REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202508182245
Marcelo Alexandre Mizael
Orientador: Professor Capitão BM Filemon Henrique Costa Fernandes
RESUMO
O município de Juiz de Fora, localizado na Zona da Mata Mineira, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas (CEMADEN), “apresenta características geológicas e geomorfológicas que o tornam suscetível à ocorrência de movimentos gravitacionais de massa, especialmente em áreas urbanizadas e encostas ocupadas irregularmente”. Nesse contexto, o uso do geoprocessamento surge como uma ferramenta estratégica para a análise espacial, diagnóstico de áreas de risco e planejamento de medidas estruturais de mitigação. A integração de dados geográficos permite uma abordagem mais precisa e eficiente na gestão territorial e na prevenção de desastres naturais.
Nossos objetivos são aplicar técnicas de geoprocessamento para identificar e mapear áreas de risco em Juiz de Fora; Subsidiar a implementação de medidas estruturais voltadas à mitigação de movimentos gravitacionais de massa; e contribuir para o planejamento urbano sustentável e a segurança da população residente em áreas vulneráveis de Juiz de Fora.
A metodologia utilizada foi uma abordagem espacial, sou seja, a localização e distribuição geográfica dos eventos, utilizando ferramentas de Sistemas de Informações Geográficas (SIG). O uso de mapas, o trabalho de campo, e consultas bibliográfica, utilizando uma abordagem multidisciplinar.
Os resultados encontrados nos mostraram que a aplicação do geoprocessamento permitiu a delimitação de zonas críticas com alta suscetibilidade a movimentos de massa, especialmente em bairros periféricos com ocupação desordenada. Nos permitiu delimitar as áreas de ocorrências, onde o mapa nos fornece subsídios técnicos para a tomada de decisão por parte do poder público, orientando a execução de obras de contenção e drenagem em áreas estratégicas.
Concluímos que uso do geoprocessamento se mostrou essencial na gestão de riscos geológicos em Juiz de Fora, oferecendo suporte técnico para a implementação de medidas estruturais eficazes. A integração de dados espaciais e a análise sistemática do território contribuíram para a redução da vulnerabilidade socioambiental e para o fortalecimento da resiliência urbana frente aos desastres naturais. A continuidade desse tipo de abordagem é fundamental para o planejamento urbano sustentável e a proteção da vida humana.
Palavras-chave: Geoprocessamento; Escorregamento de Massa; Sistema de Georreferenciamento; Mapeamento de Risco.
Abstract
The municipality of Juiz de Fora, located in the Zona da Mata Mineira, according to data from the National Monitoring and Alerts Center (CEMADEN), “has geological and geomorphological characteristics that make it susceptible to the occurrence of gravitational mass movements, especially in urbanized areas and irregularly occupied slopes”. In this context, the use of geoprocessing emerges as a strategic tool for spatial analysis, diagnosis of risk areas and planning of structural mitigation measures. The integration of geographic data allows for a more accurate and efficient approach to territorial management and the prevention of natural disasters.
Our objectives are to apply geoprocessing techniques to identify and map risk areas in Juiz de Fora; Subsidize the implementation of structural measures aimed at mitigating gravitational mass movements; and contribute to sustainable urban planning and the safety of the population living in vulnerable areas of Juiz de Fora.
The methodology used was a spatial approach, i.e., the location and geographic distribution of the events, using Geographic Information Systems (GIS) tools. The use of maps, fieldwork, and bibliographic consultations, using a multidisciplinary approach.
The results showed us that the application of geoprocessing allowed the delimitation of critical zones with high susceptibility to mass movements, especially in peripheral neighborhoods with disorderly occupation. It allowed us to delimit the areas of occurrences, where the map provides us with technical subsidies for decision-making by the government, guiding the execution of containment and drainage works in strategic areas.
