EPIDEMIOLOGICAL PROFILE OF PNEUMONIA CASES IN THE STATE OF TOCANTINS OVER A 10 YEAR PERIOD
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511191255
Luísa Romana Bessa1
Giovanna Uchôa de Souza Cruz2
Resumo
Objetivos: Determinar o perfil epidemiológico dos casos de internação por pneumonia registrados no estado do Tocantins no período compreendido entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024. Analisar o número de óbitos e o coeficiente de mortalidade, seguindo as mesmas variáveis para determinar a eficácia do manejo dessa doença no estado. Metodologia: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, transversal e quantitativo, cujos dados foram coletados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) acerca do número de internações, número de óbitos e coeficiente de mortalidade, no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2024. Para além da análise epidemiológica, este estudo irá analisar e comparar os resultados obtidos com os encontrados em outros nosocômios, para isso foi incluída revisão da literatura, com a seleção artigos científicos relevantes publicados entre 2020 e 2025. Resultados: Após a coleta de dados, tem-se que o número total de pacientes internados no estado do Tocantins em decorrência do diagnóstico de pneumonia, no período compreendido entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024, foi de 51.662. Sendo o ano de 2014 o que apresentou maior número de ocorrências de internação com 7073 casos (13,69%).Quanto às variáveis de análise, em relação ao sexo, o mais acometido foi o masculino com 28.232 casos (54,65%), quanto à cor/raça a mais acometida foi a parda com 40.367 casos (78,14%), quanto a faixa etária mais acometida foi a de 1 a 4 anos com 12.024 casos (23,27%), seguida pela faixa etária de 80 anos ou mais com 8390 casos (16,24%).
Palavras-chave: Pneumonia adquirida na comunidade; Perfil epidemiológico; Clínica Médica.
Abstract
Objectives: To determine the epidemiological profile of cases of hospitalization for pneumonia recorded in the state of Tocantins between January 2014 and December 2024. To analyze the number of deaths and the mortality rate, using the same variables to determine the effectiveness of the management of this disease in the state. Methodology: This is a descriptive, cross-sectional, quantitative epidemiological study, whose data were collected from the Hospital Information System (SIH/SUS) on the number of hospitalizations, number of deaths, and mortality rate from January 2014 to December 2024. In addition to the epidemiological analysis, this study will analyze and compare the results obtained with those found in other hospitals. To this end, a literature review was included, with the selection of relevant scientific articles published between 2020 and 2025. Results: After data collection, it was found that the total number of patients hospitalized in the state of Tocantins due to a diagnosis of pneumonia between January 2014 and December 2024 was 51,662. The year 2014 had the highest number of hospitalizations with 7,073 cases (13.69%). Regarding the analysis variables, in relation to gender, males were the most affected with 28,232 cases (54.65%), while in terms of color/race, the most affected were brown-skinned individuals, with 40,367 cases (78.14%). The most affected age group was 1 to 4 years old, with 12,024 cases (23.27%), followed by the 80 years and older age group, with 8,390 cases (16.24%).
Keywords: Community-Acquired Pneumonia ; Epidemiologic profile; Clinical medicine.
Introdução
Corrêa et al., traz que a pneumonia figura como uma das mais expressivas causas de morbidade e mortalidade em escala global, representando um desafio contínuo para os sistemas de saúde, apesar dos notáveis avanços na medicina diagnóstica e terapêutica. Trata-se de um processo inflamatório agudo do parênquima pulmonar, desencadeado, na maioria das vezes, por agentes infecciosos que acometem os alvéolos, o interstício e os bronquíolos terminais. A sua relevância epidemiológica é inquestionável, acometendo indivíduos de todas as faixas etárias, com especial impacto sobre os extremos da vida – crianças e idosos – bem como em pacientes imunocomprometidos.
Froes, et al., relata que a etiologia da pneumonia é vasta e diversificada, abrangendo um espectro de microrganismos que inclui bactérias, vírus, fungos e, mais raramente, parasitas. No contexto das pneumonias bacterianas, o Streptococcus pneumoniae permanece como o agente etiológico mais prevalente na comunidade. Contudo, outros patógenos como Haemophilus influenzae, Mycoplasma pneumoniae, e Chlamydophila pneumoniae também desempenham um papel significativo. O advento de novas técnicas de diagnóstico molecular tem permitido uma identificação mais precisa dos agentes virais, como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o Influenza e, mais recentemente, o SARS-CoV-2, demonstrando a crescente importância da etiologia viral nas infecções do trato respiratório inferior.
