REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202509191808
Maria Valneide Gomes Andrade Coelho1; Daniela Bassi Dibai2, Nailde Melo Santos3, Aiza Leal de Almeida Bezerra4, Raquel Coelho Netto da Costa5, Maria Goreth Ferreira Braga da Silva6, Francisca Paula Lopes Lima7, José Adailton Roland Diniz8
Resumo
Introdução: A esterilização de materiais em odontologia é uma etapa crucial para garantir a segurança dos procedimentos e prevenir a transmissão de infecções. Diante da constante evolução tecnológica e da emergência de novos patógenos, a inovação nas práticas de esterilização se faz necessária. Objetivo: Analisar as inovações tecnológicas e identificar as boas práticas em esterilização de materiais odontológicos. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa destacando as inovações e boas práticas em esterilização de materiais odontológicos. A busca foi realizada nas seguintes bases de dados: – PubMed, Scielo e LILACS -, com critérios específicos definidos para a seleção dos estudos, incluindo a relevância para o tema com idiomas em inglês, português e espanhol), e o período de publicação, sendo feito um janelamento de 2018 2024). Com base nos dados extraídos, realizou-se uma síntese qualitativa e quantitativa (quando aplicável) dos resultados, discutindo as inovações tecnológicas em esterilização, as práticas adotadas, e o impacto destas sobre a segurança dos procedimentos odontológicos e a prevenção de infecções. Foram excluídos os artigos duplicados. Resultados: Foram encontrados 40 artigos e após processo de refinamento, foi realizada a leitura dos artigos na íntegra, para anular quaisquer dúvidas permanecendo 12 artigos, que atendiam a todos os critérios de inclusão, refletindo o compromisso da comunidade científica e profissional em garantir a qualidade e a segurança dos cuidados odontológicos. Os resultados apontam para a eficácia de novas tecnologias, como esterilizadores de baixa temperatura e sistemas de rastreabilidade, que não apenas asseguram a eliminação de microrganismos, mas também preservam a integridade dos instrumentos mais sensíveis. Discussão: Esta revisão destaca a importância da capacitação contínua dos profissionais envolvidos nos processos de esterilização e a necessidade de adesão rigorosa a protocolos estabelecidos. A implementação de boas práticas, aliada ao uso de tecnologias inovadoras, demonstrou não apenas um aumento significativo na segurança dos procedimentos odontológicos, mas também uma otimização dos recursos, reduzindo desperdícios e custos operacionais. Conclusão: A importância de uma abordagem integrada, que combine inovação tecnológica, educação continuada e adesão estrita a protocolos, visa melhorar a esterilização de materiais em odontologia e, consequentemente, a segurança do paciente e profissionais. Tal abordagem não só eleva o padrão de segurança para ambos, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental e econômica das práticas odontológicas.
Palavras-chave: Esterilização; Inovação; Boas Práticas.
Abstract
Introduction: The sterilization of materials in dentistry is a crucial step in guaranteeing the safety of procedures and preventing the transmission of infections. In the face of constant technological evolution and the emergence of new pathogens, innovation in sterilization practices is necessary. Objective: To analyze technological innovations and identify good practices in the sterilization of dental materials. Methodology: This is a integrative review highlighting innovations and good practices in the sterilization of dental materials. The search was carried out in the following databases: – PubMed, Scielo and Lilacs-, with specific criteria defined for the selection of studies, including relevance to the topic with languages in English, Portuguese and Spanish), and the period of publication, with a window being made of 2018 2024). Based on the data extracted, a qualitative and quantitative (where applicable) synthesis of the results was carried out, discussing technological innovations in sterilization, the practices adopted, and their impact on the safety of dental procedures and infection prevention. Duplicate articles were excluded. Results: 40 articles were found and, after a process of refinement, the articles were read in their entirety to remove any doubts, leaving 12 articles that met all the inclusion criteria, reflecting the commitment of the scientific and professional community to guaranteeing the quality and safety of dental care. The results point to the effectiveness of new technologies, such as low-temperature sterilizers and traceability systems, which not only ensure the elimination of microorganisms, but also preserve the integrity of the most sensitive instruments. Discussion: This review highlights the importance of continuous training for professionals involved in sterilization processes and the need for strict adherence to established protocols. The implementation of good practices, combined with the use of innovative technologies, has demonstrated not only a significant increase in the safety of dental procedures, but also an optimization of resources, reducing waste and operating costs. Conclusion: The importance of an integrated approach, combining technological innovation, continuing education and strict adherence to protocols, aims to improve the sterilization of materials in dentistry and, consequently, the safety of patients and professionals. Such an approach not only raises the standard of safety for both, but also contributes to the environmental and economic sustainability of dental practices.
