REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301223
Talita Saraiva Pimenta
Denise Mota Araripe Pereira Fernandes
RESUMO
Introdução: A depressão configura-se como um dos principais agravos de saúde pública no mundo, afetando cerca de 280 milhões de pessoas e apresentando elevada prevalência na Atenção Primária à Saúde (APS). Esse cenário é agravado por fatores como desigualdade social, desemprego, baixa escolaridade e presença de comorbidades, que impactam a qualidade do cuidado e reforçam a importância da APS como porta de entrada para o manejo integral da saúde mental.Objetivo: Analisar, na literatura recente, o perfil dos pacientes com transtorno depressivo atendidos na APS, com ênfase na prevalência e nos fatores de risco associados, visando subsidiar práticas clínicas e políticas públicas mais resolutivas.Materiais e Métodos: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, de caráter descritivo, realizada nas bases PubMed, Scopus e LILACS, utilizando os descritores “Depressive Disorder”, “Primary Health Care” e “Health Profile”. Foram incluídos estudos originais publicados entre 2015 e 2025, em português, inglês e espanhol, que abordaram pacientes adultos com diagnóstico de depressão na APS e descreveram características sociodemográficas, clínicas e contextuais.Resultados: Foram selecionados quatro estudos de diferentes países (Estados Unidos, Suécia, Chile e Brasil), que evidenciaram prevalência variável de depressão, associada a fatores como baixa escolaridade, vulnerabilidade socioeconômica, desemprego, doenças crônicas e condições infecciosas como tuberculose. A heterogeneidade metodológica destacou a multiplicidade de fatores envolvidos e a necessidade de abordagens integradas.Considerações Finais: Os achados demonstram que a depressão na APS está fortemente relacionada a determinantes sociais e à presença de comorbidades, configurando um desafio multidimensional. Assim, reforça-se a importância do rastreamento precoce, da integração entre saúde mental e assistência social e do fortalecimento da APS como espaço estratégico para o cuidado em saúde mental, com vistas à equidade, integralidade e efetividade das ações.
Palavras-Chave: Transtorno Depressivo; Atenção Primária e Epidemiologia.
ABSTRACT
Introduction: Depression is one of the major public health challenges worldwide, affecting nearly 280 million people and showing high prevalence in Primary Health Care (PHC). This scenario is aggravated by factors such as social inequality, unemployment, low educational level, and comorbidities, which negatively impact the quality of care and highlight the strategic role of PHC as the main entry point for comprehensive mental health management.Objective: To analyze, in the recent literature, the profile of patients with depressive disorder treated in PHC, with emphasis on prevalence and associated risk factors, in order to support clinical practices and more effective public policies.Materials and Methods: This is a systematic literature review, with a descriptive design, conducted in PubMed, Scopus, and LILACS databases, using the descriptors “Depressive Disorder,” “Primary Health Care,” and “Health Profile.” Original studies published between 2015 and 2025, in Portuguese, English, and Spanish, addressing adult patients with a diagnosis of depression in PHC and reporting sociodemographic, clinical, and contextual characteristics were included.Results: Four studies from different countries (United States, Sweden, Chile, and Brazil) were selected. They revealed variable prevalence of depression, associated with factors such as low education, socioeconomic vulnerability, unemployment, chronic diseases, and infectious conditions such as tuberculosis. Methodological heterogeneity underscored the multidimensionality of the phenomenon and the need for integrated approaches.Conclusions: Findings demonstrate that depression in PHC is strongly related to social determinants and comorbidities, configuring a multidimensional challenge. Therefore, early screening, integration between mental health and social assistance, and the strengthening of PHC as a strategic setting for mental health care are essential to promote equity, comprehensiveness, and effectiveness of interventions.
Keywords: Depressive Disorder; Primary Health Care; Epidemiology.
1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, a depressão tem se consolidado como um dos principais desafios de saúde pública em escala global. A Organização Mundial da Saúde (2017) estima que cerca de 280 milhões de pessoas convivem com o transtorno depressivo, tornando-o uma das condições psiquiátricas mais prevalentes no mundo. Esse agravo não apenas impacta a saúde individual, mas compromete o bem-estar coletivo, os vínculos sociais e a produtividade econômica. No Brasil, estudos demonstram uma elevada prevalência de depressão, sobretudo em contextos urbanos marcados por desigualdades sociais, sendo frequentemente associada ao desemprego, à baixa escolaridade, à presença de doenças crônicas, ao isolamento social e à violência (Souza et al., 2017; Silva et al., 2017).
