PERFORMANCE OF THE PHYSIOTHERAPIST IN THE RAPID RESPONSE TEAM IN URGENCY AND EMERGENCY HOSPITALS: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601061322
Alline Silvana Magalhães Pacheco1
Daiara Dalmaso da Silva2
Orientador: Haroldo Junior Bianchini Moreno3
Resumo
A deterioração clínica é um processo frequentemente gradual e identificável horas antes da ocorrência de eventos críticos, como a parada cardiorrespiratória (PCR). Nesse contexto, o Time de Resposta Rápida (TRR) surge como estratégia essencial para antecipar a instabilidade e intervir precocemente, reduzindo complicações e mortalidade hospitalar. Esta revisão narrativa, conduzida entre junho e agosto de 2024, analisou 20 documentos, incluindo artigos científicos, diretrizes e relatos de experiência, com o objetivo de compreender o papel do fisioterapeuta no TRR e sua contribuição para a segurança do paciente. Os achados evidenciam que o fisioterapeuta possui competências singulares na identificação precoce de sinais respiratórios e hemodinâmicos de deterioração, no manejo de vias aéreas e no suporte ventilatório durante a resposta rápida e a PCR. Sua atuação qualificada melhora a qualidade da ressuscitação, otimiza intervenções ventilatórias, fortalece a coordenação multiprofissional e contribui diretamente para a redução da mortalidade. Conclui-se que o fisioterapeuta desempenha papel central e determinante no TRR, sendo imprescindível sua integração sistemática e capacitação contínua em ambientes hospitalares de média e alta complexidade.
Palavras-chave: Fisioterapia; Time de Resposta Rápida; Parada cardiorrespiratória; Emergência; Suporte avançado de vida.
1 INTRODUÇÃO
A deterioração clínica súbita constitui uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes hospitalizados e, frequentemente, apresenta evolução progressiva e tempo-dependente, o que exige reconhecimento e intervenção precoces para a prevenção de desfechos adversos. Estudos sobre qualidade assistencial demonstram que grande parte dos eventos graves, como a parada cardiorrespiratória (PCR), a insuficiência respiratória aguda e o choque, é precedida por alterações fisiológicas detectáveis horas antes da instalação do quadro crítico, fato que fundamentou o desenvolvimento de estratégias organizacionais voltadas à detecção precoce e à resposta imediata frente à instabilidade clínica (BERWICK et al., 2006).
Nesse contexto, o Time de Resposta Rápida (TRR) configura-se como uma estratégia estruturada para o reconhecimento de sinais iniciais de deterioração, a intervenção oportuna e a redução de eventos evitáveis e óbitos intra-hospitalares. Estudos de implantação e avaliação do TRR indicam melhorias nos processos assistenciais, especialmente no que se refere à organização do cuidado, à coordenação multiprofissional e à diminuição da ocorrência de eventos críticos, desde que os fluxos de acionamento e os protocolos estejam claramente definidos (BONINSENHA et al., 2023; RIGOTTI et al., 2019).
A relevância das alterações respiratórias nos quadros de deterioração clínica hospitalar confere ao fisioterapeuta posição estratégica no âmbito do TRR. Em razão de sua formação voltada ao sistema cardiorrespiratório, esse profissional apresenta competência para identificar precocemente alterações da mecânica ventilatória, sinais de fadiga respiratória e distúrbios gasométricos que antecedem a insuficiência respiratória aguda, possibilitando a adoção de intervenções ventilatórias oportunas, invasivas ou não invasivas (MARTINS SÁ et al., 2019; PICCOLI et al., 2013). Evidências nacionais apontam que a participação do fisioterapeuta nas equipes de resposta rápida favorece decisões mais céleres relacionadas à oxigenoterapia, ao uso da ventilação não invasiva e à implementação de medidas capazes de reduzir a progressão para intubação orotraqueal e ventilação mecânica prolongada (PINTO et al., 2024; PICCOLI et al., 2013).