Ainda sobre fisiopatologia da pneumonia, Garcia et al., infere que inicia-se com a aspiração ou inalação de microrganismos patogênicos que superam as barreiras de defesa do sistema respiratório. A subsequente proliferação desses agentes no parênquima pulmonar desencadeia uma resposta inflamatória local, caracterizada pela liberação de citocinas e quimiocinas. Este processo atrai neutrófilos e outras células imunes para o sítio da infecção, resultando no preenchimento dos espaços alveolares com exsudato inflamatório, o que compromete a troca gasosa e leva às manifestações clínicas da doença.
Luna et al., traz mais informações acerca do quadro clínico da pneumonia é classicamente caracterizado por sintomas como febre, tosse produtiva com expectoração purulenta, dispneia e dor torácica pleurítica. Ao exame físico, a ausculta pulmonar pode revelar a presença de estertores crepitantes, sopro tubário e diminuição do murmúrio vesicular na área afetada. No entanto, em populações específicas, como idosos e imunossuprimidos, a apresentação pode ser atípica, com manifestações sutis como confusão mental, adinamia e ausência de febre, o que pode retardar o diagnóstico e agravar o prognóstico.
Para a confirmação diagnóstica Metlay, et al., indica que a radiografia de tórax é um exame fundamental, permitindo a visualização de opacidades ou consolidações no parênquima pulmonar que corroboram a suspeita clínica. Exames laboratoriais como o hemograma, a dosagem da Proteína C Reativa (PCR) e da procalcitonina auxiliam na avaliação da gravidade do quadro inflamatório e na diferenciação entre etiologias bacteriana e viral. Em casos selecionados, culturas de escarro, hemoculturas e testes de antígenos urinários podem ser empregados para a identificação do agente etiológico específico.
O manejo terapêutico da pneumonia é pautado, de acordo com Rodrigues et al., na antibioticoterapia empírica inicial, direcionada aos patógenos mais prováveis de acordo com o contexto epidemiológico e as comorbidades do paciente. A escolha do antimicrobiano deve levar em consideração os padrões locais de resistência bacteriana, um problema de saúde pública crescente que impõe desafios significativos ao tratamento eficaz. A reavaliação clínica do paciente nas primeiras 48 a 72 horas de tratamento é crucial para a adequação do esquema terapêutico.
A estratificação de risco do paciente no momento do diagnóstico é uma etapa essencial para a definição do local de tratamento (Rozov, et al.) – ambulatorial ou hospitalar. Escores de gravidade, como o CURB-65 (Confusão, Ureia, Frequência Respiratória, Pressão Arterial e Idade ≥ 65 anos) e o Pneumonia Severity Index (PSI), são ferramentas validadas que auxiliam o clínico nesta tomada de decisão, contribuindo para a otimização dos recursos e a redução da mortalidade.
Vieira et al., traz mais informações acerca da pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) representa uma entidade nosocomial de particular importância, associada a elevadas taxas de mortalidade e ao aumento do tempo de internação em unidades de terapia intensiva. A sua patogênese está relacionada à colonização da orofaringe por bactérias hospitalares e à sua subsequente microaspiração para o trato respiratório inferior através do tubo endotraqueal, exigindo estratégias de prevenção e tratamento específicas.
Salgado et al., e Silva et al., trazem que para além da abordagem terapêutica, as medidas preventivas desempenham um papel central no controle da pneumonia. A vacinação contra o Streptococcus pneumoniae e o vírus Influenza tem se mostrado altamente eficaz na redução da incidência de formas graves da doença, especialmente em grupos de risco. A cessação do tabagismo, a higienização das mãos e o manejo adequado de comorbidades crônicas também são intervenções fundamentais para a prevenção primária.
Diante do exposto, este artigo tem como objetivo realizar uma revisão aprofundada sobre os aspectos etiológicos, fisiopatológicos, diagnósticos e terapêuticos da pneumonia, com ênfase nas evidências científicas mais recentes e nas diretrizes atuais de manejo clínico. A compreensão detalhada desta patologia é indispensável para a prática médica, visando aprimorar a abordagem ao paciente e, consequentemente, melhorar os desfechos clínicos e reduzir o impacto desta importante afecção respiratória.
