REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510182116
Marcel Jehad Slibi1
Bruno Eduardo Dos Santos2
Orientadora: Ms. Soraia Mayane Souza Mota3
RESUMO
A osseointegração de implantes dentários é um processo fundamental para a reabilitação oral, mas pode ser comprometida pela osteoporose devido à redução da densidade e qualidade óssea. Diante desse cenário, este trabalho teve como objetivo compreender os principais desafios da osseointegração em pacientes com osteoporose e identificar estratégias capazes de otimizar o sucesso dos implantes dentários. Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, baseada em 18 artigos publicados entre 1977 e 2024, selecionados nas bases PubMed, EuropePMC e Google Acadêmico, considerando critérios de relevância, clareza metodológica e pertinência clínica. A análise dos estudos demonstrou que, embora a osteoporose represente um fator de risco para a instabilidade inicial dos implantes, ela não constitui contraindicação absoluta, desde que adotados protocolos diferenciados. Entre as estratégias discutidas estão modificações na superfície dos implantes, utilização de biomateriais derivados de plaquetas (PRP/PRF), suplementação de vitamina D, implantes revestidos com estrôncio e aplicação de tecnologias digitais como planejamento virtual e impressão 3D. Conclui-se que a combinação entre ciência, inovação tecnológica, atenção multidisciplinar e educação do paciente é essencial para garantir segurança, funcionalidade e qualidade de vida aos indivíduos osteoporóticos reabilitados com implantes.
Palavras-chave: Odontologia. Osteoporose. Implantes Dentários.
ABSTRACT
Osseointegration of dental implants is a fundamental process for oral rehabilitation, but it can be compromised by osteoporosis due to reduced bone density and quality. In view of this scenario, this study aimed to understand the main challenges of osseointegration in patients with osteoporosis and to identify strategies capable of optimizing the success of dental implants. This is a narrative literature review, based on 18 articles published between 1977 and 2024, selected from the PubMed, EuropePMC, and Google Scholar databases, considering criteria of relevance, methodological clarity, and clinical relevance. The analysis of the studies showed that, although osteoporosis represents a risk factor for initial implant instability, it is not an absolute contraindication, as long as different protocols are adopted. Among the strategies discussed are modifications to the surface of the implants, use of platelet-derived biomaterials (PRP/PRF), vitamin D supplementation, strontium-coated implants, and application of digital technologies such as virtual planning and 3D printing. It is concluded that the combination of science, technological innovation, multidisciplinary care and patient education is essential to ensure safety, functionality and quality of life for osteoporotic individuals rehabilitated with implants.
Keywords: Dentistry. Osteoporosis. Dental Implants.
1 INTRODUÇÃO
Os implantes dentários são âncoras metálicas biocompatíveis posicionadas cirurgicamente no osso maxilar ou mandibular com a funcionalidade de substituir dentes ausentes. Essas estruturas funcionam como raízes artificiais que sustentam coroas após um período de cicatrização, no qual ocorre a osseointegração, garantindo estabilidade. O titânio é o material preferido devido à sua biocompatibilidade e sucesso em cirurgias dentárias, maxilofaciais e ortopédicas. Essa conexão direta entre osso e implante oferece maior durabilidade, tornando os implantes uma solução superior e de longo prazo na odontologia moderna. (Oshida et al., 2010).
Essa fixação direta entre o osso e o implante sem a presença de tecido conjuntivo intermediário é fundamental para o sucesso dos implantes dentários e foi descrita como osseointegração, conceito pioneiramente por Brånemark (1983). A osseointegração de implantes dentários é um fator essencial para o sucesso da reabilitação oral, permitindo que pacientes edêntulos recuperem a função mastigatória e estética. No entanto, em pacientes com osteoporose, a qualidade óssea reduzida pode comprometer este processo, levando a taxas de falha mais elevadas e complicações pós-cirúrgicas (Jeffcoat, 1998).
A osteoporose é uma condição sistêmica caracterizada pela redução da densidade mineral óssea, com aumento da fragilidade esquelética, afetando milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente mulheres na pós-menopausa. Essa condição não apenas impacta a saúde geral dos pacientes, mas também representa um desafio significativo para a odontologia, particularmente no que diz respeito à osseointegração de implantes dentários (Becker et al., 2000). Além disso, os medicamentos utilizados no tratamento da osteoporose, como os bisfosfonatos, podem aumentar o risco de complicações, como a osteonecrose dos maxilares (Jeffcoat, 1998).
