PARA ALÉM DO CONHECIMENTO: A INTERSEÇÃO ENTRE SABEDORIA E IGNORÂNCIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202602231117


Daniela Neis Forneck; Eliezer Vaz Nogueira; Leandro Rodrigo Marianof; Marcelo Osmari Cordero; Natiele Pozzebon do Amaral; Priscila de Lima Teixeira; Rodrigo Franklin Costa; Rodrigo Vasconcelos Diel; Rogério Olinto Pillat; Rosane de Lourdes Prates da Silva; Saulo Felipe Basso dos Santos; Tatiana Zambiasi Beneduzi.


RESUMO

O título “Para Além do Conhecimento: A Interseção entre Sabedoria e Ignorância” explora a linha tênue entre o saber e o não saber, enfatizando que ambos são essenciais ao entendimento humano. Este artigo examina a ideia de que a ignorância não deve ser considerada uma mera falta de conhecimento, mas uma componente vital da sabedoria, capaz de desafiar suposições e abrir novos horizontes de compreensão. Ao desviar-se do conhecimento convencional, a reflexão sobre a ignorância ativa leva à percepção de que a verdadeira sabedoria não reside apenas na acumulação de dados, mas na habilidade de questionar o que já se acredita saber. Dessa forma, o artigo propõe uma visão integradora que reconhece a ignorância como um espaço fértil para o desenvolvimento da consciência e o aprofundamento do autoconhecimento. Esse processo inclui a aceitação da incerteza como um estímulo para a busca contínua por significado, onde sabedoria e ignorância se encontram, formando uma aliança que desafia o entendimento tradicional. A interseção entre sabedoria e ignorância, portanto, emerge como uma abordagem inovadora para a filosofia, questionando a certeza absoluta e promovendo uma compreensão mais completa da existência.

Palavras-chave: Sabedoria. Ignorância. Conhecimento.                      

ABSTRACT

The title “Beyond Knowledge: The Intersection of Wisdom and Ignorance” explores the fine line between knowing and unknowing, emphasizing that both are essential to human understanding. This article examines the idea that ignorance should not be seen merely as a lack of knowledge but as a vital component of wisdom, capable of challenging assumptions and opening new horizons of comprehension. By diverging from conventional knowledge, the reflection on active ignorance leads to the perception that true wisdom lies not solely in data accumulation but in the ability to question what is already believed to be known. Thus, the article proposes an integrative view that recognizes ignorance as a fertile ground for the development of consciousness and the deepening of self-knowledge. This process includes the acceptance of uncertainty as a stimulus for a continuous search for meaning, where wisdom and ignorance meet, forming an alliance that challenges traditional understanding. The intersection between wisdom and ignorance, therefore, emerges as an innovative approach to philosophy, questioning absolute certainty and promoting a more comprehensive understanding of existence.

Keywords: Wisdom. Ignorance. Knowledge.

1. INTRODUÇÃO

A relação entre conhecimento e ignorância tem sido historicamente vista como uma dicotomia, onde a sabedoria representaria a vitória sobre a falta de conhecimento. No entanto, recentes reflexões filosóficas sugerem uma visão mais complexa dessa interseção, na qual a ignorância ativa desempenha um papel essencial no desenvolvimento do entendimento humano. Ao invés de representar uma falha, a ignorância surge como um campo potencial de descoberta e autoconhecimento. Este estudo procura aprofundar essa interrelação e propor uma nova abordagem para o conceito de sabedoria.

A sabedoria, nesse contexto, ultrapassa a mera aquisição de informações e se torna um processo dinâmico e contínuo. Para entender plenamente o que é sabedoria, é necessário repensar a noção de ignorância e reconhecer seu valor na formação do pensamento crítico e do crescimento pessoal. Assim, a ignorância é vista como uma condição necessária para a sabedoria, pois desafia o que já se conhece e incentiva o questionamento.

Essa visão promove uma perspectiva integradora, na qual a ignorância e a sabedoria coexistem em uma relação produtiva. Esse ponto de vista desafia as interpretações tradicionais, onde o conhecimento é visto como um fim em si mesmo. Em vez disso, coloca-se o foco na busca e não na acumulação, enfatizando a importância da dúvida e da reflexão no processo filosófico.

