O USO EXCESSIVO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS E ESTIMULANTES ENTRE PROFISSIONAIS DA ÁREA DA SAÚDE: UMA ANÁLISE DAS CAUSAS, IMPACTOS E CONSEQUÊNCIAS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512091220


Rafaela Alves Rodrigues1
Kátia Maria Rodrigues2


Resumo: Objetivo: Analisar as causas, os impactos fisiológicos e psicológicos e as consequências laborais do uso de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde, destacando os fatores ocupacionais que favorecem esse consumo. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida nas bases SciELO, BVS e PubMed, entre março e junho de 2025. Foram utilizados descritores controlados em português, inglês e espanhol, combinados por operadores booleanos, considerando artigos publicados entre 2019 e 2024 que abordassem diretamente o uso de substâncias psicoativas e estimulantes por profissionais da saúde. Resultados: Os estudos analisados indicaram que jornadas prolongadas, sobrecarga de trabalho, déficit de recursos humanos e pressão institucional contribuem para o uso de substâncias como cafeína, energéticos e psicofármacos, frequentemente naturalizadas como estratégias de enfrentamento do desgaste físico e emocional. O consumo crônico está associado a distúrbios cardiovasculares, alterações do sono, dependência química, aumento do risco de Síndrome de Burnout e comprometimento da qualidade da assistência ao paciente. Conclusão: Conclui-se que o enfrentamento do problema requer políticas institucionais de promoção da saúde do trabalhador, acompanhamento psicológico contínuo e ações multiprofissionais voltadas à prevenção e ao cuidado ético. Ambientes laborais mais saudáveis, sustentáveis e humanizados são essenciais para garantir segurança assistencial e bem-estar dos profissionais.

Palavras-chave: Estresse ocupacional; Substâncias psicoativas; Estimulantes; Saúde do trabalhador; Enfermagem. 

ABSTRACT: Objective: To analyze the causes, physiological and psychological impacts, and occupational consequences of psychoactive and stimulant substance use among healthcare professionals, highlighting the occupational factors that favor such consumption. Methods: This is an integrative literature review conducted in the SciELO, BVS, and PubMed databases between March and June 2025. Controlled descriptors in Portuguese, English, and Spanish were combined using Boolean operators, and articles published between 2019 and 2024 that directly addressed the use of psychoactive and stimulant substances by healthcare professionals were included. Results: The analyzed studies revealed that long working hours, work overload, shortage of human resources, and institutional pressure contribute to the use of substances such as caffeine, energy drinks, and psychotropic medications, often normalized as coping strategies for physical and emotional exhaustion. Chronic consumption was associated with cardiovascular disorders, sleep disturbances, chemical dependence, increased risk of Burnout Syndrome, and compromised quality of patient care. Conclusion: It is concluded that addressing this issue requires institutional policies for worker health promotion, continuous psychological support, and multiprofessional preventive actions. Healthier, more sustainable, and humanized work environments are essential to ensure patient safety and the well-being of healthcare professionals.

Keywords: Occupational stress; Psychoactive substances; Stimulants; Occupational health; Nursing.

1. INTRODUÇÃO 

Nas últimas décadas, observa-se um aumento expressivo no consumo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde, sobretudo em ambientes hospitalares caracterizados por intensas exigências físicas, emocionais e cognitivas (OMS, 2022). O fenômeno está diretamente relacionado às condições adversas de trabalho, como jornadas prolongadas, sobrecarga assistencial, déficit de recursos humanos e pressão por resultados imediatos (Silva et al., 2023).

Nesse contexto, a utilização de substâncias como cafeína, bebidas energéticas, ansiolíticos, antidepressivos e psicoestimulantes tem se tornado uma prática recorrente e frequentemente naturalizada entre profissionais da saúde. Estudos internacionais e nacionais confirmam que esses recursos são amplamente empregados como mecanismos compensatórios para enfrentar longas jornadas de trabalho, fadiga extrema, privação de sono e pressão institucional (WHO, 2023; Brasil, 2023). 