Keywords: Sterilization; Innovation; Good Practices.
1 Introdução
A esterilização de materiais em odontologia constitui uma das pedras angulares na prevenção de infecções cruzadas entre pacientes e profissionais da saúde. Este processo fundamental assegura não apenas a segurança do atendimento, mas também reflete o compromisso dos profissionais com práticas baseadas em evidências científicas e excelência clínica. A esterilização de materiais em odontologia é uma etapa crucial para garantir a segurança dos procedimentos e prevenir a transmissão de infecções. Diante da constante evolução tecnológica e da emergência de novos patógenos, a inovação nas práticas de esterilização se faz necessária (De Oliveira DG et al., 2023).
No contexto da saúde bucal, onde instrumentos, dispositivos e materiais são frequentemente utilizados em contato direto com os tecidos e fluídos corporais dos pacientes, a esterilização adequada é essencial para manter um ambiente seguro e livre de riscos para a saúde. É uma etapa fundamental nos procedimentos odontológicos, garantindo a segurança dos pacientes e a eficácia dos tratamentos. A busca por inovação e a adoção de boas práticas nesse processo tornam-se cada vez mais essenciais para enfrentar os desafios complexos associados à prevenção de infecções (Silva P; Silva S, 2020).
A inovação no campo da esterilização odontológica abrange desde o desenvolvimento de novas tecnologias e métodos até a atualização de protocolos e diretrizes de segurança. Novos dispositivos, como autoclaves de última geração e sistemas de monitoramento de processos, estão sendo introduzidos para garantir a esterilidade dos instrumentos e materiais utilizados na prática odontológica. Em outras palavras, está intrinsecamente ligada à necessidade de melhorias contínuas nos processos de esterilização, visando aprimorar a eficiência, a eficácia e a sustentabilidade dessas práticas (Dutra STO, 2022).
As boas práticas em esterilização envolvem a implementação de procedimentos padronizados, treinamento adequado dos profissionais de saúde, manuseio correto de materiais contaminados e a manutenção regular dos equipamentos. Essas práticas não apenas minimizam o risco de infecções cruzadas, mas também contribuem para a qualidade dos serviços odontológicos prestados. As boas práticas em esterilização representam a aplicação consistente de protocolos e diretrizes baseados em evidências científicas, bem como a adoção de medidas de controle de qualidade e segurança (Silva KD, 2021).
A integração efetiva de inovação e boas práticas na esterilização de materiais em odontologia não apenas assegura a conformidade com as regulamentações e padrões de qualidade, mas também promove uma prestação de cuidados odontológicos mais segura, confiável e eficiente para os pacientes (Rodrigues MFR et al., 2019).
Através de uma análise detalhada de métodos contemporâneos de esterilização, novos materiais e tecnologias emergentes, esta revisão visa fornecer um panorama abrangente das estratégias atuais e futuras para enfrentar desafios persistentes na esterilização em odontologia, fundamentando-se em evidências científicas e práticas recomendadas por organizações de saúde globais.
Neste contexto, a pesquisa e a disseminação de conhecimentos sobre inovação e boas práticas em esterilização de materiais em odontologia desempenham um papel crucial na melhoria contínua dos padrões de segurança e na promoção da saúde bucal da população. Esta introdução busca contextualizar a importância e a relevância desse tema, fornecendo uma base sólida para a discussão dos resultados e das conclusões alcançadas neste estudo.
O objetivo da pesquisa é analisar as inovações tecnológicas e identificar as boas práticas em esterilização de materiais odontológicos, visando aprimorar a segurança dos procedimentos odontológicos e a eficácia na prevenção de infecções cruzadas, além de otimizar recursos e reduzir custos operacionais.
