REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511081747
Gabriel Soares Silva Lima
Patrícia Graziela Bueno Abondante
Pedro Henrique de Amorim Barreto Dutra
Orientador(a): Ednaldo Jose da Silva
RESUMO
O presente trabalho tem como tema a Odontologia Hospitalar associada ao atendimento domiciliar, buscando compreender a importância da integração entre essas duas modalidades de cuidado no contexto da saúde bucal e geral. A justificativa baseia-se na necessidade de ampliar o acesso à assistência odontológica a pacientes hospitalizados, acamados ou com mobilidade reduzida, promovendo a continuidade do cuidado e a humanização do atendimento. O objetivo principal foi analisar, por meio de uma revisão de literatura, as evidências científicas disponíveis sobre os benefícios clínicos, sociais e éticos da atuação do cirurgião-dentista em ambientes hospitalares e domiciliares. A metodologia adotada consistiu em uma revisão integrativa da literatura, com seleção de artigos publicados entre 2019 e 2025, em português e inglês, obtidos em bases como SciELO, PubMed e Brazilian Journal of Health Review. Foram analisadas treze publicações que abordaram a importância da Odontologia Hospitalar e do atendimento domiciliar na promoção da saúde integral, prevenção de complicações sistêmicas e fortalecimento do vínculo entre profissional, paciente e família. Os resultados demonstraram que a associação entre essas práticas contribui significativamente para a qualidade de vida e para a eficiência dos serviços de saúde, embora ainda existam desafios estruturais e institucionais para sua consolidação no Brasil. Conclui-se que a integração entre hospital e domicílio representa um avanço na atenção odontológica contemporânea, promovendo um modelo de cuidado mais humano, ético e sustentável.
Palavras-chave: Odontologia hospitalar; Atendimento domiciliar; Saúde bucal; Humanização; Revisão de literatura.
ABSTRACT
The present study addresses the topic of Hospital Dentistry associated with home dental care, aiming to understand the importance of integrating these two care modalities within the context of oral and general health. The justification is based on the need to expand access to dental care for hospitalized, bedridden, or mobility-impaired patients, ensuring continuity of care and humanized service. The main objective was to analyze, through a literature review, the available scientific evidence on the clinical, social, and ethical benefits of the dentist’s role in hospital and home environments. The methodology consisted of an integrative literature review, selecting articles published between 2019 and 2025 in Portuguese and English, retrieved from databases such as SciELO, PubMed, and the Brazilian Journal of Health Review. Thirteen publications were analyzed, highlighting the relevance of Hospital Dentistry and home dental care in promoting comprehensive health, preventing systemic complications, and strengthening the relationship between professional, patient, and family. The results showed that the association between these practices significantly improves quality of life and the efficiency of health services, although structural and institutional challenges still limit their full implementation in Brazil. It is concluded that the integration between hospital and home care represents progress in contemporary dental practice, promoting a more humanized, ethical, and sustainable model of care.
Keywords: Hospital dentistry; Home dental care; Oral health; Humanization; Literature review.
1 – INTRODUÇÃO
A Odontologia Hospitalar tem ganhado grande relevância nas últimas décadas devido à necessidade crescente de cuidados integrados em saúde. O cirurgião-dentista, que antes atuava majoritariamente em clínicas e consultórios, passou a desempenhar papel fundamental no ambiente hospitalar e também em atendimentos domiciliares. A presença desse profissional em equipes multiprofissionais é essencial para a prevenção, diagnóstico e tratamento de complicações orais que podem comprometer a recuperação de pacientes internados ou acamados (12). Essa expansão de atuação está alinhada com a concepção moderna de saúde integral, em que a cavidade bucal é entendida como parte indissociável do corpo humano.
De acordo com (7), o cuidado odontológico em ambientes hospitalares visa não apenas à restauração da saúde bucal, mas também à prevenção de infecções sistêmicas relacionadas à presença de microrganismos patogênicos na cavidade oral. Pacientes hospitalizados frequentemente apresentam condições clínicas que favorecem o acúmulo de biofilme e o desenvolvimento de lesões, o que pode contribuir para infecções respiratórias e bacteremias. Dessa forma, a inserção do cirurgião-dentista no contexto hospitalar é uma medida de segurança e qualidade assistencial, promovendo a saúde bucal como parte integrante da recuperação clínica.
Apesar dos avanços, ainda há limitações na consolidação da Odontologia Hospitalar e no acesso ao atendimento odontológico domiciliar. Muitos hospitais e serviços de saúde não possuem protocolos padronizados ou profissionais especializados disponíveis para esses atendimentos (3). Essa lacuna reflete um problema de gestão e de reconhecimento da importância do cirurgião-dentista no contexto hospitalar e domiciliar, o que dificulta a assistência integral ao paciente e aumenta o risco de complicações sistêmicas evitáveis.
