PLANTAS MEDICINAIS UTILIZADAS NA ODONTOLOGIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510071710


Dr. Victor Jeffrey Davis


RESUMO

Introdução: O presente trabalho se propõe a revisar a literatura sobre plantas medicinais utilizadas na odontologia, abordando suas indicações e cuidados. As plantas medicinais apresentam uma alternativa aos medicamentos sintéticos, podendo ser utilizadas em diversos tratamentos odontológicos. Objetivo: O objetivo desta revisão de literatura é identificar as plantas medicinais mais utilizadas na odontologia, bem como suas indicações e cuidados no uso clínico. Consideração: A utilização de plantas medicinais na odontologia tem despertado interesse nos últimos anos devido aos benefícios que podem trazer para o tratamento de diversas patologias. No entanto, é importante salientar que o uso dessas plantas deve ser feito com cautela, levando em consideração suas propriedades farmacológicas e possíveis efeitos colaterais. A revisão da literatura sobre esse tema pode fornecer subsídios para que profissionais da odontologia possam indicar e utilizar as plantas medicinais de forma segura e eficaz em seus tratamentos.

Palavras-chave: Plantas medicinais. Odontologia. Fitoterapia.

ABSTRACT

Introduction: The present work aims to review the literature on medicinal plants used in dentistry, addressing their indications and precautions. Medicinal plants offer an alternative to synthetic drugs and can be used in various dental treatments. Objective: The objective of this literature review is to identify the most commonly used medicinal plants in dentistry, as well as their indications and precautions in clinical use. Consideration: The use of medicinal plants in dentistry has sparked interest in recent years due to the benefits they can bring to the treatment of various pathologies. However, it is important to emphasize that the use of these plants should be done with caution, considering their pharmacological properties and possible side effects. The literature review on this topic can provide support for dental professionals to safely and effectively indicate and use medicinal plants in their treatments.

Keywords: Medicinal plants. Dentistry. Phytotherapy.

1. INTRODUÇÃO

A utilização de plantas medicinais na Odontologia tem sido objeto de estudo de diversos pesquisadores em todo o mundo. Segundo Maia (2020), as plantas medicinais podem ser utilizadas em diversos procedimentos odontológicos, como na prevenção e tratamento de doenças bucais, controle da dor, inflamação e infecção. Além disso, a utilização de plantas medicinais pode contribuir para a redução do uso de medicamentos sintéticos, minimizando assim os riscos de efeitos colaterais e interações medicamentosas indesejadas.

De acordo com Souza (2021), a utilização de plantas medicinais na Odontologia remonta à antiguidade, sendo que diversas plantas eram utilizadas pelos povos antigos para tratar problemas bucais. Atualmente, a utilização de plantas medicinais na Odontologia tem sido amplamente estudada, e diversas pesquisas têm demonstrado a eficácia e segurança dessas plantas no tratamento de diversas doenças bucais.

Diante do exposto, esta revisão de literatura tem como objetivo apresentar as principais plantas medicinais utilizadas na Odontologia, suas indicações e cuidados necessários para o uso seguro e eficaz no tratamento de doenças bucais. Serão abordados estudos científicos que comprovam a eficácia e segurança dessas plantas, bem como as precauções que devem ser tomadas para evitar possíveis efeitos adversos.

2.  REVISÃO DA LITERATURA

2.1 CAMOMILA (Matricaria chamomilla)

A camomila (Matricaria chamomilla), é uma planta medicinal bastante utilizada na odontologia devido às suas propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e analgésicas. Destaca- se que a camomila é composta por diversos compostos ativos, dentre eles o óleo essencial, flavonoides e cumarinas, que são responsáveis por suas propriedades terapêuticas. Ela pode ser utilizada como um agente antimicrobiano eficaz contra as bactérias orais Streptococcus mutans e Lactobacillus acidophilus, responsáveis pela cárie dentária (GONÇALVES, 2015).

