PHYSIOTHERAPISTS’ PERCEPTION OF THE KANGAROO METHOD IN A NEONATOLOGY UNIT IN THE SERTÃO PARAÍBA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511121300
Nair Serafim Missiano1
Társila Natalia Simões de Silva Medeiros2
Sara Raquel da Silva Sousa3
Maria Euzarene Guimarães Sobrinha4
Ana Caroline Queiroz Trigueiro5
Orientadora: Prof. Me. Laysa Gabrielle Silva Medeiros6
Resumo
O Método Canguru (MC) é uma prática humanizada que prioriza o contato pele a pele entre mãe, pai e recém-nascido, fortalecendo o vínculo afetivo, estimulando a amamentação e favorecendo o desenvolvimento saudável. Este estudo teve como objetivo investigar a percepção de fisioterapeutas sobre a aplicação e os impactos do MC em uma maternidade pública do Sertão Paraibano, além de caracterizar o perfil profissional desses fisioterapeutas. Tratou-se de uma pesquisa exploratória e descritiva, de abordagem quanti-qualitativa, realizada com 10 fisioterapeutas atuantes nos setores de UTIN, UCINco e UCINCa. Os resultados apontaram que todos os participantes conheciam o Método Canguru e o consideravam muito importante, embora apenas 60% tivessem recebido treinamento específico. O método é aplicado regularmente em todas as unidades, sendo bem estruturado para 70% dos profissionais, enquanto 30% relataram dificuldades. Entre os benefícios, destacam-se a redução do estresse neonatal e o fortalecimento do vínculo afetivo (100%), além de melhora no desenvolvimento motor e estabilização térmica (90%). Para os pais, observou-se maior participação nos cuidados, redução da ansiedade e aumento do bem-estar emocional (100%), com sensação de controle em 90%. Como desafios, os fisioterapeutas mencionaram a falta de treinamento, recursos e espaço adequados, resistência da equipe e dificuldade de adesão dos pais. Conclui-se que o Método Canguru é amplamente reconhecido pelos fisioterapeutas como prática humanizada e eficaz, com impactos positivos no recém-nascido e na família, mas sua consolidação plena ainda requer capacitação profissional, melhores condições estruturais e maior integração da equipe de saúde.
Palavras-chave: Método Canguru. Neonatologia. UCIN. Fisioterapeuta.
ABSTRACT: The Kangaroo Method (KM) is a humanized practice that prioritizes skin-toskin contact between mother, father, and newborn, strengthening emotional bonding, stimulating breastfeeding, and promoting healthy development. This study aimed to investigate physical therapists’ perceptions regarding the application and impacts of the KM in a public maternity hospital in the Sertão region of Paraíba, as well as to characterize the professional profile of these therapists. It was an exploratory and descriptive study, with a quantitative-qualitative approach, conducted with 10 physical therapists working in the NICU, UCINco, and UCINCa sectors. The results indicated that all participants were familiar with the Kangaroo Method and considered it highly important, although only 60% had received specific training. The method is regularly applied in all units, being considered well-structured by 70% of the professionals, while 30% reported difficulties. Among the benefits, the following stood out: reduction of neonatal stress and strengthening of emotional bonding (100%), as well as improvement in motor development and thermal stabilization (90%). For parents, greater involvement in care, reduced anxiety, and improved emotional well-being (100%) were observed, along with a sense of control (90%). As challenges, physical therapists mentioned the lack of training, inadequate resources and space, staff resistance, and difficulties with parental adherence. It is concluded that the Kangaroo Method is widely recognized by physical therapists as a humanized and effective practice, with positive impacts on both the newborn and the family; however, its full consolidation still requires professional training, better structural conditions, and greater integration of the healthcare team.
Keywords: Kangaroo Method. Neonatology. NICU. Physical therapist salary.
1. INTRODUÇÃO
O Método Canguru (MC) é um modelo de atenção perinatal que integra cuidados humanizados e estratégias biopsicossociais, promovendo o envolvimento da família nos cuidados ao recém-nascido. Seu principal recurso é o contato pele a pele, iniciado precocemente e de forma gradual, que começa de forma precoce e crescente desde o toque evoluindo até a posição canguru (Ministério da Saúde, 2017).
O nascimento prematuro de uma bebê causa mudanças emocionais em toda a família, particularmente na mãe, resultando na mais conhecida depressão pós-parto, que traz ansiedade, tristeza, sentimento de impotência e culpa. A mãe pode até mesmo abandonar o bebê. Nesse cenário, o MC surge para “estabelecer” essa ligação entre mãe e bebê, estabelecendo um vínculo seguro e prazeroso, que é constantemente trabalhado em conjunto entre mãe, equipe médica e psicólogos para auxiliar a mãe, o pai e a família (Andreoli, 2021).
O MC é uma abordagem que inclui diversos pilares, entre os quais se destaca o contato pele a pele. Embora os benefícios tenham sido demonstrados em pesquisas, especialmente em contextos internacionais, como a promoção da amamentação, aumento de peso, diminuição do período de internação e redução do risco de mortalidade, o contato canguru é apenas uma parte de uma estratégia mais ampla. Levanta-se, portanto, a questão se o MC pode oferecer outros benefícios, visto que compreende uma variedade de ações e diretrizes destinadas a oferecer atendimento integral e humanizado ao recém-nascido (RN) de baixo peso e sua família (Alves et al., 2021).
O método é dividido em três fases e envolve o contato pele a pele do RN de baixo peso, posicionado supinamente entre os seios dos pais ou de outros membros da família. A primeira fase, que começa no pré-natal de alto risco e se estende até a alta do RN da UTIN, visa incentivar a interação com a família sempre que viável, incentivando o acesso livre à Unidade Neonatal. A segunda fase envolve um período pré-alta hospitalar, onde a família presta assistência ao seu filho e mantém contato físico. A terceira fase envolve o monitoramento da criança em ambulatório até que ele complete o peso de 2500 gramas (Gesteira et al.,2016).