2 Metodologia
Trata-se de uma revisão integrativa destacando as inovações e boas práticas em esterilização de materiais odontológicos.
Foram incorporadas todas as pesquisas que atendessem aos critérios de inclusão, que compreenderam a: artigos que apresentassem em seu conteúdo obrigatoriamente, abordagem sobre a temática, nos idiomas inglês, espanhol e português, de caráter quantitativo ou qualitativo, com desenhos descritivos, além de revisões de literatura, que encontrassem disponíveis na íntegra e publicações gratuitas. Por se tratar de um tema de grande número, o período escolhido para a análise envolveu artigos publicados entre 2018 e 2024.
A pesquisa foi realizada em bases de dados eletrônicas reconhecidas, como Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MedLine/PubMed), Scientific Eletronic Library Online (Scielo) e Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), utilizando uma combinação de descritores relevantes, como “esterilização”, “odontologia”, “inovação”, “boas práticas”, e “segurança do paciente”. Após a busca inicial, os títulos e resumos dos artigos encontrados foram examinados para verificar a aderência aos critérios de inclusão. Os artigos selecionados nesta fase passaram por uma leitura integral para uma avaliação mais detalhada.
Foi realizada uma avaliação da qualidade metodológica dos estudos selecionados, considerando aspectos como a clareza dos objetivos, adequação da metodologia, e consistência dos resultados e conclusões.
Foram encontrados 40 artigos, sendo 15 nas bases de dados Pubmed/Medline, 12 no Lilacs e 13 na biblioteca virtual Scielo. Foi então realizada leitura de todos os resumos dos artigos selecionados, a fim de resgatar apenas os que contemplassem o tema em questão. Ainda para processo de refinamento, foi realizada a leitura dos artigos na íntegra, para anular quaisquer dúvidas quanto à inclusão do artigo na revisão. Após esta etapa, permaneceram no estudo 12 artigos, que atendiam a todos os critérios de inclusão acima citados. O enfoque principal foi dado aos resultados e conclusões dos artigos, a fim de resgatar as melhores evidências sobre inovações e boas práticas em esterilização de materiais odontológicos.

Para os estudos incluídos na revisão, foram extraídos dados pertinentes, como título, autor(es), ano de publicação, metodologia e principais achados. Essas informações foram sistematizadas para facilitar a análise e discussão.
Com base nos dados extraídos, realizou-se uma síntese qualitativa e quantitativa (quando aplicável) dos resultados, discutindo as inovações tecnológicas em esterilização, as práticas adotadas, e o impacto destas sobre a segurança dos procedimentos odontológicos e a prevenção de infecções.
3 Resultados
Os resultados apontam 12 publicações para a eficácia de novas tecnologias, como esterilizadores de baixa temperatura e sistemas de rastreabilidade, que não apenas asseguram a eliminação de microrganismos, mas também preservam a integridade dos instrumentos mais sensíveis.
Algumas publicações discutem os desafios enfrentados na implementação de boas práticas de esterilização, como a falta de recursos adequados em algumas clínicas odontológicas e a necessidade de educação continuada para os profissionais. Ao mesmo tempo, são apresentadas oportunidades para aprimorar os processos de esterilização por meio da colaboração interdisciplinar, investimentos em treinamento e uso de tecnologias inovadoras acessíveis, conforme demonstra o Quadro 1.