A literatura destaca que o atendimento odontológico domiciliar, embora seja uma alternativa viável para pacientes com mobilidade reduzida, carece de normatizações e de estrutura adequada (2). A ausência de políticas públicas sólidas e de formação específica na área limita a oferta de serviços de qualidade, dificultando a integração entre os níveis de atenção à saúde. Assim, o problema central deste estudo consiste em compreender de que forma a Odontologia Hospitalar pode se associar de maneira eficiente ao atendimento domiciliar, garantindo continuidade do cuidado e melhor qualidade de vida aos pacientes.
A relevância do estudo está na contribuição para a ampliação do conhecimento sobre a atuação do cirurgião-dentista em ambientes hospitalares e domiciliares, propondo reflexões sobre a interdisciplinaridade e a humanização do cuidado. De acordo com (1), a inserção do dentista nas equipes multiprofissionais é um avanço para a saúde pública, pois possibilita diagnósticos precoces, melhora o prognóstico de doenças sistêmicas e reduz o tempo de internação.
O referencial teórico que embasa este estudo apoia-se em conceitos de integralidade e atenção continuada em saúde. Segundo (9), a Odontologia Domiciliar representa uma extensão do cuidado hospitalar, voltada àqueles pacientes que, mesmo após a alta, necessitam de acompanhamento especializado. Essa modalidade de atendimento visa proporcionar conforto, reduzir custos hospitalares e prevenir reinternações, sendo, portanto, um instrumento estratégico para o sistema de saúde.
Complementarmente, (10) destacam que o envelhecimento populacional e o aumento de doenças crônicas tornam indispensável a adoção de estratégias que garantam o acesso aos serviços odontológicos em domicílio. O cirurgião-dentista, nesse contexto, atua não apenas como profissional clínico, mas também como agente de promoção de saúde e bem-estar, reforçando o princípio da equidade no atendimento.
Partindo do problema identificado, levantam-se as seguintes questões: como a integração entre a Odontologia Hospitalar e o atendimento domiciliar pode contribuir para a melhoria dos cuidados em saúde? Quais são as barreiras existentes para a implementação efetiva dessa prática? E quais são os benefícios percebidos por pacientes e profissionais com essa abordagem integrada?
Hipotetiza-se que a associação entre o atendimento hospitalar e domiciliar odontológico promove continuidade assistencial, previne complicações orais e sistêmicas e melhora os indicadores de qualidade de vida de pacientes crônicos. Além disso, acredita-se que a falta de políticas públicas e de capacitação específica ainda é um dos maiores entraves à consolidação desse modelo de atenção (13).
Neste estudo, entende-se por Odontologia Hospitalar a atuação do cirurgião-dentista no ambiente hospitalar, voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento de afecções bucais em pacientes internados, principalmente aqueles em unidades de terapia intensiva. Já o atendimento odontológico domiciliar é definido como o conjunto de ações clínicas realizadas na residência do paciente, abrangendo desde orientações de higiene oral até procedimentos restauradores e de urgência (4). Ambos os conceitos se inserem na perspectiva da atenção integral à saúde, que considera o indivíduo como um todo.
A atuação odontológica em ambientes hospitalares e domiciliares exige observância a princípios éticos fundamentais, como o respeito à autonomia do paciente, a beneficência e a confidencialidade. Segundo (4), o profissional deve adaptar sua conduta às condições específicas de cada paciente, respeitando seus limites físicos e emocionais. Essa postura ética garante não apenas a qualidade técnica, mas também a humanização do cuidado, que é um dos pilares da prática em saúde.
O trabalho interdisciplinar é apontado como um dos maiores diferenciais da Odontologia Hospitalar. De acordo com (11), o cirurgião-dentista contribui com a equipe multiprofissional no controle de infecções, na reabilitação de funções mastigatórias e na promoção da higiene oral. No atendimento domiciliar, essa colaboração se mantém, envolvendo familiares e cuidadores, que passam a ser orientados sobre os cuidados necessários à manutenção da saúde bucal do paciente.
A literatura evidencia que a integração entre a prática hospitalar e domiciliar resulta em múltiplos benefícios. Segundo (6), pacientes acompanhados em domicílio apresentam melhor adesão aos cuidados de higiene oral e menor incidência de lesões infecciosas. Já (5), ressaltam que o acompanhamento contínuo reduz a ansiedade e promove bem-estar, especialmente entre idosos e portadores de doenças crônicas. Essa abordagem integrada também fortalece os vínculos entre paciente, profissional e família.
Entre os principais desafios estão a falta de infraestrutura, a escassez de profissionais capacitados e o desconhecimento sobre a importância da saúde bucal em contextos hospitalares e domiciliares. Já (8), apontam que a carência de políticas públicas e a ausência de financiamento específico dificultam a implementação desses serviços em larga escala. No Brasil, o reconhecimento da Odontologia Hospitalar como especialidade é recente, e muitos municípios ainda não possuem legislação que regulamente sua atuação.
