O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NO 2º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10975593


Cleiton Luz Barros1


RESUMO

O presente trabalho, faz uma abordagem sobre o processo de alfabetização e letramento no 2º Ano do Ensino Fundamental. Busca analisar os métodos e metodologias utilizados em sala para o desenvolvimento da escrita e leitura do aluno. Acredita-se o processo de alfabetização e letramento são indissociáveis, pois um completa o outro. A alfabetização é o processo de ler e escrever, porém, o letramento é o processo de ler, escrever e interpretar. O estudo evidencia também as dificuldades enfrentadas nessa etapa pelo aluno. A pesquisa é de campo de caráter qualitativa da qual utilizou como ferramenta um questionário e observações na sala de aula. O desenvolvimento desses processos nas três primeiras séries do ensino fundamental é de suma importância para o crescimento intelectual e social do aluno no decorrer da sua vida estudantil.

PALAVRAS-CHAVE: Alfabetização. Letramento. Escrita. Leitura.

No ensino fundamental anos iniciais são muitos os problemas que estão associados ao processo de construção da leitura e da escrita dificultando o ensino-aprendizagem estabelecendo uma preocupação com o processo de alfabetização. O professor, no entanto, é o articulador entre as crianças e objeto de conhecimento, elaborando condições e espaço de aprendizagem que articule os recursos e capacidades emocionais, afetivas, cognitivas e sociais de cada aluno aos seus primeiros conhecimentos e aos conteúdos referentes aos distintos campos de conhecimentos. Segundo Soares (2003), “não adianta aprender uma técnica e não saber usá-la”. Porém, não devemos apenas ensinar a técnica, mas também envolver os alunos nas práticas sociais de leitura e escrita.

Este trabalho parte de uma pesquisa de campo realizada com duas professoras do 2º Ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais da Unidade Escolar São Lourenço, localizada no povoado São Lourenço, município de Carutapera Maranhão, e tem como finalidade verificar métodos que contribuam com o processo de alfabetização dos alunos nas séries iniciais do ensino fundamental, principalmente as crianças do 2º Ano, levando em consideração as metodologias e práticas utilizadas na sala de aula.

Utilizamos para a coleta de dados, um questionário com quatro perguntas para as professoras: Como você trabalha o processo de alfabetização na sala aula? Quais métodos você utiliza na sala de aula? Quais os suportes para a execução das metodologias na sala de aula? Quais são as maiores dificuldades encontradas pós pandemia? Essas perguntas tornaram-se norteadoras para a pesquisa, para atingir o objetivo do trabalho.

Esse trabalho procura estabelecer os métodos e metodologias do processo de alfabetização e letramento inseridos no cotidiano do 2° ano do ensino fundamental. Tem como justificativa mostrar e esclarecer métodos e metodologia de alfabetização e sua contribuição para o processo de formação e desenvolvimento do estudante.

A proposta de se trabalhar o tema alfabetização e letramento se deu devido a inquietação de discutir essa etapa de grande importância para aprendizagem dos alunos. O presente trabalho tem como objetivo elencar o processo de alfabetização e letramento do 2º Ano do Ensino Fundamental.

 A fundamentação teórica se entrelaça com autores que trabalham com essa temática, como Soares (2004), Goulart (2014, Carvalho (2005), Ferreiro (1993), dentre outros. Com esse viés podemos analisar a teoria com a prática que foi construída com o apoio das professoras. Dessa forma, procuramos discutir o processo de alfabetização dentro da nossa realidade atual. O propósito maior da alfabetização que é “compreender o que foi lido, tirar proveito da leitura, seja em termos de informação ou de prazer (ou ainda de ambos)” (CARVALHO, 2002). Portanto, é com esse intuito que procuramos abordar o processo de alfabetização nesse trabalho.

Essa pesquisa se desenvolveu a partir de uma abordagem qualitativa que tem como objetivo elencar o processo de alfabetização e letramento dos alunos do 2º Ano do Ensino Fundamental da Unidade Escolar São Lourenço, localizada no povoado São Lourenço, município de Carutapera Maranhão. Usamos um questionário como instrumento para coleta de dados. Segundo Oliveira (2007, p.60), “a pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como sendo um estudo detalhado de um determinado fato, objeto, grupo de pessoas ou ato social e fenômenos da realidade”.

