentração e que estão ligadas à atenção total e ao interesse favorecem um armazenamento mais robusto e duradouro das informações, aumentando a criação de novas ligações (José et al., 2023).
4.5.3 Tecnologias e Inovação
A neurociência impulsiona o uso de novas ferramentas que modulam diretamente a plasticidade:
4.5.3.1 Neuromodulação Não Invasiva
A Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) e a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) são utilizadas para estimular as zonas saudáveis do cérebro próximas à lesão ou no lado oposto, ajudando na reorganização cortical que é essencial para a recuperação motora após um acidente vascular cerebral (Magalhães et al., 2024).
4.5.3.2 Realidade Virtual (RV)
A RV fornece espaços estruturados e estímulos que incentivam a repetição e a participação, fatores essenciais para a plasticidade, possibilitando um treinamento motor e cognitivo mais flexível e adequado.
Em resumo, a utilização de conhecimentos da neurociência transforma o reabilitador em um facilitador da plasticidade, aprimorando as vivências de treino para que o cérebro reestruture suas conexões de maneira eficiente (Andreoti Borges et al., 2024).
4.6 O Papel Crucial do Fisioterapeuta e do Exercício Físico
O cuidado da Doença de Alzheimer (DA) requer uma estratégia que envolva diversas áreas, onde o fisioterapeuta e a atividade física têm um papel essencial, principalmente como uma opção de tratamento não medicamentosa para atrasar a perda de habilidades funcionais e cognitivas (Ribeiro, 2025; Trevisan et al., 2023).
4.6.1 O Fisioterapeuta como Catalisador Funcional
O profissional de fisioterapia desempenha um papel em cada etapa da Doença de Alzheimer, centrando-se na preservação da independência e na proteção do paciente. As suas ações são elaboradas para:
4.6.2 Retardar Perdas Motoras
Utilizando exercícios individualizados, o profissional visa manter e/ou melhorar o equilíbrio, a força muscular, a flexibilidade e a coordenação motora (Trevisan et al., 2023).
4.6.3 Prevenção de Quedas
O déficit de equilíbrio e coordenação é um sintoma comum na DA, tornando as quedas um risco significativo. O treinamento de equilíbrio e as atividades funcionais (como transferências e marcha) são essenciais para preservar a independência e a qualidade de vida (Borges Machado et al., 2017).
4.6.4 Melhora da Autonomia
Ao trabalhar as Atividades de Vida Diária (AVDs), o fisioterapeuta ajuda o paciente a sustentar sua capacidade de se banhar, vestir e se locomover por mais tempo, reduzindo a sobrecarga do cuidador.
4.7 Exercício Físico: O Neuroprotetor Ativo
A realização frequente e direcionada de atividades físicas é um forte elemento de proteção cerebral, atuando como uma forma de desenvolver e empregar a Reserva Cognitiva.
4.7.1 Neuroplasticidade e Fatores Neurotróficos
O exercício aumenta o fluxo sanguíneo cerebral e estimula a liberação de fatores neurotróficos (como o BDNF), que são cruciais para a neurogênese e sinaptogênese. Isso fortalece as conexões neurais, ajudando o cérebro a compensar os danos causados pela patologia (Shimoda et al., 2021).
4.7.2 Treinamento Multicomponente
Protocolos de atividade física que integram exercícios aeróbicos, de força, alongamento e, especialmente, tarefas duplas (que demandam foco e gestão executiva) mostraram-se eficazes para preservar as funções cognitivas e motoras por períodos prolongados, reduzindo a evolução dos sinais da Doença de Alzheimer. (Glisoi et al., 2018). Dessa forma, a terapia física, focada em exercícios, é essencial para manter a capacidade física e mental, melhorando a qualidade de vida dos indivíduos com Alzheimer.
5. INTERVENÇÕES COMBINADAS E PSICOLÓGICAS
O cuidado para a Doença de Alzheimer (DA) avançou além do uso de medicamentos, percebendo a eficácia das terapias que não utilizam fármacos na alteração do desenvolvimento da doença e na promoção de uma vida de melhor qualidade. As abordagens integradas e psicológicas investigam a neuroplasticidade, dirigindo a atenção tanto ao indivíduo afetado quanto ao seu contexto (Nakamine, 2024).