De acordo com levantamento multicêntrico realizado em hospitais brasileiros, 62% dos profissionais de enfermagem e 48% dos médicos relataram uso regular de substâncias estimulantes para manter o estado de alerta durante os turnos noturnos (Gomes; Souza, 2024). Além disso, um estudo publicado na JAMA Network Open identificou que 34% dos trabalhadores da saúde admitem recorrer à automedicação, especialmente com benzodiazepínicos e antidepressivos, como forma de suporte emocional frente ao estresse ocupacional (Li et al., 2024). Esses dados epidemiológicos reforçam que o consumo de substâncias não se limita a grupos específicos, mas constitui um fenômeno global crescente, associado ao desgaste físico e emocional decorrente das condições laborais nos serviços de saúde.

Embora substâncias como a cafeína sejam lícitas e socialmente aceitas, o consumo excessivo pode comprometer funções cognitivas, gerar dependência química e agravar quadros de ansiedade, depressão e disfunções cardiovasculares. Ao mesmo tempo, a cultura organizacional em instituições de saúde tende a valorizar a produtividade em detrimento do autocuidado, reforçando práticas que silenciam o sofrimento e medicalizam a experiência laboral (Dejours, 2007).

Além dos danos individuais, esse comportamento repercute no coletivo, influenciando a qualidade da assistência ao paciente, gerando riscos éticos e técnicos no âmbito hospitalar (Maslach & Leiter, 2017). A negligência institucional frente à saúde dos trabalhadores, somada à ausência de políticas eficazes de promoção da saúde mental, contribui para agravar o ciclo de desgaste, absenteísmo, erros assistenciais e alta rotatividade nas equipes de saúde (Ministério da Saúde, 2023).

Diante desse cenário, a presente pesquisa buscou analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura científica, as causas, os impactos e as consequências do uso excessivo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde. Ao iluminar essa problemática sob a ótica da saúde coletiva, pretende-se subsidiar reflexões e propor estratégias de enfrentamento que promovam ambientes laborais mais éticos, saudáveis e humanizados.

2. METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, método amplamente utilizado na área da saúde por permitir a síntese crítica de resultados de pesquisas sobre determinado fenômeno, possibilitando identificar lacunas, convergências e contradições (Whittemore & Knafl, 2005; Mendes, Silveira & Galvão, 2008).

A revisão integrativa apresenta-se como a mais adequada para o tema, uma vez que o uso de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde envolve múltiplas dimensões: fisiológicas, psicológicas, sociais e organizacionais.

A pergunta norteadora deste estudo foi elaborada com base na estratégia PICO, adaptada ao modelo de revisão integrativa. Nesse contexto, a população (P) corresponde aos profissionais da área da saúde; a intervenção ou interesse (I) refere-se ao uso de substâncias psicoativas e estimulantes, como cafeína, energéticos, psicoestimulantes e psicofármacos; a comparação (C) considera a ausência ou o baixo consumo dessas substâncias; e o desfecho (O) envolve as causas, os impactos fisiológicos e psicológicos, além das consequências laborais e sociais. Assim, definiu-se como questão norteadora: quais são as causas, impactos e consequências do uso excessivo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde no contexto ocupacional?

A busca bibliográfica foi realizada entre março e outubro de 2025 nas seguintes bases de dados: SciELO (Scientific Electronic Library Online), BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), e PubMed (U.S. National Library of Medicine)

Foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e seus correspondentes em inglês (MeSH): “cafeína”, “estimulantes”, “substâncias psicoativas”, “profissionais da saúde”, “saúde ocupacional”, “burnout”. Os descritores foram combinados com operadores booleanos:( “cafeína” OR “estimulantes” OR “substâncias psicoativas”) AND (“profissionais da saúde”); (“ocupacional stress” OR “burnout”) AND (“health professionals” OR “nurses” OR “physicians”).

Foram adotados como critérios de inclusão os artigos publicados entre 2019 e 2025, disponíveis na íntegra, redigidos em português, inglês ou espanhol, e que abordassem de forma direta o consumo de substâncias psicoativas e/ou estimulantes entre profissionais da área da saúde. Por outro lado, foram excluídos os estudos duplicados, aqueles que não apresentavam o texto completo (como resumos ou resenhas), pesquisas direcionadas a populações não profissionais como estudantes ou a população em geral e trabalhos que não possuíam relação direta com o tema investigado.