No entanto, estudos recentes demonstram que a osteoporose não é uma contraindicação absoluta para a instalação de implantes, mas ela exige cuidados específicos e abordagens personalizadas para garantir a estabilidade óssea e o sucesso do tratamento (Mellado-Valero et al., 2010).
Considerando o aumento da expectativa de vida e, consequentemente, o número de pacientes idosos que buscam reabilitação oral com implantes dentários, faz-se necessário a compreensão dos impactos da osteoporose na implantodontia, permitindo o desenvolvimento de protocolos clínicos mais eficazes para pacientes osteoporóticos.
Nesse contexto, o interesse pelo tema surge da necessidade de compreender como a osteoporose influencia a osseointegração e quais estratégias podem ser utilizadas para otimizar a fixação dos implantes em pacientes afetados por essa condição. Utilizando como questão norteadora: “Quais são os principais desafios da osseointegração de implantes dentários em pacientes com osteoporose e quais estratégias podem ser adotadas para otimizar o sucesso do tratamento?”. Dessa forma, esta pesquisa busca consolidar evidências científicas sobre os desafios da osseointegração em pacientes com osteoporose, investigando o impacto da doença, dos medicamentos utilizados para seu tratamento e das inovações tecnológicas na área de implantodontia.
Este estudo focará na análise da osseointegração de implantes dentários em pacientes com osteoporose, considerando os seguintes aspectos: fatores que influenciam o sucesso da osseointegração, como qualidade óssea, densidade mineral óssea e tempo de cicatrização. Impacto de medicamentos osteoporóticos, especialmente bisfosfonatos, sobre a integração óssea e o risco de complicações, como a osteonecrose dos maxilares. Novas abordagens para otimizar a osseointegração, incluindo modificações na superfície dos implantes, uso de biomateriais derivados de plaquetas (PRP/PRF) e suplementação de vitamina D. Comparação de taxas de sucesso entre pacientes com e sem osteoporose, avaliando a necessidade de protocolos específicos para essa população.
Nesta perspectiva, este estudo tem como objetivo entender os desafios e as estratégias terapêuticas no uso de implantes odontológicos em pacientes com osteoporose. A investigação desse tema é de extrema relevância clínica e científica, pois pode fornecer subsídios para a elaboração de protocolos mais eficazes e seguros, melhorando a qualidade de vida desses pacientes. Além de conscientizar que a relação entre osteoporose e saúde bucal é essencial para o diagnóstico precoce e o manejo adequado desses casos, reforçando a importância do cirurgião-dentista no cuidado integral do paciente.
A pesquisa se justifica pela necessidade de aprofundar o conhecimento sobre os fatores que influenciam a osseointegração em pacientes com osteoporose e pelas possibilidades de inovação no desenvolvimento de técnicas e materiais que possam superar os desafios impostos por essa condição. A pesquisa tem o potencial de impactar positivamente a prática clínica, oferecendo novas perspectivas para o tratamento reabilitador de pacientes com osteoporose, além de contribuir para a literatura científica na área de implantodontia.
2OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Compreender como a osteoporose, condição caracterizada pela redução da densidade mineral óssea, afeta o processo de osseointegração e quais estratégias podem ser adotadas para superar esses desafios.
2.2 Objetivos específicos
– Revisar as evidências científicas sobre a taxa de sucesso e a sobrevida de implantes odontológicos em pacientes com osteoporose.
– Identificar os principais fatores de risco associados à falha de implantes odontológicos em pacientes osteoporóticos, como a densidade óssea reduzida e a qualidade óssea.
– Avaliar o impacto dos medicamentos para osteoporose, como bisfosfonatos, na osseointegração e no risco de complicações pós-cirúrgicas, como a osteonecrose dos maxilares.
– Identificar lacunas no conhecimento científico e propor direções para pesquisas futuras que possam melhorar o entendimento e os resultados do uso de implantes odontológicos nessa população.
3 EMBASAMENTO TEÓRICO
3.1 Conceito e Importância da Osseointegração
A osseointegração é definida como o processo pelo qual um implante dentário se torna firmemente ancorado ao osso, estabelecendo uma conexão direta entre o tecido ósseo e a superfície do implante. Este conceito foi introduzido por Brånemark em 1983, que demonstrou que os implantes de titânio poderiam se integrar ao osso de forma estável e duradoura, permitindo a reabilitação funcional e estética de pacientes edêntulos (Brånemark et al., 1983). Esse processo da osseointegração é fundamental para o sucesso dos implantes dentários, pois garante a estabilidade necessária para suportar as forças mastigatórias e a funcionalidade a longo prazo (Brånemark et al., 1983). Os implantes dentários se tornaram uma alternativa viável para a reabilitação oral devido à sua capacidade de proporcionar uma solução duradoura e funcional para a perda dentária (Bornstein, 2009).
