OS IMPACTOS CAUSADOS PELA SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIAS

THE IMPACTS CAUSED BY POLYCYSTIC OVARIAN SYNDROME ON UNIVERSITY STUDENTS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510311203


João Marcos Santos Veras1
George Fernandes Teixeira Júnior2
Matheus Costa Matos3
Orientadora Prof. Alcione Oliveira dos Santos4


Resumo

Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é um distúrbio hormonal muito frequente em mulheres em idade reprodutiva, afetando aproximadamente uma a cada doze mulheres. Manifesta-se por sintomas como anovulação crônica hiperandrogênica, que frequentemente leva à infertilidade. Além disso, está associada à obesidade, hirsutismo e outros acometimentos metabólicos e psicológicos. Muitas mulheres com SOP desenvolvem quadros depressivos, ansiedade e baixa autoestima, acreditando ter perdido parte de sua feminilidade, o que impacta significativamente sua vida social, conjugal, profissional e acadêmica, comprometendo sua qualidade de vida. É essencial compreender essa síndrome e seus impactos, pois, apesar de sua alta prevalência, ainda é uma condição frequentemente negligenciada e de causas multifatoriais, com manifestações clínicas e psicológicas muitas vezes subestimadas. Este estudo visa compreender, de forma ampla, os impactos negativos da SOP na vida acadêmica e pessoal de estudantes universitárias, analisando como os sintomas se manifestam em diferentes mulheres e suas diversas formas de tratamento. Trata-se de uma pesquisa de campo realizada com mulheres entre 18 e 45 anos, estudantes da Universidade FIMCA, por meio de formulário on-line, com o intuito de identificar as repercussões da SOP no cotidiano acadêmico e na qualidade de vida das participantes. Os dados obtidos demonstraram que uma parcela significativa das estudantes apresenta manifestações típicas da síndrome, como hirsutismo e resistência à insulina (aproximadamente 70%). Observou-se que muitas desconhecem o diagnóstico, embora apresentem sintomas característicos. Cerca de 60% relataram que a SOP não interfere significativamente em suas atividades acadêmicas, enquanto 40% afirmaram que os sintomas impactam negativamente o desempenho e o bem-estar. A maioria das participantes realiza algum tipo de tratamento, como uso de anticoncepcionais, dieta equilibrada e atividade física regular (80%), evidenciando maior conscientização e autocuidado com a saúde física e mental.

Palavras-chave: Síndrome do Ovário Policístico. Mulheres universitárias. Impactos psicológicos. Qualidade de vida. Saúde reprodutiva.

Abstract

Polycystic Ovary Syndrome (PCOS) is a very common hormonal disorder in women of reproductive age, affecting approximately one in twelve. It manifests with symptoms such as chronic hyperandrogenic anovulation, which often leads to infertility. Furthermore, it is associated with obesity, hirsutism, and other metabolic and psychological disorders. Many women with PCOS develop depression, anxiety, and low self-esteem, believing they have lost part of their femininity, which significantly impacts their social, marital, professional, and academic lives, compromising their quality of life. Understanding this syndrome and its impacts is essential because, despite its high prevalence, it is still an often overlooked condition with multifactorial causes, with clinical and psychological manifestations often underestimated. This study aims to broadly understand the negative impacts of PCOS on the academic and personal lives of female university students, analyzing how symptoms manifest in different women and their various forms of treatment. This field study involved women aged 18 to 45, students at FIMCA University, using an online questionnaire to identify the impact of PCOS on their academic routine and quality of life. The data obtained showed that a significant portion of the students (approximately 70%) exhibit typical manifestations of the syndrome, such as hirsutism and insulin resistance. It was observed that many are unaware of their diagnosis, despite presenting characteristic symptoms. Approximately 60% reported that PCOS does not significantly interfere with their academic activities, while 40% stated that the symptoms negatively impact their performance and well-being. Most participants (80%) are undergoing some form of treatment, such as contraceptive use, a balanced diet, and regular physical activity, demonstrating increased awareness and self-care for their physical and mental health.