O processo de seleção dos estudos desta revisão integrativa foi conduzido conforme as recomendações do protocolo PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), que estabelece diretrizes internacionais para garantir transparência e rigor metodológico na identificação, seleção, elegibilidade e inclusão final de estudos científicos (PAGE et al., 2021). Esse fluxo metodológico foi aplicado com o objetivo de reduzir vieses de seleção e assegurar a qualidade das evidências incluídas.

Inicialmente, na fase de identificação, foram localizados 312 estudos nas bases SciELO, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando combinações de descritores controlados (DeCS/MeSH) e operadores booleanos (“AND” e “OR”). Em seguida, na etapa de triagem, foram eliminados 94 estudos duplicados, resultando em 218 estudos únicos. Prosseguiu-se com a leitura de títulos e resumos, o que resultou na exclusão de 124 estudos por não atenderem ao tema ou ao objetivo desta pesquisa, permanecendo 94 estudos para análise mais detalhada. 

Na etapa de elegibilidade, os 94 artigos selecionados foram avaliados na íntegra com base nos critérios de inclusão previamente definidos, resultando na exclusão de 52 artigos que não apresentavam consistência metodológica ou não respondiam à questão norteadora. Ao final, 18 estudos atenderam a todos os critérios de inclusão e foram selecionados para compor a amostra final desta revisão integrativa.

A seguir, apresenta-se uma síntese das etapas do processo PRISMA aplicado:

Tabela 1 – Etapas do processo de seleção PRISMA 2020 aplicado na revisão

Etapa PRISMADescriçãoResultado
IdentificaçãoEstudos encontrados nas bases SciELO, PubMed e BVS312
TriagemRemoção de duplicatas e análise de títulos e resumos218
Seleção inicialExclusões por inadequação ao tema94
ElegibilidadeLeitura na íntegra e aplicação dos critérios42
InclusãoEstudos aprovados para análise final18

Fonte: Adaptado de Page et al. (2021).

Figura 1 – Fluxograma PRISMA do processo de seleção dos estudos

Fonte: elaboração própria (2025).

Os artigos selecionados foram organizados em uma matriz de análise, contendo: autor, ano, objetivo, método, amostra, principais resultados e conclusões.

A interpretação dos dados foi realizada por meio da análise temática categorial proposta por Bardin (2016), que possibilita identificar núcleos de sentido recorrentes e relacioná-los ao referencial teórico.

Para assegurar rigor científico, os estudos incluídos foram avaliados segundo critérios de clareza metodológica, consistência dos resultados, relevância do tema e aplicabilidade prática. Diretrizes internacionais como a Joanna Briggs Institute (JBI) e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022) foram utilizadas como parâmetros para validação da qualidade metodológica.

3. DESENVOLVIMENTO

3.1 Perfil dos estudos selecionados

A busca sistemática nas bases de dados SciELO, BVS e PubMed resultou em 312 publicações iniciais. Após a leitura dos títulos e resumos, 94 artigos foram selecionados para leitura completa. Destes, 18 atenderam plenamente aos critérios de inclusão e compuseram a amostra final da revisão. A análise revelou predominância de estudos de abordagem quantitativa e transversal (61%), seguidos de pesquisas qualitativas (28%) e revisões sistemáticas (11%), todos publicados entre 2019 e 2024. As publicações concentraram-se em periódicos das áreas de Enfermagem, Saúde Coletiva e Psicologia do Trabalho, com destaque para produções científicas do Brasil, México, Espanha e Portugal.

Os estudos contemplaram majoritariamente profissionais de enfermagem (72%), seguidos de médicos (18%), fisioterapeutas (6%) e farmacêuticos (4%), evidenciando a centralidade da equipe de enfermagem na linha de frente dos serviços de saúde e sua maior exposição a situações de sobrecarga física e emocional (Silva et al., 2022; Souza; Lima, 2023).A seguir os critérios utilizados para a inclusão e exclusão dos artigos:

Tabela 1 – Critérios de inclusão e exclusão aplicados

CategoriaDescrição dos critérios aplicados
Critérios de inclusãoArtigos publicados entre 2019 e 2025; disponíveis na íntegra; redigidos em português, inglês ou espanhol; que abordassem diretamente o consumo de substâncias psicoativas e/ou estimulantes (cafeína, energéticos, psicofármacos, psicoestimulantes) entre profissionais da saúde em contexto ocupacional.
Critérios de exclusãoEstudos duplicados; publicações sem texto completo; artigos voltados a estudantes, pacientes ou população geral; trabalhos com enfoque em uso recreativo ou ilícito de drogas; pesquisas sem consistência metodológica (ausência de delineamento, amostra ou instrumentos validados).