Figura 1: Diagrama representando as principais etapas e procedimentos para ancoragem de um implante osseointegrado.

Fonte: Brånemark et al., 1983.
Com o avanço das técnicas cirúrgicas e dos materiais utilizados, os implantes passaram a ser amplamente aceitos na prática clínica, oferecendo aos pacientes uma opção que não apenas restaura a função mastigatória, mas também melhora a estética facial e a qualidade de vida. Estudos demonstram que a taxa de sucesso dos implantes dentários é alta, com resultados satisfatórios em pacientes com diferentes condições clínicas, incluindo aqueles com osteoporose (Bornstein, 2009).
Uma das principais vantagens dos implantes osseointegrados em comparação com outros métodos de reabilitação protética, como próteses removíveis, é a preservação da estrutura óssea. A perda de dentes leva à reabsorção óssea, o que pode resultar em alterações significativas na morfologia facial e na função mastigatória. Os implantes, ao se integrarem ao osso, ajudam a manter a densidade óssea e a prevenir a reabsorção, proporcionando uma base estável para a prótese e melhorando a função mastigatória (Haraldson, 1977).
Além disso, a osseointegração permite que os implantes suportem as forças de mastigação de maneira mais eficaz do que as próteses convencionais, que podem causar desconforto e instabilidade. Dessa forma, a osseointegração é um fator crítico na determinação da longevidade dos implantes dentários. Estudos demonstram que a taxa de falha dos implantes é baixa, especialmente quando os pacientes são cuidadosamente selecionados e monitorados, seguindo as diretrizes adequadas de tratamento e monitoramento (mellado-valero, 2010).
3.2 Fatores que Influenciam a Osseointegração
A densidade mineral óssea (DMO) e a qualidade do osso são fatores essenciais que influenciam a estabilidade dos implantes dentários. A DMO é um indicador da quantidade de mineral presente no osso, e sua redução está associada a um aumento do risco de falha na osseointegração (becker et al., 2000).
Pacientes com osteoporose apresentam uma DMO significativamente menor, o que pode comprometer a capacidade do osso de suportar a carga do implante e, consequentemente, a sua estabilidade a longo prazo. A qualidade do osso, que inclui a microarquitetura e a distribuição do osso trabecular e cortical, também desempenha um papel fundamental na osseointegração, pois um osso de qualidade inferior pode resultar em uma menor área de contato entre o implante e o osso, aumentando o risco de falha (Becker et al., 2000).
Além da DMO e da qualidade óssea, fatores como inflamação, envelhecimento e fisiologia óssea têm um impacto significativo na resposta ao implante. A inflamação crônica, frequentemente associada a doenças sistêmicas como a osteoporose, pode alterar a dinâmica do remodelamento ósseo, favorecendo a atividade osteoclástica em detrimento da osteoblástica. Isso resulta em uma diminuição da formação óssea e, portanto, em uma menor capacidade de osseointegração. O envelhecimento também é um fator que não pode ser ignorado, pois a capacidade de regeneração óssea diminui com a idade, o que pode afetar negativamente a osseointegração em pacientes mais velhos (Yu; Wang, 2022).
A presença de comorbidades, como doenças autoimunes ou metabólicas, pode complicar ainda mais a osseointegração em pacientes com osteoporose. Essas condições podem alterar a resposta inflamatória e a capacidade de cicatrização do osso, resultando em uma maior taxa de falhas nos implantes. Além disso, o uso de medicamentos, como os bisfosfonatos, que são frequentemente prescritos para o tratamento da osteoporose, pode ter efeitos adversos na saúde bucal e na osseointegração, aumentando o risco de osteonecrose da mandíbula (Bornstein et al., 2009).
3.3 Osteoporose e Implantodontia: Impactos e Desafios
A osteoporose é uma condição sistêmica caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea e pela deterioração da microarquitetura do osso, resultando em um aumento da fragilidade óssea e do risco de fraturas. Essa doença é especialmente prevalente entre mulheres pós-menopáusicas, afetando significativamente a estrutura óssea, incluindo a mandíbula e o maxilar (Jeffcoat, 1998).