Além da atuação no reconhecimento precoce da deterioração clínica, o fisioterapeuta contribui de maneira significativa para o manejo das vias aéreas e do suporte ventilatório durante a ressuscitação cardiopulmonar e no período pós-PCR. A literatura descreve que intervenções fisioterapêuticas adequadamente conduzidas, como a ventilação manual eficaz durante a RCP, o controle das pressões das vias aéreas e a aplicação de estratégias de proteção pulmonar, influenciam a qualidade das manobras de ressuscitação e os desfechos imediatos dos pacientes (BONFIM DE ANDRADE et al., 2019; LAFETÁ et al., 2015). Diretrizes nacionais e internacionais reforçam a importância da atuação de profissionais capacitados em Suporte Básico e Avançado de Vida no atendimento à PCR e nos cuidados pós-retorno da circulação espontânea, ressaltando a necessidade de treinamento específico para esses cenários (BERNOCHE et al., 2019; AMERICAN HEART ASSOCIATION, 2015; GONZALEZ et al., 2013).
A efetividade do TRR também está relacionada à identificação e à mitigação de incidentes críticos no ambiente hospitalar, tema abordado em estudos que analisam barreiras à atuação das equipes e estratégias de aprimoramento contínuo da qualidade assistencial (DIAS et al., 2020; DUARTE; FONSECA, 2010). Adicionalmente, intervenções específicas, como o uso da máscara laríngea durante a PCR, têm sido discutidas na literatura por meio de revisões sistemáticas, fornecendo subsídios técnicos, indicações e limitações relevantes para a tomada de decisão clínica (THOMAZ; WHITAKER, 2013).
Dessa forma, a análise da atuação do fisioterapeuta no TRR envolve a integração de evidências relacionadas ao reconhecimento precoce da deterioração clínica, à competência técnica no manejo das vias aéreas e da ventilação, à articulação multiprofissional e à adesão às diretrizes clínicas vigentes. O presente estudo tem como objetivo analisar a literatura disponível sobre essas dimensões, a fim de consolidar o papel do fisioterapeuta na prevenção e no manejo de eventos críticos em ambiente hospitalar, bem como identificar lacunas que possam subsidiar a formação profissional e o aprimoramento de políticas institucionais (MARTINS SÁ et al., 2019; PICCOLI et al., 2013; BERNOCHE et al., 2019).
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Deterioração clínica no ambiente hospitalar
A deterioração clínica em pacientes hospitalizados é descrita como um processo progressivo, caracterizado por alterações fisiológicas que antecedem eventos críticos, como insuficiência respiratória aguda e parada cardiorrespiratória. Estudos apontam que essas alterações podem ser identificadas horas antes do evento grave, o que demonstra a importância do reconhecimento precoce para a prevenção de desfechos adversos (BERWICK et al., 2006).
Pesquisas nacionais indicam que a não identificação dessas alterações está relacionada à sobrecarga das equipes, à fragmentação do cuidado e à dificuldade de interpretação dos sinais vitais. Esses fatores contribuem para atrasos na intervenção e aumento da morbimortalidade intra-hospitalar, impactando diretamente a segurança do paciente (DUARTE; FONSECA, 2010; DIAS et al., 2020).
2.2 Time de Resposta Rápida e segurança do paciente
O Time de Resposta Rápida (TRR) consiste em uma estratégia organizacional voltada à identificação precoce da deterioração clínica e à intervenção imediata diante de sinais de instabilidade em pacientes hospitalizados fora das unidades críticas. Estudos demonstram que a implantação do TRR está associada à redução de paradas cardiorrespiratórias inesperadas e à melhora dos desfechos clínicos (RIGOTTI et al., 2019).
Além disso, investigações realizadas no contexto nacional apontam que o TRR contribui para a organização dos fluxos assistenciais e para o fortalecimento da cultura de segurança do paciente, desde que haja critérios bem definidos de acionamento e capacitação contínua da equipe multiprofissional (BONINSENHA et al., 2023; DIAS et al., 2020).
2.3 Atuação do fisioterapeuta no reconhecimento da deterioração clínica
A fisioterapia hospitalar possui atuação diretamente relacionada ao monitoramento das funções respiratórias e cardiorrespiratórias, frequentemente envolvidas nos processos de deterioração clínica. A literatura descreve que sinais como taquipneia, hipoxemia e fadiga respiratória antecedem com frequência a insuficiência respiratória aguda e a parada cardiorrespiratória (PICCOLI et al., 2013; MARTINS SÁ et al., 2019).
Nesse cenário, estudos nacionais indicam que a presença do fisioterapeuta no Time de Resposta Rápida favorece a identificação precoce dessas alterações e a adoção de condutas ventilatórias adequadas, como ajustes na oxigenoterapia e indicação oportuna da ventilação não invasiva, reduzindo a progressão do quadro clínico (PINTO et al., 2024; PICCOLI et al., 2013).