2.2 CRAVO-DA-ÍNDIA (Syzygium aromaticum)

O Cravo-da-índia (Syzygium aromaticum), uma especiaria muito conhecida na culinária, tem sido utilizado na medicina há séculos devido às suas propriedades anal- gésicas, anti-inflamatórias e antimicrobianas. Na odontologia, o óleo essencial de cravo- da-índia é utilizado em diversas situações, incluindo o alívio da dor de dente, tratamento de infecções orais e conservação de materiais dentários. O óleo essencial de cravo-da- índia possui uma grande concentração de eugenol, um composto com propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, o cravo-da-índia possui propriedades antimicrobianas que o tornam útil no tratamento de infecções orais, e controle de microorganismos incluído o Streptococcus mutans, principal causador de cáries dentárias (MENEZES, 2012).

O cravo-da-índia também é utilizado na odontologia para a conservação de materiais dentários. O óleo essencial de cravo-da-índia é usado na adesão de resinas compostas à dentina, o uso do óleo melhorou significativamente a adesão das resinas à dentina, o que pode melhorar a durabilidade de restaurações dentárias (AGRAWAL; JAIN, 2017).

2.3 SÁLVIA (Salvia officinalis)

A sálvia (Salvia officinalis) é uma planta medicinal conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, sendo utilizada na odontologia como adjuvante no tratamento de doenças periodontais e de mucosas bucais inflamadas. Estudos mostram que o extrato de sálvia pode inibir a proliferação de bactérias patogênicas comuns na cavidade bucal, como o Streptococcus mutans e o Porphyromonas gingivalis, além de possuir efeito antioxidante (KHEZRI, 2020).

A sálvia também pode ser utilizada como terapia complementar no tratamento de gengivite e periodontite, sendo capaz de reduzir a inflamação gengival e melhorar a saúde periodontal dos pacientes. Ela pode ser utilizada em enxaguantes bucais para prevenir a formação de biofilme dental e reduzir o número de bactérias na cavidade bucal (SHIH,2016).

2.4 MALVA (Malva sylvestris)

A Malva (Malva sylvestris) é uma planta medicinal amplamente utilizada na odontologia devido às suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. Ela possui compostos que ajudam a reduzir a dor e o inchaço, sendo eficaz no tratamento de aftas, gengivites e outras inflamações na boca. Possuindo ação antimicrobiana, pode ser utilizada como coadjuvante no tratamento de infecções bucais causadas por bactérias. Dentre as formas de uso da Malva na odontologia, destaca-se a infusão da planta em água quente para fazer bochechos e gargarejos (BALBINO, 2017).

2.5 ARNICA (Arnica montana)

Arnica (Arnica montana) é uma planta medicinal pertencente à família Asteraceae e é comumente utilizada na medicina alternativa. Na odontologia, a Arnica é utilizada principalmente como um analgésico e anti-inflamatório natural, devido à presença de compostos como a helenalina e a di-hidro helenalina, que apresentam efeitos anti- inflamatórios comprovados em estudos. Além do mais, a Arnica também possui propriedades antimicrobianas que podem ajudar no tratamento de infecções bucais. Um estudo publicado por Zanin et al. (2018) avaliou a eficácia da Arnica montana no controle da dor pós-operatória em pacientes submetidos à extração de terceiros molares. Os resultados mostraram que a Arnica foi eficaz na redução da dor e do inchaço (MÜLLER et al., 2016).

2.6 BABOSA (Aloe vera)

A babosa, também conhecida como Aloe vera, é uma planta com propriedades medicinais que tem sido utilizada na odontologia para tratar várias condições bucais. Estudos têm demonstrado que a babosa possui atividade antimicrobiana, anti-inflamatória e cicatrizante, o que a torna útil no tratamento de gengivites, aftas e outras lesões orais. (OZAN et al., 2006)

Igualmente importante, a babosa também tem sido utilizada na odontologia estética, devido às suas propriedades clareadoras. Um estudo realizado por Tolidis et al. (2012) avaliou o efeito do gel de Aloe vera na redução da pigmentação dental e demonstrou que a aplicação tópica do gel foi capaz de reduzir significativamente a pigmentação em dentes humanos.

