PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS FRATURAS DE FÊMUR EM SÃO LUÍS E NO MARANHÃO NO ANO DE 2024

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512132104


Melissa Maria Medeiros de Morais
Orientadora: Profa. Dra. Jacira do Nascimento Serra


RESUMO

Introdução: O envelhecimento populacional é uma tendência mundial, observada tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Junto com o aumento da expectativa de vida, observa-se uma maior predisposição a fatores de vulnerabilidade, intrínsecos e extrínsecos. As fraturas de fêmur aumentam significativamente a morbimortalidade em idosos, figurando entre as maiores causas de hospitalização e culminando em perda de autonomia e qualidade de vida, além de representarem também sobrecarga de custos para o sistema de saúde. Objetivo: O presente trabalho objetiva analisar o perfil de fraturas de fêmur ocorridas no ano de 2024 no  município de São Luís e no estado do Maranhão, comparando os dados de ambos. Métodos: Utilizaram-se dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), referentes a fraturas de fêmur em São Luís e no Maranhão em 2024. Levou-se em consideração informações referentes à ocorrência destes desfechos em pacientes com 60 anos ou mais, avaliando diferenças entre sexo, cor e raça, faixa etária, caráter do atendimento e meses do ano, no que tange às internações, dias e média de permanência hospitalar, óbitos e taxa de mortalidade e valor total gasto. Resultados: Constatou-se que o tempo de internamento, a mortalidade e os gastos em São Luís e no Maranhão foram maiores entre o gênero feminino, a faixa etária acima dos 80 anos, a cor/raça parda e os atendimentos de urgência. Conclusão: Necessita-se de políticas públicas voltadas para a prevenção e a reabilitação neste contexto, mitigando os principais fatores de risco associados.

Palavras-chave: Fraturas de Fêmur, Idosos, Epidemiologia.

ABSTRACT

Background: Population aging is a global phenomenon observed in both developed and developing countries. With increasing life expectancy, older adults become more predisposed to intrinsic and extrinsic vulnerability factors. Femoral fractures are among the leading causes of hospitalization in this population, significantly increasing morbidity and mortality, reducing autonomy and quality of life, and imposing a considerable financial burden on healthcare systems. Objective: To analyze the profile of femoral fractures that occurred in 2024 in the municipality of São Luís and in the state of Maranhão, comparing data from both. Methods: Data were obtained from the Department of Information and Informatics of the Unified Health System (DATASUS) regarding femoral fractures in São Luís and Maranhão in 2024. Patients aged 60 years or older were included. Variables analyzed comprised sex, race/color, age group, type of care, and month of occurrence, in relation to hospitalizations, length and average duration of hospital stay, deaths, mortality rate, and total expenditure. Results: Hospitalization time, mortality, and healthcare costs were higher among females, patients aged over 80 years, individuals of mixed race (parda), and emergency care cases in both São Luís and Maranhão. Conclusion: Public health policies focused on prevention and rehabilitation are essential to mitigate the main risk factors associated with femoral fractures in the elderly population.

Keywords: Femoral fractures, Elderly, Epidemiology.

INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é uma tendência mundial, observada tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. A Organização Mundial de Saúde (OMS), no relatório intitulado Ageing and health de 2024, destacou que o número de pessoas acima de 60 anos ultrapassou o número de crianças abaixo de 05 anos no ano de 2020. Estimou-se que, em 25 anos, 80% da população idosa estará vivendo em nações de média e baixa renda.¹ De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, as pessoas com 65 anos ou mais corresponderam a pouco mais de 22 milhões, enquanto as com idade maior ou igual a 60 anos totalizaram 32 milhões, correspondendo a 15,6% dos brasileiros. Das regiões brasileiras, o Sudeste e o Sul são as regiões com maior percentual de indivíduos sexagenários em diante, ambas com 17,6%. O Nordeste e o Centro-Oeste vêm em seguida, com 14,5% e 13,2%, respectivamente.² Esse fenômeno é justificado pela combinação da queda das taxas de fecundidade e da maior expectativa de vida, em virtude de melhorias socioeconômicas e nos cuidados em saúde³.