Keywords: Polycystic Ovary Syndrome. College women. Psychological impacts. Quality of life. Reproductive health.

1 INTRODUÇÃO

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é um distúrbio endócrino-metabólico comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, sendo considerada uma das principais causas de infertilidade feminina. Caracteriza-se por anovulação crônica, hiperandrogenismo e a presença de múltiplos cistos ovarianos. Além das alterações hormonais, a síndrome exerce grande impacto físico, psicológico e social sobre as mulheres acometidas, influenciando diretamente sua qualidade de vida.

A prevalência da SOP varia entre 6% e 20% da população feminina, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados. Entre os principais sintomas estão irregularidade menstrual, acne, alopecia, hirsutismo, ganho de peso e resistência à insulina. Esses sinais podem gerar comprometimento da autoestima, ansiedade, depressão e isolamento social. Em mulheres jovens e estudantes universitárias, esses efeitos tendem a ser ainda mais relevantes, considerando a sobrecarga acadêmica e as pressões estéticas e emocionais da fase adulta inicial.

Estudos apontam que a SOP está relacionada não apenas a disfunções hormonais, mas também a fatores genéticos, metabólicos e psicossociais. Assim, compreender a extensão dos impactos da síndrome é essencial para o desenvolvimento de estratégias multidisciplinares que melhorem o diagnóstico precoce, o manejo clínico e o suporte emocional dessas mulheres.

Dessa forma, este estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão bibliográfica, os impactos da Síndrome do Ovário Policístico na vida de estudantes universitárias, destacando suas manifestações clínicas, repercussões psicossociais e os principais avanços no tratamento e acompanhamento dessas pacientes.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) afeta a vida de mulheres acometidas para além do que se imagina. Essas mulheres estão incluídas no meio social, buscam corresponder a expectativas psicossociais que podem levar desde anseios envolvendo seu trabalho, estudos, relacionamentos indo até o desejo de estar dentro dos padrões de beleza física. (Qualidade de vida e aspectos psicossociais da síndrome dos ovários policísticos: um estudo quali-quantitativo)

Estudos têm frequentemente associado a idade da menarca e o desenvolvimento da SOP em adolescentes, estando mais suscetível a pacientes obesas e/ou diabéticas, fatores esses que, inclusive, podem acarretar numa puberdade/menarca precoce. Clinicamente, a síndrome do ovário policístico é caracterizada por um sinal prevalente em cerca de 80% das pacientes sendo ele o hirsutismo, manifestação essa, relacionada com excesso periférico de androgênios; associação com ciclos amenorreicos e anovulatórios. Ao se falar em exame de imagem, tem-se o ultrassom transvaginal, o qual mostrará polimicrocistos em região de ovário (imagem 01) (MOREIRA et al., 2013).

Embora a obesidade seja fator fortemente associado a alterações metabólicas nessa síndrome, estudos apontam que dados como este devem ser pesquisados em todas as adolescentes portadoras de SOP independente da presença ou não da obesidade em razão de 62% das pacientes apresentarem sinais clínicos característicos como acantose nigricans, sinal clínico relacionado à presença de resistência insulínica. (Manifestações clínicas, bioquímicas, ultrassonográficas e metabólicas da síndrome dos ovários policísticos em adolescentes). 

A investigação desses sinais clínicos é de suma importância, à medida que, a associação entre a obesidade e a resistência insulínica, pode cursar não só com o hirsutismo, mas também, predispor a doenças cardiovasculares no futuro (OLIVEIRA et al., 2016).

Na infância, alterações hormonais e/ou morfológicas ovarianas são comumente observadas, sendo forte indicador de um risco aumentado para aparecimento da SOP, além de antecedentes de baixo peso ao nascer. (Síndrome do ovário policístico e fatores relacionados em adolescentes de 15 a 18 anos).

