OS COMPONENTES DO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DO TEMA EVOLUÇÃO BIOLÓGICA NO ENSINO MÉDIO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202507190939


Diego dos S. Reis1
Zeneide M. da Silva2
Emerson A. R. M. de Lucena2
Maria de Fátima S. dos Santos-Oliveira1
Maria de Lourdes O. Porto2


RESUMO 

A teoria da evolução consiste num conjunto de proposições científicas oriundas de diferentes áreas das  Ciências Biológicas. Dessa forma, esta teoria possui papel crucial para o entendimento de diversos  fenômenos relacionados à vida – sobretudo à origem da biodiversidade. Entretanto, apesar de sua  importância, há resistência à aceitação da teoria como explicação para os dados empíricos que observamos,  bem como há diferentes níveis de compreensão sobre seus fundamentos. Diante desse contexto, o objetivo deste estudo foi de identificar, com base na revisão de artigos publicados nos anais do Encontro Nacional  de Pesquisa em Ensino de Ciências, quais os fatores do contexto escolar podem estar associados a essa  equivocada compreensão da teoria. Para tanto, o presente trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica,  com dados interpretados por meio da análise de conteúdo. Para análise, os resultados foram agrupados em  cinco categorias: Conceitos Prévios Equivocados; Ausência de Conhecimento Prévio; Formação dos  Professores; Material Didático e Currículo e Planejamento. Por conseguinte, é possível inferir que é preciso  aprimorar a formação docente assim como o currículo escolar, de modo que o estudo do processo evolutivo  seja tratado com a devida importância e de forma integrada às outras disciplinas. 

Palavras-chave: Conceitos prévios. Teoria. Formação docente. Equívocos conceituais.

 INTRODUÇÃO 

A teoria da evolução pode ser considerada a espinha dorsal da biologia moderna,  pois ela é considerada uma disciplina integradora capaz de dar sentido aos fenômenos  naturais, tais como, o comportamento animal, o registro fóssil, dentre outros. Portanto, a  compreensão adequada da biologia moderna depende, em grande parte, do conhecimento  evolutivo. Devido a sua importância para a compreensão dos fenômenos vivos e da nossa  própria origem enquanto espécie, é fundamental que sejam investigados os possíveis  problemas de entendimento que os alunos podem apresentar ao longo de sua formação  intelectual. 

A teoria da evolução biológica, proposta por Charles Darwin e Alfred Russel  Wallace, em 1859 – no livro intitulado A Origem das Espécies, consiste no pressuposto  de que os organismos hoje vivos, descendem de ancestrais compartilhados e que a ampla  variedade de seres vivos existe em decorrência da descendência com modificação  selecionada naturalmente pelo meio em que vivem (FUTUYMA, 2002). 

A teoria sofreu algumas modificações e aperfeiçoamentos desde a visão de  Darwin e Wallace (LALAND et al, 2015). Um exemplo disso é que não havia  fundamentação genética para a origem e modificação dos caracteres biológicos. Hoje em  dia, devido às diversas ciências que a dão embasamento à teoria e que também são melhor  entendidas se tomarmos a evolução como um fato sobre o mundo, tais como etologia,  paleontologia e a própria genética, esta assume papel unificador em todas as Ciências  Biológicas (GOEDERT, 2004; VALLOTA, 2000). 

Esta pesquisa poderá servir como apoio para a prática docente no que diz respeito  à abordagem em sala de aula, pois, uma vez que se conheça os possíveis problemas de  aprendizagem que possam surgir ao longo do processo de ensino, os professores podem  atuar de modo a evitá-los e assim potencializar o ensino. 

No cenário mais recente de pandemia da COVID-19, foi muito divulgado pela  mídia os conceitos de variação do vírus, mutação, e parentesco entre os vírus; sendo o  SARS-coV-2 um membro do grupo do coronavírus. Apenas neste contexto verificamos  como o cotidiano se relaciona com a Biologia, que, inevitavelmente, nos leva a conceitos  importantes da teoria da evolução. Por tudo isso, não pode haver dúvida sobre o dever da escola e da sociedade de prover os conhecimentos necessários para a compreensão da  História da Vida na Terra para que tenhamos cidadãos cientificamente alfabetizados. Diante desse contexto, neste estudo foi realizado uma análise, identificando nos  anais do Encontro Nacional de Pesquisa e Ensino em Ciências (ENPEC), no período de  1997 a 2021, sobre quais fatores interferem no entendimento e/ou compreensão dos conteúdos de Evolução Biológica? A hipótese do presente estudo baseia-se que nos anais  do ENPEC, de 1997 a 2019, pode encontrar informações que subsidiem a existência de  fatores tais como concepções prévias que interferem no entendimento de Evolução  biológica; tempo insuficiente para abordar a temática, no tema no nível médio; falta  de pré-requisitos, (genética, ecologia) por parte dos alunos, necessários para o  entendimento e preparo inadequado e/ou formação adequada por parte dos professores  que ministram esse conteúdo  

O objetivo deste trabalho foi analisar o conteúdo evolução biológica publicado em publicações dos Anais do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciências (ENPEC) entre  os anos 1997 a 2021. Especificamente, pretende-se mapear as ideias presentes nos artigos  científicos sobre o processo de ensino e aprendizagem do conteúdo evolução biológica;  conhecer as concepções dos estudantes sobre o processo de evolução biológica;  identificar fatores que colaboram no processo de ensino e aprendizagem do conteúdo  biológico em foco.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

Evolução biológica e sua história  

A teoria da evolução biológica é fundamental para a compreensão de diversos  fenômenos relacionados à vida (MORIN, 2007). A variedade de seres vivos nesta Terra  é derivada de ancestrais comuns que se modificaram com o passar do tempo, formando  diferentes linhagens distintas e incapazes de se reproduzir entre si. Trata-se de um processo  que leva milhares de anos; ocorre em nível populacional e não tem uma destinação  específica (RIDLEY, 2006). Para Vallota (2000) a compreensão da biologia moderna é  incompleta sem o entendimento da Evolução.  

Antes das ideias de transformação serem apresentadas como tentativas de  explicações científicas, por volta de 1830, a visão predominante era de que as espécies  eram fixas.  

Na Grécia antiga, o filósofo Anaximandro especulou, por volta de 611 a 574  A.E.C (CORRÊA, 2010), que o homem teria vindo de outro animal pois, como ele  observou, passamos muito tempo de vida recebendo cuidado parental e, se a espécie  humana tivesse sempre sido assim, não poderia ter sobrevivido (RUSSEL, 2003). 

Segundo Corrêa (2010), conforme o avanço do cristianismo prosperava ao longo  da idade média a crença de que as espécies foram todas criadas por Deus, sem relação de  parentesco entre si, foi sendo cada vez mais tomada como verdadeira, pois era o que  estava escrito na Bíblia. O pensador da ciência e naturalista Georges Cuvier também  defendia esta ideia. Esse autor, assim como os demais, adequaram o conhecimento da  existência de fósseis ao mito do dilúvio e Noé. 