5.1 O Poder da Estimulação Cognitiva (EC)
A estimulação cognitiva é fundamental nas intervenções psicológicas. Trata-se de um conjunto de abordagens organizadas para treinar habilidades como memória, atenção, linguagem e funções executivas. Fundamentada no conceito de neuroplasticidade, essa estimulação busca fortalecer as conexões neurais já existentes e promover a criação de novas, ajudando na formação da “Reserva Cognitiva” (Félix & brasileiro, 2025).
5.2 Reabilitação Cognitiva (RC)
Diferente de uma estimulação abrangente, a RC é personalizada, concentrando-se em metas que têm significado pessoal (como recordar nomes ou executar uma AVD específica). Métodos como a Aprendizagem sem Erro e a Recuperação Espaçada são frequentemente empregados para ajudar na assimilação de novas informações e na preservação de habilidades, demonstrando eficácia em fases iniciais e moderadas. (Santos de Paula et al., 2024).
5.3 Terapia de Estimulação Cognitiva (TEC/CST)
Intervenção em grupo, organizada e focada, que possui uma sólida fundamentação em evidências globais e é sugerida por orientações internacionais para aprimorar a capacidade cognitiva e o bem-estar, ao mesmo tempo que fomenta a interação social.
5.4 Abordagens Psicológicas para Sintomas Comportamentais
O psicólogo tem uma função essencial no controle dos sintomas neuropsiquiátricos e comportamentais (como ansiedade, depressão e apatia) que frequentemente estão ligados à DA:
5.5 Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Usada para auxiliar o paciente e o cuidador a enfrentar as mudanças emocionais e comportamentais que surgem devido à condição.
5.6 Terapias Expressivas e Sensoriais
A musicoterapia, a arte-terapia e a estimulação multissensorial, como o método Snoezelen, são combinadas para favorecer o bem-estar, reduzir a inquietude e trazer de volta memórias emocionais, utilizando as regiões cerebrais que são menos prejudicadas pela demência (Freitas & Ramos, 2024).
5.7 Intervenções Combinadas (Multimodais)
A combinação de atividades físicas com atividades cognitivas (intervenções que envolvem múltiplos métodos) é a tendência mais promissora. Pesquisas indicam que a prática conjunta — envolvendo exercícios físicos juntamente com jogos de lógica ou tarefas que exigem tanto esforço físico quanto mental — intensifica os efeitos neuroplásticos, resultando em uma maior conectividade no cérebro e um desempenho funcional superior em comparação com intervenções individuais (Sacramento & Chariglione, 2019).
5.8 Lacunas e Desafios da Pesquisa Atual.
O estudo acerca da Doença de Alzheimer (DA) no Brasil, mesmo com progressos significativos, como a criação de biomarcadores (Agência Brasil, 2025), enfrenta obstáculos importantes que afetam o diagnóstico antecipado, a aplicação de terapias efetivas e o bem-estar dos doentes e seus cuidadores. A habilidade para pesquisa e desenvolvimento no Brasil é desigual e carece de investimento, o que influencia diretamente o progresso do entendimento sobre a DA.
5.9 Financiamento Instável e Insuficiente
A pesquisa em demência sofre com a baixa e oscilante proporção de investimento de agências como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A ausência de um financiamento sustentável impede a criação de um Plano Estratégico Nacional robusto para a área (Febraz, 2024).
5.10 Concentração Geográfica de Estudos
Os estudos acadêmicos estão amplamente focados nas áreas do Sudeste e do Sul do Brasil. Essa discrepância gera uma falta de compreensão sobre as expressões, frequência e demandas de assistência nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, restringindo o desenvolvimento de políticas públicas fundamentadas em dados para o país todo (Febraz, 2024).
5.11 Falta de Integração de Dados e Subnotificação
A falta de informações oficiais sólidas e a baixa notificação de casos de Alzheimer resultam na avaliação inadequada do seu verdadeiro efeito social e econômico. A investigação necessita de uma melhor colaboração entre os dados, principalmente para calcular os custos efetivos da enfermidade e apoiar o desenvolvimento de medidas adequadas em saúde pública. (UFTM, 2024).