We conclude that the use of geoprocessing proved to be essential in the management of geological risks in Juiz de Fora, offering technical support for the implementation of effective structural measures. The integration of spatial data and the systematic analysis of the territory contributed to the reduction of socioenvironmental vulnerability and to the strengthening of urban resilience in the face of natural disasters. The continuity of this type of approach is fundamental for sustainable urban planning and the protection of human life.
Keywords: Geoprocessing; Mass Slippage; Georeferencing System; Risk Mapping.
INTRODUÇÃO
Segundo a Estratégia Internacional para Redução de Desastres (EIRD), um desastre “é uma séria interrupção no funcionamento de uma comunidade ou sociedade, causando mortes, perdas materiais, econômicas e ambientais que excedem a capacidade da comunidade afetada de lidar com a situação usando seus próprios recursos”. Essa definição destaca que o desastre não é apenas o evento em si (como uma enchente ou deslizamento), mas o impacto que ele causa em uma população vulnerável. Ou seja, o mesmo fenômeno natural pode ou não ser considerado um desastre, dependendo do contexto social e da capacidade de resposta da comunidade atingida.
“Um desastre é um evento repentino e catastrófico que causa danos significativos ao meio ambiente, propriedades e vidas humanas” (EIRD). “Desastres podem ser naturais, como terremotos e inundações, ou causados pelo homem, como acidentes industriais. Geoprocessamento é um conjunto de técnicas e ferramentas usadas para coletar, processar e analisar informações geográficas” (INPE). Ele é fundamental para a gestão de recursos naturais, planejamento urbano e monitoramento ambiental, permitindo a visualização de dados espaciais através de mapas e modelos digitais. “Movimentos de massa são deslocamentos de grandes volumes de solo e rocha, muitas vezes causados pela gravidade. Incluem deslizamentos, avalanches e fluxos de detritos” (CEMADEN). Esses movimentos podem ser desencadeados por chuvas intensas, terremotos e atividades humanas, representando um risco significativo em áreas montanhosas e encostas íngremes.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “Censo Demográfico 2022, Juiz de Fora é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, a sudeste da capital do estado, distando desta cerca de 283 km”. Sua população foi estimada pelo (IBGE) “no ano de 2024 em 565.764 habitantes, sendo então o quarto mais populoso de Minas Gerais. Ocupa uma área de 1 435,7 km², dos quais 96,7 km estão em perímetro urbano. A cidade faz parte do eixo industrial das cidades próximas à BR-040 e das próximas à BR-116”.
Juiz de Fora está entre as 10 cidades do país com maior população morando em áreas de risco de deslizamentos. Segundo dados do (CEMADEN), “23,7% dos juiz-foranos moram em locais com risco de desastres”.
MAPEAMENTO DE ÁREAS DE RISCO
Segundo a Gestão Integrada de Risco de Desastre, Brasil – Japão (GIDES), “o mapeamento de áreas de risco de movimentos gravitacionais de massa, como deslizamentos, quedas de blocos e fluxos de detritos é uma ferramenta essencial para orientar ações preventivas. Ele fornece uma base técnica e geográfica que permite aos gestores públicos tomarem decisões mais seguras e eficazes”.
Esse tipo de mapeamento já foi aplicado em centenas de municípios brasileiros, como na Macrometrópole Paulista, onde ajudou a classificar áreas em níveis de suscetibilidade e orientar ações preventivas em escala regional.
Como o mapeamento de áreas de risco de movimentos gravitacionais de massa pode subsidiar a implementação de medidas estruturais para a redução de desastres em Juiz de Fora/MG?
1. OBJETIVOS
1.1 Objetivo Geral:
Analisar como o uso do geoprocessamento na implementação de medidas estruturais pode mitigar a ocorrência de movimentos gravitacionais de massa em Juiz de Fora/MG.
1.2 Objetivos Específicos:
- Mapear as ocorrências de movimentos gravitacionais de massa em Juiz de Fora.
- Identificar as medidas estruturais adotadas.