2.7 CÂNFORA (Cinnamomum camphora)

A cânfora (Cinnamomum camphora) é uma planta medicinal muito utilizada na medicina tradicional chinesa, que vem sendo estudada por seus efeitos terapêuticos na odontologia. De acordo com estudos recentes, a cânfora possui ação anti-inflamatória, analgésica e antimicrobiana, o que a torna uma opção promissora para o tratamento de diversas condições bucais, como dor de dente, gengivite, periodontite e aftas. (LIU, 2019).

É importante salientar que, a cânfora também possui propriedades antimicrobianas, sendo capaz de inibir o crescimento de diversas espécies bacterianas comuns na cavidade bucal, como Streptococcus mutans e Porphyromonas gingivalis (YAN, 2018).

2.8 EUCALIPTO (Eucalyptus globulus)

O Eucalyptus globulus, popularmente conhecido como eucalipto, é uma planta medicinal amplamente utilizada na odontologia por suas propriedades antissépticas, anti-inflamatórias e analgésicas. Seu óleo essencial é rico em compostos como o eucaliptol, que apresenta efeito antimicrobiano e é eficaz contra diversas bactérias patogênicas bucais, incluindo Streptococcus mutans e Porphyromonas gingivalis (CARVALHO, 2014; JÚNIOR, 2016).

Além do mais, o eucalipto é frequentemente utilizado em formulações de pastas de dente e enxaguantes bucais, contribuindo para a prevenção de doenças periodontais e cáries dentárias (FERNANDE, 2014).

Estudos também têm mostrado que a inalação do óleo essencial de eucalipto pode ser útil na redução da dor de dente, bem como no alívio de sintomas de sinusite e rinite alérgica (BARBOSA, 2020).

2.9 GUACO (Mikania glomerata)

A Mikania glomerata, popularmente conhecida como guaco, é uma planta medicinal utilizada há séculos pelos índios brasileiros para tratar diversas enfermidades, incluindo problemas respiratórios e infecções. Na odontologia, a guaco tem sido estudada por suas propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias como a redução dos microrganismos como Streptococcus mutans e Porphyromonas gingivalis (AMORIM, 2013).

Não menos importante, a guaco também possui propriedades anti-inflamatórias, que podem ser benéficas para o tratamento de inflamações e infecções na cavidade oral. Um estudo realizado por Farias (2017) avaliou a atividade anti-inflamatória do extrato de guaco em um modelo de inflamação na gengiva de ratos. Os resultados mostraram que o extrato de guaco foi capaz de reduzir significativamente a inflamação na região.

2.10 HORTELÃ (Mentha piperita)

A hortelã (Mentha piperita) é uma planta medicinal comumente utilizada na odontologia. Seu óleo essencial é conhecido por possuir propriedades antissépticas, analgésicas e anti-inflamatórias, além de apresentar um aroma agradável. Estudos indicam que o uso da hortelã pode ser benéfico no tratamento de diversas condições bucais, como a gengivite e a periodontite, devido à sua ação antimicrobiana e anti- matória (MATSUURA, 2015; YADAV, 2018).

Um estudo realizado por Matsura (2015) investigou o efeito do óleo essencial de hortelã no tratamento da gengivite em pacientes adultos. O resultado demonstrou uma significativa redução no índice de sangramento gengival após a aplicação tópica do óleo essencial de hortelã, sugerindo seu potencial uso como um agente terapêutico na gengivite. Já um estudo in vitro realizado por Yadav (2018) avaliou a atividade antimicrobiana do óleo essencial de hortelã contra bactérias orais patogênicas. Os resultados indicaram uma forte atividade antimicrobiana do óleo de hortelã contra bactérias como Streptococcus mutans, Streptococcus sanguinis e Actinomyces viscosus, que estão associadas a diversas condições bucais.

É importante salientar que, a hortelã também é amplamente utilizada como um agente aromatizante em produtos odontológicos, como cremes dentais e enxaguantes bucais, devido ao seu aroma agradável e refrescante (SHINDE, 2016).

2.11 MACELA (Achyrocline satureioides)

A Macela (Achyrocline satureioides) é uma planta medicinal utilizada na odontologia para tratamento de diversos problemas bucais, como dor de dente, inflamação gengival e aftas. De acordo com um estudo de revisão de literatura realizado por Vasconcelos (2018), a Macela apresenta atividade anti-inflamatória, antioxidante e antimicrobiana, sendo utilizada em diversas preparações como infusão, xarope e pomadas.

