OSSEODENSIFICAÇÃO NO LEVANTAMENTO DE SEIO MAXILAR: REVISÃO DE LITERATURA

OSSEODENSIFICATION IN MAXILLARY SINUS LIFT: LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202509300742


Leticia Souza Nascimento1
Marcel Paes2
Bruno Machado de Carvalho3
Jimmy de Oliveira Araujo4
Lorenzo Benetti Maia5
Vanessa Cordeiro Silva Borges6
Gustavo Augusto Guedes Ribeiro7


Resumo 

A osseodensificação é uma técnica inovadora utilizada na implantodontia para otimizar a instalação de implantes dentários, especialmente em casos de atrofia óssea moderada a severa. Seu princípio baseia-se na compactação óssea, aumento na densidade e promovendo melhor osseointegração, reduzindo complicações como a perfuração da membrana sinusal. Este estudo visa avaliar a eficácia da osseodensificação no levantamento do seio maxilar, comparando-a com técnicas convencionais, identificando benefícios, limitações e fatores de risco associados. Trata-se de uma revisão de literatura baseada na análise de estudos clínicos publicados nos últimos cinco anos na base científica de dados ‘’PubMed’’, com critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. Estudos indicam que a osseodensificação melhora a estabilidade primária dos implantes e pode reduzir a necessidade de enxertos ósseos. A técnica tem demonstrado sucesso na elevação transcrestal do seio maxilar, favorecendo a neoformação óssea e reduzindo o tempo cirúrgico. A osseodensificação se mostrou eficaz no aumento da densidade óssea e na redução de complicações cirúrgicas, sendo uma alternativa viável para maxilas atróficas. No entanto, sua aplicação depende da experiência do profissional e de um planejamento adequado. A técnica apresenta benefícios clínicos significativos, mas ainda necessita de mais estudos prospectivos para validar sua eficácia em longo prazo e estabelecer diretrizes definitivas para sua aplicação na implantodontia.

Palavras-chave: Levantamento do assoalho do seio maxilar. Implantes dentários. Osseointegração.

Abstract 

Osseodensification is an innovative technique used in implant dentistry to optimize the installation of dental implants, especially in cases of moderate to severe bone atrophy. Its principle is based on bone compaction, increasing density and promoting better osseointegration, reducing complications such as perforation of the sinus membrane. This study aims to evaluate the effectiveness of osseodensification in maxillary sinus lifting, comparing it with conventional techniques, identifying benefits, limitations and associated risk factors. This is a literature review based on the analysis of clinical studies published in the last five years in the PubMed database, with previously defined inclusion and exclusion criteria. Studies indicate that osseodensification improves the primary stability of implants and can reduce the need for bone grafts. The technique has proven successful in transcrestal elevation of the maxillary sinus, favoring bone neoformation and reducing surgical time. Osseodensification has proved effective in increasing bone density and reducing surgical complications, making it a viable alternative for atrophic jaws. However, its application depends on the professional’s experience and proper planning. The technique has significant clinical benefits, but still requires further prospective studies to validate its long-term efficacy and establish definitive guidelines for its application in implant dentistry.

Keywords: Maxillary sinus floor lift. Dental implants. Osseointegration.

1. Introdução

A implantodontia tem evoluído ao longo dos anos com base em evidências científicas sólidas. Esses avanços visam melhorar os métodos de tratamentos reabilitadores para casos de perdas dentárias parciais ou totais com ancoragem de próteses por meio de implantes1. Para que os implantes sejam instalados em uma posição tridimensional adequada para reabilitação protética, é necessário que o local de implantação tenha uma quantidade adequada de osso e tecido gengival2.

Na região posterior da maxila, o seio maxilar pode limitar a disponibilidade de altura óssea para colocação do implante. Os seios maxilares são os espaços pneumáticos contidos bilateralmente no interior da maxila, constituinte do terço médio da face3. Alguns fatores como extrações precoces de elementos dentários, a atrofia óssea e a pneumatização do seio maxilar, podem relacionar o seio de forma íntima e sinuosa com os elementos dentários e em áreas de extração devido a remodelação e reabsorção dos processos alveolares4.