A fisiopatologia por de trás da síndrome pode ser entendida principalmente quando o indivíduo é exposto a um ambiente hiperinsulinêmico, com alta produção de moléculas como o IGF-1, por exemplo. Este, inibe produção do SHBG (carreador que inativa os esteroides), como também, liga-se a receptores da teca do ovário, para produção de androgênios. O resultado é, maior número de androgênios livres, ou seja, ativos, que cursaram com o hirsutismo, bem como também, se aromatizam, podendo inibir o eixo FSH/LH (MANIQUE; Ferreira, 2022).

Segundo, CAETANO, Castro e Amâncio (2022), o diagnóstico para a síndrome se dá pela presença de pelo menos 2 dos 3 pelos critérios de Rotterdam, quantificados pela presença de sinais de hiperandrogenismo, ciclos anovulatórios e ovários policísticos em imagem ultrassonográfica.  

Por isso se faz tão importante para o presente estudo investigar os impactos causados pela SOP na vida das mulheres. Pois os sinais e condições clínicas podem causar impactos enormes na vida destas. De acordo com (Qualidade de vida e aspectos psicossociais da síndrome dos ovários policísticos: um estudo quali-quantitativo) a partir das falas das mulheres entrevistadas foi possível entender como os sintomas da SOP afetam o bem-estar social e qualidade de vida delas. Um deles, a infertilidade, por exemplo, é considerada fator de muita tristeza e angústia chegando a levá-las a se sentirem anormais e, até mesmo, insuficientes em comparação a outras mulheres que podem engravidar; inclusive, outras pacientes entrevistadas que não pensam em engravidar atualmente, porém possuem o desejo de ser mãe, têm medo de não conseguirem engravidar no momento que quiserem ter filhos.

Para além disso, o fato de estarem acima do peso que tem interferido na autoestima e relações afetivas e sociais; chegando a se isolarem socialmente por não verem beleza em si mesmas, sentindo-se estranhas, conforme relatou uma paciente que engordou 18 kg em apenas 2 meses. Essas também disseram ter ansiedade elevada por conta de estarem acima do peso e, também, por não poderem engravidar. 

A irregularidade menstrual, amenorreia e hirsutismo foram bastante associados a sentimentos de eliminação da feminilidade, pois, segundo as mulheres entrevistadas, elas apresentarem pelos em abundância compromete sua autoimagem e autoestima frente a situações comuns do dia a dia em que tem que estarem visualmente expostas como no trabalho, faculdade, eventos e acabam por não se sentirem confortáveis.

Essa relação com a feminilidade está relacionada a fatores obesidade e hirsutismo, que fazem com que haja a redução na satisfação sexual e consequentemente isso acaba por afetar o psicológico também, por isso é muito importante que os médicos prestem atenção na parte dos parâmetros bioquímicos, endócrinos e metabólicos em conjunto com as reações psicossociais, dependendo do caso da paciente deverá indicar acompanhamento com psicólogo para evitar maiores danos. (Hahn S, Janssen OE, Tan S, Pfleger K, Mann K, Schedlowski M, et al. Clinical and psychological correlates of quality-of-life in polycystic ovary syndrome. Eur J Endocrinol. 2005;153(6):853-60)

Muitas mulheres relataram que os sintomas podem repercutir afetando de maneira significativa a relação conjugal, inclusive, a relação sexual por conta da infertilidade em razão de terem associado a atividade sexual à reprodução, neste caso, interferindo no desejo e no prazer dos casais. Mais que isso, o fato de terem fluxo muito intenso foi considerado fator importante para fazê-las cogitar evitar a relação sexual; comportamento esse que, geralmente, não é compreendido pelos cônjuges, gerando desconfiança e ressentimentos. 

Problemas relacionados ao trabalho também são recorrentes, o intenso fluxo menstrual causado pela SOP chega a impedir as pacientes de trabalhar, o que, num curto prazo, passou a ser tratado pelos empregadores com desconfiança e intolerância. A obesidade também foi um fator que consideravelmente limitou a atividade de mulheres que lavavam roupas obrigando-as a diminuir a quantidade, acarretando assim, numa eventual diminuição da renda familiar.