Obstáculos durante o ensino 

Bloom e Weisberg (2007) relatam evidências de que a resistência à certas ideias  científicas decorrem também de tendências cognitivas que estão presentes desde a  infância e que podem se estender até a fase adulta – levando certos indivíduos a formular  ideias alternativas acerca do funcionamento do mundo. O foco desta pesquisa, mais  precisamente, foi demonstrar que a resistência às ideias ocorre quando elas entram em  conflito com ideias intuitivas que as pessoas formulam.  

Uma ideia que é bastante comum, desde a infância, é a tendência para enxergar  o mundo em termos de design e propósito. Denominada teleologia promíscua por Keleman (2017), argumenta que essa tendência ocorre em diversas culturas e pode explicar,  em parte, a crença generalizada em agentes sobrenaturais que conferem ordem ao mundo,  incluindo os seres vivos, em detrimento das explicações científicas. 

Segundo Ernst Mayr (2004, p. 39) “talvez nenhuma outra ideologia tenha  influenciado a biologia mais profundamente do que o pensamento teleológico”. A  teleologia pressupõe que há metas, finalidades que guiam os processos da natureza e,  como argumenta Mayr (1992) é uma visão de mundo que parece não estar em  consonância com a ciência moderna.  

Com base nesse pensamento da ideia de progresso tão discutida na história da  evolução, podemos entender as origens da ideia de que um criador sobrenatural criou os  seres vivos como eles são atualmente; ou, ainda, a ideia de que a evolução existe, mas  trata-se de um processo guiado intencionalmente, como creem os proponentes do design  inteligente (PENNOCK, 2003). 

Miller, Scote e Okamoto (2006), mostram que a proporção daqueles que  consideram a evolução como falsa tende a ser maior em países como Estados Unidos e  Turquia, onde há disseminação de fundamentalismo; o oposto ocorre em países europeus  como Dinamarca, Suécia e França, que tendem a ver o livro de Gênesis como metafórico. 

Preconizada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (BRASIL, 2000),  a teoria da evolução biológica é um eixo unificador dentro das Ciências Biológicas. A  quantidade de disciplinas que fornecem apoio empírico a esta ideia, como afirmou Ridley  (2006, p. 26) “chega a ser intimidadora”. Apesar disso, uma análise de nove livros  didáticos do Programa Nacional do Livro didático (PNLD) (BRASIL, 2013) revela que a  evolução continua sendo tratada não como uma teoria centralizadora, mas como um  tópico da biologia, geralmente destinada ao final dos livros, conforme relata Tomotani e  Salvador (2017). 

Segundo a análise de Almeida e Falcão (2010), dos principais livros didáticos  brasileiros, num período de sessenta anos, estes apresentam o histórico da teoria da  evolução e suas principais figuras, Charles Darwin e Jean Baptiste Lamarck. Como  normalmente os professores utilizam o livro durante as aulas, e, como importante recurso  didático, estes também podem, de algum modo, influenciar o trabalho pedagógico no que  diz respeito ao ensino de evolução.  

Alguns problemas com o ensino de evolução biológica foram encontrados na  pesquisa de Licatti e Diniz (2003), na qual professores entrevistados apontaram fatores  como: tendência dos alunos a associar a evolução com ideia de progresso e aperfeiçoamento, falta de material de apoio e confronto com crenças religiosas, tanto dos  alunos quanto dos próprios professores.  

Concepções prévias e o ensino de evolução 

Bertka et al (2019) defendem que o ensino de evolução pautado no diálogo entre  professores e alunos, abordando suas concepções, bem como discutir sobre a natureza da  ciência tende a reduzir a tensão em aulas de evolução e promover o entendimento de que  a teoria da evolução não está necessariamente em conflito com a religião dos estudantes. 

Toda e qualquer ideia que se tenha sobre algum assunto antes de tê-lo visto ser  abordado na escola a partir de uma definição científica pode ser considerada um conceito  prévio ou, ainda, uma concepção alternativa. As pessoas sempre constroem visões para  interpretar o mundo a sua volta e muitas dessas visões são, do ponto de vista científico,  equivocadas (FISHER; MOODY, 2002). Desse modo, o conhecimento prévio envolve:  conceitos, proposições e fatos, e são elementos determinantes para o processo de  aprendizagem. Essa aprendizagem é considerada significativa quando cria raízes mais  profundas na estrutura conceitual do sujeito, em vez de uma aprendizagem mecânica, na  qual os novos conceitos ensinados possuem pouca associação com conhecimento prévio  (ALEGRO, 2008). 

Dito isso, a relevância de conhecimento ou conceito prévio para o processo de  aprendizagem é bastante citada pelos autores da área de educação e cognição. Vale  ressaltar que a ausência de determinado conceito também pode ser um fator limitante  conforme explicado por Ausubel (2003). 

O pensamento intuitivo parece estar negativamente associado à aceitação da  evolução biológica. Alguns filósofos e cientistas costumam classificar o raciocínio  humano em dois tipos: rápido ou devagar; analítico ou intuitivo, sistema 1 ou sistema 2  (EVANS, 2003; KAHNEMAN, 2011). O que quero dizer aqui é que o sistema intuitivo é  constituído por “atalhos” mentais rápidos, leva em conta as primeiras impressões. Já o  sistema analítico, ou sistema 2, é mais lento. Ambos os sistemas são úteis em diversas  situações na vida humana. Vale lembrar que duas intuições básicas que muitas pessoas  possuem, como comentadas anteriormente, dizem respeito às noções essencialistas e  teleológicas. Parece que é contraintuitivo, para alguns, assimilar o processo evolutivo,  da mesma forma como – à primeira vista, para crianças, é contraintuitivo pensar que Terra  é redonda, conforme escreve Evans (2003).

O modelo de mudança conceitual consiste numa abordagem pedagógica que parte  do princípio de que os educandos adentram a escola com concepções prévias acerca de  variados tópicos abordados em sala de aula. Este modelo postula que os alunos começam  a aprender quando o novo conceito escolar interage com suas concepções prévias  alternativas, isto é, ideias sobre determinado assunto que diferem das explicações  científicas (DIESSA, 2014). Essas ideias são advindas de leitura em livros, redes sociais,  família etc. 

No que diz respeito à formação inicial dos professores, Firmino (2014),  argumenta que é necessário haver mais discussões sobre epistemologia para aprimorar a  formação professores , e que, durante a formação inicial, muitos alunos (futuros  professores) presenciam o que ela chama de “desconforto epistemológico”, isto é, os  postulados científicos da teoria evolutiva parecem minar a concepção teleológica  arraigada no pensamento do indivíduo, de modo que essa situação constitua um obstáculo  à aprendizagem desse conteúdo. Em outras palavras, as mesmas situações que ocorrem  em sala de aula do ensino médio ocorrem na formação inicial dos professores. 

Essa tese também levanta a questão de ser suficiente ou não a carga horária da  disciplina, que era de sessenta e quatro horas, num currículo com 3.612 horas totais.  Apesar de ser uma disciplina tão relevante, o tempo escasso pode contribuir para a  fragmentação do conteúdo (FIRMINO, 2014). Ainda em Firmino (2014), esta pesquisa  também chega a mencionar a carência de conhecimentos genéticos, sobretudo a genética  de populações, por parte dos professores em processo formativo quando chegam à  disciplina de evolução.  