Diversos estudos têm investigado as taxas de sucesso dos implantes dentários em pacientes com osteoporose, revelando resultados variados. A literatura sugere que, embora a osteoporose possa ser um fator de risco, a taxa de sucesso dos implantes em pacientes osteoporóticos não é significativamente inferior àquela observada em indivíduos saudáveis (Mellado-Valero et al., 2010).
Em um estudo realizado por Mellado-Valero et al. (2010), foi observado que a taxa de sobrevivência dos implantes em pacientes com osteoporose foi de 97% após um período de acompanhamento de 3 anos, indicando que a osteoporose, por si só, não deve ser considerada uma contraindicação absoluta para a colocação de implantes dentários. Porém, o impacto da osteoporose na estabilidade dos implantes dentários a longo prazo é uma preocupação significativa (Becker et al., 2000).
Eder et al. (1999) relataram que, embora a osteoporose possa afetar a osseointegração inicial, a estabilidade dos implantes pode ser mantida ao longo do tempo, desde que o paciente receba acompanhamento adequado e intervenções terapêuticas apropriadas. O estudo indicou que a perda óssea peri-implantar em pacientes osteoporóticos foi ligeiramente maior do que a esperada, mas não comprometeu a funcionalidade dos implantes ao longo de um período de 5 anos. Conforme representado nas imagens abaixo.
Figura 2: Diagrama representando as principais etapas e procedimentos para ancoragem de um implante osseointegrado.

Fonte: Eder et al. (1999).
Figura 3: Radiografia panorâmica de paciente com osteoporose 4 anos após a inserção de implantes dentários.

Fonte: Eder et al. (1999).
Além disso, a escolha do tipo de implante e a técnica cirúrgica utilizada podem influenciar o sucesso em pacientes osteoporóticos. A utilização de implantes com superfícies tratadas para promover uma melhor osseointegração e a realização de técnicas cirúrgicas que minimizem o trauma ao osso são estratégias que podem melhorar os resultados em pacientes com osteoporose. A literatura sugere que a abordagem multidisciplinar, envolvendo dentistas, endocrinologistas e outros profissionais de saúde, é fundamental para otimizar o tratamento e a reabilitação oral desses pacientes (Mellado-Valero et al., 2010).
A osteoporose apresenta desafios significativos para a implantodontia, mas com a abordagem correta e o manejo adequado, é possível alcançar resultados satisfatórios. A pesquisa contínua e a colaboração entre diferentes especialidades são essenciais para aprimorar o entendimento e o tratamento de pacientes com osteoporose que necessitam de implantes dentários (Eder et al., 1999).
3.4 Impacto dos Bisfosfonatos e Outros Medicamentos na Osseointegração
O uso de bisfosfonatos, medicamentos amplamente prescritos para o tratamento da osteoporose, tem gerado preocupações significativas em relação à osseointegração de implantes dentários. Esses fármacos atuam inibindo a atividade dos osteoclastos, células responsáveis pela reabsorção óssea, o que pode levar a uma diminuição da remodelação óssea. Estudos demonstraram que a administração de bisfosfonatos pode interferir na cicatrização e na regeneração óssea ao redor de implantes, resultando em uma menor taxa de osseointegração em pacientes que utilizam esses medicamentos (Bornstein et al., 2009).
A utilização de bisfosfonatos intravenosos está associada a um risco elevado de osteonecrose dos maxilares, uma condição grave que pode ocorrer após procedimentos dentários invasivos, como extrações ou colocação de implantes. A osteonecrose é caracterizada pela exposição do osso necrótico na cavidade oral, que não cicatriza adequadamente, levando a dor e infecções. A literatura indica que a maioria dos casos de osteonecrose dos maxilares está relacionada ao uso de bisfosfonatos intravenosos, especialmente em pacientes com câncer, onde doses mais altas e tratamentos prolongados são comuns (Bornstein et al., 2009).
Por outro lado, a relação entre o uso de bisfosfonatos orais e a osteonecrose dos maxilares é menos clara, com estudos sugerindo que o risco é significativamente menor. Pacientes que utilizam bisfosfonatos orais para o tratamento da osteoporose apresentam uma taxa de osteonecrose muito inferior àquela observada em pacientes tratados com bisfosfonatos intravenosos. A maioria dos relatos de osteonecrose em pacientes que usam bisfosfonatos orais ocorre em situações de trauma dental, como extrações, e a incidência é considerada rara (Mellado-Valero et al., 2010).
