IMPACTOS DA ENDOMETRIOSE NA FERTILIDADE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

IMPACTS OF ENDOMETRIOSIS ON THE FERTILITY OF THE BRAZILIAN POPULATION: A SYSTEMATIC REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202507190922


Joicy Alves da Silva1; Aline Passos da Silva2; Gelyson Dias Uchoa3; Priscila Santos Silva4; Hanna Thielly Santana Cruz5; Yasmin Amélia de Carvalho Freitas6; Fernanda Paranhos Passos7


Resumo 

A endometriose é uma patologia que está associada à menstruação retrógrada descrita  inicialmente por Sampson em 1927. A sua sintomatologia inclui dismenorreia, dispareunia e  infertilidade. Nesse contexto, a endometriose reduz a fecundidade das mulheres para de 2 a 5%,  caracterizando-se assim como uma doença que afeta o físico e emocional, resultando em baixa  qualidade de vida. Este artigo busca trazer os impactos da endometriose na fertilidade da  população feminina brasileira. Trata-se de uma revisão sistemática cujos artigos foram  selecionados nas bases de dados Scielo, Pubmed e Lilacs com o uso dos descritores  “endometriose”, “ infertilidade”, “esterilidade, “impacto”, “endometrioma” e “Brasil” nos  idiomas inglês e português além do operadores boleanos “and” e “or”. Como critérios de  exclusão foram utilizados aqueles que não abordassem sobre endometriose e infertilidade,  duplicatas e artigos não disponíveis na íntegra. Dos 44 artigos identificados, 8 foram  selecionados para compor a nossa revisão atendendo aos critérios de inclusão. Dos 8 artigos, 4  apresentaram os impactos negativos acerca da qualidade de vida da mulher principalmente na  questão mental, 2 trouxeram os efeitos a nível molecular, 1 trouxe metodologias que auxiliam  no tratamento para infertilidade e 1 artigo não aponta a influência da endometriose  negativamente associada à infertilidade. A predominância de artigos que demonstram o impacto  negativo da endometriose na fertilidade é de suma relevância e deve ser estudada mais a fundo  visando trazer terapêuticas mais eficazes tendo em vista que tal patologia impacta a vida  pessoal, íntima e profissional destas mulheres. 

Palavras-chave: Endometriose. Infertilidade. Brasil.  

1. INTRODUÇÃO 

Endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de epitélio e  estroma semelhantes ao endométrio que se localizam na parte externa da cavidade  uterina resultando em um processo inflamatório que leva ao acúmulo de tecido  cicatricial (HUNSCHE et al., 2023; SOCIETY; REPRODUCTION, 2022). A teoria  mais acatada acerca da etiologia está associada à menstruação retrógrada descrita por  Sampson, em 1927 (CARDOSO et al., 2020; SAMPSON, 1927). Tal condição é  tipicamente classificada de acordo com critérios formulados pela American Fertility  Society (AFS) e pela American Society for Reproductive Medicine (ASRM) por meio  do tamanho da lesão, localização e extensão das aderências em 4 estágios que vão de  mínimo a grave (ZONDERVAN et al., 2018).  

Esta patologia é influenciada por múltiplos fatores incluindo genéticos,  ambientais e epidemiológicos, afetando 6-10% das mulheres em idade reprodutiva e  sendo identificada também em mulheres na pré-menarca e na pós-menopausa  (FALCONE, Tommaso; FLYCKT-REBECCA, 2018), e a sua estimativa é de 190  milhões de mulheres afetadas globalmente (KIRK et al., 2024). No Brasil, um estudo  realizado por Oliveira et al. demonstrou que o número de internações por endometriose  no país supera a casa dos 60 mil e se concentra na região Sudeste (OLIVEIRA et al.,  2024).  

O diagnóstico é estabelecido de forma confiável através de cirurgia – em sua  maioria, a laparoscopia – mas alguns casos são detectados por meio de exames de  imagem e o principal tratamento está associado à remoção cirúrgica do tecido ectópico ou tratamento hormonal para reduzir dores e inflamações (ZONDERVAN et al., 2018). 