Existem muitos benefícios que o MC pode proporcionar para a criança e sua família, incluindo a diminuição da morbidade e mortalidade, progresso clínico positivo, redução do tempo de internação dos RN, aprimoramento na amamentação, fortalecimento do laço emocional entre pais e filhos, além de ajudar a aumentar a autoconfiança dos pais (Dias et al., 2023).
A Fisioterapia é vital nas unidades neonatais, desempenhando um papel fundamental na recuperação, reabilitação e promoção do desenvolvimento apropriado de bebês prematuros ou com condições de saúde que requerem atenção intensiva. Frequentemente, esses pequenos enfrentam desafios ligados à respiração, neurologia e desenvolvimento motor, o que pode impactar seu desenvolvimento integral. O MC, enfatizado pelos profissionais de fisioterapia, proporciona benefícios consideráveis para os bebês prematuros internados em unidades de terapia intensiva neonatal (UTIN). Os achados demonstram os efeitos benéficos do método no crescimento neuropsicomotor, na conquista de peso e na consolidação da relação entre mãe e filho (De Souza Geber et al., 2022).
Esta pesquisa teve como objetivo investigar a percepção de fisioterapeutas sobre a aplicação e os impactos do MC em uma unidade de neonatologia no Sertão Paraibano. Especificamente, a investigação buscou caracterizar o perfil profissional dos participantes, examinar sua compreensão teórico-prática sobre os fundamentos e a operacionalização do método, bem como avaliar os benefícios e desafios percebidos quanto à sua influência na saúde e no desenvolvimento dos RN.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 CUIDADOS COM OS RECÉM-NASCIDOS PRÉ-TERMO
A gestação é um processo biológico marcado por intensas mudanças que garantem o desenvolvimento saudável do feto. Em casos de parto prematuro, o bebê necessita de cuidados especiais e, muitas vezes, suporte intensivo. A unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) tem papel essencial ao oferecer um ambiente seguro, com intervenções precoces e personalizadas. Nessa unidade, uma equipe multidisciplinar atua de forma integrada para proporcionar um cuidado humanizado e completo ao RN (Góis; Ferraz, 2023).
Quando se trata de recém-nascidos, é importante identificar que os RN que não conseguem verbalizar são frágeis à dor, tornando-se significativo a tomar proporções para diminuir os estímulos dolorosos. A manifestação crônica da dor pode ter uma repercussão negativa na evolução saudável dos RN, atingindo o aprendizado, a cognição, os sentimentos e as atitudes (De Lima et al., 2024).
O nascimento antecipado pode resultar em várias consequências, incluindo: redução da função pulmonar, caracterizada por um volume expiratório forçado, aumento do volume residual, frequência respiratória alta e elevação do volume de ar mobilizado no decorrer de um ciclo respiratório, espaço morto e ventilação por minuto ampliados, diminuição da complacência e resistência superior em comparação com outros recém-nascidos, que podem exibir taquipneia, maior risco de desenvolver síndrome do desconforto respiratório e pneumonia. Assim, o tempo de hospitalização aumenta (Silva; Morais; Neto, 2023).
A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) é uma área de saúde especializada em cuidados intensivos para neonatos. Visto como um local de cuidado e proteção ao recém-nascido e tem um grande potencial de influência no progresso desta população. A UTIN pode ser entendida dessa maneira. É um ambiente adverso para os RN, que caracterizam de forma específica às mudanças em seu comportamento e progresso global (Martins et al., 2016).
Para muitas famílias, o nascimento de um filho simboliza a concretização de um desejo. Neste momento, tudo o que os pais anseiam é uma gravidez segura e serena, além do nascimento de um filho sadio. Ao término da gravidez, diversas sensações e expectativas surgem, incluindo a apreensão do primeiro encontro com o bebê e o anseio de trazer o bebê saudável para sua moradia. Contudo, habitualmente essa conclusão esperada se concretiza, em certas situações, é imprescindível que o RN encontre assistência intensiva imediatamente nos primeiros dias de existência (Noda et al., 2018).
O período em que esses bebês ficam internados, juntamente com as várias intervenções que enfrentam, resulta em um distanciamento entre as mães e seus filhos. Nesse contexto, o MC se apresenta como uma ferramenta valiosa para restabelecer o laço entre mãe e bebê (Konstantyner et al., 2022).
Ao nascer, o RN é apresentado a uma série de estímulos desconhecidos que podem provocar agonia e desgaste. A relação entre o contato pele a pele (MC) desempenha um papel fundamental ao reduzir os efeitos negativos dessas experiências e auxiliar nesse espaço ao novo ambiente fora do útero. Além disso, esse contato favorece a conexão entre a mãe e o bebê, reforçando a ligação, promovendo o bem-estar, permitindo a compreensão dos movimentos da respiração e do coração, e facilitando a troca de olhares e a contato entre eles (Caetano; Pereira; Konstantyner, 2022).
2.1.1 Método Canguru (MC)
O MC, desenvolvido em Bogotá, Colômbia, em 1979, tem como propósito principal a diminuição das expensas associadas à internação hospitalar e a promoção de altas precoces, acompanhadas por cuidados ambulatoriais, favorecendo assim a desmedicalização e a desospitalização (Esguerra et al., 2020).
O título do método foi inspirado nos cangurus marsupiais, de modo que a mulher contém uma bolsa especial, onde os filhotes prematuros finalizam seu desenvolvimento gestacional. Nessa bolsa, os filhotes são mantidos aquecidos e alimentados até atingirem a maturidade fisiológica. Além de evitar a prolongada separação entre mãe e bebê (Kopp et al., 2020).
O método é caracterizado por oferecer suporte neonatal por meio do contato pele a pele precoce entre a mãe e o RN prematuro de peso reduzido. Essa abordagem permite um maior envolvimento dos pais nos cuidados com o bebê (Santos et al., 2020).