O uso de tecnologias digitais tem se mostrado uma ferramenta importante para superar limitações de acesso. (6) enfatizam que a teleodontologia possibilita o monitoramento remoto, o compartilhamento de informações e a educação continuada de pacientes e cuidadores. Essa inovação reforça o papel do dentista como educador em saúde, além de permitir a integração entre as redes hospitalar e domiciliar. Assim, a tecnologia surge como aliada da inclusão e da equidade em saúde bucal.
Este trabalho está estruturado em capítulos interdependentes. No Capítulo I, apresenta-se o problema de pesquisa, seus objetivos e fundamentos teóricos. O Capítulo II abordará a metodologia utilizada na revisão de literatura, especificando os critérios de inclusão e exclusão de estudos. O Capítulo III reunirá a análise e discussão dos resultados, destacando as convergências e divergências entre os autores. Por fim, o Capítulo IV apresentará as conclusões e sugestões para futuras pesquisas sobre a integração entre a Odontologia Hospitalar e o atendimento domiciliar.
O presente trabalho tem como objetivo geral analisar a importância da integração entre a Odontologia Hospitalar e o atendimento domiciliar, considerando seus impactos na qualidade de vida e na recuperação de pacientes. Especificamente, busca-se discutir as principais dificuldades encontradas na implementação dessas práticas, identificar os benefícios da atuação odontológica em diferentes contextos e destacar os aspectos éticos e técnicos envolvidos nesse processo.
2 – OBJETIVOS DA REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Objetivo Geral
A presente revisão de literatura tem como objetivo reunir e analisar criticamente as produções científicas que abordam a atuação da Odontologia Hospitalar e do atendimento odontológico domiciliar, buscando compreender como essas duas modalidades se complementam na promoção da saúde integral do paciente. Busca-se identificar evidências sobre a importância do cirurgião-dentista nesses contextos, os benefícios clínicos e sociais da integração entre ambos e os desafios para a consolidação desse modelo de cuidado. Como revisão de literatura, o estudo não se propõe a realizar experimentação, mas a discutir fundamentos teóricos e achados recentes que sustentem a prática odontológica ampliada (1).
A metodologia desta revisão foi fundamentada em critérios de seleção baseados em atualidade, relevância científica e pertinência ao tema. Foram priorizados artigos publicados nos últimos cinco anos, com 50% em língua portuguesa e 50% em língua inglesa, assegurando uma perspectiva nacional e internacional do fenômeno estudado. Conforme orienta o Conselho Federal de Odontologia (3), a revisão sistematizada de evidências é fundamental para nortear práticas clínicas baseadas em conhecimento atualizado e ético.
As fontes utilizadas nesta revisão foram obtidas a partir de bases científicas indexadas, como Scielo, PubMed, BMC Oral Health, Brazilian Journal of Health Review e Revista Gaúcha de Odontologia. O recorte temporal incluiu publicações de 2019 a 2025, com exceção de uma referência clássica sobre ética no atendimento domiciliar (4), indispensável pela relevância conceitual. A busca contemplou termos como Odontologia hospitalar, atendimento odontológico domiciliar, saúde bucal hospitalar e integração multiprofissional.
Segundo (9), a sistematização de dados secundários permite compreender o estado atual da ciência e identificar lacunas no conhecimento, servindo como base para propostas futuras. A revisão, portanto, é o instrumento que sustenta o desenvolvimento teórico do TCC e assegura que a discussão esteja alinhada às evidências mais recentes da literatura.
A Odontologia Hospitalar é uma área recente, reconhecida no Brasil como especialidade apenas em 2015. Ela surgiu da necessidade de incluir o cirurgião-dentista em equipes hospitalares interdisciplinares para o manejo de pacientes com condições sistêmicas complexas. De acordo com (12), essa inclusão se mostrou essencial, pois doenças bucais podem agravar quadros sistêmicos, especialmente em pacientes imunossuprimidos e internados em unidades de terapia intensiva.
Segundo o (3), destaca que a atuação hospitalar visa não apenas à execução de procedimentos, mas à promoção da saúde, prevenção de infecções e educação permanente da equipe multiprofissional. Assim, o dentista hospitalar atua como agente de segurança assistencial, garantindo a integralidade do cuidado e a prevenção de complicações infecciosas decorrentes de biofilme oral.
2.2 Objetivos Específicos
A presença do cirurgião-dentista no ambiente hospitalar amplia a qualidade do atendimento e reduz riscos de morbidade. (7) demonstram que a higienização oral adequada de pacientes internados contribui para diminuir casos de pneumonia associada à ventilação mecânica. (1) reforçam que a Odontologia Hospitalar não deve ser vista como especialidade isolada, mas como parte essencial da equipe interdisciplinar, capaz de contribuir com diagnósticos precoces e orientações preventivas.