6. RESULTADOS
Um método de síntese qualitativa foi empregado na análise dos dados. As informações coletadas de cada estudo incluído foram organizadas e sintetizadas em uma planilha de dados.
As informações obtidas incluíram:
- Dados de identificação (autor, ano, título).
- Tipo de estudo (ex: ensaio clínico, revisão).
- Métodos de avaliação da plasticidade cerebral (ex: FMRI, EEG, testes neuropsicológicos).
- Amostra (quantidade de indivíduos estudados, dados dos pacientes etc.)
- Principais resultados relacionados à plasticidade cerebral.
Esses dados foram, então, agrupados em temas recorrentes para identificar tendências, mecanismos, e as lacunas de pesquisa na literatura. O resultado foi uma síntese narrativa que descreveu a relação entre a plasticidade cerebral, os mecanismos compensatórios, e a eficácia de diferentes abordagens de reabilitação na doença de Alzheimer.
Quadro 1 – Resultados dos artigos pesquisados
| AUTOR | ANO | TÍTULO | MÉTODO DE AVALIAÇÃO | AMOSTRA | RESULTADOS |
| ALMEIDA, M. Q. S. A. De | 2022 | Reorganização cortical pós lesão medular: estudo da conectividade funcional por meio de ressonância magnética funcional. | Estudo da Conectividade Funcional por meio de Ressonância Magnética Funcional (FMRI) | 9 pacientes com Lesão Medular (18 a 52 anos); 10 participantes Não Lesionados (19 a 49 anos) | Observou-se redução nas conexões dentro da rede somatossensorial após a lesão medular. |
| STILLMAN et al. | 2020 | The effects of exercise on cognitive function and brain health in people with mild cognitive impairment or Alzheimer’s disease: a systematic review and metaanalysis of randomized controlled trials. | Revisão Sistemática e Metanálise de Ensaios Clínicos Randomizados | Pacientes com Comprometimento Cognitivo Leve e Doença de Alzheimer | A prática de exercícios físicos supervisionados é eficiente para aprimorar a função cognitiva. |
| AGÊNCIA BRASIL | 2025 | Pesquisas brasileiras avançam no diagnóstico de Alzheimer. | Pesquisa de Biomarcadores (P Tau 217 no sangue) | Mais de 110 estudos com cerca de 30 mil pessoas analisados, e análises de 59 pacientes | O biomarcador P Tau 217 no sangue apresentou alto nível de confiabilidade (acima de 90%) para identificar a DA, comparado ao exame de líquor. |
| VOSS et al. | 2017 | Plasticity in the aging brain: a review of structural and functional changes. | Revisão (aborda circulação cerebral e fatores neurotróficos) | Apoiou a ideia de que o cérebro, mesmo envelhecido ou com patologias como a Doença de Alzheimer (DA), não é estático e pode ser influenciado por intervenções. | Revisou a mediação do aumento na produção do BDNF e a melhoria na circulação sanguínea cerebral após exercício. O cérebro com DA, apesar de doente, não é estático. |
| TOUSSAINT et al. | 2022 | Early compensatory brain activation patterns in pre-symptomatic Alzheimer’s disease. | Estudo de Neuroimagem (fMRI) | Pacientes em estágios prodrômicos da DA | Pacientes podem exibir uma hiperativação em regiões como o córtex pré-frontal como mecanismo compensatório. |
| CARDOSO et al. | 2019 | Instrumentos de medida de reserva cognitiva: Uma revisão sistemática. | Revisão Sistemática | Contribuição na definição e mensuração dos conceitos de Reserva Cognitiva. | Auxiliou a diferenciar Reserva Cognitiva (RC) e Reserva Cerebral (RCb), e o papel de fatores como a complexidade ocupacional na RC. |
| SPERLING et al. | 2021 | Beyond amyloid and tau: the importance of resilience and reserve in Alzheimer’s disease. | Artigo de Revisão Conceitual | Mudar o foco da patologia (Amilóide e Tau) para os fatores de proteção cerebral (Resiliência e Reserva). | Investigam a possibilidade de incentivar a criação de novos neurônios (neurogênese) no hipocampo. |
| TREVISAN et al. | 2023 | Perfil da fisioterapia na reabilitação de indivíduos com doença de Alzheimer: um estudo transversal. | Estudo Transversal (Pesquisa de Perfil da Fisioterapia) | Forneceu dados sobre a aplicação prática da reabilitação física (Fisioterapia) na Doença de Alzheimer. | Ajuda a definir as intervenções de reabilitação mais aplicadas na prática clínica para indivíduos com Doença de Alzheimer. |