Diante dessa realidade, a Atenção Primária à Saúde (APS) assume um papel estratégico na promoção do cuidado. Como principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), a APS possibilita a escuta qualificada, a identificação precoce, o acolhimento humanizado e o acompanhamento longitudinal de pessoas com transtorno depressivo. A atuação integrada entre equipes multiprofissionais e dispositivos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), potencializa a resolutividade dos serviços e contribui para a redução da medicalização excessiva e das internações psiquiátricas (World Health Association, 2013; PAIM et al., 2011).
No entanto, ainda são evidentes lacunas relacionadas à formação dos profissionais, à subnotificação dos casos e à fragmentação dos serviços, o que reforça a necessidade de se conhecer melhor o perfil dos usuários atendidos na APS por depressão.
A escolha desta temática se justifica por múltiplos aspectos. Do ponto de vista social, há um crescimento significativo na demanda por atenção à saúde mental, especialmente em relação à depressão, que se intensificou após o agravamento de condições psicossociais decorrentes de crises econômicas, mudanças culturais e, mais recentemente, efeitos pós-pandemia (Zandonade et al., 2023). Esse cenário exige respostas mais efetivas por parte da atenção primária. No aspecto acadêmico, a investigação visa preencher lacunas da literatura sobre o perfil dos pacientes com transtorno depressivo atendidos na APS, colaborando com a produção de evidências que sustentem políticas públicas e práticas clínicas mais assertivas (Borges; Hegadoren; Miasso, 2015).
Em termos pessoais, é fruto da vivência prática no território, como médica residente em Medicina de Família e Comunidade, onde é recorrente a presença de pacientes com sofrimento depressivo que, algumas vezes, permanecem invisíveis nas rotinas da unidade básica de saúde.
Compreender o perfil dos pacientes com transtorno depressivo atendidos na atenção primária significa ir além do diagnóstico clínico: envolve identificar características sociodemográficas, condições de vida, vínculos familiares, ocupacionais e os contextos culturais nos quais esses sujeitos estão inseridos. Esse mapeamento é essencial para orientar intervenções que respeitem as singularidades locais e garantam um cuidado mais humanizado, especialmente em territórios onde a saúde mental ainda é marcada por estigmas, invisibilidades e abordagens medicalizantes. A leitura do perfil permite, portanto, articular estratégias terapêuticas individualizadas e coletivas, promovendo maior adesão ao cuidado e melhores desfechos em saúde.
Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo geral analisar, na literatura atual, o perfil dos pacientes com transtorno depressivo atendidos na Atenção Primária à Saúde, com foco na prevalência e nos fatores de risco associados. Especificamente, pretende-se identificar como a depressão tem sido abordada nos estudos realizados em âmbito da APS; levantar os fatores de risco mais frequentemente associados ao transtorno; compreender os desafios e possibilidades do cuidado em saúde mental no contexto da Estratégia Saúde da Família; e contribuir para o fortalecimento da prática clínica baseada em evidências no campo da Medicina de Família e Comunidade (Zandonade et al., 2023).
Outro aspecto relevante diz respeito à importância dos dados epidemiológicos atualizados sobre a depressão na APS. A maior parte dos estudos ainda se concentra em recortes pontuais ou em bases secundárias que não captam a complexidade da realidade cotidiana das unidades de saúde da família. Além disso, existe uma carência de informações organizadas sobre a distribuição da depressão por faixa etária, gênero, escolaridade e outras variáveis sociais, o que dificulta o planejamento de ações eficazes. Conhecer a prevalência da depressão é fundamental para dimensionar a demanda e orientar investimentos em capacitação e infraestrutura.
Por fim, o enfoque da Medicina de Família e Comunidade, centrado na pessoa, no território e no vínculo longitudinal, torna-se um diferencial importante no cuidado em saúde mental, especialmente no manejo da depressão. A proximidade das equipes com a realidade social e afetiva dos pacientes favorece a escuta sensível e a construção de projetos terapêuticos singulares, além de possibilitar ações intersetoriais com escolas, centros de assistência social e redes comunitárias. A investigação sobre prevalência e fatores de risco permite também mapear vulnerabilidades específicas do território, atuando de forma preventiva e proativa. Nesse cenário, fortalecer a capacidade da APS para acolher e tratar o transtorno depressivo é condição essencial para a consolidação de um sistema de saúde mais justo, integral e efetivo (Souza et al., 2017).