A princípio, o MC tinha como finalidade diminuir a superlotação nas Unidades Neonatais, buscando suprir a carência de incubadoras. Entretanto, atualmente, essa abordagem se mostra um importante recurso para aprimorar a peculiaridade do atendimento obstetrícia e neonatos, estabelecidas nos conceitos de cuidado humanizado. Observou-se que o MC contribuiu para a diminuição de infecções, aceleração do ganho de peso e redução dos episódios de bradicardia e apneia (Costa et al., 2021).
O contato pele a pele é essencial para estimular a amamentação em bebês prematuros, geralmente iniciada na segunda fase do processo. A separação entre mãe e filho, comum em UTIs, pode levar ao desmame precoce por fatores biológicos e emocionais. Essa distância prejudica o vínculo afetivo e o desenvolvimento familiar. O fisioterapeuta tem papel fundamental na supervisão das etapas e no apoio biopsicossocial ao casal, favorecendo o fortalecimento do vínculo e o sucesso da amamentação (Leite et al., 2019).
Figura 1: Contato pele a pele

Fonte: Saiba mais sobre o Método Mãe-Canguru! | Simplesmente Grávida (simplesmente-gravida.blogspot.com)
A posição canguru assegura uma evolução mais eficaz para RN prematuros com baixo peso, visto que contribui para a regularidade dos períodos de adormecimento intenso, diminui a duração do choro e estresse, além de promover o ganho de peso e a estimulação sensorial apropriada. Essa prática também apoia o recurso de amamentação, uma vez que a mãe se sente mais confiante ao estar perto do bebê, e o contato direto estimula a produção de leite (Lopes et al., 2020).
O MC oferece diversas vantagens, incluindo a redução das infecções hospitalares e o período de internação dos RN. No entanto, é possível observar uma certa força por parte dos profissionais de saúde em adotar essa prática, o que auxilia na continuidade das internações. Essa dificuldade está ligada à falta de conhecimento sobre os efeitos positivos do MC na vida dos bebês e de suas famílias (Ferreira et al., 2019).
2.1.2 Fases do Método Canguru
No momento em que um RN necessita de internação, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma abordagem humanizada tanto para o bebê quanto para os pais. Isso permite que os pais se envolvam nos primeiros cuidados com o RN, ajudando a fortalecer o vínculo parental e tornando a experiência na UTI mais suave (Correia et al., 2024).
O método brasileiro se destaca pela sua ampliação dividida em três fases. A primeira fase começa com o pré-natal de alto risco, que é frequentemente pela internação do bebê de baixo peso ou prematuro. Nesse momento, a mãe e os familiares recebem instruções essenciais (Gontijo; Xavier; Freitas, 2012).
O método apresentou uma nova visão de assistência total e humanizada ao RN. Proporciona alta segurança térmica, redução da dor e do estresse, adiante do incentivo a amamentação e fortalece a ligação emocional entre mãe e bebê, levando a uma redução no tempo de hospitalização do RN. O procedimento é composto por três fases (Zirpoli et al., 2019). A fase inicial tem início no pré-natal, com a identificação de riscos que podem levar o RN à internação em unidades neonatais, como a UTIN ou UCINCo. Nessa etapa, busca-se fortalecer o vínculo entre a família e o bebê, reduzindo riscos durante o processo de interação. Recomenda-se introduzir a posição canguru o mais cedo possível e incluir os pais na rotina de cuidados neonatais, promovendo maior envolvimento familiar e um ambiente acolhedor desde os primeiros momentos (Ministério da saúde, 2019).
Na segunda fase, as mães permanecem na UCINCa, recebendo apoio da equipe de saúde para fortalecer o aleitamento materno e praticar a posição canguru pelo maior tempo possível. Essa etapa também visa esclarecer dúvidas sobre o RN e promover confiança nos cuidados. A terceira fase ocorre após a alta hospitalar, com foco no acompanhamento do bebê e da família em casa. O suporte é feito por meio da parceria entre a maternidade e a UBS, com visitas domiciliares, consultas e orientações contínuas sobre cuidados especializados (Ministério da saúde, 2019).
2.1.3 Benefícios do Método Canguru
O método traz diversas vantagens tanto para a mãe quanto para o bebê, como o incentivo da ligação mãe-filho. Por meio dele, estabelece-se o contato, construindo a confiança e segurança na mãe, que pode segurar o filho nos braços, transmitindo carinho e aprimorando o desenvolvimento do bebê (Vilhena, 2023).
Existem evidências que indicam uma diminuição da depressão pós-parto por meio do método, em virtude do estresse reduzido provocado pelo caso e envolvimento da família no cuidado do bebê recém-nascido. Através do calor materno e da posição vertical do RN, favorece-se a respiração, aumentando a eficácia da função pulmonar e a estabilidade cardiorrespiratória, o que consequentemente aprimora melhor a característica do sono do bebê (Vilhena, 2023).
Os impactos do método de cuidado manifestam-se tanto nas esferas emocional quanto fisiológica. Tanto os familiares quanto os profissionais notam, com a implementação do método, um fortalecimento da conexão entre a família e o RN, associado à redução do tempo de internação hospitalar. Isso, por sua vez, diminui as probabilidades de o bebê contrair alguma patologia ou desenvolver complicações durante a permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (Felix; Rezende, 2021).
Com base nas indicações e nos benefícios verificados do uso do contato pele a pele, diferentes hospitais brasileiros começaram a introduzir esse método em suas rotinas, mas ainda não foram definidos critérios comportamentais ou de administração. Unicamente em 1999 o IMIP realizou um agrupamento denominado “Mãe Canguru”, desde do qual foi concebido um documento como base para o tratamento humanizado do bebê com baixo peso ao nascer, o MC (Ministério da saúde, 2015).