JUSTIFICATIVA:
Juiz de Fora apresenta características geográficas e climáticas que favorecem a ocorrência de movimentos gravitacionais de massa, como deslizamentos de encostas e escorregamentos de solo. Esses eventos, frequentemente intensificados por chuvas sazonais e ocupações urbanas desordenadas, representam sérios riscos à segurança da população, à infraestrutura urbana e ao meio ambiente. Diante desse cenário, torna-se essencial o desenvolvimento de estratégias eficazes para a prevenção e mitigação desses desastres.
Diante disso, se torna necessário a referida pesquisa para subsidiar o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) no monitoramento dos deslizamentos de encostas, tornando o atendimento e socorro da população mais eficaz. A observação dos atendimentos de ocorrências em Proteção e Defesa Civil (PDC) que nos levou a escolha desse tema.
Importante ressaltar que o geoprocessamento surge como uma ferramenta poderosa nesse contexto, permitindo a análise espacial detalhada, o mapeamento de áreas de risco, a modelagem de cenários e o suporte à tomada de decisão na implementação de medidas estruturais, como contenções, drenagens e reordenamento urbano. A escolha por estudar o uso do geoprocessamento em Juiz de Fora se justifica pela necessidade de integrar tecnologia e planejamento urbano em uma abordagem preventiva, promovendo maior eficiência na gestão de riscos geológicos. Além disso, a aplicação prática dessa ferramenta pode servir como modelo para outras cidades brasileiras com desafios semelhantes, contribuindo para a construção de cidades mais resilientes e seguras.
METODOLOGIA
A metodologia usada foi a de pesquisa de campo e a bibliográfica. A pesquisa foi conduzida em várias etapas, utilizando uma abordagem multidisciplinar.
Inicialmente solicitamos via Sistema Eletrônico de Informações/MG (SEI) a 2ª Seção – BM2 informações a respeito de ocorrências da Natureza “R03007 – Deslizamentos/Corridas de Massa”, feitas através do registro de ocorrências Registro de Eventos de Defesa Social (REDS) dos anos de 2021 a 2023. Após isso, tivemos uma resposta da 2ª Seção – BM2, na qual nos enviou uma planilha no formato _ xls (software Excel) via e-mail institucional contendo os dados como Latitude, Longitude, natureza da ocorrência, e o local dos relatórios de ocorrências do ano de 2022.
Em posse da referida planilha, recolhemos os dados e criamos uma tabela, e a convertemos para arquivo no formato “CSV” dentro da planilha Excel.
Para criação do mapa contendo os locas de escorregamento de massa, utilizamos o aplicativo QGIS versão (QGIS 3.38.0), dentro dele baixamos o complemento para arquivos (KMZ – KML), na qual, carregam os arquivos no formato (CSV). Baixados os referidos complementos, acessamos a ferramenta (HCMGIS), e dentro dela, acessamos o complemento (BASEMAPS), onde selecionamos o complemento Google Satélite híbrido. Após acessamos o complemento (KMZ), onde nos direcionou para adicionar o arquivo CSV. Feito isso, obtivemos o mapa com os pontos onde ouve as ocorrências de Escorregamento de Massa.
Posteriormente foram feitas visitas em campo nos locais onde houve os atendimentos das referidas ocorrência e efetuamos o registro das fotos, observando se houve algum tipo de intervenção, e qual tipo de intervenção.
2. REFERENCIAL TEÓRICO Geoprocessamento como Ferramenta Técnica
Permite o mapeamento de áreas de risco com alta precisão, integra dados topográficos, geológicos, pluviométricos e de ocupação do solo, reduz a subjetividade nas análises de suscetibilidade e risco.
Movimentos Gravitacionais de Massa
São processos naturais que envolvem o deslocamento de solo e rochas por ação da gravidade, podem ser intensificados por fatores antrópicos, como ocupação irregular e desmatamento.