Junto com o aumento da expectativa de vida, observa-se uma maior predisposição a fatores de vulnerabilidade, intrínsecos e extrínsecos. Destes últimos, destacam-se as quedas, sendo não apenas a maior causa de óbito relacionado a trauma em idosos como também uma das razões de perda de funcionalidade mais reversíveis nesta população.⁴ Isto se justifica pelas alterações decorrentes do envelhecimento, como a redução da capacidade de responder a uma mudança de equilíbrio, por comprometimento neuromuscular e funcional. Somam-se a isto a fragilidade, a sarcopenia e a baixa densidade óssea, comemorativos que aumentam a chance de quedas e de desfechos adversos posteriores.⁵ A prevalência de queda em idosos residentes em áreas urbanas brasileiras foi de 25%, de acordo com a edição 2019-2021 do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil).⁶ Segundo este, os fatores mais associados às quedas foram sexo feminino, idade maior ou igual a 75 anos, medo de cair especialmente em locais públicos pelas condições inadequadas das vias, artrite, diabetes e depressão. ⁶

Estima-se que cerca de 33% dos indivíduos com 65 anos ou mais caem pelo menos uma vez por ano, e em 50% destes há recorrência.⁷ A síndrome pós-queda engloba o medo de tornar a cair culminando em limitação de atividades físicas e tendência ao sedentarismo, o que implica em maior chance de um novo caso.⁷ O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) calcula que, dentre os idosos a partir da nona década de vida, 2/5 caiam anualmente, chegando a 50% entre moradores de instituições de longa permanência (ILPIs).⁸

Neste cenário, a osteoporose desponta como uma patologia crítica, em que há uma deterioração da massa óssea e de sua arquitetura, aumentando a possibilidade dos pacientes acometidos caírem. A principal consequência destes eventos são as fraturas, variando de traumas leves a incapacitantes, podendo ainda ser letais. A Agência Brasil e a International Osteoporosis Foundation trouxeram em suas publicações recentes que 33% das mulheres estão susceptíveis a fraturas osteoporóticas, sendo estas 1/3 brancas a partir da sétima década de vida e metade das idosas acima de 75 anos. Nos homens, a probabilidade cai para 20% a partir dos quinquagenários, respondendo também por 1/5 a 1/3 das fraturas de quadril.⁹

As fraturas de fêmur aumentam significativamente a morbimortalidade em idosos, figurando entre as maiores causas de hospitalização. São catalisadoras da perda de autonomia, por vezes já iniciada em função de outras patologias. O manejo, em grande parte dos casos, é cirúrgico, com alta taxa de morte e incapacidade no primeiro ano após o procedimento. Demandam longas e frequentes internações e reabilitação constante, com apenas 2/5 a 3/5 conseguindo retomar a funcionalidade prévia ao evento. Ressalta-se ainda a repercussão destes dados para o sistema de saúde, que desprende grande quantidade de recursos para sanar esta necessidade. ¹⁰

Considerando a problemática em questão, o presente trabalho objetiva analisar o perfil de fraturas de fêmur ocorridas no ano de 2024 no estado do Maranhão, comparando os dados da capital – São Luís – com os da unidade federativa. Levou-se em consideração informações referentes à ocorrência destes desfechos em pacientes com 60 anos ou mais, avaliando diferenças entre sexo, cor e raça, faixa etária, caráter do atendimento e meses do ano, no que tange às internações, dias e média de permanência hospitalar, óbitos e taxa de mortalidade e valor total gasto.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, observacional, retrospectivo e com análises quantitativa e qualitativa, elaborado a partir de dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Coletou-se dados referentes a casos de fratura de fêmur em pacientes idosos ocorridos no ano de 2024 no estado do Maranhão e em seus municípios.

As informações foram obtidas no mês de maio de 2025, acessando o site do DATASUS, seguindo o fluxograma: “Epidemiológicos e Morbidade” > “Morbidade Hospitalar” > “Morbidade geral por local de internação a partir de 2008” > Localidade: Maranhão > Capítulo CID-10: XIX Lesões envenenamentos e algumas outras causas externas > Lista de morbidades CID-10: Fratura de fêmur. A faixa etária incluiu pacientes a partir dos 60 anos. As variáveis analisadas foram internações, óbitos, taxa de mortalidade, dias e média de permanência hospitalar e valor total gasto, quantificadas pelas categorias de sexo, cor e raça, caráter da avaliação, mês e ano de atendimento.