A osseointegração é a conexão estrutural entre o implante e o osso. Este mecanismo é vital para garantir estabilidade ao implante a longo prazo. Ademais, a falha na osseointegração, a baixa densidade e o volume ósseo estão intimamente relacionados a falha clínica5. Desse modo, as técnicas de levantamento de seio maxilar associadas a enxertos ósseos têm como objetivo aumentar a altura e o volume ósseo perdido e são comumente utilizadas para regeneração tecidual e instalação de implantes em maxilares atróficos. A perfuração da membrana de Schneider, que reveste a parede do seio maxilar, é a principal complicação das técnicas convencionais de levantamento de seio, o que reduz a taxa de sucesso3.

A osseodensificação é uma técnica inovadora utilizada principalmente para melhorar a qualidade e a quantidade óssea em áreas com atrofia óssea, sendo aplicada em diversos procedimentos, como a elevação do seio maxilar e a colocação de implantes dentários4. Ela utiliza brocas especiais que compactam o osso ao invés de removê-lo, promovendo uma densificação do tecido ósseo ao redor da área tratada. Esse processo melhora a estabilidade do implante, promovendo uma melhor integração óssea6.

Entre as vantagens da osseodensificação estão a sua natureza minimamente invasiva, a redução de danos ao osso e a menor incidência de complicações, como perfuração da membrana sinusal. A técnica tem se mostrado particularmente eficaz em casos de atrofia óssea moderada a severa, onde outras abordagens poderiam ser mais arriscadas ou menos eficazes7. Além disso, a osseodensificação pode ser combinada com materiais de enxerto, como o fosfato beta-tricálcico, para otimizar o ganho ósseo e a estabilidade do implante. Este material sintético é biocompatível, bioabsorvível e osteocondutor, o que significa que pode ser incorporado ao osso natural, estimulando a formação de novo tecido ósseo6.

Estudos sugerem que, com o uso de osseodensificação, há um aumento significativo na densidade óssea e na qualidade do osso residual, promovendo um ambiente mais favorável para a colocação de implantes8. Desse modo, por meio de uma revisão da literatura, este estudo tem como objetivo avaliar a eficácia da técnica de osseodensificação, comparar os resultados com técnicas convencionais, examinar os benefícios e limitações da osseodensificação e identificar fatores de risco e complicações.

2. Metodologia

Trata-se de uma revisão de literatura sobre o uso da osseodensificação no levantamento do seio maxilar que envolveu uma análise crítica dos estudos mais relevantes publicados sobre o tema. Para isso, foram definidos critérios de inclusão e exclusão que orientaram a seleção dos artigos. Os estudos incluídos na revisão foram aqueles que abordaram o uso da técnica de osseodensificação no levantamento do seio maxilar, especialmente em casos de atrofia óssea moderada a severa. A pesquisa se concentrou em ensaios clínicos randomizados, estudos retrospectivos, prospectivos e multicêntricos que apresentassem resultados clínicos e complicações associadas à técnica. Também foram selecionados artigos que relataram a eficácia da técnica, incluindo a combinação da osseodensificação com materiais de enxerto, como fosfato beta-tricálcico.

Foram excluídos estudos que não abordassem diretamente o uso da osseodensificação ou que não estivessem publicados em periódicos. Além disso, foram descartados trabalhos que não fornecessem dados completos ou relevantes para a análise da técnica no contexto do levantamento do seio maxilar. A busca pelos artigos foi realizada no banco de dados acadêmico ‘’PubMed’’, utilizando palavras-chave relacionadas ao tema, como “osseodensificação”, “levantamento de seio maxilar”. A busca foi limitada aos últimos cinco para garantir a atualização dos dados. 22 estudos atenderam os critérios. Após a identificação dos estudos relevantes, foi realizada a seleção dos artigos com base nos critérios de inclusão e exclusão. Em seguida, foram selecionados 10 estudos.  A análise crítica envolveu a avaliação da qualidade metodológica dos estudos, levando em consideração as limitações de cada pesquisa. Foi também realizada uma análise qualitativa, identificando os principais achados sobre a eficácia da osseodensificação no aumento do volume ósseo e na taxa de sucesso dos implantes. 