A sintomatologia inclui dismenorreia, dor pélvica crônica, dispareunia, queixas  intestinais e urinárias cíclicas e infertilidade (CARDOSO et al., 2020). Sob esse viés,  estudos apontam que metade das mulheres com evidências cirúrgicas de endometriose  posteriormente não conseguem engravidar de forma espontânea (BAN FRANGEŽ et  al., 2022). Dentre os impactos associados a tal implicação encontra-se alterações da  função tubo-ovariana, transporte de gametas, receptividade endometrial e efeitos  inflamatórios no fluído peritoneal – afetando a qualidade e a função do esperma – além de efeitos adversos na qualidade dos oócitos e na reserva ovariana (BARNETT;  BANKS; DECHERNEY, 2017).  

A correlação entre a infertilidade e a endometriose já está bem descrita na  literatura e dados apontam que a fecundidade mensal para casais sem endometriose é de  0,15 a 0,2 por mês enquanto casais com a endometriose são de 0,02 a 0,1  (KOBANAWA, 2024), isso significa que, cerca de 35% de pacientes com endometriose  enfrentam a infertilidade e tal condição reduz a fecundidade de 15% a 20% por mês em  mulheres saudáveis para 2% a 5% em mulheres com endometriose (LLARENA;  FALCONE, Tommaso; FLYCKT, 2019). 

A literatura já descreve a endometriose como um grave problema social  feminino que leva a impactos negativos no bem-estar físico e emocional, resultando em  baixa qualidade de vida principalmente relacionado às mulheres que desejam a  maternidade, tornando-se essencial o desenvolvimento de novas pesquisas que busquem  por diagnósticos precisos e terapias resolutivas (MAULENKUL et al., 2024).  

Neste viés, denota-se a importância em estudar tal patologia frente ao aumento  de sua ocorrência e de suas demandas. Deste modo, o objetivo deste estudo é revisar  sistematicamente os impactos da endometriose na fertilidade da população feminina  brasileira, descrevendo os aspectos sociodemográficos da população e os métodos  diagnósticos e de tratamento atualmente utilizados no contexto brasileiro, buscando  assim atualizar os materiais disponíveis de estudo e auxiliar nas metodologias  empregadas. 

2. METODOLOGIA 

Este trabalho trata-se de uma revisão sistemática a qual teve como base estudos  científicos que investigam os impactos da endometriose na fertilidade em mulheres no  Brasil, utilizando para isso a metodologia do Preferred Report Items for Systematics  Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) (14). Este projeto foi cadastrado sob a  identificação CRD42024626498 no PROSPERO.  

Para condução desta pesquisa a coleta de dados teve início nos meses de  fevereiro a março de 2025, utilizando das plataformas Descriptor in Health Sciences (DECS) e Medical Subject Headings (MeSH) para identificação das palavras-chave. As  palavras selecionadas foram “infertility/infertilidade”, “sterility/esterilidade”,  “endometriosis/endometriose”, “endometrioma”, “Brazil/Brasil” e “impact/impacto”.  Em conjunto a estas, os operadores boleanos “AND” e “OR” foram empregados e a  pesquisa foi conduzida nas bases de dados PubMed, LILACS e Scielo. O modelo de  pesquisa utilizado para as três bases está descrito na tabela 1. 

Tabela 1: Modelo de pesquisa nas bases de dados

a O filtro de 10 anos (2016-2025) foi utilizado para todas as bases de dados.
Fonte: Autores

Como critérios de inclusão foram utilizados: artigos dos últimos 10 anos (2016- 2025), pesquisas realizadas em mulheres e que utilizem dados da população feminina  brasileira, artigos originais do tipo estudos observacionais (coorte, caso-controle e  transversais), nos idiomas inglês e português. A escolha do período de estudo se baseou  na falta de publicações acerca do tema sobre a população feminina brasileira na última  década. 

Os critérios de exclusão foram pesquisas que não abrangem o público específico,  pesquisas que não abordem sobre infertilidade ou endometriose, duplicatas, artigos não  disponibilizados na íntegra e pesquisas que não correlacionaram os dados de  endometriose e infertilidade.  

A triagem inicial contou com a identificação dos artigos nas bases de dados e  posterior remoção de duplicatas, em seguida foi realizada a leitura dos resumos dos  artigos disponíveis e exclusão daqueles inelegíveis. Após a leitura completa dos estudos, novas exclusões foram realizadas com base nos critérios. Toda seleção foi  conduzida de maneira independente por três pesquisadoras, sendo as poucas divergências  resolvidas em consenso. 

