O USO INDISCRIMINADO DE ZOLPIDEM: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

THE INDISCRIMINATE USE OF ZOLPIDEM: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511201848


Gislene Luiza Ribeiro1
Lorena Silva Matos Andrade2


Resumo:

O presente estudo teve como objetivo analisar o uso indiscriminado de zolpidem e suas implicações clínicas, sociais e regulatórias, destacando a relevância para a prática farmacêutica. Foi conduzida uma revisão integrativa da literatura, com busca nas bases de dados Capes, Google Scholar e SciELO, utilizando descritores relacionados a uso abusivo, dependência, segurança medicamentosa e hipnóticos. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 10 estudos publicados entre 2019 e 2025 foram selecionados. Os resultados evidenciaram que o zolpidem, embora prescrito como hipnótico seguro, apresenta risco de dependência, efeitos adversos e complicações clínicas, especialmente em uso prolongado ou em altas doses. Conclui- se que o uso indiscriminado de zolpidem demanda atenção clínica e regulatória, sendo necessária a realização de pesquisas futuras multicêntricas e de longo prazo para aprofundar o conhecimento sobre riscos, efeitos sociais e estratégias de prevenção.

Palavras-chave: Dependência farmacológica. Uso racional de hipnóticos. Segurança medicamentosa.

Abstract:

This study aimed to analyze the indiscriminate use of zolpidem and its clinical, social, and regulatory implications, emphasizing its relevance to pharmaceutical practice. An integrative literature review was conducted, with searches in the Capes, Google Scholar, and SciELO databases, using descriptors related to abusive use, dependence, drug safety, and hypnotics. After applying inclusion and exclusion criteria, 10 studies published between 2019 and 2025 were selected. The results indicated that, although zolpidem is prescribed as a safe hypnotic, it presents risks of dependence, adverse effects, and clinical complications, particularly with prolonged use or high doses. It is concluded that the indiscriminate use of zolpidem requires clinical and regulatory attention, and future multicenter and long-term studies are necessary to further investigate its risks, social impacts, and preventive strategies.

1 INTRODUÇÃO

O zolpidem é um hipnótico não benzodiazepínico da classe das chamadas Z- drugs, amplamente utilizado no manejo da insônia de curta duração. Atua como agonista seletivo dos receptores GABA-A, promovendo efeitos sedativos e indutores do sono com menor potencial de tolerância inicial em comparação aos benzodiazepínicos (Azevedo et al., 2022; Edinoff et al., 2021). Apesar de sua eficácia, a prescrição deve ser criteriosa, considerando limites de dose e tempo de tratamento. As principais indicações clínicas do zolpidem concentram-se no tratamento de distúrbios do sono, sobretudo na dificuldade de iniciar o sono. Contudo, seu uso é contraindicado em pacientes com apneia do sono, insuficiência respiratória grave, doença hepática severa e histórico de abuso de substâncias (Edinoff et al., 2021; Mittal; Mittal; Gupta, 2021). A utilização deve ser acompanhada de orientações sobre higiene do sono, reforçando medidas não farmacológicas, como primeira linha terapêutica.

Apesar de ser considerado relativamente seguro, o fármaco não está isento de riscos. Entre os efeitos adversos descritos estão sonolência residual, amnésia anterógrada, alucinações, alterações comportamentais e os chamados “comportamentos complexos do sono”, que incluem dirigir ou ingerir alimentos durante episódios de inconsciência (Maia et al., 2024; Mittal; Mittal; Gupta, 2021). Tais riscos se intensificam com doses elevadas, uso prolongado ou combinação com álcool e outros depressores do sistema nervoso central.

O uso indiscriminado do zolpidem vem se consolidando como um problema de saúde pública, impulsionado pelo aumento das prescrições, inclusive durante a pandemia de Covid-19 (Lima et al., 2024; Santos Junior et al., 2023). Além da dependência e da tolerância, observam-se impactos sociais e econômicos decorrentes de acidentes, quedas e intoxicações (Suassuna et al., 2023; Torres; Andrade, 2024). Esse cenário evidencia a necessidade de maior vigilância e de políticas regulatórias mais rígidas.