Este método pode ser extremamente eficaz na sobrevivência desses RN e na assistência prestada por seus familiares. É crucial enfatizar que esse método não é um substituto para as UTIN já que em alguns casos as referências já estão estabelecidas previamente. Também seu objetivo não é poupar recursos humanos ou técnicos, mas assegurar um atendimento perinatal humanizado (Nunes, 2022).
O MC está ligado a diversos benefícios, como o aumento de peso, a regulação da temperatura, a melhoria na respiração, a progressão da condição clínica, a otimização dos tipos fisiológicos, a diminuição do período de internatos, o fortalecimento da relação entre os pais e o RN, a promoção da independência de responsabilidades ao RN e o estímulo ao aleitamento materno (Carvalho et al., 2021).
Além disso, traz benefícios não só para o RN, ao fornecer conforto e intensificar sua recuperação clínica, possibilitando uma alta hospitalar antecipada, da mesma forma para os pais, particularmente para as mães de bebês prematuros (Passos e Palmeira, 2023).
A distância entre mãe e bebê pode causar um estresse considerável, levando a uma fragilidade fisiológica temporária e possíveis efeitos neurológicos, sociais ou psicológicos no decorrer da vida (Fernandes et al., 2024).
A família também se beneficia desse método, já que o tempo de afastamento dos bebês é diminuído. Isso contribui para o fortalecimento do vínculo afetivo e para a participação no cuidado seguro da criança (Rocha et al., 2020).
2.1.4 Papel dos Fisioterapeutas no Método Canguru
O período neonatal representa a fase mais frágil do ser humano, onde diversos problemas podem resultar na perda do RN (Gomes et al., 2024).
A função do Fisioterapeuta na UTI Neonatal é fundamental, pois ele atua tanto na melhora clínica quanto em algumas patologias, além de realizar ações para estimular o desenvolvimento motor. Assim, torna-se imprescindível um aprimoramento característico para um entendimento mais aprofundado das particularidades neonatais (Bandeira et al., 2019).
O crescimento de crianças que precisam de fisioterapia após o parto prematuro ocorre de forma justa, é fundamental, pois sinaliza que as pessoas estão sendo esclarecidas sobre as vantagens das ações fisioterapêuticas constantes no plano de intervenções nas unidades de terapia intensiva dos hospitais. A fisioterapia emprega métodos e técnicas para manter, melhorar e recuperar as habilidades físicas de uma pessoa, atuando em limitações e incapacidades, aumentando a autonomia e melhorando a capacidade respiratória dos indivíduos (Santos et al., 2022).
A Fisioterapia atua na promoção do MC, ajudando na adaptação corporal do RN ao ser posicionado junto à mãe ou ao pai. Essa prática traz benefícios significativos para a qualidade de vida do bebê, afetando positivamente áreas sensório-motoras, cognitivas e socioafetivas, além de considerar o aspecto biopsicossocial e facilitar o processo de amamentação (Andreoli, 2021).
A fisioterapia integra o cuidado multidisciplinar na UTIN, desempenhando um papel essencial no tratamento de doenças e modificações do mecanismo respiratório, colaborando para a redução da morbimortalidade e da permanência hospitalar, bem como para garantir a qualidade de vida em pacientes que receberam alta. Portanto, a intervenção fisioterapêutica é essencial, pois os bebês prematuros necessitam de cuidados específicos e delicados e adaptados às suas necessidades individuais (Costa; Oliveira, 2023).
O desempenho interdisciplinar ganhou força à medida que opções gerenciais que foram tomadas, como assegurar os direitos dos familiares dos RN internados na Unidade
Neonatal, obter melhores situações de ambiente para que os profissionais possam desempenhar suas funções de maneira digna e criar novas iniciativas contribuindo como cogestores da sua maneira de trabalho (Costa et al., 2015).
O método mãe canguru envolve uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, entre outros. É essencial que esses profissionais compreendam a importância do método, estejam treinados e motivados para aplicá-lo de forma eficaz, garantindo cuidado adequado ao bebê. Além disso, devem atuar de maneira comprometida e transformadora no cotidiano, valorizando seu papel. A valorização profissional depende da competência, organização, engajamento na equipe e execução de um trabalho de excelência (Serrano, 2012).
O MC é uma abordagem de cuidado neonatal humanizado que tem se expandido e conquistado a aceitação de hospitais e familiares. Seu objetivo é aprimorar a qualidade do atendimento ao RN, garantindo o suporte para o bebê e sua família, além de facilitar a inclusão dos pais no cuidado do RN enquanto este estiver internado (Carvalho; Lopes; Ferraz, 2023).
A intervenção do fisioterapeuta, por meio de diversas técnicas, incentiva a percepção tátil, visual e vestibular de acordo com as capacidades de cada criança. Assim, chegou-se à conclusão de que o fisioterapeuta, em parceria com o MC, oferece um cuidado mais humanizado, ajudando a reduzir possíveis comprometimentos no desenvolvimento de RN prematuros hospitalizados (Lago, 2020).
2.1.5 Percepção dos profissionais de saúde acerca do MC
No Brasil, diferentemente de outras nações, a implementação do método ocorreu de forma mais ampla, uma vez que a proposta brasileira destaca uma estratégia de atenção perinatal que busca atender desde as gestantes reconhecidas como potenciais mães de RNBP até o momento da alta desses RN (Ferreira; Monteiro; Souza, 2020).
Os profissionais de diversas áreas relataram que detectavam o sofrimento em RN, sobretudo por meio de sinais comportamentais, incluindo a expressão facial e o choro. Além disso, evidenciaram como as respostas do corpo, sendo as mais frequentemente mencionadas: a frequência cardíaca, a saturação de oxigênio e o padrão respiratório (Marques et al., 2019).
Os profissionais apontaram que um dos aspectos que torna mais fácil o atendimento a esses bebês é o laço familiar que se forma desde o pré-natal, sendo intensificado pelas visitas domiciliares realizadas pelos profissionais e agentes de saúde. Isso possibilita a criação de uma união de segurança através da família e a equipe multiprofissional (Hugen et al., 2023).