Segundo Chagas (2020), a Macela pode ser utilizada na forma de enxaguante bucal para tratar inflamações gengivais e estomatites, apresentando resultados positivos na redução de inflamações e na prevenção de infecções bucais. Além disso, a Marcela também  tem sido utilizada em preparações para tratamento de aftas, como bochechos e compressas.

Outro estudo realizado por Silva (2021) avaliou a eficácia da Macela em pacientes com dor de dente aguda. Os resultados mostraram que a utilização da planta medicinal foi efetiva na redução da dor e na melhora da qualidade de vida dos pacientes.

2.12 MANJERICÃO (Ocimum basilicum)

O manjericão (Ocimum basilicum) é uma planta aromática amplamente utilizada na culinária e na medicina popular devido às suas propriedades terapêuticas. Estudos recentes têm investigado o potencial uso do manjericão na odontologia, principalmente no controle de infecções bucais e inflamações periodontais. Um estudo in vitro avaliou a atividade antimicrobiana do óleo essencial de manjericão contra bactérias associadas a infecções dentárias e periodontais, demonstrando sua eficácia contra Streptococcus mutans, Streptococcus sanguinis e Porphyromonas gingivalis (PEREIRA et al., 2019).

Também, o manjericão tem sido utilizado em formulações de cremes dentais e enxaguantes bucais devido ao seu potencial antimicrobiano e anti-inflamatório (JAIN et al., 2020).

Outros estudos têm investigado a atividade anti-inflamatória do manjericão, que pode ser benéfica no tratamento de doenças periodontais. Um estudo em ratos demonstrou que a administração de extrato de manjericão reduziu a inflamação periodontal e a perda óssea associada (SUDHAKAR et al., 2014).

Outrossim, o manjericão também tem sido utilizado no controle de dor e inchaço pós-operatório após procedimentos dentários, como extrações dentárias (SINGH et al., 2018).

2.13 NEEM(Azadirachta indica)

Neem (Azadirachta indica) é uma árvore originária da Índia e que é amplamente utilizada na medicina tradicional indiana. Suas propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias têm sido objeto de estudos científicos e são de grande interesse para a odontologia. Um dos compostos ativos presentes na planta é a azadiractina, que apresenta atividade antimicrobiana contra uma ampla gama de microrganismos, incluindo bactérias, fungos e vírus. Estudos mostraram que a aplicação tópica de extratos de neem pode ajudar no controle da placa bacteriana e reduzir a inflamação gengival (AHMED, 2017).

Não somente isso, o uso do neem pode ser eficaz no tratamento de lesões orais causadas por fungos, como a candidíase oral. Em um estudo clínico randomizado, foi demonstrado que o uso de um gel contendo extrato de neem foi tão eficaz quanto um antifúngico convencional no tratamento da candidíase oral em pacientes HIV positivos (AZMI, 2017.)

2.14 COPAIBEIRA (Copaifera officinalis)

O óleo de copaíba é extraído da resina da copaibeira (Copaifera officinalis), uma árvore encontrada na Amazônia. É conhecido por suas propriedades inflamatórias, antissépticas e analgésicas. Em relação à odontologia, seu uso tem sido relatado no tratamento de diversas patologias bucais, como gengivites, periodontites, aftas, herpes labial, combate também bactérias comuns na cavidade bucal, como Streptococcus mutans, Streptococcus sanguinis e Porphyromonas gingivalis. Além disso, o óleo de copaíba também tem sido utilizado como ingrediente em formulações de produtos odontológicos, como cremes dentais, enxaguantes bucais e géis para gengivites. (SANTOS, 2016).

Um estudo de Castro (2014) avaliou a eficácia de um gel contendo óleo de copaíba no tratamento de gengivite em pacientes diabéticos. Os resultados mostraram que o gel foi eficaz na redução da inflamação e na melhoria da saúde gengival dos pacientes.