O conceito de ignorância ativa também sugere que a sabedoria se constrói na disposição de aceitar a incerteza. A interseção entre sabedoria e ignorância implica, portanto, em uma reavaliação da certeza, considerando-a como uma barreira potencial ao conhecimento verdadeiro. Aceitar a ignorância permite a renovação do pensamento e incentiva a abertura a novas ideias.

Em última análise, essa abordagem permite uma compreensão mais completa da existência. O estudo dessa interseção oferece insights sobre a importância de reconhecer o que se ignora como um passo essencial para a sabedoria. Essa perspectiva amplia as fronteiras do saber e propõe um caminho para uma reflexão mais profunda sobre a própria natureza do entendimento humano.

2. DESENVOLVIMENTO

A análise da relação entre sabedoria e ignorância permite uma revisão das próprias bases do conhecimento, que tradicionalmente se concentra na aquisição de certezas. Entretanto, ao incluir a ignorância como elemento essencial, a busca pelo saber torna-se um processo menos linear e mais orientado para a abertura. Essa abordagem reconhece que o desconhecimento não apenas limita, mas também propicia um espaço de descoberta. Assim, a ignorância ativa assume o papel de catalisador na construção de um conhecimento mais profundo, onde as certezas são constantemente desafiadas e reavaliadas. (LIMA,2015)

Além disso, a concepção de ignorância ativa promove um método filosófico mais inclusivo e crítico, onde a dúvida e o questionamento são indispensáveis. Nesse sentido, a filosofia deixa de ser apenas um conjunto de verdades fixas para se transformar em uma jornada de investigação constante, que acolhe a incerteza como uma parte essencial do processo. Essa atitude permite uma aprendizagem em que as respostas são temporárias e provisórias, enquanto as perguntas e reflexões continuam a expandir os horizontes do saber. (MANSUR,2018)

A importância do “não saber”, discutida desde os primeiros filósofos gregos, sugere que o próprio ato de questionar é o que impulsiona o desenvolvimento intelectual. Sócrates, ao afirmar que “só sei que nada sei,” simbolizou a abertura para o desconhecido como um princípio de sabedoria. Esse posicionamento socrático estabeleceu uma base para o entendimento de que a sabedoria requer humildade e disposição para revisar crenças estabelecidas, conduzindo a um saber que está em constante transformação. (AQUINO,2014)

Com a incorporação da ignorância ativa, o conhecimento deixa de ser uma meta final e passa a ser uma prática em constante evolução. Esse processo de abertura permite uma investigação mais profunda e diversificada, onde o saber é moldado pela interação entre o que é conhecido e o que permanece incerto. Em vez de se apegar a respostas definitivas, a filosofia, ao valorizar a ignorância ativa, enxerga a busca pelo entendimento como um movimento contínuo de descoberta e reformulação. (BARREIROS,2013)

A interseção entre sabedoria e ignorância também fortalece a capacidade de discernimento crítico, essencial para uma reflexão filosófica madura. O reconhecimento das limitações do conhecimento humano incentiva uma postura de constante análise e autoavaliação. Dessa forma, a sabedoria passa a ser vista não apenas como o acúmulo de conhecimento, mas como um equilíbrio entre o que se sabe e o que se ignora, promovendo uma compreensão mais completa e integradora. (DALBERT,2012)

Por fim, a aceitação da ignorância ativa como parte da sabedoria permite que o aprendizado seja uma experiência mais enriquecedora. Esse processo reflete uma filosofia que acolhe a complexidade e valoriza a diversidade de perspectivas. Ao incluir a incerteza como um fator positivo, o conhecimento se torna menos dogmático e mais adaptável, contribuindo para uma visão de mundo onde a sabedoria é um exercício de constante questionamento e renovação. (DANTAS,2015)