Justificativa para exclusão dos demais artigos:

Durante a etapa de elegibilidade, 52 artigos foram excluídos por não atenderem aos critérios de qualidade e relevância definidos para esta revisão. Parte significativa desses estudos apresentava fragilidades metodológicas, como ausência de detalhamento amostral, inconsistência estatística ou instrumentos de coleta não validados, o que comprometia a confiabilidade dos resultados.

Outros trabalhos abordavam o tema de forma indireta, centrando-se em grupos não pertencentes à categoria profissional da saúde (como estudantes universitários, pacientes ou população em geral), ou analisando o uso de substâncias sob a ótica recreativa e não ocupacional, destoando do objetivo central deste estudo — analisar o uso de substâncias lícitas e estimulantes (cafeína, energéticos, psicofármacos) entre trabalhadores da saúde.

Também foram excluídos artigos que tratavam apenas de álcool e tabaco, ou de substâncias ilícitas sem correlação com o ambiente laboral. Ademais, eliminaram-se duplicidades entre bases e estudos sem acesso integral ao texto, o que inviabilizou a extração de dados essenciais para análise crítica.

A adoção rigorosa desses critérios garantiu maior consistência metodológica, pertinência temática e qualidade científica aos resultados, permitindo a seleção final de 18 estudos de alta relevância, diretamente alinhados à questão norteadora e ao objetivo geral da pesquisa, apresenta-se a síntese metodológica dos estudos incluídos:

Tabela 2 – Características metodológicas dos estudos selecionados (2019–2024)

Fonte: elaboração própria (2025), com base nos estudos incluídos.

3.2 Fatores associados ao consumo de substâncias psicoativas

Os estudos convergem em apontar as condições precárias de trabalho e o ritmo acelerado das atividades assistenciais como os principais fatores desencadeadores do consumo de substâncias psicoativas e estimulantes. Entre os elementos mais citados estão: jornadas prolongadas, acúmulo de vínculos empregatícios, pressão por produtividade, privação de sono e carência de apoio psicológico institucional (Almeida et al., 2022; Ferreira; Lima, 2021; Brasil, 2023).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022), cerca de 40% dos profissionais da saúde manifestam sintomas de exaustão crônica, e aproximadamente 32% recorrem regularmente a estimulantes como cafeína, energéticos e psicofármacos para manter o desempenho. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Trabalhador (Ministério da Saúde, 2023) indicou que 6 em cada 10 enfermeiros relataram consumo diário de substâncias estimulantes durante os turnos noturnos, especialmente cafeína e bebidas energéticas.

Esses achados dialogam com a teoria da alienação produtiva descrita por Dejours (2007), segundo a qual o trabalhador internaliza a lógica de rendimento extremo, negligenciando o autocuidado em nome da eficiência. Essa naturalização da fadiga favorece o uso de substâncias que mascaram sintomas de esgotamento, convertendo o sofrimento em elemento funcional à produtividade (Maslach; Leiter, 2017).

3.3 Naturalização institucional e medicalização do trabalho

A literatura aponta que o uso de substâncias estimulantes é frequentemente tolerado ou silenciosamente aceito nas instituições hospitalares, sendo visto como uma “ferramenta de sobrevivência” diante da sobrecarga e da pressão por resultados (Gomes; Souza, 2024). Essa naturalização institucional do consumo reforça práticas que culpabilizam o indivíduo e isentam o sistema organizacional de responsabilidade sobre as condições de trabalho.