De acordo com os profissionais, os desafios incluem: a falta de vagas no ambulatório, problemas no retorno para o acompanhamento simultâneo e a incerteza das mães em relação à alta do hospital (Ribeiro, 2023).
Ademais, o foco está nas orientações fornecidas às mães após a alta, porém há escassa menção ao serviço que continuará essa assistência, isto é, a conexão com o território e com as equipes de atenção primária. No que diz respeito à visão dos profissionais acerca da relevância do MC, a maior parte dos participantes destacou que o MC aprimora os cuidados prestados ao RN e à sua família, mesmo reconhecendo ainda obstáculos nesse processo de trabalho (Ribeiro, 2023).
A comunicação entre atenção primária, secundária e terciária à saúde geralmente é ineficaz, prejudicando a continuidade do atendimento. Sistemas integrados organizam redes coordenadas para oferecer cuidado contínuo e completo a uma população específica. A atuação do MC nas maternidades e na atenção básica fortalece o SUS, alinhando demandas dos serviços públicos. Essa integração busca melhorar o atendimento nas Unidades Básicas próximas às famílias, reduzir o tempo de internação e promover cuidado seguro e colaborativo (Borck, 2017).
Na visão dos profissionais, nota-se que o MC promove a colaboração em equipe, aprimora as condições clínicas do RN, é uma tecnologia acessível e com potencial para beneficiar a saúde do RN, além de promover uma maior independência da mãe no cuidado da criança (Ribeiro, 2023).
Simultaneamente, eles identificam alguns obstáculos e desafios, como a necessidade frequente de enfatizar a importância de posicionar o neonato na posição canguru, já que muitas mães enfrentam mais obstáculos para se adaptar e outras têm resistência em adotar esse tipo de cuidado. No entanto, a participação de alguns profissionais nas formações oferecidas pelo serviço e a mudança real de atitude em relação ao MC representam desafios para a aplicação do método (Ribeiro, 2023).
A implementação do Método Canguru requer adaptações estruturais e mudanças no cuidado neonatal, mas ainda enfrenta resistência da equipe devido à dificuldade em alterar práticas clínicas e ao receio quanto à segurança do ambiente (Machado, 2017).
Luz, Silva e Almeida (2024) destacam que a humanização na UTIN enfrenta desafios devido à ineficácia dos métodos e à dedicação limitada dos profissionais, causada pela falta de tempo. Os profissionais de saúde desempenham papel essencial na promoção da saúde preventiva, atuando não só no tratamento de doenças, mas também como educadores e conselheiros. Eles ajudam as pessoas a compreender a importância da prevenção e a adotarem práticas para manter a saúde (Perreira; Junior; Silva, 2024).
3. METODOLOGIA
Este estudo é uma pesquisa exploratória e descritiva com uma abordagem quantiqualitativa, que será conduzida em uma unidade neonatal (UTIN, UCIN e Método Canguru) de uma Maternidade Pública na Paraíba, com o objetivo de investigar as percepções dos fisioterapeutas acerca do Método Canguru.
A população foi formada por fisioterapeutas de uma Maternidade Pública da Paraíba, e a amostragem foi constituída por 10 fisioterapeutas que aceitaram fazer parte da pesquisa.
O questionário estruturado, elaborado pelas autoras com base nos objetivos do estudo, abrangeu dados ocupacionais dos fisioterapeutas, como: tempo de formação acadêmica e tempo de atuação. Além disso, incluiu questões relacionadas às percepções deles sobre o Método Canguru, como: os princípios do método, sua aplicação prática, e os benefícios e desafios percebidos pelos fisioterapeutas.
Como análise opinativa, os dados da amostra serão analisados, tabulados e graficados utilizando o software Microsoft Excel, versão 2016 e para análise qualitativa será utilizado a Análise de Conteúdo de Bardin.
A realização deste estudo considerará a Resolução n° 510/16 do Conselho Nacional de Saúde que rege sobre a ética da pesquisa envolvendo seres humanos direta ou indiretamente, assegurando a garantia de que a privacidade do sujeito da pesquisa será preservada. Após a concessão de sua aprovação, sob o parecer de número 7.378.383, todos sujeitos assinalaram ao TCLE, que foi impresso em duas vias, uma destinada ao participante e outra ao pesquisador, e todos os sujeitos assinalaram o item de concordância em participar da pesquisa para terem acesso ao questionário. A preservação da privacidade dos participantes foi garantida por meio do Termo de Compromisso do Pesquisador. A preservação da privacidade dos sujeitos será garantida por meio do Termo de Compromisso do Pesquisador (APÊNDICE B).
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A presente pesquisa contou com a participação de 10 fisioterapeutas atuantes em uma maternidade pública da Paraíba, que responderam a um questionário sobre suas percepções acerca do Método Canguru.
De acordo com o perfil ocupacional dos fisioterapeutas entrevistados, 40% possuíam pós-graduação e 60% apresentavam mais de cinco anos de experiência no setor de neonatologia. Quanto à atuação profissional, 90% atuavam na UTI neonatal, 70% na UCIN convencional e 50% na UCIN Canguru. A maior parte dos participantes 80% cumpria carga horária semanal entre 21 e 30 horas, conforme apresentado na Tabela 1.
Tabela 1: Perfil Ocupacional dos Fisioterapeutas (n=10).

*Neste item há possibilidade de mais de uma resposta.
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
No item setor de atuação na neonatologia, o total de respostas ultrapassa o número de fisioterapeutas (n = 10) porque alguns profissionais atuam em mais de um setor e marcaram várias opções. Portanto, os números mostram quantas atuações existem por setor, e não quantos profissionais diferentes participaram.