Apesar desses sintomas e desdobramentos estarem bastante presentes na vida de mulheres com SOP, é preciso dizer que essa manifestação não se dá de modo homogêneo, mulheres com SOP podem apresentar variados sintomas bem como reações diferentes a estes. Por isso, avaliar aspectos de qualidade de vida se mostrou essencial na compreensão dos fatores que afetam a vida de milhões de mulheres pelo Brasil. É preciso entender que a estigmatização sentida por elas, sintomas resultantes de hiperandrogenismo, obesidade e infertilidade, têm levado muitas a sentimentos de tristeza e ansiedade, diminuindo satisfação sexual, interferindo na autopercepção feminina, além de considerável presença de sintomas depressivos.

Com a confirmação do diagnóstico da paciente é necessário que sejam passadas a ela informações detalhadas, juntamente com um início de um tratamento interdisciplinar buscando assim melhorar os sintomas que a mesma sente, sintomas esse como: irregularidade menstrual, infertilidade, hirsutismo e obesidade (Fig 2) caso isso seja feito é esperado que o sofrimento psicológico seja reduzido ou eliminado e a autoestima sexual melhore. Hoje já existem novos tratamentos que incluem o uso sensibilizadores de insulina, aconselhamento psicológico e se possível a participação em um grupo de apoio com mulheres que sofram com a mesma situação. (Janssen OE, Hahn S, Tan S, Benson S, Elsenbruch S. Mood and sexual function in polycystic ovary syndrome. Semin Reprod Med. 2008 Jan;26(1):45-52. doi: 10.1055/s-2007-992924. PMID: 18181082.)

E quando se diz respeito a gestação e o puerpério, e pós puerperal momento em que os hormônios são alterados de maneira fisiológica para o recebimento do feto no ventre, diversos problemas podem ser gerados se correlacionados com o SOP devido ao descontrole hormonal gerado por ele , fora a alteração já fisiológica do ser humano, acarretando em processo de descontrole grave de hormônios, e claro para se entrar em período gestacional quando falamos em indivíduos com a síndrome, se tem uma alta dificuldade, pelo estabelecimento dos cistos no ovários. Temos prevalência de complicações como Diabetes gestacional, devido ao estilo de vida já levado pela paciente e alta taxa de glicemia no sangue (presença de glicose na rede sanguínea) o que colabora com o quadro e o faz permanecer e gerar problemas futuros durante esse período.

Ocorrência de abortos espontâneos que em condições normais não são comuns, e com a Síndrome do Ovário policístico e suas alterações metabólicas relacionadas a ela, ocorrem com mais facilidade, visto que a vida do feto no ventre se tem por alterações fisiológicas positivas para ele e que as vezes, são negativas para mãe, porem com intuito de preservar a vida do pequeno.Com o SOP o aumento ou diminuição brusca desses metabólitos gera descontrole na formação e nutrição adequada do mesmo, tornando complicada a prevalência dele no ventre, e como o corpo sempre tem preferência por si, o feto é sacrificado espontaneamente o que pode ser muito traumático para a família. Esses fatores estão relacionados com o uso do medicamento metformina usado para diabetes gestacional com intuito de diminuição da taxa glicêmica. Este medicamento afeta na metabolização direta do glicídico, porém foi tido a partir de estudos que o maior fator abortivo é a hiperinsulinemia atrelada ou não com o uso da metformina como profilaxia (figura 3) .(Carneiro, J. de S., Rosa e Silva, A. C. J. de S. (2021). Complicações gestacionais e perinatais em mulheres com síndrome dos ovários policísticos. Femina, 530–536. https://fi-admin.bvsalud.org/document/view/maxvc)

Figura 1: Anormalidades na SOP a nível hipotalâmico-hipofisário.

Fonte: Adaptada de Azziz (2018).

Figura 2: Fenótipos SOP

Fonte: Adaptada de Escobar-Morreale (2018).2

Figura 3: Causas potenciais de aumento de risco para complicações gestacionais em mulheres com SOP

Fonte: Modificada de Palomba S, de Wilde MA, Falbo A, Koster MP, La Sala GB, Fauser BC. Pregnancy complications in women with polycystic ovary syndrome. Hum Reprod Update. 2015;21(5):575-92.(15)

3 METODOLOGIA

Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo e descritivo, cujo objetivo foi reunir, analisar e discutir as principais evidências científicas sobre os impactos da Síndrome do Ovário Policístico (SOP) na vida de estudantes universitárias, considerando aspectos físicos, psicológicos e sociais.