Quadro 1. Demonstrativo de artigos selecionados relacionados à inovação e boas práticas em esterilização de materiais em odontologia
Título | Autor(es)/ ano | Métodos | Principais achados |
| Implantação de um software para controle da central de esterilização do curso de Odontologia da Universidade Positivo | Silva SR et al./ 2018 | Um software foi desenvolvido pelo serviço de Gestão de Tecnologia da Informação (TI) da Universidade Positivo, denominado sistema de esterilização, com o principal objetivo de controlar a entrada e saída de materiais da Central de Esterilização (CE) | O software demonstra ter um maior controle dos materiais a partir da saída da CE até o atendimento do paciente, já que todos os materiais retirados recebem etiquetas constando a data de esterilização e o prazo de validade |
| Avaliação da efetividade da esterilização química pelo ácido peracético em brocas odontológicas: estudo piloto | Vargas P et al./ 2018 | Por meio de um estudo experimental foi testada a eficácia do processo de esterilização do ácido em brocas de aço, carbide e diamantadas, contaminadas com biofilme bacteriano de cepas de S. aureus, S. mutans e E. faecalis. Também foi verificado por intermédio de microscopia eletrônica de varredura se houve oxidação na superfície das brocas | Constatou-se que a utilização da desinfecção química pelo ácido peracético não apresenta a eficácia desejada em brocas de aço, e que o composto mostra efeito corrosivo sobre brocas de aço e diamantadas. Entretanto, o uso do ácido peracético em brocas carbide pode ser indicado na prática clínica. |
| Avaliação das formas e métodos de eficácia de esterilização empregados por cirurgiões dentistas da cidade de Teresina/PI. | Cravinhos JCP et al./ 2019 | Trata-se de um estudo observacional transversal conduzido em consultórios odontológicos da cidade de Teresina/PI. | É fundamental que o equipamento utilizado para a esterilização seja monitorado regularmente, sendo, assim, possível verificar se ele está funcionando a uma temperatura e pressão que eliminarão todos os microrganismos |
| Prazo de validade de esterilização de artigos utilizados em uma clínica odontológica | Maciel YKQ et al./ 2019 | Trata-se de um estudo experimental, no qual foram utilizados tubos de ensaio embalados em papel grau cirúrgico, armazenados por 84 dias em três partes das prateleiras. Após, foi realizado contagem e identificação das unidades formadoras de colônias (UFC). | Os materiais avaliados são estéreis e após uma semana de armazenamento apresentou UFC nas culturas, com relação a definição baseada na probabilística de estudos da cinética da morte microbiana, os artigos mantiveram sua esterilidade pelos 84 dias de prateleira. |
| Ambiente cirúrgico odontológico: uma fonte em potencial de infecção cruzada. | De Lima ELF et al./ 2019 | Coletou-se amostras microbiológicas das bancadas e campo cirúrgico de dez (10) cirurgias eletivas que aconteceram nas Clínicas Odontológicas da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, antes e depois do procedimento cirúrgico. Esta pesquisa caracteriza- se por ser do tipo descritiva exploratória de corte transversal, com abordagem quantitativa. | Antes da cirurgia, em todos os casos, mesmo após desinfecção com álcool 70°, foi encontrado Enterobacter sobre a bancada, indicando que a desinfecção da superfície não seria suficiente para acabar com esses microrganismos patogênicos que são resistentes a ação desinfetante do álcool. |
| Eficácia de agentes químicos na desinfecção de tubetes anestésicos odontológicos | Dutra MJ et al./ 2020 | Foram selecionados como produtos desinfetantes o álcool etílico a 70% (A70), o dióxido de cloro estabilizado a 7% (DC) e o cloreto de benzalcônio 5,2% com polihexametileno biguanida 3,5% (CBPB). Os produtos DC e CBPB foram diluídos na proporção recomendada pelos fabricantes no mesmo dia da realização do experimento | O estudo confirmou a presença de microrganismos em tubetes anestésicos. Os protocolos de desinfecção em imersão por 10 minutos com os produtos utilizados mostraram-se ineficazes na redução da carga microbiana. Dos protocolos de desinfecção por fricção, somente o dióxido de cloro não foi capaz de eliminar os microrganismos dos tubetes anestésicos. |
| Monitoramento Biológico de autoclaves de consultórios odontológicos de cidades do interior de Mato Grosso Do Sul (MS) | Melo AMMF et al./ 2020 | Trata-se de um estudo transversal observacional baseado em pesquisa de campo descrevendo o número de autoclaves com capacidade adequada e inadequada em eliminar agentes microbianos nocivos sem, no entanto, o compromisso de estabelecer os fatores relacionados à causa do resultado | Os resultados corroboram para que haja maior controle de qualidade dos procedimentos envolvendo a esterilização de instrumentais dentro da área odontológica visando evitar contaminações cruzadas. |