Neste estudo, a maioria dos fisioterapeutas possuíam pós-graduação, o que corrobora com achados semelhantes de Silva e Formiga (2018), em pesquisa realizada em Goiânia, identificaram que 100% dos profissionais entrevistados eram pós-graduados. Isso demonstra que, em muitos contextos de UTIN, a especialização é frequente, seja como exigência institucional ou como diferencial profissional.
Verificou-se ainda que a maioria dos fisioterapeutas possuía mais de cinco anos de experiência na área de neonatologia, corroborando os dados de Amaral, Bernandi e Seus (2022), que apontam uma média de sete a oito anos de atuação entre os profissionais. Esses achados sugerem que a permanência prolongada na área contribui para o desenvolvimento de experiência significativa ao longo do tempo.
De Britto (2019), a capacitação dos profissionais de neonatologia é fundamental para garantir cuidados seguros e eficazes aos RNPT. Equipes bem treinadas aplicam boas práticas e fortalecem o vínculo com as famílias. A formação contínua reduz riscos de complicações e melhora a recuperação dos bebês. Além disso, transmite confiança aos pais durante o processo. Na Tabela 2 estão descritas as percepções dos fisioterapeutas acerca do Método Canguru. Todos os participantes relataram possuir conhecimento sobre o método 100% e o consideraram “muito importante”. Entre os princípios do MC mais destacados, encontram-se: contato pele a pele entre o recém-nascido e os pais 100%, amamentação imediata e exclusiva 100%, participação ativa dos pais nos cuidados 100%.
Tabela 2: Percepções e conhecimento dos fisioterapeutas sobre o Método Canguru (n=10).

*Neste item há possibilidade de mais de uma resposta.
Fonte: dados da pesquisa (2025).
Em relação aos princípios importantes do Método Canguru, percebe-se que a quantidade de respostas é maior que o número de fisioterapeutas participantes (n = 10). Isso ocorre porque cada profissional pôde assinalar mais de um princípio, de acordo com seu conhecimento e percepção sobre o método. Dessa forma, a soma das frequências reflete a abrangência do entendimento dos profissionais sobre os diferentes princípios, e não o número de indivíduos distintos.
Todos os fisioterapeutas participantes afirmaram possuir conhecimento sobre o Método Canguru, demonstrando ampla familiaridade com essa prática tão importante no contexto neonatal. Esse resultado evidencia que o método está presente na rotina dos profissionais e reconhecido como parte essencial do cuidado voltado ao recém-nascido pré-termo. A adoção dessa estratégia reforça a humanização da assistência e o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê, aspectos fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança. Os achados deste estudo vão ao encontro do que afirma Nunes (2022), ao destacar a ampla disseminação do Método Canguru em diferentes contextos de saúde ao redor do mundo. Além disso, o autor ressalta seus efeitos positivos sobre o desenvolvimento neuropsicomotor do bebê, desde o período perinatal até o momento da alta hospitalar.
Nessa perspectiva, os profissionais reconhecem como essenciais os princípios do método, especialmente o contato pele a pele e a participação ativa dos pais, ressaltando sua importância para o desenvolvimento do recém-nascido e o fortalecimento do vínculo familiar. Esses achados corroboram Hugen et al. (2023), que afirmam que, além dos benefícios para o prematuro, o método prepara a família para enfrentar a nova realidade, promovendo sentimentos positivos e reduzindo a ansiedade materna. A orientação profissional contribui para que as mães se sintam mais seguras e autônomas no cuidado aos seus bebês.
Na presente pesquisa, todos os fisioterapeutas consideraram o Método Canguru “muito importante”, evidenciando a valorização da prática na assistência neonatal. Esse resultado está de acordo com Lima Filho et al. (2024), que também observaram opiniões positivas entre os profissionais de saúde, especialmente no que se refere ao fortalecimento do vínculo e à promoção do aleitamento materno exclusivo.
A Tabela 3 demonstra que o Método Canguru é implementado em todas as unidades com a participação de fisioterapeutas (100%). Quanto à organização da implementação, 70% dos profissionais consideraram-na bastante estruturada, evidenciando percepção positiva sobre a forma como o método é aplicado no contexto clínico.
Tabela 3: Implementação do MC na unidade (n=10).

Fonte: dados da pesquisa (2025).
Os achados acima corroboram com Silva (2022), que enfatiza os inúmeros benefícios da implementação efetiva do Método Canguru no contexto neonatal. Entre esses benefícios, destacam-se a redução do tempo de internação hospitalar, a melhora significativa na estabilidade clínica do recém-nascido e o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e bebê. Além disso, o método estimula o contato pele a pele, promove maior segurança materna nos cuidados com o filho e contribui para o aumento das taxas de aleitamento materno exclusivo, aspectos essenciais para o desenvolvimento saudável do recém-nascido.
Dessa forma, a presença regular e bem estruturada do Método Canguru nas unidades avaliadas revela-se como uma prática de grande relevância para a qualidade da assistência neonatal. Sua adoção contínua pode contribuir de maneira significativa para a promoção de desfechos positivos, não apenas relacionados à recuperação clínica, mas também ao fortalecimento emocional e social da idade da mãe-bebê. Assim, investir na consolidação dessa abordagem representa um avanço importante na humanização e na efetividade do cuidado prestado aos recém-nascidos pré-termo e de baixo peso.
Na Tabela 4, encontra-se as percepções dos fisioterapeutas acerca dos benefícios e desafios da aplicação do MC nos setores de neonatologia. Observa-se que os fisioterapeutas identificaram diversos benefícios do método para os neonatos, destacando-se a redução do estresse e o fortalecimento do vínculo afetivo com os pais, ambos relatados por 100% dos profissionais. Em relação aos pais, os benefícios incluem fortalecimento do vínculo com o bebê, redução da ansiedade, aumento da confiança, melhoria do bem-estar emocional e maior participação nos cuidados, todos mencionados por 100% dos participantes.