Para avaliação da qualidade metodológica utilizaremos a abordagem Joanna  Briggs a qual se baseia em um formulário que indica do baixo ao alto risco de viés  através das porcentagens(SANTOS, W. M. Dos; SECOLI; PÜSCHEL, 2018).  

Os resultados estão explicitados em fluxogramas e tabelas descritivas com base  nos artigos selecionados.  

3. RESULTADOS 

Utilizando como referência a tabela 1 para as pesquisas nas bases de dados,  identificou-se ao total 44 artigos que correspondiam com o estudo. Destes 44, foram  removidas 8 duplicatas e 36 continuaram elegíveis. Após um processo de screening, 17  artigos foram removidos por seres inelegíveis nas plataformas ou não estarem  associados ao tema da pesquisa. 19 artigos prosseguiram para a avaliação de  elegibilidade sendo que destes, 3 encontram-se indisponíveis para acesso, 2 não foram  localizados/foram removidos, 3 não apresentaram foco na infertilidade e outros 3 tinham desfechos não compatíveis. Deste modo, ao final contamos com 8 artigos para a  revisão (Figura 1).  

Segundo os critérios de inclusão, optou-se por artigos mais recentes, dos últimos  10 anos, sendo então dos artigos incluídos aqueles que foram publicados entre os anos  de 2017 e 2024 e, de acordo com a língua selecionada, observamos que os artigos de  Mori et al.(MORI et al., 2024), González-Comadran et al.(GONZÁLEZ-COMADRAN  et al., 2017), Lima et al.(LIMA et al., 2018), Florentino et al.(FLORENTINO et al.,  2019), Bianco et al.(BIANCO et al., 2021), Rodrigues et al.(PESSOA DE FARIAS  RODRIGUES et al., 2020) e Broi et al.(BROI et al., 2021) estavam disponíveis em  inglês com possibilidade de tradução para o português e o artigo de Rocha et  al(ROCHA et al., 2018) tinha seu pdf tanto em inglês quanto em português. 

Dos 8 artigos selecionados foram extraídos o título, autor, ano, local, tipo de  estudo, jornal, joanna briggs, população, idade e desfecho os quais irão compor nossas  tabelas 2 e 3 de resultados.

Figura 1: Fluxograma da seleção de artigos nas bases de dados.

Fonte: Autores

Os artigos selecionados foram alocados na tabela descritiva 2 na qual extraímos  dos artigos: autores, tipo de estudo, região do Brasil estudada, jornal e a classificação do  Joanna Briggs. 

A tabela 2 demonstra que a maioria dos estudos se concentrou na região Sudeste  no estado de São Paulo sendo somente um do estado de Santa Catarina e outro realizado  por meio de banco de dados do Registro Latino-Americano de Reprodução Assistida.  Os estudos apresentaram uma divisão equilibrada entre observacional, prospectivo e  transversal sendo demonstrado categorizações mistas com 4 observacionais, 5  transversais, 1 de coorte e 3 prospectivos. 

Dos 8 estudos selecionados, 3 foram publicados em revistas brasileiras que  abordam sobre a saúde feminina com boas avaliações, as outras 5 revistas são  estrangeiras e tem foco na área feminina e também na parte de endocrinologia. E, de acordo com Joanna Briggs, os artigos selecionados apresentaram de média a alta  qualidade nas avaliações. 

Tabela 2: Tabela descritiva dos artigos selecionados 

Fonte: Autores

Para melhor visualizar os resultados, foi montada a tabela 3, a qual representa  uma continuação da 2 e que descreve cada artigo selecionado apresentando a população,  idade e desfechos. 

Os estudos revisados abrangem uma variedade de metodologias, populações e  desfechos, oferecendo uma visão abrangente sobre a relação entre endometriose e  infertilidade no contexto brasileiro. As amostras variaram de 46 a mais de 22 mil  mulheres, com idades predominantemente entre 20 e 38 anos. Os principais desfechos  investigados incluíram impacto na qualidade de vida, função sexual, resultados de  fertilização in vitro, alterações hormonais e genéticas, e eficácia de tratamentos  cirúrgicos. A maioria dos estudos destacou que a dor pélvica, especialmente a  dispareunia, está fortemente relacionada à disfunção sexual e à redução da qualidade de  vida. Também se evidenciou que fatores clínicos são mais relevantes do que o estágio  da doença para a percepção do paciente sobre sua condição. Estudos sobre tratamento  indicaram melhora significativa nos sintomas e possível aumento na taxa de gravidez. 