Medidas Estruturais de Mitigação
Incluem obras de contenção, drenagem, reurbanização e barreiras físicas (como as Barreiras SABO), devem ser planejadas com base em estudos geotécnicos e mapas de risco gerados por geoprocessamento.
Planejamento Territorial e Gestão de Riscos
O geoprocessamento contribui para o planejamento urbano sustentável, ferramenta essencial na elaboração de Planos Municipais de Redução de Riscos(PMRRs).
Principais Referências
Gestão Integrada de Risco de Desastre, Brasil – Japão (GIDES), “Manuais técnicos sobre mapeamento e medidas estruturais”, Instituto Brasileiro de Geografia (INPE), Centro Nacional de
Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN).
2.1 Importância do Mapeamento de Áreas de Risco.
Na identificação de áreas vulneráveis, segundo a Defesa Civil de Juiz de Fora, “o mapeamento permite identificar regiões suscetíveis a deslizamentos, possibilitando o planejamento de ações preventivas e mitigadoras. Priorização de intervenções. Com o mapa de risco, os gestores públicos podem priorizar investimentos em obras de infraestrutura e ações de monitoramento nas áreas mais críticas”.
O mapeamento auxilia na criação de sistemas de alerta precoce e na disseminação de informações sobre riscos para a população local. Suporte a planos de contingência. As informações do mapeamento subsidiam o desenvolvimento de planos de emergência e protocolos de evacuação em caso de eventos climáticos extremos.
2.2 Análise de fatores de risco utilizando SIG
Segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), “a análise de fatores de risco utilizando Sistemas de Informação Geográfica (SIG) é uma etapa crucial no mapeamento de áreas suscetíveis a deslizamentos de terra. Essa análise permite identificar e ponderar os diferentes elementos geográficos que contribuem para a ocorrência desses eventos, como declividade do terreno, tipo de solo, cobertura vegetal e histórico de ocorrências. Aquisição e integração de dados geoespaciais, como imagens de satélite, mapas topográficos e informações sobre o histórico de deslizamentos na região”.
2.3 Escorregamento de Massa
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o “escorregamento de massa são fenômenos geológicos que envolvem o movimento abrupto de solos e rochas em declives, geralmente causados por um conjunto de fatores como chuvas intensas, terremotos, desmatamento e intervenções humanas inadequadas”. Esse tipo de deslizamento pode resultar em danos materiais significativos, perdas humanas e impactos ambientais graves.
A relevância do estudo de escorregamentos de massa é enorme, especialmente em regiões montanhosas e áreas urbanizadas próximas a encostas. A previsão e a prevenção desses eventos são cruciais para minimizar riscos e proteger comunidades. Tecnologias como sensoriamento remoto, modelagem geotécnica e análise de dados meteorológicos são ferramentas essenciais para monitorar áreas de risco e desenvolver estratégias eficazes de mitigação.
Adotar medidas preventivas, como a implementação de sistemas de drenagem adequados, reflorestamento de áreas vulneráveis e planejamento urbano consciente, são passos importantes para reduzir a ocorrência e os impactos dos escorregamentos de massa. Além disso, a conscientização e o treinamento da população sobre os riscos e as ações a serem tomadas em emergências podem salvar vidas e reduzir danos materiais.
Existem várias técnicas de geoprocessamento aplicadas ao mapeamento de áreas de risco. O sensoriamento remoto utiliza de imagens de satélite e aéreas para identificar áreas com alto risco de deslizamentos, como encostas íngremes e locais com sinais de instabilidade do solo. Já os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) desenvolvem os modelos espaciais que integram dados de relevo, geologia, hidrografia e uso do solo para mapear a suscetibilidade a deslizamentos.
Pode ser usado também o monitoramento por suscetibilidade a deslizamentos. Instalação de sensores em áreas críticas para monitorar fatores como movimentação do solo, precipitação e nível de lençol freático, permitindo a identificação precoce de riscos.