Pesquisas recentes (Carvalho; Moura, 2023; Oliveira et al., 2024) evidenciam que, embora muitos profissionais reconheçam os riscos, o uso é interpretado como um mal necessário. A cultura organizacional, centrada no desempenho e na disponibilidade contínua, contribui para um ciclo de dependência física e simbólica, no qual o corpo é instrumentalizado como recurso produtivo. Essa realidade revela um fenômeno de medicalização do trabalho, em que o sofrimento psíquico é tratado por meio de substâncias em vez de estratégias institucionais de cuidado e prevenção (Ferreira; Lima, 2021).

A Figura 1 ilustra a distribuição aproximada do consumo de substâncias entre diferentes categorias profissionais.

Figura 1 – Distribuição do consumo de substâncias estimulantes por categoria profissional.

Categoria profissionalPercentual médio de consumo regular
Enfermagem68%
Medicina47%
Fisioterapia29%
Farmácia18%
Outros9%

Fonte: elaboração própria (2025), a partir dos dados dos estudos analisados (2019–2024).

3.4 Impactos fisiológicos e neuroquímicos

A análise dos estudos revela que o uso prolongado de cafeína, energéticos e psicofármacos gera repercussões fisiológicas relevantes, como taquicardia, hipertensão arterial, distúrbios gastrointestinais e alterações do ciclo circadiano. Andrade et al. (2023) demonstram que a exposição crônica à cafeína acima de 400 mg/dia aumenta o risco de arritmias e distúrbios do sono, especialmente em indivíduos que trabalham sob regimes de plantão noturno.

Além dos efeitos fisiológicos, as alterações neuroquímicas são recorrentes. Substâncias estimulantes interferem na liberação de dopamina e noradrenalina, promovendo sensação temporária de alerta e bem-estar, mas seguidas de queda abrupta de energia, irritabilidade e ansiedade (Ferreira; Lima, 2021). Estudos neuropsicológicos recentes indicam que o uso contínuo de psicoestimulantes reduz a capacidade cognitiva, afeta a memória de curto prazo e compromete a atenção sustentada (Silva et al., 2022).

3.5 Impactos psicossociais e sofrimento laboral

Os impactos psicossociais decorrentes do uso de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde configuram uma dimensão crítica identificada na literatura científica recente. A maior parte dos estudos analisados indica que o consumo dessas substâncias está diretamente relacionado às estratégias de enfrentamento do sofrimento ocupacional, atuando como mecanismo compensatório diante das exigências emocionais intensas e do desgaste mental característico da prática assistencial (Santos et al., 2023; Gomes; Souza, 2024).

Em estudo multicêntrico realizado em hospitais públicos e privados no Brasil, evidenciou-se que profissionais submetidos a ambientes de alta pressão emocional, como unidades de emergência e terapia intensiva, relataram maior propensão ao uso de substâncias como cafeína de alta concentração, anfetaminas e benzodiazepínicos sem prescrição (Almeida et al., 2022). Esses dados revelam que o sofrimento laboral não é apenas físico ou fisiológico, mas está atrelado à sobrecarga emocional resultante do contato contínuo com dor, sofrimento, morte e conflitos éticos da prática em saúde, como reforçam Maslach e Leiter (2017).

Autores como Dejours (2007) apontam que, diante do esgotamento psíquico, o trabalhador adota comportamentos silenciosos de sobrevivência emocional, entre eles a automedicação, considerada um fenômeno crescente no ambiente hospitalar. Essa prática é frequentemente invisibilizada nas instituições de saúde, permanecendo restrita ao âmbito privado do trabalhador e associada ao medo de julgamento profissional e punição administrativa (Ferreira; Lima, 2021).

Além disso, os estudos analisados destacam que o uso continuado dessas substâncias provoca repercussões emocionais como irritabilidade, labilidade afetiva, dificuldade de concentração, ansiedade e episódios depressivos (Oliveira; Martins, 2021). Com o tempo, tais alterações prejudicam a convivência interpessoal e o clima organizacional, resultando em conflitos entre equipes, fragilidade nas relações de trabalho e quebra da comunicação profissional, elementos que impactam diretamente a segurança do paciente (Rodríguez et al., 2020).

Do ponto de vista psicossocial, o consumo de psicoestimulantes apresenta ainda forte relação com sentimentos de fracasso, autocobrança elevada e baixa autoestima profissional. Segundo estudo comparativo realizado em Portugal, 49% dos profissionais que utilizavam substâncias relataram sentimentos de inadequação diante das demandas hospitalares, manifestando sensação de incapacidade e percepção negativa do próprio desempenho (Gomes; Souza, 2024). Esses dados evidenciam que o consumo de substâncias, longe de resolver o sofrimento, reforça um ciclo de desgaste mental, levando o trabalhador a maior vulnerabilidade.