Mesmo na formação continuada, pesquisadores relatam carência na integração  dos conteúdos de biologia à teoria da evolução, e sugerem trazer o processo evolutivo  para o centro das aulas de biologia (ZABOTTI; JUSTINA, 2020). Também foi apontado  a falta de integração entre a universidade e as escolas de ensino médio. Uma dificuldade  relatada pelos professores diz respeito ao ato de ensinar biologia com um enfoque  evolutivo (GIUFFFRIDA, 2022). Os autores Hanish e Eirdosh (2020) entendem que  abordar a evolução de forma interdisciplinar pode ser eficaz no ensino de Biologia na  medida em que permite estabelecer conexões com diferentes áreas da Biologia.  

A falta de integração como explica, Giuffrida (2022), consiste na falta de  participação dos professores nas discussões sobre o processo de ensino, isto é, quais  mudanças o professor pode fazer para potencializá-lo (ALMEIDA et al, 2016).

Ainda de acordo com Giuffrida (2022), abordar aspectos epistemológicos e da  história da ciência na formação continuada dos professores foi uma boa contribuição para  o ensino de evolução, na medida em que facilita a compreensão dos conceitos evolutivos,  traz reflexões acerca do modo como o conhecimento é produzido socialmente, ou seja,  traz a própria história da ciência como um recurso didático.  

Material didático é tudo aquilo que o professor utiliza como ferramenta auxiliar  durante o processo de ensino: giz, lousa, livros, computadores, jogos etc. Uma das  funções desses recursos é promover mais participação dos estudantes, em vez de fazê-los  se concentrar unicamente na fala do professor, bem como ilustrar o conteúdo que se  pretende ensinar (FISCARELLI, 2007). 

O livro é um importante recurso muito utilizado pelos professores em todos os  níveis, pois serve como um guia para a abordagem dos conteúdos. Muitas vezes este  acaba sendo o único recurso utilizado, dado que é mais acessível, em detrimento de jogos  ou filmes (NICOLA; PANIZ, 2017). 

Apesar de sua importância, Dalapicolla, Silva e Garcia (2015) apontaram a  fragmentação e superficialidade do conteúdo de evolução em alguns livros didáticos  analisados, ou, algumas vezes, de forma errônea (DANTAS, 2018; NASCIMENTO,  2019). Em Dantas (2018), pesquisa em que dois livros foram comparados, o tema da  evolução correspondeu a cinco capítulos num livro (25% da obra), e dois capítulos (15%)  noutra obra. 

Outra possibilidade para além do livro didático são obras audiovisuais  (GALEGO; COSTA, 2021). Segundo os autores, são boas estratégias para atrair a atenção  dos alunos, dinamizar as aulas e fugir um pouco das aulas tradicionais. Em suma, pode se constatar que as aulas de evolução, por serem muito conceituais devido à própria  natureza do objeto de estudo, costuma limitar-se a métodos tradicionais, e o recurso mais  usado acaba sendo o livro. Introduzir o recurso audiovisual como complemento parece  ser uma ótima abordagem.  

METODOLOGIA  

Esta pesquisa possui abordagem qualitativa (FLICK , 2009; MINAYO, 2002),  na qual analisamos o conteúdo evolução biológica em publicações do ENPEC e  verificamos os fatores que interferem no ensino de evolução. O estudo foi caracterizado  também como exploratória (Gil, 2002) e bibliográfico (CERVO e BERVIAN, 1983;  LIMA e MIOTO, 2007).

A escolha do Evento ENPEC justifica-se no fato deste ser o maior e importante  evento de pesquisa na área de Ensino de Ciências do Brasil, portanto deve fornecer uma  boa base de dados a ser analisada. O Evento é organizado pela ABRAPEC é uma  sociedade de caráter civil, científico, educacional e sem fins lucrativos.  

Esta pesquisa foi desenvolvida em fases: 1) Leitura flutuante: primeira leitura dos  dados da pesquisa; 2) Exploração: aqui o corpus era devidamente lido com intuito de  identificar as unidades de registro e de contexto. Unidade de registro é a menor parte do  conteúdo (FRANCO, 2008). As unidades de contexto eram posteriormente estabelecidas  com objetivo de verificar o pano de fundo em que a unidade de registro aparecia, visto  que o contexto fornece significado às unidades de registro (MENDES; MUSKULIN,  2017). No fim deste processo, nesta pesquisa, esses fatores foram organizados, por  similaridades, em categorias. 3) Tratamento: os dados já devidamente organizados foram  analisados, visando responder aos objetivos desta pesquisa, discutidos com os autores do  referencial teórico para nos fornecer um panorama acerca da situação do ensino de  evolução.  

RESULTADOS E DISCUSSÃO  

A escrita dos resultados e análise dos dados, deu-se organizando em três  etapas. Na primeira etapa foram estabelecidas as Unidades de Contexto, que se encontram  aqui a seguir. Conforme já escrito na Metodologia, a Unidade de Contexto escolhida foi  expressões.  

Numa segunda etapa da análise de conteúdo, foram escolhidas as unidades de  registro a partir das unidades de contexto acima transcritas e comentadas, de cada artigo  selecionado. Para isto, ocorreu a seleção de palavras como unidades de registro. As  unidades de registro serviram como conceitos-chave para compor as categorias. As  referidas unidades estão apresentadas no Quadro 1. 

Quadro 1: Unidade (s) de registro selecionada (s) em cada artigo.

ARTIGOUNIDADE(S) DE REGISTRONÚMERO DE  PALAVRAS PARA  CADA UNIDADE DE REGISTRO POR ARTIGO
1Concepções imagem02
Concepções01
Hereditários fósseis02
Curso confronto02
Aperfeiçoamento 01
Tempo marginalizado isolado03
Embate dialogar02
Genética 01
Superficial material02
10 Formação finalismo02
11 Nível 01
12 Fragmentado 01
13 Necessidade 01

Após a análise foi verificado que essas unidades só fazem sentido dentro dos  contextos descritos acima e foram escolhidas porque representam a ideia central dentro  da unidade de contexto. Explicando-as de forma geral: a situação do ensino de evolução,  os obstáculos que podem ocorrer durante o processo de ensino (como a falta de  conhecimento de “genética”; ou “embate” com ideias prévias). Sendo que alguns termos podem inclusive servir como adjetivo para a situação do ensino, como por  exemplo, os termos: “marginalizado”; “isolado”; “superficial”.  

Constatou-se, por exemplo, que a “formação” (unidade de registro) científica  dos alunos foi considerada relevante para a compreensão adequada da teoria da evolução;  que a formação inicial dos professores foi “superficial” no que diz respeito aos conteúdos  de evolução. 

Na terceira etapa desta análise, baseou-se nas ideias encontradas nas  unidades de registro e de contexto, criadas por categorias. As palavras/termos foram  agrupadas em função das relações entre si. Dessa forma, foram estabelecidas as seguintes  categorias que serão apresentadas no Quadro 2, logo abaixo.

Quadro 2: Categorias formadas a partir das unidades de registro.

Dados da Pesquisa (2023).

* Foram identificadas duas palavras. 