O tamanho amostral quantitativo total obtido foi de 23.157 mulheres que  participaram de diferentes pesquisas e estudos. Nesse contexto, destaca-se que a  predominância faixa etária é entre 30-40 anos, período considerado o de melhor escolha  para reprodução entre o sexo feminino atualmente, sendo somente um artigo com a  idade entre 20-25 anos.  

Tabela 3: Tabela descritiva dos artigos selecionados (continuação) 

Fonte: Autores

A etiologia da endometriose ainda permanece em estudos, sendo a teoria mais  aceita a de Sampson em 1927 na qual o tecido endometrial move-se para a cavidade  pélvica, especificamente através da trompas de falópio no momento da menstruação, se  adere às células mesoteliais peritoneais, proliferando e assim invadindo as estruturas  pélvicas (BONAVINA; TAYLOR, H. S., 2022; SAMPSON, 1921). O que já se  confirma é a associação clínica desta patologia com a fertilidade das mulheres. Estudos  epidemiológicos já abordam que cerca de 30% das pacientes com endometriose sofrem  de infertilidade e até 50% das pacientes inférteis podem sofrer de endometriose(CARDOSO et al., 2020). Destacando-se como a doença mais pesquisada  na obstetrícia e ginecologia nos últimos 15 anos, no contexto brasileiro tal patologia  afeta de 5 a 15% das mulheres que deram à luz (CRUZ et al., 2022). 

A patobiologia da endometriose se explica por um conceito comum entre as  teorias: uma sinalização hormonal complexa e desregulada somada a um ambiente pró inflamatório intensificado que promove o início, manutenção e prolongamento da  doença (BONAVINA; TAYLOR, H. S., 2022). 

Alguns estudos trazem fatores que associam a infertilidade a endometriose tais  como o artigo de Seyhan e colaboradores que abordam acerca de uma menor reserva  ovariana em mulheres com endometriose avançada (SEYHAN, 2015). O trabalho de  Miller aponta para as alterações promovidas pela endometriose associadas a disfunções  imunológicas que podem levar à inflamação crônica, proliferação de lesões e  desequilíbrio hormonal local, características que podem promover a má qualidade do  ovócito além de redução da motilidade espermática, reduzindo assim a receptividade  endometrial (MILLER et al., 2017). O artigo de Cahill e colaboradores também aborda  acerca de padrões alterados na secreção de hormônios como estrogênio e progesterona  levam a uma fase lútea anormal, podendo assim comprometer a ovulação nas  mulheres (CAHILL; HULL, 2000). No que tange a genética, a pesquisa de Lazim e  colaboradores destaca a expressão do gene HOXA10 que encontra-se diminuído em  mulheres com endometriose e portanto representa evidências de problemas na  fertilidade como defeitos na receptividade endometrial, ocorrência de falha de  implantação e prevalência de infertilidade primária (LAZIM et al., 2023).

Determinadas condições afetam a qualidade de vida das mulheres pois se  correlacionam negativamente com o funcionamento sexual, a qualidade do  relacionamento com o parceiro, o humor, o trabalho, o desempenho social, podendo  ocasionar isolamento social e afetar negativamente o bem-estar emocional, resultando  assim em problemas psicológicos, ansiedade, depressão e fraca capacidade de lidar com  dificuldades (YELA; QUAGLIATO; BENETTI-PINTO, 2020).  

Nesse contexto, dos nossos artigos selecionados, identificamos que as pesquisa  de Mori(MORI et al., 2024), Lima(LIMA et al., 2018), Florentino(FLORENTINO et  al., 2019) e Rodrigues(PESSOA DE FARIAS RODRIGUES et al., 2020) apresentaram  por meio de questionários redução na qualidade de vida da mulher com endometriose  principalmente associada a questões psicológicas incluindo depressão e ansiedade e ao  contexto sexual, envolvendo consequentemente a infertilidade. Já os artigos de  Broi(BROI et al., 2021) e Bianco(BIANCO et al., 2021) avançam e buscam as  associações genéticas e biomoleculares associadas a endometriose e infertilidade. A  pesquisa de Rocha(ROCHA et al., 2018) no contexto terapêutico traz então  metodologias que podem auxiliar em impactos positivos para fertilidade de mulheres  com endometriose. Ademais, indo ao oposto de todos os artigos selecionados, Gonzalez  e colaboradores(GONZÁLEZ-COMADRAN et al., 2017) demonstra não existir  correlação da endometriose e impacto negativo na questão da fertilidade. 