2.4 Papel do fisioterapeuta no manejo ventilatório e na parada cardiorrespiratória
Durante a parada cardiorrespiratória, o manejo adequado da ventilação e das vias aéreas exerce influência direta sobre a qualidade da ressuscitação cardiopulmonar. Estudos apontam que falhas na ventilação manual e no controle das vias aéreas estão associadas a piores desfechos, incluindo menor taxa de retorno da circulação espontânea (LAFETÁ et al., 2015; BONFIM DE ANDRADE et al., 2019).
Diretrizes nacionais e internacionais destacam a importância da atuação de profissionais capacitados em Suporte Básico e Avançado de Vida, ressaltando o papel do fisioterapeuta no manejo ventilatório durante a ressuscitação e no período pós-retorno da circulação espontânea (AMERICAN HEART ASSOCIATION, 2015; BERNOCHE et al., 2019; GONZALEZ et al., 2013).
2.5 Atuação multiprofissional e qualificação da assistência
A efetividade do Time de Resposta Rápida depende da integração entre os profissionais envolvidos e da definição clara de suas atribuições. Estudos demonstram que equipes multiprofissionais organizadas apresentam maior resolutividade e melhor resposta frente às emergências hospitalares (DIAS et al., 2020; RIGOTTI et al., 2019).
A inserção do fisioterapeuta no TRR contribui para a qualificação da assistência ao agregar competências específicas relacionadas ao manejo respiratório. A literatura aponta que essa atuação favorece a segurança do paciente e a organização do cuidado, embora ainda existam lacunas quanto à padronização dessa prática em diferentes instituições hospitalares (BONINSENHA et al., 2023; MARTINS SÁ et al., 2019).
3 METODOLOGIA
O presente estudo consiste em uma revisão narrativa de literatura, realizada no período de junho a agosto de 2024, cujo objetivo foi analisar a atuação do fisioterapeuta no Time de Resposta Rápida (TRR) no ambiente hospitalar, com foco no reconhecimento precoce da deterioração clínica, no manejo ventilatório e na participação durante a parada cardiorrespiratória (PCR).
A pesquisa bibliográfica foi conduzida em bases de dados nacionais e internacionais, incluindo SciELO, PubMed, LILACS e Google Scholar. A seleção dos estudos ocorreu por meio da utilização de descritores em português e inglês relacionados ao tema, tais como Time de Resposta Rápida, fisioterapia, emergência hospitalar, parada cardiorrespiratória, ventilação mecânica e suporte avançado de vida, combinados conforme as particularidades de cada base consultada.
Foram incluídos estudos publicados entre 2006 e 2024, disponíveis na íntegra, que abordassem diretamente a atuação do fisioterapeuta no TRR, o manejo de vias aéreas e ventilação em situações de emergência hospitalar e a atuação na ressuscitação cardiopulmonar. Foram excluídos trabalhos duplicados, estudos que não apresentassem relação direta com o tema proposto e publicações realizadas fora do contexto hospitalar.
Além dos artigos científicos, foram considerados documentos normativos, diretrizes nacionais e internacionais e protocolos assistenciais, em razão de sua relevância para a compreensão das atribuições técnicas do fisioterapeuta no contexto da resposta rápida hospitalar.
Após a aplicação dos critérios de seleção, 20 estudos compuseram o material analisado, incluindo artigos científicos, diretrizes assistenciais e relatos de experiência institucional.
A análise dos dados foi realizada por meio de leitura exploratória e analítica, com identificação e extração das informações relacionadas às competências do fisioterapeuta no TRR, à atuação no manejo ventilatório e de vias aéreas, bem como à participação na ressuscitação cardiopulmonar. Os dados obtidos foram organizados de forma descritiva, permitindo a discussão dos principais achados à luz da literatura pertinente.