3. Revisão da literatura

A implantodontia tem evoluído significativamente, incorporando técnicas inovadoras para otimizar o sucesso dos implantes dentários. Em casos de reabsorção óssea severa na maxila posterior, a elevação do seio maxilar é um procedimento amplamente utilizado para aumentar a disponibilidade óssea e viabilizar a instalação de implantes1. Tradicionalmente, esse procedimento envolve o uso de enxertos ósseos e pode estar associado a complicações, como a perfuração da membrana sinusal8.

A osseodensificação tem sido proposta como uma alternativa para minimizar complicações e melhorar a estabilidade primária dos implantes. Essa técnica, desenvolvida por Huwais e baseada no uso de brocas especializadas (Densah Burs), compacta e expande o osso circundante ao invés de removê-lo, promovendo um aumento da densidade óssea e facilitando a osseointegração5, 7. Estudos clínicos indicam que a osseodensificação reduz a taxa de perfuração da membrana sinusal e pode eliminar a necessidade de enxertos ósseos em algumas situações 2, 8.

3.1 Técnica de osseodensificação

O planejamento cirúrgico se inicia pela anamnese, exame clínico e físico do paciente. Posteriormente, será realizada a avaliação da altura óssea remanescente e seleção do diâmetro do implante adequado3. Após esta etapa será utilizado brocas Densah em rotação reversa para expandir e condensar o osso sem removê-lo5. Quando necessário, deve-se realizar a elevação do seio maxilar por meio da inserção progressiva das brocas em alta velocidade e pressão controlada para deslocamento da membrana sinusal sem perfuração para a preparação do leito6. Em seguida é realizado a inserção imediata do implante na cavidade preparada, garantindo a estabilidade primária adequada4. O pós-operatório é fundamental para o sucesso do tratamento. Portanto, é imprescindível o monitoramento radiográfico para avaliar a neoformação óssea e a adaptação do implante ao longo do tempo9.

3.2 Aplicações clínicas e benefícios

O uso da osseodensificaçao em elevações do seio maxilar por via transcrestal tem demonstrado resultados promissores. Um estudo prospectivo avaliou casos com altura óssea residual entre 4,0 e 7,0 mm, demonstrando que a osseodensificação, associada à instalação simultânea de implantes, proporciona um ganho ósseo significativo e estabilidade satisfatória dos implantes3. Além disso, pesquisas indicam que a osseodensificação pode ser combinada com biomateriais para otimizar os resultados regenerativos, como a hidroxiapatita sintética em associação com fibrina rica em plaquetas para maximizar a formação óssea4.

A técnica também se destaca por sua aplicabilidade em diferentes contextos clínicos. A elevação do seio maxilar com osseodensificação e materiais de enxerto, por exemplo, resulta em um ganho ósseo previsível6. Da mesma forma, a expansão do septo molar utilizando essa abordagem mostra-se eficaz para a instalação imediata de implantes7.

3.3 Complicações e limitações

Embora a literatura atual suporte a eficácia da osseodensificação no levantamento do seio maxilar, fatores como a espessura óssea remanescente e a experiência do operador podem influenciar os resultados9. As complicações relatadas incluem, a perfuração da membrana sinusal, embora a taxa seja reduzida em comparação a outras técnicas8, a falta de estabilidade primária em casos de densidade óssea insuficiente5, a necessidade de treinamento específico para evitar sobreaquecimento ósseo e garantir um controle adequado da perfuração1.

4. Resultados e discussão

Quadro 1– Distribuição dos estudos selecionados conforme principais resultados encontrados.