A partir das categorias criadas ficou evidente os fatores que permeiam o processo  de ensino e aprendizagem do tema evolução biológica no nível médio de ensino,  conforme escrito a seguir. 

CATEGORIA I: conceitos prévios alternativos  

Na categoria I sobre conceitos prévios, já nominamos como conceitos  alternativos. Como conceito prévio entende-se qualquer ideia que se tenha sobre  determinado objeto sem que esta seja uma concepção científica normalmente aprendida  na escola (ALEGRO, 2008). 

Nesta categoria estão contidas as concepções dos sujeitos do processo de ensino  e aprendizagem. Um entendimento que se pode ter nesta categoria, pode ser a negação de  que os humanos tenham parentesco com os outros primatas ou animais. E ainda: uma  crença subjacente aliada a essa negação está a concepção religiosa de que fomos criados  por Deus. No estudo (BIZZO; ALMENIDA; FALCÃO, 2007), onde o professor explicou na sua aula sobre os fósseis, ficou evidente que, o estudo de fósseis não pareceu suficiente  para convencer os alunos sobre a plausibilidade da evolução.  

A ideia de que a evolução tende a uma finalidade (finalismo), que os seres estão  em processo de aperfeiçoamento foram encontradas nas concepções de alunos e  professores (MEGLHIORATTI; BORTOZZI; CALDEIRA, 2005; NOBRE; FARIAS,  2017). E mais, ficou evidente embate entre as visões dos professores e discentes e  concepção científica da evolução (VALENÇA; FALCÃO, 2017). Nesse sentido, vale  trazer o conceito de desconforto epistemológico abordado por Firmino (2014) que define  desconforto epistemológico a experiência que certos indivíduos possuem ao lidar com  explicações científicas que vão de encontro com suas concepções prévias. Neste caso, a  teoria da evolução parece minar a crença essencialista e teleológica. O essencialismo em  biologia é a consideração de que cada espécie, ou táxon superior, tem uma essência, sendo  esta posição que Mayr se refere como “pensamento tipológico” (FONSECA, 2020).  

Uma das concepções prévias mais abordadas nos artigos analisados faz  referência à teleologia. Entende-se por teleologia a crença de que o mundo natural foi  criado para atender a um propósito ou finalidade específicos. Segundo Mayr (1998, p.  436) “se teleológico significa algo, significa dirigido a um fim”. Por exemplo, sabemos  que uma flor está estruturada com a finalidade de atrair insetos, ou seja, o inseto é atraído  em função do desenho (design) da flor. Este fenômeno parece pressupor intencionalidade  por trás do desenho da flor: um agente conferiu tal propriedade à flor com uma finalidade  específica. 

Como Mayr define a seleção natural como um processo a posteriori, portanto,  não faz sentido dizer que determinada característica possua um objetivo específico antes  de ter sido selecionada; a seleção favorece o êxito atual, mas não determina metas futuras,  visto que o ambiente pode mudar radicalmente. Enfim os confrontos entre os agentes do  processo de ensino e aprendizagem, podem ser resumidos a essa concepção teleológica,  como vimos acima. 

A confusão conceitual foi um fenômeno observado nos estudos analisados. O  objeto de estudo da evolução não estava claro para alguns professores entrevistados  (CARNEIRO; ROSA, 2003). Aqui constatou-se certa confusão como, por exemplo, no  que diz respeito à origem da vida ou do universo. Sabemos que a teoria da evolução lida  com o que acontece depois que a vida surge, mas não sobre sua origem. Como explica  Futuyma (1992, p.3) a evolução biológica nada mais é que a mudança nas propriedades  das populações que transcende o tempo de vida dos indivíduos. 

Cabe ressaltar que neste estudo em que foi identificada a falta de clareza sobre  o objeto de estudo da evolução por parte dos entrevistados, muitos deles não possuíam  formação em biologia, mas em áreas afins como enfermagem, veterinária, etc  (CARNEIRO; ROSA, 2003). 

Outra confusão conceitual, por parte dos alunos, foi em relação às ideias de  herança dos caracteres adquiridos. Já se sabe que este postulado não possui base científica  para entendermos o processo evolutivo, tampouco podemos supor que as mutações  surgem por “necessidade” de adaptação, mas foram ideias relatadas quando se avalia as  concepções dos alunos (CESHIM, OLIVEIRA; CALDEIRA, 2015; BIZZO;  ALMENIDA; FALCÃO, 2007). 

Meglhioratti (2004), salienta a importância de saber relacionar os conceitos  biológicos referentes à evolução, por exemplo, os conceitos de mutação, deriva genética,  competição, seleção e outros. Porém, mesmo quando os conceitos biológicos já estão  consolidados, os alunos possuem dificuldades de relacioná-los de modo a explicar  coerentemente a evolução (SILVA et al, 2011). Este fato, pode não apenas está  relacionado ao ensino descontextualizado, em que os professores não buscam estabelecer  conexões entre os tópicos ensinados, como também com a superficialidade do conteúdo  apresentado (GOEDERT, 2004).  

Encontramos que a falta de integração entre os conceitos de evolução e outras  disciplinas ocorre na formação inicial deficitária de alguns professores e por conseguinte  também se repete no ensino médio, onde estes professor atuam (ZABOTTI; JUSTINA,  2020). 

Cabe lembrar que o ensino da Biologia com enfoque ecológico-evolutivo, além  de ser uma recomendação dos Parâmetros Curriculares Nacionais e da Base Nacional  Comum Curricular – BNCC – (BRASIL, 2000) e atualmente a Base Nacional Comum  Curricular (BRASIL, 2018), pode auxiliar na integração dos conceitos evolutivos na  estrutura conceitual dos estudantes. A dificuldade de realizar tais procedimentos,  conforme dito por Giuffrida (2022), pode ser resultado da formação de professor , em  que os conceitos são abordados de forma pouco integrada. 

Dito isso, trabalhar a Biologia com enfoque evolutivo é uma estratégia positiva  para garantir a integração do conteúdo curricular como um todo, mas também é preciso,  no momento oportuno, retomar os conceitos anteriores e relacioná-los com o tema da  evolução. 

Martins (2005) assim como Bertka (2019), salientam a importância do diálogo  entre professor e aluno durante as aulas de evolução. Conhecer as ideias prévias dos  alunos é o ponto inicial na verificação da coerência das ideias. E, como argumentam  Cunnigham e Wescott (2009) é importante mostrar de que forma a concepção apresentada  pelo discente está equivocada, e como ela não se adequa às observações científicas. Isto  é importante para que o conhecimento se estabeleça. Como por exemplo, quando se diz  que: cortar a cauda do cachorro não fará com que seus filhotes tenham cauda curta, isto  porque, quando uma característica não está presente no material genético do organismo  ela não será transmitida à sua prole. Este simples exemplo pode evitar o pensamento de  que caracteres adquiridos possam ser passados adiante, como alguns alunos pensavam.  

Outra situação que podemos exemplificar é quanto à questão da necessidade da  mudança: os alunos tinham uma tendência a afirmar que houve a necessidade de que a  serpente aumentasse a eficácia do veneno para conseguir sobreviver (CESCHIM  OLIVEIRA; CALDEIRA, 2015). Ora, se o organismo se modifica conforme sua  necessidade, neste entendimento, a extinção seria altamente improvável, pois bastava se  modificar para se adequar ao meio. 