A metodologia adotada mostrou-se adequada aos objetivos propostos, possibilitando a análise do papel do fisioterapeuta no Time de Resposta Rápida e sua contribuição para a segurança do paciente e a qualidade da assistência hospitalar.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A literatura analisada indica que a deterioração clínica no ambiente hospitalar, em geral, ocorre de forma gradual e antecede eventos graves, como a parada cardiorrespiratória, sendo frequentemente subestimada pela equipe assistencial. Estudos apontam que alterações fisiológicas mensuráveis precedem a maioria das paradas cardiorrespiratórias, o que reforça a importância da identificação precoce e da adoção de condutas oportunas (BERWICK et al., 2006). Nesse contexto, os trabalhos incluídos nesta revisão demonstram que a implantação do Time de Resposta Rápida contribui para a redução da morbimortalidade hospitalar, ao permitir intervenção precoce diante da deterioração clínica e ao fortalecer práticas relacionadas à segurança do paciente, conforme descrito em experiências nacionais (BONINSENHA et al., 2023; RIGOTTI et al., 2019).
Os estudos analisados mostram que a presença do fisioterapeuta no Time de Resposta Rápida constitui um elemento técnico relevante, sobretudo em situações de comprometimento respiratório, reconhecido como fator frequente associado à deterioração clínica e à parada cardiorrespiratória. A formação desse profissional favorece a identificação precoce de sinais como taquipneia, hipoxemia, fadiga respiratória e alterações da mecânica ventilatória, descritos na literatura como preditores de insuficiência respiratória aguda (MARTINS SÁ et al., 2019; PICCOLI et al., 2013). A atuação fisioterapêutica, nesses casos, possibilita ajustes precoces da oxigenoterapia, indicação adequada da ventilação não invasiva e adoção de medidas preventivas, contribuindo para a estabilização do quadro clínico e redução da progressão para intervenções invasivas.
Além da atuação preventiva, a literatura destaca o papel do fisioterapeuta durante a parada cardiorrespiratória e no suporte avançado de vida. Os estudos apontam que inadequações no manejo ventilatório, na coordenação entre compressões torácicas e ventilações e no controle da via aérea interferem negativamente na qualidade da ressuscitação cardiopulmonar e nas taxas de retorno à circulação espontânea (BONFIM DE ANDRADE et al., 2019; LAFETÁ et al., 2015). Nesse cenário, a atuação do fisioterapeuta no manejo da ventilação manual, no uso de dispositivos supraglóticos e na integração com a equipe multiprofissional associa-se a maior organização do atendimento e melhor condução das intervenções, conforme preconizam diretrizes nacionais e internacionais (AMERICAN HEART ASSOCIATION, 2015; BERNOCHE et al., 2019; GONZALEZ et al., 2013).
De modo geral, os resultados da literatura analisada sustentam que a inserção do fisioterapeuta no Time de Resposta Rápida contribui para a qualificação da assistência em situações de deterioração clínica e emergência hospitalar, com impacto na segurança do paciente e no manejo adequado das intercorrências respiratórias e cardiovasculares.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os objetivos deste estudo são atingidos ao evidenciar o papel do fisioterapeuta no Time de Resposta Rápida no ambiente hospitalar. A análise da literatura confirma que a atuação desse profissional contribui de forma relevante para a identificação precoce da deterioração clínica e para o manejo adequado de eventos críticos, especialmente aqueles relacionados ao sistema respiratório.
Conclui-se que a inserção do fisioterapeuta no Time de Resposta Rápida amplia a capacidade de resposta institucional frente às emergências hospitalares e favorece práticas assistenciais mais seguras e qualificadas. Essa atuação fortalece o trabalho multiprofissional e impacta positivamente a organização do cuidado em serviços de média e alta complexidade.
Esta revisão contribui ao consolidar evidências que sustentam a presença do fisioterapeuta como componente essencial do Time de Resposta Rápida, reforçando sua relevância técnica e assistencial na redução de desfechos adversos evitáveis. Ressalta-se, como limitação, o caráter narrativo da revisão, que não permite análise quantitativa dos resultados, indicando a necessidade de estudos futuros com delineamentos mais robustos.
REFERÊNCIAS
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1Residente de Fisioterapia do Programa de Residência Multiprofissional em Urgência e Emergência- Pronto Socorro- HEURO. E-mail: allinesmpacheco@hotmail.com.
2Residente de Fisioterapia do Programa de Residência Multiprofissional em Urgência e Emergência- Pronto Socorro- HEURO. E-mail: daiaradalmaso@hotmail.com.
3Fisioterapeuta Especialista em Terapia Intensiva do Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Hospitalar- HEURO. E-mail: haroldojbm@gmail.com.