No entanto, para o desenvolvimento desta pesquisa foi necessário fazer observações na sala de aula entre os dias 28 de novembro e 02 de dezembro de 2022, para analisar o desenvolvimento das atividades executadas pelas professoras. Portanto, vale apenas lembrar que essa é uma pesquisa qualitativa aonde procuramos evidenciar o desenvolvimento do processo de alfabetização e letramento do 2º Ano do Ensino Fundamental anos iniciais.

O trabalho está estruturado na primeira parte na introdução onde fizemos um resumo do trabalho, na segunda parte está estruturada na fundamentação teórica com citações de autores especialista no assunto sobre o conceito sobre alfabetização e letramento, na terceira parte focamos no resultado e discussões sobre as respostas das professoras da aplicação do questionário e a quarta parte, na conclusão do trabalho onde colocamos o nosso ponto vista do trabalho.

1. Conceitos de Alfabetização e Letramento

Para o desenvolvimento leitura e da escrita, o processo de alfabetização e letramento são extremamente necessários para o crescimento do aluno, mesmo sendo processos diferentes, eles andam lado a lado. Entretanto, é necessário trabalhá-los concomitantemente.

A alfabetização é o processo de ler e escrever, porém, o letramento é o processo de ler, escrever e interpretar. A alfabetização e o letramento são conceitos distintos, no entanto, se interrelacionam para aflorar o processo de aprendizagem dos alunos de forma mais abrangente, em que alfabetizar letrando significa decodificar e codificar a língua escrita e buscar a real compreensão da palavra no contexto social. Para Albuquerque (2007) “A alfabetização considerada como o ensino das habilidades de ‘codificação’ e ‘decodificação’ foi transposta para a sala de aula, no final do século XIX, mediante a criação de diferentes métodos de alfabetização […]”. Já Soares (1999, p.3.) diz que[…] letramento é “estado ou condição de quem não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive”. Dessa forma, alfabetização e letramento estão ligados entre si.

Nessa perspectiva, uma pessoa alfabetizada não significa que está letrada como Soares (2003) fala:

“Um indivíduo alfabetizado não é necessariamente um indivíduo letrado; alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o indivíduo letrado, o indivíduo que vive em estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e de escrita (SOARES, 2003, p. 40)”.

Dessa forma, saber ler e escrever não é suficiente. A pessoal tem que saber ler, escrever e interpretar e dominar as técnicas existentes, ou seja, é o processo que garante autonomia ao indivíduo no desenvolvimento mental, pessoal e profissional, em conformidade com esse diálogo Soares (2009) diz:

“Se alfabetizar significa orientar a criança para o domínio da tecnologia da escrita, letrar significa levá-la ao exercício das práticas sociais de leitura e de escrita. Uma criança alfabetizada é uma criança que sabe ler e escrever; uma criança letrada (tomando este adjetivo no campo semântico de letramento e de letrar, e não com o sentido que tem tradicionalmente na língua, este dicionarizado) é uma criança que tem o hábito, as habilidades e até mesmo o prazer de leitura e de escrita de diferentes gêneros de textos, em diferentes suportes ou portadores, em diferentes contextos e circunstâncias”. ( Soares 2009, pg. 31)

Segundo Ferreiro (1993, p.9), a concepção de alfabetização na concepção é a condição de quem não só lê e escreve, mas, exerce práticas sociais de leitura e de escrita que circulam na sociedade em que vivem, articulando-as ou dissociando-as das práticas sociais de interação oral. Já Souza (2007, p. 2), diz que a alfabetização (ou conhecimento das letras) é apenas um meio para o letramento (uso social da leitura), ou seja, as crianças já vêm de casa com um conhecimento cultural adquirido no cotidiano, na sala de aula, o professor precisa ampliar esses conhecimentos.

Para Val (2006, p. 19),

“Pode-se definir alfabetização como o processo específico e indispensável de apropriação do sistema de escrita, a conquista dos princípios alfabético e ortográfico que possibilitem ao aluno ler e escrever com autonomia. Noutras palavras, alfabetização diz respeito à compreensão e ao domínio do chamado “código” escrito, que se organiza em torno de relações entre a pauta sonora da fala e as letras (e ouras convenções) usadas para representá-la, a pauta, na escrita”.