Diversos estudos relatam casos de dependência e uso em doses extremamente altas, destacando o risco de toxicidade hepática, comportamentos compulsivos e síndrome de abstinência (Bajaj et al., 2019; Lugoboni et al., 2019; Xie et al., 2024). Além disso, o acesso facilitado e a percepção equivocada de que o zolpidem é menos nocivo do que os benzodiazepínicos contribuem para sua banalização terapêutica (Curado et al., 2021; Orsolini et al., 2021). Diante dessa realidade, emerge a seguinte questão norteadora: Quais são os impactos clínicos, sociais e regulatórios do uso indiscriminado de zolpidem e como eles influenciam a prática farmacêutica e a segurança do paciente?

A relevância científica e prática deste estudo reside na necessidade de subsidiar o trabalho dos farmacêuticos, profissionais centrais no uso racional de medicamentos. Ao compreender os riscos associados ao zolpidem, eles podem atuar na farmacovigilância, na orientação de pacientes e na implementação de medidas educativas que reforcem a segurança terapêutica (Carvalho et al., 2024; Grasso; Cervejeira, 2025).

Assim, o presente estudo tem como objetivo geral analisar os impactos do uso indiscriminado de zolpidem, enfatizando suas implicações clínicas, sociais e regulatórias, bem como o papel do farmacêutico na promoção do uso racional do medicamento. Para seu alcance foram necessários os objetivos específicos: descrever os principais aspectos farmacológicos, indicações e contraindicações do zolpidem; identificar os riscos e efeitos adversos associados ao uso abusivo e prolongado do fármaco; discutir a relevância do farmacêutico na prevenção da dependência e no fortalecimento das medidas de segurança relacionadas ao zolpidem.

2 METODOLOGIA

Este estudo foi conduzido por meio de uma revisão integrativa da literatura, uma abordagem escolhida por permitir a síntese e análise crítica de pesquisas com diferentes delineamentos metodológicos, favorecendo a construção de uma visão abrangente e fundamentada sobre o tema. Essa estratégia possibilita não apenas mapear e organizar o conhecimento existente sobre o uso indiscriminado de zolpidem, mas também compreender suas repercussões clínicas, sociais e regulatórias, identificar lacunas de investigação e gerar subsídios para a prática clínica e para a formulação de políticas públicas de saúde.

A revisão integrativa, portanto, constitui uma metodologia rigorosa, capaz de integrar evidências heterogêneas, promovendo uma análise sistemática e crítica dos achados e garantindo relevância científica e aplicabilidade prática aos resultados obtidos. Foi composta por nove etapas, sendo respectivamente: (i) identificação do tema; (ii) definição da questão norteadora supracitada na introdução; (iii) definição dos bancos de dados consultados; (iv) definição dos descritores; (v) critérios de inclusão; (vi) critérios de exclusão; (vii) seleção dos estudos; (viii) extração e análise dos dados; e por fim, (xi) síntese dos resultados.

i. Na primeira etapa foi feito a identificação do tema definindo o foco principal da pesquisa, que é o uso indiscriminado do zolpidem e suas repercussões clínicas, sociais e regulatórias, garantindo relevância científica e prática.
ii. Na segunda etapa foi definida a questão norteadora conforme supracitada na introdução formulando-a de forma a orientar toda esta revisão. Essa questão foi usada para direcionar a busca e a análise dos estudos. Sua formulação permite abarcar tanto os aspectos farmacológicos quanto os riscos de abuso, além de integrar a discussão sobre políticas públicas de saúde.
iii. Na terceira etapa foi selecionados os bancos de dados que foram consultados, sendo priorizados aqueles com acervo relevante para ciências da saúde, como PubMed, SciELO e Google Scholar.
iv. Na quarta etapa foram definidos os descritores, sendo escolhidos termos-chave em português e inglês, como: (zolpidem) AND (uso abusivo OR uso indiscriminado) AND (dependência) AND (segurança medicamentosa) AND (hipnóticos) AND (Farmácia); (zolpidem) AND (abuse) OR (indiscriminate use), AND (dependence) AND (drug safety) AND (hypnotics) AND (Pharmacy), combinados com operadores booleanos para otimizar a busca.
v. Na quinta etapa estabeleceu os critérios de inclusão definindo quais estudos seriam considerados, como: inclusão de artigos originais, revisões sistemáticas, relatos de caso e documentos oficiais publicados entre 2019 e 2025; nos idiomas: português ou inglês, com disponibilidade integral e relevância para o tema.
vi. Na sexta etapa estabeleceu os critérios de exclusão determinando os estudos a serem excluídos, como: duplicidades; publicações sem acesso completo; artigos de opinião sem embasamento científico; pesquisas sem relação direta com o uso de zolpidem.
vii. Na sétima etapa foram selecionados os estudos, por meio de um processo de triagem realizado em dois passos: leitura de títulos e resumos seguida da leitura completa dos textos elegíveis, conduzida por revisores independentes para garantir rigor metodológico.
viii. Na oitava etapa foram extraídos e analisados os dados, sendo organizadas as informações relevantes em quadros contendo autor, ano, objetivo, metodologia, resultados e conclusões. Posteriormente, os achados foram categorizados em eixos temáticos: farmacológicos/clínicos, riscos/efeitos adversos e regulação/atuação farmacêutica.
ix. Na nona e última etapa foi realizada uma síntese dos resultados, ou seja, uma integração crítica dos dados obtidos, permitindo identificar padrões, lacunas de conhecimento e implicações práticas para a atuação farmacêutica, bem como subsidiar futuras pesquisas e políticas de uso racional do zolpidem. Dessa forma, a revisão integrativa permitiu uma análise crítica e abrangente da literatura sobre o uso indiscriminado do zolpidem, sistematizando todas as etapas, desde a definição do tema até a síntese dos resultados.

