PARTO CESARIANA X PARTO NORMAL – O REFLEXO NAS  DOENÇAS PSÍQUICAS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202509261353


Eduarda Araujo
Orientador: Dr Gilberto Hishinua


RESUMO

A depressão pós-parto (DPP) pode ser associada a alterações no eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA), o que impacta a produção de cortisol e CRH. Durante a gestação, o aumento de CRH placentário eleva os níveis de cortisol, cuja normalização após o parto é dificultada em gestantes com DPP, sugerindo hiperatividade do eixo HHA. Concentrações elevadas de estradiol no terceiro trimestre, seguidas de queda abrupta no pós-parto, indicam a relação entre estrogênio e serotonina no desenvolvimento de DPP. A progesterona, concentrada na placenta, diminui drasticamente após o parto, afetando o equilíbrio afetivo das mães com DPP. Por outro lado, a ocitocina, relevante para lactação e comportamento materno, apresenta níveis baixos no terceiro trimestre, exacerbando os sintomas depressivos. Pesquisas também indicam uma redução simétrica no volume de matéria cinzenta em primíparas, que perdura por até dois anos, afetando o sistema de recompensa associado ao cuidado materno. Mães com DPP demonstram menor ativação em áreas ligadas à recompensa e regulação emocional, como o córtex orbitofrontal lateral, o que resulta em uma resposta reduzida a estímulos maternos. O BDNF, neurotrofina essencial para o sistema nervoso central, é sugerido como um possível marcador para o diagnóstico de DPP. Além disso, estudos indicam que mulheres submetidas a cesáreas, especialmente por fatores fisiológicos, apresentam sintomas acentuados de estresse e DPP em comparação às que passaram por parto vaginal, com a dor pós-cirúrgica persistente como agravante.

Palavras-chave: Depressão pós-parto, eixo HHA, estradiol, progesterona, ocitocina, BDNF, cesariana.

INTRODUÇÃO

Uma das hipóteses da depressão pós-parto (DPP) se deve às alterações do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA), uma vez que ele sofre alterações significativas durante todo o ciclo gravídico-puerperal. De forma natural e fisiológica, o hipotálamo sintetiza o hormônio liberador de corticotrofina (CRH), o qual estimula a liberação de cortisol como parte da resposta biológica ao estresse, foram correlacionados sintomas de DPP. Sabe-se que, durante a gravidez, a placenta atua como um órgão endócrino produzindo o CRH placentário, o que, por sua vez, aumenta a liberação de cortisol pela glândula adrenal, que regula negativamente a produção de CRH hipotalâmico e aumenta a liberação de CRH placentário por meio de um feedback positivo. A concentração de cortisol normaliza dentro de algumas semanas após o parto, entretanto, nas gestantes com DPP a hiperatividade do eixo HHA pode levar a níveis elevados de cortisol pois a hipercortisolemia aumenta o risco de desenvolver sintomas depressivos. 

Além disso, evidências indicaram que o estrogênio poderia regular o sistema neural da serotonina em múltiplos níveis, os níveis altos de estradiol tendem a elevar no terceiro trimestre de gestação, e diminuem de forma abrupta após o parto, corroborando com a hipótese de que a baixa concentração de estradiol durante as primeiras semanas pós-parto contribui para o desenvolvimento de DPP, interferindo nos circuitos neurais do humor, sugerindo que a desregulação dos hormônios reprodutivos pode alterar os níveis dos hormônios do estresse, e afetam o estado mental e a memória a partir de modificações nos receptores dos neurotransmissores e mecanismos cerebrais associados à DPP. 

Os níveis elevados de glicocorticoides podem desencadear uma maior suscetibilidade a DPP, pois corroboraram com a desregulação do eixo HPA, o pico plasmático deles acontece no parto com uma queda expressiva dos níveis nas primeiras quatro horas do puerpério, debilitando o estado emocional. 