Nessa contextualização (TFOUNI, 1998, p.9, e 1995, p. 9-10) conceitua:

“A alfabetização refere-se à aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades pela leitura, escrita e as chamadas práticas de linguagem. Isso é levado a efeito, em geral por meio do processo de escolarização e, portanto, da instrução formal. A alfabetização pertence assim, ao âmbito individual”.

De acordo com o que afirma Goulart (2014, p. 37-38):

Aprender a escrita somente tem sentido se implicar a inclusão das pessoas no mundo da escrita. Toma-se por base o modo como os processos de escolarização e de alfabetização são concebidos por Paulo Freire – como ato político e prática de liberdade. Nosso país, vale lembrar, tem apresentado muitas dificuldades para efetivar esses processos de forma a transformar a condição de cidadania da população brasileira como um todo.

Diante desses conceitos acima citados por esses pensadores, observamos que a alfabetização e o letramento são processos que caminham juntos apesar de distintos, devem ser orientados ao mesmo tempo com práticas e métodos que visem o aprendizado do aluno.

1.1 Métodos Sintético e Analítico

O método sintético é considerado um dos mais antigos métodos de alfabetização baseado na teoria do behaviorismo podendo ser aplicado a todas as crianças do ciclo de alfabetização.

O método sintético é orientado em seu ensino, que o aluno faça a leitura corrida, definindo o ritmo e a compreensão da leitura, fazendo com que o aluno entenda por parte evitando a compreensão da leitura. Portanto, dentro desse conceito desse método se destaca o método alfabético e o método fônico. O método alfabético utiliza a letra como unidade para o processo de orientação para os alunos. Já o método fônico utiliza o fonema. Para Ferreiro & Teberosky (1999, p. 21),

O método sintético insiste, fundamentalmente, na correspondência entre o oral e o escrito, entre o som e a grafia. Outro ponto chave para esse método é estabelecer a correspondência a partir dos elementos mínimos, num processo que consiste em ir das partes ao todo. Os elementos mínimos da escrita são as letras.

Dessa forma, a aprendizagem pelo método sintético acontece a partir da memorização, ocasionando um atraso no conhecimento porque impede o aluno a progredir em seus pensamentos e reflexões. Para Carvalho (2002) “aprender a ler como se a leitura fosse um ato mecânico, separado da compreensão, é um desastre que acontece todos os dias”. Entretanto, o método sintético é um método ultrapassado que não serve mais para o aprendizado nos dias atuais.

Em contra partida, os métodos analíticos analisam a palavra utilizando os processos de palavração e sentenciação.

O processo de palavração acontece a partir de uma palavra simples com sílabas que é gravada mentalmente pelos os estudantes, prosseguindo logo a diante o ensino das outras sílabas. Já a sentenciação acontece a partir de uma frase onde o aluno memoriza as palavras que formam a sequência, analisam as sílabas que formam cada palavra para formar novas palavras. Segundo Ferreiro & Teberosky (1999, p. 23),

[…] O prévio, segundo o método analítico, é o reconhecimento global das palavras ou das orações; a análise dos componentes é uma tarefa posterior. Não importa qual seja a dificuldade auditiva daquilo que se aprende, posto que é necessário começar com unidades significativas para a criança (daí a denominação “audiovisual”).

Portanto, o método analítico é o mais eficaz para se trabalhar a alfabetização em sala de aula, pois intensifica o entendimento do texto, além de incentivar o aluno fazer produções baseadas em suas reflexões e pontuações.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Exercer a profissão de professor nos dias atuais é um desafio constante, principalmente no ciclo da alfabetização que inclui as três séries iniciais do ensino fundamental, pois os alunos não apresentam o mesmo grau de deficiência e habilidade de aprender, tornando uma batalha diária para alfabetizar.

Aplicamos um questionário com quatro perguntas norteadoras para duas professoras do 2º Ano da Unidade Escolar São Lourenço, localizada no povoado São Lourenço no município de Carutapera Maranhão, que serviram como base para o desenvolvimento do trabalho. As duas professoras são licenciadas em Pedagogia. Para melhor entendermos, identificaremos as professoras como P1 e P2.

Fizemos a seguinte pergunta para as professoras: Como vocês trabalho o processo de alfabetização na sala de aula?