      Esse procedimento conferiu rigor científico ao estudo, possibilitando a identificação de evidências consistentes, lacunas no conhecimento e implicações práticas relevantes para a prática clínica, a atuação farmacêutica e o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao uso seguro e racional do zolpidem.

      Resultados e Discussão

      A busca inicial nas bases de dados resultou em 66 publicações, das quais 32 (48,5%) foram encontradas no Google Scholar, 14 (21,2%) na SciELO e 20 (30,3%) na PubMed, a partir dos descritores previamente definidos. Após a remoção de 32 artigos duplicados (48,5% do total), 34 artigos (51,5%) foram avaliados para seleção. Desses, 15 (44,1%) foram excluídos por não serem pertinentes à questão norteadora e 9 (26,5%) por não atenderem a todos os critérios de inclusão. Assim, 10 artigos (29,4% dos avaliados) foram incluídos na revisão integrativa.

      Dos 10 artigos selecionados para a revisão integrativa, observou-se uma diversidade metodológica que possibilitou uma análise abrangente do uso indiscriminado de zolpidem. Entre eles, 4 (40%) foram artigos originais de investigação clínica, abordando efeitos farmacológicos, riscos de abuso e complicações clínicas associadas (Curado et al., 2021; Edinoff et al., 2021; Lima et al., 2024; Lugoboni et al., 2019). Três (30%) corresponderam a revisões sistemáticas e revisões de literatura, oferecendo sínteses integradas sobre dependência, efeitos adversos e segurança medicamentosa (Carvalho et al., 2024; Maia et al., 2024; Mittal et al., 2021). Dois (20%) foram relatos de caso, detalhando situações específicas de uso inadequado e implicações práticas para a atuação farmacêutica (Bajaj et al., 2019; Xie et al., 2024). Por fim, um (10%) documento abordou aspectos regulatórios e normativos, contextualizando a atuação de políticas públicas frente ao uso indiscriminado de zolpidem (Grasso; Cervejeira, 2025).

      Essa diversidade de delineamentos permitiu integrar evidências clínicas, análises sistemáticas, experiências individuais e perspectivas regulatórias, subsidiando uma discussão crítica sobre os aspectos farmacológicos, sociais e legais relacionados ao uso do zolpidem.

      Figura 1- Seleção dos estudos da revisão integrativa

      Fonte: elaborado pela autora (2025).

      O Quadro 1 sintetiza os 10 estudos incluídos nesta revisão, apresentando de forma estruturada as principais características de cada investigação. Para cada estudo são detalhados: autor e ano de publicação, delineamento metodológico, objetivos, população estudada, principais achados sobre o uso indiscriminado de zolpidem e implicações para a prática farmacêutica. Essa organização permite uma visualização clara e sistemática as evidências disponíveis, evidenciando tanto os aspectos clínicos quanto os impactos sociais e regulatórios abordados na literatura.

      Quadro 1 – Seleção dos estudos desta revis

      Fonte: elaborada pela autora (2025).

      Este estudo evidencia que o uso indiscriminado de zolpidem acarreta impactos clínicos, sociais e regulatórios significativos, destacando o papel central do farmacêutico na promoção do uso racional do medicamento. O abuso ou uso prolongado do fármaco pode resultar em dependência, efeitos adversos graves e comprometimento da qualidade de vida, enquanto a banalização da prescrição aumenta os riscos sociais e comportamentais. Assim, torna-se imprescindível integrar práticas clínicas, regulamentação e educação do paciente para assegurar a segurança e eficácia terapêutica do zolpidem (Azevedo et al., 2022; Edinoff et al., 2021).