Em relação à progesterona, na gestação o corpo a produz muito mais do que no período não gravídico. Parte deste hormônio fica concentrado na placenta e, na ocasião do parto, quando a placenta é retirada, há uma queda dos níveis da progesterona em questão de horas. Essa queda é apontada como causa determinante para a instalação do quadro de depressão. Além disso, os ovários só voltarão a secretar progesterona no primeiro ciclo menstrual do puerpério, o que pode criar um desequilibro temporário, geralmente em torno de seis meses.

É importante ressaltar, também, que ela atua na regulação afetiva, modulando o estresse, o eixo HPA, a neuroplasticidade, a energia celular, a ativação imune, sendo todos esses processos que sofrem disfunção no quadro depressivo, ela e o estrógeno atuam na modulação do RNA da ocitocina em regiões do SNC envolvidas na lactação e no comportamento materno. Assim, os baixos níveis de ocitocina no terceiro trimestre se relacionam ao aumento de episódios depressivos ao longo da gravidez e no pós-parto imediato.  

Para a ocorrência de alterações dinâmicas do periparto na estrutura cerebral de uma mulher, descobriu-se recentemente que as mães pela primeira vez sofrem uma redução simétrica do volume de matéria cinzenta extensiva durante a gravidez, que duram pelo menos 2 anos pós-parto. Além disso, há indicações de que as mudanças na estrutura cerebral de uma mulher durante a gravidez estão também ligadas a aspectos do cuidado materno, ou seja, ao desenvolvimento do apego materno. Quando as mães são apresentadas com estímulos dos seus próprios filhos, áreas do sistema de recompensa tornam-se ativadas, este sistema neuroendócrino dopaminérgico e oxitocinérgico é também chamado sistema de motivação materna, as regiões centrais do sistema motivacional materno compreendem e ativam o circuito de recompensa através da liberação de dopamina no núcleo de acumulação de bens. 

As mães com DPP têm demonstrado uma ativação mais fraca das áreas de recompensa, motivação e de regulação das emoções chave, tais como o córtex orbitofrontal lateral, descobriram que níveis mais elevados de ansiedade em relação à parentalidade se correlacionavam com uma ativação reduzida na substância negra, uma região implicada no processamento de recompensas. Assim como já citado a mulher experimenta surtos inigualáveis de hormônios sexuais durante a gravidez e a existência de uma plasticidade cerebral estrutural inerente e específica a reprodução humana. Embora esta plasticidade cerebral materna facilite um propósito maior a continuação da espécie, ela não é necessariamente inofensiva e predispõe a mãe a ser periparto de distúrbios mentais. Independentemente da manifestação clínica do distúrbio, o sofrimento que acompanha um distúrbio periparto tem implicações importantes para a mãe, seu parceiro, e seu filho. Descobriram que a ativação de plasma fresco congelado (PFC) perante estímulos relevantes para o medo está associada a um aumento da angústia e ansiedade, e a níveis de cortisol e testosterona em mulheres grávidas. Isto resulta numa reorganização neural referida como plasticidade dependente da experiência que avaliaram alterações morfológicas do cérebro da mãe durante o período pós-parto. 

O BDNF (brain-derived neurotrophic factor) é um fator neurotrófico que está envolvido na fisiopatologia de muitos transtornos psiquiátricos, incluindo depressão, são famílias de proteínas, nas quais são capazes de promover o desenvolvimento, modulação e sobrevivência dos neurônios no sistema nervoso central (SNC) e periférico. Estes fatores são secretados pelos tecidos e vão atuar de diversas maneiras tais como na modulação sináptica, no apoptose, na diferenciação celular, dentre outras. Ele é crítico no desenvolvimento e modulação do SNC, sendo assim pode utilizar medidas mais sofisticadas para o diagnóstico e intervenção no tratamento da DPP, com a concentração sérica de BDNF, buscando relacionar os níveis desta neurotrofina com a DPP. 