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Conceituação e Diagnóstico de Depressão
A depressão, no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), é entendida como um transtorno de humor marcado pela presença persistente de tristeza, perda de interesse ou prazer em atividades anteriormente valorizadas, fadiga e alterações cognitivas, como dificuldade de concentração, que perduram por pelo menos duas semanas. Esses sintomas acarretam prejuízos funcionais e impactam significativamente a vida social e ocupacional do indivíduo. Na prática clínica, o diagnóstico é realizado por meio da anamnese detalhada e da avaliação do estado mental, sem a necessidade de exames laboratoriais específicos, o que reforça a relevância da capacitação dos profissionais de saúde nesse cenário (Ministério da Saúde, 2021).
Com a atualização da Classificação Internacional de Doenças, a CID-11 passou a ser referência a partir de 2022, estabelecendo critérios mais abrangentes e detalhados para os episódios depressivos. Nela, o transtorno é definido como episódio único ou recorrente, com sintomas que devem estar presentes quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, incluindo humor deprimido, anedonia, alterações de sono e apetite, fadiga, ideação suicida e prejuízo funcional. Além disso, a CID-11 introduz especificadores quanto à gravidade, à presença de sintomas psicóticos e ao estado de remissão, o que auxilia a prática diagnóstica na APS, fornecendo uma classificação mais clara e aplicável ao cotidiano clínico (Souza et al., 2017)
De forma complementar, o DSM-5-TR, publicado em 2022, manteve critérios consistentes com as versões anteriores, reforçando a exigência de, no mínimo, cinco sintomas entre nove possíveis, incluindo humor deprimido ou perda de interesse, para o diagnóstico. A ênfase no prejuízo funcional e na persistência dos sintomas por mais de duas semanas continua sendo central, o que facilita sua aplicação em serviços de saúde de primeiro contato. Assim, tanto o DSM-5-TR quanto a CID-11 se consolidam como instrumentos fundamentais para padronizar a abordagem diagnóstica e orientar intervenções na APS .]
Nesse sentido, os instrumentos de triagem e avaliação têm desempenhado papel crucial para o reconhecimento da depressão na Atenção Primária. O Patient Health Questionnaire (PHQ-9) é o mais utilizado mundialmente e amplamente validado no Brasil, permitindo a identificação da gravidade dos sintomas e auxiliando na condução terapêutica. Em contextos em que a triagem rápida é necessária, o PHQ-2 tem se mostrado uma ferramenta útil, enquanto a Geriatric Depression Scale (GDS) é particularmente eficaz para rastrear sintomas em idosos. Diretrizes internacionais, como as da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF), recomendam a adoção sistemática dessas tabelas de triagem na APS, dada sua sensibilidade e especificidade (Borges; Hegadoren; Miasso, 2015).
Evidências nacionais reforçam a magnitude do problema. Em estudo realizado em unidades de saúde do Brasil, a prevalência de depressão foi estimada em 29,5%, contrastando com os 9,6% identificados na Espanha em condições semelhantes. Outro levantamento, utilizando a Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI) em Pelotas, revelou prevalência de 23,9% entre usuários da APS, associada principalmente a mulheres de baixa escolaridade, pertencentes a classes socioeconômicas D/E e com presença de transtornos psiquiátricos concomitantes. Esses achados destacam a importância da identificação precoce e do rastreamento sistemático na prática clínica cotidiana (Chand; Arif, 2023; Viduani et al., 2022).
Além do impacto direto na saúde mental, a depressão apresenta forte associação com condições crônicas, especialmente cardiovasculares. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 indicaram prevalência autorreferida de depressão de 11,1%, sendo observada correlação inversa entre estilos de vida cardiovasculares saudáveis — como prática regular de atividade física, manutenção do peso adequado e adoção de dieta equilibrada — e a presença de sintomas depressivos. Essa relação evidencia a necessidade de uma abordagem integral do paciente na APS, considerando tanto os fatores biológicos quanto os comportamentais no manejo da depressão (Chand; Arif, 2023; Viduani et al., 2022).