Quanto aos desafios na implementação do método, os profissionais destacaram a falta de treinamento, resistência de alguns membros da equipe, escassez de recursos e ausência de espaço adequado, todos relatados por 100% dos fisioterapeutas.
Tabela 4: Percepções dos fisioterapeutas sobre os benefícios e desafios da aplicação do MC (n=10).

*Neste item há possibilidade de mais de uma resposta.
Fonte: dados da pesquisa (2025).
Em alguns quesitos, o total de respostas ultrapassa o número de fisioterapeutas, pois alguns profissionais atuam em mais de um setor ou assinalaram múltiplos itens. Assim, os números representam o total de indicações por item, e não o número de indivíduos distintos.
Neste estudo, os fisioterapeutas reconheceram os benefícios do MC para os pais, evidenciando a relevância da participação familiar na assistência neonatal. Reafirmam os achados de Cañedo et. al. (2021), que enfatizam o envolvimento parental em todas as etapas do método, especialmente durante o nascimento e a hospitalização, períodos em que os pais estão mais vulneráveis e o recém-nascido mais exposto a procedimentos dolorosos. Nesse contexto, o contato pele a pele beneficia tanto os pais quanto o bebê, promovendo vínculo, segurança e bem-estar emocional da família.
Os desafios identificados neste estudo evidenciam que a maioria dos fisioterapeutas enfrenta dificuldades relacionadas à falta de treinamento, ao espaço físico inadequado, à resistência de alguns colegas e à limitação de recursos disponíveis. Esses achados estão em consonância com Luz et al. (2021), que também relataram que a equipe apresenta insegurança por falta de capacitação e orientações regulares, além de lidar com estrutura inadequada e ausência de profissionais e materiais necessários.
Nesse contexto, torna-se fundamental garantir espaço apropriado e treinamento específico, a fim de assegurar um atendimento de qualidade tanto para o recém-nascido quanto para seus acompanhantes (Dias et al., 2023).
A Tabela 5 apresenta o impacto da implementação do MC e a avaliação da prática pelos fisioterapeutas nas unidades de neonatologia. Observa-se que todos os participantes (100%) consideraram que a implementação do método teve um impacto muito positivo. Quanto à avaliação da prática, 60% dos fisioterapeutas a classificaram como positiva.
Tabela 5: Impacto da implementação do Método Canguru e sua avaliação nas unidades de neonatologia.

Fonte: dados da pesquisa (2025).
Esses resultados acima evidenciam que o Método Canguru é percebido como uma prática altamente benéfica e bem-sucedida, tanto na sua implementação quanto na rotina clínica.
Esses achados estão em consonância com Junior, Silva e Fernandes (2022), que também destacam efeitos positivos do método em recém-nascidos prematuros, incluindo ganho de peso, redução do estresse infantil e materno, melhora na saturação de oxigênio e maior estabilidade dos sinais vitais, evidenciando forte concordância com a literatura científica sobre os benefícios do MC.
Neste estudo, a maioria dos fisioterapeutas avaliou a prática do Método Canguru como positiva, o que corrobora os achados de Ribeiro et. al. (2023), que evidenciam a concordância entre profissionais, gestores e mães sobre os benefícios do método, como a recuperação do recém-nascido e o fortalecimento do vínculo familiar. O autor ressalta ainda que o MC é reconhecido como uma prática segura, eficaz e com impactos positivos, reforçando a percepção favorável observada nesta pesquisa.
Para aprofundar a compreensão das experiências dos fisioterapeutas em relação ao Método Canguru, o questionário incluiu perguntas abertas. Todos os participantes responderam voluntariamente, com sua autorização, e as respostas foram cuidadosamente transcritas, permitindo uma análise detalhada e a apresentação organizada dos resultados.
O primeiro questionamento realizado foi: “Em sua prática como fisioterapeuta, como você aplica o Método Canguru no atendimento aos neonatos?” Os profissionais relataram que a atuação da fisioterapia neonatal se concentra na estimulação precoce do desenvolvimento motor e neuropsicomotor, em intervenções respiratórias quando necessário, na orientação aos pais, no contato pele a pele e na prevenção de complicações. Conforme demonstrado nos relatos a seguir:
“Atua na estimulação precoce do desenvolvimento motor…” – Resposta A.
“A fisioterapia trabalha em função da estimulação precoce, estimulação fértil e motora, além de avaliar complicações respiratórias…” – Resposta B.
“Avaliação – fisioterapia motora – fisioterapia respiratória (quando há necessidade) …” – Resposta C.
“Sim, dependo do caso, porém atuamos na estimulação precoce, desenvolvimento, métodos respiratórios…” – Resposta D.
“Na posição vertical em contato pele a pele com os pais…” – Resposta E. “Avaliação e prevenir desordens respiratórias…” – Resposta F.
“Eu aplico o método promovendo o contato pele a pele entre o bebê e a mãe, incentivando a interação e o vínculo emocional, durante o atendimento orienta a mãe sobre o posicionamento correto…” – Resposta G.
“Estimular o desenvolvimento neuropsicomotor, respiratórias, orientação para as mamães quanto ao contato pele a pele, avaliação de reflexos e marcos motores, etc…” – Resposta H.
Quando questionados sobre o acolhimento à família do neonato com a pergunta: “Qual é a sua função na acolhida da família, de modo a garantir que se sintam confortáveis e participativos no processo de cuidado do neonato?”, todos os fisioterapeutas entrevistados destacaram a importância de criar um ambiente seguro e acolhedor que incentive a participação ativa dos pais nos cuidados com o recém-nascido. Além disso, enfatizaram a importância de fornecer orientações claras, suporte emocional, contato físico e informações sobre os protocolos implementados. Conforme demonstram os relatos a seguir:
“De forma que tenha a função de criar um ambiente acolhedor e seguro, onde os pais se sintam à vontade para participar do cuidado neonatal, estabelecendo cuidados e preocupações e incentivando a se envolver ativamente no processo…” – Resposta A.