Diante dessas preocupações, é fundamental que os profissionais de odontologia adotem uma abordagem cautelosa ao planejar a colocação de implantes em pacientes que utilizam bisfosfonatos. A avaliação cuidadosa do histórico médico do paciente, incluindo a duração e a via de administração dos bisfosfonatos, é essencial para determinar o risco de complicações. Além disso, a comunicação entre dentistas e médicos que prescrevem esses medicamentos é crucial para garantir a segurança do paciente e a eficácia do tratamento (Becker et al., 1997).
Alternativas terapêuticas para pacientes osteoporóticos que necessitam de implantes dentários também têm sido exploradas. A utilização de agentes que promovem a formação óssea, como o teriparatida, pode ser considerada em pacientes que apresentam risco elevado de complicações associadas ao uso de bisfosfonatos. Esses agentes podem ajudar a melhorar a qualidade do osso e, consequentemente, a taxa de sucesso da osseointegração em pacientes com osteoporose (Becker et al., 1997).
3.5 Estratégias para Melhorar a Osseointegração em Pacientes com Osteoporose
A osseointegração é um fator crucial para o sucesso dos implantes dentários, especialmente em pacientes com osteoporose, que apresentam uma diminuição na densidade e qualidade óssea. Modificações na superfície dos implantes, como revestimentos com hidroxiapatita e colágeno, têm mostrado resultados promissores na melhoria da osseointegração (Wang et al., 2023).
A hidroxiapatita, um componente natural do osso, promove a adesão celular e a mineralização, enquanto o colágeno fornece um ambiente favorável para a proliferação celular e a formação de matriz óssea. Estudos demonstraram que implantes com superfícies modificadas apresentam maior contato com o osso e, consequentemente, uma taxa de sucesso mais elevada em pacientes osteoporóticos (Wang et al., 2023).
Outra estratégia eficaz para melhorar a osseointegração em pacientes com osteoporose é o uso de biomateriais derivados de plaquetas, como o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e o Fibrinógeno Rico em Plaquetas (PRF). Esses biomateriais são ricos em fatores de crescimento que estimulam a regeneração óssea e a cicatrização de tecidos. A aplicação de PRP/PRF em cirurgias de implantes dentários tem demonstrado acelerar o processo de osseointegração, promovendo uma resposta inflamatória controlada e a formação de novo tecido ósseo. A utilização desses biomateriais pode ser especialmente benéfica em pacientes com osteoporose, onde a regeneração óssea é comprometida (Amiri et al., 2023).
A suplementação de vitamina D também desempenha um papel fundamental na formação óssea peri-implantar. A vitamina D é essencial para a absorção de cálcio e fósforo, nutrientes críticos para a mineralização óssea. Em pacientes com osteoporose, a deficiência de vitamina D pode agravar a perda óssea e comprometer a osseointegração dos implantes. Estudos indicam que a suplementação adequada de vitamina D pode melhorar a densidade mineral óssea e, consequentemente, a taxa de sucesso dos implantes dentários. Portanto, a avaliação dos níveis de vitamina D e a sua correção em pacientes osteoporóticos são medidas recomendadas antes da colocação de implantes (Werny et al., 2022).
Figura 4: Radiografia panorâmica de paciente com deficiência de vitamina D, insuficiência renal e falha precoce de implantes dentários.

Fonte: Wenry et al. (2000).
Figura 5: Radiografia panorâmica de paciente suplementado com vitamina D, apresentando reimplante dentário bem-sucedido.

Fonte: Wenry et al. (2000).
Pesquisas recentes têm explorado o uso de implantes revestidos com estrôncio como uma abordagem inovadora para aumentar a osseointegração em pacientes com osteoporose. O estrôncio é um elemento que tem demonstrado propriedades osteogênicas, estimulando a formação óssea e inibindo a reabsorção óssea. Estudos indicam que implantes com revestimento de estrôncio não apenas melhoram a adesão celular, mas também promovem um ambiente favorável para a mineralização óssea. Essa estratégia pode ser particularmente útil em pacientes osteoporóticos, onde a qualidade do osso é comprometida, oferecendo uma alternativa viável para melhorar os resultados dos implantes dentários (Sayed et al., 2024).