Os achados foram registrados em tabelas no software Microsoft Excel, cujas linhas foram os municípios maranhenses e as colunas, as categorias descritas acima. Para o estudo em questão, o enfoque foi na capital maranhense (São Luís), em comparação ao do estado como um todo. Os dados encontrados foram descritos em valores absolutos (exceto a taxa de mortalidade e a média de permanência) e relativos, sendo estes calculados comparando-se o quantitativo da variável na categoria em questão com o total daquela no estado e no município supracitado. Correlacionou-se o obtido com a literatura correspondente, cujo acesso se deu a partir da plataforma Google acadêmico.

Por se tratar de um trabalho elaborado com elementos fornecidos por um meio público de consulta (SIH/DATASUS), não foi necessária a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, em consonância com o Artigo 1º da Resolução 510/16 do Conselho Nacional de Saúde. Não houve financiamento do projeto.

RESULTADOS

No ano de 2024, foram registrados 1225 internamentos por fratura de fêmur no Maranhão, sendo 361 destes em São Luís (29,4%). O gráfico 1 ilustra a distribuição destes ao longo do ano. A faixa etária mais acometida foi a dos maiores de 80 anos, com 526 (42,9%) internados no estado e 147 (40,7%) na capital. As mulheres corresponderam a 848 hospitalizações (69,2%) no Maranhão e a 253 (70%) em São Luís.  Os pacientes internados se identificaram em sua grande maioria como pardos, perfazendo 1185 (96,7%) no estado e 361 no município (96,4%). A tabela 1 traz os dados relativos às internações segundo sexo, raça e faixa etária. O mês de janeiro de 2024 obteve mais internamentos, totalizando 125 (10,2%) na unidade federativa e 44 (35,2%) na metrópole ludovicense. A maior quantidade de admissões fora em contexto de urgência, sendo 966 (78,9%) no estado e 217 (60,1%) na capital.

Gráfico 1 – Internamentos por fratura de fêmur no ano de 2024 em São Luís e no Maranhão. Fonte: SIH/DATASUS.
 São LuísMaranhão 
Internações por sexo %
Masculino10829,937730,8%
Feminino25370,184869,2%
Total36170,01.225100,0
Internações por cor/raça  
Branca123,3272,2%
Preta10,3110,9%
Parda34896,41.18596,7%
Amarela20,220,2%
Internações por faixa etária  
60 a 69 anos8924,726021,2%
70 a 79 anos12534,643935,8%
80 anos ou mais14740,752642,9%
Total36140,71.225100,0
Tabela 1 – Internações por sexo, cor/raça e faixa etária no ano de 2024 em São Luís e no Maranhão. Fonte: SIH/DATASUS


Em relação aos dias de internamento por fratura de fêmur, observou-se que foram 13.213 no Maranhão e 4729 em São Luís (gráfico 2) . Os procedimentos emergenciais demandaram mais tempo de permanência hospitalar, sendo 2898 (61,3%) no município e 10.387 (78,8%) no estado. Os idosos octogenários, nonagenários e centenários demandaram mais dias internados, tanto na capital (2104 – 44,6%) como na unidade federativa (5602 – 42,3%), assim como as mulheres (3271 – 76,4% naquela e 9116 – 69% nesta). A população parda obteve maior tempo de internamento, com 12596 dias no estado e 4632 dias na metrópole ludovicense (98% para ambos), sendo janeiro o período com maior número de dias de estadia nosocomial para federação e município (1421 – 10,8% e 715 – 15,1%, respectivamente).

Gráfico 2 – Dias de internamento por fratura de fêmur em São Luís e no Maranhão em 2024. Fonte: SIH/DATASUS.

No tocante à média de internamento por fratura femoral, encontrou-se 10,8% para o estado e 13,1% para a capital, sendo as admissões de urgência em maior quantitativo nesta (13,4%) e as eletivas naquele (10,9%). Os idosos na sétima década de vida obtiveram maior proporção na unidade federativa (11,2%), enquanto os da nona destacaram-se no município (14,3%). Tanto no Maranhão como em São Luís, os homens mantiveram maior média (10,9% e 13,5%), tal qual os pacientes identificados como pardos (10,9% e 13,3%). Enquanto janeiro pontuou mais internações na metrópole ludovicense (16,3%), agosto atingiu marca semelhante no estado (12,7%).