| A importância das barreiras físicas no controle da contaminação dos equipamentos odontológicos | Cunha GRS et al./ 2021 | Trata-se de estudo microbiológico experimental e apresenta natureza quantitativo, com enfoque descritivo sobre a análise da presença ou ausência de microrganismos na superfície da mesa auxiliar, alça do refletor, seringa tríplice e apoio de braços, com ou sem proteção plastificada. | Ao realizar análise da presença de contaminações microbiológicas em utensílios e equipamentos odontológicos antes e após a retirada das barreiras físicas, foi identificado a eficácia das barreiras (física) no controle da contaminação, quando seguido corretamente os protocolos de biossegurança para desinfecção, esterilização, limpeza em geral e cuidados para proteger a saúde dos profissionais e clientes |
| Esterilização de instrumental odontológico em papel grau cirúrgico: avaliação da eficácia dos métodos de empacotamento numa rotina de consultório | Santos JG et al./ 2022 | Foram avaliados 20 instrumentos clínicos odontológicos dentro de bandeja clínica e divididos em grupo experimental com 10 pacotes embalados com a película voltada para baixo e outros 10 pacotes compondo o grupo controle que serão embalados com a película voltada para cima. Esterilizados em autoclave de vapor úmido, juntamente com indicador biológico Essencedental® para validação da eficiência do processo, e acondicionados em ambiente limpo e seco. | A forma de empacotamento do grupo controle, película transparente voltada para cima, mostrou-se mais conveniente por permitir a visualização do instrumental contido no seu interior. Sua outra grande vantagem é que, dessa forma, o que está em contado direto com os instrumentais é a película de poliéster/polipropileno, na qual apresenta maior resistência à perfuração pelo atrito com instrumentais perfurocortantes de seu interior. |
| Análise da contaminação bacteriana de canetas de alta rotação, in vitro, antes e depois de diferentes métodos de assepsia. | Fior BW et al./ 2022 | Para a verificação da contaminação bacteriana foram selecionadas 30 canetas de alta rotação (sorteio) de acadêmicos de odontologia. Imediatamente antes e depois do atendimento, foram coletadas amostras bacterianas da parte externa e interna das canetas de alta rotação. Após, estas foram divididas em três grupos de tratamento e novas coletas foram feitas depois dos procedimentos de assepsia. As amostras foram semeadas em ágarcérebro-coração e incubadas (370C/48h). | As canetas esterilizadas (G2), tiveram elevada eliminação da contaminação bacteriana da parte externa, porém, internamente, nenhum método foi eficiente para controlar a carga microbiana. A desinfecção reduziu somente a carga microbiana da porção externa das canetas de alta rotação, (G1; G3). Sugere-se que a esterilização seja o protocolo de assepsia de escolha, pois garante uma redução mais segura do crescimento bacteriano nas canetas de alta rotação. |
| Análisis microbiológico a corto y largo plazo del material usado para esterilizar instrumental odontológico. | Carrasco- Ruíz et al./ 2023 | Foi realizado um estudo experimental no qual foram utilizadas sondas periodontais acondicionadas em sacos de pano, plástico e papel, as mesmas foram esterilizadas e as culturas foram realizadas em quatro momentos diferentes: imediatamente, 24 horas, sete e 14 dias após o processo de esterilização. | Foi evidenciado maior eficácia do papel como material de esterilização, o plástico apresenta menor eficácia e o tecido não é eficaz. Em muitas ocasiões, os instrumentos odontológicos são armazenados e utilizados após um determinado período de tempo após a esterilização. |
| Processo de esterilização de materiais odontológicos: avaliação padronização em tempos de pandemia de Covid-19 | Souza FC; Fabião CD/ 2023 | Os dados foram obtidos em um único momento através de respostas dadas pela aplicação de um questionário para o profissional responsável pelo processo de esterilização de cada local. | Em relação à rastreabilidade do processo de esterilização, recomenda-se identificar as embalagens antes da esterilização, podendo ser feita na fita, com uma etiqueta adesiva, uso de carimbo ou no próprio papel grau cirúrgico, devendo constar a data e validade da esterilização e nome do funcionário responsável pelo processamento do artigo. |
Fonte: autoria própria, 2024
4 Discussão
A revisão destaca a importância da capacitação contínua dos profissionais envolvidos nos processos de esterilização e a necessidade de adesão rigorosa a protocolos estabelecidos. A implementação de boas práticas, aliada ao uso de tecnologias inovadoras, demonstrou não apenas um aumento significativo na segurança dos procedimentos odontológicos, mas também uma otimização dos recursos, reduzindo desperdícios e custos operacionais.