| ALMEIDA, T. C. C. de. et al. | 2025 | Neurociência do Envelhecimento: Abordagens Preventivas para a Demência e Intervenções Baseadas em Evidências. | Revisão da Literatura | Amostra de pesquisas em diversas disciplinas | Enfatiza que o treinamento cognitivo complexo pode induzir mudanças significativas no estado cerebral, explorando a neuroplasticidade funcional. |
| JOSÉ, M. A. F. et al. | 2023 | Neuroplasticidade, memória e aprendizagem: Uma relação atemporal. | Artigo de Revisão | Forneceu a fundamentação neurocientífica da plasticidade. | Discute a relação entre atividade neural (“neurônios que disparam juntos, conectam-se juntos”) e a consolidação/ fortalecimento das sinapses |
Fonte: Produção das próprias autoras
7. DISCUSSÃO
A neuroplasticidade, definida como a capacidade inerente do sistema nervoso de se adaptar e reorganizar suas conexões em resposta à experiência e ao ambiente (JOSÉ et al., 2023), constitui o pilar conceitual para o desenvolvimento de estratégias de reabilitação na Doença de Alzheimer. Embora a patologia neurodegenerativa prejudique intrinsecamente essa capacidade, as evidências compiladas demonstram que o cérebro com DA não é um sistema estático, mas sim responsivo a estímulos, permitindo a indução de mecanismos plásticos que podem atenuar ou compensar o declínio cognitivo. Compreender essa dinâmica é fundamental para ir além do diagnóstico e focar na manutenção da funcionalidade do paciente.
A progressão clínica da DA é fortemente modulada por fatores de proteção intrínsecos ao indivíduo. Autores como SPERLING et al. (2021) defendem que a Resiliência Neural e a Reserva Cognitiva são tão cruciais quanto a carga de amiloide e tau. A RC, em particular, construída ao longo da vida através de fatores como alta escolaridade e complexidade ocupacional (CARDOSO et al., 2019), confere ao cérebro a capacidade de recrutar redes neurais alternativas para executar tarefas. Esta capacidade compensatória se manifesta em estágios prodrômicos da doença por meio da hiperativação de regiões não primárias, como o córtex pré-frontal, conforme observado em estudos de neuroimagem (TOUSSAINT et al., 2022), indicando uma tentativa ativa do cérebro em resistir ao dano. Tais achados validam a eficácia das intervenções não farmacológicas, que se estabelecem como ferramentas diretas para explorar e induzir a plasticidade cerebral. O exercício físico supervisionado, por exemplo, tem demonstrado ser eficiente para aprimorar a função cognitiva em pacientes com comprometimento cognitivo leve e DA (STILLMAN et al., 2020). O mecanismo subjacente a esse efeito está relacionado ao aumento da produção de fatores neurotróficos, como o BDNF, e à melhoria da circulação sanguínea cerebral, conforme revisado por Voss et al. (2017).
Na esfera clínica, intervenções baseadas no movimento, como as mapeadas na fisioterapia para pacientes com DA (TREVISAN et al., 2023), refletem a aplicação prática dessa neurociência, visando a funcionalidade e o bem-estar diário, reforçando que o treinamento físico é uma forma potente de estimulação cerebral. Em última análise, o paradigma da plasticidade cerebral reposiciona a DA de uma condição puramente degenerativa para uma doença onde a reabilitação ativa e contínua é parte integrante do tratamento. O treinamento cognitivo complexo, com sua capacidade de induzir mudanças significativas no estado cerebral e explorar a plasticidade funcional (ALMEIDA, T. C. C. de. et al., 2025), aponta para o futuro da terapia. Assim, o entendimento aprofundado do Princípio de Hebb (JOSÉ et al., 2023) e dos fatores que constroem a Reserva (CARDOSO et al., 2019) permite o desenho de metodologias de reabilitação mais eficientes, personalizadas e baseadas em evidências. É imperativo, portanto, que o cuidado com o paciente de Alzheimer integre essa perspectiva neurocientífica, exigindo uma colaboração interdisciplinar para otimizar a resiliência e a qualidade de vida.