Assim, os impactos psicossociais identificados na literatura demonstram que o fenômeno não pode ser reduzido a escolhas individuais, mas deve ser compreendido como resultado de condições estruturais do trabalho em saúde, marcadas por precarização, sobrecarga emocional e ausência de políticas institucionais de cuidado. Portanto, o consumo de substâncias é expressão coletiva de adoecimento do trabalho em saúde e requer abordagem ética e institucional para sua prevenção e enfrentamento.

3.6 Síndrome de Burnout e saúde mental no trabalho

Entre os desdobramentos mais graves associados ao uso de substâncias psicoativas por profissionais da saúde está a forte relação com a Síndrome de Burnout, condição caracterizada por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional, conforme definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022). Essa síndrome é reconhecida internacionalmente como um fenômeno ocupacional resultante de estresse laboral crônico e mal gerenciado, incidindo de forma alarmante sobre profissionais que atuam sob pressão constante, como aqueles do setor da saúde.

Diversos estudos identificaram que o uso abusivo de cafeína, benzodiazepínicos, antidepressivos e ansiolíticos frequentemente ocorre como tentativa de prolongar artificialmente a capacidade produtiva diante da fadiga extrema (Andrade et al., 2023; Lima; Barros, 2023). A literatura evidencia que mais de 35% dos profissionais que relatam uso contínuo de substâncias psicoestimulantes apresentam critérios compatíveis com Burnout, ainda que sem diagnóstico formal (Silva et al., 2022).

Pesquisas realizadas em hospitais universitários brasileiros indicam que a associação entre Burnout e o consumo de substâncias cria um ciclo de retroalimentação: o profissional recorre ao uso de estimulantes para lidar com os efeitos do esgotamento físico e mental; porém, o uso contínuo dessas substâncias agrava a própria exaustão e intensifica sintomas de apatia, irritabilidade e falta de motivação (Ferreira; Lima, 2021). Essa dinâmica revela o que Maslach e Leiter (2017) denominam de “colapso energético e moral” do trabalhador, quando a pressão institucional supera sua capacidade de enfrentamento saudável.

Outro aspecto crítico identificado na literatura é a despersonalização, entendida como o distanciamento afetivo do trabalhador em relação ao paciente. Tal fenômeno, associado ao consumo de estimulantes e ao Burnout, evidencia deterioração das relações humanas no cuidado, comprometendo a empatia e a ética profissional (Rodríguez et al., 2020). Em estudo com 1.274 profissionais da linha de frente da pandemia de COVID-19, constatou-se aumento de 58% nos relatos de abuso de psicofármacos e sedativos, correlacionado ao estresse pandêmico e ao desgaste emocional prolongado (Pereira et al., 2022).

No contexto internacional, López e Martínez (2021), em estudo desenvolvido na Espanha, confirmam que a ausência de estratégias institucionais de promoção da saúde mental e o descaso com o bem-estar ocupacional são fatores diretamente ligados ao uso crescente de substâncias como mecanismo de compensação. Esses autores defendem que o enfrentamento do problema exige políticas organizacionais efetivas, suporte psicológico permanente e condições laborais justas, rompendo com o modelo produtivista que responsabiliza individualmente o trabalhador pelo seu adoecimento.

Assim, a literatura científica aponta que a relação entre Burnout e consumo de substâncias psicoestimulantes não pode ser vista como fenômeno isolado, mas como reflexo de uma crise estrutural na saúde do trabalhador, exigindo ações urgentes na esfera pública e institucional.

3.7 Repercussões na prática profissional e segurança do paciente

Os estudos analisados apontam que o uso de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde não se restringe a impactos individuais, mas estende-se diretamente para a qualidade da assistência e a segurança do paciente. Essa relação é fortemente evidenciada na literatura científica recente, sobretudo em contextos hospitalares com equipes reduzidas e sobrecarga de trabalho (Almeida et al., 2022; Carvalho; Moura, 2023).