Podemos perceber que a falta de conhecimento suficiente e adequado acerca de  alguns aspectos da evolução, por parte dos discentes, é retratada nos trabalhos do ENPEC  (CESCHIM, OLIVEIRA; CALDEIRA, 2015; BIZZO; ALMENIDA; FALCÃO, 2007).  Da mesma forma, alguns professores também apresentaram falta de conhecimento e  equívocos conceituais (CARNEIRO; ROSA, 2003; LICATTI; DINIZ, 2005). 

Conclui-se que professores e discentes podem se confundir no que diz respeito  aos conceitos de evolução. Dessa forma, foi possível identificar as barreiras que existem  no processo de aprendizagem e ensino sobre a teoria evolutiva; ainda é possível inferir  que, resolvendo esses problemas conceituais, é muito provável que a aprendizagem  aconteça de forma mais adequada. 

CATEGORIA II: falta de conhecimento suficiente. 

Conforme relatado por Firmino (2014), os licenciandos chegam às aulas de  evolução, na graduação, sem conhecimento suficiente em genética. Tal fato pode reverberar nos seus alunos durante as aulas de genética, que serão abordadas de forma  superficial, e consequentemente, tal carência conceitual afetará o entendimento da  evolução.

Conforme visto anteriormente, Miller, Scot e Okamoto (2006), salientaram que  o conhecimento em genética é fator de previsibilidade da crença em evolução. Beardsley  (2004) explicou como os conceitos genéticos se relacionam com a teoria evolutiva.  Firmino (2014) ressaltou a carência de conhecimento em genética de população por parte  dos professores, o que pode dificultar seu entendimento e possivelmente a suas aulas. No  artigo do ENPEC (VALENÇA; FALCÃO, 2011), identificou-se a presença de dois  discursos num grupo de professores: um darwinista e outro neodarwinista, este último,  mais atual, traz consigo explicações genéticas à evolução.  

E ainda conforme Valença e Falcão citados acima, portanto, eles trazem  novamente para o debate a importância de se vincular a genética às aulas de evolução, e  que a omissão de tais conceitos pode ser um obstáculo ao ensino da ciência evolutiva. Os  conceitos de alelo e mutação, podem ser incorporados ao conceito de variação, para que  fique claro as origens da variação nos indivíduos, o que pode lhes conferir vantagens ou  não. Os autores parecem sugerir que é mais eficaz explicar que o que Darwin chamava  de variação, já é compreendido hoje como alelos, ou seja, versões alternativas de um  mesmo gene.  

Em outro artigo (NOBRE; FARIAS, 2017), a opinião dos professores era de que  a própria formação científica dos alunos era um obstáculo ao entendimento e aceitação  da teoria da evolução. No mesmo, não estava claro o que os professores queriam dizer  com “formação científica inconsistente dos educandos”, mas dado o contexto, falavam de  implicações filosóficas e religiosas da teoria. De qualquer forma, isso remete a ideia  abordada no referencial segundo a qual, o nível de entendimento hipotético-dedutivo  maior ou mais analítico, tende a favorecer a aceitação da teoria. Um entendimento  hipotético-dedutivo significa, basicamente, conhecer os pressupostos filosóficos em que  a Ciência se baseia: observação, indagação, teste de hipótese, controle de variáveis etc,  conforme explicado por Lawson e Worsnop (1992). 

Heddy e Nadelson (2012) relatam a importância do nível educacional mais  elevado e letramento científico como fator para a aceitação da teoria evolutiva. Além  disso, eles argumentam que o letramento científico pressupõe estudos e esforços, bem  como integração de saberes de diferentes áreas como química, matemática, física etc. ou  seja, vários domínios distintos, de algum modo, estão incorporados à explicação científica  da evolução.

Dito isso, podemos concluir que os professores precisam trazer para as aulas de  Biologia discussões acerca do processo de formação do conhecimento científico, como  ele é fruto de um trabalho em conjunto como ele difere de outras formas de conhecimento. 

Outra discussão pertinente diz respeito ao tempo geológico e ao registro fóssil.  Dawkings (2018) chama de maldição da “mente descontínua” a dificuldade de pensar a  continuidade da evolução. Não há momento específico em que uma espécie surja:  observaríamos, se retrocedêssemos no tempo, uma cadeia extinta de hominídeos capazes  de se reproduzirem entre si, o que nos conecta aos chimpanzés. A noção essencialista  aparece aqui: há um desejo de imaginar o “momento” em que uma espécie nasce, quando  na verdade trata-se de um longo continuum, a separação taxonômica só é possível após  muito tempo. 

É sabido que o registro fóssil possui inúmeras lacunas. Entretanto, há, sim,  muitos tipos intermediários. Entendemos que esse fenômeno da rejeição dos fósseis seja  um obstáculo decorrente de uma noção essencialista. 

Dito isto, não é absurdo supor que a ausência de conhecimento prévio dificulta ou  inviabiliza o entendimento. Como vimos em Beardsley (2004), o aluno precisa  compreender conceitos ecológicos e genéticos: a competição entre indivíduos, as  variações oriundas das mutações, que são aleatórias, e não induzidas pelo meio, conforme  alguns estudantes costumavam pensar. 

Em suma, vimos que a falta de conhecimento suficiente afeta tanto alunos quanto  professores, esses últimos, por exemplo, chegaram a confundir o nível em que a  evolução ocorre (uma minoria numa pesquisa). Se alguns desses professores chegaram a  cometer esse equívoco numa entrevista, parece bastante provável que os alunos também  o cometeriam facilmente.  

CATEGORIA III: Formação dos professores. 

Sobre a formação inicial, Firmino (2014) faz referência à organização disciplinar  da carga horária da disciplina Evolução ser insuficiente, apesar da importância do tema.  Além disso, entendemos que a temática da evolução frequentemente está envolvida em  equívocos ou polêmica associados a ela. 

A superficialidade com que o tema é tratado na graduação foi um fator  encontrado no artigo (COIMBRA; SILVA, 2007). Este é um dos problemas abordados  por Goedert (2004); um professor entrevistado por ela relata que teve mais  aprofundamento sobre o tema numa disciplina optativa; boa parte dos professores relataram que a evolução era desvinculada das demais disciplinas. Aqui podemos inferir  que, o modo com o conteúdo Evolução é tratado no ensino superior é refletido no ensino  médio.  

Para tentar resolver esses problemas aqui citados, Coimbra e Silva (2007)  propuseram a formação continuada dos professores de ensino médio. Nessa mesma linha  de raciocínio, pesquisas recentes a recomendam para o desenvolvimento profissional,  troca de saberes e experiências entre professores (ALMEIDA et al, 2016; COELHO,  2017). Embora haja, mesmo na formação continuada, relatos sobre a dificuldade de se  trazer a evolução para o centro das aulas de Biologia, Giuffrida (2022) fala exatamente  sobre as possibilidades de integração dos conteúdos biológicos, e aponta que trazer  discussões de natureza epistemológica, ou seja, discutir com os alunos sobre os métodos  que permitem a produção do conhecimento científico, bem como discutir sobre aspectos  históricos acerca da evolução biológica são vistos como abordagens benéficas. 