Quanto ao número de óbitos por fratura femoral em 2024, foram 57 registrados no Maranhão, sendo 19 (33,3%) em São Luís, com detalhamento por meses do ano evidenciado no gráfico 3. Os idosos a partir da nona década de vida somaram 38 (66,6%) mortes no estado e 14 (73,6%) na capital. Contabilizou-se 37 (64,9%) falecimentos do sexo feminino no Maranhão e 14 (73,6%) em São Luís. Todos os pacientes que foram a óbito no município se consideravam pardos e apenas um no estado se considerou branco. A tabela 2 detalha os falecimentos descritos acima. Maio foi o mês em que mais observou-se mortes, sendo 7 (12,2%) na unidade federativa e 4 (21%) na metrópole ludovicense. Houve mais falecimentos nos procedimentos de urgência, com 48 (84%) no estado e 14 (73,9%) na capital.

Gráfico 3 – Óbitos por fratura de fêmur por mês em 2024 em São Luís e no Maranhão. Fonte: SIH/DATASUS. 
Tabela 2 – Óbitos por fratura de fêmur por sexo, cor e faixa etária em 2024 em São Luís e no Maranhão. Fonte: SIH/DATASUS.

A taxa de mortalidade por fratura de fêmur foi de 4,66% no estado do Maranhão e de 5,26% em São Luís. Os pacientes com 80 anos ou mais atingiram 7,22% na unidade federativa e 9,52% na capital, sendo a faixa etária com maiores índices. As mulheres obtiveram maior proporção de óbitos na metrópole ludovicense e os homens no estado, correspondendo a 5,5% e 5,3%, respectivamente. Detectou-se maior índice de falecimento dentre os pardos tanto em São Luís (5,5%) quanto no Maranhão (4,73%). O mês de maior razão de mortalidade no estado foi abril (7,23%), marca alcançada no munícipio em outubro e novembro, ambos com 12,5%. As urgências contribuíram com a maior parte da taxa em voga, respondendo por 6,45% na capital e 4,97% no estado.

O valor total gasto em função de fraturas femorais foi de R$ 2.930.904,00 no Maranhão e R$ 1.518.113,00 em São Luís (gráfico 4), sendo as abordagens de emergências mais onerosas que as eletivas para capital e estado – R$ 861.904,60 (56,7%) e R$ 1.995.292,00 (68,1%), respectivamente. Os gastos foram maiores na população maior ou igual a 80 anos, correspondendo a R$ 693.111,70 (45,7%) na metrópole ludovicense e R$ 1.272.278,73 (43,3%) na unidade federativa. As pacientes do sexo feminino requereram maiores custos, com R$ 2.051.190,97 (70%) no estado e R$ 1.065.091,01 (70,2%) no município. De modo semelhante ocorreu com os que se identificaram como pardos, totalizando R$ 2.870.638,25 (97,8%) dos gastos estatais e R$ 1.469.005,73 (96,8%) dos municipais. Janeiro somou maiores despesas tanto para São Luís (R$ 207.229,49 – 13,7%) como para o Maranhão (R$ 303.093,28 – 10,3%).

Gráfico 4 – Gasto total por fraturas de fêmur em São Luís e no Maranhão em 2024. Fonte: SIH/DATASUS.   

DISCUSSÃO

Analisando o levantamento descrito acima, constata-se que o número de internamentos, os dias de internamento e média de internamentos em São Luís e no Maranhão foi maior entre o gênero feminino, a faixa etária acima dos 80 anos, a cor/raça parda e os atendimentos de urgência. Trabalhos semelhantes na literatura evidenciaram tais achados, a exemplo de um estudo publicado em 2024 que analisou o perfil epidemiológico de internações por fratura de fêmur no Brasil entre 2019 e 2023, ressaltando a preponderância destas entre mulheres, pardos, nona década de vida e contextos urgenciais. ¹¹

Um artigo de 2022 que levantou o perfil dos idosos internados por fratura de fêmur no Brasil observou também que as hospitalizações foram maiores no sexo feminino e nos maiores de 80 anos.¹² Isto se justifica pela maior ocorrência de osteoporose no gênero em questão, comorbidade intimamente relacionada à ocorrência de fraturas.9,11,12 O envelhecimento é outro fator que impacta na massa óssea, levando a um maior desgaste desta, em razão de alterações nos âmbitos hormonais, fisiológicos e inflamatórios.11,13