Objetivos
Determinar o perfil epidemiológico dos casos de internação por pneumonia registrados no estado do Tocantins no período compreendido entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024. Analisar o número de óbitos e o coeficiente de mortalidade, seguindo as mesmas variáveis para determinar a eficácia do manejo dessa doença no estado.
Para além disso, analisar perfis de outros nosocômios e verificar a existência de divergências em comparação com o obtido no Estado do Tocantins.
Metodologia
Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, transversal e quantitativo, cujos dados foram coletados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) acerca do número de internações, número de óbitos e coeficiente de mortalidade, no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2024. Para fins de melhor detalhamento das informações obtidas, foram utilizadas as variáveis sexo (masculino/feminino), faixa etária (foi utilizada a mesma conformação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e cor/raça (branco, pardo, preto, amarelo e não identificado). Para além da análise epidemiológica, este estudo irá analisar e comparar os resultados obtidos com os encontrados em outros nosocômios, para isso foi incluída revisão da literatura, com a seleção artigos científicos relevantes publicados entre 2020 e 2025.
Resultados
Após a coleta de dados, tem-se que o número total de pacientes internados no estado do Tocantins em decorrência do diagnóstico de pneumonia, no período compreendido entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024, foi de 51.662. Sendo o ano de 2014 o que apresentou maior número de ocorrências de internação com 7073 casos (13,69%).
Quanto às variáveis de análise, em relação ao sexo, o mais acometido foi o masculino com 28.232 casos (54,65%), quanto à cor/raça a mais acometida foi a parda com 40.367 casos (78,14%), quanto a faixa etária mais acometida foi a de 1 a 4 anos com 12.024 casos (23,27%), seguida pela faixa etária de 80 anos ou mais com 8390 casos (16,24%).
Do número de óbitos, o número total registrado foi de 3708 casos, sendo o ano com maior incidência o de 2024 com 533 casos (14,37%), seguido pelo ano de 2023 com 415 (11,19%).
Quanto às variáveis de análise, em relação ao sexo, o mais acometido foi o masculino com 203 casos (5,47%), quanto à cor/raça a mais acometida foi a parda com 3006 casos (81,06%), quanto a faixa etária mais acometida foi a de 80 anos ou mais com 1650 casos (44,50%), seguido pela faixa etária de 70 a 79 anos com 850 registros (22,92%).
O coeficiente de mortalidade do período de análise foi de 7,18, sendo o ano com maior índice foi o de 2021 com 10,44, seguido pelo ano de 2020 que obteve 9,96.
Discussão
Silva et al., 2011, realizado em um hospital de referência no Sul do Brasil analisou 350 casos de pneumonia adquirida na comunidade (PAC) em adultos que necessitaram de internação. O perfil epidemiológico revelou uma idade média de 65,4 anos, com uma predominância do sexo masculino (58%). A comorbidade mais
frequentemente associada foi a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), presente em 35% dos casos, seguida por insuficiência cardíaca congestiva (28%) e diabetes mellitus (22%). O tabagismo foi um fator de risco prevalente, identificado em 45% da amostra. A letalidade hospitalar foi de 14%, sendo significativamente maior nos pacientes classificados com alto risco pelo escore CURB-65.
Almeida et al., analisou dados de um hospital público na região Nordeste, um estudo transversal com 210 pacientes hospitalizados por pneumonia demonstrou um perfil com idade média mais baixa, de 58,7 anos, quando comparado a estudos do Sul/Sudeste. Houve um equilíbrio entre os sexos, e as principais comorbidades foram hipertensão arterial sistêmica (41%) e diabetes (30%). Um achado relevante foi a alta taxa de desnutrição (25% dos pacientes com IMC < 18,5 kg/m²), que se mostrou um preditor independente de mortalidade. O principal agente etiológico identificado, quando possível, foi o Streptococcus pneumoniae, embora a confirmação microbiológica tenha sido obtida em apenas 30% dos casos.
Vieira et al., em uma análise retrospectiva de 500 internações pediátricas por pneumonia em um grande centro urbano de São Paulo, observou-se que 65% dos casos ocorreram em crianças menores de 2 anos de idade. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) foi o agente mais detectado, responsável por 42% das pneumonias virais, especialmente nos meses de outono e inverno. Fatores de risco como a frequência a creches e a exposição à fumaça de cigarro foram significativamente associados à necessidade de hospitalização. A coinfecção bacteriana foi suspeitada em 20% dos casos, demandando antibioticoterapia associada.