Estudos em Taiwan citaram as várias mudanças drásticas ocorrem desde o início da gravidez até o pós-parto, incluindo mudanças biológicas, psicológicas e comportamentais, constataram maiores sintomas de estresse, ansiedade e depressão em mulheres que foram submetidas a cesárias em comparação com as mulheres submetidas ao parto vaginal, esses sintomas foram mais baixos. Verificou-se que mulheres com algumas tendências de transtornos mentais podem escolher a cesárea com mais frequência. Assim, não a cesárea em si, mas o histórico fisiológico que leva à cesárea também pode estar associado à depressão em algumas mulheres. 

Um estudo transversal do Irã descobriu que a depressão pós-parto foi maior entre as mães submetidas a cesárea, justificando à dor no local da sutura, problema de alimentação, e por desejarem o parto natural, fatores que poderiam estar relacionados a sintomas depressivos. O estudo mostrou que as mulheres classificaram a intensidade da dor como a mais alta durante o parto vaginal e a mais baixa durante a cesariana. No entanto, no momento da alta hospitalar, as mulheres após o parto vaginal sentiram menos dor, enquanto as mulheres após a cesariana sentiram mais dor. Pesquisas demonstraram que a dor após a cirurgia de cesariana persiste por até 6 meses após o parto na maioria das mulheres, em comparação com a das mulheres após o parto vaginal.

JUSTIFICATIVA

A importância desse trabalho é mostrar as influências positivas e negativas dos tipos de parto, sendo o parto vaginal e cesariana, tendo o objetivo de demostrar a importância da escolha do parto e seu impacto na saúde mental da puérpera. 

Explicando com dados científicos a sua relevância no futuro da mulher, justificando o benefício do parto normal a partir dos dados coletados de mulheres que tiveram DPP comprovando através de estudos neurológicos, fisiológicos e imunológicos.

OBJETIVOS (Gerais e Específicos)

Objetivo geral:

Analisar as doenças psíquicas no puerpério, correlacionando o tipo de parto (vaginal cesárea) tendo em vista os aspectos fisiológicos, neuroendócrinos e a plasticidade neuronal que cada um deles vai influenciar.

Objetivos específicos

● Detalhar cada item que será objetivo da pesquisa.

O intuito da pesquisa é demostrar de forma clara e explicativa, qual a influência dos respectivos tipos de parto, normal e cesariana, mostrando suas diferenças e influencias no puerpério, tendo enfoque nas doenças psíquicas desse período. Justificando a atuação dos aspectos neuroendócrinos, fisiológicos, e imunológicos de cada um, e como isso vai impactar na puérpera nos pertinentes danos psicológicos, tendo enfoque os benefícios do parto normal.

REFERÊNCIAS

Hormônios – Revista Ciência e Estudos Acadêmicos de Medicina – Número 14. Universidade do  Estado de Mato Grosso – UNEMAT (Cáceres). 2021 jan-jun. (p. 27-45).

Revista debates em psiquiatria – Jul/Ago 2015 Plasticidade neuronal

Brain plasticity in pregnancy and the postpartum period: links to maternal caregiving and mental  health Erika Barba-Müller1,2,3 & Sinéad Craddock1,2 & Susanna Carmona4,5,6 & Elseline 

Hoekzema1,2 Received: 26 March 2018 / Accepted: 2 July 2018 / Published online: 14 July 2018 The Author(s) 2018.

Brain plasticity in pregnancy and the postpartum period: links to maternal caregiving and mental  Health.

Revista Eletrônica Acervo Científico / Electronic Journal Scientific Collection | ISSN 2595-7899 
Mariana Olympio Rua *, Gustavo Fonseca Genelhu Soares , Caroline Silva de Araujo Lima , Eduardo Rodarte Martins , Leonardo Fávaro Pereira , Natália Tiemi Nakahata , Lívia Pêpe Leão da Rocha, André Felipe Costa Alves, João Pedro Kim Amamura , Júlia Carneiro Leão .