Enfim, ao que os dados indicam, o curso de graduação, a formação inicial em  Licenciatura em Ciências Biológica pode ser considerada insatisfatório para atender as  necessidades formativas de professores no que diz respeito ao conteúdo de Evolução  biológica, os quais, em muitas situações não obtiveram orientações eficiente sobre essa  temática durante sua formação inicial. 

CATEGORIA IV: Material didático 

O material mais usado pelos professores quando se trata de aulas de Evolução é  o livro didático, pois não costuma haver muitas opções para além disso (COIMBRA;  SILVA, 2007). Pesquisas mais recentes corroboram este dado apontado no ENPEC  (NICOLA; PANIZ, 2017). 

Ressaltamos que, livros didáticos também não costumam tratar a Evolução de  forma centralizadora dos conteúdos, conforme dito em Tomotani e Salvador (2017), bem  como alguns continuam a manter a superficialidade (DALAPICOLLA; SILVA;  GARCIA, 2015) ou até mesmo contém conceito equivocado (DANTAS, 2018). Goedert (2004) também já apontava o problema da defasagem do livro e carência de material  didático em geral, o que fazia alguns professores recorrerem a revistas de divulgação  científica como Scientific American ou Superinteressante. 

Uma possível estratégia apontada para colaborar com ensino de evolução e não  ficar tão preso ao livro foi o uso de obras audiovisuais (GALEGO; COSTA, 2021).

Entendemos que parece ser compreensível o não uso de outros materiais didáticos  para se trabalhar o tema em foco dado que é um tema tão abstrato, mas também,  possivelmente, por desconhecimento, por parte do professor, de metodologias  diversificadas.  

Vimos, por conseguinte, que o material didático para trabalhar o conteúdo da  evolução costuma limitar-se ao livro didático, que, algumas vezes, trata este tema de forma  muito resumida. 

CATEGORIA V: Currículo escolar e planejamento 

Licatti e Diniz (2005) apontaram que o tempo muitas vezes não é suficiente para  abordar o conteúdo da Evolução, pois, muitas vezes o tema é deixado para o final do  período letivo, no ensino médio. Podemos pensar, a partir deste relato, que nem sempre  o professor consegue seguir o seu planejamento, de modo que certos conteúdos acabam  sendo “empurrados”. Como o conteúdo Evolução é quase sempre o conteúdo final na  Unidade, acaba sendo, algumas vezes, negligenciado.  

Tendo isso em vista o que Goedert (2004) aponta, no terceiro ano do ensino  médio, fase em que normalmente se aborda sobre a Evolução, há também a preocupação  com o vestibular. Dessa forma, há muitos outros conteúdos a serem trabalhados, que  acabam sendo tratados com mais urgência.  

Goedert (2004) também aponta que o pouco tempo que sobra para abordar a  Evolução, deixa pouco espaço para discussões mais profundas sobre esse tema. E  conforme vimos em Licatti e Diniz (2005) o conteúdo se resume a poucas páginas. 

Podemos concluir que, o modo como o currículo escolar está estruturado pode  desfavorecer uma abordagem mais robusta da Evolução. É compreensível que se queira  trabalhar tantos outros conceitos antes de ensinar a teoria evolutiva, pois, como vimos  mais acima, trata-se de um tema que demanda vários conceitos científicos, mas ao mesmo  tempo, o fato de deixá-la para o fim pode significar, em alguns casos, numa abordagem  muito breve ou até mesmo inexistente. 

CONCLUSÕES 

Apesar do vasto corpo de conhecimento que nos conduz à conclusão de que  de que o processo evolutivo é um fato, surge certa animosidade devido à aparente ruptura  que esse conhecimento causa na visão essencialista e teleológica em relação aos entes vivos. Além disso, muitos conceitos das ciências biológicas estão integrados na  explicação de como os organismos se modificam e, devido à relativa complexidade dessa  explicação científica, equívocos conceituais frequentemente estão a ela associados. 

A partir de uma análise de conteúdo dos artigos dos ENPEC, foi possível  estabelecer cinco categorias que representam as principais ideias, os fatores e as questões  pedagógicas relacionados à teoria da evolução no contexto brasileiro. Por conseguinte,  foi possível responder à pergunta que conduziu esta pesquisa, isto é, quais fatores  identificados nos anais do ENPEC interferem no entendimento de conteúdos de evolução  biológica. 

Foi observado nesta pesquisa que os fatores que interferem no entendimento da  teoria evolutiva são: Conceitos prévios alternativos; Falta de conhecimento suficiente;  Formação dos professores; Material didático e Currículo escolar e planejamento. Essas  categorias contêm fatores que permeiam as discussões sobre o tema de evolução,  apresenta as concepções dos estudantes e dos professores e identifica fatores que  favorecem o processo de ensino. Quanto a este último, entende-se que o ensino de  evolução de modo contextualizado é um ótimo candidato, haja vista que os problemas de  evolução frequentemente citados envolvem a fragmentação dos conteúdos de biologia.  

Na categoria de Conceitos prévios alternativos, conclui-se que os alunos e,  em alguns casos, os professores, possuem – do ponto de vista científico, equívocos  conceituais. Dessa forma, foi possível identificar as dificuldades que existem no processo  de aprendizagem da teoria da evolução. Por tanto, é possível inferir que, uma vez que se  resolva esses problemas conceituais, o entendimento do processo evolutivo será mais  robusto. 

A categoria de Falta de conhecimento suficiente não é exclusividade dos alunos  (embora seja mais frequente nestes), mas em alguns casos, foi possível observar que os  professores também possuem lacunas de conhecimento, como por exemplo, a dificuldade  em genética ou, mais gravemente, quando desconhece o nível em que a evolução ocorre  (uma minoria, salientou). 

Na categoria Formação de professores, a formação inicial de Licenciatura em  Ciências Biológicas foi considerada insuficiente para atender às demandas conceituais  que envolvem a Evolução. 

Na categoria de Material Didático, vimos que o livro costuma ser o material mais  utilizado, e que, algumas vezes, tratam a temática da Evolução de forma resumida. Dessa  forma, podemos falar que há uma limitação didática neste tema de ensino.

Por último, na categoria Currículo e planejamento, vimos que o modo como o  currículo escolar se estrutura tende a desfavorecer o ensino de Evolução, pois, ao focar  em trabalhar os conteúdos mais básicos, e com ênfase no vestibular, deixa-se pouco  espaço para a abordagem da Evolução, que costuma ser um dos últimos temas no ensino  médio. 

Podemos ainda afirmar que os principais conceitos prévios identificados dizem  respeito a ideias finalismo e conflito com crença religiosa. Não somente os alunos, mas  também, algumas vezes, os próprios professores possuem conceitos prévios que  interferem no entendimento da teoria e, consequentemente, no processo de ensino. 

Vale ressaltar que se tratava de uma minoria os professores que possuíam graves  equívocos, como por exemplo, não saber o nível em que a evolução ocorre. Ainda assim é  preocupante; se pensarmos nesse professor com uma turma de trinta alunos, serão  potencialmente trinta alunos a reproduzir um ou mais equívocos relacionados à teoria  evolucionária, que, como vimos, está quase sempre associada a polêmicas. 