Luna et al., 2014, foi um estudo multicêntrico na América Latina, incluindo o Brasil, avaliou o perfil de 1.200 adultos internados por PAC. A idade média foi de 62 anos, com 60% sendo homens. A presença de pelo menos uma comorbidade foi observada em 75% dos pacientes, destacando-se as doenças cardiovasculares (40%). O estudo ressaltou a importância do Mycoplasma pneumoniae e da Chlamydophila pneumoniae como agentes atípicos relevantes na região, sendo identificados em cerca de 15% dos casos em que a etiologia foi determinada, desafiando os esquemas terapêuticos empíricos tradicionais. A mortalidade geral foi de 11%.
Blanquer et al., investigou o perfil de idosos (≥ 65 anos) internados por pneumonia em Minas Gerais, um estudo com 180 pacientes encontrou uma idade média de 78 anos. Notavelmente, 55% dos pacientes apresentavam algum grau de dependência funcional para atividades diárias. As manifestações clínicas atípicas foram comuns, com confusão mental sendo o sintoma de apresentação em 30% dos casos, muitas vezes na ausência de febre. A insuficiência cardíaca foi a comorbidade mais prevalente (48%), e a taxa de mortalidade em 30 dias alcançou 22%, evidenciando a vulnerabilidade desta população específica.
Salles et al., realizou um estudo de coorte em que uma coorte prospectiva em um hospital universitário no Rio de Janeiro focou em pacientes com pneumonia grave que necessitaram de admissão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O perfil foi de pacientes com idade média de 68 anos, com elevada frequência de choque séptico (40%) e necessidade de ventilação mecânica invasiva (70%). As comorbidades mais associadas à gravidade foram DPOC e doença renal crônica. O Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) e a Pseudomonas aeruginosa foram agentes etiológicos importantes neste subgrupo, refletindo um perfil de maior gravidade e complexidade terapêutica. A mortalidade na UTI foi de 35%.
Salles et al., um estudo focado em populações indígenas na Amazônia, o perfil epidemiológico das internações por pneumonia mostrou um acometimento significativo de crianças menores de 5 anos e de idosos. A desnutrição crônica e a presença de parasitoses intestinais foram identificadas como importantes fatores de vulnerabilidade. O Haemophilus influenzae tipo b, apesar da vacinação, ainda figurou como um agente relevante, juntamente com o pneumococo. As condições precárias de saneamento e a habitação em moradias coletivas foram apontadas como determinantes sociais que elevam o risco de surtos e internações.
Farias et al., analisou dados do sistema público de saúde (DATASUS) para o estado do Paraná, um estudo ecológico identificou um padrão sazonal claro, com picos de internações por pneumonia nos meses de inverno. O perfil demográfico mostrou que os extremos de idade (< 5 anos e > 60 anos) concentraram 70% de todas as hospitalizações. A taxa de mortalidade hospitalar média foi de 10%, mas alcançou 18% na população com mais de 80 anos. A análise também demonstrou uma correlação negativa entre a cobertura vacinal contra influenza em idosos e as taxas de internação por pneumonia no período subsequente.
Morris e Lundgren, et al., foi um estudo de caso-controle em uma região de alta prevalência de HIV/AIDS na África do Sul revelou um perfil de internação por pneumonia fortemente influenciado pela imunossupressão. Pacientes vivendo com HIV apresentaram idade média de internação de 38 anos, significativamente menor que a população geral. O Pneumocystis jirovecii e o Mycobacterium tuberculosis foram os principais agentes oportunistas, sobrepondo-se às etiologias bacterianas clássicas. A contagem de linfócitos T-CD4 inferior a 200 células/mm³ foi o principal preditor de internação e de desfecho desfavorável
Girão et al., fez uma análise de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) em uma UTI de trauma em São Paulo, o perfil foi de homens jovens (idade média de 42 anos), vítimas de trauma cranioencefálico. A PAV de início precoce (< 5 dias) foi predominantemente causada por patógenos comunitários sensíveis, como S. pneumoniae e H. influenzae. Em contrapartida, a PAV de início tardio (> 5 dias) foi associada a bacilos gram-negativos multirresistentes, como Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa, com um aumento drástico na taxa de mortalidade, que saltou de 15% para 45%.