2.1 Além do Saber: Onde Sabedoria e Ignorância se Encontram

A dicotomia entre conhecimento e ignorância molda grande parte das reflexões filosóficas sobre a natureza do entendimento humano. Em contextos tradicionais, o conhecimento é exaltado como um antídoto para a ignorância, e o valor da sabedoria está intrinsecamente ligado à aquisição de informações. Entretanto, uma análise mais aprofundada demonstra que essa relação é mais complexa. A ignorância, longe de ser uma falha, pode ser vista como uma condição necessária para a sabedoria. (MANSUR,2018)

A noção de ignorância ativa redefine a forma como o conhecimento é concebido, propondo que a verdadeira sabedoria surge quando se reconhece o desconhecimento. Isso significa que a sabedoria não é somente um acúmulo de informações, mas uma habilidade de questionamento constante. Tal postura promove uma busca contínua pela verdade e permite uma visão mais flexível do que se entende por conhecimento. (OLIVEIRA,2017)

Historicamente, filósofos como Sócrates exemplificaram essa visão, ao admitir sua própria ignorância como um ponto de partida para o saber. A humildade socrática perante o desconhecido ilustra o papel essencial que a ignorância desempenha na formação da sabedoria. A aceitação das limitações do conhecimento humano permite um avanço mais genuíno em direção à verdade. (LADISLAU,2016)

Além disso, a ignorância ativa desafia a crença na certeza absoluta, que muitas vezes limita o progresso intelectual. Quando se adota uma postura de humildade, tornase possível abrir espaço para novas ideias e expandir o entendimento. Isso sugere que a sabedoria verdadeira inclui não apenas o que é conhecido, mas também o que ainda precisa ser explorado. (DALBERT,2012)

Dessa forma, a relação entre conhecimento e ignorância revela a importância da abertura e da flexibilidade na busca pela sabedoria. A verdadeira compreensão envolve uma disposição para revisar convicções e para adotar novas perspectivas. Dessa forma, a ignorância ativa se torna uma ferramenta valiosa no desenvolvimento de uma sabedoria que ultrapassa as fronteiras do conhecimento convencional. (LIMA,2015)

A ideia de que a sabedoria ultrapassa a simples aquisição de informações propõe um novo entendimento sobre o valor do conhecimento. Em vez de ser um fim em si mesma, a sabedoria envolve a capacidade de reconhecer o que não se sabe e de questionar as próprias certezas. Esse processo promove um desenvolvimento contínuo da mente, pois leva a reflexões profundas sobre o sentido e o valor das informações acumuladas. (MANSUR,2018)

Ao considerar a ignorância como um componente fundamental, o entendimento sobre sabedoria adquire uma dimensão mais dinâmica e flexível. Essa visão crítica do saber não apenas desafia a ideia de que a acumulação de dados é suficiente, mas também destaca a importância do discernimento para interpretar informações. A ignorância ativa, assim, revela-se como uma prática que fortalece a busca por conhecimento significativo. (BARREIROS,2013)

Além disso, ao integrar a ignorância como um aspecto positivo, abre-se espaço para uma aprendizagem constante. A humildade em admitir a ignorância torna o indivíduo mais receptivo a novas perspectivas e ao entendimento de complexidades. Isso reflete um avanço na compreensão de que o saber envolve tanto a busca por respostas quanto o reconhecimento das limitações inerentes ao conhecimento humano. (JOANA,2017)

Esse processo leva à valorização da dúvida como elemento fundamental da sabedoria. A incerteza, longe de ser um obstáculo, torna-se um motor para a descoberta e para a inovação. A filosofia, ao explorar essa noção, amplia os horizontes do conhecimento, ao mesmo tempo em que valoriza o papel da curiosidade e do questionamento. (AQUINO,2014)

Assim, essa abordagem promove uma visão de sabedoria que não se limita ao que já é conhecido, mas se expande continuamente. A sabedoria, nesse contexto, passa a ser um exercício de autocrítica, onde o conhecimento se transforma em uma ferramenta para um entendimento mais profundo da existência, e a ignorância ativa se consolida como uma força essencial no processo de aprendizado. (DANTAS,2015)