O estudo contínuo e a integração de novas tecnologias e abordagens científicas são fundamentais para avançar na gestão de riscos associados aos escorregamentos de massa, garantindo um futuro mais seguro e resiliente para as comunidades afetadas.
2.4 SISP (Sistema Integrado de Segurança Pública – MG)
O SISP foi criado para integrar as forças de segurança do Estado de Minas Gerais. Sua função é padronizar os vários tipos de atendimentos realizados pelos órgãos de segurança pública dentro do Estado de Minas Gerais. Sua função é dinamizar, e facilitar a coordenação de ocorrências de alta complexidade, assim definidas em norma específica, que envolvam os órgãos policiais e de bombeiros militares. O lançamento dos registros de ocorrências, independentemente da origem ou natureza do documento inicial, será efetuado no sistema denominado Registro de Eventos de Defesa Social (REDS), cujos dados alimentarão, de forma simultânea e sem qualquer filtro, a Base Integrada de Segurança Pública (BISP). O SISP tem como finalidade subsidiar e impulsionar as políticas e as ações relacionadas à segurança coletiva de pessoas e bens, por meio de gestão interinstitucional de informações da Base Integrada de Segurança Pública (BISP), sob articulação e coordenação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP).
2.4.1 DIAO (Diretriz Integrada de Ações e Operações do Sistema de Defesa Social)
A Diretriz Integrada de Ações e Operações do Sistema de Defesa Social (DIAO), estabelece a padronização do trabalho e do emprego da ação operacional integrada entre as polícias Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Corpo de Bombeiros Militar e Sistema Socioeducativo de Minas Gerais.
Dito de outra forma, a DIAO estabelece cada passo, cada procedimento, de forma detalhada, que deve ser adotado pelas Forças de Segurança do Estado no atendimento do cidadão mineiro em várias ocorrências e procedimentos administrativos. Ela enlaça a integração dos processos e garante a continuidade da solução do problema de segurança pública que o cidadão busca ajuda. A DIAO ainda disciplina e organiza o emprego dos recursos disponíveis. É um importante instrumento de interação dos profissionais da segurança e, também, essencial para a sua segurança.
Dito isto, a codificação/Natureza para as Ocorrências de Escorregamento de Massa em Minas gerais atendidas pelo Corpo de Bombeiros é R03007 – Deslizamentos/Corridas de Massa.
5. RESULTADOS
No presente estudo, aborda-se as ocorrências classificadas sob a natureza R03007 – Deslizamentos/Corridas de Massa, registradas no município de Juiz de Fora durante o ano de 2022. Ao longo desse período, especialmente dentro da faixa sazonal de variação média entre as temperaturas mínimas e máximas mensais, foram identificados episódios de escorregamento de massa em diferentes pontos da cidade.
Essas ocorrências foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, resultando na emissão de boletins de ocorrência e respectivos Registros de Eventos de Defesa Social (REDS). A sazonalidade ambiental, neste contexto, representa um fator relevante, pois evidencia os impactos das variações climáticas sobre o ambiente, conforme os ciclos anuais.
O mapa a seguir apresenta os oito (08) locais onde foram oficialmente registradas as ocorrências pelo Corpo de Bombeiros/MG. Cada ponto será analisado individualmente, com comentários específicos sobre sua situação atual. Dos oito locais identificados, foi possível obter registro fotográfico atualizado de seis (06) deles, permitindo avaliar se houve atuação da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora, por meio da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, no sentido de mitigar riscos remanescentes.
Essa análise será conduzida à luz do ciclo de ações da Defesa Civil, que compreende as etapas de Prevenção, Mitigação, Preparação, Resposta e Recuperação, com o objetivo de verificar a efetividade das medidas estruturais e operacionais adotadas para evitar novos episódios de escorregamento de massa nas áreas afetadas.