Por fim, revisões recentes ressaltam que a depressão continua sendo frequentemente subdiagnosticada e subtratada na Atenção Primária, mesmo diante de sua alta prevalência. A integração de estratégias de rastreamento, diagnóstico precoce e manejo adequado é fundamental para a melhoria dos desfechos clínicos. A atuação de equipes multidisciplinares, aliada a protocolos atualizados e ao fortalecimento da rede de saúde mental, é essencial para o enfrentamento do transtorno. Dessa forma, a APS ocupa posição estratégica para a promoção de cuidados contínuos, humanizados e resolutivos, sendo um espaço privilegiado para o combate à depressão (Chand; Arif, 2023; Viduani et al., 2022) .
2.2 O papel do Médico da Família e Comunidade no Tratamento da Depressão
A atuação do Médico de Família e Comunidade (MFC) no tratamento da depressão na Atenção Primária à Saúde (APS) é essencialmente baseada em uma abordagem ampla, humanizada e de cuidado integral. Nessa perspectiva, os sintomas depressivos não são vistos apenas como alterações clínicas isoladas, mas como manifestações ligadas a fatores psicossociais, culturais e existenciais, muitas vezes expressos por queixas físicas como dores, fadiga ou distúrbios do sono. Essa compreensão ampliada permite ao MFC reconhecer a complexidade da depressão no contexto da vida do paciente e propor intervenções mais adequadas (SBMFC, 2025).
Além da visão clínica, destaca-se a importância do vínculo terapêutico construído pela longitudinalidade característica da Estratégia Saúde da Família (ESF). O acompanhamento contínuo por parte do mesmo profissional ou equipe fortalece a confiança e possibilita a escuta qualificada, permitindo identificar precocemente sinais de depressão e fatores de risco associados. Esse processo garante maior adesão ao tratamento e favorece a recuperação integral do paciente (BRASIL, 2025a).
Além disso, o vínculo terapêutico, sustentado pela longitudinalidade típica da Estratégia Saúde da Família (ESF), fortalece o cuidado continuado. Essa continuidade permite que o MFC reconheça precocemente fragilidades emocionais e fatores de risco, favorecendo a adesão ao tratamento, confiança e maior eficácia no manejo da depressão (Bastos e Pinto, 2024).
Na prática clínica, instrumentos como o PHQ-9, PHQ-2 e GDS citados anteriormente, são empregados rotineiramente para rastreamento e avaliação da gravidade dos sintomas depressivos. Esses recursos auxiliam o MFC a fundamentar decisões terapêuticas, monitorar evolução e, quando necessário, encaminhar o paciente aos serviços da rede de saúde mental (Mari e Campos, 2020).
A estratégia do Apoio Matricial (matrix support), na qual psiquiatras e psicólogos colaboram ativamente com as equipes de APS, tem mostrado impacto positivo. Essa condução de casos promove empoderamento técnico às equipes generalistas e facilita o manejo clínico, reduzindo encaminhamentos e ampliando a resolutividade local (Mari e Campos, 2020).
O MFC também articula o cuidado com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e outros componentes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), promovendo coordenação e continuidade terapêutica. Essa integração é crucial para evitar descontinuidade no tratamento e fortalecer o suporte ao paciente com depressão (Mari e Campos, 2020).
Entretanto, os desafios persistem. A formação dos MFCs frequentemente é insuficiente em saúde mental, especialmente na identificação e manejo de casos complexos ou com risco suicida. A sobrecarga de trabalho e a falta de protocolos padronizados agravam essas dificuldades, limitando a abordagem resolutiva na APS (Batista et al., 2025).
Em uma dimensão comunitária mais ampla, o MFC estimula a participação dos pacientes em grupos terapêuticos, atividades físicas e projetos comunitários, integrando recursos sociais ao cuidado. Essas ações ampliam a adesão e promovem resiliência, reforçando a visão biopsicossocial do tratamento (Mari e Campos, 2020)
Por fim, a qualificação contínua por meio de capacitações em saúde mental, protocolos clínicos e trabalho interdisciplinar emerge como fator determinante para fortalecer a atuação do MFC no manejo da depressão. Esse desenvolvimento profissional sustenta estratégias mais humanizadas e resolutivas na APS (Batista et al., 2025).