8. CONCLUSÃO
Através do levantamento bibliográfico foi possível observar que a plasticidade cerebral em pessoas com Alzheimer não é totalmente inexistente, mas sim modificada. As evidências de neuroimagem, particularmente FMRI e EEG, sugeriram que o cérebro com DA, sobretudo nos estágios iniciais, apresenta reorganização funcional e ativação de novas redes neuronais. No entanto, essa compensação é limitada e parece diminuir conforme a doença avança.
O conceito de reserva cognitiva surgiu como um elemento fundamental, indicando que pessoas com maior reserva (obtida por meio de educação, ocupação complexa ou atividades de lazer) demonstraram maior habilidade de compensação e, como resultado, um declínio cognitivo mais gradual. A RC atua como um modelo ativo de reserva, permitindo que o cérebro mobilize redes neurais de forma mais eficaz para realizar tarefas, enquanto a Reserva Cerebral RCb representa um modelo passivo, ligado à capacidade e força física do cérebro, como o volume cerebral.
Ao se tratar de impacto das intervenções de reabilitação, a revisão mostrou que as intervenções de reabilitação cognitiva e física afetam consideravelmente a plasticidade cerebral. O treinamento cognitivo, como exercícios de memória e atenção, demonstrou ser eficaz em provocar alterações na ativação cerebral, especialmente no hipocampo e no córtex pré-frontal. De maneira semelhante, a prática de exercícios físicos aeróbicos e de resistência tem sido constantemente relacionada a um crescimento na neurogênese (formação de novos neurônios) e a melhorias no fluxo sanguíneo cerebral, o que pode ajudar a reduzir a atrofia cerebral comum na DA. O efeito do exercício físico é parcialmente mediado pelo aumento na produção do BDNF. O fisioterapeuta, neste contexto, é o profissional habilitado a prescrever e conduzir o exercício físico neuroprotetor, otimizando a plasticidade hipocampal e a função de redes neurais através de estímulos motores específicos e desafiadores. Além disso, técnicas de neuromodulação, como a estimulação magnética transcraniana, e a Realidade Virtual (RV) também se mostram promissoras em potencializar a neuroplasticidade e oferecer ganhos funcionais.
A revisão da literatura enfatizou a necessidade de mais estudos sobre a conexão entre a intensidade e a duração das intervenções e seus impactos na plasticidade cerebral. Uma importante lacuna identificada foi a escassez de pesquisas que integram diversas intervenções (como treinamento cognitivo e atividade física) para analisar o efeito sinérgico, sendo as intervenções multimodais a tendência mais promissora. A maior parte das pesquisas concentrou-se nos estágios leves a moderados da doença, indicando uma falta de conhecimento sobre a plasticidade cerebral nos estágios mais avançados do Alzheimer. Adicionalmente, a pesquisa brasileira sobre a DA ainda enfrenta desafios, como o financiamento instável, a concentração geográfica de estudos e a falta de integração e subnotificação de dados, o que dificulta o desenvolvimento de políticas públicas eficazes para todo o país. Em suma, a plasticidade cerebral desempenha um papel importante na doença de Alzheimer, e as intervenções de reabilitação podem ter um efeito positivo nessa habilidade. Contudo, o seu potencial completo e a combinação perfeita de métodos terapêuticos ainda necessitam de uma exploração mais aprofundada
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1Acadêmicas do curso de Fisioterapia do Centro Universitário IBMR. E-mail: claudiaguerra044@gmail.com. Artigo apresentado como requisito parcial para a conclusão do curso de Graduação em Bacharel em Fisioterapia do IBMR. 2025.
2Orientador, Prof.ª e Especialista em Dermatofuncional.