Além das modificações na superfície dos implantes e da suplementação nutricional, a abordagem multidisciplinar no tratamento de pacientes com osteoporose é essencial. A colaboração entre dentistas, endocrinologistas e nutricionistas pode garantir que os pacientes recebam um tratamento abrangente que considere todos os aspectos da saúde óssea. A educação do paciente sobre a importância da adesão ao tratamento da osteoporose, incluindo a utilização de medicamentos apropriados e a manutenção de um estilo de vida saudável, é fundamental para o sucesso a longo prazo dos implantes dentários. Essa abordagem integrada pode resultar em melhores taxas de osseointegração e, consequentemente, em um aumento na qualidade de vida dos pacientes (Werny et al., 2022; Wang et al., 2023; Amiri et al., 2023; Sayed et al., 2024).
3.6 Conhecimento e Opiniões dos Pacientes sobre Osteoporose, Tratamento da Osteoporose e Cuidados com a Saúde Bucal
O conhecimento dos pacientes sobre osteoporose e suas implicações na saúde bucal é fundamental para a adesão ao tratamento e para a prevenção de complicações associadas. Estudos mostram que muitos pacientes com osteoporose têm uma compreensão limitada sobre a doença, suas consequências e a relação com a saúde bucal. Em uma pesquisa realizada com 258 pacientes, constatou-se que 46,5% acreditavam que seus dentistas não estavam cientes de seu diagnóstico de osteoporose, e cerca de 50% dos participantes não sabiam responder questões sobre a relação entre a osteoporose e os cuidados dentários (Rotman-Pikielny et al., 2019).
A falta de conhecimento pode levar a um tratamento inadequado e a um aumento do risco de complicações, como a osteonecrose da mandíbula, especialmente em pacientes que utilizam bisfosfonatos para o tratamento da osteoporose (Rotman-Pikielny et al., 2019).
Além disso, a percepção dos pacientes sobre o tratamento da osteoporose e sua relação com os cuidados odontológicos é crucial. A literatura indica que muitos pacientes não são informados adequadamente sobre os riscos associados ao uso de medicamentos para osteoporose, como os bisfosfonatos, e sua interação com procedimentos odontológicos. A falta de informações claras pode resultar em decisões inadequadas, como a interrupção do tratamento com bisfosfonatos antes de procedimentos dentários, o que pode aumentar o risco de fraturas e complicações (Mellado-Valero et al., 2010).
É essencial que os profissionais de saúde bucal se comuniquem efetivamente com seus pacientes sobre a osteoporose e suas implicações, promovendo uma abordagem integrada que considere tanto a saúde óssea quanto a saúde bucal (Rotman-Pikielny et al., 2019).
3.7 Perspectivas Futuras e Novas Abordagens na Implantodontia para Pacientes Osteoporóticos
O uso de implantes dentários em pacientes com osteoporose tem se mostrado um desafio significativo, mas as terapias farmacológicas e biomateriais bioativos emergem como promissoras soluções para otimizar os resultados clínicos. Estudos recentes indicam que a utilização de bisfosfonatos e outros agentes anti-reabsortivos pode não apenas melhorar a densidade óssea, mas também potencializar a osseointegração dos implantes. A combinação de terapias farmacológicas com biomateriais que possuem propriedades bioativas, como a liberação controlada de fatores de crescimento, pode promover um ambiente ósseo mais favorável, aumentando a taxa de sucesso dos implantes em pacientes osteoporóticos (Chen et al., 2024).
Além das terapias farmacológicas, o desenvolvimento de novas técnicas de engenharia de implantes representa uma abordagem inovadora para otimizar a resposta óssea em pacientes com osteoporose. A modificação da superfície dos implantes, utilizando nanotecnologia e revestimentos bioativos, pode melhorar a adesão celular e a formação de osso ao redor do implante. Essas inovações visam não apenas aumentar a taxa de osseointegração, mas também reduzir a reabsorção óssea ao redor dos implantes, um fator crítico em pacientes com osteoporose. A personalização dos implantes, levando em consideração as características específicas do osso do paciente, pode ser uma estratégia eficaz para melhorar os resultados clínicos (Chen et al., 2024)
A necessidade de mais estudos clínicos é evidente para consolidar protocolos específicos para pacientes com osteoporose que necessitam de implantes dentários. Embora existam evidências que suportem a viabilidade do uso de implantes em pacientes osteoporóticos, a heterogeneidade dos dados disponíveis e a falta de diretrizes claras dificultam a padronização dos tratamentos. Estudos longitudinais que avaliem a eficácia de diferentes abordagens terapêuticas e técnicas de implante em populações específicas são essenciais para estabelecer recomendações baseadas em evidências. A realização de ensaios clínicos controlados randomizados pode fornecer dados robustos que ajudem a definir as melhores práticas para a implantodontia em pacientes com osteoporose (Mellado-Valero et al., 2010).