REFERÊNCIAS 

ALEGRO, R. C. Conhecimento prévio e aprendizagem significativa de conceitos  históricos no ensino médio. 2008. 239 f. Tese (doutorado) – Universidade Estadual  Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências, 2008. Disponível em:  <http://hdl.handle.net/11449/102251>. Acesso em 22 fev. 2022. 

ALMEIDA, A. V; FALCÃO, J. T. R. As teorias de Lamarck e Darwin nos livros didáticos  de biologia no Brasil. Ciência e Educação, Bauru, v. 16, n. 3, p. 649-665, 2010. 

ALMEIDA, M. C; BARBOSA, L. A. R. S; EL-HANI, C. N; SEPULVEDA, C. Pesquisa  Colaborativa: um caminho para superação da lacuna pesquisa prática e promoção do  desenvolvimento profissional docente. In: SEPULVEDA, C; ALMEIDA, M. (Org).  Pesquisa Colaborativa e inovações educacionais em Ensino de Biologia. Feira de  Santana: UEFS Editora, 2016. 

ANDERSON, D. L.; FISHER K. M; NORMAN, G. J. Development and evaluation of  the conceptual inventory of natural selection. Journal of Research in Science Teaching,  Maryland, USA, v. 39, n. 10. p. 952-978, 2002. 

AUSUBEL, D. P. Aquisição e Retenção de Conhecimentos: Uma Perspectiva Cognitiva.  Lisboa: Plátano, 2003.

BEARDSLEY, P. M. Middle school student learning in evolution: Are current standards  achievable? The American Biology Teacher, Pocatello, v.66, n.9, p. 604-610,  november./december, 2004. 

BERTKA, Constance M. et al. Acknowledging students’ concerns about evolution: a  proactive teaching strategy. Evolution: Education and Outreach, v. 12, n. 1, p. 1-28,  January, 2019. Disponível em: <https://evolution outreach.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12052-019-0095-0>. Acesso em: 20. Mar.  2022. 

BIZZO, N.; ALMEIDA, A. V. & FALCÃO, J. T. R. A compreensão de estudantes dos  modelos de Evolução Biológica: Duas aproximações. Atas do VI Encontro Nacional de  Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC). Florianópolis-SC: ABRAPEC, 2007. 

BLOOM, P; WEISBERG, D, S. Childhood origins of adult resistance to science. Science,  v. 316, n. 5827, p. 996-997, May, 2007. 

BRASIL. MEC/SEB. Guia de livros didáticos: PNLD. Ciências: ensino fundamental: anos finais.  Brasília: SEB/FNDE, 2013. 

BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria da Educação Média e Tecnológica.  Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação,  2000.  

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. 

BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais (Ensino Médio):  parte III – ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília, DF: Secretaria  da Educação Básica, 2000. 

CARNEIRO, A. P. N.; ROSA, V. L. “Três Aspectos da Evolução” Concepções sobre  evolução biológica em textos produzidos por professores a partir de um artigo de Stephen  Jay Gould. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM  CIÊNCIAS, 4. 2003, Bauru. Atas… Bauru: ABRAPEC, 2003, p.1-10. 

CERVO, A. L; BERVIAN, P. A. Metodologia científica: para uso dos estudantes  universitários. 6. ed. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, p. 55, 1983. 

CESCHIM, B.; OLIVEIRA, T. B.; CALDEIRA, A. M. A. Uma análise dos conceitos  evolutivos inseridos em narrativas teleológicas elaboradas por alunos de Ciências  Biológicas: contribuições epistemológicas e didáticas para o ensino de evolução. Atas do  X Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências –X ENPEC. Águas de  Lindóia, SP –24 a 27 de novembro de 2015. 

COELHO, M. A. V. M. P. Grupos colaborativos na formação de professores: uma revisão  sistemática de trabalhos brasileiros. Zetetiké, v. 25, n. 2, p. 345- 361, 2017.

COIMBRA, R. L; SILVA, J. Ensino de Evolução Biológica e a necessidade de formação  continuada. Atas do VI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências  (ENPEC). Florianópolis – SC: ABRAPEC, 2007. 

CUNNINGHAM, D, L.; WESCOTT, J. Still more “fancy” and “myth” than “fact” in  students’ conceptions of evolution. Evolution: Education and Outreach, Missouri, v.  2, n. 3, p. 505-517, 2009. 

DALAPICOLLA, J.; SILVA, V. DE A.; GARCIA, J. F. M. Evolução Biológica Como  Eixo Integrador da Biologia Em Livros Didáticos do Ensino Médio. Ensaio – Pesquisa  em Educação em Ciências, Belo Horizonte, v. 17, n. 1, p. 150–173, jan. 2015.  

DANTAS, A. P. J. Evolução biológica no ensino médio: uma análise da percepção e  conhecimento dos estudantes e da abordagem dos livros didáticos. 2018. 66F. Trabalho  de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas). Universidade Federal da  Paraíba, Areia, 2018. 

DAWKINS, R. A mão morta de Platão. In: DAWKINS, R. Ciência na alma: escritos de  um racionalista fervoroso. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. 

FONSECA, A. T. Ernst Mayr e a história da biologia: críticas e proposta de revisão.  Helius Sobral v. 3 n. 2 fasc. 3 pp. 1440-1480, 2020 

FISCARELLI, Rosilene Batista. Material didático e prática docente. Revista Ibero Americana de estudos em educação, v. 2, n. 1, p. 31-39, 2007. 

FRANCO, Maria Laura Puglisi Barbosa. Análise de conteúdo. 3. ed. Brasília: Líber  Livro, 2008. 

DISESSA, A. A. A history of conceptual change research: Threads and fault lines. In  K. Sawyer (Ed.). Cambridge handbook of the learning sciences. Cambridge: Cambridge  University Press. p. 265-281, 2014. 

EVANS, J. In two minds: dual-process accounts of reasoning. Trends in cognitive  sciences, v. 7, n. 10, Oct. 2003. 

FIRMINO, S. G. Obstáculos epistemológicos no ensino e na aprendizagem da teoria  da evolução na formação inicial de professores de biologia: implicações do  conhecimento religioso. 130 f. Dissertação (Mestrado em Educação em Ciências e  Matemática) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2014. 

FISHER, K, M; Moody, D, E. Student misconceptions in biology. In K. M. Fisher, J. H.  Wandersee, & D. E. Moody. Mapping Biology Knowledge, p. 55-75, 2002. 

FLICK, U. Introdução à pesquisa qualitativa. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. 

FUTUYMA, D. J. Biologia Evolutiva. Trad. De Mário de Vivo e Fábio de Melo Sene.  2. ed. Ribeirão Preto. Sociedade Brasileira de Genética/CNPq, 1992. 

FUTUYMA, D. Biologia evolutiva. 2. ed. Coordenador de tradução Mário de Vivo.  Ribeirão Preto: FUNPEC-RP, 2002.