“Esclarecer a importância da família durante o período de recuperação do recém nascido de baixo peso…” – Resposta B.
“Orientando da melhor maneira como e deve participar dessa fase tão delicada e importante do filho, monitorando todos os cuidados…” – Resposta C.
“Avaliar, prevenir e orientar os pais…” – Resposta D.
“Atua com clareza, mantendo os pais informados e mostrando a importância do método e dos pais no processo…” – Resposta E.
“Passar todos os protocolos realizados e orientações essenciais…” – Resposta F.
“Não temos participações quanto a acolhida a família…” – Resposta G.
“Demonstrar e orientar os pais a importância do toque do contato físico para desenvolvimento do RN…” – Resposta H.
Em relação às “mudanças você sugere para melhorar a implementação do Método Canguru na sua unidade de neonatologia?”, eles apontaram limitações na atuação da fisioterapia na UCIN Canguru, destacando a ausência diária do profissional devido à escala de trabalho. Ressaltaram a importância da capacitação da equipe, da orientação adequada aos pais, do suporte psicológico e de um ambiente confortável para a mãe. Conforme evidenciado nas falas a seguir:
“Não temos fisioterapia na UCIN canguru todos os dias por desfalque da escala…” – Resposta A.
“Nada a declarar…” – Resposta B.
“Mostrar e treinar os demais profissionais e orientar de maneira correta para os pais terem consciência da importância do método…” – Resposta C.
“Espaço adequado para realizar e conforto para mãe (cadeiras confortáveis) …” – Resposta D.
“Incentivar a participação ativa da família, treinamento da equipe, suporte psicológico…” – Resposta E.
Concordando com os achados acima, Monteiro; Oliveira; Zimpel, (2024) destacam que o Método Canguru é uma abordagem de saúde que prioriza o ser humano e a família. Ele destaca a importância da equipe de saúde que cuida do recém-nascido, dos pais e dos familiares, onde o fisioterapeuta desempenha um papel fundamental. Este profissional atua na análise e no tratamento das funções motoras e respiratórias do recém-nascido que nasce prematuro ou com baixo peso. Sua atuação ajuda a evitar problemas como deformidades, alterações na postura e sequelas, além de favorecer o equilíbrio corporal e a estabilidade fisiológica da criança.
Os resultados desta pesquisa indicam que os fisioterapeutas neonatais entrevistados concentram sua atuação principalmente na estimulação precoce e no contato pele a pele por meio do Método Canguru. Essa prática está fortemente respaldada por diretrizes atuais, como a Recomendação Brasileira de Fisioterapia para Estimulação Sensório-Motora e estudos de Johnston et al. (2021), que destacam o contato pele a pele como a modalidade com maior grau de evidência científica na UTI neonatal, seguida por abordagens multissensoriais. Tais evidências reforçam ainda a importância de adaptar as intervenções às necessidades individuais do recém-nascido, assim como o papel do fisioterapeuta na orientação e apoio às famílias.
Nessa perspectiva, os entrevistados reforçam ainda a importância da participação familiar no cuidado neonatal, especialmente por meio do acolhimento, orientação e incentivo ao contato com o recém-nascido. De forma semelhante, Furlan Scochi e Furtado (2021) evidenciam que o envolvimento ativo dos pais nos cuidados diários promove maior vínculo afetivo, reduz a ansiedade e fortalece a confiança da família na unidade neonatal.
Além disso, os autores defendem que a participação familiar deve ser considerada parte integrante da prática assistencial, e não um complemento eventual, ressaltando a necessidade de consolidar protocolos que promovam esse envolvimento em todas as equipes de saúde (Furlan Scochi; Furtado, 2021).
Ferreira et al. (2019) identificaram que a implementação do Método Canguru é prejudicada por barreiras como a ausência de profissionais em escala diária, falta de capacitação da equipe e insuficiente apoio institucional.
Esses achados semelhantes se alinham aos relatos desta pesquisa, que apontam limitações na presença do fisioterapeuta na UCIN Canguru, ausência de treinamentos, necessidade de suporte psicológico e melhorias no ambiente físico. A não resposta de parte dos entrevistados pode refletir desconhecimento ou baixo envolvimento com a prática, indicando a necessidade de intervenções organizacionais para aprimorar a implementação do método (Ferreira et al., 2019).
5. CONCLUSÃO
O estudo revelou que os fisioterapeutas possuem formação qualificada, com pós-graduação e experiência em neonatologia, atuando principalmente na UTI Neonatal. Apesar desse perfil consolidado, persistem barreiras estruturais e organizacionais que dificultam a aplicação plena do MC.
Os profissionais reconhecem o método como uma prática eficaz, humanizada e centrada na família, capaz de favorecer o desenvolvimento do recém-nascido e fortalecer o vínculo afetivo. No entanto, sua implementação é limitada pela falta de profissionais, capacitação e infraestrutura. Dessa forma, são necessárias estratégias organizacionais, capacitação contínua e maior integração entre equipe e família para garantir uma assistência neonatal de qualidade e humanizada.
Conclui-se, portanto, que para o MC ser aplicado de forma completa e efetiva, é necessário investir na capacitação contínua dos profissionais, melhorar a estrutura física das unidades e incentivar o trabalho em equipe. Esses pontos são fundamentais para garantir um cuidado ao recém-nascido que seja humanizado, seguro e realmente eficaz.
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1Discente do Curso Superior de Bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: nairmissiano@fisio.fiponline.edu.br
2Discente do Curso Superior de Bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: társilamedeiros@fisio.fiponline.edu.br
3Discente do Curso Superior de Bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: raquelsara2440@gmail.com
4Discente do Curso Superior de Bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: mariasobrinha@fisio.fiponline.edu.br
5Docente do Curso Superior de bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: anatrigueiro@fiponline.edu.br
6Docente do Curso Superior de bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: laysamedeiros@fiponline.edu.br