      Do ponto de vista clínico, estudos como Bajaj et al. (2019) e Lugoboni et al. (2019) evidenciam casos de dependência severa, toxicidade hepática e complicações psiquiátricas, demonstrando que o uso abusivo pode levar a consequências graves para o paciente. Figueiró et al. (2024) e Cavalcante et al. (2024) reforçam que episódios de quedas, confusão e comportamentos complexos do sono são riscos concretos, especialmente em populações vulneráveis. Maia et al. (2024) detalha efeitos adversos específicos relacionados ao hemitartrato de zolpidem, reforçando a necessidade de monitoramento clínico rigoroso.

      Skowrońska et al. (2022) acrescentam que o zolpidem possui alto potencial de abuso e dependência, com consequências diretas sobre a saúde mental e comportamental. Seus achados corroboram relatos de casos e revisões anteriores, evidenciando que mesmo doses terapêuticas podem evoluir para padrões de uso problemático sem acompanhamento adequado. Isso reforça a necessidade de estratégias farmacêuticas preventivas e educação do paciente para reduzir riscos clínicos e sociais.

      Socialmente, o uso indiscriminado de zolpidem tem sido associado a acidentes, dependência e comprometimento da qualidade de vida, conforme Suassuna et al. (2023), Torres e Andrade (2024) e Santos Junior et al. (2023). A banalização do medicamento e a percepção equivocada de que se trata de uma opção menos nociva que os benzodiazepínicos, apontada por Curado et al. (2021) e Orsolini et al. (2021), contribuem para a amplificação do problema, indicando que intervenções educativas dirigidas por farmacêuticos são fundamentais para reduzir riscos sociais e comportamentais.

      No âmbito regulatório, Grasso e Cervejeira (2025) destacam a implementação de novas normas para prescrição e dispensação das Z-drugs, incluindo o zolpidem, como resposta necessária ao aumento do uso abusivo. Carvalho et al. (2024) e Świąder et al. (2023) reforçam que a integração entre regulamentação, farmacovigilância e orientação profissional é determinante para prevenir complicações e fortalecer a segurança do paciente.

      Embora os resultados sejam consistentes, algumas limitações devem ser consideradas. A predominância de revisões narrativas e relatos de caso limita a generalização das conclusões, e a heterogeneidade metodológica dificulta comparações diretas entre os estudos. Surpreendentemente, apesar do aumento do uso durante a pandemia de COVID-19, como observado por Lima et al. (2024) e Santos Junior et al. (2023), poucos estudos forneceram dados quantitativos robustos sobre a magnitude do abuso em larga escala, sugerindo lacuna para pesquisas epidemiológicas futuras.

      Em termos de implicações para a prática farmacêutica, o estudo evidencia que o farmacêutico exerce papel central na prevenção da dependência, na promoção de uso racional e na educação do paciente sobre riscos e efeitos adversos. A atuação proativa inclui monitoramento de prescrições, identificação de sinais de abuso, orientação sobre higiene do sono e colaboração com equipes multidisciplinares para implementar políticas de segurança. Futuras pesquisas poderiam avaliar a eficácia de programas educativos farmacêuticos e estratégias regulatórias no controle do uso indiscriminado de zolpidem.

      A farmacologia do zolpidem, como agonista seletivo dos receptores GABA-A, contribui para a indução rápida do sono, porém sua ação limitada ao curto prazo não elimina os riscos de tolerância, dependência e efeitos cognitivos. Estudos de Edinoff et al. (2021) e Mittal; Mittal; Gupta (2021) mostram que pacientes em uso prolongado apresentam maior suscetibilidade a lapsos de memória, alterações comportamentais e sonolência diurna, reforçando a necessidade de monitoramento farmacêutico contínuo e orientação clara sobre limites de dose e duração do tratamento.

      A avaliação de casos clínicos de dependência extrema, como descrito por Bajaj et al. (2019) e Xie et al. (2024), evidencia que mesmo doses prescritas inicialmente dentro dos limites podem evoluir para uso abusivo, implicando em complicações psiquiátricas, hepáticas e comportamentais. Isso ressalta a importância de estratégias de detecção precoce, acompanhamento individualizado e registro detalhado da evolução terapêutica pelo farmacêutico.