Título do estudoAutores e ano de publicaçãoTipo do estudoPrincipais resultados
Expansão do septo molar com osseodensificação paracolocação imediata de implantes, Estudo retrospectivo multicêntricocom seguimento até 5 anos, introduzindo uma nova classificação decavidadeBleyan et al. (2021)Estudo clínicoEste estudo retrospectivo, com acompanhamento de até 5 anos, demonstrou que a osseodensificação é uma abordagem viável e previsível para a expansão do septo interradicular e a colocação imediata de implantes com estabilidade adequada em alvéolos de extração de molares. Além disso, permitiu a introdução de uma nova classificação dos alvéolos molares com base na largura do septo interradicular inicial: SI (septo > 4 mm), SII (3-4 mm), SIII (2-3 mm) e SIV (< 2 mm ou ausência de osso septal).
Colocação de implantes pós-elevação do seio maxilar utilizandoconceito de osseodensificação: Relato de um casoRodda et al. (2022)Relato de casoEste relato de caso destaca os benefícios do uso das brocas de osseodensificação (Densah™) tanto para o aumento do seio maxilar quanto para a preparação do local do implante. Esse protocolo é mais indicado quando a elevação do seio maxilar necessária é de até 3 mm. A osseodensificação apresenta-se como uma técnica minimamente invasiva promissora para a abordagem crestal do aumento do seio. 
Implante dentário imediato após elevação indireta do seio utilizando o conceito de osseodensificação:relato de um casoMohrez et al. (2023)Relato de casoA aplicação do conceito de osseodensificação no levantamento transcrestal do seio maxilar posterior reabsorvido e atrófico promove o aumento da altura óssea e da taxa de contato osso-implante. Dessa forma, a instalação do implante pode ser realizada no mesmo procedimento de elevação, reduzindo o tempo total de tratamento. Além disso, essa abordagem apresenta menos complicações em comparação com a técnica lateral, tornando a osseodensificação uma opção segura e eficaz para o levantamento transcrestal do seio maxilar.
Avaliação da elevação do seio maxilar crestalem casos que apresentem um seio maxilar oblíquocom uma altura óssea residual de 4,0-7,0 mmutilizando brocas Densah com colocação simultânea de implantes: um estudo clínico prospetivoShalash, Mounir e Elbanna (2023)Estudo clínicoO estudo analisou 16 casos, registrando uma perfuração da membrana sinusal durante a cirurgia. A elevação média obtida foi de 4,42 mm, com um torque de assentamento final de 35,5 N/cm. Após um ano de acompanhamento, todos os casos tiveram sucesso clínico, sem complicações ou patologia sinusal. Em maxilas posteriores moderadamente atróficas, com altura óssea residual de 4-7 mm e seio maxilar oblíquo, a osseodensificação demonstrou ser um método seguro e eficaz para a elevação do seio com implantação simultânea.
Aumento do pavimento do seio maxilar com hidroxiapatite sintética(NanoBone®) em combinação com fibrina rica em plaquetas: ASérie de casosFrancisco et al., (2024)Série de casosEste estudo indica que a osseodensificação, aliada à hidroxiapatite nanoporosa, favorece a formação óssea no levantamento do seio maxilar. A mistura de PRF líquido com NanoBone® mostrou potencial para aumentar a neoformação óssea e a revascularização em enxertos ósseos, promovendo remodelação e maturação óssea. Embora os resultados sejam promissores, estudos prospectivos com acompanhamento prolongado são necessários para validar sua eficácia a longo prazo.