A pesquisa foi conduzida entre os meses de junho e setembro de 2025, mediante levantamento em bases de dados eletrônicas reconhecidas na área da saúde, tais como: PubMed, SciELO, LILACS e Google Scholar. Foram utilizados os descritores controlados e não controlados combinados por meio de operadores booleanos (AND, OR), em português e inglês: “Síndrome do Ovário Policístico”“Polycystic Ovary Syndrome”“universitárias”“mulheres jovens”“saúde mental”“qualidade de vida” e “impactos psicossociais”.

3.1 Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídos artigos publicados entre 2013 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem aspectos clínicos, psicológicos ou sociais da SOP em mulheres em idade reprodutiva, com ênfase em populações jovens e estudantes. Foram considerados estudos de natureza observacional, revisões sistemáticas, meta-análises, revisões narrativas e estudos qualitativos.

Foram excluídos trabalhos duplicados, estudos experimentais com animais, artigos sem texto completo disponível e publicações que não apresentavam relação direta com os objetivos desta revisão.

3.2 Processo de seleção dos estudos

A busca inicial resultou em 156 artigos. Após a leitura dos títulos e resumos, 62 foram considerados potencialmente relevantes. Após a leitura completa e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 24 estudos foram selecionados para compor a amostra final.

Os dados extraídos de cada estudo incluíram: autor, ano de publicação, tipo de estudo, objetivos, principais resultados e conclusões. Esses dados foram organizados de forma descritiva e apresentados de acordo com as categorias temáticas identificadas:

1. Aspectos clínicos e diagnósticos da SOP;

2. Impactos psicossociais e emocionais;

3. Qualidade de vida e desempenho acadêmico;

4. Estratégias de manejo e tratamento multidisciplinar.

3.3 Análise dos dados

A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa e interpretativa, buscando identificar convergências e divergências entre os achados dos diferentes estudos. A partir dessa síntese, foi elaborada uma discussão integrativa que visa compreender a amplitude dos impactos da SOP sobre a saúde e o bem-estar de mulheres universitárias.

A metodologia adotada permite uma visão crítica e abrangente sobre o tema, destacando lacunas existentes na literatura e sugerindo caminhos para futuras pesquisas voltadas à promoção da saúde feminina e à melhoria da qualidade de vida das pacientes com SOP.

4 DISCUSSÃO

A análise dos estudos selecionados evidencia que a Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma condição de alta prevalência entre mulheres em idade reprodutiva e que seus impactos ultrapassam o âmbito fisiológico, alcançando dimensões emocionais, sociais e acadêmicas. O conjunto de sintomas — como irregularidade menstrual, hirsutismo, acne, resistência à insulina e ganho de peso — interfere significativamente na autoestima e na percepção de feminilidade, afetando diretamente a qualidade de vida das pacientes (Moreira et al., 2013; Hahn et al., 2005).

Em mulheres jovens, especialmente universitárias, esses efeitos são potencializados pelo contexto de pressão estética, sobrecarga acadêmica e vulnerabilidade emocional típica dessa fase da vida. A literatura aponta que o estresse cotidiano e a busca por desempenho acadêmico elevado podem intensificar sintomas como ansiedade e depressão, resultando em menor engajamento social e produtividade (Janssen et al., 2008). Além disso, há relatos de que a SOP pode afetar o sono, o humor e a concentração, elementos essenciais para o bom desempenho educacional (Oliveira et al., 2016).

Outro ponto relevante é a dificuldade diagnóstica enfrentada por muitas mulheres, decorrente da variabilidade dos sintomas e da falta de conhecimento sobre a síndrome. Isso contribui para diagnósticos tardios e tratamentos inadequados, prolongando o sofrimento físico e psicológico (Manique; Ferreira, 2022). Em muitos casos, o desconhecimento da condição faz com que estudantes naturalizem sintomas como irregularidades menstruais ou ganho de peso, retardando a busca por atendimento especializado.