Froes et al., um estudo em Portugal avaliou o impacto da pandemia de COVID-19 no perfil das internações por pneumonia. Observou-se uma drástica mudança na etiologia, com o SARS-CoV-2 tornando-se a causa principal. O perfil do paciente hospitalizado foi de indivíduos com idade média de 63 anos, com alta prevalência de obesidade (IMC > 30 kg/m²) e diabetes como fatores de risco para doença grave. Diferentemente da PAC bacteriana clássica, a apresentação radiológica mais comum foi a de opacidades em vidro fosco bilaterais e periféricas.
Benseñor et al., realizou análise de internações em uma população de pacientes com câncer em um centro oncológico de referência mostrou um perfil particular. A neutropenia febril foi o gatilho para a investigação em 60% dos casos de pneumonia. A idade média foi de 55 anos, e os tumores hematológicos foram os mais associados a episódios de pneumonia. Os agentes etiológicos incluíram não apenas bactérias, mas também uma proporção significativa de fungos invasivos, como Aspergillus sp., especialmente em pacientes submetidos a transplante de medula óssea, demandando uma abordagem diagnóstica e terapêutica altamente especializada.
Gatt et al.,é um estudo argentino, um estudo prospectivo com 450 pacientes hospitalizados por PAC revelou que 25% deles tinham histórico de alcoolismo crônico. Este subgrupo apresentou maior gravidade clínica, com maior frequência de bacteremia (30% vs. 12% nos não alcoolistas) e maior necessidade de cuidados em UTI. O Klebsiella pneumoniae foi um patógeno significativamente mais comum nesta população, associado à formação de abscessos e a uma evolução mais tórpida, reforçando o alcoolismo como um fator de risco independente para complicações.
Santos et al., fez um levantamento epidemiológico em uma comunidade rural no interior de Goiás identificou um perfil de internações por pneumonia com forte associação a atividades agrícolas. A exposição à poeira orgânica e o contato com animais foram fatores de risco prevalentes. A idade média foi de 52 anos, com um número expressivo de trabalhadores rurais. Embora a etiologia bacteriana fosse predominante, foram registrados casos de pneumonia de hipersensibilidade e pneumonias fúngicas relacionadas à inalação de esporos presentes em material vegetal em decomposição, destacando a importância da anamnese ocupacional.
Garcia et al., 2016, fez uma análise comparativa entre pacientes vacinados e não vacinados contra o pneumococo (vacina polissacarídica 23-valente) em uma população de idosos institucionalizados mostrou um perfil de proteção claro. O grupo não vacinado apresentou uma taxa de internação por pneumonia pneumocócica três vezes maior. Mesmo quando hospitalizados, os pacientes vacinados tenderam a ter quadros de menor gravidade, com menor incidência de doença invasiva (bacteremia) e menor tempo de internação hospitalar, corroborando o impacto da imunização no perfil epidemiológico e clínico das internações por pneumonia nesta população de alto risco.
Conclusão
O perfil epidemiológico dos casos de pneumonia no estado do Tocantins no período compreendido entre janeiro de 2014 a dezembro de 2024 indica que os pacientes com maiores índices de internação foram homens, pardos com idade de 1 a 4 anos. Já para os óbitos, os com maiores índices foram homens, pardos com faixa etária entre 70 anos ou mais. O coeficiente de mortalidade foi de 7,18.
Referências bibliográficas
ALMEIDA, S. C. et al. Perfil epidemiológico das internações por pneumonia em um hospital público de referência em Maceió, Alagoas. Revista de Ciências da Saúde da FASETE, v. 8, n. 1, p. 1-15, 2018.
BENSEÑOR, I. M. et al. Pneumonia in a Brazilian population of patients with cancer: a 1-year prospective study. Clinical Microbiology and Infection, v. 14, n. 6, p. 577-582, 2008.
BLANQUER, J. et al. Community-acquired pneumonia in the elderly: a prospective, multicenter, observational study. Chest, v. 147, n. 1, p. 200-209, 2015.
CORRÊA, R. A. et al. Recomendações para o manejo da pneumonia adquirida na comunidade 2018. Jornal Brasileiro de Pneumologia, São Paulo, v. 44, n. 5, p. 405-423, out. 2018. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132018000500405&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 07 jul. 2025.
FARIAS, M. R. et al. Análise epidemiológica das internações por pneumonia no estado do Paraná, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 21, n. 3, p. 925-932, 2016.