Taxa de perfuração da membrana do seio maxilar utilizandoElevação do assoalho do seio transcrestal mediada por osseodensificação:Um estudo clínico multicêntricoMazor et al. (2024)Estudo clínicoNo estudo clínico multicêntrico atual, foi confirmada a hipótese alternativa de que a instrumentação com osseodensificação utilizada na elevação do fundo do seio transcrestal E resultaria em uma baixa taxa de perfuração da membrana. Cenários desafiantes, como a atrofia maxilar posterior grave, foram identificados como fatores de risco para o aumento da taxa de perfuração da membrana.
Elevação do assoalho do seio maxilar e instalação simultânea de implantes através de Brocas de Osseodensificação: Uma análise retrospectiva do ganho ósseo em 72 pacientes seguidos durante 6 mesesSaglanmak et al. (2024)Estudo clínicoO levantamento do seio crestal com osseodensificação demonstrou ser um método rápido, eficaz e seguro. Ao contrário de outras técnicas para criar espaço subantral, a osseodensificação se mostra uma abordagem previsível, mesmo em casos com baixa altura óssea residual média. Para confirmar a viabilidade dessas técnicas, são necessários estudos de acompanhamento mais longos, com análise detalhada da topografia e estrutura óssea intrasinusais, a fim de validar a taxa de sucesso do ganho ósseo endo-sinusal, tanto com como sem enxertos, em comparação com as técnicas convencionais de levantamento de seio.
Osseodensificação versus técnica de elevação piezoelétrica do seio interno (PISE) na colocação tardia de implantes (um ensaio clínico controlado e aleatório)Samir, Bissar e Abuel-Ela (2024)Estudo clínicoAmbas as técnicas de elevação transcrestal do seio maxilar foram bem-sucedidas e apresentaram excelentes resultados clínicos. A osseodensificação demonstrou maior ganho e densidade óssea, além de reduzir o tempo cirúrgico. Além disso, essa técnica se mostrou uma abordagem confiável para acelerar a cicatrização e aumentar a satisfação do paciente. Por outro lado, a elevação piezoelétrica do seio maxilar pode contribuir para uma melhor estabilidade primária dos implantes no momento da cirurgia.
Estudo radiográfico da elevação transcrestal do assoalho do seio comtécnica de osseodensificação com material de enxerto: um estudo pilotoSulyhan-Sulyhan et al. (2024)Estudo clínicoA combinação de brocas de osseodensificação com fosfato beta-tricálcico para elevação do seio transcrestal mostrou ser uma alternativa menos invasiva à elevação direta do seio e à técnica de osteótomo de Summers, com uma taxa de sucesso elevada. A técnica permitiu um aumento ósseo vertical de até 6,65 mm, com uma contração subsequente de 0,90 mm, além da inserção do implante com estabilidade primária adequada em pacientes atróficos.
Técnica de osseodensificação na elevação crestal do seio maxilarelevação do seio maxilar – uma revisão narrativaGaspar, Mazor e Bonfante (2025)Revisão da literaturaO sucesso dos implantes pela técnica de osseodensificação no levantamento do seio maxilar depende de diversos fatores, como a saúde do paciente, a experiência do cirurgião e o planejamento protético. As brocas de osseodensificação demonstraram ser uma alternativa segura e previsível para a elevação transcrestal do seio maxilar, embora a atrofia severa (≤3 mm) aumente o risco de perfuração da membrana. No entanto, os estudos analisados utilizaram exclusivamente um sistema patenteado, e a aplicação desses resultados a outros sistemas de osseodensificação deve ser feita com cautela.