P1. Eu procuro sempre em minhas aulas instigar da melhor forma possível a atenção dos alunos sempre interagindo. Por exemplo, procuro desenhar as letras no quadro e peço para que os alunos repitam o som de cada letra. Portanto, o aprendizado pode ter maior efeito, se trabalhado com interação, jogos de memória, produzir cartazes com imagem seguidas de espaços correspondentes às silabas que serão preenchidas pelos alunos para formar palavras.

P2. Eu procuro trabalhar de forma diversificada, pois sempre me deparo com alunos com realidades diferentes e com dificuldades de aprendizagem. No início do ano letivo faço um diagnóstico pra identificar as dificuldades de cada aluno. A partir de então, procuro trabalhar o processo de alfabetização de acordo com as dificuldades. No entanto, encontro alunos que sabem ler, outros que estão começando e os que dominam já leitura.

No texto P1, a professora afirma que é de suma importância manter a atenção dos alunos e interagir diariamente com os mesmos para o processo de alfabetização fluir, trazendo atividades diariamente que possam chamar a atenção e trabalhar encima dessas atividades a autoconfiança. 

Já a P2 chama atenção para a importância de fazer um diagnóstico no início do ano letivo, pois através do diagnóstico é que o professor vai analisar a situação de cada aluno e descobrir as habilidades e dificuldades de cada um.

É importante enfatizar também a importância do lúdico na sala de aula como citado pela P1 que trabalha com jogos.  Os jogos são importantes para desenvolver a parte motora e intelectual do aluno fazendo assim com que ele tenha mais interesse de participar das aulas.

Procuramos saber quais os métodos utilizados pelas professoras em sala de aula:

P1. Nas minhas aulas procuro utilizar métodos que visam a participação. Através desses métodos, estimulo as crianças a aprenderem as famílias silábicas associando sons e palavras, leitura da totalidade da palavra, frases ou contos para o reconhecimento dos elementos gráficos (letras e sílabas).

P2. Eu sempre utilizo métodos que procura melhorar a autoconfiança do aluno, pois, sempre estimulo o aluno que ele é capaz de fazer e aprender. Procuro trabalhar as famílias silábicas, incentivo a produzirem pequenos textos ou frases, utilizo contos e histórias para incentivar a práticas da leitura, faço a leitura de histórias, etc.

Com base na resposta da P1 e P2, podemos analisar que elas utilizam o método analítico fazendo com que o aluno tenha interpretação do que ele está fazendo. É louvável que as duas professoras utilizam métodos que desenvolvam a alfabetização e o desenvolvimento intelectual do aluno, entretanto, infelizmente a realidade em muitas escolas é muito diferente onde os professores se apegam em velhos hábitos que incentivam apenas a memorização das silabas e palavras se apegando em métodos tradicionais e antigos, atrasando assim, o desenvolvimento do aluno.

Perguntamos quais eram os suportes para execução das metodologias da alfabetização e letramento na sala de aula?

P1. Convidar os alunos para desenvolver estratégias para a superação de problemas de forma colaborativa. Propor desafios que tragam aspectos lúdicos ao processo didático, essas atividades costumam engajar os estudantes, por trazerem uma dinâmica mais prazerosa à aprendizagem. Procuro fazer trabalho em equipe e debate para instigar o senso crítico do aluno. O utilizo a música e as brincadeiras nos momentos de descontração. 

P2. Utilizo como suporte os livro didáticos e paradidáticos, a internet para buscar informações que agregam nas aulas. Utilizo também o cantinho da leitura e a sacola viajante para desenvolver o prazer da leitura em parcerias com os pais que incentivam em casa. Trabalho também com conteúdos interdisciplinares vivenciado no cotidiano, música, brincadeiras, etc.

Diante das respostas das professoras, destacamos que a P1 utiliza como suporte estratégias e desafios para resolver os problemas internos. Vale apenas ressaltar que o domínio de turma do professor é fundamental para o bom desempenho nas atividades na sala de aula, principalmente quando se trata de alfabetização, pois exige concentração para assimilar o que está sendo ensinado.

A fala apresentada pela P2 ressalta que a utilização de suportes extraclasse e essencial, como a utilização da internet, pois a internet oferece um leque de informações que podem ser filtradas e utilizadas na sala de aula, além de apresentar materiais pedagógicos, experiências que deram certas que podem ser adequadas. A P2 relatou estratégias muito boas para melhorar a leitura e a escrita dos alunos que é o cantinho da leitura e a sacola viajante, são estratégias que incentivam o interesse pela leitura e como consequência a melhora da escrita.