Figura 1 – Juiz de Fora – QGIS 3.38.0

Fonte: Juiz de Fora imagem, Marcelo Alexandre 08/12/2024
No ponto 01 (R. Ten. Lucas Drumont, 620 – Jardim Natal), em janeiro de 2022, ocorreu um escorregamento de um talude com aproximadamente 15 metros de extensão, vindo a cair cerca de 3 m³ de terra, que obstruiu a escada de acesso à residência.
Os bombeiros utilizaram o acesso da casa vizinha para realizar a retirada da família, animais e utensílios pessoais. A equipe da defesa civil foi acionada para fazer a avaliação de riscos de possíveis escorregamentos de massa futuros. A via em questão foi isolada e interditada temporariamente.
Atualmente, como podemos observar na figura 02 (imagem logo abaixo), a PMJF (Prefeitura Municipal de Juiz de Fora) efetuou uma intervenção no local.
A técnica utilizada foi a de contenção para escorregamento de encostas. É utilizada na contenção de taludes naturais escorregados. Os taludes naturais podem ser contidos através da técnica de Contenção para Escorregamento de Encostas, antes ou depois de serem afetados por desastres naturais como tempestades e desmoronamentos que os tornam instáveis e passíveis de rupturas e risco para pessoas e propriedades.
Figura 2 – Ponto 01 – Rua Tem. Lucas Drummond, 620

Fonte: Jardim Natal imagem, Juiz de Fora /Marcelo Alexandre 08/12/2024
No ponto 02 (Avenida Doutor Deusdedith Salgado, 3963 – Teixeiras), neste local existia um talude de aproximadamente 10 metros de altura com inclinação de 30 graus. Lá, houve escorregamento de massa e rochas sedimentares, elas atingiram um estabelecimento comercial, vindo este a ter abalos em sua estrutura. Com isso desmoronou dois cômodos.
Devido a isso, o imóvel ficou com risco potencial de desabamento. O local foi interditado e isolado para fins de avaliação do engenheiro da defesa civil. A pista de rolamento foi isolada a metade. O risco potencial foi de grau 3 de escorregamento de talude em direção a via pública. Foi solicitado vistoria dos engenheiros da defesa civil.
Figura 3 – ponto 02 – avenida doutor deusdedith salgado, 3963

Fonte: Teixeiras imagem, Juiz de Fora /Marcelo Alexandre 07/12/2024
Nesta imagem atual do ponto 02 (figura 03), observamos que o escorregamento de massa ocorreu em uma área partícula, e o proprietário tomou as medidas necessárias para possibilitar maior segurança ao seu patrimônio. Podemos notar que o sistema utilizado foi a Técnica de Solo Reforçado em Corte, que é muito eficiente para várias aplicações. Essa técnica consiste principalmente em executar perfurações no solo para instalação de barras de aço, os chumbadores ou grampos, dotados de mangueiras especiais de injeção. As injeções de calda de cimento sob pressão vêm em seguida, e são feitas de forma setorizada, melhorando as condições geológicas do terreno e transformando-o em um muro de peso, o terreno que você quer conter será modificado para melhor com esta contenção.
No ponto 03 (Rua João Luzia, 02 – Granjas Três Moinhos), houve um escorregamento de massa de grau 03 com aproximadamente 30 metros de altura, com aproximadamente 60° de inclinação. Há época, uma equipe do Corpo de Bombeiros de MG e uma equipe da defesa civil municipal, fizeram a colocação de lonas na encosta que sofreu o deslizamento de massa.
Na imagem atual do ponto 03 (figura 04), como podemos ver na imagem abaixo, foi utilizado a técnica de colocação de lona. A colocação de lonas é uma das intervenções de caráter preventivo nas áreas atingidas pelos escorregamentos de massa. A ação tem o objetivo de preservar os locais até que obras de recuperação definitivas sejam executadas. Procedimentos como desvio de águas, vedação de trincas, colocação de lonas e interdição são adotados para salvaguarda de vidas.