4. DISCUSSÃO

A endometriose é uma patologia que acomete a fecundidade em casais de idade  reprodutiva, reduzindo assim a probabilidade de engravidar das mulheres para de 2 a  10% (HUGHES; FEDORKOW; COLLINS, 1993; MACER; TAYLOR, H. S., 2012;  PRACTICE; MEDICINE, 2012). Estudos demonstram que mulheres com endometriose  possuem redução na reserva ovariana, baixa qualidade de ovócitos e embriões  (BROSENS, 2004; MACER; TAYLOR, H. S., 2012) além de modificações na função  tubo-ovariana, receptividade do endométrio e efeitos inflamatórios no líquido peritoneal  – prejudicando a qualidade e a função dos espermatozoides (RANGI et al., 2023). Estas  condições suscetibilizar a qualidade de vida da mulher com endometriose que deseja  engravidar e, as terapêuticas atuais devem considerar tópicos como o estágio da endometriose, a dor pélvica, idade da mulher, histórico familiar, duração da infertilidade  e também o fator masculino (BULLETTI et al., 2010).  

Esta revisão sistemática traz 8 artigos que abordam acerca das consequências da  endometriose na fertilidade da população brasileira, destacando os principais impactos  negativos e metodologias terapêuticas utilizadas para sanar tais sintomatologias que  afetam o físico e psicológico. Nesse contexto, quatro artigos destacam os efeitos  psicoemocionais envolvidos no processo da infertilidade decorrentes da endometriose,  duas pesquisas abordam acerca das associações moleculares patológicas, um artigo traz  terapêuticas para auxiliar no processo de fertilidade em mulheres com endometriose e  uma pesquisa contradiz as demais demonstrando não haver correlação da endometriose  impactando na fertilidade nas mulheres brasileiras. 

A regulamentação médica brasileira reconhece a infertilidade humana como um  problema de saúde com consequências médicas e psicológicas (SILVA, D. J. DA;  SANTANA, DE; SANTOS, A. L., 2021). Nesse contexto, compreende-se que a  infertilidade, decorrente da endometriose, é responsável por impactar diretamente a  qualidade de vida e saúde mental das mulheres comprometendo sua vida pessoal,  profissional e íntima(GREMILLET et al., 2023; NNOAHAM et al., 2019).  

O estudo de Rodrigues e colaboradores demonstrou que as manifestações  clínicas da endometriose são as principais responsáveis pela redução na qualidade de  vida das mulheres inférteis e não necessariamente os estágios avançados da  endometriose(PESSOA DE FARIAS RODRIGUES et al., 2020). Já o artigo de Mori e  colaboradores destaca acerca da condição psicológica e o duplo diagnóstico: mulheres  com endometriose e infertilidade apresentaram níveis mais elevados de sintomas  depressivos e menor qualidade de vida (MORI et al., 2024). Isto reflete acerca das  condições clínicas desta patologia que contribuem no contexto emocional. Para além  deste artigo, o estudo de Lima e colaboradores(LIMA et al., 2018) demonstra a relação  direta da dispareunia – sintoma característico da endometriose – e a disfunção sexual,  criando um modelo de impacto negativo que afeta as relações interpessoais sendo esta  mesma correlação observada no estudo de Florentino(FLORENTINO et al., 2019).  

Estes dados que correlacionam a dor clínica e a satisfação sexual já estão  descritos na literatura como fatores negativos para a qualidade de vida física e mental  feminina (GRAAFF, DE et al., 2013). O estudo de Chaman-Ara e colaboradores retrata que, em mulheres com endometriose, a infertilidade se apresentou como o efeito mais  negativo na qualidade de vida (CHAMAN-ARA M.A. AND MOOSAZADEH M.  AND BAHRAMI E., 2017). No Brasil, tais informações são confirmadas pela pesquisa  realizada por Donatti e colaboradores com 171 mulheres com endometriose no Brasil  demonstrou que mais de 50% apresentou algum grau de depressão e 41,5%  apresentaram estresse psicológico (DONATTI et al., 2017), somado a questão da  infertilidade, estes números tendem a aumentar ainda mais.  