GALEGO, L. G. C; COSTA, S. C. A evolução biológica em produções audiovisuais na  formação inicial de professores de Ciências e Biologia. Research, Society and  Development, v. 10, n. 8, p. 1-10, 2021. Disponível  em:<https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/17212>. Acesso em: 24 mai. 2023. 

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 

GIUFFRIDA, K. Z. Ensino de Evolução Biológica: articulações em entre epistemologia,  história, e didática e, um grupo colaborativo de professores de biologia.181 f.Tese  (Doutorado em Educação em Ciências e Educação Matemática) – Universidade Estadual  do Oeste do Paraná, Cascavel, 2022. 

GOEDERT, L. A Formação do Professor de Biologia na UFSC e o Ensino da  Evolução Biológica. 2004. 122 f. Dissertação (Mestrado em Educação Científica e  Tecnológica) – Centro de Ciências Físicas e Matemáticas, Universidade Federal de Santa  Catarina, Florianópolis, 2004. 

Heddy, B. C.; Nadelson, L. S. (2012). A global perspective of the variables associated to  acceptance of evolution. Evolution: Education and Outreach, 5(3), 412-418. 

KAHNEMAN, D. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Rio de Janeiro: Objetiva,  2011. 

KELEMEN, Deborah. The scope of teleological thinking in preschool  children. Cognition, v. 70, n. 3, p. 241-272, Pennsylvania, Jun,1999.  

LALAND et al. The extended evolutionary synthesis: its structure, assumptions and  predictions. Proceedings of the Royal Society of London B, v. 282, n. 1813, p. 2-14,  2015. 

LAWSON, A. E.; WORSNOP, W. A. Learning about evolution and rejecting a belief in  special creation: effects of reflective reasoning skill, prior knowledge, prior belief and  religious commitment. Journal of Research in Science Teaching, 29(2), 143-166, 1992. 

LICATTI, F.; DINIZ, R. E. S. Concepções de professores sobre Evolução Biológica:  primeiras aproximações. In: Atas do IV Encontro Nacional de Pesquisa em Educação  em Ciências (ENPEC). Bauru-SP: ABRAPEC, 2003. 

LICATTI; F.; DINIZ, R, E, S. O ensino de biologia no nível médio: investigando  concepções de professores sobre Evolução Biológica. In: Atas do V encontro Nacional  de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC). Bauru-SP: ABRAPEC, 2005 

LIMA, T. C. S. de; MIOTO, R. C. T. Procedimentos metodológicos na construção do  conhecimento científico: a pesquisa bibliográfica. Revista katálysis, Florianópolis, v. 10,  p. 37-45, 2007. 

MARTINS, A. F. P. Ensino de ciências: desafios à formação de professores. Revista  Educação em Questão, v. 23, n. 9, p. 53-65, 2005.

MAYR, E. The idea of teleology. Journal of the History of ideas, v. 53. n. 1, p. 117,  1992. 

MAYR, E.; PROVINE, B. W. (eds.). The evolutionary synthesis: perspectives on the  unification of biology. Cambridge: Harvard University Press, 1998. 

MAYR, Ernst. What makes biology unique? Considerations on the autonomy of a  scientific discipline. New York: Cambridge University Press. 2004. 

MEGLHIORATTI, F. A. História da construção do conceito de evolução biológica:  possibilidades de uma percepção dinâmica da ciência pelos professores de Biologia.  Dissertação de mestrado pela UNESP. Bauru, 2004. 

MEGLHIORATTI, F. A.; BORTOLOZZI, J.; CALDEIRA, A. M. Formação de  professores e história da formulação do conceito de evolução biológica: possibilidades de  uma percepção dinâmica da Ciência. Atas do IV Encontro Nacional de Pesquisa em  Educação em Ciências (ENPEC). Bauru-SP: ABRAPEC, 2003. 

MENDES, R. M.; MISKULIN, R. G.S. A análise de conteúdo como uma metodologia.  1044 Cadernos de Pesquisa v.47 n.165 p.1044-1066 jul./set. 2017 

MILLER, J. D.; SCOT, E. C.; OKAMOTO, S. Public acceptance of evolution. Science,  n.313 v.5788, p. 765–766, 2006. 

MINAYO, M. C. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 21. ed. Petrópolis:  Vozes, p. 17, 2002. 

MORIN, E. A religação dos Saberes – o desafio do século XXI. Rio de Janeiro, ed.  Bertrand Ltda, 2007. 

NASCIMENTO, M. M. Biologia Moderna (Amabis e Martho): o conteúdo de  evolução em uma obra didática do ensino médio. 2019. 71F. Trabalho Acadêmico de  Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas). Universidade Federal da  Paraíba, João Pessoa, 2019. 

NICOLA, J. A.; PANIZ, C. M. A importância da utilização de diferentes recursos  didáticos no ensino de biologia. Inovação e Formação, v. 2, n. 1, p. 355-381, 2017. 

NOBRE, S. B.; FARIAS, M. E. Interfaces entre o ensino de Biologia Evolutiva e o  Pensamento Complexo. Atas do XI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em  Ciências (ENPEC). Florianópolis, SC. ABRAPEC, 2017 

PENNOCK, R. T. Creationism and intelligent design. Annual Review of Genomics and  Human Genetics, v. 4, n. 1, p. 143-163, 2003. 

RIDLEY, M. Evolução, 3ª edição. Artmed Editora, Porto Alegre, 2006. 

SILVA, C. R et al. O que pensam os estudantes de Ensino Médio sobre Evolução  Biológica? – Um estudo a partir do PIBID Biologia/UNIFAL1. Atas do VIII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC). Campinas – SP.  ABRAPEC, 2011. 

TOMOTANI, J. V; SALVADOR, R. B. Análise de conteúdo de Evolução em livros  didáticos do Ensino Fundamental brasileiro. Pesquisa e Ensino em Ciências Exatas e  da Natureza, Cajazeiras, v.1, n.1, p. 5-18, 2017. 

VALENÇA, C. R.; FALCAO, E. B. M. Crenças religiosas: questões para o docente  universitário. In: Atas do XI ENPEC- Encontro Nacional de Pesquisa em Educação  em Ciências, Florianópolis- SC, 2017 

VALENÇA, C. R.; FALCAO, E. B. M. Darwinismo ou Neodarwnismo: dificuldades  discentes ou ambivalências docentes. In: Anais… VIII Encontro Nacional de Pesquisa  em Educação em Ciências, Campinas-SP, 2011. 

VALOTTA et al. Frequência de genes em populações: Subsídios para o ensino de  Evolução e seleção natural. In: VII EPEB. FEUSP. São Paulo-SP, 2000.  

ZABOTTI, K.; JUSTINA, L. A. J. O ensino dos temas “Origem da Vida” e “Evolução  Biológica” em dissertações e teses brasileiras (2006 a 2016). Amazônia: Revista de  Educação em Ciências e Matemáticas, v. 16, n. 36, p. 82-98, 2020.


1Licenciado em Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Santa Cruz  (UESC) – Ilhéus – Bahia – Brasil.
2Docentes do Departamento de Ciências Biológicas -Área de Ensino de Biologia  da UESC.
3Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Santa Cruz  (UESC) – Ilhéus – Bahia – Brasil.

Rolar para cima