Figura 4 – ponto 03 – Rua João Luzia, 02

Fonte: Granjas Três Moinhos imagem, Juiz de Fora/Marcelo Alexandre – 07/12/2024
No ponto 04 (Rua Diva Garcia, 530 – Linhares), houve o escorregamento do talude, acumulando lama e resto de vegetação da encosta no asfalto. Houve a interdição da passagem na via, além de ter derrubado a fiação da rede pública de energia. Houve o risco de choque elétrico. A equipe do CBMMG fez uma avaliação do talude, porém constataram a necessidade de evacuação de moradores, uma vez que a residência que estava próximo a crista do talude, estava abandonada.
A defesa civil compareceu no local, avaliou, e viu a necessidade de nova avaliação em período diurno.
Infelizmente, nesse ponto, não conseguimos ter acesso ao local para inserir as imagens atuais aqui.
No ponto 05 (Rua Rosa Sfeir – Grajaú), houve um deslizamento de terra, onde havia o risco de novos deslizamentos. Desta forma, a guarnição do Corpo de Bombeiros – MG teve que efetuar a afixação de lonas, fornecidas pela Defesa Civil de Juiz de Fora. Porém, a equipe dos Bombeiros teve várias dificuldades, dentre elas, o risco de novos deslizamentos, porque o terreno estava com muito barro e encharcado de água, e havia também a grande declividade, e a vegetação que precisou ser retirada.
Figura 5 – ponto 05 – R. Rosa Sffeir

Fonte: Grajaú imagem, Juiz de Fora/ Marcelo Alexandre- 07/12/2024
Na figura acima (figura 05), imagem atual do local, observamos que houve o trabalho da PMJF para contenção da encosta. No primeiro terço da encosta, foi usado o sistema de Cortina de Concreto: grampos ou barras de aço são fixadas ao talude do morro e cobertas com concreto. Esses grampos em profundidade são os ideais para manter a estabilidade da estrutura. O serviço envolve escavação e perfuração, colocação de drenos e concreto. Ao final dele foi feito um sistema de coleta da água das chuvas através de canaletas tipo escada em toda a sua extensão. No segundo e terceiro terço da encosta foi utilizado a colocação de grama, que é a técnica de Solo grampeado verde. Essa técnica, que consiste em reforçar o solo com grama para evitar deslizamentos e desmoronamentos, acaba sendo uma técnica que irá ter menor custo e com menor impacto no meio ambiente.
No ponto 06 (Rua Aleixo Martins Neto, 284 – Marumbi), nesse ponto, duas residências foram prejudicadas. Um muro caiu devido a um escorregamento de massa de um talude, ao lado da propriedade das residências. O muro possuía aproximadamente 15 metros de comprimento por 2,5 metros de altura, sendo 4 metros caídos e outros 3 metros apresentando inclinação e risco de nova queda. Os militares do CBMMG evacuaram os moradores das duas residências, e foram orientados a procurar abrigo na casa de familiares até a avaliação do imóvel pela defesa civil da PMJF. O local foi interditado.
Figura 6 – ponto 06 – Rua Aleixo Martins Neto, 284

Fonte: Marumbi imagem, Juiz de Fora/Marcelo Alexandre – 07/12/2024
Na figura acima (figura 06), temos a imagem atual do local. Observamos que até o momento não houve nenhuma atuação da PMJF, ou do proprietário do terreno. A área toda do escorregamento ainda está exposta. Estamos entrando novamente em período de chuvas, e poderá haver novamente outra ruptura do talude.
No ponto 07 (Rua Artur Machado Filho, 10 – Santa Cândida), ouve um escorregamento de terra em um talude de aproximadamente 10 metros de altura, e 200 metros de comprimento. Várias casas foram afetadas e por isso interditadas. A Defesa Civil de Juiz de Fora juntamente com uma equipe do Corpo de Bombeiros – MG fizeram a colocação de lona no terreno com deslizamento de terra.