2.3 Desafios no cuidado em saúde mental na Atenção Primária à Saúde
A Atenção Primária à Saúde (APS) enfrenta desafios significativos na identificação precoce dos transtornos mentais comuns, como depressão e ansiedade, especialmente em áreas vulneráveis onde fatores como pobreza, violência e desemprego agravam o sofrimento psíquico. A ausência de triagem sistemática, aliada à escassez de instrumentos diagnósticos simples, sobrecarrega o médico da família e comunidade (MFC), que passa a realizar encaminhamentos desnecessários ou tardios (Mari; Campos, 2020).
Há também uma lacuna importante na formação em saúde mental, tanto na graduação quanto na residência médica. Muitos profissionais iniciam seu trabalho em APS sem preparo teórico ou prático para lidar com questões psiquiátricas, adotando práticas improvisadas com base na experiência cotidiana, o que dificulta uma abordagem qualificada e segura dos casos mais complexos (Hori; Nascimento, 2014).
Além disso, fatores estruturais, como sobrecarga de trabalho dos MFCs, estigma em torno dos transtornos mentais e desarticulação com a rede especializada, tornam a integração da APS à saúde mental ainda mais difícil. A fragmentação do cuidado, a dificuldade de acesso aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e a falta de suporte institucional comprometem a continuidade do tratamento e minam a eficiência do sistema (Gonçalves et al., 2014; Mari; Campos, 2020)
Outro obstáculo surge na forma de disparidades regionais — muitas localidades carecem de serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), seja por subfinanciamento, distribuição desigual de recursos ou baixa capacidade dos serviços existentes. Essa desigualdade geográfica e estrutural limita o acesso ao tratamento comunitário e reforça a vulnerabilidade dos usuários nas regiões mais precárias (Hori; Nascimento, 2014).
Por fim, a ausência de práticas sistemáticas de monitoramento, registro e avaliação da saúde mental na APS impede o desenvolvimento de políticas direcionadas, a tomada de decisão baseada em evidência e a sustentabilidade das iniciativas. A falta de indicadores e cultura de avaliação fragiliza os avanços e mantém invisíveis muitos entraves crônicos (Coelho et al., 2023)
3. METODOLOGIA
3.1 Desenho de Estudo
Esse estudo trata-se de uma revisão sistemática da literatura, de caráter descritivo e quantitativo. A escolha desse delineamento justifica-se pela necessidade de reunir e analisar de forma sistemática as evidências disponíveis na literatura científica sobre o perfil epidemiológico de pacientes diagnosticados com depressão e que foram atendidos na Atenção Básica. O estudo busca identificar e descrever se há características sociodemográficas mais frequentemente associadas a esses pacientes, tais como idade, sexo, escolaridade, estado civil, renda e ocupação, possibilitando uma análise comparativa entre os achados dos diferentes estudos selecionados.
3.2 Pergunta de Pesquisa
A pergunta norteadora de pesquisa foi feita com a estrutura PEO: População (pacientes atendidos na Atenção Primária à Saúde), Exposição (baixa escolaridade, desemprego, baixa renda, vulnerabilidade social) e Desfecho (diagnóstico de depressão por critérios clínicos ou instrumentos validados como PHQ-9, PHQ-2 e GDS).
3.3 População, Exposição e Desfecho
População: Pacientes adultos com idade maior ou igual a 18 anos que foram atendidos na Atenção Primária à Saúde.
Exposição: Características sociodemográficas como renda, sexo, escolaridade, ocupação, idade e estado civil.
Desfecho: Diagnóstico de depressão por exame clínico ou por instrumentos validados.
3.4 Estratégia de Busca e Bases de Dados
A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, SCOPUS e LILACS com os descritores DeCS “Depressive Disorder”, “Primary Health Care” e “Health Profile” em conjunto com o operador booleano “AND”.
3.5 Critérios de Elegibilidade dos Estudos
Foram incluídos na revisão estudos originais, observacionais ou transversais, que abordaram pacientes com diagnóstico de depressão atendidos na Atenção Básica, que descreveram aspectos sociodemográficos, publicados em inglês, português, espanhol, publicados entre 2015 e 2025.
Revisões de literatura, editoriais, cartas, resumos de eventos, estudos que não apresentaram dados sociodemográficos e pesquisas realizadas em serviços especializados ou hospitalares foram excluídos.