Para além das alterações clínicas, condições biológicas como alterações  moleculares podem estar associadas a não implantação do embrião, o que resulta nos  casos de infertilidade (PRACTICE; MEDICINE, 2012; WEI et al., 2009). O artigo de  Broi e colaboradores analisa uma população brasileira e traz informações relevantes  acerca da proteína quemerina, sintetizada pelo gene CMKLR1, que possui um papel no  processo inflamatório e pode está correlacionada no comprometimento da fertilidade  das pacientes(BROI et al., 2021). Ademais, avaliando o efeito genético, o artigo de  Bianco e colaboradores demonstrou que variantes genéticas de FSHB e FSHR  interferiram nos perfis hormonais e em resultados de fertilização in vitro de mulheres  com endometriose. Nesse contexto, é válido salientar a importância dos estudos  biomoleculares para além do clínico, pois metodologias hormonais podem auxiliar na  terapêutica desta patologia e produzir resultados positivos na fertilidade (SCHMITZ et  al., 2015; VANNUCCINI et al., 2022). 

Diversos tratamentos estão sendo estudados e utilizados para mulheres com  endometriose e infertilidade, dentre eles destacam-se a fertilização in vitro e a injeção  intracitoplasmática de espermatozoides (OPØIEN et al., 2012). Outra abordagem  terapêutica é o procedimento de ressecação segmentar que além de promover redução  nos sintomas da dor, melhora a fertilidade (HUDELIST et al., 2018). No cenário  brasileiro, Rocha e colaboradores traz em seu artigo a terapêutica laparoscópica junto a  ressecação segmentar comprovando alívio dos sintomas da endometriose além de  indicar um impacto positivo na fertilidade das pacientes inférteis, promovendo assim  melhorias significativas na qualidade de vida, na dinâmica familiar e desempenho  profissional(ROCHA et al., 2018).  

Contrariamente, o artigo de Gonzales e colaboradores foi o único que  demonstrou não existir dados em sua pesquisa que correlacionem a endometriose e o impacto negativo na taxa de nascidos vivos de mulheres que passaram por  procedimentos envolvendo reprodução assistida(GONZÁLEZ-COMADRAN et al.,  2017).  

Nesse contexto, nota-se que os artigos destacados trazem dados relevantes  acerca dos impactos clínicos e psicológicos do paciente, tendo como embasamento as  análises biológicas, questionários sobre qualidade de vida além de terapêuticas eficazes  para a resolutiva da infertilidade.  

4. CONCLUSÃO 

A endometriose vem sendo estudada como uma das causas da infertilidade no  cenário feminino, impactando diretamente a qualidade de vida de mulheres que desejam  engravidar. A heterogeneidade dos artigos selecionados demonstram que tal condição se  alastra no Brasil e traz preocupações frente às implicações na vida pessoal, profissional  e íntima destas mulheres sendo de suma importância que o cuidado seja realizado para  além da sintomatologia clínica.  

Portanto, diante dos resultados analisados, sugere-se que as mulheres com  endometriose e infertilidade tenham acesso a tratamentos psicológicos e pesquisas  clínicas adequadas, visando assim a melhor terapêutica para cada caso de acordo com as  necessidades específicas.  

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1Biomédica. Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Excelência (UNEX). Feira de  Santana – BA,Brasil. E-mail: joicysilva18.1@bahiana.edu.br
2Bacharel em Direito. Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Excelência (UNEX).  Feira de Santana – BA,Brasil. E-mail: alinepassoss_@hotmail.com
3Tecnólogo em Mecatrônica. Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Excelência  (UNEX). Feira de Santana – BA,Brasil. E-mail: gelyson.uchoa@gmail.com
4Farmacêutica. Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Excelência (UNEX). Feira de  Santana – BA,Brasil. E-mail: priiscilasilva@msn.com
5Dentista. Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Excelência (UNEX). Feira de  Santana – BA,Brasil. E-mail: h.thielly@yahoo.com.br
6Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Excelência (UNEX). Feira de Santana – BA,Brasil. E-mail: yasmimacf@gmail.com
7Médica formada pela Universidade Salvador. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Residência  Médica da Fundação Hospitalar de Feira de Santana. Docente do curso de Medicina do Centro  Universitário de Excelência (UNEX). Feira de Santana – BA,Brasil. E-mail:  fernanda.passos@unex.edu.br