Figura 7 – Ponto 07 – Rua Artur Machado Filho, 10

Fonte: Santa Cândida imagem, Juiz de Fora/Marcelo Alexandre- 07/12/2024
Na figura acima (ponto 07) temos a imagem atualizado local sinistrado. Observamos que a técnica de contenção da encosta utilizado foi a mesma utilizada na encosta do ponto 05 (Rua Rosa Sfair – Grajaú). A técnica é o do sistema de Cortina de Concreto, também realizado no primeiro terço da encosta. E no restante da encosta foi utilizado a colocação de grama, que é a técnica de Solo grampeado verde.
No ponto 08 (Rua Dom Geraldo Maria de Moraes Penido, 202 – Miguel Marinho), a parte de um talude havia caído nos fundos de uma habitação com quatro apartamentos, sendo que as paredes não foram atingidas, mas havia o risco de um novo deslizamento. Todos os moradores dos apartamentos foram orientados pela guarnição do CBMMG a não permanecerem nos apartamentos até uma avaliação da defesa civil da PMJF. a defesa civil foi ao local no dia posterior, interditando o local. engenheiro marcelo. foi feito contato com Aline da defesa civil de PMJF no dia do fato, e ela nos informou que no dia seguinte uma equipe estaria no local para avaliação técnica e acionamento da assistência social. A Guarnição do CBMMG retornou ao local no dia 19/01/2022 para apoio a defesa civil em colocação de lona no barranco e as moradas ainda permaneciam interditadas sem moradores. não houve réplica de deslizamento do talude desde o fato do dia 11/01. as lonas foram colocadas em uma parte pelos próprios moradores antes da GUBM retornar ao local, portanto a guarnição completou a colocação de lona na parte que havia ficado descoberta. O apoio a defesa civil transcorreu sem alteração. Não tivemos sucesso para chegarmos até o local de escorregamento para realizarmos a análise atual dos atos praticados ou não para a contenção da encosta.
Conclusão
Em conclusão, o uso de técnicas de geoprocessamento demonstrou-se fundamental para o mapeamento preciso e eficaz de áreas de risco de escorregamento de massa durante o período chuvoso. Através da coleta e análise de dados geoespaciais, foi possível identificar fatores de risco, modelar a suscetibilidade a deslizamentos e integrar esses resultados a sistemas de alerta e monitoramento.
Recomenda-se a adoção dessa abordagem em outras regiões vulneráveis, com a constante atualização e aprimoramento dos modelos, a fim de mitigar os impactos devastadores desses eventos climáticos extremos, e proteger vidas e infraestruturas. Investimentos contínuos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e capacitação profissional também são essenciais para aperfeiçoar ainda mais essas soluções biotecnológicos.
Cabe ressaltar que regiões citadas nesse estudo já eram monitoradas pelo sistema SIG da PMJF. Não houve nenhum óbito nessas ocorrências devido ter sido aplicado o clico completo de Defesa Civil. Ouve a prevenção e mitigação, que foram realizadas através do Sistema de Informações Geográficas, onde a Defesa Civil de Juiz de Fora fazia visitas recorrentes as regiões com riscos de sinistros, orientando os moradores de possíveis abandonos de suas moradias por causa dos escorregamentos.
À medida que a tecnologia avança e o acesso a dados geoespaciais se torna mais amplo, o papel do geoprocessamento no mapeamento de áreas de risco tende a se fortalecer ainda mais. É essencial que as instituições governamentais, empresas e comunidades científicas continuem a investir nessa área, promovendo a capacitação de profissionais, o desenvolvimento de sistemas integrados e a adoção de práticas de gestão de riscos baseadas em evidências.
Ao concluirmos esta jornada, fica evidente que o geoprocessamento é uma ferramenta poderosa e indispensável para o efetivo mapeamento e gerenciamento de áreas de risco, contribuindo de maneira significativa para a construção de comunidades mais resilientes e preparadas para enfrentar os desafios do futuro.
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