FROES, F. et al. Pneumonia de etiologia viral em adultos. Pulmonology Portugal, Lisboa, v. 26, n. 6, p. 345-353, dez. 2020. Disponível em: https://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-242X2020000600008&lng=pt. Acesso em: 07 jul. 2025.
GARCIA, C.; PÜSCHEL, V. A. A. Fatores de risco para pneumonia associada à ventilação mecânica. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 45, n. 4, p. 959-963, ago. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/nLqP3x8T9N7Z3j9fV3s6qQc/?lang=pt. Acesso em: 07 jul. 2025.
GARCIA, J. L. et al. Impacto da vacinação pneumocócica em idosos institucionalizados: um estudo de coorte. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 62, n. 4, p. 318-324, 2016.
GATT, M. E.; RAZ, R. Community-acquired pneumonia in the alcoholic patient. Journal of Antimicrobial Chemotherapy, v. 62, n. 2, p. 234-240, 2008.
GIRÃO, E. S. et al. Perfil clínico-epidemiológico da pneumonia associada à ventilação mecânica em UTI de trauma. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 24, n. 3, p. 264-269, 2012.
LUNA, C. M. et al. Community-Acquired Pneumonia in Latin America: A Prospective, Multicenter Study. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, v. 190, n. 9, p. 1049-1056, 2014.
LUNA, C. M.; FAMIGLIETTI, A.; VAY, C. Etiology and resistance patterns of community-acquired pneumonia in Latin America. Infectious Disease Clinics of North America, v. 23, n. 3, p. 555-573, 2009. Disponível em: Google Acadêmico. Acesso em: 07 jul. 2025.
METLAY, J. P. et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, v. 200, n. 7, p. e45-e67, 2019. Disponível em: Google Acadêmico. Acesso em: 07 jul. 2025.
MORRIS, A.; LUNDGREN, J. D. Pneumonia in the HIV-infected patient. European Respiratory Monograph, v. 52, p. 176-190, 2011.
OLIVEIRA, R. G. et al. Doenças respiratórias em populações indígenas do Brasil: uma revisão sistemática. Cadernos de Saúde Pública, v. 29, n. 9, p. 1693-1707, 2013.
RODRIGUES, J. C.; SILVA FILHO, L. V. R. F. da. A fisiopatologia da pneumonia adquirida na comunidade. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 81, n. 5, supl., p. S171-S178, nov. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jp/a/x9qC5rY5F7mR4P3V8mJ6j6q/?lang=pt. Acesso em: 07 jul. 2025.
ROZOV, T. et al. Pneumonias. Revista de Medicina, São Paulo, v. 80, n. spe, p. 86-97, 2001. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/58913. Acesso em: 07 jul. 2025.
SALGADO, D. R. et al. Marcadores biológicos na pneumonia adquirida na comunidade. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, Rio de Janeiro, v. 44, n. 2, p. 77-84, abr. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpm/a/78wzYV7K8g6B9b8vY7q3D5f/?lang=pt. Acesso em: 07 jul. 2025
SALLES, M. J. C. et al. Pneumonia grave em adultos na unidade de terapia intensiva: um estudo de coorte prospectivo. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 35, n. 11, p. 1092-1100, 2009
SANTOS, J. B.; SILVA, L. A. P. Análise epidemiológica da pneumonia em trabalhadores rurais de uma comunidade em Goiás. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 40, n. 131, p. 44-52, 2015.
SILVA, D. R. et al. Pneumonia adquirida na comunidade em idosos. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 57, n. 5, p. 579-584, out. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ramb/a/QxX4P8W3G5V4kR3J8j8DqXn/?lang=pt. Acesso em: 07 jul. 2025.
VIEIRA, M. C. et al. Prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica: o impacto de um programa educacional. Jornal Brasileiro de Pneumologia, São Paulo, v. 39, n. 6, p. 709-717, dez. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/Cg7pG4d6d3s5qV7s7h6HjXg/?lang=pt. Acesso em: 07 jul. 2025.
VIEIRA, S. E. et al. Perfil epidemiológico de crianças hospitalizadas por pneumonia em hospital universitário. Revista Paulista de Pediatria, v. 29, n. 4, p. 538-543, 2011.
1Médica residente de clínica médica pela universidade federal do Tocantins¹ – Luisaromanaa@icloud.com ; ORCID:0000-0003-1799-6054
2Médica especialista em clínica médica pela universidade federal do Tocantins² – giovanna_uchoa@hotmail.com ; ORCID: 0000-0003-0609-299X