O estudo de 2024 também constatou que os indivíduos identificados como pardos foram os mais internados por fraturas femorais, enquanto o de 2022 observou o mesmo para os brancos, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul, nas quais esta população é maioria.11,12 Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm quantidade maior de pessoas pardas, consequentemente, tendo mais pacientes desta raça hospitalizados.¹² Este é um reflexo do aumento desta população, destacada como maioria no Brasil e no estado do Maranhão, de acordo com o último censo do IBGE, em 2022.¹⁴

O quantitativo de óbitos e a taxa de mortalidade encontrados em São Luís e no Maranhão seguiu a mesma lógica das hospitalizações: maior em mulheres, idosos a partir da nona década de vida, pardos e contexto de urgência. Uma pesquisa conduzida entre 2020 e 203, que objetivava detalhar o perfil epidemiológico de mortes por fratura de fêmur na região Norte brasileira, encontrou 51,8% de mortalidade para os acima de 80 anos, 71% para os pardos e 54,96% para as mulheres. 15 Embora o número de falecimentos por fratura de fêmur tenha sido maior no sexo feminino, observou-se que a taxa de mortalidade do sexo masculino foi maior no estado. Achado semelhante foi encontrado em um estudo desenvolvido no Paraná entre 2017 e 2023, com proporção de óbitos maior nos homens (6% versus 5,1%).16                            

Um trabalho desenvolvido no Brasil entre 2008 e 2012 constatou que 67,5% dos casos de fratura de fêmur foram em mulheres, com achados semelhantes descritos em outros artigos, tais como um elaborado nos Estados Unidos entre 2000 e 2005, com idosos usuários do Medicare, em que os homens foram menos acometidos. 17,18 Na Europa, um estudo norueguês realizado com pacientes hospitalizados por fratura de fêmur entre 2004 e 2005 evidenciou mais casos no sexo feminino (71,5%) que no sexo masculino (28,5%); de modo semelhante, um trabalho constatou que, na Inglaterra, as taxas anuais de fratura de fêmur em mulheres são quase três vezes maiores que em homens.19,20 Um artigo sul-coreano de 2003 constatou também que o sexo feminino respondeu por 70,2% das fraturas de fêmur, em contrapartida aos 29,8% do masculino.21 Uma pesquisa indiana trouxe que a incidência de fratura de fêmur vai aumentando gradativamente com a partir dos 50 anos tanto em homens como em mulheres, no entanto, mantendo a preponderância de casos femininos.22                 

O dispêndio monetário nas fraturas de fêmur é significativo, ultrapassando R$ 1 milhão de reais na capital ludovicense e R$ 2 milhões no estado, sendo os maiores contribuintes para tais valores o gênero feminino, a faixa etária de 80 anos ou mais, a raça parda e as ocorrências de urgência. Entre 2008 e 2018, o custo total implicado neste contexto no Brasil foi de R$ 99.718.574,30, de acordo com um artigo publicado em 2020.23 Uma pesquisa também brasileira realizada entre 2007 e 2016 encontrou uma média de anual de gasto de mais de 85 milhões de reais.24  Um outro trabalho realizado entre 2015 e 2020 constatou que houve diferença nos gastos relacionados à fratura de fêmur entre as regiões brasileiras, sendo maiores no Sudeste e no Sul.25

A principal limitação deste estudo é a probabilidade de subnotificação dos registros, que compromete a real dimensão do impacto das fraturas femorais. Todavia, fica evidente o quanto se fazem necessárias medidas para prevenção deste agravo, que tanto repercute na qualidade de vida dos idosos e no sistema de saúde.

CONCLUSÕES

O trabalho em questão evidencia que as fraturas de fêmur em São Luís e no Maranhão no ano de 2024 ocorreram mais frequentemente nas idosas pardas acima de 80 anos, em contextos de urgência, com altas taxas de mortalidade, internações prolongadas e alto custo financeiro. Urge a elaboração de políticas públicas voltadas para a prevenção e a reabilitação neste contexto, entendendo e mitigando os principais fatores de risco associados, a fim de reduzir o comprometimento da qualidade de vida destes pacientes e a sobrecarga do sistema de saúde.

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