Além disso, a integração de tecnologias digitais na prática da implantodontia pode revolucionar o tratamento de pacientes osteoporóticos. O uso de planejamento virtual e impressão 3D de guias cirúrgicas personalizadas pode aumentar a precisão na colocação de implantes, minimizando o trauma cirúrgico e melhorando a osseointegração. Essas tecnologias permitem uma abordagem mais individualizada, considerando as particularidades anatômicas e a qualidade do osso do paciente, o que é especialmente relevante em casos de osteoporose (Gartner et al., 2000).
A educação contínua dos profissionais de odontologia sobre as implicações da osteoporose na saúde bucal e na implantodontia é fundamental. A conscientização sobre as interações entre medicamentos utilizados no tratamento da osteoporose e os procedimentos de implantodontia pode ajudar a prevenir complicações, como a osteonecrose da mandíbula. A formação de equipes multidisciplinares que incluam dentistas, endocrinologistas e outros especialistas pode facilitar a gestão integrada dos pacientes, promovendo melhores resultados (Bornstein et al., 2009).
Por fim, a pesquisa em biomateriais e a biologia do osso deve continuar a ser uma prioridade para o avanço da implantodontia em pacientes osteoporóticos. A compreensão dos mecanismos celulares e moleculares que regem a osseointegração e a remodelação óssea em condições de osteoporose pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos e materiais que melhorem a eficácia dos implantes. A colaboração entre pesquisadores e clínicos é essencial para traduzir descobertas científicas em práticas clínicas que beneficiem os pacientes (Yu; Wang, 2022).
4 METODOLOGIA
O presente estudo foi desenvolvido por meio de uma revisão bibliográfica narrativa, com o objetivo de reunir, analisar e sintetizar evidências científicas acerca da osseointegração de implantes dentários em pacientes portadores de osteoporose. A pesquisa concentrou-se em artigos científicos publicados entre 1977 e 2024, selecionados nas bases de dados PubMed, EuropePMC e Google Acadêmico, empregando-se as palavras-chave: “dentistry”, “implants” e “osteoporosis”. Inicialmente, foram identificados 23 estudos que atendiam aos critérios de busca, os quais passaram por leitura integral e avaliação de relevância. Após essa triagem, 18 artigos foram considerados adequados para compor a amostra final da revisão, com base na pertinência ao tema, clareza metodológica e relevância clínica.
Os critérios de inclusão contemplaram artigos originais, revisões sistemáticas, meta-análises e estudos de caso que abordassem diretamente a relação entre osteoporose e a osseointegração de implantes dentários, incluindo fatores de risco, impacto de medicamentos e estratégias de otimização. Foram excluídos estudos que não estavam disponíveis nas línguas portuguesa ou inglesa, publicações duplicadas, artigos cujo conteúdo não estivesse disponível na íntegra e publicações consideradas não relevantes para este trabalho.
O processo de coleta de dados consistiu na leitura minuciosa dos artigos selecionados, com registro das informações em um arquivo de texto separado: autor e ano de publicação, assim como um resumo do artigo. Esses dados foram organizados de forma a possibilitar a análise crítica e comparativa entre os estudos, identificando convergências, divergências e lacunas no conhecimento científico. Essa abordagem permitiu extrair conclusões consistentes e propor direções futuras para a pesquisa na área, além de facilitar a discussão dos resultados à luz das evidências encontradas.
Por se tratar de um estudo de revisão bibliográfica, sem a participação direta de seres humanos ou a manipulação de dados clínicos individuais, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Todo o processo de seleção, organização e interpretação das informações observou rigorosamente os princípios éticos de integridade acadêmica e respeito aos direitos autorais, com todas as fontes devidamente citadas conforme as normas da ABNT.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise revelou que a osseointegração de implantes dentários em pacientes com osteoporose, embora desafiadora, é viável quando se adotam protocolos específicos.
Autores indicam que a densidade mineral óssea reduzida nesses pacientes compromete a estabilidade inicial dos implantes, especialmente durante o período crítico de cicatrização, podendo impactar a taxa de sucesso a longo prazo (Jeffcoat, 1998; Becker et al., 2000).
Apesar dessas limitações, Mellado-Valero et al. (2010) relataram uma taxa de sobrevivência de 97% dos implantes em pacientes com osteoporose após três anos de acompanhamento. Esse achado reforça a ideia de que a osteoporose não deve ser considerada uma contraindicação absoluta à implantodontia, desde que haja planejamento e monitoramento adequados.