3.6 Triagem dos Estudos
No processo de identificação, foram localizadas 54 referências nas bases de dados, distribuídas entre PubMed (19), Scopus (22) e Lilacs (13). Após a exclusão de 15 registros duplicados, permaneceram 19 da PubMed, 22 da Scopus e 13 da Lilacs, totalizando 54 estudos únicos. Na fase de triagem, 45 registros foram excluídos após a leitura de títulos e resumos, restando 9 estudos para avaliação detalhada, sendo 2 provenientes da PubMed, 4 da Scopus e 4 da Lilacs. Desses, 5 artigos foram excluídos após leitura na íntegra, sendo 4 por não abordarem a Atenção Primária à Saúde (APS) e 1 por apresentarem restrição de acesso. Assim, 4 estudos foram incluídos na revisão final, dos quais 2 oriundos da PubMed, 2 da Lilacs e nenhum da Scopus.
4. RESULTADOS
4.1. Caracterização dos Estudos Incluídos
Quadro 1: Descrição dos estudos elegíveis a revisão sistemática, de acordo com título, autor, ano, local de publicação, objetivo e conclusão.
| Nº | Título/Autor/Ano/ Periódico | Objetivo | Conclusão |
| 1 | “Impact of socioeconomic status on depression clinical outcomes at six months in a Midwestern, United States community” Angstman et al. 2021 Journal of Affective Disorders | Avaliar o impacto do status socioeconômico sobre os desfechos clínicos de pacientes adultos com depressão atendidos na atenção primária nos EUA. | Status socioeconômico inferior está associado a piores desfechos clínicos em seis meses entre pacientes deprimidos da atenção primária. |
| 2 | “Association between neighborhood socioeconomic status and healthcare utilization among individuals with a first diagnosis of major depressive disorder”Gannedahl et al.2024Journal of Affective Disorders | Investigar a influência do status socioeconômico do bairro na utilização de serviços de saúde entre adultos com primeiro diagnóstico de depressão na Suécia. | Status socioeconômico mais baixo do bairro aumenta a utilização de serviços de saúde após o diagnóstico de depressão. |
| 3 | “Comorbilidad en personas con depresión que consultan en centros de la atención primaria de salud en Santiago, Chile”Martinez et al.2017Revista Médica de Chile | Descrever prevalência de comorbidade física e psiquiátrica entre adultos com episódio depressivo na atenção primária em Santiago. | Altos índices de comorbidades físicas e psiquiátricas sugerem necessidade de abordagem multidimensional no cuidado ao paciente deprimido. |
| 4 | “Rastreamento da depressão nas práticas de cuidados primários à saúde de indivíduos adoecidos de tuberculose”Silva et al.2021Enfermagem em Foco | Descrever sintomatologia depressiva e fatores sociodemográficos em pessoas com tuberculose atendidas em UBS brasileiras. | Elevada prevalência de sintomatologia depressiva entre pacientes com tuberculose, evidenciando necessidade de rastreamento e suporte social na APS. |
Fonte: Dados da Pesquisa (2025)
4.2. Perfil Sociodemográfico dos Pacientes com Transtornos Mentais na APS
Quadro 02: Tabela comparativa do perfil sociodemográfico dos pacientes dos quatro estudos incluídos.
| Estudo / País | Idade (média) | Sexo (%) Fem/Masc | Escolaridade baixa (%) | Status Socioeconômico / Vulnerabilidades |
| Angstman et al. (2021) EUA | 46 anos | 67% F / 33% M | Dados não detalhados | Baixo HOUSES: 25% (quartil inferior) |
| Gannedahl et al. (2024) Suécia | 44 anos | 60% F / 40% M | Não reportado | Status bairro Mosaic: 15% mais deprivados |
| Martinez et al. (2017) Chile | 49 anos | 80% F / 20% M | Ensino fundamental incompleto: 55% | 53,2% sem atividade laboral, maioria baixa renda |
| Silva et al. (2021) Brasil | 41,5 anos | 33% F / 67% M | < 8 anos de estudo: 43% | 89% classes C, D, E (ABEP); 63% desempregados; 85% pretos/pardos; 94% ≤ 3 SM; 86% sem transferência de renda |
Fonte: Dados da Pesquisa (2025)
4.3. Prevalência de Depressão
A prevalência de sintomas depressivos apresentou variações metodológicas entre os estudos. Silva et al. (2021) identificaram 48% de pacientes com sintomatologia depressiva moderada a grave na população com tuberculose em tratamento na APS. Nos demais estudos, a prevalência referida corresponde à presença de diagnóstico clínico ou primeiro episódio de transtorno depressivo maior confirmado por instrumentos validados, sem informações uniformes para estimativa percentual direta, evidenciando a heterogeneidade do fenômeno ressalvando a robustez diagnóstica.