A perspectiva integradora entre sabedoria e ignorância questiona a concepção tradicional de que o conhecimento deve ser completo e absoluto. Em vez disso, essa visão enfatiza o caráter processual do saber, onde a intersecção entre o que é conhecido e o que se ignora cria um terreno fértil para novas descobertas. Essa integração propõe uma filosofia mais aberta e adaptável, que reconhece a incompletude do conhecimento humano. (LIMA,2015)

Ao romper com a busca pela certeza absoluta, essa abordagem incentiva a investigação contínua e o desenvolvimento de um pensamento mais flexível. O reconhecimento da ignorância permite que as ideias sejam constantemente revisadas e aprimoradas, contribuindo para uma sabedoria que valoriza tanto o conhecimento quanto o questionamento. Esse ciclo de revisão é essencial para o progresso intelectual e filosófico. (OLIVEIRA,2017)

Essa postura não apenas desafia o pensamento convencional, mas também promove a importância de uma mente aberta na busca pela verdade. A disposição para confrontar o desconhecido possibilita que o indivíduo desenvolva uma sabedoria mais abrangente, ao mesmo tempo em que refina suas habilidades críticas. A dúvida, assim, se torna uma ferramenta essencial na construção de um conhecimento mais completo. (JOANA,2017)

Ao entender a sabedoria como um processo dinâmico, a filosofia passa a incorporar a ignorância ativa como um elemento essencial do saber. Esse processo se opõe à ideia de que o conhecimento é um estado final e definitivo, e ao contrário, defende que a sabedoria é continuamente moldada pela interação entre o que se sabe e o que ainda se desconhece. (SANTOS,2015)

Dessa forma, a sabedoria se configura como uma jornada de constante descoberta, onde a interseção entre saber e ignorância amplia a capacidade de compreensão. Esse entendimento revela que o conhecimento verdadeiro não está apenas nas respostas, mas também nas perguntas que permanecem em aberto, enriquecendo a própria experiência filosófica e intelectual.  (BARREIROS,2013)

O conceito de ignorância ativa propõe uma visão inovadora sobre a relação entre certeza e conhecimento. Em vez de tratar a ignorância como uma limitação, essa abordagem a considera como uma força catalisadora para o desenvolvimento da sabedoria. Essa perspectiva incentiva uma atitude de abertura e humildade em relação ao saber, onde a incerteza é um impulso para explorar novas possibilidades de compreensão. (DANTAS,2015)

A aceitação da incerteza se torna um aspecto central na busca pela verdade, pois permite que o conhecimento seja constantemente revisitado e aprimorado. Essa postura favorece uma filosofia que valoriza a flexibilidade e a adaptabilidade, em oposição a uma visão rígida e estática do saber. A ignorância ativa, então, se torna um estímulo para a evolução contínua do entendimento humano. (AQUINO,2014)

Além disso, a abertura para a ignorância promove um conhecimento mais robusto, pois possibilita o confronto de ideias divergentes. A disposição para questionar as próprias convicções conduz a um saber mais profundo, onde o conhecimento é construído a partir da interação entre certeza e dúvida. Essa interseção fortalece a busca pela verdade e evita o dogmatismo. (LIMA,2015)

A valorização da ignorância ativa desafia a ideia de que o conhecimento é uma busca por respostas definitivas. Em vez disso, enfatiza a importância das perguntas e do questionamento constante, considerando a incerteza como parte essencial do processo de aprendizado. Esse entendimento redefine a sabedoria como um equilíbrio entre o que se sabe e o que permanece incerto. (DALBERT,2012)

Assim, a ignorância ativa surge como um elemento que transforma a busca pelo saber em uma experiência enriquecedora e desafiadora. Essa perspectiva destaca o papel da incerteza como uma força motivadora, que amplia os limites do entendimento humano e promove uma filosofia mais aberta e inclusiva, onde a sabedoria é um exercício contínuo de questionamento. (OLIVEIRA,2017)

A compreensão mais completa da existência emerge da interação entre sabedoria e ignorância, permitindo que o conhecimento evolua constantemente. Essa visão integradora rompe com o pensamento tradicional e sugere que o saber não é uma condição estática, mas um processo em transformação. A filosofia, ao explorar essa relação, amplia os horizontes da reflexão humana e contribui para uma percepção mais rica do mundo. (MANSUR,2018)