Além disso, o cirurgião-dentista desempenha papel educativo, orientando pacientes e cuidadores sobre a importância da manutenção da saúde bucal. Esse papel é particularmente relevante em hospitais públicos, onde a inclusão do profissional ainda é incipiente. De acordo com o (3), ressalta que o exercício da Odontologia Hospitalar requer formação específica, com domínio de biossegurança e atuação em contextos críticos.
O atendimento odontológico domiciliar surge como alternativa eficaz para pacientes com limitações físicas, idosos, portadores de doenças crônicas e indivíduos acamados. (2) enfatiza que a prática visa levar a assistência odontológica até o paciente, respeitando suas condições e garantindo continuidade terapêutica após a alta hospitalar. Trata-se de um modelo de cuidado humanizado, que busca romper barreiras geográficas e funcionais.
Segundo (9), a odontologia domiciliar representa um avanço na atenção básica e especializada, pois amplia o acesso e reduz custos hospitalares. Essa modalidade exige do profissional preparo técnico, ética e capacidade de adaptação, uma vez que o ambiente doméstico impõe limitações estruturais que devem ser contornadas de forma segura e eficiente.
Apesar dos benefícios, a integração entre Odontologia Hospitalar e atendimento domiciliar ainda enfrenta barreiras significativas. (8) apontam que a ausência de políticas públicas específicas e a falta de protocolos padronizados são obstáculos à consolidação desse modelo. A escassez de profissionais capacitados e o baixo reconhecimento institucional da Odontologia Hospitalar agravam o problema.
Além disso, (13) observam que as limitações logísticas e financeiras dificultam o acompanhamento domiciliar após a alta hospitalar. O desafio está em articular redes de atenção à saúde que garantam continuidade assistencial, reduzindo a fragmentação dos cuidados e fortalecendo a relação entre hospital, paciente e domicílio.
A integração entre a Odontologia Hospitalar e o atendimento domiciliar tem demonstrado benefícios clínicos amplos e consistentes, tanto na recuperação de pacientes hospitalizados quanto na manutenção da saúde bucal em ambiente domiciliar. Essa articulação permite a continuidade do cuidado, reduzindo complicações infecciosas e promovendo a reabilitação global do indivíduo. A atuação do cirurgião-dentista dentro e fora do ambiente hospitalar amplia o alcance do tratamento e fortalece o conceito de cuidado integral, assegurando a prevenção de agravos e a melhoria dos indicadores de saúde bucal e sistêmica (7).
Um dos benefícios mais relevantes dessa integração está relacionado à redução das infecções hospitalares associadas à cavidade oral. Pacientes internados em unidades de terapia intensiva, quando recebem cuidados odontológicos adequados, apresentam menor incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica e de complicações pós-operatórias. Isso ocorre porque a higiene bucal reduz a carga microbiana e impede a translocação de patógenos para o trato respiratório, fortalecendo a segurança do paciente e diminuindo o tempo de internação (2).
Além dos ganhos clínicos imediatos, a integração entre Odontologia Hospitalar e atendimento domiciliar possibilita melhor acompanhamento pós-alta, evitando a descontinuidade terapêutica. O paciente que mantém contato regular com o cirurgião-dentista em casa tende a seguir com maior adesão as orientações de higiene e alimentação, o que reflete diretamente em sua recuperação física e emocional. (10) ressaltam que esse acompanhamento contínuo favorece a reintegração social e reduz a ansiedade associada ao retorno para o ambiente familiar após a hospitalização.
Outro ponto essencial é o impacto positivo sobre a qualidade de vida. A assistência odontológica domiciliar contribui para a restauração da autoconfiança e da autoestima, especialmente em idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
(11) observam que a continuidade do cuidado bucal no domicílio gera sensação de segurança, conforto e dignidade, promovendo o bem-estar geral do paciente e melhorando sua interação social e familiar. Essa dimensão subjetiva é tão relevante quanto os resultados clínicos, pois reforça a visão humanizada do cuidado em saúde.
Do ponto de vista social, a integração desses serviços amplia o acesso à atenção odontológica em populações vulneráveis, que muitas vezes enfrentam barreiras geográficas, econômicas ou físicas para o deslocamento até unidades de saúde. A modalidade domiciliar, ao levar o atendimento até o paciente, democratiza o acesso ao cuidado e contribui para a equidade no sistema de saúde. Essa abordagem fortalece a ideia de que a saúde bucal é parte integrante do direito à saúde, e não um serviço secundário ou restrito a grupos privilegiados (6).
A integração entre o ambiente hospitalar e o domiciliar também promove benefícios para os familiares e cuidadores, que passam a receber orientações específicas sobre higiene bucal e prevenção de lesões orais. Essa educação em saúde tem efeito multiplicador, pois o conhecimento adquirido é aplicado no dia a dia e compartilhado dentro do núcleo familiar. De acordo com (5), o envolvimento da família no processo de cuidado fortalece a responsabilidade compartilhada e melhora a adesão às condutas clínicas propostas.