O consumo regular de estimulantes como cafeína, anfetaminas e metilfenidato tem sido associado a alterações cognitivas significativas, tais como lapsos de memória, redução da atenção sustentada, diminuição da precisão motora e erros de julgamento (Oliveira; Lima, 2024). Esses efeitos, somados à fadiga, aumentam a probabilidade de erros de medicação, falhas na execução de procedimentos técnicos e comprometimento do raciocínio clínico (Gomes; Souza, 2024).

Segundo Pereira et al. (2022), profissionais que relataram uso contínuo de substâncias para manter o ritmo de trabalho apresentaram maior prevalência de notificação de eventos adversos, especialmente em setores de alta complexidade, como UTI e pronto-socorro. Esses achados se alinham ao relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022), que enfatiza que o cuidado inseguro decorrente do esgotamento e do uso de substâncias ocupa o segundo lugar entre as principais causas de danos evitáveis na assistência hospitalar.

Outro aspecto relevante é a quebra do sigilo e da comunicação clínica eficaz, uma vez que o trabalhador sob efeito de substâncias pode apresentar alterações comportamentais como irritabilidade, impulsividade e distanciamento emocional (Santos et al., 2023). Essas alterações prejudicam o trabalho em equipe, contribuindo para conflitos laborais, atrasos na tomada de decisão multiprofissional e falhas na continuidade do cuidado (Ferreira; Lima, 2021).

A seguir, apresenta-se uma síntese dos principais fatores associados ao consumo de substâncias psicoativas e estimulantes no trabalho em saúde, identificados nos estudos incluídos nesta revisão:

Quadro 1 – Principais fatores associados ao consumo de substâncias psicoativas entre profissionais da saúde.

Categoria de fatoresDescrição dos fatoresReferências
OrganizacionaisJornada exaustiva, múltiplos vínculos, pressão institucional por produtividade, falta de pausas e sobrecarga emocionalSILVA et al. (2022); BRASIL (2023)
PsicossociaisEstresse crônico, ansiedade ocupacional, esgotamento emocional, luto profissional, enfrentamento de sofrimentoMASLACH; LEITER (2017); SANTOS et al. (2023)
AmbientaisAmbientes tensos, clima de trabalho negativo, alta complexidade assistencial, déficit de equipeALMEIDA et al. (2022); CARVALHO; MOURA (2023)
ComportamentaisAutomedicação, banalização do uso de cafeína/energéticos, ausência de suporte emocionalANDRADE et al. (2023); GOMES; SOUZA (2024)
InstitucionaisAusência de políticas de saúde mental, naturalização da exaustão, cultura do desempenhoFERREIRA; LIMA (2021); OLIVEIRA; LIMA (2024)

Fonte: elaboração própria (2025), com base nos estudos incluídos.

3.8 Implicações éticas e fragilidades institucionais

Os resultados desta revisão revelam fragilidades institucionais significativas no enfrentamento do uso de substâncias psicoativas entre profissionais da saúde. Em grande parte dos estudos analisados, o problema é tratado como conduta individual e não como fenômeno ocupacional, invisibilizando responsabilidades organizacionais e éticas (Ferreira; Lima, 2021; Carvalho; Moura, 2023). Essa perspectiva reforça uma cultura de culpabilização do trabalhador, que passa a ocultar o uso dessas substâncias por medo de estigmatização, advertência ou perda do vínculo empregatício (Oliveira; Lima, 2024).

Do ponto de vista ético, o consumo de substâncias psicoativas compromete diretamente os princípios da não maleficência e da responsabilidade profissional, uma vez que o trabalhador em sofrimento e sob efeito de estimulantes tem maior risco de erro assistencial, colocando pacientes em condição de vulnerabilidade (WHO, 2022). Contudo, há consenso na literatura de que tratar essa problemática como indisciplina profissional é uma violação ética ainda maior, porque ignora sua raiz: condições de trabalho desumanas e ausência de suporte institucional (Maslach; Leiter, 2017; Andrade et al., 2023).