O estudo da interseção entre sabedoria e ignorância promove um entendimento que valoriza o autoconhecimento e a autoanálise. Reconhecer o que não se sabe é um passo crucial para a evolução intelectual, pois possibilita que o indivíduo enfrente suas próprias limitações e explore novas perspectivas. Esse processo de reconhecimento é fundamental para a construção de uma sabedoria genuína. (BARREIROS,2013)

Ao propor uma filosofia que incorpora a ignorância, abre-se espaço para uma busca pelo saber que vai além das respostas. Essa abordagem valoriza o processo de questionamento e a descoberta, e considera a ignorância como uma parte inseparável do conhecimento. Assim, a filosofia se transforma em uma prática que encoraja o desenvolvimento contínuo e a evolução do entendimento. (LADISLAU,2016)

Essa abordagem permite uma expansão do saber que transcende a simples aquisição de informações. A sabedoria, nesse contexto, é vista como uma prática constante de revisão e aprimoramento, onde o conhecimento é construído a partir da relação entre certeza e dúvida. Essa visão dinamiza o processo de aprendizado e promove uma compreensão mais abrangente. (LIMA,2015)

A interseção entre sabedoria e ignorância amplia as perspectivas da filosofia ao integrar a noção de que o saber não se trata apenas de acumular conhecimento, mas de entender as limitações e potencialidades do que se conhece. Esse reconhecimento das incertezas permite que a filosofia transcenda as ideias consolidadas, abrindo-se para uma visão de mundo onde o questionamento é tão importante quanto as respostas obtidas. Ao aceitar que o saber é sempre provisório e em constante construção, o pensamento filosófico enriquece sua capacidade de interpretação e adaptação frente a uma realidade complexa e multifacetada. Essa abordagem permite, assim, que o indivíduo e a filosofia avancem em uma busca contínua pelo entendimento de questões fundamentais. (AQUINO,2014)

A abertura para a ignorância, nesse sentido, revela-se como uma ferramenta poderosa de crescimento pessoal, pois coloca o indivíduo em contato com a própria vulnerabilidade e incertezas. Ao admitir o desconhecimento, surge a oportunidade de desenvolver uma humildade intelectual que fortalece a capacidade de aprendizado e de autoconhecimento. Esse processo valoriza o erro e o desconhecido como parte essencial da construção de uma sabedoria autêntica e duradoura. Dessa forma, o indivíduo passa a entender que o saber não é um estado final, mas um processo de constante revisão e reavaliação, onde o que se desconhece atua como um impulso para o autodesenvolvimento e para uma compreensão mais profunda da própria existência. (SANTOS,2015)

Essa perspectiva também desafia a concepção tradicional de que a sabedoria deve sempre fornecer respostas claras e definitivas. Ao invés disso, a filosofia, ao valorizar a interseção entre saber e ignorância, propõe uma abordagem que respeita e abraça a complexidade do mundo e do ser humano. Essa aceitação das incertezas permite que a sabedoria se torne uma prática de abertura ao desconhecido, onde as respostas são sempre provisórias e sujeitas a novos questionamentos. Assim, a filosofia se reinventa como uma prática que não se limita a explicar, mas que também se dedica a explorar o mistério e o desconhecido, promovendo uma compreensão mais ampla e inclusiva do ser e da realidade. (MANSUR,2018)

Além disso, o equilíbrio entre sabedoria e ignorância fortalece o pensamento crítico, pois incentiva o indivíduo a questionar o que é considerado verdadeiro e a explorar as múltiplas camadas de interpretação. A ignorância ativa, nesse contexto, age como um estímulo para uma investigação mais profunda e independente, onde o saber não é simplesmente aceito, mas analisado e contestado. Esse processo de avaliação crítica leva a um saber que é constantemente testado e refinado, permitindo que o conhecimento se torne uma ferramenta de transformação pessoal e social. A filosofia, ao abraçar essa abordagem, cria uma base sólida para um saber que é flexível, dinâmico e orientado para o crescimento. (OLIVEIRA,2017)