Uma análise dos resultados encontrados pode destacar os avanços tecnológicos recentes na esterilização de materiais odontológicos. Maia FA et al. (2021) inclui o uso de tecnologias como autoclaves de vácuo, esterilização por plasma de peróxido de hidrogênio, esterilização a baixa temperatura, entre outras.
Marcondes MMS; Montanari DCP (2020) corroboram ao dizer que na prática odontológica, a esterilização eficaz é essencial não apenas para a segurança do paciente, mas também para a proteção dos profissionais de saúde. Barrêto BS (2019) diz o mesmo que utilizar avançadas tecnologias de esterilização, como autoclaves de vácuo, esterilização por plasma de peróxido de hidrogênio e métodos de esterilização a baixa temperatura, eleva a eficácia na eliminação de microorganismos. Estas técnicas garantem que uma ampla variedade de instrumentos possa ser esterilizados de maneira eficiente, incluindo aqueles sensíveis ao calor ou à umidade, que são comuns em consultórios odontológicos.
Depois de identificar os riscos à saúde pública, Nascimento LCS et al. (2024) ressalvam que é essencial implementar medidas de controle. Isso vai além do uso de leis; envolve a utilização de uma variedade de ferramentas, incluindo a promoção de consciência e educação em saúde, sistemas de informação eficazes, fiscalização da qualidade de produtos e serviços, vigilância de efeitos adversos ligados ao trabalho, ambiente, e uso de tecnologias médicas, água e alimentos. Essas ações combinadas são fundamentais para prevenir riscos e proteger a saúde da população.
Após o uso, os instrumentos odontológicos passam por um rigoroso processo de esterilização para eliminar qualquer risco de contaminação cruzada. Primeiramente, são limpos para remover resíduos biológicos, como sangue e saliva. Na pesquisa de Fernandes BOF (2021) foi observado que a limpeza pode ser feita manualmente ou com auxílio de equipamentos como ultrassons, que ajudam a desalojar partículas difíceis. Em seguida, os instrumentos são inspecionados para garantir que estejam completamente limpos e sem danos.
Ao integrar essas tecnologias avançadas em suas rotinas, os profissionais de odontologia não apenas melhoram a segurança e a eficácia de seus procedimentos de esterilização, mas também demonstram um compromisso com a prestação de cuidados de saúde de alta qualidade e seguros para seus pacientes (Avais LS et al., 2022).
Estudo de Oliveira JSM; Santos RPS; Menezes CPF (2023) evidenciou o papel do treinamento e da educação contínua na garantia da implementação eficaz das boas práticas de esterilização. Bendo CB; Assunção CM (2021) abordam programas de capacitação para os profissionais de odontologia, simulações de cenários clínicos para prática de esterilização e a importância do conhecimento atualizado sobre as melhores práticas.
A inovação e as boas práticas em esterilização, segundo Brugnoli C (2019) têm um impacto significativo na segurança dos pacientes na prática odontológica. Para Stonoga VI (2020), a introdução de novas tecnologias e procedimentos de esterilização não só aumentou a eficácia na eliminação de microorganismos, mas também melhorou a eficiência dos processos, permitindo que os profissionais de odontologia cumpram com rigorosos padrões de higiene e controle de infecções com maior facilidade. Isso se traduz em vários benefícios diretos para a segurança dos pacientes.
A implementação rigorosa de protocolos de esterilização avançados garante que cada instrumento seja completamente esterilizado antes de entrar em contato com outro paciente. Isso minimiza o risco de transmissão de patógenos, incluindo bactérias, vírus e fungos, de um paciente para outro (Trindade CS et al., 2023).
A odontologia, como campo da saúde, está sempre evoluindo com base em pesquisas científicas. As inovações em esterilização são frequentemente acompanhadas por estudos que demonstram sua eficácia, permitindo que os dentistas adotem práticas baseadas em evidências que garantem a segurança do paciente (Soares MS et al., 2020).