4.4. Fatores de Risco Associados ao Transtorno Depressivo na APS
4.4.1. Fatores Psicossociais
Os fatores psicossociais associados ao transtorno depressivo incluem baixa escolaridade, vulnerabilidade socioeconômica, desemprego e pertencimento a grupos racialmente discriminados. No estudo brasileiro, 43% dos pacientes apresentavam escolaridade inferior a oito anos, 63% estavam desempregados, 89% pertenciam às classes sociais C, D e E segundo a classificação ABEP, e 85% eram autodeclarados pretos ou pardos. Esses dados ressaltam a forte associação entre vulnerabilidade social e depressão na APS, evidenciando a necessidade de políticas públicas que incluam ações contra a exclusão social e o estigma psicológico.
4.4.2. Comorbidades Físicas
A presença de comorbidades físicas também se destacou como importante fator de risco. No estudo chileno, 78% dos pacientes com depressão apresentavam alguma comorbidade física ou psiquiátrica, incluindo diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas. O estudo brasileiro revelou que 34% dos indivíduos em tratamento para tuberculose tinham pelo menos uma comorbidade associada, com 10% vivendo com HIV/AIDS, 9% com diabetes e 3% com hipertensão. Essas coocorrências reforçam a necessidade de uma abordagem integral na atenção primária, considerando as múltiplas dimensões do cuidado.
4.4.3. Fatores de Estilo de Vida
Quanto aos fatores de estilo de vida, o estudo brasileiro aponta que 21% dos pacientes relataram uso de drogas ilícitas, 42% consumo de álcool, sendo que 31% foram classificados com padrão de risco moderado a severo para o consumo alcoólico, e 25% eram fumantes, embora a maior parte com baixo grau de dependência. Esses comportamentos potencializam o agravamento do quadro depressivo e impactam negativamente a adesão ao tratamento, evidenciando a importância da inclusão de intervenções específicas de saúde mental e comportamento na APS.
Estes dados quantitativos reforçam a complexidade e multidimensionalidade dos fatores de risco associados ao transtorno depressivo na atenção primária, ressaltando a importância de estratégias integradas e intersetoriais para o enfrentamento efetivo da doença.
5. DISCUSSÃO
O perfil dos pacientes com transtorno depressivo na atenção primária tem sido objeto de crescente interesse científico, sobretudo diante da elevada prevalência dessa condição e de seus impactos sobre a saúde pública. Os estudos analisados apontam que fatores socioeconômicos, clínicos e contextuais se entrelaçam na determinação dos desfechos, sugerindo que a depressão deve ser compreendida de maneira multidimensional, considerando tanto os determinantes individuais quanto coletivos (ANGSTMAN et al., 2021; GANNEDAHL et al., 2024; MARTÍNEZ et al., 2017; SILVA et al., 2021).
A dimensão socioeconômica aparece como um dos principais eixos explicativos. Angstman et al. (2021), em estudo realizado nos Estados Unidos, evidenciaram que pacientes com baixo status socioeconômico apresentaram desfechos clínicos significativamente piores em seis meses, independentemente de outras variáveis clínicas. Esse achado reforça que a desigualdade social impacta não apenas a prevalência, mas também o prognóstico da depressão, exigindo da atenção primária estratégias específicas de acompanhamento para populações mais vulneráveis.
Em linha com essa perspectiva, Gannedahl et al. (2024) demonstraram que não apenas o status socioeconômico individual, mas também o contexto de vizinhança — o chamado neighborhood socioeconomic status — influencia o uso dos serviços de saúde após o diagnóstico de depressão. Pacientes residentes em áreas de menor nível socioeconômico apresentaram padrões distintos de utilização, tanto no acesso a consultas psiquiátricas quanto na adesão a tratamentos farmacológicos. Dessa forma, a atenção primária deve ser sensível ao território, adaptando-se às demandas impostas pelas desigualdades contextuais.
Além das condições socioeconômicas, a presença de comorbidades médicas é outro aspecto crítico. O estudo conduzido no Chile por Martínez et al. (2017) revelou que indivíduos com depressão atendidos em centros de atenção primária apresentavam alta prevalência de doenças crônicas concomitantes, como hipertensão e diabetes, além de queixas de dor persistente. Essa sobreposição de condições amplia a complexidade clínica, reforçando a necessidade de abordagens integradas que contemplem tanto a saúde física quanto a saúde mental no cotidiano da atenção primária.