Outro benefício importante é o alívio para o sistema de saúde pública e privada, uma vez que o acompanhamento domiciliar reduz reinternações e custos hospitalares. Pacientes bem orientados e monitorados apresentam menor necessidade de retornos emergenciais e de intervenções invasivas. Assim, a integração entre as duas modalidades de atendimento contribui não apenas para a saúde individual, mas também para a sustentabilidade do sistema de saúde, otimizando recursos e promovendo eficiência assistencial (4).
Do ponto de vista ético, a continuidade do cuidado odontológico fora do hospital reforça os princípios da dignidade e da autonomia do paciente, pilares fundamentais da bioética em saúde. A possibilidade de ser atendido em casa, com conforto e privacidade, respeita a individualidade e reduz o sofrimento físico e psicológico. (9) destaca que o profissional deve adaptar suas práticas às condições do paciente e do ambiente, mantendo o compromisso com a beneficência e a não maleficência em todas as intervenções realizadas.
A soma de benefícios clínicos e sociais decorrentes da integração entre Odontologia Hospitalar e atendimento domiciliar demonstra a necessidade de fortalecimento dessa prática como política de saúde permanente. A literatura recente confirma que a associação dessas modalidades promove a integralidade do cuidado, previne agravos sistêmicos, amplia o acesso e humaniza a relação entre profissional e paciente. Trata-se de um modelo que não apenas melhora indicadores de saúde, mas também transforma a experiência do cuidado, tornando-a mais empática, ética e eficaz para a sociedade como um todo.
A atuação do cirurgião-dentista em contextos hospitalares e domiciliares exige rigor ético. (9) salienta que o respeito à autonomia do paciente e a confidencialidade das informações são princípios inegociáveis. O profissional deve adaptar suas condutas conforme o ambiente e as limitações do paciente, garantindo sempre o bem-estar e a dignidade humana.
Além disso, é necessário compreender que a ética em saúde envolve corresponsabilidade e empatia. Segundo (10), o dentista que atua fora do consultório tradicional precisa desenvolver sensibilidade e flexibilidade para lidar com vulnerabilidades físicas e emocionais, consolidando uma prática humanizada.
O avanço da tecnologia também impacta positivamente a integração entre o ambiente hospitalar e o domiciliar. (11) destacam que a teleodontologia tem se mostrado eficaz no acompanhamento remoto, permitindo orientações virtuais, triagens e monitoramento de pacientes. Esse recurso é particularmente relevante para populações rurais ou com restrições de mobilidade.
Conforme (8), durante a pandemia de COVID-19, o uso da teleodontologia ampliou o acesso ao atendimento e reduziu riscos de contaminação, mostrando-se ferramenta estratégica para o futuro da prática odontológica. Assim, a tecnologia consolida-se como aliada da inclusão e da sustentabilidade na assistência odontológica.
A literatura internacional reforça a importância da atenção odontológica domiciliar como extensão da saúde pública. (12) e (7) destacam que países com sistemas de saúde integrados, como Reino Unido e Japão, têm obtido resultados significativos na prevenção de infecções hospitalares e na melhoria da qualidade de vida de pacientes com limitações motoras. O Brasil ainda avança lentamente nesse processo, mas demonstra evolução no reconhecimento institucional da Odontologia Hospitalar (1).
Essas experiências internacionais servem como parâmetro para a formulação de políticas públicas e programas de capacitação voltados à realidade brasileira. A consolidação de protocolos de atendimento integrados é um passo fundamental para o fortalecimento do cuidado odontológico no país.
A integralidade do cuidado é um princípio fundamental da saúde pública e base da atuação odontológica em ambientes hospitalares e domiciliares. Esse conceito implica compreender o ser humano em sua totalidade, considerando aspectos biológicos, psicológicos e sociais como dimensões interdependentes. Na Odontologia, essa visão ampliada rompe com o modelo tecnicista centrado apenas na doença, permitindo uma abordagem mais humanizada e voltada à promoção da saúde global (5). Assim, cuidar da saúde bucal significa também contribuir para o equilíbrio sistêmico e emocional do paciente.
No contexto hospitalar, a humanização do atendimento odontológico assume papel estratégico, pois os pacientes internados geralmente se encontram em situações de vulnerabilidade física e emocional. O cirurgião-dentista, ao integrar equipes multiprofissionais, deve atuar com empatia, respeito e sensibilidade diante das limitações impostas pelo quadro clínico. A comunicação humanizada, a escuta ativa e o acolhimento são condutas que fortalecem a confiança e favorecem o vínculo terapêutico, elementos indispensáveis à recuperação integral do paciente (2). Dessa forma, o profissional da Odontologia passa a desempenhar também uma função de suporte emocional dentro do ambiente hospitalar.