5 Conclusão
A revisão sistemática revelou que a inovação e a implementação de boas práticas em esterilização de materiais em odontologia são fundamentais para assegurar a segurança dos procedimentos e prevenir infecções cruzadas. As tecnologias de esterilização de baixa temperatura, junto com sistemas avançados de rastreabilidade, emergiram como soluções eficazes, preservando a integridade dos instrumentos sensíveis e garantindo a eliminação efetiva de patógenos.
A educação contínua dos profissionais de odontologia e o cumprimento rigoroso dos protocolos de esterilização foram identificados como aspectos cruciais para o sucesso dessas práticas. A integração de novas tecnologias, aliada à formação e à adesão estrita a procedimentos estabelecidos, resultou em uma melhoria significativa na qualidade do atendimento odontológico, minimizando o risco de infecções e otimizando o uso de recursos.
Este estudo sublinha a importância de uma abordagem holística para a esterilização em odontologia, que englobe inovação tecnológica, educação profissional contínua e aderência a protocolos rigorosos. Tal abordagem não só eleva o padrão de segurança para pacientes e profissionais, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental e econômica das práticas odontológicas. Encoraja-se a continuação da pesquisa e do desenvolvimento nesta área para acompanhar a evolução dos patógenos e das tecnologias de esterilização, garantindo assim que as práticas odontológicas permaneçam seguras, eficientes e alinhadas com os padrões de cuidado mais elevados.
Referências
AVAIS, Letícia Simeoni et al. Estresse Ocupacional entre Profissionais de Odontologia da Atenção Primária à Saúde durante a Pandemia da Covid-19. 2022.
BARRÊTO, Beatriz Souza. Fatores que atuam sobre a esterilização de artigos odontológicos: revisão de literatura. 2019.
BENDO, Cristiane Baccin; ASSUNÇÃO, Cristiane Meira. Eficácia de agentes químicos na desinfecção de tubetes anestésicos em procedimentos cirúrgicos odontológicos: uma revisão Integrativa. ANAIS XV ENCONTRO CIENTÍFICO DA FACULDADE DE ODONTOLOGIA DA UFMG. 2021.
BRUGNOLI, Claudio. Uso da terapia a laser em endodontia. 2019.
CARRASCO-RUÍZ, María De Los Ángeles et al. Análisis microbiológico a corto y largo plazo del material usado para esterilizar instrumental odontológico. Revista ADM Órgano Oficial de la Asociación Dental Mexicana, v. 80, n. 1, p. 6-10, 2023.
CRAVINHOS, Julio Cesar de Paulo et al. Avaliação das formas e métodos de eficácia de esterilização empregados por cirurgiões dentistas da cidade de Teresina/PI. Full dent. sci, p. 106-111, 2019.
CUNHA, Gislaine Rodrigues dos Santos et al. A importância das barreiras físicas no controle da contaminação dos equipamentos odontológicos. Revista Científica do Tocantins, v. 1, n. 1, p. 1-10, 2021.
DE LIMA, Emanuelle Louyde Ferreira et al. Ambiente cirúrgico odontológico: uma fonte em potencial de infecção cruzada. Revista Biociências, v. 25, n. 2, 2019.
DE OLIVEIRA, Denilson Guimarães et al. Manual instrucional para o coordenador municipal de saúde bucal iniciante na gestão: projeto de desenvolvimento. 2023.
DUTRA, Mateus José et al. Eficácia de agentes químicos na desinfecção de tubetes anestésicos odontológicos. Revista da Faculdade de Odontologia de Porto Alegre, v. 61, n. 1, p. 27-35, 2020.
DUTRA, Saniely Targino de Oliveira. Tecnologia educacional e segurança do paciente: protótipo de um Serious Game. 2022. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
FERNANDES, Beatriz Oliveira de Freitas. Esterilização e biossegurança na Odontologia: conceitos e aplicabilidade. 2021.
FIOR, Bruna Wagner et al. Análise da contaminação bacteriana de canetas de alta rotação, in vitro, antes e depois de diferentes métodos de assepsia. Revista Odontológica do Brasil Central, v. 31, n. 90, p. 23-40, 2022.