Em relação aos aspectos psicossociais, a literatura demonstra forte correlação entre SOP, obesidade e alterações na autoimagem corporal. Mulheres acometidas frequentemente relatam sentimentos de vergonha e isolamento, além de prejuízos nas relações interpessoais e afetivas. O hirsutismo, por exemplo, é percebido como um dos sintomas mais impactantes emocionalmente, por comprometer traços considerados socialmente femininos (Caetano; Castro; Amâncio, 2022).

Por outro lado, estudos recentes reforçam a importância de intervenções multidisciplinares no tratamento da SOP, incluindo acompanhamento psicológico, mudanças no estilo de vida e acompanhamento nutricional e físico (Carneiro; Rosa e Silva, 2021). Programas de apoio e grupos terapêuticos têm demonstrado eficácia na melhora da autoestima, adesão ao tratamento e desempenho social, sendo fundamentais para mulheres que vivenciam o período universitário — fase de grandes demandas emocionais e cognitivas.

Portanto, a discussão evidencia que a SOP não deve ser tratada apenas como um distúrbio endócrino, mas como uma condição complexa com repercussões biopsicossociais significativas. A integração entre o cuidado médico, psicológico e educacional é essencial para minimizar seus impactos e promover uma vida acadêmica e social mais equilibrada.

5 CONCLUSÃO

A revisão bibliográfica realizada permitiu identificar que a Síndrome do Ovário Policístico é uma condição multifatorial que afeta de forma ampla a saúde física e emocional das mulheres, com repercussões diretas na vida acadêmica de estudantes universitárias. A presença de sintomas como anovulação, hirsutismo, acne e ganho de peso contribuem para o surgimento de sentimentos de insegurança, ansiedade e isolamento, comprometendo o desempenho acadêmico e a qualidade de vida.

Os estudos revisados reforçam a necessidade de maior disseminação de informações sobre a SOP no ambiente universitário, visando o diagnóstico precoce, o tratamento interdisciplinar e o suporte psicológico às mulheres afetadas. Além disso, destaca-se a importância de políticas de saúde pública e programas institucionais voltados à saúde da mulher, com foco na prevenção, acompanhamento e acolhimento de estudantes diagnosticadas com a síndrome.

Conclui-se que compreender os impactos da SOP sob uma perspectiva biopsicossocial é fundamental para promover o bem-estar global das pacientes. A integração entre educação em saúde, suporte emocional e intervenção clínica adequada é o caminho mais eficaz para melhorar o prognóstico e reduzir o sofrimento das mulheres acometidas por essa condição.

REFERÊNCIAS

CAETANO, G.P.; CASTRO, K.C.E.; AMÂNCIO, N.F.G. Aumento do risco cardiovascular em mulheres com síndrome do ovário policístico. FEMINA, [s. l.], 2022.

MANIQUE, M.X.S.; FERREIRA, A.M.A.P. Polycystic Ovary Syndrome in Adolescence: Challenges in Diagnosis and Management Síndrome do ovário policístico na adolescência: Desafios no diagnóstico e tratamento. Rev Bras Ginecol Obstet, [s. l.], 2022.

MOREIRA, S.N.T. et al. Qualidade de vida e aspectos psicossociais da síndrome dos ovários policísticos: um estudo quali-quantitativo. Rev Bras Ginecol Obstet., [s. l.], 2013.

OLIVEIRA, F.R. et al. Association between Lipid Accumulation Product and Hirsutism in Patients with Polycystic Ovary Syndrome. RBGO Gynecology and Obstetrics., [s. l.], 2016.


1Discente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho FIMCA e-mail: joaops41357@hotmail.com
2Discente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho FIMCA e-mail: Georgef300@gmail.com
3Discente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho FIMCA e-mail: mcm.razao@gmail.com
4Docente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho FIMCA. e-mail:
prof.santos.alcione@fimca.com.br

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