A integralidade, enquanto diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), propõe a articulação entre diferentes níveis de atenção e a continuidade do cuidado após a alta hospitalar. A Odontologia, ao adotar esse princípio, amplia seu campo de ação e reafirma sua relevância social. O atendimento domiciliar, nesse contexto, torna-se uma extensão natural do cuidado iniciado no hospital, permitindo o acompanhamento contínuo do paciente e a prevenção de complicações bucais ou sistêmicas. Essa continuidade assegura que o tratamento não se limite ao ambiente hospitalar, mas se prolongue no espaço de convivência do indivíduo (4).
A humanização no atendimento domiciliar é intensificada pela proximidade entre o profissional e o paciente. A presença do dentista no ambiente familiar cria uma relação mais acolhedora e personalizada, na qual o diálogo e a confiança são fortalecidos. Esse tipo de interação contribui para reduzir o medo e a resistência aos tratamentos, especialmente em idosos e pacientes com histórico de internações prolongadas. Além disso, o contato direto com a realidade do paciente possibilita que o profissional compreenda fatores ambientais e comportamentais que influenciam a saúde bucal, tornando sua intervenção mais efetiva e contextualizada (6).
Outro aspecto importante da humanização é o reconhecimento da subjetividade de cada paciente. O cuidado integral não se restringe à ausência de doença, mas envolve o respeito às crenças, aos valores e à história de vida de cada indivíduo. O dentista deve adaptar suas condutas às condições físicas, emocionais e sociais do paciente, garantindo que o tratamento seja realizado de forma ética, segura e compassiva. Essa postura humanizada amplia o alcance terapêutico e contribui para o bem-estar geral, fortalecendo a dimensão ética da prática odontológica (9).
A integralidade do cuidado também envolve a interdisciplinaridade, ou seja, o trabalho conjunto entre diferentes profissionais da saúde. No ambiente hospitalar, o cirurgião-dentista colabora com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas para garantir uma abordagem global ao paciente. Essa cooperação favorece o diagnóstico precoce de complicações orais e sistêmicas, além de otimizar o plano terapêutico. A atuação integrada reforça a importância da Odontologia como parte essencial da atenção multiprofissional, rompendo barreiras históricas que isolavam a prática odontológica do restante da assistência em saúde (1).
A humanização também se expressa na educação em saúde, um componente indispensável para a promoção do autocuidado. O dentista que atua de forma humanizada busca não apenas tratar doenças, mas orientar o paciente e sua família sobre hábitos de higiene, alimentação e prevenção de agravos. Essa troca de saberes contribui para a autonomia do paciente, estimulando-o a participar ativamente do processo de cuidado. Quando o indivíduo compreende o valor da sua própria saúde bucal, torna-se corresponsável pelo seu bem-estar, consolidando um ciclo positivo de prevenção e autoconsciência (10).
Além do aspecto clínico e educativo, a humanização da prática odontológica hospitalar e domiciliar tem reflexos diretos na qualidade de vida. Pacientes que recebem atendimento humanizado relatam maior satisfação, menor ansiedade e melhor adesão aos tratamentos. Esse impacto psicológico é especialmente importante em contextos de vulnerabilidade, como internações prolongadas, tratamentos oncológicos ou limitações motoras. A empatia e o respeito demonstrados pelo profissional tornam-se, muitas vezes, tão terapêuticos quanto os próprios procedimentos técnicos (11).
A tecnologia também tem papel relevante na humanização do cuidado. Ferramentas como a teleodontologia permitem o acompanhamento remoto, garantindo suporte contínuo e orientação personalizada mesmo à distância. Durante períodos críticos, como a pandemia de COVID-19, essas inovações se mostraram essenciais para preservar o vínculo entre profissional e paciente e garantir a continuidade do tratamento (8). No entanto, o uso da tecnologia deve sempre estar aliado a uma postura ética e empática, preservando a dimensão humana da prática odontológica.
A integralidade, portanto, exige que o profissional de saúde compreenda a Odontologia não apenas como ciência, mas como prática social comprometida com o bem-estar coletivo. Essa perspectiva implica enxergar o paciente como sujeito de direitos e participante ativo do processo de cuidado. Ao adotar uma abordagem centrada no ser humano, a Odontologia Hospitalar e Domiciliar reafirma seu papel transformador na sociedade, contribuindo para um modelo de atenção mais justo, acessível e humanizado (5).
A humanização e a integralidade do cuidado refletem a maturidade da profissão odontológica em sua busca por uma prática cada vez mais ética, interdisciplinar e socialmente engajada. A integração entre o ambiente hospitalar e o domiciliar representa um marco na evolução da assistência em saúde, demonstrando que a verdadeira eficácia clínica está aliada à sensibilidade e ao respeito pela condição humana. O futuro da Odontologia dependerá, em grande parte, da capacidade dos profissionais de equilibrar a excelência técnica com a empatia, promovendo não apenas a cura, mas o cuidado em sua essência.
A humanização e a integralidade do cuidado na Odontologia Hospitalar e Domiciliar constituem pilares fundamentais para o desenvolvimento de um modelo assistencial mais inclusivo e sustentável. A valorização do ser humano, em sua totalidade, e o compromisso com a promoção da saúde global consolidam uma prática odontológica voltada para o futuro uma prática que une ciência, ética e humanidade em benefício do paciente e da sociedade.