E para finalizar o nosso questionário, procuramos saber quais as maiores dificuldades encontradas pós a pandemia do covid19?

P1.  Quando voltamos com as aulas presenciais, constatei muitas dificuldades como insegurança, desinteresse, desmotivação de retornar as aulas, dificuldade de concentração e com déficit de aprendizagem, problemas socioemocionais.

P2. Após o retorno das aulas, encontrei muitas dificuldades nos alunos pelo fato das aulas presenciais voltarem após um ano e meio. Tivemos as aulas remotas, mas não é a mesma coisa, pois os alunos voltaram com déficit de aprendizagem, dificuldade de concentração, problemas emocionais, alunos que não sabia nem o alfabeto, desmotivação, indisciplina, enfim, alunos que não estavam preparados para estarem no 2º Ano. Foi preciso fazer um trabalho de alfabetização desde o início com o alfabeto e vogais, pois parecia que os alunos desaprenderam.

A fala da P1, nos traz o prejuízo que a Pandemia do Covid19 deixou para a educação, todas essas dificuldades relatadas infelizmente estão presentes nas salas aula em todo o país. É preciso fazer um trabalho minucioso para recuperar essa lacuna.

Conforme a P2, os desafios são enormes para recuperar o tempo perdido, pois as dificuldades são muitas, como ela relata, que os alunos chegaram no 2º Ano sem estarem preparados para estudar na turma. O que podemos observar é que as aulas remotas não funcionaram durante a pandemia e que as escolhas foram obrigadas a passar todos os alunos e isso impactou de forma direta na aprendizagem dos alunos prejudicando o processo de alfabetização e letramento dos alunos.

Vale apenas salientar, que o sistema educacional brasileiro não estava preparado para enfrentar os desafios da Pandemia, pois de uma hora pra outra o professor teve que se adaptar a novas práticas metodologias de ensino com a utilização de novas tecnologia como as aulas através de vídeo conferência pelo notebook ou celular, uma prática totalmente fora de sua realidade, pois a grande maioria dos alunos não tinha acesso à internet ocasionando mais dificuldades para as escolas. No entanto, a Pandemia demonstrou que a educação pode se adequar a novas realidades e tecnologias facilitando a forma de estudar, mas que para isso exigi mais esforço e dedicação por parte do aluno.

De acordo com os relatos acima citados, podemos concluir que os métodos e metodologias são fundamentais para o desenvolvimento do processo de alfabetização e letramento. O professor do 2º Ano do Ensino Fundamental tem uma tarefa árdua, pois não é fácil educar várias crianças ao mesmo tempo, o trabalho tem que ser minuciosamente bem feito com estratégia, métodos e metodologias que possam despertar a curiosidade e o interesse do aluno, caso contrário, será um trabalho frustrante e como consequência teremos alunos passando de ano sem está preparado para série seguinte. Cabe ressaltar que nos últimos dois anos, os professores do 2º Ano tiveram um desafio ainda maior, pois os alunos não tiveram aulas presenciais no 1º Ano, chegando no 2º Ano com muitas dificuldades em leitura e escrita, ou seja, tiveram que trabalhar todo o processo de alfabetização desde o início. A pandemia trouxe resultados negativos para educação, pois, as aulas remotas e híbridas não foram satisfatórias. Para mudar essa realidade na alfabetização, vai ser preciso fazer um esforço maior em parceria com os órgãos competentes, dedicação dos profissionais da educação e elaborar estratégia de acolhimento, de empatia e ações que visem melhorar a qualidade das relações socioemocionais entre professores e alunos, família e a escola.

Fazendo uma análise de acordo com a nossa inquietação sobre o processo de alfabetização e letramento, chegamos à conclusão que o ciclo de alfabetização é uma etapa importantíssima para o desenvolvimento intelectual e social do aluno, pois é um ciclo preparatório para a vida estudantil do aluno. O aluno que não tiver uma boa preparação nas três primeiras séries do ensino fundamental, enfrentará muitas dificuldades nas séries seguintes. Portanto, o professor que trabalha nessas séries, principalmente no 2º Ano, tem que está preparado e ter amor pelo que faz, pois é um desafio constante, mas com dedicação, preparo, amor e força de vontade terá êxito em sua profissão.  

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