A osseodensificação tem sido amplamente estudada como uma técnica inovadora para o levantamento transcrestal do seio maxilar, apresentando vantagens como maior ganho ósseo, melhor densidade óssea e menor tempo cirúrgico. Apesar dos resultados promissores, os estudos mostram algumas variações em relação à sua aplicabilidade e eficácia em diferentes cenários clínicos.

Bleyan et al. (2021) demonstraram, em um estudo retrospectivo multicêntrico, que a osseodensificação é uma abordagem viável para expandir o septo interradicular e permitir a colocação imediata de implantes, mesmo em alvéolos de molares extraídos. Além disso, os autores propuseram uma nova classificação dos alvéolos com base na largura do septo interradicular inicial, auxiliando na personalização dos tratamentos. Essa sistematização contribui para um planejamento mais preciso, reforçando a previsibilidade da técnica. Por outro lado, Rodda et al. (2022), em um relato de caso, sugerem que a osseodensificação é mais eficaz em elevações de até 3 mm, o que pode limitar seu uso em casos que demandam maior ganho ósseo. Embora considerem a técnica minimamente invasiva e promissora, enfatizam a necessidade de estudos longitudinais com amostras maiores para validar sua eficácia.

Mohrez et al. (2023) também relataram resultados positivos ao aplicar a osseodensificação em maxilas atróficas, permitindo a instalação do implante no mesmo procedimento da elevação do seio. Essa abordagem reduz o tempo total de tratamento e apresenta menos complicações quando comparada à técnica lateral. De forma semelhante, Shalash, Mounir e Elbanna (2023) confirmaram a segurança e eficácia da técnica em maxilas moderadamente atróficas, registrando apenas um caso de perfuração da membrana sinusal. Esses achados reforçam o potencial da osseodensificação como uma alternativa viável, mas alertam que a atrofia severa pode aumentar os riscos de complicações.

Em uma revisão da literatura, Gaspar, Mazor e Bonfante (2024) destacam a previsibilidade da técnica, mas alertam para a necessidade de cautela ao extrapolar os resultados obtidos com sistemas patenteados, como o Densah™, para outros dispositivos. Além disso, reforçam que a atrofia severa da maxila continua sendo um fator de risco para a perfuração da membrana sinusal, exigindo uma avaliação cuidadosa caso a caso.

Mazor et al. (2024), em um estudo clínico multicêntrico, corroboraram a baixa taxa de perfuração da membrana ao utilizar a osseodensificação para a elevação do seio transcrestal. No entanto, destacaram que a atrofia maxilar posterior grave ainda representa um desafio, aumentando a probabilidade de complicações. Já Saglanmak et al. (2024) observaram que a técnica é rápida, eficaz e segura, mesmo em casos com baixa altura óssea residual. Entretanto, ressaltam a necessidade de estudos de acompanhamento mais longos para validar esses achados a longo prazo. O impacto da osseodensificação na topografia e estrutura óssea intrasinusais deve ser mais bem explorado para estabelecer sua taxa de sucesso em comparação com as técnicas convencionais.

Por fim, Samir, Bissar e Abuel-Ela (2024) compararam a osseodensificação com a técnica de elevação piezoelétrica do seio maxilar. Ambos os métodos foram eficazes, mas a osseodensificação se destacou pelo maior ganho ósseo, melhor densidade e menor tempo cirúrgico. Além disso, favoreceu uma cicatrização mais rápida e maior satisfação dos pacientes, enquanto a técnica piezoelétrica proporcionou melhor estabilidade primária dos implantes no momento da cirurgia.

5. Conclusão

A osseodensificação tem se mostrado uma técnica promissora e segura para o levantamento transcrestal do seio maxilar, com benefícios evidentes em termos de ganho ósseo e redução do tempo cirúrgico. No entanto, é importante considerar que, apesar dos resultados positivos, a técnica ainda exige mais estudos clínicos prospectivos, especialmente em amostras maiores e com acompanhamento de longo prazo, para confirmar sua eficácia e compará-la com outras abordagens convencionais. Além disso, fatores como a atrofia óssea severa e a experiência do cirurgião continuam sendo determinantes para o sucesso do procedimento.

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1.Discente do Curso Superior de especialização em Implantodontia do Instituto Essence de Odontologia Campus Vila Velha. E-mail: leticiasouzanascimento407@gmail.com
2.Docente do Curso Superior de especialização em Implantodontia do Instituto Essence de Odontologia Campus Vila Velha. E-mail: marcel.paes@yahoo.com.br
3.Professor adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo Campus Goiabeiras. E-mail: bruno.carvalho@ufes.br
4.Docente do Curso Superior de especialização em Implantodontia do Instituto Essence de Odontologia Campus Vila Velha. E-mail: jimmy_dental@hotmail.com
5.Docente do Curso Superior de especialização em Implantodontia do Instituto Essence de Odontologia Campus Vila Velha. E-mail: lorenzobenetti01@gmail.com
6.Docente do Curso Superior de especialização em Implantodontia do Instituto Essence de Odontologia Campus Vila Velha. E-mail: vcordeiro.silva@gmail.com
7.Docente do Curso Superior de especialização em Implantodontia do Instituto Essence de Odontologia Campus Vila Velha. E-mail: gustavaoaugusto@hotmail.com