      Aspectos sociais associados ao uso abusivo incluem isolamento, queda na produtividade e aumento do risco de acidentes domésticos e de trânsito, conforme relatado por Suassuna et al. (2023) e Torres e Andrade (2024). O papel do farmacêutico, nesse contexto, vai além da orientação individual, incluindo educação em saúde coletiva e participação em campanhas de conscientização sobre os riscos do uso indiscriminado de hipnóticos.

      A regulamentação recente, analisada por Grasso e Cervejeira (2025), demonstra que políticas de prescrição restritiva e monitoramento de farmácias podem reduzir significativamente o acesso irregular e o abuso de zolpidem. Carvalho et al. (2024) e Świąder et al. (2023) destacam que essas medidas regulatórias devem ser combinadas com a atuação clínica e farmacêutica para garantir efetividade e segurança do paciente.

      A pandemia de COVID-19 evidenciou vulnerabilidades no uso de medicamentos hipnóticos, com aumento da prescrição e do consumo recreativo de zolpidem, conforme Lima et al. (2024) e Santos Junior et al. (2023). Esse fenômeno sugere que fatores externos, como estresse, isolamento social e alterações no padrão de sono, podem intensificar o risco de dependência, reforçando a necessidade de políticas preventivas adaptadas a contextos emergenciais.

      Um aspecto ainda pouco explorado refere-se à integração de farmacêuticos em equipes multiprofissionais para o manejo do uso de zolpidem. Evidências apontam que a colaboração entre médicos, farmacêuticos e psicólogos aumenta a detecção de abuso, melhora a adesão às orientações e fortalece medidas de segurança, conforme Carvalho et al. (2024), Suassuna et al. (2023) e Torres e Andrade (2024).

      Futuras pesquisas devem priorizar estudos longitudinais que avaliem o impacto do uso prolongado de zolpidem em diferentes faixas etárias, com atenção a efeitos cognitivos, sociais e comportamentais. Além disso, análises de políticas de restrição de prescrição e programas educativos conduzidos por farmacêuticos podem fornecer evidências mais robustas sobre estratégias de prevenção de dependência e promoção do uso racional.

      Em síntese, o uso indiscriminado de zolpidem representa risco clínico relevante, impactos sociais expressivos e demanda por regulamentação rigorosa. A literatura revisada confirma que a integração entre prescrição criteriosa, vigilância farmacêutica e políticas públicas é essencial para reduzir os efeitos adversos, prevenir dependência e garantir segurança do paciente, consolidando o farmacêutico como agente estratégico na gestão do uso seguro do medicamento.

      Conclusão

      Esta revisão integrativa possibilitou uma análise abrangente sobre o uso indiscriminado de zolpidem, destacando seus impactos clínicos, sociais e regulatórios, bem como implicações para a prática farmacêutica. Os achados indicam que, apesar de o zolpidem ser amplamente prescrito como hipnótico seguro, seu uso inadequado está associado a dependência, efeitos adversos e riscos de complicações graves, exigindo atenção tanto dos profissionais de saúde quanto das políticas públicas de regulamentação.

      No campo da farmácia, este estudo contribui ao evidenciar a importância do papel do farmacêutico na promoção do uso racional de medicamentos, na orientação ao paciente quanto a riscos de abuso e na atuação junto a equipes de saúde para prevenção de complicações relacionadas a hipnóticos. Além disso, reforça a necessidade de integração entre farmacovigilância, acompanhamento clínico e educação em saúde para mitigar os efeitos negativos do uso indiscriminado do zolpidem.

      Entre as limitações deste estudo, destaca-se o número restrito de publicações incluídas (10 artigos), o que pode não representar integralmente toda a produção científica sobre o tema. Adicionalmente, a heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos limita a comparação direta entre resultados e impede análises quantitativas mais detalhadas.

      Como recomendação para pesquisas futuras, sugere-se a realização de estudos clínicos multicêntricos e de longo prazo que avaliem não apenas os efeitos farmacológicos do zolpidem, mas também seus desdobramentos sociais e comportamentais. Investigações que explorem estratégias de intervenção farmacêutica para prevenção do uso indevido, bem como avaliações da efetividade de políticas regulatórias, também são indicadas para aprofundar o conhecimento e fortalecer a prática segura e racional deste medicamento.

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      1 Gradando do curso de Farmácia da Universidade UniBH, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Email: gisa_2@hotmail.com
      2 Docente orientadora do curso de Farmácia da Universidade UniBH, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Email: lorena.andrade@ulife.com.br