Por fim, a interseção entre sabedoria e ignorância destaca a importância do autoconhecimento como um pilar fundamental para o entendimento do mundo. Ao explorar as próprias limitações e os próprios desconhecimentos, o indivíduo passa a desenvolver uma compreensão mais empática e profunda da realidade. Esse processo leva a uma sabedoria que não apenas busca respostas, mas também aceita e compreende a natureza complexa e incerta da existência humana. Assim, a filosofia se torna um meio para a construção de uma consciência mais completa e para o desenvolvimento de uma relação mais harmônica entre o indivíduo e o mundo, promovendo um entendimento que transcende o intelecto e integra as dimensões emocional e existencial do ser. (LIMA,2015)

3. CONCLUSÃO

A interseção entre sabedoria e ignorância, ao ser examinada de forma mais profunda, revela-se como um alicerce para a ampliação da compreensão humana. Ao compreender a ignorância não como uma simples ausência de saber, mas como um espaço fecundo de reflexão e questionamento, o conhecimento humano se expande para além dos limites convencionais e se orienta por uma perspectiva mais abrangente. Essa postura crítica frente ao desconhecido não só desafia a ideia de que o saber deve ser completo e definitivo, mas também celebra a incerteza como uma força motriz na busca por um entendimento mais profundo e genuíno. Nesse sentido, a filosofia não mais se contenta em acumular dados ou respostas, mas passa a cultivar uma postura de abertura e transformação contínua.

Além disso, o reconhecimento das limitações intrínsecas ao conhecimento humano promove uma humildade intelectual que é fundamental para o verdadeiro aprendizado. Essa humildade é o que diferencia a sabedoria da mera erudição, pois permite que o indivíduo permaneça receptivo a novas ideias e visões, transformando o processo de aprendizado em uma jornada que valoriza tanto as certezas quanto as dúvidas. Aceitar a ignorância ativa como uma parte integrante da sabedoria estimula uma busca incessante pela verdade que transcende as respostas imediatas e questiona constantemente as próprias bases do saber. Isso faz com que a filosofia se torne uma prática de constante renovação e de revisão crítica, capacitando o pensamento humano a se desenvolver de forma mais rica e significativa.

A presença da ignorância ativa na formação da sabedoria permite, ainda, uma abordagem mais colaborativa do conhecimento, onde múltiplas perspectivas e interpretações são valorizadas. Essa diversidade de ideias gera um conhecimento mais dinâmico e inclusivo, no qual a complexidade do mundo e da existência humana é reconhecida e explorada de forma mais completa. Essa interseção entre o saber e o não saber desafia a filosofia a transcender as barreiras da compreensão individual e a abraçar uma visão de saber que é, ao mesmo tempo, pessoal e universal. A ignorância, nesse contexto, atua como um elemento que conecta o ser humano ao desconhecido e ao mistério da existência, criando um saber que está sempre em evolução.

A reavaliação do papel da ignorância ativa como parte da sabedoria representa uma verdadeira revolução na forma de pensar e de entender o mundo. Ao invés de ver a ignorância como um obstáculo, a filosofia passa a tratá-la como uma fonte de inspiração para novas descobertas. Esse enfoque desafia os paradigmas tradicionais e promove uma filosofia mais empática e aberta, onde o conhecimento se torna um processo de contínua transformação. Esse avanço filosófico oferece uma base sólida para um entendimento mais profundo e humano, onde a busca pelo saber é guiada não pela certeza, mas pela curiosidade e pela disposição em explorar o desconhecido.

Por fim, a análise da interseção entre sabedoria e ignorância não só propõe uma redefinição do que é conhecimento, mas também traz uma contribuição essencial para o desenvolvimento pessoal e coletivo. Ao reconhecer o valor do que não se sabe, o pensamento filosófico se abre para um futuro de constante crescimento e descoberta, onde a sabedoria verdadeira é aquela que abraça a incerteza e vê na ignorância um caminho para o autoconhecimento e para a compreensão do mundo. Dessa forma, a filosofia, ao explorar essa interseção, expande suas fronteiras e se reafirma como uma prática vital e transformadora, que orienta a busca pela verdade e pelo entendimento humano com uma profundidade renovada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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