MACIEL, Yana Kainy Queiroz et al. Prazo de validade de esterilização de artigos utilizados em uma clínica odontológica. Nursing (São Paulo), v. 22, n. 250, p. 2794- 2799, 2019.
MAIA, Fabíola Amorim et al. Utilização do indicador químico tipo 5 (integrador) para o monitoramento da esterilização em estabelecimentos de assistência à saude-odontológico: uma discussão sobre segurança do paciente, vigilância sanitária e regulaçãos. 2021. Tese de Doutorado.
MARCONDES, Marilucia Moreira Silva; MONTANARI, Daniele Cristina Polotto. Esterilização e medidas de biossegurança: Em Centros de Materiais e Esterilização e outros estabelecimentos. Editora Senac São Paulo, 2020.
MELO, Adriana Mary Mestriner Felipe de et al. Monitoramento Biológico de autoclaves de consultórios odontológicos de cidades do interior de Mato Grosso Do Sul (MS). Rev. Salusvita (Online), p. 43-51, 2020.
NASCIMENTO, Lorena Correa de Souza et al. Cumprimento da legislação sanitária: processamento de artigos nos serviços odontológicos. Revista Remecs-Revista Multidisciplinar de Estudos Científicos em Saúde, v. 9, n. 15, p. 18-31, 2024.
OLIVEIRA, Júlia Soares Monteiro; SANTOS, Roziclei Pereira de Souza dos; MENEZES, Cintia Pereira Ferreira. Desafios no processo de trabalho do enfermeiro na central de material e esterilização. Revista Foco (Interdisciplinary Studies Journal), v. 16, n. 10, 2023.
RODRIGUES, Maria de Fátima Ribeiro et al. A tensão essencial entre a normatização e sua efetivação nas práticas de saúde: a vigilância sanitária em consultórios odontológicos de Manaus. 2019.
SANTOS, Jonas Gomes et al. Esterilização de instrumental odontológico em papel grau cirúrgico: avaliação da eficácia dos métodos de empacotamento numa rotina de consultório. Revista de Educação, Saúde e Ciências do Xingu, v. 1, n. 5, 2022.
SILVA, Ketlin Dias da. Análise crítica da monitorização e verificação dos procedimentos de higiene e saúde pessoal e de higiene de superfície em empresas de serviços de alimentação. 2021.
SILVA, Pollyanna; SILVA, Santos. Saúde, ambiente e trabalho: um panorama do exercício ilegal da odontologia na Bahia. 2020.
SILVA, Sabrina Rodrigues et al. Implantação de um software para controle da central de esterilização do curso de Odontologia da Universidade Positivo. Revista da ABENO, v. 18, n. 3, p. 53-61, 2018.
SOARES, Mônica Suely et al. Doenças ocupacionais da prática odontológica: implicações na saúde dos cirurgiões-dentistas da Rede Sistema Único de Saúde- SUS. 2020.
SOUZA, Rosimeri Corrêa; FABIÃO, Cristina Damé. Processo de esterilização de materiais odontológicos: avaliação padronização em tempos de pandemia de Covid-19. RFO UPF, 2023.
STONOGA, Vania Irene. Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho: biomelhoramento Contínuo. Editora Appris, 2020.
TRINDADE, Cristiano Santos et al. Construção de competências dos profissionais dentistas em um contexto de demanda emergencial: novos protocolos após a pandemia por COVID-19. 2023.
VARGAS, PABLO et al. Avaliação da efetividade da esterilização química pelo ácido peracético em brocas odontológicas: estudo piloto. FOL Faculdade de Odontologia de Lins/Unimep, v. 28, n. 2, p:15-25, jul.-dez. 2018.
1 https://orcid.org/0000-0003-0156-6463
2 https://orcid.org/0000-0002-6140-0177
3 https://orcid.org/0000-0002-7109-5671
4 https://orcid.org/0000-0002-5375-547X
5 https://orcid.org/0000-0001-7263-6372
6_______________________________________
7 https://orcid.org/0009-0009-6983-8737
8 https://orcid.org/0000-0001-9474-0875