De mesmo modo, Eder et al. (1999) reforçam essa conclusão, destacando que a estabilidade funcional dos implantes pode ser mantida mesmo em pacientes com osteoporose grave, desde que o tratamento seja conduzido de forma multidisciplinar. Esses dados contrastam com a percepção inicial de que a baixa densidade mineral óssea comprometeria diretamente a estabilidade dos implantes. Dessa forma, compreende-se que a densidade óssea reduzida, embora relevante, pode ser compensada por estratégias clínicas e tecnológicas apropriadas.
Outro aspecto identificado refere-se ao impacto dos bisfosfonatos, amplamente utilizados no tratamento da osteoporose. Bornstein et al. (2009) alertam para o risco aumentado de osteonecrose dos maxilares, sobretudo quando esses medicamentos são administrados por via intravenosa, como ocorre em pacientes oncológicos. Em contrapartida, Mellado-Valero et al. (2010) demonstram que o risco de complicações é substancialmente menor em usuários de bisfosfonatos orais, sendo a incidência de osteonecrose considerada rara quando os cuidados odontológicos são realizados de maneira preventiva. É essencial que ocorra a comunicação entre o cirurgião-dentista e o médico responsável para avaliar necessidade de suspensão ou diminuição da dose do medicamento durante o processo de osseointegração.
Quanto às estratégias para otimizar a osseointegração em pacientes osteoporóticos, os resultados apontam para avanços importantes. Modificações na superfície dos implantes, como revestimentos com hidroxiapatita e colágeno, aumentam a adesão celular e a formação óssea, favorecendo a integração (Wang et al., 2023). Biomateriais derivados de plaquetas, como PRP e PRF, também demostraram acelerar o processo de cicatrização e melhorar a regeneração óssea (Amiri et al., 2023). Além disso, a suplementação de vitamina D foi apontada como benéfica na melhora da densidade mineral óssea e da taxa de sucesso dos implantes (Werny et al., 2022).
Sayed et al. (2024) destacam o uso de implantes com revestimento de estrôncio como alternativa promissora em pacientes osteoporóticos, demonstrando propriedades osteogênicas superiores. Essa inovação, somada à incorporação de tecnologias como o planejamento digital e a impressão 3D, apontada por Gartner et al. (2000), representa uma tendência crescente na personalização do tratamento, ampliando as possibilidades de sucesso em casos antes considerados de alto risco, como em idosos e pacientes com baixa qualidade óssea.
Do ponto de vista dos pacientes, constatou-se um déficit relevante de conhecimento sobre a osteoporose e suas implicações na saúde bucal. Rotman-Pikielny et al. (2019) identificaram que 50% dos pacientes entrevistados não sabiam relacionar a osteoporose com os cuidados odontológicos, e 46,5% afirmaram que seus dentistas desconheciam seu diagnóstico. Essa lacuna de comunicação pode comprometer a segurança clínica, especialmente em pacientes medicados com bisfosfonatos. Assim, a educação do paciente configura-se como uma ferramenta indispensável para o sucesso do tratamento implantodôntico em populações osteoporóticas.
Por fim, os dados sugerem que a integração entre diferentes especialidades da saúde, como odontologia, endocrinologia e nutrição, associada à atualização constante dos profissionais sobre as implicações da osteoporose, pode melhorar significativamente os desfechos terapêuticos (Bornstein et al., 2009; Yu; Wang, 2022). A personalização do tratamento, a educação do paciente e a adoção de novas tecnologias configuram um cenário promissor para a implantodontia em pacientes osteoporóticos.
6 CONCLUSÃO
A presente revisão permitiu concluir que, embora a osteoporose possa comprometer a osseointegração dos implantes dentários devido à redução da densidade mineral óssea, ela não constitui uma contraindicação absoluta à implantodontia. No entanto, fatores como o uso de bisfosfonatos, especialmente por via intravenosa, demandam atenção especial, dada a associação com complicações como a osteonecrose dos maxilares.
Avanços tecnológicos e terapêuticos representam alternativas viáveis para otimizar os resultados em pacientes osteoporóticos. Além disso, a falta de conhecimento dos pacientes sobre a relação entre osteoporose e saúde bucal evidencia a necessidade de uma abordagem educativa e multidisciplinar. A conjugação entre ciência, tecnologia e atenção clínica abrangente é o caminho mais promissor para garantir segurança, funcionalidade e qualidade de vida aos pacientes osteoporóticos que necessitam de reabilitação oral com implantes.
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