2.15 PRÓPOLIS (Apis mellifera)

O própolis (Apis mellifera) é uma substância resinosa produzida pelas abelhas a partir de materiais coletados das plantas, que apresenta uma variedade de propriedades medicinais. Estudos têm investigado o uso do própolis na odontologia devido às suas propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e analgésicas. O própolis tem sido utilizado em diversas aplicações odontológicas, como no tratamento de gengivites, periodontites, aftas, lesões de cárie e até mesmo na prevenção da formação de biofilme dental. Além disso, o própolis tem sido utilizado como um material de preenchimento em procedimentos de endodontia, devido às suas propriedades antimicrobianas e de selamento (FREITAS, 2018).

Um estudo de revisão sistemática realizado por Carvalho (2020) avaliou a eficácia do uso do própolis em diversas aplicações odontológicas. Os autores concluíram que o própolis apresenta atividade antimicrobiana significativa contra várias bactérias orais, incluindo Streptococcus mutans, principal responsável pela formação de cáries. Além disso, o própolis mostrou-se eficaz na redução da inflamação periodontal e na cicatrização de feridas bucais. Outros estudos também têm destacado as propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias do própolis e seu potencial uso na odontologia (MIGUEL, 2017; FREITAS, 2018).

2.16 ROMÃ (Punica granatum)

A Punica granatum, popularmente conhecida como romã, é uma planta nativa da região da Pérsia e atualmente é cultivada em diversas partes do mundo. O fruto da romã é reconhecido por suas propriedades medicinais e antioxidantes, sendo utilizado em diversas áreas da saúde, inclusive na odontologia. Estudos têm mostrado que compostos presentes na romã, como os taninos e ácido elágico, possuem ação anti- matória e antimicrobiana, podendo ser úteis em tratamentos dentários. Além disso, a romã também tem sido estudada por sua capacidade de regeneração tecidual, o que pode ser benéfico em procedimentos cirúrgicos e de implante dentário (HADAD et al., 2015).

Estudos mostram que a romã possui ação antimicrobiana contra bactérias orais, incluindo Streptococcus mutans, um dos principais agentes causadores de cáries dentárias (MENEZES, 2016). Além disso, compostos presentes na fruta, como os flavonoides e ácidos fenólicos, possuem propriedades antioxidantes, capazes de prevenir danos celulares e proteger a gengiva contra inflamações (FURNESS et al., 2014).

Um estudo clínico randomizado e duplo-cego investigou o efeito do enxaguante bucal contendo extrato de romã em pacientes com periodontite crônica. Os resultados mostraram que o grupo que utilizou o enxaguante apresentou redução significativa na inflamação gengival e no sangramento após a realização da terapia periodontal (MO- OSSAVI, 2016).

2.17 SÁLVIA (Salvia officinalis)

A Salvia officinalis, também conhecida como sálvia, é uma planta medicinal pertencente à família Lamiaceae, amplamente utilizada na medicina popular para o tratamento de diversas condições de saúde. Na odontologia, o extrato de sálvia tem sido investigado por suas propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias, que podem ser úteis no tratamento de infecções e inflamações orais. Um estudo in vitro demonstrou que o extrato de sálvia apresentou atividade antimicrobiana contra bactérias cariogênicas e periodontopatogênicas, além de reduzir a formação de biofilme bacteriano em superfícies dentárias. (MARTINS et al., 2016).

Outro estudo, realizado por Siadat (2016), avaliou a eficácia do extrato de sálvia como um agente terapêutico no tratamento da estomatite aftosa recorrente (EAR). Os resultados do estudo mostraram que o uso do extrato de sálvia reduziu significativamente a duração e a gravidade das lesões em pacientes com EAR.

2.18 TANCHAGEM (Plantago major)

A Tanchagem (Plantago major) é uma planta comumente encontrada em todo o mundo, utilizada há séculos como planta medicinal devido às suas propriedades anti- inflamatórias, analgésicas e cicatrizantes. Na odontologia, essa planta tem sido estudada principalmente pela sua ação no alívio da dor e na cicatrização de tecidos bucais inflamados. Estudos mostram que a Tanchagem é capaz de reduzir a inflamação em tecidos bucais por meio da inibição da produção de mediadores inflamatórios, como o óxido nítrico e a prostaglandina E2 (PGE2) (GALHARDI, 2018).