A revisão da literatura demonstra que a integração entre Odontologia Hospitalar e atendimento domiciliar é uma tendência irreversível na busca por uma atenção à saúde mais humanizada, acessível e eficiente. Apesar dos desafios, há evidências consistentes de que essa associação melhora a qualidade de vida, reduz complicações sistêmicas e otimiza o uso de recursos hospitalares.
Entretanto, é fundamental que políticas públicas, investimentos em capacitação e o fortalecimento de equipes interdisciplinares sejam priorizados. O cirurgião-dentista, inserido de forma efetiva nos diferentes níveis de atenção, torna-se peça-chave para a promoção da saúde integral e para a consolidação de um modelo de cuidado contínuo e ético.
3 – METODOLOGIA
O presente trabalho caracteriza-se como uma revisão de literatura narrativa e integrativa, fundamentada em produções científicas recentes sobre a atuação da Odontologia Hospitalar e o atendimento odontológico domiciliar. O objetivo deste capítulo é descrever o percurso metodológico utilizado para a construção teórica da pesquisa, assegurando a transparência e a reprodutibilidade do estudo. A metodologia adotada buscou reunir, selecionar e analisar publicações relevantes que discutem a integração entre a prática hospitalar e o cuidado odontológico domiciliar, considerando aspectos éticos, clínicos e tecnológicos. De acordo com (5), a revisão de literatura permite sintetizar o conhecimento existente, identificar lacunas e propor novas abordagens de investigação. Assim, este estudo não se baseia em experimentação, mas na análise crítica de fontes científicas previamente publicadas.
A população amostral compreendeu artigos científicos, dissertações, diretrizes e documentos institucionais disponíveis em bases reconhecidas, como Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, Google Scholar, ResearchGate e Brazilian Journal of Health Review. A amostra final foi composta por treze referências, selecionadas com base em critérios de inclusão e exclusão. Como critérios de inclusão, foram considerados estudos publicados entre 2019 e 2025, em português e inglês, com conteúdo relacionado à atuação odontológica hospitalar ou domiciliar. Foram excluídos trabalhos que não apresentavam relação direta com o tema ou que não disponibilizavam texto completo. Segundo (6), a seleção criteriosa das fontes é essencial para garantir validade científica e coerência teórica em pesquisas de revisão.
Quanto ao tratamento e análise dos dados, os artigos selecionados foram submetidos à leitura exploratória e analítica, permitindo a extração dos principais conceitos e resultados. Os dados foram organizados de acordo com categorias temáticas que abordam: (1) fundamentos e evolução da Odontologia Hospitalar; (2) estrutura e práticas do atendimento odontológico domiciliar; e (3) integração entre os dois modelos de cuidado. Essa sistematização favoreceu a comparação entre diferentes autores e a identificação de convergências e divergências conceituais. Conforme (4) e (10), o processo de categorização em revisões integrativas é uma ferramenta eficaz para sintetizar a literatura e construir um panorama abrangente do conhecimento sobre o tema.
A metodologia adotada apresenta, contudo, limitações inerentes ao tipo de estudo. Por tratar-se de uma revisão de literatura, os resultados estão condicionados à qualidade e à disponibilidade das fontes consultadas, podendo haver vieses decorrentes da ausência de dados empíricos. Além disso, a limitação temporal da busca (2019–2025) pode restringir a inclusão de publicações relevantes anteriores. Apesar disso, a revisão oferece uma visão ampla e atualizada sobre a importância da integração entre Odontologia Hospitalar e atendimento domiciliar, contribuindo para o avanço das discussões acadêmicas e para o fortalecimento da atuação multiprofissional na área da saúde bucal.
4 – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A análise das publicações selecionadas possibilitou observar que a integração entre a Odontologia Hospitalar e o atendimento domiciliar representa um avanço significativo na ampliação do cuidado em saúde, principalmente para pacientes com restrições físicas, doenças crônicas ou hospitalizações prolongadas. Os estudos revisados destacam que a atuação do cirurgião-dentista em ambiente hospitalar reduz o risco de infecções sistêmicas, melhora o prognóstico clínico e contribui para a recuperação integral dos pacientes (1,2). Esses achados confirmam a hipótese de que a presença desse profissional é essencial na equipe multiprofissional, atuando não apenas na prevenção de complicações, mas também na educação em saúde. O (3) reforça que a assistência odontológica hospitalar constitui medida de segurança e qualidade, sendo indispensável nos protocolos de humanização do atendimento hospitalar.