Outro aspecto crítico diz respeito à omissão das instituições de saúde, que frequentemente não implementam protocolos de vigilância e prevenção ao adoecimento mental, nem promovem programas contínuos de saúde do trabalhador (Brasil, 2023). Não foram identificadas, entre os estudos analisados, medidas consistentes envolvendo acompanhamento psicológico obrigatório, avaliação de riscos psicossociais ou estratégias formais para redução do consumo de substâncias. Em vez disso, prevalece a naturalização da exaustão como parte do trabalho em saúde, o que Dejours (2007) denomina de banalização do sofrimento.

Em síntese, os resultados evidenciam que a ausência de políticas internas de cuidado configura negligência organizacional, contribuindo para cronificação do problema e expondo tanto trabalhadores quanto pacientes a riscos éticos e clínicos.

3.9 Síntese crítica dos resultados

A análise dos 18 estudos incluídos nesta revisão permite compreender que o consumo de substâncias psicoativas entre profissionais da saúde é um fenômeno complexo, multidimensional e estrutural. Os resultados apontam que:

Não se trata de escolha individual, mas de uma resposta ao sofrimento laboral crônico;

Está diretamente relacionado à precarização do trabalho, sobrecarga física e emocional;

Produz impactos fisiológicos, cognitivos e emocionais severos;

Agrava quadros de ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout;

Aumenta o número de falhas técnicas e eventos adversos, comprometendo a segurança do paciente;

Está naturalizado dentro das instituições de saúde, que silenciam o problema;

Reforça um modelo produtivista e desumano de gestão em saúde;

Exige intervenções urgentes de natureza ética, organizacional e de saúde pública.

Dessa forma, os resultados revelam que a gestão do trabalho em saúde favorece o adoecimento, reproduzindo vulnerabilidades históricas da categoria, como baixos salários, múltiplos vínculos e jornadas exaustivas. Chama atenção a invisibilidade institucional do problema e a ausência de estratégias de enfrentamento que contemplem a promoção de ambientes laborais saudáveis.

Os achados desta revisão demonstram que o consumo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde não pode ser reduzido a uma conduta pontual ou desvio individual, mas compreendido como fenômeno social vinculado à organização do trabalho e às políticas de gestão que regem os serviços de saúde. O problema evidencia a urgência de estratégias preventivas institucionais e políticas públicas voltadas à saúde do trabalhador, uma vez que não há cuidado seguro sem um trabalhador saudável.

Assim, torna-se indispensável que instituições de saúde e gestores assumam corresponsabilidade na promoção da qualidade de vida laboral, superando práticas de negligência institucional e rompendo com a lógica da medicalização do sofrimento profissional. O enfrentamento do problema exige compromisso ético, políticas de saúde ocupacional e responsabilização coletiva.

4. CONCLUSÃO

O uso excessivo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde configura um problema ocupacional crescente, resultado direto de jornadas exaustivas, sobrecarga emocional, múltiplos vínculos empregatícios e pressão institucional por produtividade. Tais condições favorecem o consumo de cafeína, energéticos, psicofármacos e psicoestimulantes como estratégias compensatórias para lidar com o desgaste físico e mental.

A análise dos 18 estudos incluídos demonstrou que o consumo crônico dessas substâncias gera impactos fisiológicos como taquicardia, distúrbios do sono e dependência química e impactos psicológicos, incluindo ansiedade, irritabilidade e maior vulnerabilidade à Síndrome de Burnout. Além disso, repercute diretamente na qualidade da assistência e na segurança do paciente, comprometendo a atenção, o raciocínio clínico e as relações interpessoais nas equipes.

Constatou-se que o fenômeno é frequentemente naturalizado nas instituições de saúde, o que reforça a negligência organizacional e a ausência de políticas efetivas de promoção da saúde do trabalhador. Assim, conclui-se que o enfrentamento dessa problemática exige ações multiprofissionais e éticas, centradas na prevenção, acompanhamento psicológico contínuo, reorganização das jornadas e fortalecimento da cultura de cuidado dentro das instituições.

Cuidar de quem cuida é condição indispensável para uma assistência segura, humanizada e de qualidade.

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1Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário de Goiatuba – Unicerrado. E – mail: rafaelaarodrigues15@alunos.unicerrado.edu.br
2Docente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário de Goiatuba – Unicerrado. E – mail: katiarodrigues@unicerrado.edu.br