Inclusive, seu extrato tem demonstrado efeito analgésico por meio da inibição da via dos receptores opióides, reduzindo a sensação de dor em áreas inflamadas da cavidade oral (SILVA, 2016).

2.19 UVA-URSI (Arctostaphylos uva-ursi)

A Uva-ursi (Arctostaphylos uva-ursi) é uma planta medicinal comum em regiões de clima temperado. Na odontologia, é utilizada principalmente pelo seu efeito antimicrobiano, sendo indicada em tratamentos de inflamações e infecções bucais (CUNHA, 2018).

Pesquisas têm demonstrado que os componentes ativos da Uva-ursi, como a arbutina, apresentam atividade antibacteriana contra diversos microrganismos, incluindo Streptococcus mutans, principal causador da cárie dentária (GURSOY, 2016).

Adicionalmente , a planta também possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, o que pode contribuir para o alívio de dores e inflamações na região bucal,

No entanto, ainda são necessários estudos mais aprofundados para avaliar a segurança e eficácia do uso da Uva-ursi na odontologia (KEDDAR, 2018).

2.20 GENGIBRE (Zingiber officinale)

O gengibre (Zingiber officinale) é uma planta medicinal amplamente utilizada na medicina popular por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e analgésicas. Na odontologia, o gengibre tem sido estudado por seu potencial no tratamento da dor e inflamação relacionadas a diversas condições, incluindo dor de dente, periodontite e pós-operatório odontológico, o gengibre pode ser utilizado como um agente natural para o controle de biofilme dental, ajudando a prevenir a formação de placa bacteriana nos dentes. (AL-NAHAIN, 2014).

2.21 TOMILHO (Thymus vulgaris)

O tomilho (Thymus vulgaris) é uma planta amplamente utilizada na culinária e na medicina popular por suas propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e antioxidantes. Na odontologia, o óleo essencial de tomilho tem sido estudado como um agente terapêutico para diversas condições, como periodontite, halitose e candidíase oral. Estudos in vitro e in vivo têm mostrado que o óleo essencial de tomilho tem  atividade antimicrobiana contra várias bactérias orais, incluindo Streptococcus mutans, Porphyromonas gingivalis e Prevotella intermedia (GUTIÉRREZ, et al. 2020).

De igual modo , o óleo essencial de tomilho tem mostrado reduzir a inflamação e promover a cicatrização de tecidos, tornando-o uma opção promissora para o tratamento de doenças periodontais (TOKER et al., 2020).

3.  CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em vista da vasta variedade de plantas medicinais e suas propriedades, é fundamental destacar a importância da investigação científica para garantir sua segurança e eficácia. As plantas medicinais têm um potencial enorme de aplicação na odontologia, seja como complemento ao tratamento convencional ou como alternativa natural para algumas condições bucais. Contudo, é preciso ter cautela e responsabilidade na indicação dessas plantas, considerando as particularidades de cada paciente e as possíveis interações com outros medicamentos.

Ademais, a utilização de plantas medicinais na odontologia pode ser uma opção interessante para pacientes que buscam um tratamento mais natural e menos invasivo. Com a crescente preocupação com a saúde e bem-estar, o uso de produtos naturais têm ganhado cada vez mais espaço. Dessa forma, o conhecimento sobre as plantas medicinais e suas propriedades se torna fundamental para profissionais da odontologia e para a população em geral.

Com base no exposto, é possível afirmar que as plantas medicinais são uma alternativa interessante para o tratamento de diversas condições bucais, sendo uma opção segura, eficaz e acessível. No entanto, é importante ressaltar a necessidade de se realizar mais estudos sobre o tema, a fim de se conhecer melhor as propriedades e possíveis efeitos colaterais dessas plantas. Além disso, é fundamental que os profissionais da odontologia estejam capacitados para indicar e orientar o uso adequado desses recursos terapêuticos aos seus pacientes. Com uma abordagem responsável e bem fundamentada, é possível aproveitar os benefícios das plantas medicinais na odontologia, contribuindo para a promoção da saúde bucal e qualidade de vida dos pacientes.

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