Com base nas publicações analisadas, verificou-se que a continuidade do cuidado após a alta hospitalar, por meio do atendimento odontológico domiciliar, é uma estratégia eficaz para manter a saúde bucal e prevenir a reincidência de infecções. (4) aponta que o atendimento domiciliar favorece a adesão do paciente às orientações clínicas e permite ao profissional avaliar fatores ambientais e comportamentais que influenciam diretamente o sucesso do tratamento. (6) complementam que o modelo domiciliar amplia o acesso a populações vulneráveis, garantindo assistência integral e equitativa. Esses resultados estão em consonância com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que preconiza a integralidade e a continuidade do cuidado. Assim, a hipótese de que o atendimento domiciliar se configura como extensão da Odontologia Hospitalar é confirmada pelos achados da literatura.
Outro resultado relevante encontrado diz respeito aos benefícios clínicos e sociais proporcionados pela integração entre as duas modalidades de atendimento. Estudos internacionais, como os de (7) e (12), demonstram que programas integrados de odontologia hospitalar e domiciliar resultam em menor incidência de complicações respiratórias e aumento da qualidade de vida de pacientes idosos e acamados. (10) corroboram que o acompanhamento contínuo melhora a autopercepção de saúde, reduz o isolamento social e fortalece o vínculo entre pacientes, familiares e profissionais. Tais evidências sugerem que a integração entre os níveis de atenção à saúde bucal não apenas previne doenças, mas também promove bem-estar emocional e inclusão social.
Por outro lado, foram identificadas barreiras estruturais e institucionais que dificultam a consolidação dessa integração no Brasil. Entre elas, destacam-se a carência de políticas públicas específicas, a falta de recursos materiais e humanos, e a ausência de diretrizes padronizadas para o atendimento odontológico em hospitais e domicílios (12,13). Esses desafios reforçam a necessidade de maior investimento em capacitação profissional e em políticas intersetoriais. De acordo com (9), a atuação fora do ambiente clínico tradicional requer preparo ético e técnico diferenciado, que deve ser contemplado na formação do cirurgião-dentista. Assim, os resultados evidenciam que o fortalecimento da Odontologia Hospitalar e Domiciliar depende da união entre conhecimento técnico-científico e políticas públicas que garantam sua efetiva implementação.
A literatura aponta para novas perspectivas de atuação baseadas na tecnologia e na interdisciplinaridade. (11) destacam a importância da teleodontologia como ferramenta de monitoramento remoto e continuidade de cuidados, especialmente em períodos de restrição, como durante a pandemia de COVID-19 (8). Essa inovação reforça a necessidade de integração entre práticas presenciais e virtuais, ampliando o alcance do cuidado odontológico. Em síntese, os resultados obtidos nesta revisão confirmam as hipóteses levantadas no Capítulo I, ao demonstrar que a associação entre Odontologia Hospitalar e atendimento domiciliar é um modelo eficiente, ético e humanizado, capaz de transformar o paradigma da saúde bucal contemporânea.
5 – CONCLUSÃO
A análise desenvolvida ao longo deste trabalho permitiu concluir que a integração entre a Odontologia Hospitalar e o atendimento odontológico domiciliar constitui um modelo de atenção à saúde altamente relevante para a promoção do bem-estar e da qualidade de vida dos pacientes. A união dessas duas modalidades amplia a abrangência da atuação do cirurgião-dentista, tornando-o um agente essencial na equipe multiprofissional de saúde. A Odontologia Hospitalar garante a assistência a pacientes em situação de vulnerabilidade clínica, enquanto o atendimento domiciliar proporciona a continuidade do cuidado, reduzindo o risco de complicações e garantindo conforto ao paciente em seu ambiente familiar. Essa complementaridade entre os contextos hospitalar e domiciliar reafirma o princípio da integralidade do cuidado, fundamental para o avanço da saúde bucal no país.
O estudo também permitiu identificar que, embora haja avanços significativos, ainda existem desafios para a plena consolidação dessa integração. As dificuldades estão relacionadas principalmente à falta de políticas públicas específicas, à carência de profissionais qualificados e à limitação de recursos destinados à expansão desses serviços. Além disso, a ausência de protocolos padronizados e de incentivos institucionais dificulta a implementação de práticas integradas entre hospitais, unidades básicas e equipes de atendimento domiciliar. Tais obstáculos demonstram a necessidade de ampliar a formação acadêmica e técnica em Odontologia Hospitalar e Domiciliar, de modo a preparar os profissionais para lidar com diferentes realidades clínicas e sociais.
Com base nos resultados apresentados, recomenda-se o fortalecimento das políticas públicas voltadas à inclusão do cirurgião-dentista em todos os níveis de atenção à saúde, com especial ênfase nos programas de internação domiciliar e de cuidados paliativos. É importante que as instituições de ensino superior incluam, em seus currículos, disciplinas e estágios voltados à atuação hospitalar e domiciliar, promovendo uma formação mais humanizada e interdisciplinar. Além disso, recomenda-se o estímulo a pesquisas aplicadas e revisões sistemáticas que abordem a eficácia desses modelos de cuidado, de modo a ampliar o conhecimento científico e orientar gestores na formulação de estratégias efetivas de atenção odontológica.
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