Nesse sentido, a relação entre depressão e doenças infecciosas também merece destaque. Silva et al. (2021) analisaram indivíduos em tratamento de tuberculose e observaram prevalência expressiva de sintomatologia depressiva. Tal achado mostra que o sofrimento psíquico pode comprometer a adesão ao tratamento da tuberculose, com consequências diretas sobre o sucesso terapêutico. O rastreamento sistemático da depressão em pacientes com doenças crônicas transmissíveis se mostra, portanto, uma estratégia essencial de cuidado integrado.
Os quatro estudos dialogam entre si ao apontar que os pacientes depressivos da atenção primária não formam um grupo homogêneo, mas sim uma população marcada por vulnerabilidades múltiplas. Enquanto Angstman et al. (2021) e Gannedahl et al. (2024) ressaltam o peso dos determinantes socioeconômicos, Martínez et al. (2017) e Silva et al. (2021) evidenciam a relevância das comorbidades médicas. Em conjunto, essas contribuições indicam que a prevalência e os fatores de risco associados ao transtorno depressivo na atenção primária são atravessados por um complexo mosaico de condições que demandam abordagens abrangentes.
As implicações práticas desses achados são claras: é necessário implementar protocolos de rastreamento regular da depressão, sobretudo em pacientes com doenças crônicas ou em situações de vulnerabilidade social, além de fortalecer a integração entre saúde mental, atenção básica e serviços especializados. Ademais, políticas públicas devem considerar tanto os determinantes sociais quanto às características clínicas, promovendo linhas de cuidado que articulem suporte psicológico, farmacoterapia, acompanhamento social e educação em saúde (MARTÍNEZ et al., 2017; SILVA et al., 2021).
Por fim, embora os estudos apresentem limitações metodológicas, como a restrição temporal do acompanhamento e o recorte geográfico das amostras, eles convergem ao indicar que a depressão na atenção primária exige estratégias de cuidado que transcendam o modelo biomédico. O futuro da pesquisa deve se voltar a modelos de intervenção integrados, capazes de avaliar a efetividade de ações que contemplem os determinantes sociais da saúde e a multimorbidade, garantindo um cuidado equitativo e resolutivo na realidade da atenção primária (ANGSTMAN et al., 2021; GANNEDAHL et al., 2024; MARTÍNEZ et al., 2017; SILVA et al., 2021).
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente investigação demonstra que o transtorno depressivo, quando identificado na atenção primária à saúde, está intimamente associado às desigualdades socioeconômicas e às condições de vulnerabilidade social que atravessam a realidade dos usuários. Nesse sentido, evidencia-se que indivíduos inseridos em contextos de maior privação apresentam maiores dificuldades de acesso, adesão e continuidade do cuidado, o que repercute em desfechos clínicos menos favoráveis. Dessa forma, torna-se imprescindível que as políticas públicas incorporem estratégias de integração entre saúde mental e assistência social, assegurando respostas mais equitativas e efetivas no enfrentamento da depressão.
Além disso, o estudo contribui para o fortalecimento da produção acadêmica voltada à atenção primária, ao sistematizar achados que evidenciam a complexidade do perfil dos pacientes com depressão. A análise dos fatores envolvidos favorece a formação crítica de profissionais de saúde, ao mesmo tempo em que reforça a centralidade da atenção primária como espaço de ensino, pesquisa e prática interdisciplinar. Desse modo, a integração entre evidências científicas e a realidade do território permite aprimorar o processo de ensino-aprendizagem e sustentar práticas assistenciais mais condizentes com as demandas da população.
Ademais, os resultados alcançados reforçam a importância científica de identificar fatores de risco associados à depressão, como comorbidades clínicas e determinantes sociais, a fim de subsidiar o aprimoramento de protocolos de rastreamento e manejo na rede de atenção primária. Ressalta-se, ainda, a necessidade de ampliar investigações que proponham intervenções integradas e longitudinais, voltadas especialmente a populações vulneráveis e com múltiplas condições de saúde. Nesse contexto, o presente estudo contribui para a consolidação de fundamentos científicos que orientem práticas inovadoras e fundamentam políticas públicas resolutivas em saúde mental.
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